Se alguém quiser exemplos grotescos do excesso de urbanismo em Alcochete, pode começar pela toponímia mais recente.
Faça o favor de ler os dois últimos parágrafos desta pérola municipal.
No dia em que Diana errar a pontaria e acertar no Cupido, este grita por Apolo ou por Neptuno? E se o maiorial Júpiter acordar de mau humor, manda-se a Minerva dar-lhe com um pano encharcado?
Ridículo é o caso das Vilas do Duque. Virou gaiola de gabirus!
- Onde moras?
- Na Rua do Pato-Trombeteiro.
- Aaah! Eu morei na Rua do Maçarico. Mas depois de 12 anos a recibos verdes numa fábrica de calças, ganhei experiência e mudei-me para a Rua do Alfaiate.
- Sabes quem mora na Rua da Águia-Pesqueira?
- Não.
- É aquela Águia-Sapeira que anda enrolada com o Borelho de segunda a sexta e com o Pilrito ao sábado e domingo.
Por Júpiter ajude a travar isto!
Só encontro uma explicação para tamanho disparate: sintomas de cansaço, de excesso de problemas insolúveis e desrespeito por um bando de deprimidos e de defuntos.
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19 maio 2008
16 agosto 2007
São Francisco: moradora desconhece nova toponímia
Escreve-me uma residente em S. Francisco a sugerir que, futuramente, junta de freguesia ou município comuniquem directamente aos moradores alterações na denominação das artérias, porque não há boletim municipal nem essa informação é facilmente detectada no sítio da câmara na Internet, assim como as placas toponímicas demoram meses ou anos a ser colocadas e torna-se difícil que pessoas das suas relações localizem os endereços.
Neste caso a minha correspondente refere-se ao antigo Caminho Municipal 1003, que passou a denominar-se Rua Futebol Clube de São Francisco.
Eu próprio fui ao local e não encontrei qualquer placa toponímica, tanto com a nova como com a antiga designação, embora tenha verificado que a decisão acerca da nova denominação da artéria foi aprovada pelo executivo municipal na sessão de 29 de Maio passado.
Em meu entender, este é mais um problema derivado da inexistência de uma comissão municipal e de um regulamento de toponímia e de numeração de polícia no Município de Alcochete.
Encontro na Internet dezenas de regulamentos respeitantes a outros municípios e em alguns detectei que, além da comunicação às entidades públicas legalmente previstas, quando haja alterações de designação em zona urbanas consolidadas os municípios comprometem-se também a comunicá-las directamente aos moradores.
Assim é que está certo e já é tempo de o Município de Alcochete acertar o passo com os demais.
E esta não é uma questão dependente de disponibilidades financeiras mas de simples organização e de empenho.
Quanto ao sítio da câmara na Internet, já escrevi tudo o que tinha a dizer sobre a sua inutilidade prática e o melhor é ignorá-lo enquanto lá for publicado apenas o que convém a alguns mas não o que a maioria desejaria e deveria saber.
Neste caso a minha correspondente refere-se ao antigo Caminho Municipal 1003, que passou a denominar-se Rua Futebol Clube de São Francisco.
Eu próprio fui ao local e não encontrei qualquer placa toponímica, tanto com a nova como com a antiga designação, embora tenha verificado que a decisão acerca da nova denominação da artéria foi aprovada pelo executivo municipal na sessão de 29 de Maio passado.
Em meu entender, este é mais um problema derivado da inexistência de uma comissão municipal e de um regulamento de toponímia e de numeração de polícia no Município de Alcochete.
Encontro na Internet dezenas de regulamentos respeitantes a outros municípios e em alguns detectei que, além da comunicação às entidades públicas legalmente previstas, quando haja alterações de designação em zona urbanas consolidadas os municípios comprometem-se também a comunicá-las directamente aos moradores.
Assim é que está certo e já é tempo de o Município de Alcochete acertar o passo com os demais.
E esta não é uma questão dependente de disponibilidades financeiras mas de simples organização e de empenho.
Quanto ao sítio da câmara na Internet, já escrevi tudo o que tinha a dizer sobre a sua inutilidade prática e o melhor é ignorá-lo enquanto lá for publicado apenas o que convém a alguns mas não o que a maioria desejaria e deveria saber.
03 novembro 2006
O seu a seu dono
São fúteis as guerras partidárias que se inventam em Alcochete. E a do pavilhão desportivo da Escola E.B. 2,3 El-Rei D. Manuel I é execrável e patética.
