Além dos bloguistas "residentes", não é vulgar aparecer por aqui quem defenda uma evolução positiva de atitudes e de comportamentos acerca dos assuntos locais de Alcochete.
Sempre que tal sucede, renasce em mim a esperança de que nem todos aceitam a condição de beduínos ou camelos e que, mais dia menos dia, a opacidade e o obscurantismo custarão caro a quem tudo fez e faz para manter distante a maioria dos cidadãos.
Duvido que a regeneração do sistema seja possível com gente que, nos últimos 30 anos, viveu na dependência dos caciquismos partidários e sobreviveu melhor ou pior com eles.
Todavia, localmente os partidos morreram ou estão moribundos e talvez haja, enfim, a oportunidade de novas gerações de alcochetanas e alcochetanos virarem isto do avesso.
Pelo menos, é gente mais culta e consciente de que quando uma revolução falha faz-se outra para recomeçar tudo de novo.
Esta revolução falhou porque, em Alcochete, só mudaram as moscas. Entre as folhas impressas de hoje e as de há 40 anos não encontro diferenças significativas, excepto nos protagonistas. Tão figurões eram aqueles como estes.
Àqueles guardo algum respeito porque foram executores ou patrocinadores das únicas obras de índole social ainda hoje existentes. A estes só posso desejar que depressa a maioria dos cidadãos reconheça o erro e os force a mudar de vida.
Mas desengane-se quem suponha que, individualmente, conseguirá mudar algo. Ninguém caia nessa. Organizem-se e gritem bem alto o que lhes vai na cabeça.
Mandem às malvas as folhas institucionais dependentes da gamela do poder e usem as novas tecnologias, que oferecem imensas possibilidades de expressão autónoma, de circulação de ideias e de projectos.
Pode não haver sucesso imediato. Mas a mensagem passará e os resultados aparecerão depois.
Por isso, comecem já!
22 junho 2007
21 junho 2007
Escola El-Rei D. Manuel I
Da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, de Alcochete, recebi a seguinte nota:
"Tomámos conhecimento que a Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo entendeu que as Escolas deveriam compensar os alunos pelo facto não terem tido aulas nos passados dias 23 e 24 Maio, datas da realização das provas de aferição do 6º ano.
"Consideramos que se trata de uma decisão inqualificável atendendo ao facto de que mais uma vez se demonstra que alguns decisores não cumprem as suas responsabilidades nem a programação aprovada antecipadamente.
"Estamos convictos que atitudes desta natureza são contraproducentes à harmonia que se pretende instituir no ensino.
"Somos defensores do rigor e da responsabilidade. Mas, estamos convictos, que a decisão em obrigar as escolas a abrirem os seus portões para além da data estipulado, no final do ano lectivo, em nada vem acrescentar ao aproveitamento escolar.
"Se a isto acrescentarmos o transtorno que causa na gestão interna da escola, bem como à programação da vida familiar, é uma decisão irresponsável.
"Deixamos ao critério dos pais e encarregados de educação a decisão dos seus filhos comparecerem na escola nos próximos dia 26 e 28 de Junho; aos que tomarem a decisão de não autorizar a comparência dos filhos, estamos totalmente solidários.
"Ao Senhor Director Regional da DREL recomendamos que cumpra com o planeado e ordene a execução das obras no refeitório da Escola".
"Tomámos conhecimento que a Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo entendeu que as Escolas deveriam compensar os alunos pelo facto não terem tido aulas nos passados dias 23 e 24 Maio, datas da realização das provas de aferição do 6º ano.
"Consideramos que se trata de uma decisão inqualificável atendendo ao facto de que mais uma vez se demonstra que alguns decisores não cumprem as suas responsabilidades nem a programação aprovada antecipadamente.
"Estamos convictos que atitudes desta natureza são contraproducentes à harmonia que se pretende instituir no ensino.
"Somos defensores do rigor e da responsabilidade. Mas, estamos convictos, que a decisão em obrigar as escolas a abrirem os seus portões para além da data estipulado, no final do ano lectivo, em nada vem acrescentar ao aproveitamento escolar.
"Se a isto acrescentarmos o transtorno que causa na gestão interna da escola, bem como à programação da vida familiar, é uma decisão irresponsável.
"Deixamos ao critério dos pais e encarregados de educação a decisão dos seus filhos comparecerem na escola nos próximos dia 26 e 28 de Junho; aos que tomarem a decisão de não autorizar a comparência dos filhos, estamos totalmente solidários.
"Ao Senhor Director Regional da DREL recomendamos que cumpra com o planeado e ordene a execução das obras no refeitório da Escola".
20 junho 2007
Ó da guarda!
Imaginem se depois do troar dos canhões – ..."nos últimos cinquenta anos a população de Alcochete tem sido 'martirizada pelos ensaios com fogo real' no campo de tiro"... – acordam sobressaltados com um daqueles Antonov russos que até fazem tremer as chávenas no armário quando descolam!
Aeroporto à porta de casa?
Não sei se as respostas são sinceras mas o equilíbrio verificado na sondagem constante da coluna da esquerda pode ser óbvio sinal de que um aeroporto à porta de casa talvez não seja assunto pacífico em Alcochete.
Acresce que também vou escutando por aí opiniões muito divididas.
E porque leio jornais, tenho notado crescente pressão para a inclusão da hipótese «Portela+1», sendo que sete em 10 opiniões apontam a base do Montijo como alternativa para um aeroporto destinado a voos de baixo custo.
Contudo, importante contributo para a calma e pacatez de Samouco e arredores tem sido dado por alguns influentes opinadores que também crêem estar há muito tomada a decisão definitiva e que a ordem final será «para a Ota e em força!»
P.S. - Mais uma boa pista...
... e mais outra
Acresce que também vou escutando por aí opiniões muito divididas.
E porque leio jornais, tenho notado crescente pressão para a inclusão da hipótese «Portela+1», sendo que sete em 10 opiniões apontam a base do Montijo como alternativa para um aeroporto destinado a voos de baixo custo.
Contudo, importante contributo para a calma e pacatez de Samouco e arredores tem sido dado por alguns influentes opinadores que também crêem estar há muito tomada a decisão definitiva e que a ordem final será «para a Ota e em força!»
P.S. - Mais uma boa pista...
... e mais outra
13 junho 2007
Dignidade e seriedade
Sou alcochetano, razão por que estou do lado daqueles que querem o Aeroporto Internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.
Mas apresso-me já a dizer que não estive do lado daqueles que, nos fins dos anos oitenta, sob pretextos ambientais, lutaram contra o alargamento do Campo de Tiro. Esses, se a ideologia marxista não lhes assassinasse a consciência, lógica e coerentemente estariam agora contra a construção do aeroporto no Campo de Tiro. Mas não estão! E por que razão? Porque, ontem como hoje, o que faz correr comunistas é o interesse sem freio.
Se o aeroporto vier para Alcochete, as próximas eleições autárquicas não serão mais uma vez mais do mesmo. As grandes formações partidárias vão-se interessar por este concelho cujo mapa sugere o desenho de um presunto. O político local idiota verá as malhas da rede mais apertadas para poder passar. Ambições sem rédea de independentes poderão esfumar-se. Ainda bem porque não acredito neles.
Por mim, estaria disposto a desempenhar um serviço cívico integrado numa formação política alargada de direita. Na área da cultura poderia fazer coisas de Alcochete com alcochetanos. Mas isto só aconteceria se eu fosse chamado a participar numa equipa de homens que se impusessem ao meu respeito por força da própria dignidade e seriedade.
Mas apresso-me já a dizer que não estive do lado daqueles que, nos fins dos anos oitenta, sob pretextos ambientais, lutaram contra o alargamento do Campo de Tiro. Esses, se a ideologia marxista não lhes assassinasse a consciência, lógica e coerentemente estariam agora contra a construção do aeroporto no Campo de Tiro. Mas não estão! E por que razão? Porque, ontem como hoje, o que faz correr comunistas é o interesse sem freio.
Se o aeroporto vier para Alcochete, as próximas eleições autárquicas não serão mais uma vez mais do mesmo. As grandes formações partidárias vão-se interessar por este concelho cujo mapa sugere o desenho de um presunto. O político local idiota verá as malhas da rede mais apertadas para poder passar. Ambições sem rédea de independentes poderão esfumar-se. Ainda bem porque não acredito neles.
Por mim, estaria disposto a desempenhar um serviço cívico integrado numa formação política alargada de direita. Na área da cultura poderia fazer coisas de Alcochete com alcochetanos. Mas isto só aconteceria se eu fosse chamado a participar numa equipa de homens que se impusessem ao meu respeito por força da própria dignidade e seriedade.
12 junho 2007
Aeroporto onde?
Há uma nova sondagem na coluna à esquerda, esta respeitante à localização do futuro aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa.
Vote como entender, ficando desde já alertado(a) para o facto de não poder fazê-lo mais de uma vez por mês.
Quanto à questão anterior, respeitante à baixa pressão da água da rede pública em Alcochete, 58,3% das respostas teriam pertencido a quem não tem razões de queixa. Pelo contrário, 41,7% notam o problema.
Isto é, há mais um problema a resolver e alguém deveria explicar-se quanto antes.
Vote como entender, ficando desde já alertado(a) para o facto de não poder fazê-lo mais de uma vez por mês.
Quanto à questão anterior, respeitante à baixa pressão da água da rede pública em Alcochete, 58,3% das respostas teriam pertencido a quem não tem razões de queixa. Pelo contrário, 41,7% notam o problema.
Isto é, há mais um problema a resolver e alguém deveria explicar-se quanto antes.
Aeroporto: processo a seguir (5)
Porque não quero perder nenhum pormenor relevante do estudo apresentado ontem pelo presidente da Confederação da Indústria, respeitante às possíveis alternativas à Ota para a construção do novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa, acabei de ler aqui a versão integral desse interessante documento, o qual analisa as localizações Ota, Poceirão e a Poente do Campo de Tiro de Alcochete.
Detectei nesse estudo alguns pormenores que considero importantes e merecedores de apreciação cuidada:
– Não foram identificados nem avaliados impactes ambientais da adaptação de infra-estruturas rodo-ferroviárias (nomeadamente, prolongamento do IC13 até Porto Alto e linha do TGV a passar perto de Alcochete para atingir a nova ponte Barreiro-Chelas);
– Os autores do estudo consideram "fundamental proceder a uma análise mais detalhada das incidências ambientais da intervenção sugerida" (recursos hídricos superficiais, qualidade do ar e ruído);
– É necessária uma reflexão estratégica acerca das localizações "Poceirão" e "Alcochete" e também sobre o modelo de desenvolvimento regional que estas opções poderão induzir. Era bom que se aproveitassem estes seis meses para colher ideias na região;
– Algumas das orientações das pistas sugeridas para a área a Poente do campo de tiro (nomeadamente Norte-Sul: 01-19 ou 17-35) implicam que, 24 horas por dia, durante a maior parte do ano, nas descolagens as aeronaves voem praticamente sobre a vila de Alcochete. Pela descrição técnica fornecida, calculo que esse sobrevoo ocorra a um quilómetro de altitude.
Como é sabido, nesta zona o vento predominante é de Norte e os aviões descolam em sentido oposto ao da direcção do vento.
Convém ainda recordar que o ruído das aeronaves é muito mais intenso nas descolagens.
Seria bom que se aproveitassem estes seis meses para estudar melhor o assunto e, eventualmente, sugerir uma orientação clara das pistas no sentido Norte-Sul (00-18).
Insisto, entretanto, num pressuposto que estabeleci no texto anterior: penso que a opção Ota é irreversível desde 1999 e não acredito que, ao fim de 40 anos de estudos e de muito dinheiro gasto, haja a intenção política de recomeçar tudo de novo.
P.S. - Embora esteja correcta a hiperligação acima fornecida para o estudo encomendado pelo presidente da CIP, minutos depois parece-me que o «Público» pode ter retirado ou provisoriamente tornado inacessível o documento.
Detectei nesse estudo alguns pormenores que considero importantes e merecedores de apreciação cuidada:
– Não foram identificados nem avaliados impactes ambientais da adaptação de infra-estruturas rodo-ferroviárias (nomeadamente, prolongamento do IC13 até Porto Alto e linha do TGV a passar perto de Alcochete para atingir a nova ponte Barreiro-Chelas);
– Os autores do estudo consideram "fundamental proceder a uma análise mais detalhada das incidências ambientais da intervenção sugerida" (recursos hídricos superficiais, qualidade do ar e ruído);
– É necessária uma reflexão estratégica acerca das localizações "Poceirão" e "Alcochete" e também sobre o modelo de desenvolvimento regional que estas opções poderão induzir. Era bom que se aproveitassem estes seis meses para colher ideias na região;
– Algumas das orientações das pistas sugeridas para a área a Poente do campo de tiro (nomeadamente Norte-Sul: 01-19 ou 17-35) implicam que, 24 horas por dia, durante a maior parte do ano, nas descolagens as aeronaves voem praticamente sobre a vila de Alcochete. Pela descrição técnica fornecida, calculo que esse sobrevoo ocorra a um quilómetro de altitude.
Como é sabido, nesta zona o vento predominante é de Norte e os aviões descolam em sentido oposto ao da direcção do vento.
Convém ainda recordar que o ruído das aeronaves é muito mais intenso nas descolagens.
Seria bom que se aproveitassem estes seis meses para estudar melhor o assunto e, eventualmente, sugerir uma orientação clara das pistas no sentido Norte-Sul (00-18).
Insisto, entretanto, num pressuposto que estabeleci no texto anterior: penso que a opção Ota é irreversível desde 1999 e não acredito que, ao fim de 40 anos de estudos e de muito dinheiro gasto, haja a intenção política de recomeçar tudo de novo.
P.S. - Embora esteja correcta a hiperligação acima fornecida para o estudo encomendado pelo presidente da CIP, minutos depois parece-me que o «Público» pode ter retirado ou provisoriamente tornado inacessível o documento.
11 junho 2007
Aeroporto: processo a seguir (4)
O sr. Mário Lino, autor do tristemente célebre "discurso do deserto", deu hoje vagas esperanças a quem julga que o novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa não deve ser construído na Ota.
Disse-o no parlamento, lendo um texto cuja versão original deve ser lida aqui.
A mim parece-me que a localização na Ota é, desde há anos, decisão política irreversível e que, com este aparente compasso de espera, apenas se ficará a saber que, por 1001 razões, o Campo de Tiro de Alcochete não pode ser considerado como alternativa.
Conheço o campo de tiro e algumas áreas envolventes, assim como documentos fundamentais respeitantes às Reservas Naturais dos estuários do Tejo e do Sado (ambas integradas na rede europeia Natura 2000 e na Lista de Sítios da Convenção de Ramsar) e, sem muita dificuldade, prevejo uma dúzia de justificações para um parecer técnico negativo.
Daí que encare o suposto compasso de espera de seis meses, para a análise comparativa entre Ota e Campo de Tiro de Alcochete, sem o optimismo que tenho visto estampado em certos rostos.
E creio que pessoas com responsabilidades políticas a nível local deveriam começar por se justificar junto de quem lhes confiou o poder. Não me consta que tenha havido, em Alcochete, um único esclarecimento ou debate público sobre o assunto, embora me pareça prudente que, em matérias delicadas, previamente se tome o pulso à opinião pública. Porque os riscos são enormes quando se rema em sentido oposto ao desejo da maioria.
Gostaria de recordar que, mesmo a nível político, o assunto é controverso. Até agora, quantos autarcas socialistas da Península de Setúbal deram a cara no debate "Ota versus campo de tiro"? Nenhum! Só gente da CDU. Inclusive, a presidente da câmara de Montijo saiu em defesa do aquífero de Poceirão (considerado a maior reserva de água da Península Ibérica, o qual, segundo técnicos da especialidade, também abrange o campo de tiro e se estende até à Ota).
