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08 setembro 2009

Qual a obra emblemática desta Câmara?


Infelizmente, embora José Inocêncio não fosse o político na acepção que Balladur dá a esta expressão, a verdade é que o mandato deste autarca deixou obras emblemáticas, quais sejam o Forum Cultural, a Biblioteca Pública de Alcochete, o Ginásio da Escola El-Rei D. Manuel I, etc.

Qual é a obra emblemática desta Câmara?

02 fevereiro 2007

No dia das zonas húmidas


Nem sempre estou de acordo com os ambientalistas mas, no caso concreto de Alcochete, estas críticas da Quercus parecem-me justas.
Conheço relativamente bem o terreno e, em meu entender, as críticas serão até demasiado brandas.
Em matéria de conservação da Natureza, há muitos anos que se faz de conta.
Há promessas inúmeras, entidades institucionais, protocolos de cooperação, acordos de colaboração, uma concessão para recuperação paisagística e uma área comercial cujo espaço maior tem carácter ambiental e deveria há anos ser usufruído pela população, mas nada se vê de positivo nem nunca se anda para diante.
Entretanto, os espaços de fruição da Natureza são cada vez menos, há antigas salinas com aquicultura ilegal e a paisagem continua a ser manchada por betão distribuído a esmo.
A reserva natural e a zona de protecção especial estão entregues a si próprias e a degradar-se, as aves limícolas batem em retirada, os atentados são inúmeros e os charcos abandonados ocasionam o aparecimento de mosquitos.
Sobretudo porque os cidadãos se alheiam dos problemas, fazem de conta que nada disto lhes diz respeito e não se organizam para pôr ordem nas coisas.
Assim se construiu (e o Estado financiou) um fórum cultural na ZPE do Tejo, a RNET chegou ao extremo de não ter dinheiro para nada, a fundação das salinas do Samouco é o artifício conhecido, o Sítio das Hortas não anda nem desanda, a área C da gigantesca catedral de consumo nunca foi aberta ao público e a zona marginal de Samouco continua no estado acima ilustrado.

16 novembro 2006

Pode ser legal, mas... (3)

Em meados de Outubro escrevi este e este textos, assinalando que um cidadão interessado em esclarecer-se acerca do alcance da alteração ao regulamento de utilização da piscina municipal de Alcochete teria, previamente, de resolver algumas charadas, devido à existência de versões distintas no sítio da câmara na Internet e no jornal oficial do Estado.
Sei que tinha razão.
Na pág. 2 deste suplemento ao «Diário da República» de terça-feira, vem publicado o Edital n.º 454/2006, de 10 de Outubro, da Câmara Municipal de Alcochete, contendo a versão completa da alteração ao Regulamento de Utilização das Instalações Desportivas Municipais (piscina municipal).
Assim está correcto e agora os munícipes têm bases para se pronunciar. Oxalá o façam até 14 de Dezembro.

Na pág. 5 do mesmo suplemento ao jornal oficial do Estado vem ainda publicado o Edital n.º 455/2006, também de 10 de Outubro, contendo uma proposta de regulamento do Fórum Cultural de Alcochete, em discussão pública até 14 de Dezembro.
Destaco apenas dois pormenores: o preâmbulo e o art.º 27.º.
Naquele gostei, particularmente, do seguinte parágrafo: "...optou-se por um regulamento que, a par da definição das regras básicas necessárias ao seu eficaz funcionamento, garante a flexibilidade necessária à sua polivalência e não fecha a porta a outras soluções futuras, para a sua gestão e funcionamento, que porventura se evidenciem mais adequadas ao cabal aproveitamento do equipamento cultural em causa".
Há uns meses houve, neste blogue, diálogos sobre a gestão do fórum e folgo em saber que alguém os leu.

Quanto ao art.º 27.º, tal como está redigido pode originar problemas entre funcionários fundamentalistas e jornalistas em serviço, não devendo estes ser impedidos de exercer a sua missão profissional, sob qualquer pretexto, goste ou não o poder vigente deles e do órgão que representam.
Refiro especificamente os jornalistas por possuírem uma carteira profissional e serem os únicos que trabalham à vista de toda a gente, pois quanto a espectadores indesejáveis ninguém conseguiu ainda impedi-los de actos de pirataria.