Quem merece os louros de uma obra: o que a negociou, definiu o método de financiamento e celebrou o contrato de construção ou quem a mandou acabar e pagar?
Para mim o mérito ou demérito será sempre do primeiro, nomeadamente se o segundo se limita a pouco mais que honrar compromissos herdados.
Conheço razoavelmente o caso do pavilhão desportivo da Escola E.B. 2,3 El-Rei D. Manuel, em meu entender a mais acertada decisão do anterior executivo municipal.
Creio ser pacífica esta opinião, porque nunca ninguém contestou a obra e há mais de 20 anos que o pavilhão era imprescindível. Criticou-se apenas, e com inteira justificação, a forma precipitada como as obras arrancaram em vésperas da campanha eleitoral de há um ano, sem sequer haver visto legal do Tribunal de Contas.
Acrescentando eco ao mau exemplo dado, há dias, pelo actual chefe da edilidade, na cerimónia inaugural do pavilhão, o(a) escriba de serviço na câmara resolveu redigir nesta notícia tratar-se da "segunda importante obra municipal disponibilizada à população pelo actual Executivo Municipal".
Presumo que superiormente alguém terá aprovado o texto, pelo que a coisa não me parece inocente. Ainda o será menos porque, na cerimónia inaugural, o actual presidente da câmara terá destacado "o trabalho desenvolvido pelos autarcas no anterior e actual mandatos", assumindo, "ao contrário de outros, que esta é uma obra transversal a dois executivos municipais e que o mérito, quer do seu início, quer da sua conclusão, se deve a esses dois executivos”.
Para mim, lamentável é a aparente ausência na cerimónia do "pai" da "criança" ou de um eleito da actual oposição camarária. Observei atentamente as imagens que ilustram a notícia acima citada e não reconheci ninguém ligado ao PS. Admito que possam ter sido convidados e declinado a presença, o que nem seria inédito.
Se cerimónias destas fossem organizadas de forma cautelosa, democraticamente correcta e eticamente transparente, um ou mais representantes do anterior executivo deveriam ter marcado presença. Creio mesmo que a honra do descerramento da placa inaugural poderia pertencer, por direito próprio, a algum deles.
Assim não entendeu ou não conseguiu concretizar quem organizou a cerimónia e lamento-o profundamente.
Posso ter fundadas reservas a muito do que foi planeado e executado no mandato anterior. Mas o pavilhão tem importância indiscutível e para mim será sempre obra creditada a esses autarcas.
Já agora, uma observação marginal. Alguém decidiu mal que o troço da 2.ª fase da variante se denominaria Avenida dos Barris. Penso ser errado, por duas razões: primeira, o topónimo é equívoco e toda a gente o liga a adega e vinho embora na sua origem esteja o barro. Segunda, tratando-se da continuação de uma artéria originalmente denominada Avenida do Brasil, lógico seria que em toda a extensão a variante tivesse a mesma designação toponímica.
Duvido mesmo que, se a pergunta fosse feita aos alcochetanos, a escolha da maioria não recaísse em Avenida do Brasil.
Mas as mentes brilhantes decidiram que esta obra péssima deveria chamar-se Avenida dos Barris. E fizeram bem. Os nossos netos serão levados a supor que tão má obra só podia ter nascido na mente de quem destilava vapores de alcool.
P.S. – Posteriormente à colocação deste texto no blogue, consegui falar com alguém que assistiu à inauguração do pavilhão da escola.
Esse alguém referenciou-me dois factos relevantes: a presença do ex-vereador José Navarro (eleito pelo PS) e a ausência de jovens.
Um e outros não foram protagonistas naquela cerimónia. Foi pena.
Quem merece os louros de uma obra: o que a negociou, definiu o método de financiamento e celebrou o contrato de construção ou quem a mandou acabar e pagar?
Para mim o mérito ou demérito será sempre do primeiro, nomeadamente se o segundo se limita a pouco mais que honrar compromissos herdados.
Conheço razoavelmente o caso do pavilhão desportivo da Escola E.B. 2,3 El-Rei D. Manuel, em meu entender a mais acertada decisão do anterior executivo municipal.
Creio ser pacífica esta opinião, porque nunca ninguém contestou a obra e há mais de 20 anos que o pavilhão era imprescindível. Criticou-se apenas, e com inteira justificação, a forma precipitada como as obras arrancaram em vésperas da campanha eleitoral de há um ano, sem sequer haver visto legal do Tribunal de Contas.
