28 junho 2007

Leiam, vá lá!...

O texto é curto! Tão triste quão delicioso. Até parece uma mensagem de Olavo de Carvalho dirigida a João Marafuga! E se até for?
Vá lá, leiam! http://www.olavodecarvalho.org/semana/070620dce.html

27 junho 2007

Ai a água, a água!

Em 2005, na vila de Alcochete, três análises à água de consumo humano apresentaram resultados que violavam os valores-padrão legalmente estabelecidos.
Quem tiver dúvidas consulte estes relatórios do IRAR (Instituto Regulador de Águas e Resíduos), particularmente o quarto volume.
Mais uma vez, só dois anos depois tal vem a saber-se e desde que se consulte o Relatório Anual do Sector de Águas e Resíduos em Portugal. Coisa que a maioria não fará, seguramente.
Estas coisas – ao contrário de outras apenas do interesse de senhores e senhoras do sistema e por isso difundidas de todas as formas possíveis e imagináveis – deveriam saber-se em tempo oportuno, por todos os meios disponíveis, e ser devidamente esclarecidas.
Todavia, enquanto as pessoas não se organizarem nem o exigirem, veementemente, continuarão a sabê-las tarde demais.
Este é um assunto recorrente e daqueles em que uma só pessoa nada conseguirá alterar.
A cada um cabe decidir se deseja seja tratado como cidadão, beduíno ou camelo e agir em conformidade.

Para memória futura (2)

Em complemento do assunto abordado neste texto, decidi adiar por alguns dias a publicação do prometido artigo uma vez que o IRAR (Instituto Regulador de Águas e Resíduos) já elaborou um projecto de despacho de devolução de cauções, de acordo com o previsto no decreto-lei n.º 100/2007, de 2 de Abril.
O projecto encontra-se em fase de participação de interessados e deverá ser publicado em «Diário da República» no próximo mês de Julho.
O despacho determinará a forma de devolução de cauções por parte das entidades gestoras e respectivos prazos.
Serão publicados editais e o despacho será publicitado em jornais nacionais e locais.
Estarei atento e, quando o despacho for publicado, disso darei aqui nota.

22 junho 2007

Escolha: cidadão, beduíno ou camelo?

Além dos bloguistas "residentes", não é vulgar aparecer por aqui quem defenda uma evolução positiva de atitudes e de comportamentos acerca dos assuntos locais de Alcochete.
Sempre que tal sucede, renasce em mim a esperança de que nem todos aceitam a condição de beduínos ou camelos e que, mais dia menos dia, a opacidade e o obscurantismo custarão caro a quem tudo fez e faz para manter distante a maioria dos cidadãos.
Duvido que a regeneração do sistema seja possível com gente que, nos últimos 30 anos, viveu na dependência dos caciquismos partidários e sobreviveu melhor ou pior com eles.
Todavia, localmente os partidos morreram ou estão moribundos e talvez haja, enfim, a oportunidade de novas gerações de alcochetanas e alcochetanos virarem isto do avesso.
Pelo menos, é gente mais culta e consciente de que quando uma revolução falha faz-se outra para recomeçar tudo de novo.
Esta revolução falhou porque, em Alcochete, só mudaram as moscas. Entre as folhas impressas de hoje e as de há 40 anos não encontro diferenças significativas, excepto nos protagonistas. Tão figurões eram aqueles como estes.
Àqueles guardo algum respeito porque foram executores ou patrocinadores das únicas obras de índole social ainda hoje existentes. A estes só posso desejar que depressa a maioria dos cidadãos reconheça o erro e os force a mudar de vida.
Mas desengane-se quem suponha que, individualmente, conseguirá mudar algo. Ninguém caia nessa. Organizem-se e gritem bem alto o que lhes vai na cabeça.
Mandem às malvas as folhas institucionais dependentes da gamela do poder e usem as novas tecnologias, que oferecem imensas possibilidades de expressão autónoma, de circulação de ideias e de projectos.
Pode não haver sucesso imediato. Mas a mensagem passará e os resultados aparecerão depois.
Por isso, comecem já!

