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31 março 2008

Trabalho de casa para candidatos autárquicos

Em 2006 existiam em Alcochete 3761 pensionistas, para uma população residente estimada em 3890 cidadãos com idade superior a 65 anos. Em 1998 eram oficialmente estimados apenas 1550 residentes na mesma faixa etária, embora, surpreendentemente, o número de pensionistas fosse superior em mais do dobro à desses residentes.
Desde 1998 tem havido oscilações no número de pensionistas, entre o máximo de 3940 (em 2005) e o mínimo de 3566 (em 1998). Não há dados que permitam compreender as causas da redução apreciável de 2005 para 2006: de 3940 para 3761 pensionistas.
Importante é ter presente que, na actualidade, haverá cerca 4000 alcochetanos residentes com mais de 65 anos de idade, dos quais à roda de 1400 terão mais de 75 anos.
É sabido que a maior parte dessa população tende a viver em isolamento. E aos maiores de 75 anos acresce o problema da dependência crescente.
Refiro estes números para apelar a uma reflexão séria de potenciais candidatos aos órgãos das autarquias locais do concelho, aos quais me parece recomendável o estudo de soluções que minimizem o isolamento e a dependência dos idosos, especialmente dos que vivem sozinhos. E destes nem se conhecem sequer números aproximados, se é que alguma vez foi feito tal levantamento.
Não houve no passado recente – e muito menos existe no presente – uma política social adequada de apoio à população idosa, ajudando-a a matar o tempo e a resolver pequenos problemas domésticos que afectam o bem-estar e a idade impede de solucionar.
Muitas dessas pessoas terão ainda suficientes capacidades de locomoção e de raciocínio, cultura e conhecimentos técnico-profissionais para o desempenho de pequenas tarefas em autarquias, nas empresas, em colectividades e instituições de índole social.
Julgo ser ilógico que muita gente ainda útil continue por aí em bancos de jardim ou, o que se me afigura pior, viva isolada entre quatro paredes.

Há anos que os autarcas se revelam pouco atentos ao fenómeno. Basta notar que, a 25 metros da porta dos Paços do Concelho, os bancos existentes no pequeno e descuidado jardim do Largo de São João são extremamemente incómodos. Estão ali há uma década, pelo menos.
No entanto, em 2005 todos os programas eleitorais para as autarquias de Alcochete continham inúmeras referências directas ou indirectas aos idosos e seu bem-estar. Em 2001 idem e em 1997 também.
Que se fez de então para cá? Nada, absolutamente nada, excepto o costume: o poder dedica-se à caridadezinha dos passeios, dos almoços e das festas. Tão errado como tentar confiná-los a centros de dia, a centros de reformados ou o que queiram chamar a esses depósitos desumanos.

É urgente preencher, utilmente, o tempo e o vazio dos idosos, para que as mentes se mantenham activas e saudáveis e os corpos não caminhem, invariavelmente, para os postos de saúde, em busca de alívios que pouco têm a ver com a medicina porque derivam do isolamento e do desinteresse da sociedade.
No Centro de Saúde de Alcochete deparo com idosos que vão para lá ao raiar do dia, mesmo que a consulta esteja marcada para muitas horas depois, por dois motivos essenciais: falta de transporte e oportunidade de cavaquear com quem está.
Creio que para ambos os motivos há soluções alternativas, ao alcance do orçamento municipal, se os candidatos a autarcas fizerem bem o trabalho de casa e se, em vez de promessas vagas, calendarizarem acções concretas nos primeiros 100 dias de mandato.

