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22 agosto 2009

Desemprego e problemas sociais

A propósito de desemprego e dos problemas sociais inerentes mas ocultos, recomendo a leitura desta notícia do «Expresso» na segunda parte da qual é descrito o caso de uma senhora de Alcochete, cuja filha terá sido preterida num infantário porque a mãe estava desempregada.
Estava a ler a notícia e lembrei-me que, em meados dos anos 50 do século passado, uma benfeitora alcochetana decidiu criar uma instituição para minorar casos sociais como o descrito.
Essa instituição denomina-se Fundação João Gonçalves Júnior e sobre ela já muito se escreveu neste blogue, nomeadamente aqui, aqui e aqui.

04 agosto 2009

Da ficção à realidade

Por razões de espaço não cabe aqui uma análise exaustiva ao interessante e útil estudo «Pessoas pobres, lugares pobres, saúde pobre. Territórios amplificadores do risco na Área Metropolitana de Lisboa», (original em formato PDF), publicado a partir da página 29 do último número da Revista de Estudos Demográficos - Nº 45 - 1.º Semestre de 2009, do Instituto Nacional de Estatística.
Contudo, recomendo aos interessados na matéria que sigam a hiperligação acima fornecida para o documento original e procurem, nomeadamente, importantes dados respeitantes a Alcochete, nos quais é notória, por exemplo, a ausência de participação cívica da população.
Confirmando um texto meu publicado há dias neste blogue, o estudo indica que, em toda a área do município de Alcochete, é elevada a fragilidade da participação política da população e a sua inserção na comunidade.
Noutro âmbito não menos relevante, relativamente a ocorrências e gravidade do risco para a saúde na Área Metropolitana de Lisboa o concelho de Alcochete situa-se em penúltimo lugar, registando 70% de casos com risco e 30% com risco elevado ou máximo (33,3% das freguesias têm risco elevado, correspondendo aos núcleos habitacionais periféricos).
Não, caro(a) leitor(a), seja de esquerda, do centro ou da direita ninguém pode ficar indiferente ou alhear-se de inúmeros problemas que urge resolver mas até agora foram convenientemente escondidos debaixo do tapete ou ocultados pela fumaça da propaganda.

04 julho 2009

Convém estar atento

Recomendo a leitura desta notícia, relacionada com a atribuição de subsídios à Santa Casa da Misericórdia de Alcochete (75.000€) e à CERCIMA (5150€), cujo conteúdo e pormenores a maioria dos alcochetanos certamente desconhecia.
A intenção deliberada de ocultar e varrer graves problemas para debaixo do tapete tem sempre consequências.
Quem sabia que o lar da Misericórdia de Alcochete estava em risco de encerrar por falta de condições?
No entanto, a directora do Centro de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, afirmou que "a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete estava em vias de encerrar porque necessitava de intervenções rápidas".

Boa ou má, a verdade deve ser revelada com sinceridade.
Por vezes a verdade dói. Mas o que mais me revolta e magoa é a relação promíscua com a verdade e a falta de sinceridade.

A propósito disto veio-me à memória uma das principais notícias de ontem, cujo título era «Portugueses sentem-se traídos pelos políticos».
No conteúdo escrevia-se o seguinte: "os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa".


P.S. - Com esta é a sexta vez, em três anos, que chamo a atenção para a situação do lar da Misericórdia de Alcochete.
Os textos anteriores estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.

05 junho 2009

Mercado na escola do Monte Novo

As compras deste fim-de-semana são no mercadinho da escola do Monte Novo (falei dela aqui)! Já abriu!
Faça uma visita! É por uma boa causa!

10 março 2009

Tenham vergonha! (2)

Não pretendendo intrometer-me num debate que decorre, mais abaixo, em comentários a propósito de um texto que escrevi sobre a Fundação João Gonçalves Júnior, venho clarificar a minha posição pessoal acerca da intromissão das maiorias autárquicas na aludida instituição.