De aviação civil sei o suficiente para recomendar muita cautela e caldos de galinha, porque se um aeroporto intercontinental bem planeado e gerido pode potenciar o desenvolvimento de extensas áreas envolventes, também implica condicionamentos e problemas cuja complexidade a maioria (autarcas incluídos) estará muito longe de prever.
Leiam-se na Internet, por exemplo, petições e movimentos de cidadãos residentes em torno de aeroportos como Barajas (Madrid), Charles de Gaulle (Paris), Zurique (Suíça) ou Heathrow (Londres). Assim como casos de alguns modernos aeroportos europeus que se têm revelado verdadeiros fiascos, nomeadamente porque as taxas cobradas a companhias de aviação e passageiros são exageradas. Já escrevi aqui sobre o assunto e não me alongarei agora na matéria.
Era bom que, a nível local, se principiasse por informar e esclarecer a opinião pública, embora me pareça que um aeroporto vizinho de Alcochete é fogo-fátuo.
Disse-o no parlamento, lendo um texto cuja versão original deve ser lida aqui.
A mim parece-me que a localização na Ota é, desde há anos, decisão política irreversível e que, com este aparente compasso de espera, apenas se ficará a saber que, por 1001 razões, o Campo de Tiro de Alcochete não pode ser considerado como alternativa.
Conheço o campo de tiro e algumas áreas envolventes, assim como documentos fundamentais respeitantes às Reservas Naturais dos estuários do Tejo e do Sado (ambas integradas na rede europeia Natura 2000 e na Lista de Sítios da Convenção de Ramsar) e, sem muita dificuldade, prevejo uma dúzia de justificações para um parecer técnico negativo.
Daí que encare o suposto compasso de espera de seis meses, para a análise comparativa entre Ota e Campo de Tiro de Alcochete, sem o optimismo que tenho visto estampado em certos rostos.
E creio que pessoas com responsabilidades políticas a nível local deveriam começar por se justificar junto de quem lhes confiou o poder. Não me consta que tenha havido, em Alcochete, um único esclarecimento ou debate público sobre o assunto, embora me pareça prudente que, em matérias delicadas, previamente se tome o pulso à opinião pública. Porque os riscos são enormes quando se rema em sentido oposto ao desejo da maioria.
Gostaria de recordar que, mesmo a nível político, o assunto é controverso. Até agora, quantos autarcas socialistas da Península de Setúbal deram a cara no debate "Ota versus campo de tiro"? Nenhum! Só gente da CDU. Inclusive, a presidente da câmara de Montijo saiu em defesa do aquífero de Poceirão (considerado a maior reserva de água da Península Ibérica, o qual, segundo técnicos da especialidade, também abrange o campo de tiro e se estende até à Ota).
De aviação civil sei o suficiente para recomendar muita cautela e caldos de galinha, porque se um aeroporto intercontinental bem planeado e gerido pode potenciar o desenvolvimento de extensas áreas envolventes, também implica condicionamentos e problemas cuja complexidade a maioria (autarcas incluídos) estará muito longe de prever.
Leiam-se na Internet, por exemplo, petições e movimentos de cidadãos residentes em torno de aeroportos como Barajas (Madrid), Charles de Gaulle (Paris), Zurique (Suíça) ou Heathrow (Londres). Assim como casos de alguns modernos aeroportos europeus que se têm revelado verdadeiros fiascos, nomeadamente porque as taxas cobradas a companhias de aviação e passageiros são exageradas. Já escrevi aqui sobre o assunto e não me alongarei agora na matéria.
Era bom que, a nível local, se principiasse por informar e esclarecer a opinião pública, embora me pareça que um aeroporto vizinho de Alcochete é fogo-fátuo.
D'abord, o que faz asco é a hipocrisia comunista
Nos fins dos anos oitenta, os comunistas desta terra de Alcochete opunham-se ao alargamento do Campo de Tiro de Alcochete alegando problemas ambientais. A Reserva Natural do Estuário do Tejo ficaria ameaçada, diziam.
Independentemente dos prós e contras para as populações do Concelho de Alcochete e zonas limítrofes, um aeroporto internacional no Campo de Tiro já não faz correr o movimento verde?
O ex-presidente da Câmara de Alcochete e actual presidente da Assembleia Municipal que se bateu por razões ecológicas - dizia ele - contra o alargamento do Campo de Tiro e que agora, arvorado em naturalogista, defende publicamente as plantas, que tem a declarar sobre tudo isto?
Ontem, a batalha travada pelos comunistas contra o alargamento do Campo de Tiro era de natureza geo-estratégica (ex-Pacto de Varsóvia versus Nato) e nada tinha a ver com a invocação histérica do ambiente; hoje o que está em causa é uma colagem oportunista para fins eleitoralistas à possível construção do aeroporto em Alcochete.
Não tenho competência para defender o aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, mas venha o que vier, saibamos separar as águas.
Independentemente dos prós e contras para as populações do Concelho de Alcochete e zonas limítrofes, um aeroporto internacional no Campo de Tiro já não faz correr o movimento verde?
O ex-presidente da Câmara de Alcochete e actual presidente da Assembleia Municipal que se bateu por razões ecológicas - dizia ele - contra o alargamento do Campo de Tiro e que agora, arvorado em naturalogista, defende publicamente as plantas, que tem a declarar sobre tudo isto?
Ontem, a batalha travada pelos comunistas contra o alargamento do Campo de Tiro era de natureza geo-estratégica (ex-Pacto de Varsóvia versus Nato) e nada tinha a ver com a invocação histérica do ambiente; hoje o que está em causa é uma colagem oportunista para fins eleitoralistas à possível construção do aeroporto em Alcochete.
Não tenho competência para defender o aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, mas venha o que vier, saibamos separar as águas.
10 junho 2007
Aeroporto: processo a seguir (3)
A propósito de mais isto, eis uma a versão actualizada de "A agulha e o dedal"
Ai chega, chega, chega,chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas topete
Ó linda vem ouvir esta gaivota
Ai chega, chega, chega, chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas trafulha, ai não
esta é a solução que já se nota
Muito a propósito: escute isto:
“Século XXVII, cidade de Alcochete” de Luísa Ducla Soares
Ai chega, chega, chega,chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas topete
Ó linda vem ouvir esta gaivota
Ai chega, chega, chega, chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas trafulha, ai não
esta é a solução que já se nota
Muito a propósito: escute isto:
“Século XXVII, cidade de Alcochete” de Luísa Ducla Soares
09 junho 2007
08 junho 2007
Aeroporto: processo a seguir

Não sei se é boa ou má ideia, sobretudo por causa dos problemas ambientais, mas o desenvolvimento deste processo parece-me merecer alguma atenção de quem ainda não adormeceu ou abalou para a Lua.
Tanto quanto me disseram, não há muito tempo, o sr. Augusto Mateus reside no concelho.
05 junho 2007
O maior desperdício

Há ano e meio, quando iniciei este blogue, escrevi um texto acerca das opções de localização do novo aeroporto para servir a Área Metropolitana de Lisboa.
Acabara de ler os relatórios então disponíveis na Internet – coisa que, suponho, a maioria jamais terá feito – e deles depreendi que a decisão financeira, técnica e politicamente correcta seria Rio Frio, porque, ao contrário da localização na Ota, além de não haver limitações de segurança e operacionais relevantes, aí o aeroporto poderia funcionar e expandir-se durante mais de meio século.
Convém lembrar, a propósito, que o actual aeroporto da capital tem mais de 60 anos de existência. Na década de 40 apresentava o aspecto que a imagem acima reproduz.
Meio século é tempo suficiente para estudar, planear e desenvolver o território metropolitano até à fronteira Leste, com base numa nova plataforma aeroportuária, decisão urgente e oposta à que o sr. Mário Lino defendia, recentemente, no célebre discurso do "deserto", também comentado mais abaixo.
E isto por ser errada a tendência das últimas três décadas, de termos a maioria da população concentrada numa estreita faixa litoral, com cerca de 50kms de largura, entre Viana do Castelo e Setúbal.
Poucas coisas mudaram nos 19 meses decorridos desde que escrevi aquele texto, excepto o aparecimento de novas ideias de localização, tais como Poceirão, Faias e Campo de Tiro de Alcochete. E em todas elas cabe um aeroporto do tamanho da cidade de Lisboa (8.000 hectares).
Veio-me isto à memória, a noite passada, no final do longo debate no programa «Prós e Contras». Duvido que muitos telespectadores tenham resistido até às duas da madrugada. E foi pena porque se falou, entre outras coisas, também de Alcochete.
Pela primeira vez, num debate televisivo, fez-se alguma luz sobre um tema complexo e delicado. E parece-me ter-se clarificado muita coisa nebulosa, como aquele novo empreendimento logístico espanhol, em Castanheira do Ribatejo, viabilizado após representantes do Estado prometerem que o aeroporto iria mesmo para a Ota.
Pequeno mas significativo exemplo de que os dados parecem viciados e o jogo talvez não seja inteiramente limpo.
Infelizmente, no debate passou-se ao lado de muitas questões para mim intrigantes, como a das taxas a cobrar a companhias aéreas e passageiros pela utilização do futuro aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa.
Creio que, devido aos custos muitos superiores se o empreendimento se localizar na Ota, as taxas aeroportuárias serão excessivamente elevadas, o que diminui a sua competitividade e inviabiliza a possibilidade de termos uma plataforma transatlântica de carga e passageiros no eixo de algumas das mais movimentadas rotas aéreas mundiais.
A questão das taxas aeroportuárias é, na actualidade, uma das mais críticas, até pelo exemplo que passo a expor.
Hoje, por uma viagem de ida e volta Lisboa-Londres, em voo regular e para dois passageiros adultos, as companhias aéreas mais baratas cobram à roda de 220 euros. No entanto, acresce um sobrecusto de 180,98 euros de taxas aeroportuárias.
Repare-se que dois aeroportos dividem entre si quase metade daquilo que os passageiros gastam, cobrando um preço excessivo para movimentar duas malas de 20kgs e, eventualmente, pagar o papel higiénico, o sabonete e a água consumidos numa fatal ida aos sanitários (quando há tempo para isso).
Bem sei que, pelos exemplos dados no final do programa televisivo por um dos intervenientes, nós parecemos um país das Arábias. Mas estamos de tanga (perdão, de parra!) e pagamos caro os inúmeros disparates políticos dos últimos 25 anos.
E o maior de todos talvez seja já irreversível.
04 junho 2007
Defesa da Festa Brava em resposta a comentário anónimo
Ó meu amigo, a festa brava é a festa da violência?
Nunca vi cenas de pancadaria no interior dos recintos taurinos nem nos espaços exteriores à entrada para o espectáculo e à saída deste. Qual a razão? Porque a festa de toiros, nomeadamente a sua vertente mais nobre que é a corrida, confronta o espectador com valores que são freio ao afloramento de impulsos negativos.
Quais valores? O valor do homem, o valor da arte, o valor da coragem, o valor da entreajuda, o valor da coabitação de classes, etc.
A mão sobre o toiro não significa só a mão inteligente do homem sobre a natureza, mas também, e sobretudo, simboliza a mão que cada um deve ter sobre si próprio.
O toureio a pé ou a cavalo é uma arte. Alguém seria capaz de dizer o contrário a Picasso e a milhares de homens de letras espalhados um pouco por todo o mundo?
A coragem é um acto de afirmação individual detestado por todos os adeptos do carneirismo, confessos ou não. De facto, um toureiro na arena é um verdadeiro rei cuja imponência se opõe à directriz de um projecto totalitário.
A força organizada dos forcados prova que se nos dermos as mãos seremos capazes de vencer as forças mais brutas que venham a ameaçar o homem.
O espectáculo da corrida de toiros à portuguesa evoca o elo existente no antigo regime entre a aristocracia (cavaleiro) e a plebe (forcado). Por este caminho, a nossa corrida faz jus à História de Portugal que vem desde o séc. XII.
O meu amigo fala em virilidade. Estará a dar uma mãozinha ao feminismo? Acha que este apêndice marxista é alternativa à festa de toiros? Dirá que não estou a respeitar as mulheres. Eu digo-lhe que respeito mais as mulheres que os defensores e defensoras do feminismo e derivados porque em cada mulher eu vejo uma pessoa igual a mim, mas distinta na individualidade. Eis aqui uma linguagem que não interessa ao marxismo. O meu amigo não perfilhará esta ideologia utópica, mas tenha cuidado, porque pode colaborar com eles sem dar por isso.
A frase agostiniana "ama e faz o que queres" pode ter duas leituras. A primeira será a que lhe dá o meu amigo: se amo verdadeiramente, não prejudico ninguém porque as minhas escolhas só podem estar ordenadas ao bem. Isto é o livre arbítrio negado por Lenine, o que não surpreende porque se o livre arbítrio trava o avanço da fatalista ideologia marxista, esta não pode querer nada com aquele. A segunda leitura da frase do tão platónico como pessimista Santo Agostinho poderá ser gnóstica: amo tanto Deus que com Ele sou um. A partir daqui posso fazer o que quero, inclusive os maiores crimes que estes não me sujam. Ora eu julgo poder poupar o meu amigo à explicação de que isto encerra um gérmen totalitário.
Não podemos colocar no mesmo plano restrições do cristianismo contra estruturas caducas de um império moribundo e a lide dos toiros no séc. XXI. Toda a mistura de ideias e factos pertencentes a planos diferentes falsifica a análise, podendo, logo à partida, ser uma desonestidade intelectual, o que não se ajusta ao meu amigo por força do que me diz entre as linhas e para lá delas.
Finalmente, o meu amigo parece comparar o espectáculo taurino com um comício fascista dos anos 30 levado a cabo na Alemanha de Hitler ou na Itália de Mussolini. Estes e outros doentes que tanto mal fizeram à Humanidade, quando se dirigiam às massas, recorriam ao substrato mítico, irracional, instintual, etc., a fim de que as emoções ficassem ao rubro e impedissem a visão objectiva da realidade. Acha que é isto que se passa na corrida de toiros? Esta, meu amigo, faz parte da estrutura da realidade contra todas as utopias.
O misticismo em Espanha, o culto mariano em Portugal e a festa brava em toda a Ibéria são muralhas indeléveis que susterão a cega onda marxista.
Nunca vi cenas de pancadaria no interior dos recintos taurinos nem nos espaços exteriores à entrada para o espectáculo e à saída deste. Qual a razão? Porque a festa de toiros, nomeadamente a sua vertente mais nobre que é a corrida, confronta o espectador com valores que são freio ao afloramento de impulsos negativos.
Quais valores? O valor do homem, o valor da arte, o valor da coragem, o valor da entreajuda, o valor da coabitação de classes, etc.
A mão sobre o toiro não significa só a mão inteligente do homem sobre a natureza, mas também, e sobretudo, simboliza a mão que cada um deve ter sobre si próprio.
O toureio a pé ou a cavalo é uma arte. Alguém seria capaz de dizer o contrário a Picasso e a milhares de homens de letras espalhados um pouco por todo o mundo?
A coragem é um acto de afirmação individual detestado por todos os adeptos do carneirismo, confessos ou não. De facto, um toureiro na arena é um verdadeiro rei cuja imponência se opõe à directriz de um projecto totalitário.
A força organizada dos forcados prova que se nos dermos as mãos seremos capazes de vencer as forças mais brutas que venham a ameaçar o homem.
O espectáculo da corrida de toiros à portuguesa evoca o elo existente no antigo regime entre a aristocracia (cavaleiro) e a plebe (forcado). Por este caminho, a nossa corrida faz jus à História de Portugal que vem desde o séc. XII.