15 fevereiro 2008

Quando o poder fica mal no retrato (4)

Em 2005, as 1.426 empresas de Alcochete empregavam 3329 trabalhadores por conta de outrem, existindo 183 pessoas ocupadas no sector primário (agricultura e pescas), 1075 no secundário (indústria) e 2071 no terciário (comércio e serviços). Na península de Setúbal era o concelho com menor número de empregados por conta de outrem.
No mesmo ano, o ganho médio mensal de um trabalhador em Alcochete foi de 892,18€, ligeiramente abaixo da média da região. O salário médio no sector primário era de 602,93€, no secundário de 973,16€ e no terciário de 875,70€. Só o salário médio deste último sector estava um pouco acima da média da península de Setúbal.
Além do mais, estes números evidenciam a importância da indústria e dos serviços que urge captar para o concelho. Principalmente indústria transformadora, onde as 106 empresas existentes representam menos de 10% do total. Globalmente registaram volume de negócios de 470.891 milhares de euros.
Saiba-se ainda que, no ano de 2006, em Alcochete, oficialmente nem um litro de vinho foi declarado para comercialização. O que me parece estranho. Na península de Setúbal só há paralelo com Almada. Também nem uma árvore de fruto ou oliveira foram adquiridas a viveiristas para plantação na área do concelho. Neste caso apenas há paralelo com Seixal.
Outra informação relevante é a que permite avaliar o volume de emprego segundo a dimensão dos estabelecimentos. Por ordem de relevância, as microempresas (menos de 10 trabalhadores) – que representavam 87% do parque empresarial, a mais expressiva da região – empregavam 764 pessoas; 653 pessoas trabalhavam em entidades com 20 a 49 empregados, 641 em sociedades com 50 a 99 postos de trabalho, 466 em empresas com 10 a 19 empregados, 331 em empresas com 100 a 249 postos de trabalho, 325 em empresas com mais de 500 empregados e 149 em empresas com mais de 250 e menos de 500 trabalhadores.
Fácil é concluir serem as micro e pequenas empresas as principais fomentadoras de emprego no município.
O ganho médio mensal dos trabalhadores é muito superior nas maiores empresas (1230,41€ em sociedades com mais de 500 empregados), quedando-se essa média em quase metade (661,09€) nas microempresas.

Outro indicador estatístico interessante é o nível de habilitações dos trabalhadores. Dos 3329 empregados por conta de outrem no concelho de Alcochete, 53 tinham menos que o 1.º ciclo do ensino básico, 683 quedavam-se pelo 1.º ciclo, 582 pelo 2.º ciclo, 813 pelo 3.º ciclo, 874 tinham o ensino secundário completo, 68 o bacharelato e 220 a licenciatura.
Sem surpresa, em Alcochete o ganho médio mensal de um licenciado era de 2.088,50€ e o de um trabalhador sem a instrução primária completa de apenas 537€. Isto devia ser demonstrado e explicado aos jovens, factor que pode influir positivamente no abandono escolar.

Passando aos indicadores de protecção social em Alcochete, os 3761 pensionistas existentes no final de 2006 recebiam o valor médio anual de 4279€. A média mensal ronda os 71 contos em moeda antiga, a segunda mais baixa da península de Setúbal (depois de Montijo).
Os 657 desempregados do concelho (dos quais 479 eram novos beneficiários) receberam um subsídio médio anual de 3.944€, o segundo mais alto da região (só Barreiro supera).
A média concelhia de dias de subsídio de desemprego foi de 221, ligeiramente abaixo da média da península de Setúbal.
Cerca de metade dos desempregados pertenciam à faixa etária dos 30 aos 49 anos, seguindo-se 111 com mais de 55 anos. Apenas 58 tinham menos de 24 anos, 91 mais de 25 e menos 30 anos e 53 estavam entre 50 e 54 anos.
Em termos médios, os trabalhadores de Alcochete tiveram 68 dias de subsídio de doença e receberam 1155€ do correspondente subsídio. Parece-me curioso assinalar que, entre os nove municípios da península de Setúbal, os trabalhadores de Alcochete foram os que declararam menos dias de doença.
O valor médio das prestações familiares (abono de família, designadamente) foi de 506 euros.
Também no ano de 2006, 121 cidadãos de Alcochete beneficiavam de rendimento social de inserção. Vale a pena decompor por idades: 55 tinham menos de 24 anos, 24 estavam entre 25 e 39 anos, 17 entre 40 e 54 anos e 25 tinham mais de 55 anos.