P.S. - Esqueci-me de incluir uma nota sobre o fumo no fórum cultural.
Lamento a permissão de fumar em sítios específicos, tal como consta do projecto acima mencionado.
Eu próprio tive de fugir do átrio numa noite de concerto, devido à acumulação de fumo e à manifesta insuficiência do sistema de extracção.
Duvido que a afluência seja prejudicada pela proibição de fumar em qualquer área do fórum. São outros os factores que influem na atracção de espectadores.

27 outubro 2006

Verdades a que temos direito


Entrevistas lidas no último número do jornal da terra, atinentes ao primeiro aniversário de uma derrota justificada e de uma vitória imerecida no poder local, confirmam duas coisas:
1. O que se escreveu sobre a matéria neste blogue fica aquém da realidade;
2. Para dizer o mínimo, a câmara é um covil de mistificação.
Assumo as minhas responsabilidades na primeira, lamentando ter sido demasiado brando.
Quanto à segunda, que só surpreenderá os distraídos, as soluções terão de partir da comunidade porque individualmente ninguém conseguirá emendar nada.
Colectivamente deveria reflectir-se sobre se merecemos a mentira e a trapaça ou se as entrevistas representam um murro no estômago de quem se sacrifica para pagar impostos.

Se se justifica haver crianças em escolas inqualificáveis, algumas sem nenhum ou com refeitório contentorizado, enquanto se realizaram obras não prioritárias, como um aberrante e dispendioso fórum cultural, uma biblioteca para o quádruplo da população residente e uma avenida a que decidiram chamar variante para o Estado a co-financiar.
Se é justo continuar a subsidiar um associativismo que, em número significativo de casos, serve somente para pobres de espírito e de capacidade de iniciativa se armarem em importantes, embora haja centenas de pessoas que calcorreiam caminhos enlameados e esburacados, como as residentes em Pinhal do Concelho, Passil, Terroal e não só.
Se devemos continuar a contemporizar com o desperdício de dinheiro em festanças a que a maioria não vai, embora haja centenas de idosos vivendo em isolamento e condições tais que, se conhecidos, chocariam até corações empedernidos.
Dou apenas três exemplos para não maçar, embora tenha coleccionado um grande saco deles.
A vós cabe decidir se preferem continuar com a cabeça enfiada na areia ou se é a hora de varrer o lixo, não para debaixo do tapete mas para o local correcto.

Quando pressinto perfilarem-se no horizonte alguns potenciais candidatos a herdeiros desta choldra, peço-lhes um pouco de dignidade e de coragem: demonstrem, previamente, dispor da vassoura adequada para limpar esta porcaria.
Provem ser bons técnicos de limpeza. Porque disto sei que todos são capazes.



P.S.-O blogue «Escândalos no Montijo» republicou este texto, gentileza que agradeço ao seu animador.

07 setembro 2006

Outra obra inacabada

Muito estimo que até ao início das aulas estejam instalados e em funcionamento todos os semáforos da pomposa variante urbana de Alcochete.
Como se não bastasse um fórum cultural implantado no meio do deserto, agora faltam os semáforos na zona mais crítica da pomposa variante: a situada junto à escola D. Manuel I.
Tornou-se moda obras municipais inacabadas em Alcochete?
E ninguém se explica nem pede desculpa?

