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14 setembro 2009

Alcochetense fora da Taça de Portugal


No passado fim-de-semana, a equipa de seniores do Alcochetense foi eliminada da Taça de Portugal ao perder na 2.ª eliminatória por 4-3 na deslocação ao campo do Padroense (equipa da II Divisão).
Domingo, 6 de Setembro, o Alcochetense entrara com o pé direito no Campeonato Nacional de Futebol da III Divisão (série E), vencendo por 1-0 na deslocação ao campo do Torreense.
Na próxima jornada do campeonato a equipa local receberá o Tojal.

29 junho 2009

Os porquês…

Fernando Pinto pede-me a publicação do seguinte texto de sua autoria. Aproveito a oportunidade para – agora publicamente – renovar um convite já antigo: inscreva-se como autor deste blogue!

Acompanho diariamente o que se escreve neste blogue, e faço-o porque os intervenientes do mesmo me merecem consideração e tenho-os como pessoas credíveis, idóneas e respeitadoras desta vila que as viu nascer ou que pelos mais diversos motivos as acolheu.
Não concordo com tudo o que se escreve mas ao abrigo da democracia instalada no nosso País, sempre que julgo oportuno ou tenho maior disponibilidade elaboro algum comentário sobre o tema ou temas em discussão.
Virão dias em que terei naturalmente maior disponibilidade para comentar este ou outro tema, ou inclusive formalizar alguma ideia ou projecto no entanto por ora questiono-me a mim mesmo… Porquê???

Porque é que nunca mais ninguém aqui abordou a questão do valor a atribuir à Cercima na sequência dos ingressos pagos na Feira de Alcochete??

Porque é que na página oficial da nossa edilidade se comenta que apesar das dificuldades financeiras, a Câmara Municipal atribuiu a semana passada ao Aposento do Barrete Verde um subsídio no valor de 45 mil euros?? Porquê, quando se gastou uma verba quase idêntica na Feira de Alcochete e nessa altura não se falou em dificuldades financeiras??

Porque é que sinto que cada vez mais os nossos políticos locais actualmente no poder teimam em fazer da população uns autênticos ingénuos, atribuindo ao governo as responsabilidades das enormes lacunas deste mandato??

Porque é que sinto que em prol da nossa terra e das pessoas que aqui vivem se podia ter feito mais e melhor nestes últimos quatro anos??

Porquê???

Fernando Pinto é o autor deste texto.

16 março 2009

Municipalismo de outrora (14): as festas de Verão

As primeiras Festas do Barrete Verde e das Salinas realizaram-se a 7 de Setembro em 1941 e até 1945 aparecem nas actas municipais várias referências às mesmas, verificando-se que sempre tiveram financiamento significativo da autarquia.
No ano de 1944 a câmara concederia 4.000$ de subsídio, importância que à época representava pouco mais de 1% do seu orçamento anual. Hoje equivaleria a cerca do triplo da última verba concedida.
Recorde-se que o Aposento do Barrete Verde seria fundado somente a 20 de Agosto de 1944, com a principal finalidade de organizar essas festividades anuais da vila, cabendo a organização das primeiras festas à Santa Casa da Misericórdia de Alcochete.

Foram imprescindíveis, no entanto, os apoios do município, dos srs. Samuel Lupi dos Santos Jorge e José André dos Santos e a colaboração da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.
O impulsionador das festas foi o jornalista José André dos Santos (1909-1967)[imagem ao lado], natural de Alcochete, que trabalhava no extinto jornal «O Século».
Aproveita a realização da tradicional corrida de toiros e, com o apoio e divulgação do seu jornal e do «Diário de Notícias», consegue pôr de pé as primeiras festas do Barrete Verde e das Salinas – a única vez em que se denominaram das Salinas e do Barrete Verde, pois do ano seguinte até à actualidade foram sempre as Festas do Barrete Verde e das Salinas.

Em 1943 a Santa Casa da Misericórdia recebe uma herança de Carlos Ferreira Prego, 3.º barão de Samora Correia (cujo busto está no antigo Rossio da vila, imagem abaixo), desinteressando-se da organização das festas, passando essa responsabilidade para a Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, com o apoio da Câmara Municipal.
Perante as dificuldades em encontrar uma entidade ou comissão interessada em organizar as festas, em meados de 1943 a Câmara Municipal decide formar uma comissão presidida pelo vereador António Antunes e constituída por Álvaro José da Costa, Virgílio Jorge Saraiva, Augusto Ferreira Saloio, Augusto Atalaia, João Batista Lopes Seixal, José de Oliveira, Augusto Ferreira Gonçalves de Oliveira e Augusto Ferreira da Costa.
Terminadas as festas desse ano, a comissão convida para um almoço pessoas influentes na vila – nomeadamente António Tomé, Estêvão João Pio Nunes, Joaquim José de Carvalho, Dr. Manuel Simões Arrôs, Joaquim Tomás da Costa Godinho, António Rodrigues Regatão, Manuel Ferreira Perinhas e Carlos Pedro de Oliveira – às quais pretende fazer sentir a urgência em constituir uma entidade que assuma a organização das festas.
Desse almoço sai uma comissão composta por Joaquim José de Carvalho, Joaquim Tomás da Costa Godinho, António Rodrigues Regatão, Augusto Ferreira Gonçalves de Oliveira e Álvaro José da Costa, incumbida de constituir a entidade pretendida, que virá a denominar-se Aposento do Barrete Verde e será fundada a 20 de Agosto de 1944.

(continua)


N.R. - Contribuíram para este texto os srs. Miguel Boieiro e João Marafuga. O excerto respeitante às Festas do Barrete Verde e das Salinas faz parte da história do Aposento do Barrete Verde, editada na década de 80.

Ler texto anterior desta série
Ler primeiro texto desta série

29 janeiro 2009

Nova Direcção do Aposento do Barrete Verde


Foram há vinte anos estas Festas do Barrete Verde e das Salinas. Agora que o Aposento tem uma nova Direcção presidida pelo sr. Carlos Maurício, hão-de desejar todos os alcochetanos que a mesma leve a cabo um bom trabalho a fim de que as festas deste ano dignifiquem Alcochete perante Portugal inteiro e o Mundo.