(continua)

14 outubro 2007

Coisas de que não me arrependo (IV)

«Ser velho é terrível» era o título de um texto por mim publicado neste blogue há quase dois anos.
Relembro-o hoje por várias razões.
Primeira, por se saber que no próximo ano o governo continuará a piorar a qualidade de vida dos reformados por via do IRS: a dedução específica e o limite de isenção diminuem.
Segunda, em Alcochete não só continua a ignorar-se a dimensão social do problema das pessoas inactivas, isoladas e abandonadas como, aparentemente, ninguém se incomoda em dar passos certos e seguros para minimizar o problema.
Haverá cerca de 2.500 residentes com mais de 64 anos e, presumivelmente, outros 2.000 inactivos com idade bastante inferior devido às reformas antecipadas. Muitos destes, pelo menos, terão suficientes capacidades de locomoção e de raciocínio, cultura e conhecimentos técnico-profissionais para o desempenho de tarefas nas autarquias, nas empresas, em colectividades e instituições de índole social.
Terceira razão: em 2005 todos os programas eleitorais para as autarquias de Alcochete continham inúmeras referências directas ou indirectas a este problema social. Que se fez, entretanto? Nada, absolutamente nada! A oposição está inactiva e silenciosa, o poder dedica-se à caridadezinha dos passeios, dos almoços e das festas e os cidadãos activos em geral tratam da sua vidinha confiando filhos e animais de estimação aos ascendentes da família.
A quarta razão está aqui: metade dos idosos internados já admitem a eutanásia e muitos não são doentes crónicos nem terminais. Perceberá porquê quem conheça, minimamente, tais instituições.
A marcha implacável do tempo ensinará aos activos de hoje que, pelo andar das coisas, nesta sociedade desumana os espera bem pior que aos actuais seniores.

29 setembro 2007

Com papas e bolos

Este executivo municipal de Alcochete – e os anteriores, porque o problema não é recente – erra na forma como lida com os idosos.
Insiste na receita habitual usada pelos políticos para gastar o seu tempo – 99% em autopromoção e 1% a mudar a realidade – usando mal o dinheiro de todos em caridadezinha e caça ao voto.
Deveria prestar atenção às estatísticas (dados de 2001 sobre Alcochete: 10% de analfabetismo, 94,6% de índice de envelhecimento, 46,3% de índice de dependência total, 200 viúvos), além da inadequação de alojamentos a mobilidade limitada, 141 idosos em lista de espera no lar e dezenas de outros total ou parcialmente dependentes da assistência diária de instituições de solidariedade social, etc.
Há ainda estatísticas nacionais a ter em conta, como 27% de portugueses com mais de 55 anos, 17,3% com mais de 65 anos e 4,3% acima dos 80 anos.
E outras realidades conhecidas, como os "novos velhos" atirados borda fora por um país louco e à deriva: reformados aos 58 anos de idade, ou menos.
Conheço vários casos destes em Alcochete e a maioria goza de boa saúde, tem meios económicos razoáveis, cultura acima da média, especialização profissional, sensibilidade social e muito mais anos para viver.
Podiam ser úteis ao município e aos alcochetanos em geral. Mas esta sociedade insensível e desumana condenou-os duplamente.