Acrescentando eco ao mau exemplo dado, há dias, pelo actual chefe da edilidade, na cerimónia inaugural do pavilhão, o(a) escriba de serviço na câmara resolveu redigir nesta notícia tratar-se da "segunda importante obra municipal disponibilizada à população pelo actual Executivo Municipal".
Presumo que superiormente alguém terá aprovado o texto, pelo que a coisa não me parece inocente. Ainda o será menos porque, na cerimónia inaugural, o actual presidente da câmara terá destacado "o trabalho desenvolvido pelos autarcas no anterior e actual mandatos", assumindo, "ao contrário de outros, que esta é uma obra transversal a dois executivos municipais e que o mérito, quer do seu início, quer da sua conclusão, se deve a esses dois executivos”.
Para mim, lamentável é a aparente ausência na cerimónia do "pai" da "criança" ou de um eleito da actual oposição camarária. Observei atentamente as imagens que ilustram a notícia acima citada e não reconheci ninguém ligado ao PS. Admito que possam ter sido convidados e declinado a presença, o que nem seria inédito.
Se cerimónias destas fossem organizadas de forma cautelosa, democraticamente correcta e eticamente transparente, um ou mais representantes do anterior executivo deveriam ter marcado presença. Creio mesmo que a honra do descerramento da placa inaugural poderia pertencer, por direito próprio, a algum deles.
Assim não entendeu ou não conseguiu concretizar quem organizou a cerimónia e lamento-o profundamente.
Posso ter fundadas reservas a muito do que foi planeado e executado no mandato anterior. Mas o pavilhão tem importância indiscutível e para mim será sempre obra creditada a esses autarcas.
Já agora, uma observação marginal. Alguém decidiu mal que o troço da 2.ª fase da variante se denominaria Avenida dos Barris. Penso ser errado, por duas razões: primeira, o topónimo é equívoco e toda a gente o liga a adega e vinho embora na sua origem esteja o barro. Segunda, tratando-se da continuação de uma artéria originalmente denominada Avenida do Brasil, lógico seria que em toda a extensão a variante tivesse a mesma designação toponímica.
Duvido mesmo que, se a pergunta fosse feita aos alcochetanos, a escolha da maioria não recaísse em Avenida do Brasil.
Mas as mentes brilhantes decidiram que esta obra péssima deveria chamar-se Avenida dos Barris. E fizeram bem. Os nossos netos serão levados a supor que tão má obra só podia ter nascido na mente de quem destilava vapores de alcool.
P.S. – Posteriormente à colocação deste texto no blogue, consegui falar com alguém que assistiu à inauguração do pavilhão da escola.
Esse alguém referenciou-me dois factos relevantes: a presença do ex-vereador José Navarro (eleito pelo PS) e a ausência de jovens.
Um e outros não foram protagonistas naquela cerimónia. Foi pena.
14 março 2006
Bagunça na toponímia de Alcochete

Dá-se um doce a quem conseguir ler esta placa sem se habilitar a um torcicolo.
Agora que há novos autarcas à frente do executivo municipal – eu sei que leram a primeira versão deste texto, publicada noutro lado há quase dois anos – volto a recordar que na toponímia de Alcochete reina o caos.
Artérias sem placas toponímicas, outras que as possuem apenas numa das extremidades, placas identificativas ocultadas por sinais de tráfego, placas com dimensões absurdas e caracteres quase ilegíveis.
Também há centenas de domicílios sem número de polícia (se não me engano, o meu vizinho de blogue é um dos bafejados pela sorte).
Inúmeros municípios – alguns com menor número de eleitores que Alcochete – adoptaram critérios para a atribuição de topónimos e números de polícia a artérias, bem como regras respeitantes às dimensões, características e normas de afixação das placas identificativas. Esses critérios estão definidos em regulamentos próprios, democraticamente discutidos e aprovados pelos competentes órgãos de gestão e deliberativo.
É a solução conveniente e correcta porque, além do mais, em princípio os projectos de regulamento têm de ser submetidos a apreciação pública e dá-se aos munícipes a possibilidade de se pronunciarem sobre o assunto.
É verdade que, tradicionalmente, em Alcochete, ninguém liga às consultas públicas, muito por causa da forma como são anunciadas – e por isso tem havido surpresas desagradáveis, demasiado tarde – e nada obriga a câmara a aceitar propostas ou sugestões alternativas, sequer a submetê-las à apreciação da vereação ou dos deputados municipais.