08 agosto 2006

A pérola náutica e o museu


O município de Alcochete é proprietário da embarcação tradicional «Alcatejo», cuja conservação em condições de navegabilidade custa muito dinheiro aos contribuintes.
Os últimos dados conhecidos são de 2004 e referem a despesa total de 23.209,76€ (cerca de 4.600 contos) só em manutenção e conservação, tendo o número de viagens e de passageiros transportados diminuído drasticamente desde 2001.
Gostaria de poder continuar a rever a «Alcatejo» de velas enfunadas e com passageiros, entre Vila Franca e o Parque das Nações ou do Barreiro ao rio das Enguias. Mas se os amigos a abandonaram e carece de atractividade turística, de características para exploração rentável e de condições para ser mantida a sua navegabilidade, ponha-se definitivamente a seco e ao abrigo do sol e da humidade.
Parece-me um bom início não para o prometido mas nunca concretizado museu de barcos, mas para um novo museu municipal com uma ou mais salas dedicadas a actividades ligadas ao rio.
Arrisco uma sugestão: se no fórum cultural a única área regularmente útil é o auditório, talvez fosse de encarar a transferência do chamado núcleo-sede do museu municipal para as inúmeras salas devolutas. O espaço parece-me bem mais amplo que no edifício da Rua Ciprião de Figueiredo, seria melhor aproveitado e talvez rentabilizado.
Pelo menos quando houvesse espectáculos, alcochetanos e forasteiros teriam a oportunidade de conhecer ou de rever o museu, coisa que poucos terão feito alguma vez dado que, por exemplo, em 2004 a média diária de visitantes não chegou à meia dúzia.
O museu municipal tem de levar uma grande volta, por ser demasiado acanhado. Por um lado, porque muita coisa relevante do património não está à vista. Por outro, porque urge pedir aos alcochetanos detentores de coisas valiosas que as mostrem ao menos uma vez.
Essa exposição temporária poderia ter coincidido com a abertura do fórum cultural, mas ninguém pensou nela ou não conseguiu concretizá-la?

30 março 2006

E mais esta...

Charca de abeberamento e gramíneas para pasto.
Fórum Cultural, (pormenor).

28 março 2006

Alvorada


Fórum Cultural, (pormenor).

27 março 2006

O Palácio do Senhor Presidente 3


Que o Fórum mete água, em sentido figurado, já todos sabiam. Não sabiam, contudo, é que no sentido próprio, a água infiltra-se ao nível da cobertura, apresentando o edifício visíveis sinais de degradação, como a fotografia comprova (façam clic sobre a imagem sff). E, perante a "diluição" do ex-libris, que faz a autarquia? Que nos diz ela sobre o assunto? Que medidas tenciona tomar? E, já agora, quantos mais euros vão ser desembolsados para reparar o assunto? Ou, como nos tem habituado, encolhe os ombros e faz nada?

O Palácio do Senhor Presidente 2


Que segredos se escondem no interior do Fórum Cultural? A resposta segue dentro de momentos.

Torroal


Torroal é o último dos lugares do Concelho que visitei nesta "via crucis".
Que se passa no Torroal? Caminhos de terra batida, água da rede pública que não chega a todos os domicílios, esgotos que estão lá mas não funcionam, etc.
O meu grito é este: enquanto pessoas estiverem privadas de infra-estruturas básicas no Concelho de Alcochete, eu dispenso fóruns culturais e bibliotecas. É que nós estamos no séc. XXI da era cristã, não na época dos Faraós!
Cada vez que nos sentamos numa das cadeiras do Fórum Cultural de Alcochete, é para as costas de centenas e centenas de munícipes que saltamos. Isto que fique bem claro de uma vez por todas.

