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23 fevereiro 2009

Sociocultura e desporto em grande

Justificar-se-á tão elevada despesa municipal em actividades socioculturais e de desporto em Alcochete?
Estatísticas de 2006 – último ano de que existem dados – indicam que as despesas totais da Câmara Municipal em actividades culturais e de desporto excederam 1,3 milhões de euros, o que dá a bonita média de 86,3€ por habitante.
Tal despesa local foi superior em 13,8% à média nacional e representa quase o dobro da média na Grande Lisboa e na Península de Setúbal.
Nesse ano – primeiro do mandato que expirará dentro de oito meses – o Município de Alcochete foi o que mais gastou por habitante, elevando-se a muito mais do dobro da Moita e quase duplicando as despesas dos municípios de Almada, do Barreiro e do Seixal. Comparáveis com Alcochete surgem apenas as despesas em cultura e desporto de Palmela (78,2€/habitante) e Sesimbra (81€/habitante).
Decompondo essas despesas locais de 2006, temos 189.000€ gastos em património (dos quais 146.000€ em museus), 137.000€ em bibliotecas, 68.000€ em música, 13.000€ em artes cénicas, 303.000€ em actividades socioculturais e 379.000€ em jogos e desportos.
Infelizmente, há muitos anos que, nem o município nem as estatísticas oficiais, nos fornecem outra informação relevante: a frequência da Biblioteca Pública e o número total de espectadores em actividades de cultura e desporto.
Valerá ainda a pena comparar as despesas de 2006 em actividades culturais e de desporto com as de alguns anos precedentes em Alcochete:

Acho curioso recordar que os orçamentos de 2002 a 2005 correspondem a um executivo PS e nos restantes anos a executivos da CDU.

12 fevereiro 2008

Quando o poder fica mal no retrato (3)

Em 2006 a densidade populacional de Alcochete era de 126,2 habitantes/Km2 – pouco acima de Montijo e ligeiramente abaixo de Palmela – estimando a estatística oficial que a taxa de crescimento efectivo da população, relativamente ao ano anterior, tenha sido de 4,06% (apenas Sesimbra nos ultrapassou).
A este ritmo e sem soluções à vista em inúmeras áreas sociais relevantes, Alcochete corre o risco de se transformar em zoo humano dentro de um lustro.

Em 2006 houve 64 matrimónios, 34,8% dos quais católicos. Foi superior o número de casamentos dissolvidos (92), sendo 45 por morte de um dos cônjuges e 47 por divórcio.


Estrangeiros residentes no concelho eram raros, representando 0,64% da população (103 pessoas). Mas as coisas podem estar a mudar: nesse ano, 99 estrangeiros solicitaram estatuto de residentes no município (dos quais 61 homens).

Por grupos etários, os residentes dividiam-se do seguinte modo:
0-14 anos - 2690
15-24 anos - 1731
25-64 anos - 9036
65-74 anos - 2737
75 e mais anos - 1153
Em 2006 registaram-se 237 cidadãos nados-vivos, dos quais 73 fora do casamento. Destes, 52 coabitam com os pais. Houve 136 óbitos e somente 3 de crianças com menos de um ano.

Passando aos indicadores de cultura, o Município de Alcochete gastou 70,5€ por habitante, representando estas despesas 8,4% das registadas no ano. No conjunto dos nove municípios da Península de Setúbal foi a quinta despesa mais elevada.
Dos 1075 milhares de euros aplicados em despesas correntes de cultura e desporto, 165 milhares foram com o património (museus), 102 milhares em bibliotecas, 124 milhares em música, 10 milhares em artes cénicas, 232 milhares em actividades socio-culturais e 322 milhares em jogos e desportos.
As despesas de cultura e desporto parecem-me excessivas, tanto mais que metade foram aplicadas nas duas últimas rubricas.
Como também me parece muito estranho que a afluência de visitantes a museus municipais seja classificada como informação confidencial e, portanto, desconhecida da generalidade dos cidadãos. Justificação desconheço, mas seria bom averiguá-la.


