Mostrar mensagens com a etiqueta jardins. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta jardins. Mostrar todas as mensagens

02 setembro 2009

Desperdiçar óptimas ideias: alguns desafios



A julgar pelas imagens com planos fechados disponíveis aqui, os residentes alhearam-se totalmente de uma inspiradora iniciativa francesa há dias terminada em Alcochete sem honra nem glória, embora merecedora de amplo destaque e de um envolvimento humano que visivelmente não teve.

Dispondo apenas de informação municipal frouxa e recheada, como habitualmente, de autopromoção ao sistema mas menosprezando o lado social das coisas (erro primário de comunicação), eu próprio não me apercebi a tempo das características da iniciativa e da sua importância como fonte inspiradora para a comunidade local.
Só agora tive oportunidade de investigar o assunto em pormenor e fiquei espantado como pudemos ignorar e alhear-nos de uma coisa destas.
Mais espantado fiquei porque a ideia me parece inspiradora para inúmeras iniciativas locais similares, bem como para divulgação internacional das nossas tradições, História e cultura, recolhendo-se, em contrapartida, ideias, símbolos, experiências e conhecimentos úteis ao enriquecimento da coesão social e do património alcochetanos.

Entre 25 e 27 de Agosto estiveram em Alcochete vários membros da associação francesa «Jardin Nomade», sediada em Brest, que durante dois meses viajaram por Espanha e Portugal com a deliberada intenção de promover algo praticamente desconhecido na Península Ibérica mas muito divulgado em certas regiões europeias e norte-americanas: jardins e hortas partilhados – as famosas hortas sociais do arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, cujas ideias só serão reconhecidas quando desaparecer do nosso convívio. O habitual, de resto.
Sem prejuízo de uma leitura calma e ponderada deste documento-guia da iniciativa, bem como do blogue de «Jardin Nomade», adianto que, com o apoio da municipalidade de Brest, residentes nessa cidade (entre os quais há até alguns portugueses) criaram, na última década, 30 hortas e jardins partilhados.
Jardineiros, criadores inspirados, amantes do contacto com a Natureza, floricultores e simples curiosos juntam-se para alindar um espaço devoluto ou abandonado. Produzem e permutam produtos hortícolas, plantas ornamentais, árvores e flores.
O movimento começa a ser internacionalmente conhecido como «comunidades criativas» e aqui há mais exemplos inspiradores e interessantes.


Partindo do princípio que mais alguém se sentirá atraído por boas ideias, resta-me deixar alguns desafios:
1. Nos bairros deste concelho organizem-se grupos de criativos voluntários para alindar as abandonadas rotundas e outros inúmeros espaços mortos ou sem aproveitamento algum. Imponham aos autarcas a cedência de plantas e meios para a construção e manutenção desses espaços;
2. Dentro de um ano ou dois organize-se um grupo para ir a Brest retribuir a iniciativa pioneira de jardineiros-viajantes daquela cidade. Prepare-se um espaço nobre capaz de albergar as plantas recolhidas durante a viagem;
3. Exija-se aos envergonhados autarcas que, ao invés de ocultarem a horta nómada francesa no Sítio das Hortas, a mudem para qualquer local central numa das freguesias do concelho. Aquela horta é um acto cortês pioneiro e simbólico, tem poder evocativo e os símbolos não são para esconder;
4. Repare-se como é possível que localidades pequenas e mal conhecidas saltem para a comunicação social sem ser pelas piores razões. A inteligência distingue os seres humanos dos outros animais.


Nota - A imagem que ilustra este texto foi retirada do blogue de «Jardin Nomade», cuja hiperligação forneci acima.


P.S. - O blogue regional «A-Sul» transcreveu este texto, gentileza que agradeço ao(s) autor(es).

23 julho 2008

Não entendo (2)

Frequentemente, critico a carência de áreas de lazer no concelho. Nisso e em muitas outras não estou sozinho, felizmente.
Verde, sombra e espaço contribuem para o bem-estar geral mas têm sido ignorados por sucessivos autarcas, sempre armados de imensas e repetidas promessas em períodos eleitorais.
O problema é acordarem apenas na época da caça ao voto e, se perdem, imediatamente hibernam. Voltarão a despertar na época seguinte e assim sucessivamente.