Perante esta realidade, que fazem os autarcas?
Promovem, por estes dias, iniciativas pomposamente denominadas «Semana Sénior»: passeios de barco, lanches, bailes e cinema.
Segundo também li algures, recentemente uma junta de freguesia local levou seis autocarros pejados de idosos a Fátima, se a memória não me atraiçoa. Pasme-se: o sr. presidente da câmara e seu séquito apareceram ao almoço! Mero acaso, bem entendido.
Não me cansarei de escrever que o Município de Alcochete e os alcochetanos precisam, urgentemente, de outro tipo de autarcas. Gente que saiba governar em representação dos cidadãos, pondo-os acima de conveniências pessoais e políticas e gastando cada moeda como se fosse a última.
Pouco me importa que sejam comunistas, anarquistas, socialistas, social-democratas, trotskistas ou democratas cristãos. Desde que demonstrem ser gente decente, estou-me nas tintas para a militância.
Seres humanos bem formados e com experiência de vida, que compreendam a importância de iniciativas e organizações como esta. É um simples exemplo. Há milhares deles. Inclusive em Portugal.


P.S. - Faço um veemente apelo a especialistas na matéria, sobretudo residentes em Alcochete pois estão mais próximos da realidade e terão alguma percepção do problema: venham aqui demonstrar como se pode fazer mais e melhor pelos seniores.

23 fevereiro 2007

Números interessantes (2)


As imagens acima (click sobre elas para ver ampliação) demonstram a evolução da população residente em Alcochete, por grandes grupos de idades, em 1997 e 2004.
Quadro e gráfico evidenciam que os maiores aumentos populacionais se verificaram nos extremos, havendo hoje muito mais crianças (61,2%) e terceira idade (60,2%). É também significativo o aumento de 55,6% na população entre os 25 e os 64 anos.
Pelo contrário, na faixa etária dos 15 aos 24 anos a variação foi mínima (5%).


Se estes números fossem tidos em conta na definição de estratégias e no planeamento da acção municipal – porque os autarcas, como qualquer cidadão interessado, têm acesso a eles um ano depois no sítio do Instituto Nacional de Estatística – seriam notórias preocupações com o crescimento populacional nos grupos extremos, pelo menos.
Mas não houve acções tendentes a melhorar o bem-estar das crianças. Basta recordar o péssimo estado da maioria dos parques infantis (apenas o de São Francisco respeita as normas legais), a inexistência de um local amplo e aprazível para o lazer em família e a escassez de espaço e de condições nos estabelecimentos de ensino pré-primário e do 1.º ciclo.
Tal como não se vislumbram preocupações com os mais velhos, embora sejam também um grupo etário extremamente vulnerável e carente. Por isso são frequentadores assíduos dos centros de saúde, nem sempre por doença mas porque os médicos são os únicos que ainda lhes dedicam alguma atenção.
A propósito do acima mencionado local amplo e aprazível para o lazer em família, vem-me à memória que, há cerca três anos, tive na mão o plano de pormenor de um parque urbano a erguer, em Alcochete, numa área próxima dos três supermercados.
Viram por aí sinais da construção iminente desse parque?

Também li, há ano e meio, num programa eleitoral qualquer, esta promessa: "construir a 1ª fase do Parque-Jardim Municipal de Alcochete".
Recorda-se se a promessa era de quem ganhou as eleições?

Mexa-se, para bem da sua qualidade de vida!

13 fevereiro 2007

Problemas sociais desconhecidos

No final de 1996, Alcochete tinha 3.563 pensionistas por invalidez, velhice e sobrevivência.
Em 2003 esse número crescera para 3.851.

Em 2002, Alcochete tinha 168 beneficiários do rendimento mínimo garantido.

