23 junho 2009
Uma monografia e uma trapalhada
Sucintamente, a história é a seguinte: no passado mês de Janeiro, por sua iniciativa a câmara de Alcochete encomenda a obra a Mário Balseiro Dias, mediante ajuste directo e pelo valor de 7500€, fixando-se em 120 dias o prazo de execução (terminando em finais de Maio passado).
Conforme combinado entre as partes o pagamento seria feito em quatro prestações, mas afirma o autor terem sido protelados os prazos previamente fixados, devido a alegados problemas na tesouraria autárquica, o que prejudicaria o trabalho de tradução de documentos fundamentais muito antigos, alguns com quase dez séculos.
A revisão de provas foi outra odisseia, com prazos que Mário Balseiro Dias considera excessivamente apertados e em condições despropositadas para uma obra de rigor histórico, razão pela qual não autoriza o uso do seu nome na versão cujo lançamento foi anunciado pela autarquia sem o seu consentimento.
Para completar esta história kafkiana, falta revelar que para a cerimónia de lançamento os serviços do município impunham ao autor uma intervenção com a "duração de cinco a dez minutos", para a qual redigiria "um texto de teor técnico", do qual o "executivo deveria ter conhecimento prévio".
Estas e outras posturas incoerentes e atitudes irreflectidas e precipitadas justificarão o alheamento geral, a ponto de, num município com quase 17.000 residentes, uma obra histórica ter edição prevista de... 500 exemplares?
A política cultural a que temos direito neste pagode de pobres de espírito nunca poderia dar bons resultados.
11 junho 2009
Lançamento de romance inspirado em factos locais
Em 1939, Francisco Leite da Cunha, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, acusava Pinto Ferreira, então chefe de secretaria, de comportamentos graves, o que lhe valeu o levantamento, por parte do Governador Civil, de um processo disciplinar “por infracção de carácter político”.
É com base nessa preciosa fonte histórica que o autor desenvolve o romance “Flor de Sal”, onde tece uma construção ficcional que vai muito para além do episódio quase anónimo das desavenças de um chefe de secretaria com os poderosos da vila e membros influentes da União Nacional.
Que o leitor tenha a paciência e a perspicácia para entender que, sob o pano de fundo político, o que mais interessa ao autor é conseguir transmitir a força das relações sociais num período circunscrito da nossa história não muito distante, centrado num amor proibido que cresce por entre as areias do pecado e da intriga política.
06 junho 2009
Leituras para as férias grandes (4)

04 junho 2009
Leituras para as férias grandes (3)

03 junho 2009
Leituras para as férias grandes (2)

«Por toda a parte surgiu o homem-massa, um tipo de homem feito à pressa, montado apenas sobre umas quantas abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico de uma ponta à outra da Europa. Ao homem-massa se deve o triste aspecto de monotonia asfixiante que a vida vai tomando em todo o continente. Este homem-massa é o homem previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas internacionais [divórcio, feminismo, gayzismo, abortismo, eutanásia, ambientalismo, direitos dos animais e plantas, globalismo, etc.]».
Leia Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas, Relógio d'Água, Lisboa, s/d.
02 junho 2009
Leituras para as férias grandes (1)

08 abril 2009
Se o meu amigo...

07 abril 2009
Uma leitura para a semana santa

06 abril 2009
Uma opinião pública alcochetana
Povo aglutina todos os extractos sociais sem nada ter a ver com a divião marxista da sociedade em classes. A luta destas, para Marx, seria a mola da História.
Outra coisa curiosa é que eu, também desde criança, sempre ouvi falar de "terra de Alcochete". Não poucos dos meus textos utilizam a expressão "esta minha terra de Alcochete". Não é possível que eu fale assim por falar porque não há estrutura de pensamento sem nada que a preceda.
O conceito "minha terra" só faz sentido por oposição e respeito à terra que é do outro. Não vejo no que esta estrutura ancestral, tão básica quanto natural, esteja na lógica do fim da propriedade privada e internacionalismo comunista - Proletários de todos os países, uni-vos (Assim acaba o Manifesto Comunista de Marx e Engels publicado em 1848).
Depois, há uma literatura local que vem dos fins do séc. XIX aos nossos dias: Boieiro de Pancas, Luís Cebola, Dr. Grilo, Germano Carvalheda, Leonor Matos, Maria José Branco, António Neto Salgado, João Santana, António Rei, Constantino Menino, Manuel Rei e tantos outros cujo elenco exaustivo abusaria dos moldes pré-delineados para este artigo.
Entre poemas e contos, os milhares de textos que estas pessoas nos deixaram inserem-se no veio dos princípios e valores da civilização ocidental judaico-cristã: a terra, o rio, o fado, o touro, a família, etc.
O que disse e o muito que ficou por dizer me afoita a sustentar que temos bases indeléveis para defender uma opinião pública alcochetana cuja pedra angular seria a ideia de que o comunismo é estruturalmente uma mentira.
15 março 2009
Sugestão de leitura