Os vencedores aproveitam esse amolecimento para semear mais prédios a esmo, por ser urgente realizar dinheiro para alimentar a clientela palaciana.
Um dia, quando não houver mais espaço para promessas, seguramente aparecerá alguém a desculpar-se com as asneiras de quem passou pelo poder.

Entretanto, continua a ser inexistente um sítio adequado para a rapaziada do skate e dos patins se divertir sem prejudicar património individual e colectivo. Vejo dezenas de grelhas de águas pluviais, sistemas de rega e lancis destruídos devido ao uso desses brinquedos em inadequado meio urbano.
Numa época em que muito se recomenda algum exercício físico, continuam a não existir espaços seguros para ciclistas e caminheiros, excepto aquele quilómetro em Samouco.

Mas, tal como escrevi aqui há mais de quatro meses, também não entendo o que levará as pessoas a alhearem-se do Pinhal da Areia, situado atrás do outlet, uma área de 132.984m2 onde existe um circuito de manutenção.
Contudo, arrisco a escrever que até se justificará o desinteresse dos alcochetanos, porque nesse espaço há coisas que a razão desconhece.
Em primeiro lugar, tanto do lado do Sítio das Hortas como do parque de estacionamento do outlet, a sinalização continua a não ser adequada e a esmagadora maioria desconhece o circuito de manutenção.
Em segundo lugar, lê-se na página do outlet na Internet que, de Maio a 15 de Setembro, o Pinhal da Areia está aberto até às 20h.
Porém, quem ontem se abeirasse de um dos portões do Pinhal da Areia verificaria que, em papéis já quase invisíveis devido ao sol e à chuva, constava o encerramento... às 18h!
Como me recuso a crer que alguém tenha decidido mudar o horário sem pré-aviso, suponho que aqueles papéis são os de Inverno, que ninguém substituiu, a 1 de Maio passado, pelos correctos nesta época do ano.
Em terceiro lugar, por esse país fora conheço vários circuitos de manutenção e, normalmente, sugerem uma rota, tendo ainda junto a cada local de exercícios indicações acerca do que deve e não deve fazer-se. No Pinhal da Areia não há rumo recomendado nem sugestões visíveis.
Alguém que suponho conhecer minimamente o problema, dizia-me há tempos que o Sítio das Hortas e o Pinhal da Areia enfermam de grave lacuna: dependem de três entidades (Freeport, Município de Alcochete e Instituto de Conservação da Natureza). Qualquer coisa que se faça ali carece de pareceres de inúmeras mentes brilhantes. E mexer numa palha pode equivaler a agitar águas que nunca foram calmas.
Enfim, tenho pena, muita pena que aquilo não seja devidamente aproveitado pela maioria dos alcochetanos. Mas, além de apontar o que me parece errado, suponho que pouco mais poderei fazer.
Já agora, se e quando quiserem mais gente a usufruir do Pinhal da Areia, prolonguem o horário de Verão até às 21h. Há luz natural suficiente e, em dias muitos quentes, a experiência diz-me ser desagradável exercitar o físico ao ar livre antes das 20h00.

13 julho 2008

Remendos


1. Há pouco mais de dois anos, neste texto e com a imagem que ao lado reproduzo, chamava a atenção para brechas visíveis em canteiros do Largo Barão de Samora Correia e da Av. D. Manuel I, porque "mentes brilhantes" resolveram plantar neles palmeiras em vez de arbustos e flores.
Como, ao contrário dos canteiros, as palmeiras crescem e engrossam, o resultado estava à vista.

Só hoje reparei que, em canteiros da Av. D. Manuel I, ao invés de mandar retirar as palmeiras de locais impróprios, alguém decidiu remendar as brechas com cimento.
A coisa parece-me equivalente a aplicar uns fundilhos numas calças rotas, mas crise é crise e, assim, aquilo dá menos nas vistas.