O meu amigo fala em virilidade. Estará a dar uma mãozinha ao feminismo? Acha que este apêndice marxista é alternativa à festa de toiros? Dirá que não estou a respeitar as mulheres. Eu digo-lhe que respeito mais as mulheres que os defensores e defensoras do feminismo e derivados porque em cada mulher eu vejo uma pessoa igual a mim, mas distinta na individualidade. Eis aqui uma linguagem que não interessa ao marxismo. O meu amigo não perfilhará esta ideologia utópica, mas tenha cuidado, porque pode colaborar com eles sem dar por isso.
A frase agostiniana "ama e faz o que queres" pode ter duas leituras. A primeira será a que lhe dá o meu amigo: se amo verdadeiramente, não prejudico ninguém porque as minhas escolhas só podem estar ordenadas ao bem. Isto é o livre arbítrio negado por Lenine, o que não surpreende porque se o livre arbítrio trava o avanço da fatalista ideologia marxista, esta não pode querer nada com aquele. A segunda leitura da frase do tão platónico como pessimista Santo Agostinho poderá ser gnóstica: amo tanto Deus que com Ele sou um. A partir daqui posso fazer o que quero, inclusive os maiores crimes que estes não me sujam. Ora eu julgo poder poupar o meu amigo à explicação de que isto encerra um gérmen totalitário.
Não podemos colocar no mesmo plano restrições do cristianismo contra estruturas caducas de um império moribundo e a lide dos toiros no séc. XXI. Toda a mistura de ideias e factos pertencentes a planos diferentes falsifica a análise, podendo, logo à partida, ser uma desonestidade intelectual, o que não se ajusta ao meu amigo por força do que me diz entre as linhas e para lá delas.
Finalmente, o meu amigo parece comparar o espectáculo taurino com um comício fascista dos anos 30 levado a cabo na Alemanha de Hitler ou na Itália de Mussolini. Estes e outros doentes que tanto mal fizeram à Humanidade, quando se dirigiam às massas, recorriam ao substrato mítico, irracional, instintual, etc., a fim de que as emoções ficassem ao rubro e impedissem a visão objectiva da realidade. Acha que é isto que se passa na corrida de toiros? Esta, meu amigo, faz parte da estrutura da realidade contra todas as utopias.
O misticismo em Espanha, o culto mariano em Portugal e a festa brava em toda a Ibéria são muralhas indeléveis que susterão a cega onda marxista.
31 maio 2007
Para memória futura
Por agora, limito-me a chamar a sua especial atenção, eventual leitor deste blogue, para o teor do decreto-lei n.º 100/2007, de 2 de Abril. A sua interpretação deve ser conjugada com a redacção do decreto-lei n.º 195/99, de 8 de Junho.
Presumo que a maioria desconhece esta legislação, relacionada com a devolução de cauções exigidas pelos prestadores de serviços públicos essenciais (água, electricidade, gás, etc.). Mas convém lê-la, porque o assunto interessa a todos. Ou melhor: todos devem exigir o cumprimento integral e imediato das citadas leis, porque neste país não há só deveres.
Vão passados quase dois meses após a publicação do primeiro decreto acima citado. Como neste "deserto" nada sucedeu, entretanto, quando se completarem três meses voltarei a abordar o assunto aqui.
E não serei manso!
Presumo que a maioria desconhece esta legislação, relacionada com a devolução de cauções exigidas pelos prestadores de serviços públicos essenciais (água, electricidade, gás, etc.). Mas convém lê-la, porque o assunto interessa a todos. Ou melhor: todos devem exigir o cumprimento integral e imediato das citadas leis, porque neste país não há só deveres.
Vão passados quase dois meses após a publicação do primeiro decreto acima citado. Como neste "deserto" nada sucedeu, entretanto, quando se completarem três meses voltarei a abordar o assunto aqui.
E não serei manso!
30 maio 2007
Vamos à verdade!
Pilatos, quando pergunta a Cristo o que é a verdade, não obtém resposta. Desta entrada, passemos para algo aparentemente desrelacionado.
Uma pessoa não pode ser um vereador apoiado e chegado ao poder pelo Partido Comunista e simultaneamente ir à missinha todos os domingos.
Ao contrário do espírito evangélico, será que o dito vereador ama dois Senhores ao mesmo tempo? Mas é o próprio Cristo que nos diz isso ser impossível.
Se não se pode amar dois Senhores ao mesmo tempo, engana-se um deles. Quem engana o vereador em foco? A Igreja ou o Partido Comunista? Enganar este último está fora de qualquer hipótese porque ninguém faz o ninho atrás da orelha de organizações políticas cuja ideologia é o marxismo-leninismo. Deste jogo só pode a Igreja sair prejudicada porque é uma estrutura que representa a fragilidade do Crucificado contra as estruturas de pecado.
O projecto de todo o católico consciente é bater-se pela zona da luz-vida que jorra dos Evangelhos e denunciar a zona da treva-morte que se opõe à progressão da primeira. Mas esta denúncia não passa pela tentativa de converter Satanás, pretensão que se opõe ao sentido da Cruz de Cristo. De facto, amar o universo de Deus e não odiar o do diabo só pode resultar no ganho deste último à custa do primeiro.
Em conclusão, Cristo não responde à pergunta de Pilatos porque quer ressaltar o antagonismo dos mundos em confronto.
Uma pessoa não pode ser um vereador apoiado e chegado ao poder pelo Partido Comunista e simultaneamente ir à missinha todos os domingos.
Ao contrário do espírito evangélico, será que o dito vereador ama dois Senhores ao mesmo tempo? Mas é o próprio Cristo que nos diz isso ser impossível.
Se não se pode amar dois Senhores ao mesmo tempo, engana-se um deles. Quem engana o vereador em foco? A Igreja ou o Partido Comunista? Enganar este último está fora de qualquer hipótese porque ninguém faz o ninho atrás da orelha de organizações políticas cuja ideologia é o marxismo-leninismo. Deste jogo só pode a Igreja sair prejudicada porque é uma estrutura que representa a fragilidade do Crucificado contra as estruturas de pecado.
O projecto de todo o católico consciente é bater-se pela zona da luz-vida que jorra dos Evangelhos e denunciar a zona da treva-morte que se opõe à progressão da primeira. Mas esta denúncia não passa pela tentativa de converter Satanás, pretensão que se opõe ao sentido da Cruz de Cristo. De facto, amar o universo de Deus e não odiar o do diabo só pode resultar no ganho deste último à custa do primeiro.
Em conclusão, Cristo não responde à pergunta de Pilatos porque quer ressaltar o antagonismo dos mundos em confronto.
28 maio 2007
Camelos ou beduínos?
Que eu vivo num deserto, segundo disse um ministro, não ponho em dúvida. Constatei-o há muito e disso tenho dado testemunho.
Tal como nos desertos verdadeiros, também neste escasseia a água. Ela está a ser distribuída aos bochechos, embora haja quem tente tapar o sol com a peneira.
A situação continua a piorar mas ninguém se descose.
Nos andares mais altos, a certas horas do dia, quando se abrem duas torneiras de ambas escorre um simples fio de água. Assim é impossível ter água quente, por mais afinações que se façam ao esquentador.
Ninguém diz porquê, mas tenho as minhas suspeições: diminuição deliberada da pressão, procurando evitar rupturas na canalização antiga da vila.
A rede de água do centro de Alcochete foi planeada em 1942 e concluída em 1946, sendo utilizadas condutas com as especificações recomendadas na época mas hoje inapropriadas. Entre os anos 30 e 40, a rede de distribuição domiciliária de água abrangia apenas as artérias compreendidas entre o actual Largo da Feira, a Rua Comendador Estêvão de Oliveira e o Largo Coronel Ramos da Costa. Aquilo a que se convencionou chamar "centro histórico".
Como em mais de 60 anos entretanto decorridos a rede primária não foi substituída nem modernizada, obviamente a canalização herdada de meados do século passado é hoje incapaz de resistir à pressão normal da água.
Tudo isto porque as canalizações de água, tal como as de esgotos, são enterradas e invisíveis, pelo que não servem para caçar votos. Logo, os autarcas dão prioridade aos "elefantes brancos".
Entretanto, como medida de recurso, há meses alguém terá decidido que, para evitar males maiores, seria preferível reduzir a pressão.
Esqueceu-se, eventualmente, haver na vila edifícios com três e quatro pisos não concebidos para tais condições de fornecimento, cujos proprietários e locatários são seriamente afectados com tal decisão.
Já li e escutei reparos sobre o assunto a inúmeras pessoas. Mas ninguém se explica.
Tal como nos desertos verdadeiros, também neste escasseia a água. Ela está a ser distribuída aos bochechos, embora haja quem tente tapar o sol com a peneira.
A situação continua a piorar mas ninguém se descose.
Nos andares mais altos, a certas horas do dia, quando se abrem duas torneiras de ambas escorre um simples fio de água. Assim é impossível ter água quente, por mais afinações que se façam ao esquentador.
Ninguém diz porquê, mas tenho as minhas suspeições: diminuição deliberada da pressão, procurando evitar rupturas na canalização antiga da vila.
A rede de água do centro de Alcochete foi planeada em 1942 e concluída em 1946, sendo utilizadas condutas com as especificações recomendadas na época mas hoje inapropriadas. Entre os anos 30 e 40, a rede de distribuição domiciliária de água abrangia apenas as artérias compreendidas entre o actual Largo da Feira, a Rua Comendador Estêvão de Oliveira e o Largo Coronel Ramos da Costa. Aquilo a que se convencionou chamar "centro histórico".
Como em mais de 60 anos entretanto decorridos a rede primária não foi substituída nem modernizada, obviamente a canalização herdada de meados do século passado é hoje incapaz de resistir à pressão normal da água.
Tudo isto porque as canalizações de água, tal como as de esgotos, são enterradas e invisíveis, pelo que não servem para caçar votos. Logo, os autarcas dão prioridade aos "elefantes brancos".
Entretanto, como medida de recurso, há meses alguém terá decidido que, para evitar males maiores, seria preferível reduzir a pressão.
Esqueceu-se, eventualmente, haver na vila edifícios com três e quatro pisos não concebidos para tais condições de fornecimento, cujos proprietários e locatários são seriamente afectados com tal decisão.
Já li e escutei reparos sobre o assunto a inúmeras pessoas. Mas ninguém se explica.
Igreja e Cruz de Cristo
Se o Espírito Santo me iluminasse e Te cantasse a Ti, Igreja, mãe dos crentes, o hino mais excelso de todas as eras, seria um dom para este humilde servo do Povo de Deus cujo sinal descido dos céus é a Cruz de Cristo que rechaça a soberba dos homens.
Ao longo de dois milénios, Tu, Igreja, vezes sem conta foste só tempo desunido do Eterno, mas a majestosa imponência da Cruz perseguia-Te sem Te dar sossego, até que Tu, humilhada, a abraçavas de novo para Te reencontrares contigo própria.
Ainda hoje, Tu, Igreja, afirmas estranhamente a Cruz. Afirmas a Cruz, sinal visível do Deus Uno e Trino, a argamassa dos mundos, mas incompreensivelmente para mim, homem cristão do séc. XXI, negas que todos os sacramentos sejam para todos os teus filhos e filhas como se houvesse incompatibilidades entre aqueles sinais ou uns se colocassem acima de outros. Não abres mão do matrimónio para os presbíteros nem do sacerdócio para as mulheres sob o pretexto da disciplina e de que Jesus Cristo não incluiu nenhuma mulher no grupo dos Apóstolos, quando isto nada tem a ver com os fundamentos teológicos da Fé.
Apesar de tudo, não me consigo ver fora de Ti, Igreja. Não é possível deixar-Te porque o sentido da própria Cruz, União do Espírito que desce do Alto e da carne que se levanta do chão, impede que eu o faça.
Compreender a Cruz é sentir por Ti, Igreja, a compaixão que Cristo sentiu pelas multidões; é estar contigo como Cristo esteve com o mundo; é sofrer na consciência o que Cristo sofreu na Cruz.
Ao longo de dois milénios, Tu, Igreja, vezes sem conta foste só tempo desunido do Eterno, mas a majestosa imponência da Cruz perseguia-Te sem Te dar sossego, até que Tu, humilhada, a abraçavas de novo para Te reencontrares contigo própria.
Ainda hoje, Tu, Igreja, afirmas estranhamente a Cruz. Afirmas a Cruz, sinal visível do Deus Uno e Trino, a argamassa dos mundos, mas incompreensivelmente para mim, homem cristão do séc. XXI, negas que todos os sacramentos sejam para todos os teus filhos e filhas como se houvesse incompatibilidades entre aqueles sinais ou uns se colocassem acima de outros. Não abres mão do matrimónio para os presbíteros nem do sacerdócio para as mulheres sob o pretexto da disciplina e de que Jesus Cristo não incluiu nenhuma mulher no grupo dos Apóstolos, quando isto nada tem a ver com os fundamentos teológicos da Fé.
Apesar de tudo, não me consigo ver fora de Ti, Igreja. Não é possível deixar-Te porque o sentido da própria Cruz, União do Espírito que desce do Alto e da carne que se levanta do chão, impede que eu o faça.
Compreender a Cruz é sentir por Ti, Igreja, a compaixão que Cristo sentiu pelas multidões; é estar contigo como Cristo esteve com o mundo; é sofrer na consciência o que Cristo sofreu na Cruz.
25 maio 2007
Vejam!
Vede o que faz o PT (Partido dos Trabalhadores) no Brasil em http://www.olavodecarvalho.org/semana/070524jb.html e arrancai de vós os vossos próprios juízos.
24 maio 2007
Obrigado sr. Lino!
Quando um cidadão com o currículo do actual ministro das Obras Públicas diz da margem Sul o que ontem afirmou o sr. Mário Lino, os bardos deste lado só podem agradecer-lhe. Sobretudo os autarcas do partido a que em tempos pertenceu, deveriam aproveitar a boleia para despertar o Terreiro do Paço para uma realidade há muito escondida debaixo do tapete. O mais certo, porém, é fazerem como o líder do seu partido: abrirem a boca de espanto.
Afinal, o sr. Lino limitou-se a confirmar o que, muito antes, outros pensavam e escreveram (eu incluído): isto é mesmo um deserto! De obras, de gente, de projectos e, mais grave ainda, de ideias para o futuro.
Apesar de o sr. Mário Lino ser mestre em hidrologia e não em construção e exploração de aeroportos, em vez de o criticar felicito-o. Quem fala assim não é gago.
Disparatada é, sim, a referência a Brasília. Mas essa é uma questão cultural e não de hidrologia. Porque quem conhece a história da capital brasileira sabe ter sido, propositadamente, planeada e construída no sertão.
"Algumas razões para a sua construção são o deslocamento do centro político do país para fora do eixo Rio-São Paulo, incentivo ao povoamento do interior quase vazio do país e melhor posição estratégica e militar da capital" (conf. Wikipédia). Isto foi pensado em meados da década de 50 do século passado, quando o sr. Lino já frequentava o ensino secundário. Hoje, a cidade de Brasília tem mais de 2,6 milhões de habitantes e na sua zona de influência residem mais de cinco milhões de brasileiros.
Já agora, veja-se aqui o que é uma cidade bem planeada. Isto é urbanismo pensado há 40 anos! Contudo, para mim que a conheço, o melhor de Brasília é o trabalho de Óscar Niemeyer.
Por isto e pelo muito mais que se sabe acerca do despovoamento do interior da parte continental portuguesa, o melhor que poderia acontecer ao Alentejo, ao país e à Extremadura espanhola era aparecer algum novo Juscelino Kubitschek de Oliveira, que decidisse construir uma nova capital algures perto da fronteira.