24 janeiro 2009

Fim de ciclo no Aposento do Barrete Verde



Fernando Pinto, presidente cessante da Direcção do Aposento do Barrete Verde, pede-me a publicação do seguinte texto:


Chegámos ao fim de um maravilhoso ciclo no Aposento do Barrete Verde de Alcochete.
Depois de 4 anos intensos, surgiu o momento indicado para encerrarmos um capítulo na história desta Agremiação.
Ao longo deste período foram muitos os sorrisos esboçados, muitas as lágrimas derramadas mas acima de tudo muitos os amigos que conquistámos. Naturalmente que muito ainda ficou por fazer, mas estamos de consciência tranquila porque sabemos que fizemos o melhor que sabíamos e que podiamos.
Foram muitos os que se insurgiram contra este grupo de jovens que abraçou um projecto para desenvolver as suas ideias sempre em função dos mais supremos interesses do Barrete Verde, preservando a sua história, os seus costumes e tradições acrescentando novas ideias face ás mais recentes ideologias da sociedade, mas foram muitos mais, aqueles que sempre estiveram do nosso lado, percebendo as nossas razões, motivando-nos e apoiando todas as iniciativas desenvolvidas, criticando construtivamente quando necessário.
A todos que nos acompanharam nesta missão "Por Alcochete" agradeço a forma entusiástica e desinteressada como o fizeram.
O Aposento não é apenas um local onde se bebe um copo e se fuma um cigarro, o Aposento é o local onde se "respira" a cultura deste povo, onde se encontra o nosso mais recente passado e fundamentalmente onde se confunde essa nobre tradição secular de pegar toiros com a valentia e destreza desta gente que "abraça" o Tejo como se fosse seu.
Aos meus companheiros de 4 anos (Fátima Soares, Estêvão Pereira, Pedro Lavrado, Luciano Bolota, Nuno Lavrado, José Jorge Ferreira, Nuno Damiães, Paulo Silva, Sérgio Gregório e António Carlos) jamais esquecerei a lealdade com que me acompanharam contribuindo decisivamente para que continuássemos a escrever em letras de ouro "Barrete Verde de Alcochete".

20 janeiro 2009

Grande abraço a Isabel M!




Envio para Londres um abraço a Isabel M, bisneta de António Rodrigues Regatão, a qual, graças a este texto, pôde conhecer uma imagem do seu antepassado.

Repare-se no comentário por ela introduzido no texto.
Já agora, Isabel, especialmente para si aqui tem uma página com tudo o que neste blogue se escreveu acerca do seu bisavô.

E o que ainda não se escrevera, por falta de oportunidade, fica registado em seguida, com duas imagens pouco conhecidas: ao alto, grupo de fundadores do Aposento do Barrete Verde, onde figura seu bisavô. Um pouco mais abaixo, neste texto, há ainda um documento histórico da fundação do Aposento.

Há cerca de sete anos, quando originalmente escrevi e publiquei este texto, registei nele que o filho de António Rodrigues Regatão - reformado e então com quase 80 anos - lamentava que Alcochete se tivesse esquecido do pai, oficialmente tido como o ideólogo do Aposento do Barrete Verde.
Nunca houve justificação para tal e presume-se que a razão seja apenas uma: não nasceu cá!
O impulsionador do Aposento do Barrete Verde foi o jornalista José André dos Santos e na época (início da década de 40 do século passado) surgiram várias ideias acerca do nome a atribuir-lhe, tais como Casa, Pousada ou Albergue.
Chega a ser impressa uma circular, datada de 22 de Agosto de 1944, em que surge estampada a denominação Pousada do Barrete Verde. Todavia, quando é distribuída à população tem sobreposta à palavra Pousada, através de um carimbo, a designação Aposento (ver imagem acima ampliada).
Tudo indica que António Rodrigues Regatão foi quem atribuiu a denominação final ao Aposento e terá também contribuído para a redacção dos seus princípios básicos e do projecto inicial de estatutos.
O Aposento do Barrete Verde nasceu a 20 de Agosto de 1944 e são seus fundadores oficiais Álvaro José da Costa, António Rodrigues Regatão, António Tomé, Augusto Atalaia, Augusto Ferreira da Costa, Augusto Ferreira Gonçalves de Oliveira, Augusto Ferreira Saloio, Carlos Pedro de Oliveira, Estêvão João Pio Nunes, João Baptista Lopes Seixal, Joaquim José de Carvalho, Joaquim Tomás da Costa Godinho, José de Oliveira, Manuel Ferreira Perinhas, Dr. Manuel Simões Arrôs e Virgílio Jorge Saraiva.
António Rodrigues Regatão, falecido em 1966 em Alcochete, era natural de Alandroal, distrito de Évora, onde nasceu em 1890. Foi fundador e presidente do Sindicato dos Ajudantes Técnicos de Farmácia, radicando-se em Alcochete no ano de 1933, para exercer a sua profissão de farmacêutico, adquirindo a Farmácia Gameiro (cujo nome lamentavelmente desapareceu quando, há pouco tempo, o estabelecimento se mudou para a Urbanização do Barris).
António Rodrigues Regatão foi também presidente da Assembleia Geral da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 e tomou parte activa na aquisição do edifício classificado onde se situa a sua sede, na Rua Comendador Estêvão de Oliveira.
Foi criador e ideólogo - na sua forma física, filosófica e programática - do Aposento do Barrete Verde, expressa na circular para angariação de sócios, datada de 22 de Agosto de 1944, publicada mais acima nesta página.
Lutou contra a ditadura do Estado Novo, foi figura destacada e de referência em Alcochete, sendo citado no «Livro Branco do Fascismo». Em consequência das suas opções políticas, foi perseguido na actividade comercial por pessoas influentes e afectas à ditadura.
Em data que não posso precisar – porque o original manuscrito não está datado – a Câmara Municipal recebeu uma proposta para atribuir o seu nome a uma artéria de Alcochete. Nunca obteve resposta. O documento deve constar do arquivo municipal e o seu teor é o seguinte:
"As Festas do Barrete Verde e das Salinas são as festas mais representativas do povo alcochetano, da sua cultura e da sua identidade. Projectaram o nome de Alcochete por todo o país, transpondo fronteiras e proporcionando, todos os anos, a reunião da família alcochetana.
"À personalidade que as criou, José André dos Santos, já foi devida e justamente prestada homenageada. Foi dado o seu nome a uma rua de Alcochete. "Houve alguém que teve a iniciativa, apoiada por um grupo de pessoas que constituíram o núcleo dos sócios fundadores, de criar uma colectividade com a obrigatoriedade de realizar as Festas do Barrete Verde e das Salinas e, consequentemente, de as perpetuar. De estabelecer os princípios que a devia corporizar: trabalhar por Alcochete; fazer a sua propaganda; pugnar pelo seu progressivo desenvolvimento, tornar conhecidas todas as suas belezas naturais; criar um lar regional representativo das tradições, do labor, das tendências e aspirações da família alcochetana e que sirva de casa de recepção de visitantes. "Foi esta mesma pessoa que materializou estes princípios, organizando e dando vida à mais representativa e importante colectividade alcochetana, o Aposento do Barrete Verde. "Este alguém foi António Rodrigues Regatão. "Por analogia com a homenagem a José André dos Santos, e dentro dos mesmos princípios, propomos que seja atribuído o nome de António Rodrigues Regatão a uma rua de Alcochete. Porque nos parece de elementar justiça e gratidão para com a memória de quem fez algo de concreto por Alcochete. Era incontestavelmente seu grande amigo e alcochetano de coração".
Tendo dado pouco ou nada a Alcochete, há quem tenha o seu nome inscrito numa artéria. António Rodrigues Regatão deu algo bem visível, mas cerca de 43 anos após a sua morte ainda não lhe foi feita justiça.