2. O parque infantil do Rossio, reinaugurado na passada sexta-feira, está inacabado e desrespeita a legislação aplicável a este tipo de equipamentos. E se não retirarem depressa aquele "focinho" ao "touro", tenho como seguro que, mais dia, menos dia, haverá uma criança com a cabeça aberta.
Lá diz o ditado popular: "as porcas apressadas têm os filhos marrecos"!

3. Os sistemas de rega automáticos, existentes na maioria dos espaços públicos do concelho, permitem reduzir gastos com mão-de-obra e água. Certo? Errado, a menos que haja manutenção regular.
Na Rua Manuel Gomes da Mestra, na Alameda do Tejo e no Largo Marquês de Soydos notei existirem sistemas de rega a desperdiçar água.
Só eu reparo nisto? Não há manutenção preventiva?

09 julho 2008

Choupos ou tílias?


Mas afinal estas árvores são choupos ou tílias?

Alguém com estudos abalizados em Botânica terá a humildade de descer a este blog e deixar a informação pertinente?

Depois que uma das câmaras presidida pelo sr. Miguel Boieiro deliberou derrubar estas árvores e de recentemente o mesmo autarca, hoje presidente da Assembleia Municipal, ter feito a apologia da tília no Jornal de Alcochete, eu ficaria boquiaberto se fossem mesmo tílias as árvores que estavam na Avenida da Restauração antes das palmeiras que tristemente lá se vêem.
Clique sobre a imagem para ver melhor.

14 maio 2008

Importam-se de esclarecer?

Prefiro não comentar isto, que menciona Alcochete.
Mas tomei boa nota.

03 março 2008

Não entendo

Há quase um mês que muita gente leu isto ou algo parecido.
No meu texto chamava a atenção para novos espaços de lazer, o maior dos quais situado no Pinhal da Areia, a componente lúdica do outlet (mais informação aqui).

Pela primeira vez, na manhã deste domingo fui ao Pinhal da Areia. Apesar do tempo excelente, cruzei-me com... seis pessoas.
Sei que, por muitas razões, habitualmente os residentes trancam-se em casa e ignoram o que se passa em Alcochete.
Compreendo menos bem que suceda o mesmo em relação ao único espaço razoável para passear, andar de bicicleta e fazer exercício físico em família.
Desculpe-me, mas este alheamento não dá para entender!

06 fevereiro 2008

Uma reacção

Paulo Benito escreve o seguinte:

Partilhamos a mesma preocupação com o crescimento rápido de Alcochete.
O "desenvolvimento" resultante da nova ponte e aeroporto, é entendido como uma forma de desenvolvimento económico, esquecendo-se ou secundarizando outros aspectos fulcrais, tais como o desenvolvimento urbanístico e desenvolvimento social.
Existem alguns aspectos que não são facilmente mensuráveis, mas que efectivamente têm grande impacte na nossa qualidade de vida:
– Viver num local sem estacionamentos;
– O espaço rural em torno de Alcochete que vai desaparecendo gradualmente;
– Poucos espaços verdes dentro de Alcochete;
– Viver numa vila dormitório;
– Ter muitos vizinhos e não conhecer nenhum;
– Não sair de casa, com receio que a mesma seja assaltada;
– Ter receio de deixar os filhos brincar na rua;
– etc.
No meu ponto de vista, poderão ser definidas iniciativas para minorar alguns dos impactes:
– Volumetria máxima definida para construção;
– O licenciamento de construções condicionado pela existência de infra-estruturas:
– Estacionamento (x estacionamento/m2 construído),
– Estradas, acessos (Estudos de tráfego)
– Saneamento,
– Escolas,
– Saúde,
– Jardins (y m2 jardim/habitante),
– etc.);
– Proibição de deitar abaixo casas com mais de y anos em Alcochete, promovendo a recuperação em detrimento da construção, contribuindo assim para a manutenção do património arquitectónico local;
– Julgo que o actual executivo tem mantido um apoio às colectividades, factor de coesão local e de promoção da cultura. No entanto, no meu modesto ponto de vista, não estão definidos critérios objectivos para a atribuição de apoios;
– Sendo a construção civil factor de maior pressão sobre todos os intervenientes locais, faz sentido que o sítio [da câmara na Internet] tenha um espaço de consulta pública, onde sejam visíveis os pedidos de licenciamento e o seu correspondente suporte em termos de plano de ordenamento do território. Contribuindo assim para uma maior transparência;
– Faz sentido que o poder local se estruture numa lógica de processos, não de direcções, tornando mais eficaz todo o seu modelo de funcionamento. Sugere-se que suporte esta organização interna com base na norma ISO 9001:2000.