26 março 2006

O Palácio do Senhor Presidente

Em post anterior, publicado há uns tempos, confessei-vos o meu amor por África e, muito em particular, por São Tomé e Príncipe. São as paisagens, as praias com coqueiros a entrar mar dentro, as gentes no seu viver leve-leve, como eles dizem, o exotismo dos paladares, do concom grelhado com fruta-pão à papaia ao pequeno-almoço, as cargas de água quando menos se espera, o calor e a roupa coladas ao corpo, a Praia Jalé, a roça Bombaim, os mergulhos em água do mar a 29ºC, o cheiro a clorofila, enfim, caso o paraíso exista será por certo assim. Mas como não há bela sem senão, claro, é bom de ver, sucedem-se sempre episódios mais ou menos caricatos, nestas minhas andanças, afinal de contas estamos na África e palavras como “democracia”, “respeito pelos direitos humanos” e outras coisas assim, são estranhas bizarrias ocidentais. Em regimes autocráticos impera o “quero, posso e mando”, aliado à inevitável corrupção, em tudo decalcado dos modelos do leste europeu dos tempos felizmente idos do “sol na terra” e dos “amanhãs que cantam”. Nesta minha última viagem a STP, em Outubro passado, não deixei de os ter mais uma vez. Num desses dia em que por lá estive, resolvi ir ver o forte de São Sebastião, uma edificação do século XVI, pomposamente transformada em Museu Nacional, com as colecções às três pancadas ao desbarato, as armas que encimavam a porta principal picadas num assomo revolucionário independentista, à maneiras das dos Távoras, e saí de lá um tudo nada incomodado com tudo o que vira. De regresso ao hotel, a pé que a cidade é pequena, deparo com um “STOP” pintado em cima do passeio, seguido de uma seta que me indicava o asfalto como caminho a seguir. Um tudo-nada à frente, debaixo de uma guarita, um soldado em camuflado segurava uma Kalashnikov como quem agarra num cajado. Como sempre me ensinaram que o passeio é para os peões – mais uma bizarria, o mundo está cheio delas! – segui em frente sem atender ao facto que passava, nem mais nem menos, pela fachada do Ministério da Defesa lá da terra. O tarata, que não esperava tal falta de respeito, mas sem poder abandonar o lugar, para lá ficou aos guinchos “brancu, nô pôdi passar, não, só rua, só ordens” e eu, cá para comigo, ”puta que te pariu que não estou para aturar prepotências”. Dias depois foi em frente do Palácio Presidencial. Como tenho a mania da fotografia, seria da praxe tirar uma do palácio do “sinhor presidente”, antigo domínio dos governadores-gerais. No fim de contas, aquilo também faz parte da minha/nossa memória colectiva, no que teve de bom e de mau e que não é para aqui chamado. Plantados em frente, mais dois militares em camuflado, capacetes de guerra, à maneira do Solnado, agarrados às AK47, mais uma vez como se fossem cajados. Saquei da máquina, apontei, foquei, e de repente só vejo pelo visor um gajo a apontar-me a arma e o outro aos berros “nô pôdi, nô pôdi”. Perante a contingência do diferencial de forças em presença, abandonei o campo de batalha, soltando uns sonoros “cabrões de merda”, para espantar o receio, perdão, o cagaço que apanhara. Como é evidente, recolhi à guerra de guerrilha. Afastei-me um quarteirão, dobrei uma esquina, agachei-me atrás de um carro estacionado, saquei de novo da máquina, olhei em volta, o inimigo não estava à vista, e aí vai disto, em rajada, até encher a memória do cartão. A minha mulher exultou e condecorou-me logo ali com a Torre Espada do Valor Lealdade e Mérito, com palmas e uma enormíssima gargalhada. E lá fomos à vida.