21 junho 2007

Escola El-Rei D. Manuel I

Da Associação de Pais e Encarregados de Educação da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, de Alcochete, recebi a seguinte nota:


"Tomámos conhecimento que a Direcção Regional de Lisboa e Vale do Tejo entendeu que as Escolas deveriam compensar os alunos pelo facto não terem tido aulas nos passados dias 23 e 24 Maio, datas da realização das provas de aferição do 6º ano.
"Consideramos que se trata de uma decisão inqualificável atendendo ao facto de que mais uma vez se demonstra que alguns decisores não cumprem as suas responsabilidades nem a programação aprovada antecipadamente.
"Estamos convictos que atitudes desta natureza são contraproducentes à harmonia que se pretende instituir no ensino.
"Somos defensores do rigor e da responsabilidade. Mas, estamos convictos, que a decisão em obrigar as escolas a abrirem os seus portões para além da data estipulado, no final do ano lectivo, em nada vem acrescentar ao aproveitamento escolar.
"Se a isto acrescentarmos o transtorno que causa na gestão interna da escola, bem como à programação da vida familiar, é uma decisão irresponsável.
"Deixamos ao critério dos pais e encarregados de educação a decisão dos seus filhos comparecerem na escola nos próximos dia 26 e 28 de Junho; aos que tomarem a decisão de não autorizar a comparência dos filhos, estamos totalmente solidários.
"Ao Senhor Director Regional da DREL recomendamos que cumpra com o planeado e ordene a execução das obras no refeitório da Escola".

20 junho 2007

Ó da guarda!

Imaginem se depois do troar dos canhões – ..."nos últimos cinquenta anos a população de Alcochete tem sido 'martirizada pelos ensaios com fogo real' no campo de tiro"... – acordam sobressaltados com um daqueles Antonov russos que até fazem tremer as chávenas no armário quando descolam!

Aeroporto à porta de casa?

Não sei se as respostas são sinceras mas o equilíbrio verificado na sondagem constante da coluna da esquerda pode ser óbvio sinal de que um aeroporto à porta de casa talvez não seja assunto pacífico em Alcochete.
Acresce que também vou escutando por aí opiniões muito divididas.
E porque leio jornais, tenho notado crescente pressão para a inclusão da hipótese «Portela+1», sendo que sete em 10 opiniões apontam a base do Montijo como alternativa para um aeroporto destinado a voos de baixo custo.
Contudo, importante contributo para a calma e pacatez de Samouco e arredores tem sido dado por alguns influentes opinadores que também crêem estar há muito tomada a decisão definitiva e que a ordem final será «para a Ota e em força!»

P.S. - Mais uma boa pista...
... e mais outra

13 junho 2007

Dignidade e seriedade

Sou alcochetano, razão por que estou do lado daqueles que querem o Aeroporto Internacional de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete.
Mas apresso-me já a dizer que não estive do lado daqueles que, nos fins dos anos oitenta, sob pretextos ambientais, lutaram contra o alargamento do Campo de Tiro. Esses, se a ideologia marxista não lhes assassinasse a consciência, lógica e coerentemente estariam agora contra a construção do aeroporto no Campo de Tiro. Mas não estão! E por que razão? Porque, ontem como hoje, o que faz correr comunistas é o interesse sem freio.
Se o aeroporto vier para Alcochete, as próximas eleições autárquicas não serão mais uma vez mais do mesmo. As grandes formações partidárias vão-se interessar por este concelho cujo mapa sugere o desenho de um presunto. O político local idiota verá as malhas da rede mais apertadas para poder passar. Ambições sem rédea de independentes poderão esfumar-se. Ainda bem porque não acredito neles.
Por mim, estaria disposto a desempenhar um serviço cívico integrado numa formação política alargada de direita. Na área da cultura poderia fazer coisas de Alcochete com alcochetanos. Mas isto só aconteceria se eu fosse chamado a participar numa equipa de homens que se impusessem ao meu respeito por força da própria dignidade e seriedade.