1. Se D. Mariana Gonçalves decidiu que uma parte da sua fortuna deveria ser aplicada na "distribuição de uma sopa aos pobres da freguesia de São João Baptista, de Alcochete", através de uma fundação com o nome de seu pai, é dever da sociedade civil exigir que as suas últimas vontades sejam respeitadas;

2. Em finais de 1963, quando a Fundação João Gonçalves Júnior começou a funcionar, como existia (e continua a existir) uma "sopa dos pobres" na Santa Casa da Misericórdia de Alcochete a Comissão Administrativa da fundação resolve – dentro de uma interpretação extensiva dos fins testamentários definidos pela doadora – que a assistência a prestar aos pobres não seria restrita ao plano alimentar, até porque tais carências vinham diminuindo com o surto de industrialização local. Entendeu então essa comissão – e bem, em meu entender – que as carências educacionais eram tanto ou mais importantes como o pão para a boca e a criação de um jardim infantil preencheria essa lacuna, visto que muitas mães trabalhadoras não tinham a quem confiar os filhos durante o dia;

3. O que se passou na fundação depois do 25 de Abril de 1974 de momento interessa-me pouco, excepto que, há demasiado tempo e subvertendo completamente as últimas vontades de D. Mariana Gonçalves, as maiorias eleitas para o órgão administrativo Câmara Municipal de Alcochete põem e dispõem numa instituição privada de solidariedade social (IPSS) – caso que suponho único no país, porquanto há muito procurei informar-me e até à data não encontrei qualquer situação similar;

4. Contudo, nenhum órgão deliberativo ou executivo da câmara presta contas dessa actividade complementar aos munícipes. A fundação é uma espécie de "região autónoma" ou "couto privado" de maiorias autárquicas, embora explore salinas com financiamento municipal;

5. Questiono a vocação e qualificação de uma autarquia e dos seus eleitos para administrar uma IPSS. Aliás, em face do quadro legislativo que regula deveres, direitos e competências de eleitos e órgãos autárquicos, tenho sérias dúvidas que tal interferência seja sequer legal;

6. Para mim é ilegítimo que uma instituição destinada a famílias carenciadas esteja a colmatar deficiências da rede pré-escolar pública, por ser obrigação da autarquia e do Estado resolver em tempo útil os problemas desta;

7. Com excepção, eventualmente, de alguns progenitores privilegiados, não são do domínio público os critérios e prioridades de admissão de crianças na Fundação João Gonçalves Júnior, a qual tem um sítio na Internet onde tal informação está omissa. Aliás, esse sítio também não reproduz os estatutos da fundação, balanços e contas, composição dos órgãos sociais e muita outra informação que me parece legítimo exigir-se a uma IPSS com estas características. Inclusive, a história da fundação está deturpada;

8. Admito que seja necessária coragem política para devolver a fundação à sociedade civil. Mas é urgente fazê-lo por existirem problemas sociais delicados em famílias com fracos recursos económicos.

08 março 2009

Tenham vergonha!




Estava a pôr a leitura em dia e deparo com este texto no sítio municipal na Internet, no qual se omite, despudoradamente, que a Fundação João Gonçalves Júnior resulta do legado de uma bondosa senhora que, há 57 anos, decidiu doar parte do seu património para aplicar numa fundação, cujos fins expressos são: "a distribuição de uma sopa aos pobres da freguesia de São João Baptista, de Alcochete, Fundação que tomará o nome de meu pai João Gonçalves Júnior e será administrada pelo Padre Crispim António dos Santos [à época pároco da freguesia], pelo dr. José Grilo Evangelista, médico em Alcochete, e pelo dr. José Maria Gonçalves Guerra, médico no Montijo".

Leia-se a verdade num texto publicado neste blogue há sete meses, baseado em documentação autêntica.
E leia-se também este texto de Zeferino Boal para compreender por que a verdade continua a ser branqueada.

03 fevereiro 2009

Municipalismo de outrora (10): Misericórdia rica, câmara pobre

À data dos factos descritos no texto o hospital
da Misericórdia funcionava neste edifício.