Hoje, dia 26 de Março do Ano da Graça de 2006, o meu amigo Marafuga convidou-me para um almoço de jaquinzinhos com migas, a que não pude dizer não. E lá fui aí, a Alcochete, para o almocinho (delicioso, a pedir bis!). De seguida, para esmoer – tinha de ser, noblesse oblige – lá fomos ver o celebérrimo Fórum Cultural, o tal ex-libris alcochetano no entender camarário. Felizmente levava um jipe, o que me permitiu uma abordagem ao dito sem grandes sobressaltos, pois qualquer ligeiro arrisca-se a partir a suspensão, dar cabo de uma jante ou coisa que o valha, dadas as péssimas condições de acesso. Lá vi a arquitectura, um pouco pretensiosa em vidros e vigas, com um movimento a escapar para o fogo-de-vista saloio em função da volumetria existente, mas tudo bem, aquilo não é, nem pretende ser, o Guggenheim de Bilbao. Deleitei-me com o bucolismo dos arranjos exteriores, com o cuidado posto nas charcas, nos pastos, a convidarem qualquer vacada de carne. Entrei. Solícita, uma empregada loira – inevitável, meus amigos – lá me ajudou a não ficar entalado na porta, que não tenho feitio para Martim Moniz nem o Fórum é o castelo, mas a que me arriscava, dada a força do vento e a fraqueza da porta. O interior, pouco sóbrio para meu gosto, com repetição de elementos de um vocabulário esgotado, não me encantou. É simplesmente banal. Mas tudo bem, volto ao mesmo, não é o Guggenheim nem pretende ser. Acompanhava-me, claro, a minha máquina, é o tal vício da fotografia. Lá saquei dela, fiz um boneco à entrada, mais outro do auditório que me pareceu confortável, e aí iniciam-se os problemas, “que talvez fosse melhor não tirar fotografias”, sobretudo por parte de um zeloso badameco, armado em comissário Jdanov, que atendia à luminotécnica. Não fazendo caso, repetindo eu “que lindo, que lindo”, lá fui tirando mais umas fotos, perante a complacência - para não dizer cumplicidade - da loira funcionária (tinha as unhas muito bem arranjadas, e um verniz bonito, um branco creme leitoso, de bom gosto, o que é raro em pessoal menor), enquanto o luminotécnico se entretinha em dar à luz. Mais umas tantas fotos à tal exposição “dos toiros”, coisa fraquita a que só a cor dos paneis já gasta ainda dá vida, entremeada por umas tantas peças arqueológicas de menor valia, num espaço exíguo para tanto apaineledo: mais olhos que barriga! Satisfeito, perguntei pelo restaurante. Fechado, claro está, só um louco se meteria a explorar tal buraco com comes e bebes, só se fosse para a funcionária loira, pois visitantes não há, nem um para amostra como figurante, como adorno, fazendo parte da mobília, sei cá. Nada, zero. Só que, o meu amigo Marafuga, em conversa com a loira – ai, as loiras! - dá-se a conhecer, sou fulano tal e coisa. Ao som de “Marafuga”, solta-se dos curros do auditório o zelosíssimo luminotécnico, que entretanto provavelmente já dera à luz, como se ouvira o som da ordem soprada ao cornetim pelo “inteligente”. Ainda tentei uns naturais, “isto é espaço público, pago com o dinheiro dos contribuintes”, umas chicuelinas, “mas são instalações militares?”, mas o homem (?) não se demovia do seu zelo, “eram ordens” ao melhor nível do argumentário salazarento, estava na crença, meteu-se em tábuas, e avançou sesgado com ameaças de polícia. Como não estava para chatices, nem para verónicas ou passes por alto, virei costas e saí.
Restam, de todo este lamentável episódio, por fim, umas questões políticas, que muito gostaria de ver respondidas: há “ordens” para não se tirarem fotografias do interior do Fórum? Em caso afirmativo, dadas por quem? Ao abrigo de que legislação, com que suporte legal? É que, excelentíssima vereação, não estamos em África, sujeitos à discricionariedade e prepotência de mandaretes, de funcionários, de vereadores, de presidentes de câmara. A legitimidade democrática não consente nem admite abusos de poder, e caso façam essa leitura desde já digo a vosselências não se encontrarem na defunta DDR ou no Burkina-Faso. Enganaram-se de país. O Fórum Cultural foi construído com dinheiro público, dinheiro dos contribuintes, dinheiro do povo - caso ainda saibam quem é e o que é - e não tolero nem admito que me impeçam de fotografar aquilo que é de todos e que também é meu.