Também por tudo o que já se sabia e o sr. Mário Lino acaba de recordar, o melhor é mesmo construir o aeroporto no Poceirão ou nas Faias.
Afinal, o sr. Lino limitou-se a confirmar o que, muito antes, outros pensavam e escreveram (eu incluído): isto é mesmo um deserto! De obras, de gente, de projectos e, mais grave ainda, de ideias para o futuro.
Apesar de o sr. Mário Lino ser mestre em hidrologia e não em construção e exploração de aeroportos, em vez de o criticar felicito-o. Quem fala assim não é gago.
Disparatada é, sim, a referência a Brasília. Mas essa é uma questão cultural e não de hidrologia. Porque quem conhece a história da capital brasileira sabe ter sido, propositadamente, planeada e construída no sertão.
"Algumas razões para a sua construção são o deslocamento do centro político do país para fora do eixo Rio-São Paulo, incentivo ao povoamento do interior quase vazio do país e melhor posição estratégica e militar da capital" (conf. Wikipédia). Isto foi pensado em meados da década de 50 do século passado, quando o sr. Lino já frequentava o ensino secundário. Hoje, a cidade de Brasília tem mais de 2,6 milhões de habitantes e na sua zona de influência residem mais de cinco milhões de brasileiros.
Já agora, veja-se aqui o que é uma cidade bem planeada. Isto é urbanismo pensado há 40 anos! Contudo, para mim que a conheço, o melhor de Brasília é o trabalho de Óscar Niemeyer.
Por isto e pelo muito mais que se sabe acerca do despovoamento do interior da parte continental portuguesa, o melhor que poderia acontecer ao Alentejo, ao país e à Extremadura espanhola era aparecer algum novo Juscelino Kubitschek de Oliveira, que decidisse construir uma nova capital algures perto da fronteira.
Também por tudo o que já se sabia e o sr. Mário Lino acaba de recordar, o melhor é mesmo construir o aeroporto no Poceirão ou nas Faias.
Que felizes somos!
Li algures sobre a Carta Educativa de Alcochete.
Conhece a versão final? Não? Eu também não.
Deixe lá, isto passa com o tempo.
Conhece a versão final? Não? Eu também não.
Deixe lá, isto passa com o tempo.
23 maio 2007
Toiros
Devido a qualquer razão que não atinjo, há pessoas que julgam ver contradição na defesa, levada a cabo por um cristão, da Festa Brava e origem pagã desta.
Não há contradição nenhuma.
Apontemos uma das grandes distinções entre paganismo e cristianismo.
Para o pagão, o destino está por cima dele, dos próprios deuses e é inexorável, vale dizer, o homem não pode fugir ao ditame de forças incontroláveis. Os próprios Gregos, pais da nossa Filosofia, pensavam assim. Era a moira à qual nem sequer Zeus escapava.
Para o cristão é o homem que faz o seu próprio destino, vale dizer, para o cristão, se há um destino, é o da liberdade orientada a Deus, máximo Bem. Isto, no fundo, é o que em Teologia se chama livre arbítrio, negado pelo marxismo, filosofia do comunismo.
Em conclusão, eu cumpro o sentido da Cruz de Cristo se me apropriar do legado pagão da cultura taurina e redimensionar os traços antropológicos desta num quadro de vivência cristã.
Assim, o caos (desordem) da cultura taurina desde tempos arcaicos virou cosmos (ordem) por força da acção civilizadora do cristianismo.
Não há contradição nenhuma.
Apontemos uma das grandes distinções entre paganismo e cristianismo.
Para o pagão, o destino está por cima dele, dos próprios deuses e é inexorável, vale dizer, o homem não pode fugir ao ditame de forças incontroláveis. Os próprios Gregos, pais da nossa Filosofia, pensavam assim. Era a moira à qual nem sequer Zeus escapava.
Para o cristão é o homem que faz o seu próprio destino, vale dizer, para o cristão, se há um destino, é o da liberdade orientada a Deus, máximo Bem. Isto, no fundo, é o que em Teologia se chama livre arbítrio, negado pelo marxismo, filosofia do comunismo.
Em conclusão, eu cumpro o sentido da Cruz de Cristo se me apropriar do legado pagão da cultura taurina e redimensionar os traços antropológicos desta num quadro de vivência cristã.
Assim, o caos (desordem) da cultura taurina desde tempos arcaicos virou cosmos (ordem) por força da acção civilizadora do cristianismo.
22 maio 2007
Carta aberta ao comentário anónimo (2)
O meu amigo não sabe escrever. Desculpa lá, mas a verdade em primeiro lugar. Quando alguém não dá expressão conveniente às próprias ideias, não poderei desconfiar da justeza destas?
Repara bem como abres o teu texto: «Você já deu para perceber...». Em Português é assim: "Já deu para perceber que você". É que eu não sou a favor de promiscuidades linguísticas, razão por que recuso quaisquer portuganhóis.
Outra coisa que tu não sabes é hierarquizar as frases através da subordinação. A tua escrita reverte-se num puro horizontalismo, reflexo da tua própria visão do homem e do mundo, também essa horizontal.
Uma palavra que utilizas e chama logo a minha atenção é globalização. Achas que esta é obra de conservadores? Como é que isso pode ser? Larga da mão a intoxicação das esquerdas. Estas, aliadas aos grandes capitalistas (megacapitalistas), é que levam por diante a tal globalização que te aflige. Pensa um pouco com a tua cabeça e não com a deles: será o Partido Republicano dos Estados Unidos da América que está interessado na globalização ou toda a esquerda chique acoitada no Partido Democrata? Saberás que este é apoiado por 70% dos capitalistas americanos?
Nos séculos XV e XVI, alguma da melhor elite da Europa estava em Portugal. Essa elite cumpriu o seu papel. A ela devemos a interferência que tivemos na História Universal. Hoje não há uma verdadeira elite em Portugal, o que explica a nossa decadência perante as nações. Repara para ti próprio: és um oceano de confusão sem coragem para dar o rosto. Claro que tens uma "teoria" na manga para transformares cobardia em heroísmo. Poupa-me!
O teu pensamento obedece à centralidade do homem. Não vês que esta inflexão na História Ocidental teve início no Renascimento e é responsável pelo sofrimento inaudito que hoje nos cerca? Eu não estou a dizer que se regrida à mentalidade teocêntrica da Idade Média, mas para lá de mim há Algo maior do que eu. Sem esta verdade incontornável, o homem esquece-se de si próprio e perde-se, tantas vezes irremediavelmente.
Os Estados Unidos foram para o Iraque combater o terrorismo e promover a Democracia. Ainda é cedo para vermos os resultados. Independentemente destes, é com o Ocidente que eu estou, logo com os Estados Unidos. E também estou com Israel e com a Igreja Católica. Destes baluartes no mundo espero eu a defesa da liberdade, excelsa bandeira da civilização judaico-cristã. Não falo da liberdade como fim, mas como meio para a plenitude do homem ordenado a Deus, máximo Bem.
Evidentemente que os políticos do Brasil são pragmáticos, razão por que hoje dizem uma coisa, amanhã desdizem; hoje fazem uma coisa, amanhã desfazem. Desses esquerdistas estou eu bem informado através de alguns dos melhores analistas do mundo.
O multiculturalismo, também aproveitado pelas esquerdas para o estrangulamento do legado judaico-cristão, não pode pretender que os meus princípios e valores se apaguem perante os de povos que, alguns, nem sequer pertencem à minha civilização. Tu percebes isto, pá?
O interculturalismo só pode frutificar se assentar no respeito pela especificidade cultural de cada grupo.
Já sei que o veio anglo-saxónico é um tropeço na visão marxista que tens do homem e do mundo. O espaço anglo-saxónico não dobrará ao comunismo. Este está hoje mais forte que no tempo de Estaline, embora a maioria das pessoas, intoxicada pela media que temos, não esteja preparada para ver isso. Mas se um obscuro professor de Português como eu o vê, então milhares e milhares de outras pessoas pelo mundo fora também vêem o mesmo. Na hora da verdade, repicarão os sinos, os campos estribar-se-ão, os povos amantes da liberdade triunfarão. Ou penso assim ou penso que criminosos do mais alto calibre reduzirão a Humanidade à escravatura e animalização.
A seguir, o meu amigo ataca a Igreja de uma forma desconexa e incoerente, revelando-se a si próprio.
Ó meu amigo, eu sou a favor da pena de morte para violadores de menores, incendiários e traficantes de droga, pessoas e órgãos humanos. Aqui não vou em balelas, sejam quais forem as que atires para cima de mim. E sou aquilo que o meu amigo sabe que eu sou: cristão e católico. Esperavas por esta? Sabes, é que mais dois anos e qualquer coisinha em cima de mim e viro num sexagenário. O tempo das ilusões já se foi. Hoje defendo a liquidação de alguns para a paz e segurança da grande maioria.
Para o fim, o meu amigo confronta-me com malfeitorias de católicos. Que tenho eu a ver com isso, embora lastime? Sempre houve e há muitos católicos criminosos, mas os crimes destes são de trazer por casa perante os dos comunistas que, no séc. XX, mataram uns 100 milhões de seres humanos. Só às mãos de Estaline tombaram mais de 20 milhões. Isto mesmo me foi dito por jovens russos quando estive em Moscovo (1981). Mas ai de mim! Na altura pensei que eles eram reaccionários que denegriam a própria pátria a visitantes estrangeiros.
Repara bem como abres o teu texto: «Você já deu para perceber...». Em Português é assim: "Já deu para perceber que você". É que eu não sou a favor de promiscuidades linguísticas, razão por que recuso quaisquer portuganhóis.
Outra coisa que tu não sabes é hierarquizar as frases através da subordinação. A tua escrita reverte-se num puro horizontalismo, reflexo da tua própria visão do homem e do mundo, também essa horizontal.
Uma palavra que utilizas e chama logo a minha atenção é globalização. Achas que esta é obra de conservadores? Como é que isso pode ser? Larga da mão a intoxicação das esquerdas. Estas, aliadas aos grandes capitalistas (megacapitalistas), é que levam por diante a tal globalização que te aflige. Pensa um pouco com a tua cabeça e não com a deles: será o Partido Republicano dos Estados Unidos da América que está interessado na globalização ou toda a esquerda chique acoitada no Partido Democrata? Saberás que este é apoiado por 70% dos capitalistas americanos?
Nos séculos XV e XVI, alguma da melhor elite da Europa estava em Portugal. Essa elite cumpriu o seu papel. A ela devemos a interferência que tivemos na História Universal. Hoje não há uma verdadeira elite em Portugal, o que explica a nossa decadência perante as nações. Repara para ti próprio: és um oceano de confusão sem coragem para dar o rosto. Claro que tens uma "teoria" na manga para transformares cobardia em heroísmo. Poupa-me!
O teu pensamento obedece à centralidade do homem. Não vês que esta inflexão na História Ocidental teve início no Renascimento e é responsável pelo sofrimento inaudito que hoje nos cerca? Eu não estou a dizer que se regrida à mentalidade teocêntrica da Idade Média, mas para lá de mim há Algo maior do que eu. Sem esta verdade incontornável, o homem esquece-se de si próprio e perde-se, tantas vezes irremediavelmente.
Os Estados Unidos foram para o Iraque combater o terrorismo e promover a Democracia. Ainda é cedo para vermos os resultados. Independentemente destes, é com o Ocidente que eu estou, logo com os Estados Unidos. E também estou com Israel e com a Igreja Católica. Destes baluartes no mundo espero eu a defesa da liberdade, excelsa bandeira da civilização judaico-cristã. Não falo da liberdade como fim, mas como meio para a plenitude do homem ordenado a Deus, máximo Bem.
Evidentemente que os políticos do Brasil são pragmáticos, razão por que hoje dizem uma coisa, amanhã desdizem; hoje fazem uma coisa, amanhã desfazem. Desses esquerdistas estou eu bem informado através de alguns dos melhores analistas do mundo.
O multiculturalismo, também aproveitado pelas esquerdas para o estrangulamento do legado judaico-cristão, não pode pretender que os meus princípios e valores se apaguem perante os de povos que, alguns, nem sequer pertencem à minha civilização. Tu percebes isto, pá?
O interculturalismo só pode frutificar se assentar no respeito pela especificidade cultural de cada grupo.
Já sei que o veio anglo-saxónico é um tropeço na visão marxista que tens do homem e do mundo. O espaço anglo-saxónico não dobrará ao comunismo. Este está hoje mais forte que no tempo de Estaline, embora a maioria das pessoas, intoxicada pela media que temos, não esteja preparada para ver isso. Mas se um obscuro professor de Português como eu o vê, então milhares e milhares de outras pessoas pelo mundo fora também vêem o mesmo. Na hora da verdade, repicarão os sinos, os campos estribar-se-ão, os povos amantes da liberdade triunfarão. Ou penso assim ou penso que criminosos do mais alto calibre reduzirão a Humanidade à escravatura e animalização.
A seguir, o meu amigo ataca a Igreja de uma forma desconexa e incoerente, revelando-se a si próprio.
Ó meu amigo, eu sou a favor da pena de morte para violadores de menores, incendiários e traficantes de droga, pessoas e órgãos humanos. Aqui não vou em balelas, sejam quais forem as que atires para cima de mim. E sou aquilo que o meu amigo sabe que eu sou: cristão e católico. Esperavas por esta? Sabes, é que mais dois anos e qualquer coisinha em cima de mim e viro num sexagenário. O tempo das ilusões já se foi. Hoje defendo a liquidação de alguns para a paz e segurança da grande maioria.
Para o fim, o meu amigo confronta-me com malfeitorias de católicos. Que tenho eu a ver com isso, embora lastime? Sempre houve e há muitos católicos criminosos, mas os crimes destes são de trazer por casa perante os dos comunistas que, no séc. XX, mataram uns 100 milhões de seres humanos. Só às mãos de Estaline tombaram mais de 20 milhões. Isto mesmo me foi dito por jovens russos quando estive em Moscovo (1981). Mas ai de mim! Na altura pensei que eles eram reaccionários que denegriam a própria pátria a visitantes estrangeiros.
21 maio 2007
Rumo à utopia
Poderíamos ver em Memorial do Convento de José Saramago uma obra bipolarizada pela construção do Convento de Mafra por um lado e da Passarola por outro.
A construção do Convento de Mafra reverte-se na desconstrução de todo um universo civilizacional de raiz cristã.
De facto, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar» (Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984). Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente a Baltasar: «O pecado não existe...».
Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo que reduz à luta de classes toda a História até ao fim desta.
A construção da Passarola, em completa ruptura com o passado, projecta-se para o futuro rumo à vitória. Isto mesmo é simbolizado pelo voo da máquina de Bartolomeu Lourenço de Gusmão a passar triunfalmente por cima do Convento com o Padre a bordo mais Baltasar e Blimunda.
A figura romanceada do Padre Bartolomeu de Gusmão aparece-nos a abdicar da veste da Fé para envergar a da heresia («...ao padre Bartolomeu Lourenço ensinaram que Deus, se sim é uno em essência, é trino em pessoa, e hoje as mesmas gaivotas o fizeram duvidar»), soerguendo-se como o profeta novo de uma nova Igreja, advento de outra Humanidade no limiar da paz perpétua, utopia prefigurada pelo casal protagonista.
A construção do Convento de Mafra reverte-se na desconstrução de todo um universo civilizacional de raiz cristã.
De facto, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar» (Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984). Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente a Baltasar: «O pecado não existe...».
Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo que reduz à luta de classes toda a História até ao fim desta.
A construção da Passarola, em completa ruptura com o passado, projecta-se para o futuro rumo à vitória. Isto mesmo é simbolizado pelo voo da máquina de Bartolomeu Lourenço de Gusmão a passar triunfalmente por cima do Convento com o Padre a bordo mais Baltasar e Blimunda.