Na reunião da edilidade realizada a 13 de Julho de 1940, preocupado por nesse ano terem sido emitidas 41 guias de internamento hospitalar gratuito – quase tantas como ao longo de cada um dos anos anteriores – o presidente da câmara dita para a acta a seguinte proposta:
"Considerando que a câmara não só jamais se verá livre da dívida aos Hospitais Civis, como ainda há que assistir ao seu constante aumento, delibera oficiar às juntas de freguesia e médicos do concelho solicitando-lhes o seu maior interesse no sentido de diminuir o número de guias".
No entanto, no final desse ano continuaria elevado o número de guias de hospitalização.
Em Dezembro de 1943 – em plena II Grande Guerra Mundial – a câmara decide pedir à Misericórdia local que assuma as despesas dos doentes pobres internados nos Hospitais Civis de Lisboa, invocando dificuldades em geral dos municípios por diminuição de receitas e aumento constante das despesas obrigatórias. Considerava a edilidade que tais actos de benemerência se coadunavam implicitamente com a índole da instituição.
Embora 1943 seja o ano em que o terceiro barão de Samora Correia, Carlos Ferreira Prego, deixa importante herança à Misericórdia de Alcochete, a pretensão da câmara teria sido mal sucedida porque as autorizações de hospitalização gratuita de pobres continuarão nos dois anos posteriores.
Em Junho de 1944 aparece ainda o primeiro munícipe a apresentar petição de amparo à câmara, porque seu filho fora recenseado para prestar serviço militar no Exército e não possuía meios de subsistência. De acordo com o previsto no regulamento dos serviços de recrutamento militar, desde Agosto de 1911, a câmara decide pagar a esse munícipe um subsídio de 5$ mensais.

continua

Ler artigo anterior desta série
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16 janeiro 2009

Solidariedade

Por favor não deixe morrer este assunto, pequena amostra do muito que anda por aí escondido e que podemos minorar.

14 janeiro 2009

Apelo ao altruísmo de alcochetanos

A extensão de Alcochete da Cruz Vermelha Portuguesa precisa de uma cadeira rodas, de armário de cozinha e de uma torneira misturadora para famílias carenciadas residentes no concelho.
1 - Da cadeira de rodas beneficiará um idoso adulto com dificuldades de mobilidade e, tanto quanto é do meu conhecimento, o custo normal no mercado não deverá exceder os 200€ (40.000$ em moeda antiga);
2 - O armário de cozinha destina-se a uma família monoparental pobre (mãe e quatro filhos) e substituirá o existente na respectiva habitação, em muito mau estado e correndo o risco de desabar. Provavelmente haverá em Alcochete quem tenha remodelado recentemente uma cozinha, ou esteja em vias disso, não sabendo como desfazer-se do mobiliário antigo. Se estiver em condições de reutilização e se as medidas se coadunarem seria útil à família em vista;
3 - A torneira misturadora deverá adequar-se a uma bacia de casa de banho e, se bem me recordo, existem no mercado a partir de 35€ (cerca de 7000$). Presentemente, a família beneficiária socorre-se de um bidé para a higiene diária.
Recordo que as doações feitas a instituições de solidariedade social, como a Cruz Vermelha, são susceptíveis de dedução à colecta de impostos (IRS e IRC), sendo majoradas em valor variável.
A coordenadora da extensão de Alcochete da Cruz Vermelha Portuguesa assume com o leitores deste blogue o compromisso de comprovar, publicamente e através de imagens, a entrega dos donativos acima descritos. A identificação dos beneficiários é sempre registada, embora não revelada. Os nomes dos doadores serão revelados, excepto se desejarem permanecer anónimos.
Quem estiver em condições de colaborar deverá contactar-me através do endereço de correio electrónico acessível a partir da hiperligação Email existente no canto superior esquerdo desta página.

09 janeiro 2009

Municipalismo de outrora (8): saúde dos pobres

Até às obras de 1972, quando foi acrescentado o piso superior, era este o traçado original do edifício do Lar Barão de Samora Correia da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete. Antes do lar de idosos neste edifício existiu uma fábrica de fósforos.