19 janeiro 2009

A realidade preterida por narrativas


Ontem, Domingo, 18 de Janeiro de 2009, pelas 17H30, dirigi-me aos Paços do Concelho para assistir à sessão solene do 111º aniversário da Restauração do Concelho de Alcochete que medalhou o contrabaixista notável Armando Crispim, a Associação GilTeatro, o Centro Social de São Brás do Samouco e a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete.
Há muitos anos que lá não ia e muitos outros decorreriam se a tal não me visse obrigado pelo meu amigo Armando Crispim, cuja história de vida é uma vitória retumbante sobre as forças cegas desta terra de Alcochete.
Logo após as merecidas honras prestadas ao Armando, senti um impulso que me levaria a sair do salão se isso não fosse uma falta de respeito às entidades colectivas logo a seguir agraciadas.
É que eu estava agoniado pela preterição da realidade a favor da imposição de narrativas, fosse a história de vida do sr. Miguel Boieiro em espaço e tempo tão desaconselhado para tal, fosse a mistificação do dr. Luís Franco sobre a obra da Câmara ao longo destes mais de três anos. Sim, porque eu não vejo, por mais que abra os olhos, nenhuma obra digna de referência levada a cabo por estes autarcas.
NOTA: mas agora penso eu cá comigo: e se a realidade é intencionalmente preterida pela imposição de narrativas que nos oferecem a ilusão dessa mesma realidade? Aqui, a mera alienação seria substituída por um corte fulminante que passaria entre os nossos pés e o chão que pisamos. Assim, tudo nos poderia ser dito, inclusive que as raízes das árvores sobem direitas ao céu e as folhas se entranham no subsolo, que ninguém se lembraria de erguer a voz para a mínima contestação.
O meu amigo ou amiga dirá que o Marafuga está a delirar!
Olhe que não!...Olhe que não!...

05 janeiro 2009

Minhas previsões locais para 2009

- Agravamento de problemas sociais devido ao desemprego;
- Colectividades relevantes defrontar-se-ão com crises financeiras e directivas;
- Abstenção superior a 50% nas eleições;
- CDU continuará a deter maioria nos órgãos do município;
- BE obterá resultado inédito nas eleições locais;
- Caso não ocorra alteração da lei eleitoral para as autarquias locais, PSD elegerá um vereador. Havendo alteração da lei, CDU cederá cargos de vereador a membros da oposição.

Localmente não tem sido dedicada a atenção necessária aos pobres e desprotegidos, bem como ao crescendo de problemas sociais derivados do aumento do desemprego, quase parecendo fenómenos inexistentes. Infelizmente existem, apesar de banidos da agenda informativa por conveniência política.
Porque a maioria dos residentes é indiferente às colectividades e muitas delas se habituaram à subsídio-dependência municipal, nunca se preocupando em demonstrar a sua relevância nem em captar novos associados, a crise agravará problemas antigos e mal resolvidos. Um simples mas significativo exemplo: num dos primeiros concelhos do país em poder de compra, a corporação de bombeiros tem um número de associados equivalente à quarta parte dos domicílios existentes. Nos restantes 3/4 de lares ninguém sente necessidade de ajudar os bombeiros, quanto mais não seja como simples medida de precaução?
Será a irrisória quota mensal de 1€ excessiva para a maioria!

29 dezembro 2008

Chamada de atenção

Meus amigos, o blog tem que palmilhar o seu caminho, mas o texto que escrevemos um pouco para baixo sobre o músico Alfredo José Cardoso Júnior e os comentários já apostos merecem a leitura de todos nós por se tratar de um grande exemplo de dedicação à Sociedade Imparcial, vale dizer, a Alcochete.