A figura romanceada do Padre Bartolomeu de Gusmão aparece-nos a abdicar da veste da Fé para envergar a da heresia («...ao padre Bartolomeu Lourenço ensinaram que Deus, se sim é uno em essência, é trino em pessoa, e hoje as mesmas gaivotas o fizeram duvidar»), soerguendo-se como o profeta novo de uma nova Igreja, advento de outra Humanidade no limiar da paz perpétua, utopia prefigurada pelo casal protagonista.
18 maio 2007
Carta aberta ao comentário anónimo
Caro amigo, o teu discurso é um chorrilho de asneiras sem conto. Desculpa lá a franqueza, mas o melhor é que seja assim!
Vou fazer o levantamento e desmistificação de algumas das tuas asserções sem que não me sinta humilhado.
Começas tu : «A Humanidade é uma construção social e cultural...». Eis-nos perante a centralidade do homem, ou seja, da criatura. Isto, caro amigo, não é humanismo mas sim uma degenerescência humanista porque nenhum vulto dos séculos XV e XVI pensou que o homem se constrói a si mesmo. O antropocentrismo de um Pico Della Mirandola, por exemplo, não exclui Deus.
O meu caro amigo da evolução da Língua Portuguesa não sabe nada. Então a nossa poesia trovadoresca que vem de fins do séc. XII não é português? Essa é boa! O Renascimento o que fez foi reaproximar muitas palavras do étimo (origem). Numa cantiga de amor, o meu amigo pode ler dino, mas em Camões já lê digno, regressão que recupera o adjectivo latino dignu. Se o meu amigo quer saber a minha opinião sobre isto, obviamente que lastimo o trabalho dos clássicos quinhentistas na área focada, mas como sei olhar para o classicismo com um mínimo de cientificidade, encolho os ombros, porque a História não é aquilo que eu desejava que fosse, mas aquilo que é.
Claro que este meu realismo não me inibe de tentar neutralizar os efeitos nefastos das obras de alguns humanistas ao longo dos séculos. Por exemplo, o legado do humanista Zamenhoff (séc. XIX), fundador do Esperanto, não só ajuda o marxismo como me parece corporizar uma acentuada vertente maçónica. Já estou a ver o meu amigo a atirar-se aos ares com todo o denodo, mas não tenhas medo porque eu, cá em baixo, amparo-te a queda.
Crendo dar uma grande novidade a um professor de Língua e Literatura Portuguesas que, pachorrento, te dá troco, o meu amigo grita eureka! e escreve: «...grandes vultos da História da nossa Literatura como Camões e Gil Vicente escreviam também em Castelhano». Com certeza que escreviam porque o público-alvo deles estava na corte que era bilingue por força dos sucessivos casamentos entre as famílias reais de Portugal e Castela.
O Português em Timor não é só uma opção política. É também opção histórica, cultural e de afirmação geo-estratégica face à Indonésia e Austrália, uma vez que a Lusofonia tem peso no Mundo.
Julgará o meu amigo que me surpreende com as loucuras anti-civilizacionais que vêm do Brasil, país desgovernado pelos comunistas do PT (Partido dos Trabalhadores)? Portuganhol para mim não passa de uma palavra promíscua. Ou bem que temos Português ou bem que Espanhol. Se o meu amigo diz lua, temos Português; se diz luna, fala como nuestros hermanos. E só há duas hipóteses: ou daqui lua e de lá luna ou um destes referentes se sobrepõe ao outro. De facto eu não vejo maneira de portuganholizar o signo que refere o nosso satélite natural. Entre o Português e o Castelhano há diferentes estruturas de ordem fonética e morfo-sintáctica que delimitam o espaço linguístico daqueles dois idiomas. O mesmo não acontece com o Galego-Português porque não há diferenças estruturais, linguisticamente falando, para lá e para cá do rio Minho. Em conclusão, o poderio político-militar e cultural de Madrid não conseguiu matar o Galego, o Catalão, o Basco, etc. Quase sempre querer não é poder.
A ideia de que o Latim é uma língua morta sempre foi combatida por mim perante os meus alunos. Quando o sangue da nossa mãe nos corre nas veias, como vamos considerá-la morta? A língua latina é a mãe da nossa língua. Entre esta e aquela apenas se interpõe uma transparente e finíssima película que deixa ver as mudanças mas também as origens. Olho para a palavra véu, vejo duas vogais (a segunda em rigor semi-vogal), logo reparo que em Latim entre aquelas vogais houve uma consoante porque temos velar (cobrir com véu). Então coloco o "l" entre o "e" e o "u", obtendo velu. Esta palavra latina é o étimo de véu.
Diz ainda o meu amigo: «...seria preferível uma língua ideal [...] a termos uma única língua inglesa no mundo». O que é uma língua ideal? Eu cá não sei! Quanto à crescente progressão do Inglês pelos quatro cantos da Terra, o que preocupa o meu amigo é a visão conservadora do homem e do mundo levada por este idioma a todo o lado. Tu sabes que o marxismo só pode triunfar à escala planetária se a espinha dorsal anglo-saxónica for quebrada. Ora, caro amigo, eu não acredito que isso venha a acontecer assim em três tempos. E também não acredito no Estado laico total. Aqui, o meu amigo, entre as linhas, destila ódio contra a Igreja Católica, talvez porque esta instituição multi-secular defende a autonomia do Estado face à hierarquia eclesiástica, mas recrimina o Estado imoral, isto é, sem regras.
O meu amigo mistura Esperanto com marxismo sem desperdiçar o ingrediente maçónico, acumulando ódio das três frentes contra o mesmo alvo.
Vou fazer o levantamento e desmistificação de algumas das tuas asserções sem que não me sinta humilhado.
Começas tu : «A Humanidade é uma construção social e cultural...». Eis-nos perante a centralidade do homem, ou seja, da criatura. Isto, caro amigo, não é humanismo mas sim uma degenerescência humanista porque nenhum vulto dos séculos XV e XVI pensou que o homem se constrói a si mesmo. O antropocentrismo de um Pico Della Mirandola, por exemplo, não exclui Deus.
O meu caro amigo da evolução da Língua Portuguesa não sabe nada. Então a nossa poesia trovadoresca que vem de fins do séc. XII não é português? Essa é boa! O Renascimento o que fez foi reaproximar muitas palavras do étimo (origem). Numa cantiga de amor, o meu amigo pode ler dino, mas em Camões já lê digno, regressão que recupera o adjectivo latino dignu. Se o meu amigo quer saber a minha opinião sobre isto, obviamente que lastimo o trabalho dos clássicos quinhentistas na área focada, mas como sei olhar para o classicismo com um mínimo de cientificidade, encolho os ombros, porque a História não é aquilo que eu desejava que fosse, mas aquilo que é.
Claro que este meu realismo não me inibe de tentar neutralizar os efeitos nefastos das obras de alguns humanistas ao longo dos séculos. Por exemplo, o legado do humanista Zamenhoff (séc. XIX), fundador do Esperanto, não só ajuda o marxismo como me parece corporizar uma acentuada vertente maçónica. Já estou a ver o meu amigo a atirar-se aos ares com todo o denodo, mas não tenhas medo porque eu, cá em baixo, amparo-te a queda.
Crendo dar uma grande novidade a um professor de Língua e Literatura Portuguesas que, pachorrento, te dá troco, o meu amigo grita eureka! e escreve: «...grandes vultos da História da nossa Literatura como Camões e Gil Vicente escreviam também em Castelhano». Com certeza que escreviam porque o público-alvo deles estava na corte que era bilingue por força dos sucessivos casamentos entre as famílias reais de Portugal e Castela.
O Português em Timor não é só uma opção política. É também opção histórica, cultural e de afirmação geo-estratégica face à Indonésia e Austrália, uma vez que a Lusofonia tem peso no Mundo.
Julgará o meu amigo que me surpreende com as loucuras anti-civilizacionais que vêm do Brasil, país desgovernado pelos comunistas do PT (Partido dos Trabalhadores)? Portuganhol para mim não passa de uma palavra promíscua. Ou bem que temos Português ou bem que Espanhol. Se o meu amigo diz lua, temos Português; se diz luna, fala como nuestros hermanos. E só há duas hipóteses: ou daqui lua e de lá luna ou um destes referentes se sobrepõe ao outro. De facto eu não vejo maneira de portuganholizar o signo que refere o nosso satélite natural. Entre o Português e o Castelhano há diferentes estruturas de ordem fonética e morfo-sintáctica que delimitam o espaço linguístico daqueles dois idiomas. O mesmo não acontece com o Galego-Português porque não há diferenças estruturais, linguisticamente falando, para lá e para cá do rio Minho. Em conclusão, o poderio político-militar e cultural de Madrid não conseguiu matar o Galego, o Catalão, o Basco, etc. Quase sempre querer não é poder.
A ideia de que o Latim é uma língua morta sempre foi combatida por mim perante os meus alunos. Quando o sangue da nossa mãe nos corre nas veias, como vamos considerá-la morta? A língua latina é a mãe da nossa língua. Entre esta e aquela apenas se interpõe uma transparente e finíssima película que deixa ver as mudanças mas também as origens. Olho para a palavra véu, vejo duas vogais (a segunda em rigor semi-vogal), logo reparo que em Latim entre aquelas vogais houve uma consoante porque temos velar (cobrir com véu). Então coloco o "l" entre o "e" e o "u", obtendo velu. Esta palavra latina é o étimo de véu.
Diz ainda o meu amigo: «...seria preferível uma língua ideal [...] a termos uma única língua inglesa no mundo». O que é uma língua ideal? Eu cá não sei! Quanto à crescente progressão do Inglês pelos quatro cantos da Terra, o que preocupa o meu amigo é a visão conservadora do homem e do mundo levada por este idioma a todo o lado. Tu sabes que o marxismo só pode triunfar à escala planetária se a espinha dorsal anglo-saxónica for quebrada. Ora, caro amigo, eu não acredito que isso venha a acontecer assim em três tempos. E também não acredito no Estado laico total. Aqui, o meu amigo, entre as linhas, destila ódio contra a Igreja Católica, talvez porque esta instituição multi-secular defende a autonomia do Estado face à hierarquia eclesiástica, mas recrimina o Estado imoral, isto é, sem regras.
O meu amigo mistura Esperanto com marxismo sem desperdiçar o ingrediente maçónico, acumulando ódio das três frentes contra o mesmo alvo.
16 maio 2007
O Esperanto
O Esperanto (1887) é a língua artificial mais conhecida no mundo ao lado de muitas outras do mesmo género, nomeadamente o Volapuk (1879).
O criador do Esperanto foi L. L. Zamenhoff (1859-1917). Este polaco de origem judaica passou a infância num ghetto situado numa encruzilhada de etnias onde se falava uma dezena de línguas.
O sonho essencial de Zamenhoff era o de unir a humanidade. Este idealista defendeu a construção de uma língua que permitisse ultrapassar os obstáculos levantados pelas línguas naturais. Era a diversidade destas que, manifestamente, incomodava Zamenhoff. Animado de uma fé inquebrantável no génio bom da humanidade, este utopista quis, através da criação de uma língua internacional, conseguir a união de todos os homens e suprimir de vez a confusão da Torre de Babel.
O projecto de Zamenhoff é total: ele lança em 1906 os fundamentos de uma religião universal, o hilelismo, respeitador das particularidades religiosas, linguísticas, nacionais, etc., de todos os homens, mas reunindo-os no amor à humanidade, agora reconciliada pela tolerância e fraternidade.
Em 1954, a Conferência Geral da Unesco (braço da ONU para a educação, ciência e cultura) aprovou, pela primeira vez, recomendações a favor do Esperanto.
O Esperanto, encerra um ideal pacifista. Ora o pacifismo sempre foi um aliado das esquerdas à escala planetária, razão por que alguns regimes autoritários defensores da paz e segurança dos povos, perseguiram os adeptos da língua artificial criada por Zamenhoff. Mas para quem sabe ler entre as linhas deste texto, outras razões de maior peso estão na base das perseguições movidas ao Esperanto.
NOTA: hilelismo, de Hillel, judeu contemporâneo de Jesus Cristo.
O criador do Esperanto foi L. L. Zamenhoff (1859-1917). Este polaco de origem judaica passou a infância num ghetto situado numa encruzilhada de etnias onde se falava uma dezena de línguas.
O sonho essencial de Zamenhoff era o de unir a humanidade. Este idealista defendeu a construção de uma língua que permitisse ultrapassar os obstáculos levantados pelas línguas naturais. Era a diversidade destas que, manifestamente, incomodava Zamenhoff. Animado de uma fé inquebrantável no génio bom da humanidade, este utopista quis, através da criação de uma língua internacional, conseguir a união de todos os homens e suprimir de vez a confusão da Torre de Babel.
O projecto de Zamenhoff é total: ele lança em 1906 os fundamentos de uma religião universal, o hilelismo, respeitador das particularidades religiosas, linguísticas, nacionais, etc., de todos os homens, mas reunindo-os no amor à humanidade, agora reconciliada pela tolerância e fraternidade.
Em 1954, a Conferência Geral da Unesco (braço da ONU para a educação, ciência e cultura) aprovou, pela primeira vez, recomendações a favor do Esperanto.
O Esperanto, encerra um ideal pacifista. Ora o pacifismo sempre foi um aliado das esquerdas à escala planetária, razão por que alguns regimes autoritários defensores da paz e segurança dos povos, perseguiram os adeptos da língua artificial criada por Zamenhoff. Mas para quem sabe ler entre as linhas deste texto, outras razões de maior peso estão na base das perseguições movidas ao Esperanto.
NOTA: hilelismo, de Hillel, judeu contemporâneo de Jesus Cristo.
15 maio 2007
Do aborto e homossexualismo à imigração
Ninguém negará que o aborto diminui a natalidade. Sim, o aborto diminui a natalidade nas democracias liberais, o que preocupa muito porque a interrupção voluntária da gravidez não entra no Islão por mais eufemística que se apresente.
Nesta conformidade, num país como Portugal, por exemplo, cuja taxa de envelhecimento populacional aumenta vertiginosamente, o aborto só poderá agravar a situação per se já agravada.
Claro que vai faltando a mão-de-obra a determinados sectores produtivos. Isto, entre nós, vê-se na construção civil, restauração, limpezas, etc. É então a imigração, tantas vezes descontrolada, que vem preencher a lacuna.
Até este ponto do meu arrazoado, muitos não se afligirão por aí além porque não pensam que um imigrante é portador da sua cultura de origem, pele que dificilmente largará ou jamais largará se for um fiel de Alá. A dada altura, o mesmo Estado alberga duas civilizações uma frente à outra. O que acabo de dizer verifica-se hoje um bocado em França e Inglaterra e também nos Estados Unidos.
Se o que venho expondo se carrega de alguma pertinência, o apoio das esquerdas ao aborto e à legalização do casamento entre homossexuais atenta contra a civilização judaico-cristã porque vulnerabiliza esta perante grupos humanos que não aceitam, de maneira nenhuma, uma legislação igual à nossa.
Nesta conformidade, num país como Portugal, por exemplo, cuja taxa de envelhecimento populacional aumenta vertiginosamente, o aborto só poderá agravar a situação per se já agravada.
Claro que vai faltando a mão-de-obra a determinados sectores produtivos. Isto, entre nós, vê-se na construção civil, restauração, limpezas, etc. É então a imigração, tantas vezes descontrolada, que vem preencher a lacuna.