Interrompida há semanas por razões de oportunidade, retomo agora a publicação de artigos baseados numa consulta a actas municipais com mais de seis décadas. O primeiro artigo está aqui.

Nos sete anos anos abrangidos por esta pesquisa (1938-45), a câmara suportava elevadas despesas com o transporte, tratamento e internamento hospitalar de doentes pobres, cujas profissões mais frequentemente citadas eram jornaleiro (trabalho à jorna) e doméstica.
Como não havia ainda corpo de bombeiros (fundado em 1948), os doentes eram transportados em carros de praça e, por exemplo, na sessão de 19 de Abril de 1939 é autorizado o pagamento de 37$60 pelo transporte de um enfermo ao Hospital de São José.

Em quase todas as sessões camarárias era aprovada a emissão de guias de hospitalização gratuita a favor de munícipes sem recursos e, em Março de 1940, realiza-se um pagamento de 617$50 à Empresa Portuguesa de Navegação Fluvial, respeitante a passes no vapor «Alcochete» para doentes pobres em tratamento no hospital de Lisboa.
A câmara pagava também à Santa Casa da Misericórdia de Alcochete um pequeno subsídio anual, de valor variável, destinado ao asilo. Em 1938 e 1939 o subsídio era de 600$, mas a partir de 1940 baixaria para 230$, possivelmente devido à II Grande Guerra e aos problemas financeiros dela derivados.
Neste mesmo ano, em duas sessões sucessivas aparece um caso curioso respeitante a um indivíduo de apelido Chatillon. Numa primeira sessão, a vereação nega-lhe guia de hospitalização gratuita por constar na vila ter meios de subsistência e, nomeadamente, bens noutro concelho. Na sessão seguinte a decisão é revogada, com o argumento de que os bens (acções do Banco de Portugal) pertenciam a um irmão.
A miséria grassava no concelho e os doentes indigentes eram em número significativo, pelo que, além de pagar verbas elevadas aos hospitais de Lisboa e em transportes, a câmara dispunha ainda de médico próprio para assegurar a assistência local imediata.
Em Março de 1939 foi saldada uma dívida de 2128$90 ao Hospital Escolar de Lisboa e outra de 5512$34 aos Hospitais Civis.
No Natal de 1939 foram também pagos 57$70 ao Instituto de Oftalmologia Dr. Gama Pinto.

António Rodrigues Regatão

Em acta de 7 de Junho de 1939 surge ainda uma autorização de pagamento de 4$80 a António Rodrigues Regatão – primeiro proprietário da Farmácia Gameiro – pela aquisição de "creolina, sublimado e álcool puro para desinfecção de habitações de pessoas pobres".


(continua)


Ler artigo anterior

06 janeiro 2009

Pessoas que estão pior que gritem

A frase que serve de título a este texto não é de minha autoria mas do bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, tendo sido proferida em entrevista à Rádio Renascença, pouco antes do Natal.
A entrevista teve pouco eco e passou quase despercebida na comunicação social, facto habitual nos dias de hoje quando alguém fala alto e grosso.
O prelado alerta para coisas que exigem mobilização e busca de soluções rápidas e eficientes, porque os problemas existem mesmo: aumento de pobres no distrito, pobreza envergonhada e crianças que apenas tomam a refeição diária fornecida na escola.
Alcochete desconhece isto? Não, infelizmente conhece! Basta falar com meia dúzia de pessoas próximas destes problemas para perceber que o alheamento generalizado é incompreensível.
Parece-me oportuno estranhar a inacção do poder local, que, no mínimo, há muitas semanas deveria ter esboçado alguma reacção de alerta, nomeadamente nos órgãos informativos próprios.
Estes problemas não são de ontem, nem se agravaram somente na semana passada. Sempre existiram e agudizam-se desde há cerca de três meses.