Fonte: INE

08 janeiro 2007

O isqueiro e a pesca desportiva

No tempo da "outra senhora" havia uma celebérrima lei que obrigava os portugueses a pagar uma licença de uso e posse de isqueiro, a pretexto da defesa da indústria fosforeira nacional.
Agora, quando até os fósforos vêm da China, "esta senhora" criou legislação com a qual diz pretender pôr na ordem uns energúmenos – maioritariamente velhos, inúteis e reformados – que supostamente delapidam os recursos piscícolas ao darem banho à minhoca.
O mais estranho é que a clara maioria não pesca coisa alguma e o acto de alimentar peixes com minhoca, casulo, sardinha ou camarão era mero pretexto para umas horas de amena cavaqueira, evitando o síndroma do marido reformado.
Mas até nisso "esta senhora" interferiu, ao obrigar os pescadores a manterem entre si a distância mínima de 10 metros, não vá haver algum contágio de... bacilos da gripe.
Portanto, restam aos velhotes de Alcochete duas alternativas: ou engrossam o número dos que roçam os fundilhos das calças criticando o presidente da câmara nos bancos de jardim fronteiros aos Paços do Concelho e em redor do Museu de Arte Sacra ou... compram megafone para manterem a cavaqueira na pesca.
Já só falta mesmo que os municípios apliquem aos reformados uma taxa de manutenção dos bancos de jardim!

07 janeiro 2007

Saúde no país dos cidadãos descartáveis

Porque leio regularmente o «Diário da República», já me tinha apercebido que o Centro de Saúde de Alcochete tem, há meses, nova tutela directiva, comum aos congéneres de Barreiro, Quinta da Lomba, Moita, Montijo e Baixa da Banheira.
Não abordei o assunto porque, comprovadamente, ele interessa a muito poucos e nem vale a pena pormenorizá-lo, já que os principais utentes dos centros de saúde são os velhos e, no caso de Alcochete, embora representem cerca de 19% da população residente, dessa franja da sociedade ninguém quer saber rigorosamente nada.
Aos novos – que usufruem de seguros de saúde, que nunca adoecem, que jamais envelhecerão e não querem saber dos velhos – pouco interessa que o funcionamento dos centros de saúde seja bom ou mau.
No entanto, ao contrário do que esta notícia parece sugerir – continua a espantar-me o distanciamento social e a resignação dos jornalistas da actualidade – duvido que os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) sejam melhor servidos com estes métodos de gestão.
Sejamos racionais: é mais fácil gerir organizações e resolver os problemas junto delas ou a 30kms de distância?
Para mim, a promessa de os utentes usufruírem de consultas de especialidades e do apoio de hospitais de referência é música para adormecer. Na prática, amanhã as coisas estarão muito piores que anteontem, ontem e hoje.
Talvez o governo – e, em particular, o ministro da Saúde – volte a embandeirar em arco por mais uma redução de despesa no SNS.
E se esta política ocasionar a morte prematura de muitos velhos, a Segurança Social deixará também de ser preocupação?
Que país construímos se se tratam os cidadãos como descartáveis, esfolando-os com impostos durante a vida activa e retirando-lhes apoio ao pesarem no orçamento?
Entrementes, pouco importa que, diariamente, no Centro de Saúde de Alcochete, aumente o número de utentes, de médicos, de enfermeiros e de funcionários descontentes e desmotivados com esta política.

A verdade é que uns e outros continuam a refilar apenas entredentes, pelo que presumo haver medo de falar alto. Ou continuarão resignados por terem o que merecem?

11 outubro 2006

Há medo, sim

Parece-me que isto tem algo a ver com os alcochetanos e não resisto a chamar a atenção para palavras desassombradas de um "senador" socialista.
É a segunda vez – a primeira foi há uns anos, quando Mário Soares incitou os portugueses a usarem o "direito à indignação" – que me revejo em afirmações de "senadores" do PS.
Fiquei sensibilizado com as palavras de Manuel Alegre, tanto mais que delas tomei conhecimento no mesmo dia em que li esta e esta notícias.
Começa a parecer-me que, ao reduzir os rendimentos dos pensionistas e cortar cegamente na saúde, o Governo está apostado em matar os velhos o mais depressa possível. Era só o que nos faltava, depois das empresas terem andado, durante anos e com o beneplácito do poder, a mandar para casa o pessoal de cabelos brancos.
Acho que a oposição, demasiado ocupada com o seu umbigo, perdeu qualquer capacidade de "partir a loiça" e de mobilizar os cidadãos contra o socialismo neoliberal.