Até este ponto do meu arrazoado, muitos não se afligirão por aí além porque não pensam que um imigrante é portador da sua cultura de origem, pele que dificilmente largará ou jamais largará se for um fiel de Alá. A dada altura, o mesmo Estado alberga duas civilizações uma frente à outra. O que acabo de dizer verifica-se hoje um bocado em França e Inglaterra e também nos Estados Unidos.
Se o que venho expondo se carrega de alguma pertinência, o apoio das esquerdas ao aborto e à legalização do casamento entre homossexuais atenta contra a civilização judaico-cristã porque vulnerabiliza esta perante grupos humanos que não aceitam, de maneira nenhuma, uma legislação igual à nossa.
14 maio 2007
Naturalogista?
Não é com surpresa de qualquer espécie que de há algum tempo para cá vejo o sr. Miguel Boieiro a publicar extensos artigos no Jornal de Alcochete a favor das plantas. Antes desta empresa, as horas vagas do ex-presidente da Câmara de Alcochete eram dedicadas ao Esperanto.
Alguns espíritos menos prevenidos não encontrarão o elo da cadeia que liga o Esperanto e a defesa das plantas à ideologia marxista do actual presidente da Assembleia Municipal.
Qualquer língua natural é a alma de uma nação. O Esperanto é uma língua artificial cuja pretensão internacionalista desalmaria cada povo da visão peculiar do homem e do mundo.
A defesa das plantas, tal como é levada a cabo pelo naturalogista Miguel Boieiro, presta culto ao deus ambiente para a mutação de princípios e valores dos nossos ancestrais.
Hoje, derretidos, lemos os artigos dos Boieiros e quejandos; amanhã teremos os direitos das plantas como já temos os dos animais.
Se agora vemos organizações afectas às esquerdas de todo o mundo mais preocupadas com os ovos das cegonhas do que com uma criança na barriga da mãe, que nos reservará o futuro?
Alguns espíritos menos prevenidos não encontrarão o elo da cadeia que liga o Esperanto e a defesa das plantas à ideologia marxista do actual presidente da Assembleia Municipal.
Qualquer língua natural é a alma de uma nação. O Esperanto é uma língua artificial cuja pretensão internacionalista desalmaria cada povo da visão peculiar do homem e do mundo.
A defesa das plantas, tal como é levada a cabo pelo naturalogista Miguel Boieiro, presta culto ao deus ambiente para a mutação de princípios e valores dos nossos ancestrais.
Hoje, derretidos, lemos os artigos dos Boieiros e quejandos; amanhã teremos os direitos das plantas como já temos os dos animais.
Se agora vemos organizações afectas às esquerdas de todo o mundo mais preocupadas com os ovos das cegonhas do que com uma criança na barriga da mãe, que nos reservará o futuro?
13 maio 2007
E se for avante? (9)
Andava para os lados de Castro Verde quando, neste domingo, a rádio me traz mais um capítulo da novela do outlet: agora foi uma ameaça de bomba!
Lembrando o que tenho escrito neste blogue (o penúltimo capítulo está aqui), cheira-me a esturro.
Que mais acontecerá ainda?
Lembrando o que tenho escrito neste blogue (o penúltimo capítulo está aqui), cheira-me a esturro.
Que mais acontecerá ainda?
07 maio 2007
Do Tçuzzu ao Girão
O blog http://coisasdealcochete.blogspot.com depara-nos com o facto de tanto Sernancelhe como Alcochete reclamarem o nascimento de um evangelizador no Japão cujo nome é João Rodrigues (séculos XVI/XVII).
O Padre João Rodrigues Tçuzzu (o Intérprete) e o Padre João Rodrigues Girão foram contemporâneos, religiosos da Companhia de Jesus e missionários no Oriente. O primeiro nasceu em Sernancelhe e o segundo em Alcochete.
O Tçuzzu dedicou boa parte da sua vida a estudar Gramática e História. Ele foi o autor de Arte da Língoa de Japam, Nangasaqui, 1604 e Arte Breve da Língoa Japoa, Macau, 1620. Colaborou ainda no dicionário japonês-português, Vocabulário da Língoa de Japam, Nangasaqui, 1603/1604. Mas a obra mais arrojada deste jesuíta intitulou-se História da Igreja de Japam editada por João do Amaral Abranches Pinto, 2 volumes, Macau, 1954/1955.
O Girão consagrou-se no género epistolar, deixando-nos várias cartas que são testemunhos preciosos para o estudo da evangelização portuguesa no Japão.
Foi o Coronel Eduardo Avelino Ramos da Costa (1881/1970) que, entre nós, mais contribuiu para a confusão sobre este assunto, uma vez que na sua monografia O Concelho d'Alcochete, Lisboa, 1902, o emérito engenheiro militar atribuiu as obras de João Rodrigues Tçuzzu a João Rodrigues Girão.
O Padre João Rodrigues Tçuzzu (o Intérprete) e o Padre João Rodrigues Girão foram contemporâneos, religiosos da Companhia de Jesus e missionários no Oriente. O primeiro nasceu em Sernancelhe e o segundo em Alcochete.
O Tçuzzu dedicou boa parte da sua vida a estudar Gramática e História. Ele foi o autor de Arte da Língoa de Japam, Nangasaqui, 1604 e Arte Breve da Língoa Japoa, Macau, 1620. Colaborou ainda no dicionário japonês-português, Vocabulário da Língoa de Japam, Nangasaqui, 1603/1604. Mas a obra mais arrojada deste jesuíta intitulou-se História da Igreja de Japam editada por João do Amaral Abranches Pinto, 2 volumes, Macau, 1954/1955.
O Girão consagrou-se no género epistolar, deixando-nos várias cartas que são testemunhos preciosos para o estudo da evangelização portuguesa no Japão.
Foi o Coronel Eduardo Avelino Ramos da Costa (1881/1970) que, entre nós, mais contribuiu para a confusão sobre este assunto, uma vez que na sua monografia O Concelho d'Alcochete, Lisboa, 1902, o emérito engenheiro militar atribuiu as obras de João Rodrigues Tçuzzu a João Rodrigues Girão.
04 maio 2007
A crise, os americanos e a gasolina
Há muito noto que, aos sábados, domingos e feriados, em Alcochete, os bairros da classe média estão pejados de automóveis. Alguns exemplos poderão ser observados na sede do concelho, nomeadamente nas urbanizações dos Flamingos e dos Barris.
Não é difícil adivinhar o que força a esmagadora maioria a ficar em casa.
Tal como noto, em direcção ao Sul, que o tráfego rodoviário de ligeiros voltou a ser mais intenso na antiga estrada nacional (IC1), sendo agora claramente superior ao da A2. Isto apesar do troço do IC1, entre a Marateca e Grândola, estar em péssimo estado de conservação, em ambos os sentidos.
Como pode a maioria atrever-se a sair de casa se uma simples ida e volta ao Algarve, pela A2, num automóvel movido a gasolina, custa perto de 100 euros?
Mas neste mundo, em que tudo parece andar às avessas, os americanos estão preocupados: nos últimos dias pagam 3,99 dólares por um galão de gasolina super.
São 0,74 cêntimos de euro por litro, metade do preço visível em qualquer posto de abastecimento de Portugal!
Por falar em postos de combustíveis nacionais, alguém saber explicar-me o motivo do súbito aumento de preços da gasolina nas grande superfícies da vizinha cidade de Montijo?
É que, há pouco mais de uma semana, em postos das mesmas empresas na cidade de Portimão, os preços eram 12 cêntimos inferiores...
Não é difícil adivinhar o que força a esmagadora maioria a ficar em casa.
Tal como noto, em direcção ao Sul, que o tráfego rodoviário de ligeiros voltou a ser mais intenso na antiga estrada nacional (IC1), sendo agora claramente superior ao da A2. Isto apesar do troço do IC1, entre a Marateca e Grândola, estar em péssimo estado de conservação, em ambos os sentidos.
Como pode a maioria atrever-se a sair de casa se uma simples ida e volta ao Algarve, pela A2, num automóvel movido a gasolina, custa perto de 100 euros?
Mas neste mundo, em que tudo parece andar às avessas, os americanos estão preocupados: nos últimos dias pagam 3,99 dólares por um galão de gasolina super.
São 0,74 cêntimos de euro por litro, metade do preço visível em qualquer posto de abastecimento de Portugal!
Por falar em postos de combustíveis nacionais, alguém saber explicar-me o motivo do súbito aumento de preços da gasolina nas grande superfícies da vizinha cidade de Montijo?
É que, há pouco mais de uma semana, em postos das mesmas empresas na cidade de Portimão, os preços eram 12 cêntimos inferiores...
03 maio 2007
Segurança em molhada, não
Concentração de meios policiais e superesquadra em Palmela?
Reforma orgânica e problemas pessoais para os agentes, devido a mudanças de local de trabalho?
Isto cheira-me a esturro.
Siga o processo se não quer ser apanhado desprevenido.
Para que, mais tarde, não se diga ser surpresa...
Reforma orgânica e problemas pessoais para os agentes, devido a mudanças de local de trabalho?
Isto cheira-me a esturro.
Siga o processo se não quer ser apanhado desprevenido.
Para que, mais tarde, não se diga ser surpresa...
27 abril 2007
De mal a pior
Ao contrário do que, à primeira vista, poderá supor-se, esta não é uma boa notícia.
Quando em Alcochete o processo de revisão do Plano Director Municipal (PDM) é o mais opaco possível – embora se trate do instrumento-guia de gestão e valorização (ou destruição...) do que resta do território concelhio livre de betão – o governo anuncia ainda pior no futuro:
1. Deixa de ser imperativo que os PDM, os planos de pormenor e os planos de urbanização sejam aprovados em Conselho de Ministros;
2. Deixa de ser obrigatório o acompanhamento pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da elaboração de planos de urbanização e planos de pormenor.
Poderia, concomitantemente, anunciar-se um reforço da vigilância e do poder interventivo de cidadãos organizados – que, por estarem mais próximos, poderiam fazer o que o Estado não quer ou não sabe fazer – mas nem isso...
Vai ser um fartar vilanagem!
Já agora: o tema aflorado nesta outra notícia merece ou não ser localmente discutido? Já ou depois de haver lei? Resta alguém disposto a ajudar os bombeiros de outra forma?
Cá por mim é já, enquanto o ferro está ao lume. Chega de impostos e taxas!
P.S: - Relativamente à primeira parte deste texto, tenho Louçã do meu lado e o líder do PSD contra. Continuo tranquilo. No país real há sete milhões de casas para 10 milhões de habitantes. Construir mais e mais facilmente para quê? Só porque convém aos autarcas?
Quando em Alcochete o processo de revisão do Plano Director Municipal (PDM) é o mais opaco possível – embora se trate do instrumento-guia de gestão e valorização (ou destruição...) do que resta do território concelhio livre de betão – o governo anuncia ainda pior no futuro:
1. Deixa de ser imperativo que os PDM, os planos de pormenor e os planos de urbanização sejam aprovados em Conselho de Ministros;
2. Deixa de ser obrigatório o acompanhamento pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional da elaboração de planos de urbanização e planos de pormenor.
Poderia, concomitantemente, anunciar-se um reforço da vigilância e do poder interventivo de cidadãos organizados – que, por estarem mais próximos, poderiam fazer o que o Estado não quer ou não sabe fazer – mas nem isso...
Vai ser um fartar vilanagem!
Já agora: o tema aflorado nesta outra notícia merece ou não ser localmente discutido? Já ou depois de haver lei? Resta alguém disposto a ajudar os bombeiros de outra forma?
Cá por mim é já, enquanto o ferro está ao lume. Chega de impostos e taxas!
P.S: - Relativamente à primeira parte deste texto, tenho Louçã do meu lado e o líder do PSD contra. Continuo tranquilo. No país real há sete milhões de casas para 10 milhões de habitantes. Construir mais e mais facilmente para quê? Só porque convém aos autarcas?
26 abril 2007
Em memória do Dr. Simões Arrôs

Só agora tendo tomado conhecimento do falecimento do Dr. Manuel Simões Arrôs, ocorrido no passado dia 9, aos 96 anos, e lamentando, profundamente, que o passamento dessa invulgar personalidade alcochetana seja resumido em 11 linhas no jornal da terra (?), por imperativo de consciência reproduzo aqui, com as necessárias actualizações, o que acerca dele escrevi, em 2003, no defunto «Tágides».
Durante meio século tratou da saúde à maioria dos pais e avós de famílias tradicionais de Alcochete: camponeses, funcionários públicos, salineiros, operários, forcados e marujos.
Só os mais antigos residentes conheciam o Dr. Manuel Simões Arrôs, que desempenhou todos os cargos clínicos do concelho durante cerca de meio século: delegado e subdelegado de saúde, médico camarário, da Misericórdia, da "Caixa", de três secas de bacalhau e, no final da carreira, também em três fábricas.
Levado na onda pelo sogro, ajudou a fundar o Aposento do Barrete Verde, em 1944. Oito anos depois seria até presidente da Direcção.
Era uma das memórias vivas de Alcochete, desde 1943, preciosamente refrescada pela da esposa, campeã em datas.
A juventude
A 6 de Dezembro de 1910 nascia o primeiro médico da "Caixa" que houve em Samouco e Alcochete. Veio ao mundo e cresceu entre lutas operárias, em Braço de Prata (Lisboa).
Acaba por se formar na Faculdade de Medicina do Porto, em 17 de Outubro de 1941, obtendo a primeira colocação na vila alentejana de Ourique poucos dias depois.
Chega a Alcochete em 31 de Março de 1943, admitido por concurso público como "médico camarário" para a freguesia de Samouco, onde se desloca, de bicicleta, duas vezes por semana ou sempre que há casos urgentes.
Médico do povo e da Misericórdia
A 2 de Maio de 1944 é nomeado médico da Casa do Povo de Alcochete e, em 1951, o então director e médico residente do Hospital de Alcochete (situado à época na ala esquerda do actual edifício da Santa Casa da Misericórdia) era o Dr. José Grillo Evangelista - muito conceituado na vila e cujo nome seria perpetuado, anos depois, numa artéria da urbanização dos Barris.
Esse clínico desentende-se com a mesa da instituição e resolve sair, sendo substituído nas funções de médico e director pelo jovem Simões Arrôs.
O hospital cresce em importância e, em 1957, virá a ser criado um centro de assistência aos tuberculosos. O médico Simões Arrôs incumbe-se dele, a partir de 1 de Julho desse ano. Tais serviços serão extintos a 31 de Julho de 1978.
Médico dos primeiros operários fabris
Em 1958 é inaugurada a fábrica de pneus Firestone, que angaria localmente a maioria dos quadros médios e dos trabalhadores menos qualificados. O Dr. Simões Arrôs é o primeiro médico dessa empresa, da qual vem a ser afastado, em meados da década de 70, em circunstâncias nebulosas e por influência de um padre.
Entretanto, em 1959, chegavam também as fábricas de secagem e de preparação de bacalhau da Terra Nova. Primeiro instala-se a Bacalhau de Portugal, a seguir a Pescal e, por fim, a Sociedade Nacional dos Armadores do Bacalhau (SNAB).
O Dr. Simões Arrôs será médico em todas, vindo a ser afastado da Pescal e da SNAB, no princípio da década de 70, quando, numa reunião da União Nacional (partido único do regime), um capataz da empresa diz a amigos que o "chefe do reviralho em Alcochete" é Simões Arrôs. Presente, o "patrão" almirante Henrique Tenreiro manda despedir o clínico.
Ficará só na Bacalhau de Portugal até a empresa se extinguir, porque o seu responsável era também assistido por ele e sempre se recusou a aceitar a exigência de afastamento feita por Tenreiro.
Na senda da industrialização, em 1963 e 1965, respectivamente, abrem também as as fábricas de alumínio (Português-Angola, já encerrada) e de latoaria Ormis (hoje a multinacional Crown, Cork & Seal), nas quais o Dr. Simões Arrôs exercerá também funções.