As férias da Páscoa vêm aí, razão por que sugiro Hayek, Friedrich, O Caminho para a Servidão, Edições 70, Lisboa, 2009. Lê-se na contra capa: «...este manifesto liberal constitui uma das denúncias mais veementes dos totalitarismos do século XX, vindo a obra a ter um sucesso assinalável. Para Hayek, na sua natureza, o hitlerismo não se distingue do estalinismo, e a diferença entre socialismo e comunismo é uma mera questão de grau, pois todas estas ideologias contêm em si uma ameaça às liberdades públicas e individuais. Há, por isso, que abandonar o caminho para a servidão - que a obra denuncia - e trilhar o da liberdade».
09 março 2009
Parabéns, Luís!
O facto de ser adversário de Luís Proença em várias áreas políticas não me coíbe de lhe dar os parabéns pela obra que acaba de publicar a favor do futebol entre os mais novos. Devo dizer que fui apanhado de surpresa esta noite quando visitei o blog "Alcochetanidades", facto que lograria a sua cereja no pico se o autor me presenteasse com um exemplar da obra autografado e tudo.
Da gentileza que venha a ter não poderá Luís Proença esperar a minha conversão a qualquer relvado que por aí se veja.
14 fevereiro 2009
12 fevereiro 2009
Sugestão de leitura

06 fevereiro 2009
Novidade literária

Com data de 28 de Janeiro passado, o Município de Alcochete contratou por ajuste directo, com Mário João Balseiro Dias, o serviço de investigação e produção do volume II da «Monografia do Concelho de Alcochete».
O prazo de execução é de 120 dias e o valor do contrato de 7500€.
Mário Balseiro Dias editou em 2004, a expensas próprias, o primeiro volume da «Monografia do Concelho de Alcochete», abrangendo os séculos XII a XVI.
31 janeiro 2009
Botânica
30 dezembro 2008
Não aprendem nada

Até ver e pelos motivos explicados num comentário apenso a texto publicado mais abaixo, esta é a minha derradeira colaboração directa neste blogue:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
"Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não discriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.
"Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
"A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
"Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar".
Guerra Junqueiro
"Pátria"
1896
19 dezembro 2008
Uma sugestão de leitura para miúdos e graúdos

18 setembro 2008
Biblioteca de Alcochete
08 junho 2008
Caminho de Servidão

19 julho 2006
Descubram, replantem e protejam samoucos

José António dos Santos Pinheirinho, na interessante obra citada neste texto, apresenta duas teses sobre a origem da designação da vila de Samouco: uma liga-a à existência de um tal Sá, surdo (mouco), em tempos popular na zona; e outra aponta a origem numa espécie arbórea florestal folhosa, variedade de faia que será possível relíquia da época do Terciário (entre 65 milhões e 1,6 milhões de anos atrás), característica de solos arenosos próximos de pinhais.
Esta última tese prendeu a minha especial atenção e estimulou algumas pesquisas na Internet.
Apurei que a Myrica Faia – popularmente conhecida, em vários pontos de Portugal Continental, nos Açores e na Madeira, como Samouco, Faia-das-Ilhas ou Faia-da-Terra – é já muito rara no Continente, estando em risco de extinção. Existem alguns exemplares na Serra de Sintra, perto de Vila Nova de Milfontes e no Pinhal de Leiria.
É uma espécie especialmente protegida nos Parques Naturais de Sintra/Cascais e do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, constando do Anexo II da Directiva 92/43/CEE como espécie de conservação prioritária e valor florístico. Os locais da sua ocorrência são considerados áreas de valor florístico muito elevado.
O desafio que lanço é este: alguém sabe da existência de Samoucos, Faias-da-Terra ou Faias-das-Ilhas na área da vila de Samouco e arredores? Existirá nos terrenos da Base Aérea do Montijo, considerando que os pinhais de outrora foram preservados até meados do século passado?
Não encontrei qualquer pista sobre isso, mas recomendo pesquisa atenta no terreno e peço que me informem se encontrarem algum exemplar. Pela minha parte farei o mesmo.
Apresento acima uma imagem esclarecedora (click sobre ela para ver ampliação), retirada daqui.
Admito, porém, que tal variedade de faia possa ter desaparecido destas paragens. Mas tratando-se de uma espécie arbórea que, embora ameaçada, existe ainda em vários pontos do país, parece-me que deveria surgir um movimento de cidadania para a sua reposição na vila de Samouco.
Possivelmente com o apoio e cooperação do Instituto de Conservação da Natureza (que tutela os parques naturais acima citados) ou similares das regiões autónomas.
Escolas, autarquias e cidadãos de Samouco bem podiam contribuir para a substituição da tão maltratada árvore nacional do Canadá (plátano), profusamente disseminada nas artérias da vila, por uma faia cujo nome me parece um símbolo local e que, a julgar pela imagem acima, é muito bonita.
P.S.-Prosseguindo nas minhas investigações sobre a Myrica Faia, descobri posteriormente ser abundante nas ilhas do Faial (cujo nome se diz derivar deste arbusto ou árvore) e da Graciosa.
Outra importante pista nesta página, pertencente ao Governo Regional da Madeira.
Há ainda uma árvore do género no Pinhal de Leiria, possivelmente centenária, com mais de 45 metros de altura.
Muito importante: ver também as imagens desta página. Demonstram a variedade de tons dos frutos, descritos noutra fonte como saborosos quando maduros.