26 fevereiro 2006

Ser velho é terrível (2)


Há três meses, com o mesmo título e imagem, escrevi acerca dos sentimentos de isolamento e de inutilidade dos idosos, apresentando algumas sugestões.
Em Alcochete temos centenas deles, cada vez mais novos. Iniciativas destas representam alguma coisa. Mas são escassas.
É preciso avisar toda a gente que não há eterna juventude!
É preciso avisar toda a gente que alguns dos nossos idosos são extraordinários artistas e artesãos!
É preciso avisar toda a gente que velhos são os trapos!
Hoje li, no DN, uma notícia que revela dados dramáticos sobre o problema. Não há apenas corrida aos centros de saúde, em busca de remédio que a medicina não tem. Há suicídios!

11 janeiro 2006

Nota 11 para velhotes em acção

Daria, em princípio, nota 15 a iniciativas como a referida nesta notícia, não fossem dois pormenores relevantes: a maioria dos potenciais interessados desconhece-a porque a câmara não a divulgou convenientemente, e presumo tratar-se da continuidade de algo vindo do anterior executivo mas agora para uma faixa etária mais ampla.
Assim, considero a iniciativa positiva mas fico-me pela nota 11.
Vi esta notícia num jornal do distrito pouco lido no concelho. No jornal local, com data muito próxima deste, nada encontrei. E no sítio da câmara na Internet nada se publicou, até hoje.
Contudo, no labiríntico sítio da câmara – de que não posso fornecer hiperligação para determinada página por culpa de quem pariu aquilo – na área Desporto existe um plano de actividades para 2005(!) do programa Clube+Idade, presumivelmente oriundo do anterior executivo, então para cidadãos com mais de 60 anos. A diferença mais notória é que, a partir de agora, destina-se a quem tenha mais de 55 anos. Nada de inédito, portanto.
A contragosto, insisto em que o município continua a pecar por falta de informação directa. Não pode nem deve perpetuar essa falha por muito tempo, por vários motivos, alguns dos quais aflorados em textos anteriores.
Eis chegada a minha hora de cobrar as primeiras promessas eleitorais, para que considero não haver desculpa por terem decorrido menos de 100 dias. Manda o bom senso que estas coisas da informação pública sejam arrumadas na fase de transição.
Cito o ponto 3 do capítulo VII do programa da CDU de Alcochete nas recentes eleições autárquicas: "Garantir que os cidadãos-munícipes e que os parceiros institucionais tenham acesso à informação relevante da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia".
Cito outras alíneas do mesmo ponto:
"c. Assegurar a qualidade da informação, bem como assistência e apoio aos cidadãos na compreensão das políticas autárquicas;
(i.) Assegurar a publicação periódica e regular do Boletim Municipal;
(ii.) Garantir a permanente actualização de conteúdos do sítio da Câmara Municipal".
Até agora a câmara não nos deu nem informação relevante nem suficiente, à maioria é difícil compreender políticas autárquicas pouco claras e mal explicadas e a actualização de conteúdos do sítio da câmara tem-se resumido a meia dúzia de linhas semanais.
Creio, todavia, que o Boletim Municipal mencionado no programa da CDU era uma revista. Possivelmente aquela colorida, com "n" fotografias dos srs. presidentes e vereadores com funções executivas (e os não executivos cuidadosamente "rapados", por serem peçonhentos), que calculo custar uns 45.000 euros por edição.
Mas não é desse instrumento de propaganda que carecemos, que nunca me pareceu coerente excepto para fins de promoção pessoal a expensas do erário público. Hoje, quando há défice orçamental declarado, parece-me até impensável.
Não vejo outra solução para massificar a informação que não seja explorar exaustivamente todos os meios disponíveis: Rádio, Imprensa e Internet.
Mas isso ainda não basta. É preciso produzir e distribuir nas caixas de correio dos munícipes um boletim mensal em papel, com uma só cor e sem imagens se não houver dinheiro para mais. É fácil (muito fácil mesmo), é barato e... dá votos.
Num boletim municipal como este, editado pela maior autarquia do país (se tem o programa Acrobat Reader instalado no computador leia qualquer dos exemplares em versão electrónica), diz-se e explica-se tudo.
Só tem vantagens: é fácil de elaborar e paginar em computador (até com um vulgar processador de texto), imprime-se em Alcochete a baixo custo, a distribuição em todos os endereços postais do concelho tem um custo aceitável e... dá votos.
Ponham mãos à obra e depressa, antes que seja tarde.