12 junho 2007

Aeroporto onde?

Há uma nova sondagem na coluna à esquerda, esta respeitante à localização do futuro aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa.
Vote como entender, ficando desde já alertado(a) para o facto de não poder fazê-lo mais de uma vez por mês.
Quanto à questão anterior, respeitante à baixa pressão da água da rede pública em Alcochete, 58,3% das respostas teriam pertencido a quem não tem razões de queixa. Pelo contrário, 41,7% notam o problema.
Isto é, há mais um problema a resolver e alguém deveria explicar-se quanto antes.

Aeroporto: processo a seguir (5)

Porque não quero perder nenhum pormenor relevante do estudo apresentado ontem pelo presidente da Confederação da Indústria, respeitante às possíveis alternativas à Ota para a construção do novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa, acabei de ler aqui a versão integral desse interessante documento, o qual analisa as localizações Ota, Poceirão e a Poente do Campo de Tiro de Alcochete.
Detectei nesse estudo alguns pormenores que considero importantes e merecedores de apreciação cuidada:

– Não foram identificados nem avaliados impactes ambientais da adaptação de infra-estruturas rodo-ferroviárias (nomeadamente, prolongamento do IC13 até Porto Alto e linha do TGV a passar perto de Alcochete para atingir a nova ponte Barreiro-Chelas);
– Os autores do estudo consideram "fundamental proceder a uma análise mais detalhada das incidências ambientais da intervenção sugerida" (recursos hídricos superficiais, qualidade do ar e ruído);
– É necessária uma reflexão estratégica acerca das localizações "Poceirão" e "Alcochete" e também sobre o modelo de desenvolvimento regional que estas opções poderão induzir. Era bom que se aproveitassem estes seis meses para colher ideias na região;
– Algumas das orientações das pistas sugeridas para a área a Poente do campo de tiro (nomeadamente Norte-Sul: 01-19 ou 17-35) implicam que, 24 horas por dia, durante a maior parte do ano, nas descolagens as aeronaves voem praticamente sobre a vila de Alcochete. Pela descrição técnica fornecida, calculo que esse sobrevoo ocorra a um quilómetro de altitude.
Como é sabido, nesta zona o vento predominante é de Norte e os aviões descolam em sentido oposto ao da direcção do vento.
Convém ainda recordar que o ruído das aeronaves é muito mais intenso nas descolagens.
Seria bom que se aproveitassem estes seis meses para estudar melhor o assunto e, eventualmente, sugerir uma orientação clara das pistas no sentido Norte-Sul (00-18).

Insisto, entretanto, num pressuposto que estabeleci no texto anterior: penso que a opção Ota é irreversível desde 1999 e não acredito que, ao fim de 40 anos de estudos e de muito dinheiro gasto, haja a intenção política de recomeçar tudo de novo.


P.S. - Embora esteja correcta a hiperligação acima fornecida para o estudo encomendado pelo presidente da CIP, minutos depois parece-me que o «Público» pode ter retirado ou provisoriamente tornado inacessível o documento.

11 junho 2007

Aeroporto: processo a seguir (4)