No entanto, parece-me urgente haver um regulamento para evitar artérias com designações semelhantes e susceptíveis de gerar confusão (Descobertas e Descobrimentos, por exemplo), o uso de topónimos com relevância discutível, designações eivadas de conotação ideológica (como Largo Unidos Venceremos e outros semelhantes).
Na ausência de regulamento cada executivo tem feito o que lhe apetece e os alcochetanos limitam-se a assistir passivamente. Porém, os autarcas vêm e vão mas as artérias perduram, sendo difícil, senão impossível, mais tarde corrigir discrepâncias e disparates.
Em todo o concelho a toponímia da maioria das artérias antigas continua a fazer sentido, contemplando termos populares e tradicionais, referências históricas, nomes individuais ou colectivos de figuras de relevo concelhio ou nacional, datas com significado histórico, etc. Mas a febre revolucionária levou a decisões insensatas.
Uma ronda pelas três freguesias permite a qualquer cidadão aperceber-se da multiplicidade de critérios, de materiais e de dimensões das placas identificativas, para todos os gostos, em esmalte, azulejo, mármore de várias tonalidades, chapas metálicas, pedra branca, etc.
A mesma variedade de estilos predomina nos caracteres, alguns com retoques de tinta ridiculamente toscos. Certas placas impressionam até pelo mau gosto.
Os principais problemas encontram-se em placas das últimas décadas, nas quais é incompreensível a profusão de materiais e de critérios, havendo algumas tão minimalistas que se afiguram ilegíveis, nomeadamente à noite. Outras foram fabricadas com mármores raiados, o que em nada facilita a legibilidade.
Em certas artérias é quase imperativo sair do automóvel para entender correctamente as placas toponímicas, a menos que se tenha visão de Super Homem.
Recuando no tempo, no início da década de 1940 as coisas estariam um pouco melhor organizadas e o município adquiria azulejos a usar na "nomenclatura da vila".
As placas toponímicas da época situam-se em zonas históricas e, apesar de singelas, têm legibilidade indiscutível.
Em décadas recentes, todavia, além de notória bagunça no formato e caracteres das placas toponímicas, num número excessivo de casos é praticamente impossível localizar determinados endereços em Alcochete, Samouco e São Francisco sem investigação exaustiva.
Por exemplo: alguém encontra, na freguesia de São Francisco, a placa toponímica do Caminho Municipal 1003, o confuso endereço de muitas dezenas de famílias?
Some-se a essa lamentável falha que o "1003" tende a confundir-se com o número de polícia – basta que não haja vírgula ou espaço entre ambos, como sucede frequentemente em endereços de registos informáticos – originando complicações inúteis e desnecessárias que os carteiros tentam resolver conforme podem. E se não for o carteiro?
Outro exemplo com cerca de seis anos: em Alcochete, na urbanização dos Barris – e não é caso único – em vez da numeração sequencial optou-se por identificar os edifícios segundo os lotes. Uma confusão para qualquer forasteiro habituado a sequências lógicas de números de polícia, porque nessa artéria à direita do n.º 19 situa-se o 37 e depois deste aparece o 23.
Na mesma urbanização há outros casos absurdos. Como o da Rua Artur Garrett que, aparentemente, começa ou acaba junto ao depósito de água, embora ninguém consiga definir os extremos devido à salsada da numeração. Em boa verdade ela prolonga-se – em ângulo recto! – até à Av.ª Dr. José Grilo Evangelista, pelo que muita gente perde longo tempo em busca de dois edifícios cujas entradas estão viradas para a escola D. Manuel I, supondo a maioria pertencerem a outra artéria.
Para lá de um número infindável de habitações sem número de polícia – assunto que a câmara prometeu estudar há cerca de dois anos, mas que deve continuar em banho-maria por não se vislumbrarem ainda resultados – há artérias sem placas toponímicas visíveis, placas afixadas apenas numa das extremidades (quando deveriam existir em ambas, pelo menos), identificações ocultadas por cabos e sinais de trânsito, etc.
Para que este não seja um arrazoado crítico e contestatário, refira-se existirem duas placas toponímicas muito visíveis e dignas dos pergaminhos do concelho: a do Miradouro Amália Rodrigues (na Av.ª dos Combatentes), da autoria do conhecido artista plástico José Salomão, e a do Largo Helder Antoño (atrás da Repartição de Finanças), produzida em 1989 na conhecida Fábrica de Santana, em Lisboa.
Oxalá fossem todas assim ou, pelo menos, uniformes e em azulejo, como em tempos chegou a ser norma no município.
Espero não ter de voltar a repetir este texto em 2010.
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