26 dezembro 2008

Alfredo José Cardoso Júnior, exemplo de dedicação à Sociedade e sua Banda


Esta pequena história de vida de Alfredo José Cardoso Júnior, nascido em Alcochete em 1932, filho de Alfredo José Cardoso e de Palmira do Carmo Pereira, integra-se no 111º aniversário da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.
Alfredo frequentou a escola do Rossio, recordando com saudade o eminente professor Francisco Leite da Cunha.
No primeiro edifício da Sociedade (Largo António dos Santos Jorge), começou a aprender música com os monitores José Canteiro e, seguidamente, Manuel Gomes da Mestra que tocavam, aquele tuba, este clarinete e flauta.
O primeiro instrumento musical que Alfredo tocou foi clarinete, passando depois para o saxofone soprano e, por fim, saxofone tenor.
Durante mais de cinquenta anos, tocou na Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 sob a regência de vários mestres, vale referi-los, António Gonçalves, Mário José da Costa Marques, José Lopes Bastos, Leonel Duarte Ferreira, Mariano Guerreiro Domingues, Estêvão António Barrinha e, por último, António Francisco Rei Menino.
Por diversas vezes, em simultâneo com a sua actividade na Banda, Alfredo fez parte dos corpos sociais da colectividade como secretário, vogal e tesoureiro.
A Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 distingue-o através de vários diplomas; em 1998, a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio atribui-lhe um diploma e uma medalha de valor e exemplo pelos seus cinquenta anos ao serviço da música; a 25-4-95, a Câmara Municipal de Alcochete, homenageando o movimento associativo, honrou com uma medalha Alfredo José Cardoso Júnior, alma simples de Alcochetano, mas também grande senhor por força de uma vida inteiramente cumprida.

29 novembro 2008


Aposento: embaixador de emoções por Alcochete

Para abordar o tema "A importância do Barrete Verde na divulgação e promoção de Alcochete", José Caninhas – alcochetano e professor do Ensino Secundário, presidente da Direcção do Aposento do Barrete Verde (APB) durante quatro anos, na transição das décadas de 80 e 90 – foi o orador convidado no primeiro encontro informal de cidadania organizado por Paulo Benito no âmbito deste blogue.
Sócio do APB desde os 14 anos, o testemunho do orador centrou-se na história da colectividade e na sua experiência breve como dirigente, durante a qual construiu a visão do ideal alcochetano nessa época, confessando, de passagem, o susto com que, aos 36 anos, encararia o convite para dirigir uma instituição de referência no concelho.
Mas aceitou o desafio e, através do Aposento, pôde conhecer mais profundamente a terra e as pessoas, coligindo traços psicológicos que definem o padrão sociológico do alcochetano médio desse tempo.
Fundado a 20 de Agosto de 1944 (um ano antes do termo da II Grande Guerra), o APB tem invulgar finalidade estatutária principal: organizar, anualmente, as Festas do Barrete Verde e das Salinas, idealizadas pelo jornalista José André dos Santos. A colectividade nascerá na loja do único boticário então existente, António Rodrigues Regatão (da Farmácia Gameiro), fruto de muito cavaqueio político anti-regime também travado no barbeiro.
Estranhamente, porém, a agremiação será fundada de forma elitista: os sócios pagam 7$50 ou 5$00 de quota, mas apenas os primeiros com direito de voto. E quem não usasse gravata não podia aceder às instalações.
As festas surgem como uma dádiva anual de solidariedade à população e só por via delas Alcochete ganhará então realce na Imprensa de expansão nacional. Na vizinha Espanha (nomeadamente em Ciudad Real e Badajoz) alguns aficionados interessam-se também, gerando-se, com o passar dos tempos, reciprocidade de laços e de honrarias entre instituições e dirigentes associativos de ambos os lados da fronteira.
Em pouco mais de duas décadas o APB ganhará lugar de destaque, não somente em tertúlias tauromáquicas luso-espanholas mas também em momentos de grande significado político e económico. Por exemplo, é no Aposento que o eng.º João Maria Ferreira do Amaral (pai do ex-ministro das Obras Públicas e actual presidente da Lusoponte e ao tempo secretário de Estado da Indústria) anunciará a intenção governamental de instalar a Siderurgia Nacional em Alcochete, o que não se concretiza e origina divergências políticas que levariam ao seu afastamento do cargo.
Também durante décadas a colectividade manterá o único museu de Alcochete, sucessivamente valorizado por doações artísticas privadas, como as do cavaleiro tauromáquico José Samuel Lupi, grande amigo e muitas vezes dirigente da instituição.
Quando, em finais da década de 80, José Caninhas dirige o Aposento, surpreende-se com as honrarias concedidas ao seu presidente em colectividades tauromáquicas de Portugal e Espanha, neste caso em Ciudad Real, Badajoz e Ayamonte, cujos alcaides (presidentes de câmara) várias vezes se deslocaram a Alcochete durante as festas.
Na sua visão, colhida nesses anos, o homem alcochetano dividia-se então entre a terra e o mar (nunca se diz rio, porque nesta zona a largura do Tejo faz dele mar encapelado no Inverno), com coragem para enfrentar os touros.
Crê ainda que, apesar de períodos mais e menos positivos que sempre existiram ao longo destes 64 anos, o Aposento do Barrete Verde nunca morrerá por ser o embaixador das emoções alcochetanas.

O Barrete Verde e a promoção da democracia


O Barrete Verde não promove só Alcochete. O Barrete Verde promove também a genuína democracia.
O que é a genuína democracia? É a união da tradição e da renovação.
O Barrete Verde promove anualmente uma festa que é centralmente uma festa de toiros. Não se pode falar da festa de toiros e esquecer o forcado.
O que é o forcado? É símbolo de coragem, força moral cuja raiz linguística é a mesma de coração (Lat., cor). Na verdade, os antigos pensavam que a sede da coragem era o coração.
Mas em termos antropológicos, a coragem é a defesa do espaço sagrado. Não era qualquer um que descia o Rato e bebia impunemente a água do nosso poço, bem amarga para alguns incautos.
Tudo isto é a tradição. E a renovação?
Há muito que o Barrete Verde fez a adesão às novas tecnologias. Por outro lado, quem, como nós, sabe o que são hoje as festas e o que foram há cinquenta anos, conclui que o Barrete Verde foi recebendo, ano após ano, o sopro dos novos tempos.
Esta é a lição que o Barrete Verde dá à Democracia que, para ser genuína, é renovação unida à tradição.