Nesta esteve até ao princípio da década de 90, tendo sido a sua última ocupação profissional.
Médico da Previdência
Em 1961, quando o Dr. Grillo Evangelista se reforma, o colega Simões Arrôs substitui-o como subdelegado de saúde no concelho. A 1 de Julho de 1972 será também nomeado delegado de saúde.
Entretanto, a 1 de Julho de 1962 era contratado pela Caixa de Previdência de Setúbal para a Casa do Povo de Alcochete (a primeira existiu no n.º 7 da Rua do Amaral, no edifício onde hoje está a sede social do Grupo Desportivo Alcochetense).
A assistência médica torna as instalações acanhadas e a Casa do Povo transitará então para a Rua do Chão do Conde.
Em 1963 é inaugurado o posto n.º 16 (Alcochete) da Caixa de Previdência, de que vem a ser o primeiro director, seguindo-se, a 1 de Julho de 1966, o cargo de médico do posto n.º 5 da Previdência (no Montijo). A 1 de Janeiro de 1974 virá a ser também nomeado médico-chefe deste posto.
Em Março de 1968, a mesa da Misericórdia decide que as tarefas de enfermagem ficam a cargo de uma irmandade religiosa, gerando-se um litígio com a enfermeira-chefe da época, o qual levará, em 1 de Abril, à demissão colectiva da equipa médica e da enfermeira (esposa do Dr. Simões Arrôs, com a qual viria a casar, em segundas núpcias, em 1973).
A 6 de Dezembro de 1980 cessa funções como médico municipal e delegado de saúde, por ter atingido o limite de idade (70 anos). A 1 de Setembro de 1982 sai também da Caixa de Previdência por estar à beira dos 72 anos de idade.
Histórias de "João Semana"
De meados da década de 40 o Dr. Simões Arrôs recordava-se (em 2003) do caso de um doente com tuberculose, que medicou com várias embalagens de estreptomicina, na época uma droga de preço elevado e fora do alcance de gente pobre.
A comparticipação pública na aquisição de medicamentos era então somente concedida a beneficiários, o que não era o caso desse paciente, pelo que os familiares teriam de pagar integralmente as embalagens necessárias.
Como essa família era muito pobre, o clínico Simões Arrôs decide emitir as receitas em nome do beneficiário, de modo a evitar despesas insuportáveis.
Mas Alcochete era uma aldeia, em que toda a gente se conhecia e revia quase diariamente, e, dias depois, o tesoureiro da Casa do Povo pergunta ao clínico qual a razão porque emitira receitas em nome de um paciente gozando de boa saúde, pois estivera com ele. Semanas depois a Casa do Povo queixa-se do Dr. Simões Arrôs aos serviços centrais da Previdência, que enviam um inspector para tirar o caso a limpo.
Este manda chamar todas as pessoas a quem o clínico passara receitas "suspeitas" e elas confirmam terem sido emitidas a seu favor. Logo, o clínico não estava a desviar medicamentos em proveito pessoal, como constaria de uma denúncia que o dava como homem rico.
Não podendo pegar-lhe por aí, o inspector dá ao caso contornos políticos. E avisa o Dr. Simões Arrôs de que, embora nada de reprovável fosse detectado, possivelmente seria demitido por ter fama de ser "comunista" - coisa que, na época e na terra, era comum ser apontado a algumas pessoas influentes.
Em meados da década de 40 tal "acusação" equivalia a ser despedido do Estado. Pior ainda no seu caso porque, anos antes, quando frequentava a faculdade de medicina, batera com as costas nas tarimbas do Aljube, da Penitenciária e da sede da PIDE.
Em 2003 confessava-me que nunca foi comunista, embora lidasse com a miséria do povo e detestasse o Estado Novo. E se alguma influência a propaganda marxista teve nos seus ideais de vida, quando viaja à URSS, em 1972, tudo se desmorona ao descobrir pedintes nas ruas e miséria como a de Alcochete.
A fundação do Aposento do Barrete Verde
A participação do Dr. Simões Arrôs na fundação do Aposento do Barrete Verde, em 1944 - cerca de um ano após assentar arraiais no concelho - faz-se por influência de seu sogro, Virgílio Jorge Saraiva, amante da festa brava e ligado à organização das festas anuais desde o seu início, em 1942.
O Aposento nasce num almoço organizado por António Luís Regatão, farmacêutico e então proprietário da Farmácia Gameiro, repasto para o qual Dr. Simões Arrôs é convidado pelo sogro.
Em 2003, com 91 anos e uma visão desapaixonada da política recente e do desenvolvimento da vila, era ainda indiscutível referência do concelho.
Todos os anos, no seu aniversário natalício, recebia inúmeras homenagens de gratidão.
Em lugar de destaque guardava cerâmicas e salvas dedicadas por forcados, bombeiros, colectividades artísticas e desportivas e pelos Centros de Saúde de Montijo e Alcochete.
Ao longo da vida foi ainda presidente das direcções do Aposento do Barrete Verde (em 1952) e dos Bombeiros Voluntários de Alcochete, bem como presidente da Assembleia Geral da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898. Tratou (e ainda tratava em 2003, esporadicamente) de forcados e jogadores de futebol do Alcochetense, do Vulcanense e do Grupo Desportivo do Passil.
Principais homenagens
Em 14 de Fevereiro de 1981, almoço de homenagem organizado por dois amigos, no qual participaram cerca de 300 pessoas, tendo então recebido a medalha de mérito da Câmara Municipal de Alcochete.
Em Setembro de 1982 foi também homenageado pela vila de Alhos Vedros, onde durante muitos anos presidiu às juntas médicas que determinavam as reformas antecipadas de trabalhadores.
A 25 do mesmo mês, homenagem dos trabalhadores do posto médico do Montijo, que lhe ofereceram um relógio em ouro.
A 10 de Junho de 1991, homenagem do Governador Civil de Setúbal, que lhe entrega a medalha de mérito do distrito.
A 10 de Fevereiro de 2001, almoço de homenagem promovido pelo Aposento do Barrete Verde, que dá o seu nome a uma das salas da sede. Associa-se a Câmara Municipal de Alcochete, cuja edilidade lhe outorga a medalha dourada de mérito (o mais alto galardão do município). O almoço teve tal afluência que as inscrições tiveram de ser encerradas uma semana após o seu anúncio, por se ter esgotado a lotação da sala.
Em 2006 o município de Alcochete concedeu-lhe nova distinção honorífica.
Embora algo tenha escrito sobre o assunto e muito mais debatido com responsáveis autárquicos, nunca consegui que, em vida, o Dr. Manuel Simões Arrôs recebesse a honra que mais ansiava: ter o seu nome perpetuado numa artéria da vila.
Continuo a considerar que todas as honrarias e os gestos de gratidão devem exprimir-se durante a vida das pessoas. Infelizmente, continua a ser norma que apenas os defuntos têm direito a emprestar o nome a uma rua. Não conheço lei que a tal obrigue, nem nunca ninguém me deu uma explicação aceitável.
Simões Arrôs merecia tê-lo na rua do Centro de Saúde de Alcochete, a que, há anos, deram o nome do capitão Salgueiro Maia.
25 abril 2007
Resultados do inquérito de opinião
A pergunta do último inquérito colocado neste blogue (Parece-lhe correcta a nova localização das paragens de autocarros junto à Igreja Matriz de Alcochete?) teve as seguintes respostas:
70% Não
22% Sim
7% Sem opinião
Está disponível uma nova pergunta na coluna à esquerda, esta por sugestão de quem continua a ser afectado por um problema que ninguém tem a coragem de esclarecer.
70% Não
22% Sim
7% Sem opinião
Está disponível uma nova pergunta na coluna à esquerda, esta por sugestão de quem continua a ser afectado por um problema que ninguém tem a coragem de esclarecer.
Também não me resigno
Depois do que escrevi aqui ontem, este discurso do Presidente da República vem mesmo a calhar.
Apenas discordo que o desinteresse pela vida política seja apenas apontado aos jovens porque, como é patente, há muito que o problema atravessa a sociedade em geral. Para não ir mais longe: os velhos, pelo menos, têm muito tempo para cuidar da democracia, até porque ajudaram a construí-la.
Enquanto as pessoas se calarem e prescindirem do direito à indignação nada mudará e continuaremos a marcar passo.
Lembre-se:
1. "Temos de deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida política se paute por critérios de rigor ético, exigência, competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado";
2. "Portugal deve pensar-se como democracia amadurecida" e sugeriu que se "reinvente o espírito da cidadania", exigindo-se "uma mudança" de cultura política".
Estas duas citações condensam um ambicioso programa de cidadania política em que se deveria reflectir maduramente.
P.S. - Está aqui uma curiosa resposta ao discurso do Presidente da República. O autor também não se resigna. Mas...
Apenas discordo que o desinteresse pela vida política seja apenas apontado aos jovens porque, como é patente, há muito que o problema atravessa a sociedade em geral. Para não ir mais longe: os velhos, pelo menos, têm muito tempo para cuidar da democracia, até porque ajudaram a construí-la.
Enquanto as pessoas se calarem e prescindirem do direito à indignação nada mudará e continuaremos a marcar passo.
Lembre-se:
1. "Temos de deixar aos nossos filhos e aos nossos netos um regime em que sejamos governados por uma classe política qualificada, em que a vida política se paute por critérios de rigor ético, exigência, competência, em que a corrupção seja combatida por um sistema judicial eficaz e prestigiado";
2. "Portugal deve pensar-se como democracia amadurecida" e sugeriu que se "reinvente o espírito da cidadania", exigindo-se "uma mudança" de cultura política".
Estas duas citações condensam um ambicioso programa de cidadania política em que se deveria reflectir maduramente.
P.S. - Está aqui uma curiosa resposta ao discurso do Presidente da República. O autor também não se resigna. Mas...
24 abril 2007
A propósito dos 'ideais de Abril'
Li algures que o "executivo municipal de Alcochete está inspirado nos ideais de Abril de 1974". Estará?
Não lhe reconheço ponta de inspiração e menos ainda na dos "ideais de Abril".
A sua prática parece-me muito distinta dos desígnios da Revolução dos Cravos, os quais – segundo uma definição feita há anos pelo falecido gen. Vasco Gonçalves – eram "o entusiasmo, a confiança, a esperança, o empenhamento, o sonho".
A crer nesse ideólogo da revolução, a mim parece-me que este executivo municipal tenta apenas sobreviver. Não lhe noto vestígios de entusiasmo. Duvido que a alguém inspire confiança e esperança. Parece-me sobretudo empenhado em fazer crer que tudo está bem, embora os boatos revelem o oposto mas nunca sejam desmentidos.
Para além de Vasco Gonçalves, outras interpretações da revolução apontam ainda para ideais de liberdade, de justiça social, de solidariedade e de fraternidade.
Quanto a isso também não vislumbro nada neste executivo.
A haver um ideal de liberdade, ele teria tradução prática, por exemplo, na redução das subsídio-dependências e na plena autonomia das instituições locais. A meu ver, o percurso tem sido inverso.
A injustiça social é evidente e só não a vê quem for cego. Sei ser longo e penoso o caminho da justiça social, mas nada fazer só agrava os problemas.
De solidariedade é bom nem falar. Há reciprocidade de interesses e de obrigações? Há partilha de responsabilidades? Há esforços para despertar toda a gente? Há motivos para ter a consciência tranquila?
Quanto a fraternidade, vamos de mal a pior. Por conveniência política, em meia dúzia de anos criou-se mais um dormitório de desenraízados, de desinteressados e de indiferentes.
Se houvesse inspiração nos "ideais de Abril" tudo seria feito para que as pessoas participassem activamente nas questões locais e saíssem do estado de alheamento persistente, cujas causas radicam nos políticos que as enganaram e desiludem.
Não pode haver inspiração nos "ideais de Abril" quando já ninguém sonha. Quando escasseiam os meios e, principalmente, a vontade de plantar e semear alguma coisa palpável e não apenas ilusões. Sobreviver tornou-se, infelizmente, no principal intento. Perdeu-se qualquer capacidade de acção e, sobretudo, de reacção. A miséria não é apenas material mas, primordialmente, intelectual e cultural.
Poderão florescer cravos numa sociedade de egoístas, de intrujões, de apáticos e de alienados governados por vendedores de ilusões? Haverá futuro assim?
Não lhe reconheço ponta de inspiração e menos ainda na dos "ideais de Abril".
A sua prática parece-me muito distinta dos desígnios da Revolução dos Cravos, os quais – segundo uma definição feita há anos pelo falecido gen. Vasco Gonçalves – eram "o entusiasmo, a confiança, a esperança, o empenhamento, o sonho".
A crer nesse ideólogo da revolução, a mim parece-me que este executivo municipal tenta apenas sobreviver. Não lhe noto vestígios de entusiasmo. Duvido que a alguém inspire confiança e esperança. Parece-me sobretudo empenhado em fazer crer que tudo está bem, embora os boatos revelem o oposto mas nunca sejam desmentidos.
Para além de Vasco Gonçalves, outras interpretações da revolução apontam ainda para ideais de liberdade, de justiça social, de solidariedade e de fraternidade.
Quanto a isso também não vislumbro nada neste executivo.
A haver um ideal de liberdade, ele teria tradução prática, por exemplo, na redução das subsídio-dependências e na plena autonomia das instituições locais. A meu ver, o percurso tem sido inverso.
A injustiça social é evidente e só não a vê quem for cego. Sei ser longo e penoso o caminho da justiça social, mas nada fazer só agrava os problemas.
De solidariedade é bom nem falar. Há reciprocidade de interesses e de obrigações? Há partilha de responsabilidades? Há esforços para despertar toda a gente? Há motivos para ter a consciência tranquila?
Quanto a fraternidade, vamos de mal a pior. Por conveniência política, em meia dúzia de anos criou-se mais um dormitório de desenraízados, de desinteressados e de indiferentes.
Se houvesse inspiração nos "ideais de Abril" tudo seria feito para que as pessoas participassem activamente nas questões locais e saíssem do estado de alheamento persistente, cujas causas radicam nos políticos que as enganaram e desiludem.
Não pode haver inspiração nos "ideais de Abril" quando já ninguém sonha. Quando escasseiam os meios e, principalmente, a vontade de plantar e semear alguma coisa palpável e não apenas ilusões. Sobreviver tornou-se, infelizmente, no principal intento. Perdeu-se qualquer capacidade de acção e, sobretudo, de reacção. A miséria não é apenas material mas, primordialmente, intelectual e cultural.
Poderão florescer cravos numa sociedade de egoístas, de intrujões, de apáticos e de alienados governados por vendedores de ilusões? Haverá futuro assim?
23 abril 2007
Árvores serão causa de alergias?
Após duas semanas de ausência, só hoje soube que, há alguns dias, 44 crianças da Escola Básica da Restauração (em Alcochete) passaram pelo centro de saúde e pelo hospital do Barreiro, apresentando reacções alérgicas de origem então não esclarecida.
Há anos que desconfio poder a causa das inexplicáveis alergias que na Primavera e Verão ocorrem em crianças e adultos, nas imediações das escolas da Restauração e EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, estar em algumas árvores existentes no último desses estabelecimentos de ensino.
Embora leigo na matéria, a florescência de algumas dessas árvores parece-me susceptível de suspeita.
Mantenho as mesmas suspeitas em relação a alguns plátanos existentes noutros locais do concelho, porque a minha pituitária também os detesta.
Não me parece difícil que, com a colaboração da Delegada de Saúde e do Instituto Ricardo Jorge, o Município de Alcochete investingue o assunto em profundidade.