20 novembro 2007

Reciclar mais em Alcochete

Tenho para mim que quaisquer campanhas visando a reciclagem de resíduos domésticos alcançarão maior sucesso se os cidadãos em geral se aperceberem dos benefícios directos locais das mesmas.
Para isso é necessário que as entidades directa ou indirectamente envolvidas no processo – com destaque para o município – demonstrem canalizar para projectos específicos as receitas geradas.
Não me parece ser o caso desta campanha, a julgar pelas localidades dos beneficiários.
Descreio que a esmagadora maioria dos alcochetanos continuasse insensível ao fenómeno se lhe demonstrassem que, mercê da sua participação na reciclagem de embalagens, de papel e cartão, de vidro, de monos domésticos e de inertes da construção, o dinheiro daí resultante permitiu melhorar os parques infantis A, B e C, adquirir novas árvores plantadas nos locais X, Y e Z, etc., etc.
Também escrevera sobre isto em Março do ano passado. Não me arrependo e a sugestão mantém-se.

06 novembro 2007

Obstinados autarcas

Quem conheça interior e exteriormente a extensão do Centro de Saúde em Samouco concordará que as instalações são inadequadas e injustificáveis no Portugal do séc. XXI.
Mas daí a considerar condigno que, para satisfazer um compromisso político da actual maioria, o Município de Alcochete se substitua ao Estado no financiamento da construção de um edifício (provisório) tendo de contrair um empréstimo bancário de 333.700 euros (perto 70 mil contos em moeda antiga), vai uma razoável distância.
Em primeiro lugar, porque o problema de Samouco é semelhante ao de São Francisco, cuja extenão de saúde é igualmente péssima, acanhada e indigna de quem habita na freguesia. Mas apenas Samouco parece desagradar a esta maioria.
Em segundo lugar, porque a saúde é uma responsabilidade do Estado e não das autarquias. Logo, é o ministro da Saúde, a Administração Regional de Saúde e a Sub-Região de Saúde que devem ser pressionados, insistentemente, para apresentarem soluções para os dois problemas. Quanto a isso gostava de saber o que foi feito, pois não me recordo de o ver referido em parte alguma. Sei, todavia, que o Ministério da Saúde não executa qualquer obra nova no concelho há uma década. O Centro de Saúde de Alcochete foi inaugurado em Novembro de 1997.
Em terceiro lugar, porque o actual executivo municipal iniciou funções a queixar-se de uma mal explicada "pesada herança" e agora critica o Estado por ser mau pagador. Nisto parece ter razão, embora não se pressintam especiais preocupações no ministro das Finanças do Terreiro do Paço. Mas nem por isso estes autarcas evitam caprichos políticos e deixar aos vindouros novas responsabilidades financeiras de longo prazo.
Tenho para mim que, uma vez eleitos, aos inquilinos dos Paços do Concelho de Alcochete se pede uma visão correcta das prioridades da governação, considerando insensato agir por obstinação política. Ignora este executivo que o fórum cultural e a biblioteca pública são heranças de teimosia política, de cuja premência inúmeros cidadãos continuam a duvidar?
Vale isto por dizer que também questiono a realização de um empréstimo de 566.300 euros para a Zona Desportiva e de Lazer de Valbom (Alcochete), enquanto em São Francisco não há um único espaço verde digno desse nome, pouco falta para o Caminho Municipal 1002 ficar intransitável (excepto à porta das oficinas municipais), os habitantes de Pinhal do Concelho e Terroal continuam sem direito a saneamento básico e artérias asfaltadas e o Passil é o que facilmente percebe quem for a uma das colectividades do bairro.