África minha

Aqui tendes, ó gentes, o ex-libris alcochetano em versão camarária. Os comentários sobre o bokassiano território seguem dentro de momentos. Até já!

24 março 2006

Para inglês ver


Em tempos idos, antes da distribuição domiciliária de água, a imigração galega dedicava-se ao ofício de aguadeiros – entre outras profissões. Gostavam de cá estar, as condições de vida e trabalho eram melhores e, volta não volta, escreviam para a terra: “Xosé, a terra é boa mas a gente é bruta, a água é deles mas nós é que a vendemos!”. Se trago aqui a história é porque me faz lembrar o que se passa com o Fórum Cultural: a ideia é boa, a edilidade é que não presta (para não utilizar, mais pesado mas não menos certeiro, o “bruta”). E não presta porquê? Vamos por partes, para me fazer compreender. Um equipamento com o recorte do Fórum, onde se despenderam, pelo menos, um milhão de euros, merece uma gestão eficaz no sentido de se maximizarem os recursos, tendo por objectivo um preenchimento, se não diário, pelo menos quotidiano das instalações. Uma análise sumária, feita com base no site da CMA, consente a leitura de, no decurso do corrente mês, se realizarem, no total, quatro eventos, a saber: uma conferência; um concerto; um espectáculo de música rock; uma pequena peça de teatro. Previsto para o próximo mês de Abril, que se saiba publicamente, não há nada. Claro que, quando chegar o dia 25, haverá corrupio de acontecimentos, a sublinharem a traço grosso a programação ser produzida sobre o joelho, ao sabor do que for soará. Um milhão de euros do erário público obrigam a que se saiba com a antecedência devida o que se vai efectivar, qual a programação existente para Abril, Maio, Junho. Um milhão de euros não caíram do céu, meus senhores, mas dos bolsos dos contribuintes. Um milhão de euros exigem rigor, impõem disciplina, reivindicam trabalho. Daí que a CMA não tenha do Fórum Cultural a noção que o mesmo é da comunidade e para a comunidade, de ser o mesmo um instrumento de serviço público, um bem diário de utilização comum. Para a CMA é tão só uma quinta, um couto, um feudo, a usar como e quando quer, sem prestar contas a ninguém. E a utilizar de acordo com as conveniências, como sala de visitas, passeando-se a vereação pelos salões, da mesma forma que a aristocracia utilizava as salas de aparato, de casaca e charuto, tão bem traduzida na expressão do “para inglês ver”. Ora a tudo isto, a esta forma de estar e de trabalhar qual latifundiário absentista, dá-se o nome feio de incompetência, para não lhe chamar outra coisa mais consentânea com o malbaratar dos recursos públicos.

22 março 2006

A cola do ex-libris

Devo confessar-vos que não me dou bem com as novas tecnologias, é tudo complexo, a necessitar manuais. Vem isto a propósito do Fórum Cultural, esse ex-libris alcochetano, no dizer “simples” e descritivo do site da Câmara: “a obra de maior envergadura até hoje realizada pela Autarquia” e que “veio permitir que Alcochete passasse a dispor de um dos espaços culturais mais dignos e modernos que se pode encontrar no Distrito”, esse projecto de “elevado índice de versatilidade”, e outras baboseiras de prosa saloia - para não chamar parola! - do escriba de serviço pago a expensas do erário público. Tudo bem, diria eu cá com os meus botões, não fossem as dúvidas que as “obras de fachada”, sobretudo as realizadas por autarquias, sempre me deixam. Suponho que sabem ao que refiro, há exemplos à mostra, escuso-me de apontar a dedo casos concretos. E, ao que consta, são só a ponta do iceberg. Mas passo à frente, dou de barato a maior transparência a benefício dos patrocinadores, por crer que equipamentos neste âmbito são eventualmente úteis e necessários. Possibilitariam, no caso específico de Alcochete, uma revitalização da vida económica e social, se devidamente conjugados com a área urbana em que se inserem - a de maior densidade populacional do país - com a dinâmica gerada pelo Free Port. Mas estas cogitações, aqui deixadas à laia de desabafo, só fariam sentido se o ex-libris tivesse vida, leia-se programação regular: exposições temporárias, teatro, cinema, música, colóquios, congressos. E que se soubesse, isto é, que se fosse ao site da CMA e se visse, dia tantos isto ou aquilo, para, pelo menos, seis meses. Mas não, não vi lá nada. Como não acredito em que não exista programação regular para aquilo, para o tal famosíssimo ex-libris, o defeito só pode ser meu, por não me entender com as novas tecnologias: mea culpa, mea maxima culpa! Agora se realmente de programação há zero, aconselho a excelentíssima edilidade a esticar a língua e a lamber o verso do dito: para o colar no livro. Sabe a cola?! Pois é...

Aprendam mentes brilhantes!