30 dezembro 2005

Mais flores e respeito, por favor


Não é ilegal nem ilegítimo que, sob determinadas condições, os cidadãos alindem, conservem e vigiem canteiros, jardins e espaços públicos existentes nas respectivas zonas de residência. Não obstante o individualismo, o comodismo e o alheamento que caracteriza os portugueses em geral, só os verdadeiros interessados conseguirão fazer das áreas de recreio e lazer o que parece quase impossível exigir hoje às autarquias.
Para esse efeito há municípios que celebraram acordos com associações de moradores, mediante contrapartidas, fornecendo-lhes meios e algum apoio técnico. Lá fora há curiosas experiências de cooperação entre cidadãos e autarquias, de que poderá aperceber-se quem pesquisar ideias e sugestões na Internet.
Em Alcochete há dezenas de reformados que passam os dias roçando as calças em bancos e esquinas mas, com meios próprios ou a ajuda de uma instituição privada ou colectividade (talvez a Casa do Povo), provavelmente o município conseguiria cativar alguns para essa e outras missões úteis.

Alguma retribuição, tacto, paciência, compreensão e uma placa informativa, implantada em cada jardim, seriam merecidas recompensas a quem se disponha a esse trabalho individual ou colectivo.
Acredito que, pelo menos, os mais velhos se recordam dos lindos canteiros que, há 30 ou 40 anos, faziam de Alcochete uma vila invulgarmente florida. A imagem acima mostra como se apresentava, na década de 60, o canteiro que rodeia o busto do Barão de Samora Correia.
Hoje, de uma ponta à outra do concelho, as flores rareiam e os canteiros estão pouco menos que abandonados. Resistem uns arbustos desprezíveis e, claro, a milagrosa casca de pinheiro contra as ervas daninhas.
No Largo Barão de Samora Correia (Rossio) há vários canteiros com brechas visíveis, porque alguém resolveu preenchê-los com as inefáveis palmeiras, a árvore municipal de excelência. São feias e baratas, mas óptimas porque exigem manutenção quase nula. Não servem nem aos pássaros, da sua sombra até os gatos fogem e a inutilidade ornamental é óbvia. E como as palmeiras cresceram mas os canteiros não, pouco falta para a câmara ter de deitar mãos à obra.
Creio que alguns reformados conseguirão fazer mais e melhor, gastando a autarquia muito menos. Quanto aos jardineiros municipais, dêem-lhes formação e missões melhor remuneradas.
Por falar em flores: o município tem ou não um viveiro de plantas? Confesso que nunca vi ou li nada sobre o assunto. Estará fora das possibilidades orçamentais da câmara oferecer, nomeadamente aos residentes nas zonas históricas de Alcochete e Samouco, suportes e vasos de flores para as respectivas janelas e portas de entrada? Não é isso que se observa, por esse mundo fora, nas zonas históricas?
A propósito de missões úteis para reformados: por saber que muitos homens idosos e esquecidos – que vagueiam nas imediações dos Paços do Concelho, do Museu de Arte Sacra e do jardim do Rossio, em Alcochete; da Praça da República e do Largo Dias Coelho, em Samouco; além do Largo 1.º de Maio e imediações, em São Francisco – acabam por recorrer, desnecessariamente, ao Centro de Saúde, em busca de remédio para chagas sociais cuja terapia adequada é readquirir o gosto pela vida e o prazer de ser útil a si próprio e aos outros, cura que os centros de dia para reformados estão longe de oferecer e a maioria considera até abomináveis, pergunto se não seria preferível alguém da autarquia conversar com esses homens e ver até que ponto ela própria poderia aproveitar os seus conhecimentos, aptidões e habilidades.
Um exemplo mínimo do muito que há a fazer, porquanto os médicos raramente conseguem milagres: em artérias muito movimentadas do município da Amadora, nas passagens de peões situadas junto às escolas, são reformados que regulam o tráfego e os atravessamentos. Envergando um colete retroreflector e segurando uma raqueta com duas faces (verde e vermelha com sinal de "stop"), há anos que fazem esse trabalho, têm evitado acidentes e salvo algumas vidas.
Quantos não haverá por aí capazes de fazer muito mais por nós?