Existem, no âmbito do município, um Gabinete de Acção Social e um grupo de trabalho denominado Conselho Local de Acção Social, os quais presumo transmitirem aos órgãos executivo e deliberativo informação mais que suficiente para agirem em tempo oportuno e em várias frentes.
Consequentemente, creio competir aos autarcas serem expeditos na definição de acções, algumas das quais podem partir da próprias autarquias e constituir exemplos para os cidadãos em geral.
Dar as mãos e contribuir um pouco para a solução pode evitar males maiores que ninguém desejará.

29 novembro 2008

Solidariedade, para variar

Não há Estado ou autarquia que, a nível nacional ou local, tenham capacidade para resolver problemas desta dimensão social. Podem sinalizar casos, coordenar acções e agitar consciências, mas pouco mais. A solidariedade intergeracional terá de fazer o resto, que é o principal.
Mas nem Estado nem autarquias fazem o suficiente e, consequentemente, os cidadãos alheiam-se da questão. Até ao dia em que o problema lhes bate à porta e passam de espectadores passivos a protagonistas. Tardiamente lembrar-se-ão de Santa Bárbara!

Noutro plano, quando leio coisas como esta fico perplexo por TODAS as instituições locais de solidariedade se preocuparem pouco ou nada em explicar às empresas que o mecenato social é majorado e descontado em IRC e que os contribuintes individuais com colecta de IRS podem, voluntariamente, doar 0,5% do imposto a liquidar ao Estado a instituições sociais da sua preferência. Basta indicarem o respectivo número fiscal na declaração anual.
Mas tente descobrir quantas instituições sociais alcochetanas têm essa informação facilmente acessível aos residentes! *
Já agora, acrescento que, há cerca de três anos, integrei um grupo de cidadãos que tentou criar uma fundação cuja finalidade era, entre outras coisas, coordenar meios e acções de mecenato social, cultural, artístico e educativo. A ideia não foi por diante devido a razões estritamente políticas, referidas neste blogue há pouco mais de um ano.
Conversando, frequentemente, com algumas dessas pessoas, sei que a maioria não desistiu da ideia. Apenas aguarda que no poder local haja gente com o discernimento suficiente para encarar iniciativas da sociedade civil como oportunidades e não ameaças.


* - Em 2006, no município de Alcochete foram cobrados 10.519.405€ em IRS. Meio por cento representa 52.597€ (ou 10.544.751$ em moeda antiga).
Receitas apreciáveis de que todas as instituições carecem e que os cidadãos podem canalizar directamente para seu benefício. Porém, segundo é do conhecimento público, apenas 1/4 dos contribuintes nacionais preenchem essa alínea na declaração de impostos.

18 agosto 2008

A Fundação João Gonçalves Júnior (3)

Nos últimos tempos a minha participação neste espaço de diálogo não tem sido muita, por escassez de tempo. No entanto não resisto a um comentário a este maravilhoso texto do Fonseca Bastos. Aproveito para recordar que no programa eleitoral, em 2005, expressei a vontade de entregar a Fundação à Igreja Católica. Naquela altura e no único debate realizado o actual Presidente e o seu antecessor fizeram um sorriso de gozo, demonstrativo da ignorância da História. Aqueles aqui acrescentaram comentários estatizantes, são da mesma índole daqueles outros que à sombra de um ideal já desaparecido com a queda de um muro, enganam o povo nas várias terras, apregoando um estilo de vida que nem eles o praticam. E quando não têm argumentos que sirvam para o contraditório, lá vão ao baú buscar a cassete, mas esquecem-se que a História se faz com homens bons, mesmo que em alguns casos tenham estado posicionados em campos opostos ao meu pensamento. Antes de finalizar, pergunto porque certa plebe tem medo que as novas gerações conheçam o que houve de bom e de mau na História de Portugal? Será que estes mesmos já se dignaram visitar certas zonas de Alcochete? Termino deixando um repto a todos quantos participam neste blog ou noutros não tenham receio de assumir a sua identificação, as perseguições não são feitas aqui.Como alguém disse no passado todos temos direito à indignição; acrescento agora, mal vai este cantinho, porque as pessoas têm receios dos caciques.

11 agosto 2008

Pobreza


Tirar a quem tem (através de impostos) e dar a quem não tem é a fórmula indigente de muitos para a resolução da pobreza.