23 fevereiro 2007

Números interessantes (2)


As imagens acima (click sobre elas para ver ampliação) demonstram a evolução da população residente em Alcochete, por grandes grupos de idades, em 1997 e 2004.
Quadro e gráfico evidenciam que os maiores aumentos populacionais se verificaram nos extremos, havendo hoje muito mais crianças (61,2%) e terceira idade (60,2%). É também significativo o aumento de 55,6% na população entre os 25 e os 64 anos.
Pelo contrário, na faixa etária dos 15 aos 24 anos a variação foi mínima (5%).


Se estes números fossem tidos em conta na definição de estratégias e no planeamento da acção municipal – porque os autarcas, como qualquer cidadão interessado, têm acesso a eles um ano depois no sítio do Instituto Nacional de Estatística – seriam notórias preocupações com o crescimento populacional nos grupos extremos, pelo menos.
Mas não houve acções tendentes a melhorar o bem-estar das crianças. Basta recordar o péssimo estado da maioria dos parques infantis (apenas o de São Francisco respeita as normas legais), a inexistência de um local amplo e aprazível para o lazer em família e a escassez de espaço e de condições nos estabelecimentos de ensino pré-primário e do 1.º ciclo.
Tal como não se vislumbram preocupações com os mais velhos, embora sejam também um grupo etário extremamente vulnerável e carente. Por isso são frequentadores assíduos dos centros de saúde, nem sempre por doença mas porque os médicos são os únicos que ainda lhes dedicam alguma atenção.
A propósito do acima mencionado local amplo e aprazível para o lazer em família, vem-me à memória que, há cerca três anos, tive na mão o plano de pormenor de um parque urbano a erguer, em Alcochete, numa área próxima dos três supermercados.
Viram por aí sinais da construção iminente desse parque?

Também li, há ano e meio, num programa eleitoral qualquer, esta promessa: "construir a 1ª fase do Parque-Jardim Municipal de Alcochete".
Recorda-se se a promessa era de quem ganhou as eleições?

Mexa-se, para bem da sua qualidade de vida!

05 dezembro 2006

Cultura da casca


Há dois anos gastaram-se mais de 76.000 euros na remodelação do Largo Unidos Venceremos, no Bairro 25 de Abril, em Alcochete. A obra foi acertada.
Três anos antes, eu apontara a frieza e desumanidade dessa artéria, situada no outrora denominado Bairro das Caixas de Previdência – entre a escola básica do Valbom e o Hotel Alfoz – definindo-a como exemplo negativo de espaços de recreio e lazer no concelho.

Finalmente, em 2004, a câmara deita mãos à obra e, no Outono, gastos mais de 15.000 contos, devolve à população um espaço supostamente mais humano e agradável... se a vegetação lhe emprestasse ambiente refrescante e acolhedor.
Gosto de acompanhar o evoluir de obras pagas com o meu dinheiro e o que observei agora está patente nas imagens acima.

Os canteiros são vergonhosos e neles é bem visível que a cultura da casca continua a prevalecer, em detrimento da do verde e das flores que noutros tempos era timbre dos espaços públicos alcochetanos.
Quanto às árvores, as que ainda não secaram estão em estado praticamente idêntico ao do dia da plantação, o que em nada abona a sua qualidade.
Chamar àquilo arranjo paisagístico é gozar com os residentes no largo. E até com os munícipes, em geral, porque todos pagaram uma obra inútil.

01 dezembro 2006

Índios e 'cowboys'


Na política local a realidade e a ficção estão a anos-luz.
Nos programas e nas campanhas eleitorais promete-se melhoria do bem-estar, desenvolvimento sustentado, uma sociedade mais justa e equilibrada, gestão participada e muito mais, mas a prática demonstra serem promessas vãs.

Passado o período da caça ao voto, uns metem a viola no saco, outros hibernam até à eleição seguinte e os do poder governam e governam-se com rédea solta.
Vem isto a propósito do chamado bairro da Coophabital, situado entre o quartel dos bombeiros, o centro de saúde, a piscina e o pavilhão gimnodesportivo de Alcochete.
O arquitecto que o concebeu teve o cuidado de humanizar o espaço, criando várias áreas de convívio e lazer.
Mas o que se observa – e as imagens acima evidenciam – é que, em cinco anos, pelo menos (um mandato autárquico inteiro e um ano após a chegada do sucessor), ninguém mexeu um dedo para remendar aquela vergonha.