23 novembro 2008

Encontro mensal para debate de ideias (3)

O primeiro encontro Mensal para debate de ideias sobre Alcochete, tem como título "A importância do Barrete Verde na Divulgação e Promoção de Alcochete"

DATA: 28 de Novembro, sexta-feira
HORA: 21:00 - 23:00
LOCAL: Junta de Freguesia de Alcochete
ORADOR: José Caninhas

Relembra-se que está aberta a participação a todos os munícipes interessados


A instrumentalização das colectividades

A instrumentalização das colectividades para ambições políticas é crime nojento.
Os que, azafamados, andam nesse afã são criminosos e merecem o mais veemente desprezo da comunidade.
O responsável por estas palavras é só e apenas João Marafuga.
Se alguém lobrigar neste texto matéria criminalizável, aí estão os tribunais aos quais me sujeitarei com humildade democrática.
Meus amigos, tentar a mudança obriga-me a falar assim.

22 novembro 2008

A Cooperativa de Consumo pós-25 de Abril

A Cooperativa de Consumo pós-25 de Abril, obra dos comunistas a funcionar no rés-do-chão da Sociedade (Largo António dos Santos Jorge), nos fins dos anos 80 foi à falência. Não sei se este é o termo técnico que se quadra juridicamente à Cooperativa em foco, mas julgo estar a fazer-me entender minimamente.
Quando a Cooperativa fechou portas, dizia-se que devia à banca larguíssimas dezenas de milhares de contos. Eu lembro-me que na época a dívida era vista como uma soma astronómica por todos. Conservo mesmo na cabeça um vago número, mas é preferível não ir mais longe.
Eu penso que seria bom que chegasse aqui um responsável e esclarecesse a opinião pública do estado integral das coisas, sendo a minha sugestão de todo o interesse para a força política que ocupa as cadeiras do poder em Alcochete.

18 novembro 2008

Concurso popular de poesia e prosa


Nas comemorações do 111º aniversário da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 que, como é tradição, ocorrerão em simultâneo com as comemorações da Restauração do Concelho de Alcochete, a Direcção abre um Concurso Popular de Poesia ou Prosa cujos trabalhos deverão ser entregues até 10 de Janeiro de 2009.
Os interessados que queiram participar neste concurso deverão abordar como leque do seu trabalho o historial dignificante da Sociedade Imparcial e da sua Banda ao longo do tempo.
Se o concorrente optar por um poema, este deverá conter no máximo cinco estrofes; se optar pelo trabalho em prosa, preencherá no máximo duas folhas A4 escritas em computador.
A criatividade e a mensagem inerentes às composições serão avaliadas por um júri idóneo, constituído por três elementos.
As produções literárias eleitas, uma em poesia e outra em prosa, serão apresentadas no Concerto de Aniversário a realizar no Fórum Cultural de Alcochete, dia 01 de Fevereiro de 2009, pelas 17H30, sendo os autores vencedores distinguidos com um prémio simbólico.
Os trabalhos devem ser datados e identificados com o nome do autor, podendo ser enviados por e-mail sia.banda@gmail.com - Fax 210873046 - carta para Rua Comendador Estêvão de Oliveira, 31 - 2890-046, Alcochete.

14 novembro 2008

Aos sócios do Aposento e aos alcochetanos (2)

Pede-me Fernando Pinto, presidente cessante da Direcção do Aposento do Barrete Verde, a publicação da seguinte mensagem:

"Em continuação da última Assembleia Geral Ordinária do Aposento do Barrete Verde de Alcochete, realizada no passado dia 31 de Outubro, realiza-se nesta sexta-feira (14/11/2008), pelas 20.30 horas, mais uma sessão com o objectivo de se elegerem os Órgãos Directivos e Consultivos para o Biénio 2008-2010.
"Agradecemos a presença do maior número de associados, o Aposento merece e Alcochete também.
"Por Alcochete"

27 outubro 2008

Municipalismo de outrora (1): autarcas, projectos e a guerra


Com permissão do então chefe da edilidade e a paciente cooperação de duas funcionárias do arquivo municipal, em princípios de 2004 tive a oportunidade de consultar antigas actas da Câmara Municipal de Alcochete.
Convergindo na Câmara Municipal iniciativas e interesses de pessoas, de corporações e de instituições, as actas sintetizam aspirações e realizações do município e, embora não esclareçam todos os factos, representam importante referência histórica, nunca
estudada nem documentada (salvo raras e limitadas excepções de que existem duas edições disponíveis, para venda no Posto de Turismo e para consulta na Biblioteca Pública de Alcochete).
Contudo, por indisponibilidade de tempo, ao fim de algumas semanas de pesquisa vi-me forçado a interromper o trabalho, que ficaria limitado ao curto período de 1938 a 1945.
Embora escassa para a finalidade então traçada, a abundante informação recolhida parece-me valiosa e decidi partilhá-la agora neste blogue, cuja publicação será feita em capítulos nas próximas semanas.
Oxalá estas pistas despertem curiosidade a alguém que, com mais vagar e conhecimento, se predisponha a pesquisar e estudar a imensa e preciosa documentação municipal, rica em pormenores da nossa história contemporânea.
Cabe aqui uma palavra de agradecimento aos ex-autarcas dr. Elmano Alves e sr. Miguel Boieiro que, em épocas distintas e separadas por cerca de duas décadas, foram vice-presidente e presidente da câmara, respectivamente.
Estou igualmente grato ao dr. João Marafuga, alcochetano e profundo conhecedor do passado do concelho. Ao primeiro porque estimulou a pesquisa, ao segundo e terceiro pelo paciente trabalho de revisão e de clarificação de detalhes.