O sr. Mário Lino, autor do tristemente célebre "discurso do deserto", deu hoje vagas esperanças a quem julga que o novo aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa não deve ser construído na Ota.
Disse-o no parlamento, lendo um texto cuja versão original deve ser lida aqui.
A mim parece-me que a localização na Ota é, desde há anos, decisão política irreversível e que, com este aparente compasso de espera, apenas se ficará a saber que, por 1001 razões, o Campo de Tiro de Alcochete não pode ser considerado como alternativa.
Conheço o campo de tiro e algumas áreas envolventes, assim como documentos fundamentais respeitantes às Reservas Naturais dos estuários do Tejo e do Sado (ambas integradas na rede europeia Natura 2000 e na
Lista de Sítios da Convenção de Ramsar) e, sem muita dificuldade, prevejo uma dúzia de justificações para um parecer técnico negativo.
Daí que encare o suposto compasso de espera de seis meses, para a análise comparativa entre Ota e Campo de Tiro de Alcochete, sem o optimismo que tenho visto estampado em certos rostos.
E creio que pessoas com responsabilidades políticas a nível local deveriam começar por se justificar junto de quem lhes confiou o poder. Não me consta que tenha havido, em Alcochete, um único esclarecimento ou debate público sobre o assunto, embora me pareça prudente que, em matérias delicadas, previamente se tome o pulso à opinião pública. Porque os riscos são enormes quando se rema em sentido oposto ao desejo da maioria.
Gostaria de recordar que, mesmo a nível político, o assunto é controverso. Até agora, quantos autarcas socialistas da Península de Setúbal deram a cara no debate "Ota versus campo de tiro"? Nenhum! Só gente da CDU. Inclusive, a presidente da câmara de Montijo saiu em defesa do aquífero de Poceirão (considerado a maior reserva de água da Península Ibérica, o qual, segundo técnicos da especialidade, também abrange o campo de tiro e se estende até à Ota).
De aviação civil sei o suficiente para recomendar muita cautela e caldos de galinha, porque se um aeroporto intercontinental bem planeado e gerido pode potenciar o desenvolvimento de extensas áreas envolventes, também implica condicionamentos e problemas cuja complexidade a maioria (autarcas incluídos) estará muito longe de prever.
Leiam-se na Internet, por exemplo, petições e movimentos de cidadãos residentes em torno de aeroportos como Barajas (Madrid), Charles de Gaulle (Paris), Zurique (Suíça) ou Heathrow (Londres). Assim como casos de alguns modernos aeroportos europeus que se têm revelado verdadeiros fiascos, nomeadamente porque as taxas cobradas a companhias de aviação e passageiros são exageradas. Já escrevi aqui sobre o assunto e não me alongarei agora na matéria.
Era bom que, a nível local, se principiasse por informar e esclarecer a opinião pública, embora me pareça que um aeroporto vizinho de Alcochete é fogo-fátuo.

D'abord, o que faz asco é a hipocrisia comunista

Nos fins dos anos oitenta, os comunistas desta terra de Alcochete opunham-se ao alargamento do Campo de Tiro de Alcochete alegando problemas ambientais. A Reserva Natural do Estuário do Tejo ficaria ameaçada, diziam.
Independentemente dos prós e contras para as populações do Concelho de Alcochete e zonas limítrofes, um aeroporto internacional no Campo de Tiro já não faz correr o movimento verde?
O ex-presidente da Câmara de Alcochete e actual presidente da Assembleia Municipal que se bateu por razões ecológicas - dizia ele - contra o alargamento do Campo de Tiro e que agora, arvorado em naturalogista, defende publicamente as plantas, que tem a declarar sobre tudo isto?
Ontem, a batalha travada pelos comunistas contra o alargamento do Campo de Tiro era de natureza geo-estratégica (ex-Pacto de Varsóvia versus Nato) e nada tinha a ver com a invocação histérica do ambiente; hoje o que está em causa é uma colagem oportunista para fins eleitoralistas à possível construção do aeroporto em Alcochete.
Não tenho competência para defender o aeroporto no Campo de Tiro de Alcochete, mas venha o que vier, saibamos separar as águas.

10 junho 2007

Aeroporto: processo a seguir (3)

A propósito de mais isto, eis uma a versão actualizada de "A agulha e o dedal"

Ai chega, chega, chega,chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas topete
Ó linda vem ouvir esta gaivota

Ai chega, chega, chega, chega a minha Alcochete
Afasta, afasta, afasta, afasta a tua Ota
Brejeira, não sejas trafulha, ai não
esta é a solução que já se nota



Muito a propósito: escute isto:
“Século XXVII, cidade de Alcochete” de Luísa Ducla Soares

08 junho 2007

Aeroporto: processo a seguir


Não sei se é boa ou má ideia, sobretudo por causa dos problemas ambientais, mas o desenvolvimento deste processo parece-me merecer alguma atenção de quem ainda não adormeceu ou abalou para a Lua.
Tanto quanto me disseram, não há muito tempo, o sr. Augusto Mateus reside no concelho.