Se a carga tributária aumenta progressivamente sobre quem trabalha, progressivamente também as camadas laboriosas, começando pelas menos fortes, vêem-se obrigadas a arrear os braços e, até, a engrossar o contingente de pobres.

Se queremos acabar com a pobreza, pelo menos mitigá-la, devemos deixar trabalhar quem quer trabalhar sem que uma carga abusiva de taxas desmotive o espírito empreendedor que gera emprego.

O que acabo de dizer levanta-se para mim como uma aparição de contornos cada vez mais nítidos.

Mas por que muitos não querem encarar as coisas assim?

Porque acabar com a pobreza é acabar com a revolução que se sustenta à custa do sistema capitalista, culpando este, ainda por cima, da situação dos deserdados.

20 julho 2008

Não há dificuldades de sobrevivência?

Notícias como esta do DN deixam-me preocupado, por suspeitar que a tendência política local para o silêncio e o secretismo sobre problemas sociais pode mascarar uma realidade que, fatalmente, se repercutirá na insegurança de toda a comunidade.
Explico isto de outra forma para não subsistirem dúvidas: mais polícia nada resolve quando há dificuldades de sobrevivência nas classes débeis. Medidas sociais correctas, adoptadas em tempo oportuno, evitam intervenções policiais incómodas para todos – incluindo os próprios agentes – porque nunca representam uma solução mas um paliativo.
Conheço algo da realidade social do concelho e duvido que o agravamento das condições de vida no país não tenha ainda reflexos significativos no território de Alcochete. Seria lamentável se existissem mas ignorássemos a dimensão de um problema cujos sinais no país são cada vez mais preocupantes.
Daí o meu apelo aos dirigentes de instituições locais de solidariedade social para que revelem, por qualquer meio de comunicação da sua preferência, o que sabem acerca da evolução da pobreza e das limitações com que se defrontam para ajudar os carenciados de Alcochete.
Se não conseguirem nesses meios a atenção suficiente poderão ainda recorrer à blogosfera, a qual não me parece, por enquanto, amarrada a compromissos.
Estou e sempre estive disponível para ajudar.

14 abril 2008

Pedradas num charco

A sociedade portuguesa em geral – e a comunidade alcochetana em especial – anda abstraída de tudo e todos, inclusive dos que nada têm: nem lei que lhes valha, nem poder reivindicativo, nem meios mínimos de sobrevivência.
Depois de conversar com alguém que presta assistência regular a alcochetanos paupérrimos, sinto-me no dever de voltar a alertar para as terríveis bolsas de pobreza existentes no nosso concelho.
Há conterrâneos velhos e doentes cujas feridas não saram por insuficiência de proteínas, mães sem leite para amamentar recém-nascidos por se alimentarem deficientemente, seres humanos sem dinheiro para pagar dívidas a farmácias e muito receituário médico guarda-se na gaveta à espera do milagre que uma pensão de 200 euros torna impossível.
Essa miséria há muito conhecida, assustadoramente crescente e espalhada por todo o concelho, impõe acções enérgicas, imediatas e decisivas. E há ainda outro tipo de miséria, a envergonhada, tão ou mais terrível que aquela.
Em redor de qualquer instituição local de solidariedade – existem várias e parece-me desnecessário criar outras – devem reunir-se voluntários para actuar no terreno.
Em primeiro lugar identificando os casos mais urgentes e prioritários, recorrendo à experiência e conhecimento de quem profissionalmente lida com problemas sociais.

Em segundo lugar expor a realidade e congregar vontades empresariais e individuais para recolher e adquirir bens de primeira necessidade e proceder à sua distribuição, bem como reunir fundos para adquirir medicamentos indispensáveis.
Em terceiro lugar pensar e planear outras acções adequadas ao meio social e às suas necessidades, porque para angariar votos promete-se muito mas o vento continua a levar essas palavras para longe.
Os cidadãos têm de agir sem delongas, antes que seja tarde demais para gente cuja triste existência a ninguém parece incomodar o suficiente.
Sozinho não posso fazer nada, com muitos outros talvez!