Preâmbulo
Até à revolução de 1974 os órgãos municipais eram a câmara e o conselho municipal, o primeiro na esfera executiva e o segundo na deliberativa.
Previamente à Revolução dos Cravos os municípios gozavam de limitada autonomia administrativa e as suas competências e atribuições eram definidas pela administração central, existia em todos um delegado do governo e os autarcas submetidos a sufrágio eram membros ou apoiantes do único grupo político reconhecido (União Nacional).
Antes da reorganização administrativa decorrente da Constituição de 1976, Alcochete era "concelho rural de 3.ª categoria" e a sua Câmara Municipal tinha uma estrutura mínima e limitados meios financeiros.
Consequentemente, durante décadas os autarcas usaram amigos e correligionários sentados em Lisboa para influenciar decisões políticas e concretizar aspirações, sendo notórios o desenvolvimento económico e os melhoramentos planeados ou conquistados quando, ocasionalmente, abastados proprietários do concelho ascendiam a destacadas posições na capital ou eram chamados a exercer funções no Estado.
Documentos e testemunhos evidenciam que, nomeadamente entre os anos 30 e 60 do século passado, habilmente os autarcas serviram-se de relações familiares, de amizades, de conhecimentos e de conivências políticas para iniciar ou concluir infra-estruturas fundamentais.
As actas do município fornecem pistas sobre esse tráfico de influências, cujos reflexos se avaliam também em jornais locais e nacionais da época.
Convém ainda recordar que, na maior parte do curto período estudado, pontificou na redacção de «O Século» o jornalista alcochetano José André dos Santos ('pai' das Festas do Barrete Verde e das Salinas), que tinha amigos no concorrente «Diário de Notícias».
Foram de tal modo positivos os resultados de influências movidas em dois órgãos da Imprensa de expansão nacional que ainda hoje, em Alcochete e Samouco, há artérias com os nomes desses jornais.
Parece-me curioso referir também que, há cerca de seis décadas, os vereadores de Alcochete não desempenhavam funções a tempo inteiro. Todos – incluindo presidente e vice-presidente da câmara – tinham uma ocupação profissional.
Daí que o horário das reuniões públicas da edilidade variasse, consoante as disponibilidades da vereação ou até da época do ano.
Depois de, nos anos de 1938 e 1939, se terem realizado, semanalmente, a partir das 15h00, no início da década de 40 decorriam aos sábados, depois das 21h00.
Em meados de Outubro de 1940 decide-se que, durante o Inverno, as reuniões da câmara seriam antecipadas para as 20h00, mantendo-se ao sábado.

No princípio de 1941 as sessões ordinárias passam a ser quinzenais, pelo que daí em diante jornaleiros, operários e assalariados camarários receberiam o ordenado quinzenalmente, em vez de semanalmente como até então.
Em 19 de Junho de 1941 a vereação decide que, a partir de 1 de Agosto seguinte, as sessões da câmara passariam a realizar-se às sextas-feiras, continuando a periodicidade quinzenal.
A sequência do trabalho das sessões manteve-se inalterada durante os sete anos estudados: aprovava-se a acta da reunião anterior, lia-se a correspondência recebida, verificavam-se as contas, aprovavam-se pagamentos de serviços e de fornecimentos e entrava-se na discussão da ordem do dia ou da noite, normalmente preenchida com o despacho de requerimentos ou apreciação e votação de propostas do presidente e dos vereadores. As actas eram manuscritas em livro próprio, pelo secretário da câmara.

Autarca vem, autarca vai
Como acima referi, na época Alcochete estava classificado como concelho rural de 3.ª categoria e o mandato dos autarcas não era exercido a tempo inteiro, sendo, frequentemente, condicionado por vicissitudes da actividade profissional dos titulares.
Em Fevereiro de 1939, por exemplo, o vereador Mateus Gonçalves Gomes renuncia ao mandato devido a desentendimento com o dono da farmácia de que era empregado (a Gameiro, na época pertencente a António Rodrigues Regatão, fundador e ideólogo do Aposento do Barrete Verde), sendo forçado a ausentar-se para ganhar a vida por ser "impossível exercer a profissão no concelho".
Mateus Gomes estaria em funções por curto período – segundo se depreende de elogio do presidente, ditado para a acta da sessão em que ocorre a renúncia – sendo substituído na reunião seguinte por Augusto Lopes Condelipes. Mas, por razões de saúde, também o mandato deste duraria somente cinco meses, rendendo-o António Tavares da Silva Falcão Sobrinho.
Em Setembro de 1939 ocorre nova mudança na vereação, na qual se manterá apenas o presidente, Francisco Leite da Cunha, professor do ensino primário na escola masculina da vila (ver imagem acima, da colecção particular do dr. João Marafuga e, presumivelmente, obtida uma década depois daquela a que me refiro. A fotografia foi obtida à porta da Escola Conde de Ferreira, no Rossio de Alcochete, hoje Largo Barão de Samora Correia).
Francisco Leite da Cunha era descendente do Marquês de Soydos, proprietário da Quinta da Praia das Fontes, estando então a seu cargo na câmara os pelouros de finanças, secretaria, educação, estética e urbanização.
Ignoram-se os motivos da substituição da maioria dos vereadores, por serem omissos nas actas.
O novo vereador Manuel Marques Sena fica incumbido da iluminação e da água e Manuel Ferreira da Costa trata da limpeza pública, matadouro, cemitérios, mercado e obras.
Este estaria ligado à empresa proprietária do vapor «Alcochete» – que estabelecia a ligação fluvial com Lisboa e era popularmente conhecido como "o Menino" – pois no final desse mês abster-se-ia de votar mais um pedido de subsídio apresentado por essa sociedade, a Empresa Portuguesa de Navegação Fluvial.
No início dos anos 40 os órgãos autárquicos de Alcochete tinham a seguinte composição: administrador do concelho, Rafael Tavares Murjal; presidente da câmara, Francisco José Pereira Coutinho Facco Leite da Cunha (mais conhecido por Francisco Leite da Cunha e acima citado); presidente substituto, José Nunes Pereira; vereadores Manuel Marques Sena e Manuel Ferreira da Costa.
Nos dois últimos anos da década de 30, o novo administrador do concelho, Rafael Tavares Murjal, recebera vários pagamentos pelo transporte do presidente da câmara e vereadores nas deslocações, em serviço oficial, a Samouco, Montijo e Setúbal.
Tratar-se-ia de motorista profissional ou proprietário de empresa do ramo, numa época em que as actas evidenciam serem de tracção animal os únicos veículos camarários aparentemente existentes.