A praça interior situada entre as ruas do Salineiro, da Cooperação, dos Fundadores e da Liberdade, onde existe um arrremedo de parque infantil, foi quase integralmente empedrada e transformada num dos espaços mais frios e desumanos do concelho, espelhando absoluto desprezo por miúdos e graúdos.
Conforme é patente nas três imagens superiores, a pouca vegetação existente nos canteiros foi, visivelmente, obra dos próprios moradores.

No bloco oposto, perto do qual existe um polidesportivo (repare nas duas imagens do meio), a situação é ainda pior: os canteiros estão abandonados e a erva cresce livremente. Talvez por isso, alguém resolveu escrever numa parede frase que possivelmente exprime a frustração destes munícipes.
As três imagens inferiores referem-se ao estado de outro espaço abandonado, situado no prolongamento das ruas Virgílio Martinho e dos Fundadores. Está assim há anos.
Quando reparo nestas coisas, percebo por que as pessoas votam os autarcas ao desprezo. Não merecem outra coisa, de facto.

13 setembro 2006

Acudam aos Barris


Os executivos camarários de Alcochete – este e o anterior – lidam mal com coisas banais, como sejam as zonas verdes, a pequena criminalidade e a conservação dos chamados espaços de utilização comum. O anterior pagou por isso na hora própria e, pelo que se viu até agora, este para lá caminha. Já não se aprende nada com erros alheios?
Admito haver escasso dinheiro para grandes obras, mas parece-me imperdoável que um município e os autarcas que o governam andem tão distraídos que não enxergam coisas erradas que um cidadão topa a cada esquina.
Hoje dou público testemunho do resultado das minhas deambulações pela urbanização dos Barris, situada em Alcochete, entre a escola secundária, as traseiras do quartel dos bombeiros e o depósito de água, a tal onde inúmeros prédios estão um nojo por causa da construção da pomposa variante.
E não creio que a chuva resolva esse problema, porque a poeira acumulou-se em camadas nos locais onde ela não entra. Alguém deveria limpar os edifícios.
Como escrevi em tempos, nomeadamente aqui, considero pequena criminalidade a recente onda de pintura de paredes em Alcochete.
Nos Barris pinta-se tudo, incluindo mármores e cantarias de frontarias e empenas de edifícios, superfícies porosas onde é muito difícil (às vezes mesmo impossível) remover tais inscrições.
Embora haja sinais visíveis de que alguns condomínios gastaram dinheiro a tentar remediar a situação, terá sido dispêndio inútil porque novas inscrições foram já sobrepostas.
É tempo de autarquias, polícia, escolas, pais e os cidadãos em geral fazerem alguma coisa para evitar males maiores.
Passando a questões da exclusiva responsabilidade municipal, alerto que a maioria dos espaços verdes dessa urbanização está mal cuidada. O calor não serve de desculpa, pois há ervas daninhas e recantos pura e simplesmente abandonados.
Inevitavelmente terei também de abordar a questão dos arbustos e do arvoredo, problema que subsiste desde o início da construção da urbanização.
Nunca vi aparar arbustos nos Barris, que crescem ao Deus dará, mas conheço espaços desse bairro onde, em três ou quatro anos, a autarquia já plantou três tipos distintos de árvores. Sempre sem sucesso, porque umas secam e outras não medram.
A realidade é que, ao fim de seis anos, a urbanização onde residem quase um milhar de pessoas continua sem uma única árvore capaz de dar sombra.
Muito mais preocupante, sobretudo por problemas recentes que abordei neste texto, é o caso das grelhas destruídas, empenadas ou desaparecidas e da péssima rede de drenagem de águas pluviais que elas protegem. Situam-se nas traseiras dos edifícios, junto às garagens, são demasiado frágeis e não suportam o vaivém constante de automóveis.
Tendo sido a câmara que autorizou e permitiu, na maioria dos casos há menos de cinco anos, a instalação de sistemas de escoamento visivelmente inadequados em caso de chuva torrencial – alguns até com erros clamorosos de concepção e construção, como demonstrei no texto acima citado – cabe-lhe corrigir as anomalias, tanto mais que tomou posse da urbanização há pouco mais de um ano.
De contrário, receio que ocorram mais inundações graves e incontroláveis e daí resultem sérios prejuízos para proprietários de garagens. E talvez até para a própria câmara, se alguém recorrer à justiça.
Repito o que escrevi mais acima: admito haver escasso dinheiro para grandes obras, mas parece-me imperdoável que um município e os autarcas que o governam andem distraídos e não reparem em pequenas coisas com maior relevância que os elefantes brancos, sobretudo porque se prendem com a qualidade de vida à beira da casa dos munícipes.
Deixo para o final uma observação ao conselho executivo e às associações de alunos e de pais da Escola Secundária de Alcochete. Que pena tenho em ver uma escola nova e bonita rodeada de canteiros ao abandono.