22 novembro 2005

Ser velho é terrível


Para variar, até quinta-feira teremos na televisão ecos das deambulações do Presidente da República a propósito dos velhos deste país.
Por motivos óbvios prefiro aproveitar o ensejo para falar dos velhos de Alcochete, acerca dos quais pouco se sabe.
Neste concelho com pouco menos de 14.000 residentes, mais de meio milhar de idosos carecem do apoio directo de uma instituição privada de solidariedade social que sobrevive com imensas dificuldades.
O censo populacional de 2001 apurou existirem então 2.012 residentes com mais de 64 anos e a tendência para o envelhecimento da população residente acentua-se há décadas.
Segundo as estatísticas do desemprego, o escalão etário dos 55 aos 59 anos é o que regista maior número de beneficiários do subsídio de desemprego e, no passado mês de Outubro, Alcochete tinha 94 pessoas desempregadas com mais de 55 anos. Falta saber quantas pessoas do grupo etário dos 35 aos 54 anos (no qual havia 213 inscritos) têm mais de 50 anos e um número de anos de descontos para a Segurança Social suficiente para terem direito à reforma antecipada, legalmente prevista em caso de desemprego de longa duração.
Não se conhecem quaisquer outros indicadores estatísticos e, apesar do Município de Alcochete ter um Gabinete de Acção Social, no relatório de actividades de 2004 da Câmara Municipal não há dados pormenorizados acerca da dimensão social do problema das pessoas inactivas. Mas sabe-se que o número de reformados precoces tende a aumentar exponencialmente.
Em face dos dados conhecidos, admito haver em Alcochete, entre reformados normais e precoces, cerca de 1.500 pessoas inactivas mas com suficientes capacidades de locomoção e de raciocínio e conhecimentos técnico-profissionais adequados para, mediante uma retribuição consentânea com a actividade e as mais valias geradas, desempenharem tarefas nas autarquias, nas empresas, em colectividades e instituições de índole social.
Estas são as pessoas mais estigmatizadas por um imobilismo quase sempre forçado, uma espécie de párias e de vadios que, de tanto gastarem as calças e as saias frente à televisão e em bancos de café e de jardim, cedo ou tarde acabam por gerar despesas evitáveis ao serviço nacional de saúde e problemas aos médicos do Centro de Saúde de Alcochete.
Detectei em todos os programas eleitorais para as autarquias de Alcochete inúmeras referências directas ou indirectas a este problema social. Oxalá não tenham sido meros papéis de embrulho e haja acções coerentes em defesa do fim da caridadezinha dos passeios, dos almoços, das festas e das "fitas à portuguesa".
Lembrem-se do art.º 72.º da Constituição da República Portuguesa: "As pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que respeitem a sua autonomia pessoal e evitem e superem o isolamento ou a marginalização social".
Façam-nas participar nas questões sociais, económicas, culturais, espirituais e cívicas deste concelho, porque têm muito tempo disponível para reflectir e agir e a experiência de vida é sempre enriquecedora.
O envelhecimento activo é um benefício para todos e os idosos têm direito a actividades adequadas às suas necessidades e capacidade para dar respostas novas a problemas antigos.