Rafael Murjal aparece como administrador do concelho no início da década de 40 e, daí em diante, nunca mais o seu nome será citado no transporte de autarcas, embora exerça funções somente cerca de um ano.
No Outono de 1941 o delegado do governo no concelho era já o dr. José Nunes Pereira.
Na sessão de 21 de Junho de 1941 o vereador Manuel Marques Sena pede a exoneração, sem que da acta figure a justificação. É substituído por António Antunes.
Em 8 de Setembro de 1941 o presidente da câmara, Francisco Leite da Cunha, é substituído por Alberto da Cunha e Silva, sócio-gerente da empresa Bacalhau de Portugal, proprietária da primeira seca de bacalhau que seria inaugurada cerca de uma década depois. Continuariam em funções os vereadores Manuel Ferreira da Costa e António Antunes.
Nas actas municipais há a indicação de que a saída do presidente ocorre após eleições, sendo o executivo para o quadriénio 1942/1945 empossado a 5 de Dezembro de 1941.
Além dos vereadores efectivos, acima indicados, os substitutos eram João Baptista Lopes Seixal e Joaquim José de Carvalho Júnior.

O primeiro era comerciante e em várias actas constam autorizações de pagamentos a seu favor, relativas a aquisições de diversos artigos de uso comum na câmara (fava para o gado, sabão, palha para vassouras, velas, etc.). Anteriormente fora eleito para a Junta de Freguesia de Alcochete, à qual renunciara para se tornar vereador substituto.
Embora o presidente Alberto da Cunha e Silva e os vereadores Manuel Ferreira da Costa e António Antunes tivessem sido empossados, em Dezembro de 1941, para o quadriénio 1942/45, dois deles cessarão funções cerca de um ano antes do termo do mandato.
Apenas permaneceria no cargo António Antunes, ascendendo à presidência Joaquim Gomes de Carvalho. O outro vereador é Joaquim José de Carvalho Júnior, suplente no anterior executivo.
Em Janeiro de 1944 entra para a presidência da câmara Joaquim Gomes de Carvalho, em substituição de Alberto da Cunha e Silva, sem que, uma vez mais, constem da acta as razões dessa substituição antecipada.
Em Março de 1944 o vereador Manuel Ferreira da Costa transita para o cargo de vice-presidente da câmara, entrando em sua substituição o vogal suplente Joaquim José de Carvalho Júnior.
A 2 de Junho de 1944 a vereação é constituída pelo presidente Joaquim Gomes de Carvalho, pelo vice-presidente Manuel Ferreira da Costa e pelos vogais António Antunes e Joaquim José de Carvalho Júnior.

Melhoramentos em tempo de guerra
Na sessão de 8 de Setembro de 1941 é aprovado o plano da actividade municipal para os anos seguintes, em cujo capítulo «Melhoramentos» se alude ao abastecimento de água à vila, à construção da rede de esgotos e ao início do contrato de fornecimento de electricidade pela União Eléctrica Portuguesa (antecessora da actual EDP e extinta em 1974).
Devido ao valor elevado dos investimentos, a câmara admite a probabilidade de alargar a pauta dos impostos indirectos se não houvesse possibilidade de suprir de outro modo as despesas sempre crescentes do município, bastante agravadas pela conflagração mundial.
Estava também prevista a negociação de um empréstimo com a Caixa Geral de Depósitos, "para fazer face às despesas com os referidos melhoramentos, em virtude das receitas normais do município não poderem manifestamente comportar o custeamento de obras de tanto valor".
Transcrevo o resto do capítulo, onde surge curiosa referência ao turismo:
"Desde há muito que se impunha a realização de tais obras e nada justifica o seu adiamento por mais tempo, a bem da vila de Alcochete, seu progresso, higiene e limpeza e saúde e conforto dos seus habitantes.
"Alcochete, vila risonha da margem Sul do Tejo, com panoramas de maravilha, como nenhuma outra desta região, pode vir a ser um centro notável de turismo, desde que a dotem de condições indispensáveis ao seu progresso. É preciso evitar que os forasteiros e os visitantes não sintam a má impressão que eles, com razão, agora podem levar.
"Impõe-se também a abertura de novas ruas e o alargamento de algumas já existentes mas, como se não poderá fazer tudo ao mesmo tempo, o que urge é começar por um sector, o mais importante, que é, sem dúvida, o problema das águas, dos esgotos e da luz.
"Ultimados estes projectos, lançar-se-á mão de outros, tanto na vila como na freguesia de Samouco, onde também é necessário cuidar das ruas e seu calcetamento, da urbanização, da higiene, da limpeza e de estradas em condições de bem poderem servir o trânsito".


(continua)

Largo de São João em época próxima daquela a que se refere o relato acima.
Neste tempo os Paços do Concelho ainda se situariam no Largo da República.


24 outubro 2008

Aos sócios do Aposento e aos alcochetanos

Pede-me Fernando Pinto, presidente cessante da Direcção do Aposento do Barrete Verde, a publicação dos documentos abaixo reproduzidos.
Com gosto acedo ao pedido, quer pela consideração que me merece a pessoa em causa, quer pela relevância da instituição na comunidade alcochetana.