31 março 2008

Trabalho de casa para candidatos autárquicos

Em 2006 existiam em Alcochete 3761 pensionistas, para uma população residente estimada em 3890 cidadãos com idade superior a 65 anos. Em 1998 eram oficialmente estimados apenas 1550 residentes na mesma faixa etária, embora, surpreendentemente, o número de pensionistas fosse superior em mais do dobro à desses residentes.
Desde 1998 tem havido oscilações no número de pensionistas, entre o máximo de 3940 (em 2005) e o mínimo de 3566 (em 1998). Não há dados que permitam compreender as causas da redução apreciável de 2005 para 2006: de 3940 para 3761 pensionistas.
Importante é ter presente que, na actualidade, haverá cerca 4000 alcochetanos residentes com mais de 65 anos de idade, dos quais à roda de 1400 terão mais de 75 anos.
É sabido que a maior parte dessa população tende a viver em isolamento. E aos maiores de 75 anos acresce o problema da dependência crescente.
Refiro estes números para apelar a uma reflexão séria de potenciais candidatos aos órgãos das autarquias locais do concelho, aos quais me parece recomendável o estudo de soluções que minimizem o isolamento e a dependência dos idosos, especialmente dos que vivem sozinhos. E destes nem se conhecem sequer números aproximados, se é que alguma vez foi feito tal levantamento.
Não houve no passado recente – e muito menos existe no presente – uma política social adequada de apoio à população idosa, ajudando-a a matar o tempo e a resolver pequenos problemas domésticos que afectam o bem-estar e a idade impede de solucionar.
Muitas dessas pessoas terão ainda suficientes capacidades de locomoção e de raciocínio, cultura e conhecimentos técnico-profissionais para o desempenho de pequenas tarefas em autarquias, nas empresas, em colectividades e instituições de índole social.
Julgo ser ilógico que muita gente ainda útil continue por aí em bancos de jardim ou, o que se me afigura pior, viva isolada entre quatro paredes.

Há anos que os autarcas se revelam pouco atentos ao fenómeno. Basta notar que, a 25 metros da porta dos Paços do Concelho, os bancos existentes no pequeno e descuidado jardim do Largo de São João são extremamemente incómodos. Estão ali há uma década, pelo menos.
No entanto, em 2005 todos os programas eleitorais para as autarquias de Alcochete continham inúmeras referências directas ou indirectas aos idosos e seu bem-estar. Em 2001 idem e em 1997 também.
Que se fez de então para cá? Nada, absolutamente nada, excepto o costume: o poder dedica-se à caridadezinha dos passeios, dos almoços e das festas. Tão errado como tentar confiná-los a centros de dia, a centros de reformados ou o que queiram chamar a esses depósitos desumanos.

É urgente preencher, utilmente, o tempo e o vazio dos idosos, para que as mentes se mantenham activas e saudáveis e os corpos não caminhem, invariavelmente, para os postos de saúde, em busca de alívios que pouco têm a ver com a medicina porque derivam do isolamento e do desinteresse da sociedade.
No Centro de Saúde de Alcochete deparo com idosos que vão para lá ao raiar do dia, mesmo que a consulta esteja marcada para muitas horas depois, por dois motivos essenciais: falta de transporte e oportunidade de cavaquear com quem está.
Creio que para ambos os motivos há soluções alternativas, ao alcance do orçamento municipal, se os candidatos a autarcas fizerem bem o trabalho de casa e se, em vez de promessas vagas, calendarizarem acções concretas nos primeiros 100 dias de mandato.