Esta notícia do JN é uma pedrada no charco e um bom exemplo para os eleitos locais de Alcochete.
Siga-se o exemplo de Santarém e aprovem-se na Assembleia Municipal, por unaninimidade, disposições regulamentares que acabem com a rebaldaria do quero, posso e mando!
Quem não come demasiado queijo lembrar-se-á que houve "trabalhos a mais" numa obra mal planeada (fórum cultural), por precipitação de alguém.
Esses trabalhos a mais custaram 250.000 euros, o Tribunal de Contas recusou-se, por duas vezes, a conceder-lhe visto legal e a verba não pode ser paga ao empreiteiro.
Talvez acabe tudo em tribunal, com o pagamento a ser acrescido de juros de mora contados ao dia. Se o desenlace for esse, pagaremos todos pelos erros pessoais de um ou dois responsáveis.
Recordo o n.º 2 do art.º 235.º da Constituição: "As autarquias locais são pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas".
Alguém já mexeu uma palha para evitar a repetição deste e outros disparates, tanto mais que grandes obras em curso podem ter desenlace semelhante?

17 março 2006

Para que alguma coisa mude (3)


Na sequência disto e disto, André enviou-me esta imagem alternativa com a seguinte mensagem:

"Conversei com um amigo arquitecto que desaconselha vivamente este tipo de intervenção num local como este — (ver imagens anexas aos dois textos anteriores) — apresentando argumentos que têm a força dos anos e da experiência.
Sendo o passeio muito estreito e estando a parede referida mesmo em cima da via pública, uma intervenção deste tipo teria (neste local, sublinho) um efeito agressivo sobre os peões e cansativo para as pessoas que passam ali todos os dias.
Sugeriu antes que a óptima ideia fosse transportada para outros locais menos claustrofóbicos.
Quanto à parede em questão, sugeriu a instalação de um painel de azulejos ou outro material lavável, de preferência em tons claros, sem grande "densidade gráfica" por forma a ser leve e neutro para quem passa.
Na verdade, o que ele achava ser a melhor opção era a pintura tradicional, exactamente como na fachada, branca e ocre, mas isso não resolveria o problema da degradação ou do convite ao "vandalismo" do cartaz ou grafiti.
Talvez uma solução mista fosse o ideal".

Parece-me correcta a observação. Concordo.
Obrigado André. A sua intervenção demonstra que, todos juntos, podemos ser úteis a nós próprios e a Alcochete.
Entretanto, não me rendo a uma alegação lida algures, segundo a qual a parede em causa é propriedade privada.
Já falaram com o(s) dono(s)? Desapareceram? Recusaram?
Alguém se oporá a que Alcochete seja alindada pelo seu município, desde que se trate de valorizar a paisagem urbana sem adulterar nem prejudicar a propriedade privada?
Prometo mostrar em breve, pelo menos a quem não conheça, o efeito perverso que o famosíssimo argumento da propriedade privada tem tido na qualidade de vida de alguns alcochetanos. São "picadas" iguais às de África! E estas estão a 7km dos Paços do Concelho...
Desde há tempos, o argumento da propriedade privada dá-me vontade rir. Os acessos ao fórum cultural não foram planeados em propriedade privada? A nova biblioteca não foi parcialmente implantada em propriedade privada?
Ou seja: nuns casos a propriedade privada é boa desculpa para enganar parolos, noutros espezinham-se os donos e é o quero, posso e mando. Tudo depende da vontade do xerife. Topam?

14 fevereiro 2006

Recomendação de leitura (10)

Por vezes descobrem-se documentos preciosos na Internet, que nos ajudam compreender melhor os problemas.
Como sabem, o Tribunal de Contas não concedeu visto prévio aos trabalhos a mais realizados no fórum cultural de Alcochete. Por esse motivo, legalmente o município fica impedido de liquidar as verbas adicionais ao empreiteiro. Se agir em contrário, a pena aplicável ao presidente do município é de um de prisão.
Enquanto se aguarda o desenlace desta história, leiam-se dois acórdãos esclarecedores do Tribunal de Contas.
Este é de Agosto passado. Este, proferido há menos de um mês, confirma aquele por inteiro.
Já agora, dou conta de um outro caso que, até há poucos dias, considerava apenas rumor.
Porque acaba de ser confirmado por eleito da CDU, em artigo de opinião publicado na passada sexta-feira, anotem que o pavilhão desportivo da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, cuja construção foi iniciada poucos dias antes das eleições autárquicas, não tinha então visto prévio do Tribunal de Contas.
No caso de obras públicas, a lei permite que as mesmas se iniciem antes de ser concedido tal visto. O que não autoriza é o pagamento ao construtor. Se agir em contrário, a pena aplicável ao presidente do município é de um ano de prisão.
A menos que haja novos desenvolvimentos em breve, o município corre o risco de ser demandado judicialmente não por um mas por dois empreiteiros. Um já está a arder há meses; outro para lá caminha. Os juros da indemnização são contados ao dia.
Confesso que nada disto me agrada e estranho que se saiba por via indirecta o que os eleitos locais deveriam dizer, em documento próprio, nos órgãos de divulgação do município. Para isso não é sequer necessária auditoria.