02 março 2006

Atenção aos eucaliptos (2)


Em continuação do texto anterior, aqui ficam imagens esclarecedoras sobre outros três eucaliptos que me parecem susceptíveis de causar problemas.

Atenção aos eucaliptos (reformulado)


Pelo terceiro dia continuo a chamar a atenção para problemas na área da Av.ª D. Manuel I, em Alcochete.
Hoje refiro uns eucaliptos altos que, num qualquer dia de vento forte, podem vir abaixo. É que nem sempre as árvores morrem de pé. Por vezes inclinam-se demasiado e tombam. Quando isto acontece podem causar danos. O porte destes velhos eucaliptos faz temer estragos apreciáveis. A câmara tem seguro contra todos os riscos?
Dos vários eucaliptos que separam a avenida do restaurante e do centro náutico Alfoz, uns quatro parecem-me em risco. Pelo menos o respectivo centro de gravidade está razoavelmente deslocado.
Nunca reparara que o de maior porte ocupa parte da faixa de circulação automóvel num parque de estacionamento muito frequentado, cujo piso está ondulado por causa das raízes.
Recordo-me que, há mais de um ano, o então vereador Miguel Boieiro chamara a atenção do executivo camarário para este caso, por lhe parecer tratar-se da árvore em pior estado (ver imagem exemplificativa).
Comungo desse ponto de vista e não descortino a justificação para este eucalipto continuar a desafiar a lei da gravidade. Até cair?
O melhor é cortar todos os eucaliptos e, se possível, vendê-los para fabricar pasta de papel. Assim nem tudo se perderá e evitam-se problemas resultantes de eventuais danos físicos e patrimoniais.
Substituam-nos por árvores ornamentais de maior interesse. Mas nunca por aquelas palmeiras pindéricas que por aí abundam.

01 março 2006

Palmeiras engrossam, canteiros rebentam

Há dois meses, neste texto, referi que no Largo Barão de Samora Correia há vários canteiros com brechas visíveis, porque lhes colocaram palmeiras.
Embora sejam árvores de crescimento lento, os canteiros não resistem à sua pressão e, mais dia, menos dia, a câmara terá de deitar mãos à obra.
Há meia dúzia de casos no antigo Rossio de Alcochete e aqui fica uma imagem elucidativa do problema.
Este canteiro, situado junto à Av.ª D. Manuel I, parece-me apresentar certo risco de desmoronamento, sobretudo se chover intensamente, porque metade está apenas apoiada no solo.
Será preferível mandar as palmeiras problemáticas para locais mais apropriados e substituí-las por árvores autóctones. Se eu mandasse, todas as palmeiras (excepto as reais) iriam para bem longe. Mas essa é outra história.
Já agora, recomendaria que se cuidasse melhor do espaço livre nestes e em todos os canteiros do concelho. Silves, por exemplo, pode servir como fonte de inspiração.

Amar Alcochete não se demonstra somente em palavras. São necessárias acções que materializem esse sentimento.
Algumas acções são tão simples que estranho a ausência de sinais de mudança para melhor.