08 dezembro 2007

Lamentável notícia e alertas

Esta notícia é lamentável a vários títulos, pelas circunstâncias do sinistro e respectivas consequências.
E serve-me de ensejo para vários alertas, já aqui feitos mais de uma vez:
1. As chaminés de todas as lareiras devem ser limpas, pelo menos, de cinco em cinco anos;
2. Muitos idosos vivem demasiado isolados e em condições deficientes. É à família que, em primeira instância, cabe a principal assistência humanitária. Os idosos devem visitar-se assiduamente, procurando avaliar o seu estado geral e solucionando os pequenos problemas inerentes a habitações antigas e mal conservadas. Os idosos não gostam de incomodar ninguém e omitem os problemas até atingirem situações-limite;
3. Não era no passado mas, por notórios motivos sociais, tem de passar a ser prioridade dos autarcas a avaliação e solução de problemas da infância e da terceira idade. O mês passado abordei aqui um bom exemplo do que um município faz pelos seus idosos.
Finalmente, recordo ter terminado o texto anterior escrevendo: viva a sociedade do desprezo absoluto!

P.S. - Esta notícia posterior parece-me afastar a probabilidade de problemas na lareira que esteve na origem do incêndio.
Aparentemente, as causas foram imprudência.
Mantenho as recomendações anteriores e acrescento outra para reflexão: leia-se este artigo inserido, há cerca de duas semanas, no «Público».

20 novembro 2007

Reciclar mais em Alcochete

Tenho para mim que quaisquer campanhas visando a reciclagem de resíduos domésticos alcançarão maior sucesso se os cidadãos em geral se aperceberem dos benefícios directos locais das mesmas.
Para isso é necessário que as entidades directa ou indirectamente envolvidas no processo – com destaque para o município – demonstrem canalizar para projectos específicos as receitas geradas.
Não me parece ser o caso desta campanha, a julgar pelas localidades dos beneficiários.
Descreio que a esmagadora maioria dos alcochetanos continuasse insensível ao fenómeno se lhe demonstrassem que, mercê da sua participação na reciclagem de embalagens, de papel e cartão, de vidro, de monos domésticos e de inertes da construção, o dinheiro daí resultante permitiu melhorar os parques infantis A, B e C, adquirir novas árvores plantadas nos locais X, Y e Z, etc., etc.
Também escrevera sobre isto em Março do ano passado. Não me arrependo e a sugestão mantém-se.

08 novembro 2007

Exemplo de Mora

No distrito de Évora existe um pequeno município com exemplares iniciativas de solidariedade social: Mora, com 5470 habitantes.
Destaco-o por ser também governado por autarcas eleitos pela CDU e bom modelo para os pouco criativos e nada inspirados correligionários de Alcochete.
Em Mora, no campo da acção social destacam-se o Cartão Municipal do Idoso (criado há cinco anos, imagine-se!) e, desde data recente, a "Oficina Domiciliária".
Encontrei uma referência a esta curiosa oficina na penúltima edição da revista «Visão» e resolvi investigar.
Refere o sítio do município de Mora na Internet que a “Oficina Domiciliária” disponibiliza uma variada gama de serviços aos utentes do Cartão Municipal do Idoso, tais como:
• Mudar fechaduras;
• Substituir um vidro partido;
• Colar cadeiras, mesas, etc.;
• Colocar lâmpadas novas;
• Consertar tomadas ou interruptores;
• Fazer pequenos reforços de luz;
• Eliminação de barreiras arquitectónicas domésticas;
• Mudar torneiras;
• Colocar autoclismos;
• Outros pequenos arranjos domiciliários.

Além de pequenas reparações das instalações eléctricas e de água nas habitações, o cartão do idoso do município de Mora garante ainda aos beneficiários uma comparticipação de 50% na parte que cabe ao utente quando da aquisição, mediante receita médica, de medicamentos comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde.
Beneficiam igualmente dos seguintes apoios concedidos pela câmara:
- Desconto de 50% em todas as taxas e licenças camarárias;
- Desconto de 50% nos bilhetes do cinema da Casa da Cultura de Mora;
- Comparticipação em 50% nas entradas nos campos de futebol do concelho;
- Outros apoios objecto de deliberação da Câmara Municipal.
Ora digam lá se ter cabecinha não opera milagres no poder local!
Quanto não dariam os mais de dois milhares de idosos de Alcochete para terem direitos idênticos aos dos concidadãos de Mora?
Aprendam "mentes brilhantes" de Alcochete!