05 junho 2007

O maior desperdício


Há ano e meio, quando iniciei este blogue, escrevi um texto acerca das opções de localização do novo aeroporto para servir a Área Metropolitana de Lisboa.
Acabara de ler os relatórios então disponíveis na Internet – coisa que, suponho, a maioria jamais terá feito – e deles depreendi que a decisão financeira, técnica e politicamente correcta seria Rio Frio, porque, ao contrário da localização na Ota, além de não haver limitações de segurança e operacionais relevantes, aí o aeroporto poderia funcionar e expandir-se durante mais de meio século.
Convém lembrar, a propósito, que o actual aeroporto da capital tem mais de 60 anos de existência. Na década de 40 apresentava o aspecto que a imagem acima reproduz.
Meio século é tempo suficiente para estudar, planear e desenvolver o território metropolitano até à fronteira Leste, com base numa nova plataforma aeroportuária, decisão urgente e oposta à que o sr. Mário Lino defendia, recentemente, no célebre discurso do "deserto", também comentado mais abaixo.
E isto por ser errada a tendência das últimas três décadas, de termos a maioria da população concentrada numa estreita faixa litoral, com cerca de 50kms de largura, entre Viana do Castelo e Setúbal.
Poucas coisas mudaram nos 19 meses decorridos desde que escrevi aquele texto, excepto o aparecimento de novas ideias de localização, tais como Poceirão, Faias e Campo de Tiro de Alcochete. E em todas elas cabe um aeroporto do tamanho da cidade de Lisboa (8.000 hectares).
Veio-me isto à memória, a noite passada, no final do longo debate no programa «Prós e Contras». Duvido que muitos telespectadores tenham resistido até às duas da madrugada. E foi pena porque se falou, entre outras coisas, também de Alcochete.
Pela primeira vez, num debate televisivo, fez-se alguma luz sobre um tema complexo e delicado. E parece-me ter-se clarificado muita coisa nebulosa, como aquele novo empreendimento logístico espanhol, em Castanheira do Ribatejo, viabilizado após representantes do Estado prometerem que o aeroporto iria mesmo para a Ota.
Pequeno mas significativo exemplo de que os dados parecem viciados e o jogo talvez não seja inteiramente limpo.
Infelizmente, no debate passou-se ao lado de muitas questões para mim intrigantes, como a das taxas a cobrar a companhias aéreas e passageiros pela utilização do futuro aeroporto da Área Metropolitana de Lisboa.
Creio que, devido aos custos muitos superiores se o empreendimento se localizar na Ota, as taxas aeroportuárias serão excessivamente elevadas, o que diminui a sua competitividade e inviabiliza a possibilidade de termos uma plataforma transatlântica de carga e passageiros no eixo de algumas das mais movimentadas rotas aéreas mundiais.
A questão das taxas aeroportuárias é, na actualidade, uma das mais críticas, até pelo exemplo que passo a expor.
Hoje, por uma viagem de ida e volta Lisboa-Londres, em voo regular e para dois passageiros adultos, as companhias aéreas mais baratas cobram à roda de 220 euros. No entanto, acresce um sobrecusto de 180,98 euros de taxas aeroportuárias.
Repare-se que dois aeroportos dividem entre si quase metade daquilo que os passageiros gastam, cobrando um preço excessivo para movimentar duas malas de 20kgs e, eventualmente, pagar o papel higiénico, o sabonete e a água consumidos numa fatal ida aos sanitários (quando há tempo para isso).
Bem sei que, pelos exemplos dados no final do programa televisivo por um dos intervenientes, nós parecemos um país das Arábias. Mas estamos de tanga (perdão, de parra!) e pagamos caro os inúmeros disparates políticos dos últimos 25 anos.
E o maior de todos talvez seja já irreversível.