NOTA DO PRESIDENTE DA DIRECÇÃO

Gente da minha terra,
Tudo na vida possui um princípio, meio e fim.
E verdade seja dita, é necessário alguma sensibilidade e fundamentalmente coragem e bom senso para reconhecermos que chegou a hora de passar o testemunho. Estamos a terminar o nosso mandato e não queria fazê-lo sem tecer aqui alguns comentários, que me parecem de todo oportunos.
Primeiro, sentir-me orgulhoso e repartir convosco a honra e prazer que me deu servir o Aposento do Barrete Verde e Alcochete, até porque em todos os meus discursos nunca deixei de aliar ao nosso Aposento a nossa terra – ambos se confundem no manancial de histórias que perduram no tempo.
Depois, dizer-vos que de um modo geral todas as iniciativas que organizámos, com especial incidência, as Festas do Barrete Verde e das Salinas, sempre o fizemos com amor, total dedicação e empenho e com verdadeiro espírito alcochetano, demonstrando uma enorme transparência nos actos que praticámos defendendo intransigentemente os supremos interesses do Aposento.
Ser Director do Aposento do Barrete Verde não é fácil, nada fácil creiam, mas também é verdade que as vitórias “suadas” são aquelas que possuem maior sabor.
Pela humildade com que tenho pautado a minha vida, não vou estar aqui a referenciar tudo o que a equipa, que eu tive o privilégio de liderar ao longo destes 4 anos, fez de positivo para o Aposento.
Fizemos o melhor que sabíamos e podíamos!
No entanto se houver quem não se lembre ou tenha dúvidas, eu farei o favor de avivar as memórias mais esquecidas.
O Aposento é uma grande casa, é a nossa história, é o recanto dos nossos pais e avós. Ao Aposento devo gratidão por tudo o que me proporcionou ao longo destes anos, esta tornou-se muitas das vezes a minha segunda casa, sorri em muitos momentos, mas também aqui derramei várias lágrimas, foram muitas as emoções vividas, e já a saudade e a nostalgia invadem o meu coração, deixando-o destroçado. Mas a vida é mesmo assim!
Ao longo destes dois mandatos que efectuámos, foram muitos os que partilharam o nosso caminho, que acreditaram no nosso trabalho, e que muitas das vezes surpreendentemente se revelaram como apoio incondicional à nossa árdua tarefa. A esses, os verdadeiros amigos do Aposento, tenho-os no coração.
Estou reconhecido por todo o carinho e apoio que sempre demonstraram.
Aos outros, que apenas buscam o maldizer, a critica fútil e sobretudo sempre demonstraram uma enorme falta de compreensão e nalguns casos de respeito inclusive, lembro apenas que o Aposento não merece isso.

“Os homens passam e as Instituições ficam”.

Nunca se esqueçam que o Aposento é e será sempre o que os seus associados quiserem.
Saio com o sentido de dever cumprido e acima de tudo de consciência tranquila. Nem todas as decisões foram correctas, errar é próprio do homem, e reconhecer o erro é uma virtude.

Obrigado Aposento – estarás eternamente num lugar muito especial do meu coração.

Por fim, e tendo em conta que a Assembleia Geral Ordinária se realiza já a 31 do corrente, aproveito pela última vez para lançar um apelo à participação de todos os associados. É precisamente em sede própria que se discutem os assuntos do nosso Barrete Verde e sobretudo com quem de direito.
Chegou a hora e o momento de se retirarem todas e quaisquer dúvidas, aqui e como sempre ao longo destes 4 anos, estamos disponíveis para abordar todo e qualquer assunto.
Para que o futuro desta nossa Casa continue risonho como o presente, importa a sua presença nesta Assembleia, afinal o Aposento do Barrete Verde é tudo aquilo que os seus associados quiserem.

O Presidente da Direcção
Fernando Pinto

CONVOCATÓRIA DE ASSEMBLEIA GERAL EXTRAORDINÁRIA
Ao abrigo da alínea b), do artº. 35º, do Regulamento Geral Interno, convoco a Assembleia Geral Extraordinária do Aposento do Barrete Verde para reunir, na sua sede social, no próximo dia 31 de Outubro de 2008, pelas 20h00, com a seguinte ordem de trabalhos:

Ponto único – Atribuição a titulo póstumo da distinção de Sócio de Mérito, a João José Viana Ferreira Noronha.

Não comparecendo número legal de sócios para a Assembleia poder funcionar à hora indicada, a mesma realizar-se-á uma hora depois com qualquer número de sócios presentes.

Alcochete, 1 de Outubro de 2008.
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Joaquim Pires Júnior

CONVOCATÓRIA DE ASSEMBLEIA GERAL ORDINÁRIA
Ao abrigo do Artº 34º do Regulamento Geral Interno, convoco a Assembleia Geral Ordinária do Aposento do Barrete Verde, para reunir na sua sede social no próximo dia 31 de Outubro de 2008 pelas 20.30 horas, com a seguinte ordem de trabalhos:

1 – Apresentação, discussão e votação do Relatório e Contas da Direcção e respectivo parecer do Conselho Fiscal, relativo ao exercício de Outubro de 2007 a Setembro de 2008.

2 – Eleição dos Órgãos Sociais para o Biénio 2008/2010.

3 – Outros assuntos de interesse.

Não comparecendo o número legal de sócios para a Assembleia poder funcionar à hora indicada, a mesma realizar-se-á uma hora depois com qualquer número de sócios presentes.

Alcochete, 01 de Outubro de 2008
O Presidente da Mesa da Assembleia Geral
Joaquim Pires Júnior

08 setembro 2008

Anónimo confundido

Como sempre anónimo, alguém enviou a este blogue uma mensagem do seguinte teor (nada emendei no original):
"mas porque é que com as duas bandas do concelho a actuar em espanha ao mais alto nível o praia dos moinhos nem disso fala? será que não merecerá uma notícia? sr. bastos: justifique-se porque esta omissão é grave!".
Começo pelo despropósito do remate da mensagem: justificar-me de quê e porquê?
«Praia dos Moinhos» é um blogue e define-se como espaço dedicado a "aspirações, ideias, comentários e debate sobre assuntos relacionados com o concelho de Alcochete".
Consequentemente, a pergunta deve ser endereçada a sítios informativos na Internet com carácter local. Consultou-os?
Todavia, se deseja informar-se sobre o assunto focado consulte este blogue. Além do mais, recomendo-o por ser exemplar e cumprir muitíssimo bem o papel informativo e dinamizador da colectividade a que pertence. Oxalá todas fossem servidas de idêntica forma.
Infelizmente não poderei indicar-lhe o sítio da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 porque me parece inactivo. Mas sei que a sua banda actuará, dentro de dias, em Terrugem (Sintra). Lá estarei.

Por onde andava o(a) autor(a) da mensagem anónima quando escrevi isto há exactamente um ano?
Mantenho tudo o que então escrevi e continuo sem obter explicações para o facto de as nossas duas bandas darem concertos em vários pontos do país mas não termos direito a reciprocidade regular. Mais recentemente voltei a abordar o assunto aqui.