Na saúde pública, em 2005, existiam em Alcochete nove médicos, 15 enfermeiros e 29 funcionários administrativos. Por milhar de habitantes, as médias eram de 1,4 enfermeiros e 1,5 médicos. Entre os nove municípios da Península de Setúbal, Alcochete era o quinto com menor número de profissionais de enfermagem e o quarto pior servido de médicos. Realizaram-se 27.934 consultas e, em média, cada habitante foi ao médico 1,8 vezes nesse ano.
Parece-me curioso salientar, ainda, que residiam então no concelho de Alcochete 23 médicos, sendo 10 não especialistas.
Quanto a mortalidade média por milhar de habitantes, 3,2 pessoas faleceram por doenças do aparelho circulatório, 2,2 por tumores malignos e 1,1 por doença de declaração obrigatória.

(continua)

10 janeiro 2007

Regulamento do museu municipal

Começa hoje a contar o prazo de 30 dias para a recepção de comentários a uma proposta de alteração do regulamento do Museu Municipal de Alcochete.
Já anteriormente escrevi aqui e aqui sobre o assunto e reafirmo que me preocupa mais a escassa dimensão do núcleo-sede do Museu Municipal que o regulamento.
Talvez os especialistas tenham outra opinião e oxalá façam chegar os seus comentários oportunos ao município.

07 novembro 2006

Alteração do regulamento do museu

Está aqui – ver pág. 10 de suplemento publicado com o «Diário da República» de hoje – a proposta de regulamento do Museu Municipal de Alcochete, que o município submete a discussão pública durante 30 dias.
Peço a algum(a) especialista que me faça chegar os comentários devidos, porque as minhas questões não são regulamentares mas de outra índole.
Por exemplo, acho que o chamado núcleo sede do museu municipal é pequeno e pobre demais para a grandeza deste concelho.
Estarei equivocado ou, até há poucos anos, os residentes tinham acesso gratuito aos museus municipais?

08 agosto 2006

A pérola náutica e o museu


O município de Alcochete é proprietário da embarcação tradicional «Alcatejo», cuja conservação em condições de navegabilidade custa muito dinheiro aos contribuintes.
Os últimos dados conhecidos são de 2004 e referem a despesa total de 23.209,76€ (cerca de 4.600 contos) só em manutenção e conservação, tendo o número de viagens e de passageiros transportados diminuído drasticamente desde 2001.
Gostaria de poder continuar a rever a «Alcatejo» de velas enfunadas e com passageiros, entre Vila Franca e o Parque das Nações ou do Barreiro ao rio das Enguias. Mas se os amigos a abandonaram e carece de atractividade turística, de características para exploração rentável e de condições para ser mantida a sua navegabilidade, ponha-se definitivamente a seco e ao abrigo do sol e da humidade.
Parece-me um bom início não para o prometido mas nunca concretizado museu de barcos, mas para um novo museu municipal com uma ou mais salas dedicadas a actividades ligadas ao rio.
Arrisco uma sugestão: se no fórum cultural a única área regularmente útil é o auditório, talvez fosse de encarar a transferência do chamado núcleo-sede do museu municipal para as inúmeras salas devolutas. O espaço parece-me bem mais amplo que no edifício da Rua Ciprião de Figueiredo, seria melhor aproveitado e talvez rentabilizado.
Pelo menos quando houvesse espectáculos, alcochetanos e forasteiros teriam a oportunidade de conhecer ou de rever o museu, coisa que poucos terão feito alguma vez dado que, por exemplo, em 2004 a média diária de visitantes não chegou à meia dúzia.
O museu municipal tem de levar uma grande volta, por ser demasiado acanhado. Por um lado, porque muita coisa relevante do património não está à vista. Por outro, porque urge pedir aos alcochetanos detentores de coisas valiosas que as mostrem ao menos uma vez.
Essa exposição temporária poderia ter coincidido com a abertura do fórum cultural, mas ninguém pensou nela ou não conseguiu concretizá-la?