04 junho 2007

Defesa da Festa Brava em resposta a comentário anónimo

Ó meu amigo, a festa brava é a festa da violência?
Nunca vi cenas de pancadaria no interior dos recintos taurinos nem nos espaços exteriores à entrada para o espectáculo e à saída deste. Qual a razão? Porque a festa de toiros, nomeadamente a sua vertente mais nobre que é a corrida, confronta o espectador com valores que são freio ao afloramento de impulsos negativos.
Quais valores? O valor do homem, o valor da arte, o valor da coragem, o valor da entreajuda, o valor da coabitação de classes, etc.
A mão sobre o toiro não significa só a mão inteligente do homem sobre a natureza, mas também, e sobretudo, simboliza a mão que cada um deve ter sobre si próprio.
O toureio a pé ou a cavalo é uma arte. Alguém seria capaz de dizer o contrário a Picasso e a milhares de homens de letras espalhados um pouco por todo o mundo?
A coragem é um acto de afirmação individual detestado por todos os adeptos do carneirismo, confessos ou não. De facto, um toureiro na arena é um verdadeiro rei cuja imponência se opõe à directriz de um projecto totalitário.
A força organizada dos forcados prova que se nos dermos as mãos seremos capazes de vencer as forças mais brutas que venham a ameaçar o homem.
O espectáculo da corrida de toiros à portuguesa evoca o elo existente no antigo regime entre a aristocracia (cavaleiro) e a plebe (forcado). Por este caminho, a nossa corrida faz jus à História de Portugal que vem desde o séc. XII.
O meu amigo fala em virilidade. Estará a dar uma mãozinha ao feminismo? Acha que este apêndice marxista é alternativa à festa de toiros? Dirá que não estou a respeitar as mulheres. Eu digo-lhe que respeito mais as mulheres que os defensores e defensoras do feminismo e derivados porque em cada mulher eu vejo uma pessoa igual a mim, mas distinta na individualidade. Eis aqui uma linguagem que não interessa ao marxismo. O meu amigo não perfilhará esta ideologia utópica, mas tenha cuidado, porque pode colaborar com eles sem dar por isso.
A frase agostiniana "ama e faz o que queres" pode ter duas leituras. A primeira será a que lhe dá o meu amigo: se amo verdadeiramente, não prejudico ninguém porque as minhas escolhas só podem estar ordenadas ao bem. Isto é o livre arbítrio negado por Lenine, o que não surpreende porque se o livre arbítrio trava o avanço da fatalista ideologia marxista, esta não pode querer nada com aquele. A segunda leitura da frase do tão platónico como pessimista Santo Agostinho poderá ser gnóstica: amo tanto Deus que com Ele sou um. A partir daqui posso fazer o que quero, inclusive os maiores crimes que estes não me sujam. Ora eu julgo poder poupar o meu amigo à explicação de que isto encerra um gérmen totalitário.
Não podemos colocar no mesmo plano restrições do cristianismo contra estruturas caducas de um império moribundo e a lide dos toiros no séc. XXI. Toda a mistura de ideias e factos pertencentes a planos diferentes falsifica a análise, podendo, logo à partida, ser uma desonestidade intelectual, o que não se ajusta ao meu amigo por força do que me diz entre as linhas e para lá delas.
Finalmente, o meu amigo parece comparar o espectáculo taurino com um comício fascista dos anos 30 levado a cabo na Alemanha de Hitler ou na Itália de Mussolini. Estes e outros doentes que tanto mal fizeram à Humanidade, quando se dirigiam às massas, recorriam ao substrato mítico, irracional, instintual, etc., a fim de que as emoções ficassem ao rubro e impedissem a visão objectiva da realidade. Acha que é isto que se passa na corrida de toiros? Esta, meu amigo, faz parte da estrutura da realidade contra todas as utopias.
O misticismo em Espanha, o culto mariano em Portugal e a festa brava em toda a Ibéria são muralhas indeléveis que susterão a cega onda marxista.