Há anos que desconfio poder a causa das inexplicáveis alergias que na Primavera e Verão ocorrem em crianças e adultos, nas imediações das escolas da Restauração e EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, estar em algumas árvores existentes no último desses estabelecimentos de ensino.
Embora leigo na matéria, a florescência de algumas dessas árvores parece-me susceptível de suspeita.
Mantenho as mesmas suspeitas em relação a alguns plátanos existentes noutros locais do concelho, porque a minha pituitária também os detesta.
Não me parece difícil que, com a colaboração da Delegada de Saúde e do Instituto Ricardo Jorge, o Município de Alcochete investingue o assunto em profundidade.
15 abril 2007
De promessas está o inferno cheio
Com data de 10 do corrente, a Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, de Alcochete, escreveu uma carta à ministra da Educação, cujo teor é o seguinte:
"Somos uma APEE cujas preocupações são semelhantes a outras que existem no país: actuar no âmbito da educação e com instrumentos adequados.
"Acompanhamos com a devida atenção, as promessas feitas no passado e no presente, pelos decisores e muitas delas não são convenientemente concluídas por imensas vicissitudes do processo, o que tem tido reflexos na formação dos jovens de ontem e nos de agora, provocando os atrasos sucessivos no desenvolvimento eficaz do País.
"Não é nossa pretensão abordar o tema de uma forma genérica, nem será certamente o meio adequado para o fazer; apenas pretendemos transmitir preocupações concretas.
"Fazemo-lo de uma forma responsável, depois de termos constatado que se esgotaram outros níveis de decisão; os mesmos que infelizmente e nalguns casos não compreendem qual o verdadeiro papel de uma APEE.
"A este propósito escusamo-nos de anexar documentação relevante porque consideramos ser dever da DREL informar a Senhora Ministra com total clareza e honestidade dos assuntos pendentes. O diálogo sincero, leal e construtivo com a DREL foi cortado a partir do momento que o seu responsável máximo ter entrado em incumprimento de promessas feitas em tempo oportuno e se a isto acrescentarmos, as respostas inqualificáveis que obtivemos estamos num beco sem saída.
"Sem mais delongas, enunciamos as nossas preocupações de uma forma sucinta:
"1. Estamos com 2/3 do ano lectivo percorrido e todas as soluções apresentadas para a escola possuir um apoio de psicólogo foram recusadas sem alternativa Quando nos referimos a esta competência, fazemo-lo nos diferentes patamares de intervenção que é sempre necessário. Procurámos encetar iniciativas com outras entidades externas à escola, as quais foram recusadas totalmente.
"2. No ano 2002, foram protocoladas intervenções que envolviam para além do pavilhão desportivo o arranjo dos espaços exteriores; no entanto, prossegue o incumprimento do protocolo.
"3. Fomos informados de que as obras a executar no refeitório estão adjudicadas no entanto, não há previsão para o seu começo, muito provavelmente não serão feitas no decorrer do ano de 2007.
"4. A escola não possui um posto de socorros minimamente eficaz. Nem sequer é possível entrar com uma maca no espaço existente. Se ocorrer uma situação mais gravosa, quem assumirá a responsabilidade? Da nossa parte saberemos de quem apresentaremos queixa.
"5. Estamos a seis meses do começo de um próximo ano lectivo. No final do ano transacto solicitámos à DREL que fossem assumidos compromissos que possibilitassem a construção de mais um bloco de salas de aulas, atendendo à ruptura de espaços que se previa ocorrer. Situação que foi ultrapassada, por não se ter atingido o limite, mas prevê-se que este ocorra no próximo ano lectivo. Preocupa-nos nada ser feito atempadamente.
"Estas são as situações que entendemos mais urgentes e que carecem de respostas eficazes para solucionar os constrangimentos até agora ocorridos ou que venham a acontecer a curto espaço de tempo.
"Estamos certos que esta carta merecerá a maior atenção da senhora Ministra que aproveitará a oportunidade para demonstrar que as suas palavras e promessas não são contrárias à prática que a educação e a escola precisa.
"Esta APEE já no passado deu mostras que não existem barreiras intransponíveis, mas também não tomaremos outras acções sem antes ouvir os argumentos dos primeiros responsáveis políticos pela educação no Pais.
"Com os nossos melhores cumprimentos e ficando na expectativa de uma breve resposta ao acima exposto, subscrevemo-nos",
O Presidente da Direcção
Zeferino Boal
"Somos uma APEE cujas preocupações são semelhantes a outras que existem no país: actuar no âmbito da educação e com instrumentos adequados.
"Acompanhamos com a devida atenção, as promessas feitas no passado e no presente, pelos decisores e muitas delas não são convenientemente concluídas por imensas vicissitudes do processo, o que tem tido reflexos na formação dos jovens de ontem e nos de agora, provocando os atrasos sucessivos no desenvolvimento eficaz do País.
"Não é nossa pretensão abordar o tema de uma forma genérica, nem será certamente o meio adequado para o fazer; apenas pretendemos transmitir preocupações concretas.
"Fazemo-lo de uma forma responsável, depois de termos constatado que se esgotaram outros níveis de decisão; os mesmos que infelizmente e nalguns casos não compreendem qual o verdadeiro papel de uma APEE.
"A este propósito escusamo-nos de anexar documentação relevante porque consideramos ser dever da DREL informar a Senhora Ministra com total clareza e honestidade dos assuntos pendentes. O diálogo sincero, leal e construtivo com a DREL foi cortado a partir do momento que o seu responsável máximo ter entrado em incumprimento de promessas feitas em tempo oportuno e se a isto acrescentarmos, as respostas inqualificáveis que obtivemos estamos num beco sem saída.
"Sem mais delongas, enunciamos as nossas preocupações de uma forma sucinta:
"1. Estamos com 2/3 do ano lectivo percorrido e todas as soluções apresentadas para a escola possuir um apoio de psicólogo foram recusadas sem alternativa Quando nos referimos a esta competência, fazemo-lo nos diferentes patamares de intervenção que é sempre necessário. Procurámos encetar iniciativas com outras entidades externas à escola, as quais foram recusadas totalmente.
"2. No ano 2002, foram protocoladas intervenções que envolviam para além do pavilhão desportivo o arranjo dos espaços exteriores; no entanto, prossegue o incumprimento do protocolo.
"3. Fomos informados de que as obras a executar no refeitório estão adjudicadas no entanto, não há previsão para o seu começo, muito provavelmente não serão feitas no decorrer do ano de 2007.
"4. A escola não possui um posto de socorros minimamente eficaz. Nem sequer é possível entrar com uma maca no espaço existente. Se ocorrer uma situação mais gravosa, quem assumirá a responsabilidade? Da nossa parte saberemos de quem apresentaremos queixa.
"5. Estamos a seis meses do começo de um próximo ano lectivo. No final do ano transacto solicitámos à DREL que fossem assumidos compromissos que possibilitassem a construção de mais um bloco de salas de aulas, atendendo à ruptura de espaços que se previa ocorrer. Situação que foi ultrapassada, por não se ter atingido o limite, mas prevê-se que este ocorra no próximo ano lectivo. Preocupa-nos nada ser feito atempadamente.
"Estas são as situações que entendemos mais urgentes e que carecem de respostas eficazes para solucionar os constrangimentos até agora ocorridos ou que venham a acontecer a curto espaço de tempo.
"Estamos certos que esta carta merecerá a maior atenção da senhora Ministra que aproveitará a oportunidade para demonstrar que as suas palavras e promessas não são contrárias à prática que a educação e a escola precisa.
"Esta APEE já no passado deu mostras que não existem barreiras intransponíveis, mas também não tomaremos outras acções sem antes ouvir os argumentos dos primeiros responsáveis políticos pela educação no Pais.
"Com os nossos melhores cumprimentos e ficando na expectativa de uma breve resposta ao acima exposto, subscrevemo-nos",
O Presidente da Direcção
Zeferino Boal
03 abril 2007
Sobram casas novas
Pessoa ligada ao mercado imobiliário, em Alcochete, garante-me haver no concelho quase um milhar de habitações a estrear disponíveis para venda, para as quais não há compradores.
Somadas às que estão em construção, cujo número será equivalente, é caso para perguntar se ainda há empresários imprevidentes, até por serem também inumeráveis as concluídas há menos de cinco anos cujos proprietários as puseram à venda.
Surpreende-me, entretanto, haver pressões enormes para a urbanização de mais terrenos.
Somadas às que estão em construção, cujo número será equivalente, é caso para perguntar se ainda há empresários imprevidentes, até por serem também inumeráveis as concluídas há menos de cinco anos cujos proprietários as puseram à venda.
Surpreende-me, entretanto, haver pressões enormes para a urbanização de mais terrenos.
E se novo aeroporto fosse perto?
Li esta notícia no DN de hoje e, finalmente, parece-me que o "sim" à Ota passou a ser um "nim".
Quanto à questão de saber se as alternativas serão Faias ou Poceirão – visto que, por razões ambientais, Rio Frio e Campo de Tiro de Alcochete parecem-me hoje hipóteses arriscadas – os especialistas que se pronunciem.
Entretanto, tenho verificado que, em Alcochete, há divisão de opiniões quanto à possibilidade de haver por perto um aeroporto internacional.
Segundo uns, quanto mais longe melhor. Para outros, seria importante pólo de desenvolvimento económico de que o distrito carece há décadas.
Sobre isso tenho uma única opinião firme: que nunca haja um aeroporto internacional no lugar da Base Aérea de Montijo, nem o sobrevoo de aeronaves a baixa altitude perto de aglomerados habitacionais significativos.
Conheço alguma coisa da contestação europeia ao ruído oriundo de aeroportos construídos próximos de cidades e bom será que tal sirva de exemplo.
Quanto à questão de saber se as alternativas serão Faias ou Poceirão – visto que, por razões ambientais, Rio Frio e Campo de Tiro de Alcochete parecem-me hoje hipóteses arriscadas – os especialistas que se pronunciem.
Entretanto, tenho verificado que, em Alcochete, há divisão de opiniões quanto à possibilidade de haver por perto um aeroporto internacional.
Segundo uns, quanto mais longe melhor. Para outros, seria importante pólo de desenvolvimento económico de que o distrito carece há décadas.
Sobre isso tenho uma única opinião firme: que nunca haja um aeroporto internacional no lugar da Base Aérea de Montijo, nem o sobrevoo de aeronaves a baixa altitude perto de aglomerados habitacionais significativos.
Conheço alguma coisa da contestação europeia ao ruído oriundo de aeroportos construídos próximos de cidades e bom será que tal sirva de exemplo.
Aceite convite para domingo
É especialmente a si, residente fora do concelho de Alcochete, que dirijo um fraternal convite para vir visitar-nos na tarde do próximo Domingo de Páscoa.
Realiza-se o cortejo do Círio dos Marítimos de Alcochete, festa por eles organizada desde a época medieval. O ano exacto de início é desconhecido, mas em 1512 já existia.
Depois de observar o filme abaixo inserido (faça dois clics sobre o símbolo ao centro da imagem para iniciar a projecção), oxalá se sinta tentado(a) a aceitar o convite.
O cortejo é organizado num terreno situado defronte da praça de touros de Alcochete e desfilará por várias artérias do centro histórico.
Se puder, na segunda-feira vá também à igreja da Atalaia (concelho de Montijo), assistir às restantes cerimónias.
Aos residentes locais devo ainda uma explicação: a animação contém dezenas de imagens digitais seleccionadas entre as centenas que captei entre 2003 e 2005.
É dedicada aos organizadores e aos protagonistas dos círios desses anos. Por muitas razões devia-lhes esta homenagem.
P.S. - Peço aos compositores locais que me enviem músicas instrumentais para ilustrar outras animações (ver Email na secção Contactos da coluna ao lado). Imperativamente, têm de ser autores dessas obras musicais.
Continuarão a ser legítimos proprietários das composições, que utilizarei exclusivamente neste blogue e para o fim indicado (os filmes são alojados no YouTube, sem o que não poderão ser vistos aqui). A autoria das composições será, naturalmente, identificada.
Formato de áudio digital: qualquer, mas preferivelmente MP3. Duração ideal de cada composição: entre quatro e seis minutos.
Realiza-se o cortejo do Círio dos Marítimos de Alcochete, festa por eles organizada desde a época medieval. O ano exacto de início é desconhecido, mas em 1512 já existia.
Depois de observar o filme abaixo inserido (faça dois clics sobre o símbolo ao centro da imagem para iniciar a projecção), oxalá se sinta tentado(a) a aceitar o convite.
O cortejo é organizado num terreno situado defronte da praça de touros de Alcochete e desfilará por várias artérias do centro histórico.
Se puder, na segunda-feira vá também à igreja da Atalaia (concelho de Montijo), assistir às restantes cerimónias.
Aos residentes locais devo ainda uma explicação: a animação contém dezenas de imagens digitais seleccionadas entre as centenas que captei entre 2003 e 2005.
É dedicada aos organizadores e aos protagonistas dos círios desses anos. Por muitas razões devia-lhes esta homenagem.
P.S. - Peço aos compositores locais que me enviem músicas instrumentais para ilustrar outras animações (ver Email na secção Contactos da coluna ao lado). Imperativamente, têm de ser autores dessas obras musicais.
Continuarão a ser legítimos proprietários das composições, que utilizarei exclusivamente neste blogue e para o fim indicado (os filmes são alojados no YouTube, sem o que não poderão ser vistos aqui). A autoria das composições será, naturalmente, identificada.
Formato de áudio digital: qualquer, mas preferivelmente MP3. Duração ideal de cada composição: entre quatro e seis minutos.
01 abril 2007
PS: agora manda ela!

Com 58,8% dos votos – naquele que terá sido o sufrágio socialista mais participado de sempre a nível local – a lista encabeçada pela deputada Teresa Diniz derrotou a do vereador Arnaldo Teixeira nas eleições para os órgãos dirigentes do PS em Alcochete.
Devido a problemas jurisdicionais, a concelhia socialista está inactiva há mais de um ano.
Não é ainda conhecida a data de posse dos novos órgãos concelhios do PS, dependendo a marcação da cerimónia da validação dos resultados.
Maria Teresa Filipe de Moraes Sarmento Diniz é licenciada em Direito e docente universitária, tendo sido eleita pelo círculo eleitoral de Setúbal.
A quem queira enviar-lhe flores, informo que 18 de Outubro é o dia do seu aniversário.
Sendo uma militante e a outra simpatizante – ambas bem conhecidas pelas funções autárquicas desempenhadas – as minhas fontes não são unânimes na previsão de pacificação imediata nas hostes socialistas de Alcochete.
Essas fontes prevêem que a presidente eleita da concelhia terá pela frente um difícil processo de negociações, mormente com os vereadores afectos à lista derrotada e respectivos apoiantes. Mas talvez tenha de travar ambições de um outro dos seus apoiantes incondicionais, cuja ascensão causaria novas e delicadas divisões.
Se Teresa Diniz for bem sucedida, os socialistas locais chegarão unidos ao início de 2009. De contrário, antes das autárquicas de Outubro desse ano poderá haver nova mudança de rostos na concelhia.
Isto é o que pensam as minhas fontes, porque nisso não meto prego nem estopa.
Além do trabalho de pacificação, aparentemente, algumas das prioridades imediatas dos novos órgãos locais socialistas deverão ser a análise do processo de revisão do Plano Director Municipal e matérias de urbanismo. Oxalá, penso eu!
Dois aspectos sensíveis em que, no entender das minhas fontes, a complacência dos vereadores do PS tem sido notória e suscitado interrogações.
Como sempre, nisto da política faço como São Tomé...
P.S. - Esqueci-me de assinalar mais acima que outros dados biográficos sobre a nova presidente da CPC de Alcochete do PS estão aqui.
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