30 dezembro 2005

Mais flores e respeito, por favor


Não é ilegal nem ilegítimo que, sob determinadas condições, os cidadãos alindem, conservem e vigiem canteiros, jardins e espaços públicos existentes nas respectivas zonas de residência. Não obstante o individualismo, o comodismo e o alheamento que caracteriza os portugueses em geral, só os verdadeiros interessados conseguirão fazer das áreas de recreio e lazer o que parece quase impossível exigir hoje às autarquias.
Para esse efeito há municípios que celebraram acordos com associações de moradores, mediante contrapartidas, fornecendo-lhes meios e algum apoio técnico. Lá fora há curiosas experiências de cooperação entre cidadãos e autarquias, de que poderá aperceber-se quem pesquisar ideias e sugestões na Internet.
Em Alcochete há dezenas de reformados que passam os dias roçando as calças em bancos e esquinas mas, com meios próprios ou a ajuda de uma instituição privada ou colectividade (talvez a Casa do Povo), provavelmente o município conseguiria cativar alguns para essa e outras missões úteis.

Alguma retribuição, tacto, paciência, compreensão e uma placa informativa, implantada em cada jardim, seriam merecidas recompensas a quem se disponha a esse trabalho individual ou colectivo.
Acredito que, pelo menos, os mais velhos se recordam dos lindos canteiros que, há 30 ou 40 anos, faziam de Alcochete uma vila invulgarmente florida. A imagem acima mostra como se apresentava, na década de 60, o canteiro que rodeia o busto do Barão de Samora Correia.
Hoje, de uma ponta à outra do concelho, as flores rareiam e os canteiros estão pouco menos que abandonados. Resistem uns arbustos desprezíveis e, claro, a milagrosa casca de pinheiro contra as ervas daninhas.
No Largo Barão de Samora Correia (Rossio) há vários canteiros com brechas visíveis, porque alguém resolveu preenchê-los com as inefáveis palmeiras, a árvore municipal de excelência. São feias e baratas, mas óptimas porque exigem manutenção quase nula. Não servem nem aos pássaros, da sua sombra até os gatos fogem e a inutilidade ornamental é óbvia. E como as palmeiras cresceram mas os canteiros não, pouco falta para a câmara ter de deitar mãos à obra.
Creio que alguns reformados conseguirão fazer mais e melhor, gastando a autarquia muito menos. Quanto aos jardineiros municipais, dêem-lhes formação e missões melhor remuneradas.
Por falar em flores: o município tem ou não um viveiro de plantas? Confesso que nunca vi ou li nada sobre o assunto. Estará fora das possibilidades orçamentais da câmara oferecer, nomeadamente aos residentes nas zonas históricas de Alcochete e Samouco, suportes e vasos de flores para as respectivas janelas e portas de entrada? Não é isso que se observa, por esse mundo fora, nas zonas históricas?
A propósito de missões úteis para reformados: por saber que muitos homens idosos e esquecidos – que vagueiam nas imediações dos Paços do Concelho, do Museu de Arte Sacra e do jardim do Rossio, em Alcochete; da Praça da República e do Largo Dias Coelho, em Samouco; além do Largo 1.º de Maio e imediações, em São Francisco – acabam por recorrer, desnecessariamente, ao Centro de Saúde, em busca de remédio para chagas sociais cuja terapia adequada é readquirir o gosto pela vida e o prazer de ser útil a si próprio e aos outros, cura que os centros de dia para reformados estão longe de oferecer e a maioria considera até abomináveis, pergunto se não seria preferível alguém da autarquia conversar com esses homens e ver até que ponto ela própria poderia aproveitar os seus conhecimentos, aptidões e habilidades.
Um exemplo mínimo do muito que há a fazer, porquanto os médicos raramente conseguem milagres: em artérias muito movimentadas do município da Amadora, nas passagens de peões situadas junto às escolas, são reformados que regulam o tráfego e os atravessamentos. Envergando um colete retroreflector e segurando uma raqueta com duas faces (verde e vermelha com sinal de "stop"), há anos que fazem esse trabalho, têm evitado acidentes e salvo algumas vidas.
Quantos não haverá por aí capazes de fazer muito mais por nós?