01 janeiro 2006

Seus votos para 2006 (1)

Acrescente nos comentários os seus desejos para 2006 em Alcochete.
Aqui ficam alguns dos meus desejos imediatos:
1. Que seja criado o prometido Conselho Municipal;
2. Que o fórum cultural justifique cabalmente os fins para que foi construído;
3. Que o município não aplique a taxa respeitante aos direitos de passagem das redes de telecomunicações;
4. Que o município não nos obrigue a novas despesas com os serviços que presta;
5. Que acabem depressa as "obras de Santa Engrácia" da pomposamente chamada variante;
6. Que haja solução definitiva para o Sítio das Hortas e para a denominada área C do complexo Freeport;
7. Que haja um novo cais palafítico em Samouco;
8. Que a GNR dê caça, sem dó nem piedade, às motoretas com escapes fora da lei e aos aceleras da madrugada que não deixam ninguém dormir descansado;
9. Que o município desperte para a era da infocomunicação;
10. Que o lar da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete seja finalmente melhorado e ampliado.

28 dezembro 2005

Antes que seja tarde...


Leiam aqui o artigo «Obras Públicas: Simbolismo e Tradições», escrito por Manuel Dinis, apenas identificado como professor e advogado.
Após as recentes eleições locais, nitidamente este cidadão tem-se desmultiplicado em artigos de opinião nos órgãos regionais. Não vem daí mal ao mundo, sendo apenas de lamentar a ausência de intervenções regulares no mandato 2002/2005, enquanto eleitos do partido a que pertence estiveram no poder e se portaram tão mal que, sem contemplações, os cidadãos os despediram a 9 de Outubro passado.
A coerência é algo que se exige às pessoas e as distingue dos outros seres vivos, inclusive a um quadro superior do município de Alcochete que parece aspirar a voar alto, em 2009, via PS local.
O texto acima referenciado tem duas partes distintas. Na introdução há, em meu entender, uma crítica implícita à construção do fórum cultural de Alcochete, obra emblemática mas caótica do último mandato, a tal ponto que o Tribunal de Contas não autoriza o pagamento dos trabalhos a mais e faltava, há poucas semanas, negociar com o legítimo proprietário a posse de terrenos necessários à construção dos acessos.
Isso e a "oferta" do esboço do edifício, a inexistência de autorização para a sua implantação na ZPE do Tejo, o laxismo do Estado, a elaboração do projecto e a construção de um "elefante branco" que mesmo encerrado custa 2.000 contos por mês (fora o que será necessário gastar quando a corrosão afectar os metais que predominam no exterior) mereciam um livro.
Na segunda parte do tal artigo apresentam-se sugestões que deveriam merecer ponderação se e quando houver Conselho Municipal, prometido pela actual maioria municipal. Esse é, de resto, um capítulo oportuno do texto.
Gostaria de ter lido este texto de Manuel Dinis há ano e meio, quando poucos ousavam avisar que o fórum era um disparate e foram apelidados de Velhos do Restelo. Disse-o eu também a quem de direito, sugerindo em vão que o fórum, a biblioteca e o museu municipal fossem agregados num complexo único, pois conheço seis fóruns municipais normalmante encerrados por falta de dinheiro e de iniciativa para os manter em funcionamento regular e as únicas infra-estruturas do género com visível utilidade são polivalentes, tendo normalmente associados museu e/ou biblioteca pública.
Aqui preferiu-se pensar pouco mas em grande, pelo que, proximamente, em vez de um haverá dois "elefantes brancos".