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12 março 2012

Reorganização Administrativa Territorial Autárquica : Considerações e Perspectivas


O Poder Local num País em Mudança


Reorganização Administrativa Territorial Autárquica : Considerações e Perspectivas

Na sequência do Documento Verde da Reforma do Poder Local, cuja discussão pública se iniciou no decurso do último trimestre do ano transacto, foi recentemente aprovada, em Conselho de Ministros, a Proposta de Lei nº 44/XII relativa à Reorganização Administrativa Territorial Autárquica. Este diploma segue o seu normal percurso legislativo de acordo com um calendário previamente definido, devendo ser publicado em meados do corrente ano por forma a estar em vigor já em 2013.
Neste contexto, tudo indica que irá descer de novo às Assembleias Municipais e, por conseguinte, ainda irá fazer correr “muita tinta” antes de ser posto em execução. Nomeadamente nos Municípios onde vão ocorrer agregação de Freguesias e, eventualmente, de Concelhos.
Assim, perante a importãncia do tema, regresso de novo a ele nas páginas do “Alcaxete”, um veículo de comunicação que paulatinamente vem assumindo cada vez maior protagonismo e influência na defesa da “vida pública” no Concelho. No entanto, vou apenas cingir-me sobre alguns dos seus tópicos embora o mesmo justifique uma abordagem muito mais detalhada para a qual o espaço é aqui diminuto.


A reorganização administrativa do território reveste-se de especial significado face aos ganhos de eficiência e de escala resultantes da racionalização do número de Freguesias. Decrescem encargos e reduz-se a despesa pública.
Nesse sentido, assume relevância a agregação de Freguesias nas grandes cidades e nos demais Municípios de nível I, onde muita gente certamente nem se vai aperceber que ela irá acontecer. Como, de resto, se viu em Lisboa onde o processo decorreu com o sucesso que se conhece.
Para as novas Freguesias “um mundo novo” se abre. Porque, com a presente reforma, ficam mais protegidas relativamente ao seu passado e, a partir de agora, dotadas de uma maior autonomia administrativa e financeira. Com mais recursos disponíveis, com maior capacidade de intervenção e competências próprias mais extensas (as quais podem até abranger a possibilidade de licenciar actividades económicas).
Também se prevê, inclusivé, que seja constituído um novo orgão, denominado “Conselho de Freguesia”, o qual se destina a funcionar junto das novas Assembleias de Freguesias e cuja função base será a de desenvolver actividades de cidadania e de proximidade junto das comunidades agregadas. Gratuitamente, sem qualquer retribuição e sem o pagamento de senhas de presença aos seus membros. Inegavelmente uma grande inovação face ao figurino que caracteriza as Freguesias actuais.
De dizer também que está prevista, no diploma acima citado, a majoração de 15% do Fundo de Participação das Freguesias, a atribuir até ao final do mandato aquelas que voluntariamente se queiram agregar. Neste processo de fusão, ficam salvaguardados, como é evidente, os serviços públicos prestados à população, a coesão territorial e a identidade histórica, cultural e social das comunidades locais. Não será como demagogicamente muitos por aí vão dizendo.
Relativamente a Alcochete, importa realçar a importãncia e o alcance da norma contida no artigo 15º do projecto em apreço. Torna-se agora possível equacionar, ao abrigo da Lei, a redefinição da circunscrição territorial do Concelho e respectivas Freguesias.
Atente-se no caso da Freguesia de Alcochete. Esta possui 92% do território do Concelho e as duas restantes apenas cerca de 4% cada. Não se verifica aqui um claro fenómeno de subalternização que poderia ser ultrapassado?...
Por outro lado, já nestas páginas muito se escreveu sobre as desconformidades dos limites territoriais dos lugares urbanos do Samouco e Fonte da Senhora, cujos aglomerados se encontram “cortados ao meio” por uma divisória administrativa que não faz sentido algum. Que leva, por exemplo, no caso do Samouco, a que uma parte do lugar urbano esteja servida por rede de saneamento e a outra não a tenha.
A linha de contiguidade que separa os concelhos de Alcochete e Montijo, dividindo os aglomerados de Samouco e Fonte da Senhora, está manifestamente errada. Que é preciso dizer mais para que a regularização dos limites destes dois lugares urbanos comece a ser pensada e devidamente ponderada?...
Com este diploma surge assim uma oportunidade para levar avante tal tarefa. Uma decisiva janela de oportunidade para aproveitar tão importante ocasião. A fim de promover um processo de reforma no perímetro territorial em ambos os Concelhos.
Aos autarcas do Concelho de Alcochete peço apenas que ouçam as populações do Samouco e da Fonte da Senhora. E que o diálogo com os seus homólogos do Concelho vizinho do Montijo se possa realizar.
Oxalá que a “razão prevaleça sobre a posição partidária”...


Uma outra reflexão é pertinente trazer aqui à colação no âmbito da reforma do Poder Local. Que tem a ver com o reforço da Democracia Local.
De acordo com a arquitectura político-constitucional vigente, o Governo da República, os Governos Regionais e os executivos das Juntas de Freguesia emergem das Assembleias que se formam após as respectivas eleições. Por seu turno, os executivos das Câmaras Municipais, situados num patamar intermédio da Administração Pública, são eleitos directamente em listas próprias apresentadas a sufrágio. Ora, este duplo modelo de constituição de executivos na esfera do Poder Local faz pouco sentido hoje em dia. Até porque, a formação de vereações com constituição plural conduz, em muitos casos, a desnecessários impasses na área da acção governativa. Pela sua própria natureza, os executivos são para trabalhar e não para dirimir querelas políticas, muitas delas estéreis. Por isso, a instituição de executivos homogéneos, saídos dos eleitos para as Assembleias Municipais, afigura-se como a melhor solução para a liderança nas Câmaras. Onde, no cumprimento das normais actividades, “se deve falar a uma só voz”.
Contudo, o controlo democrático, a pluralidade e a representatividade política devem continuar sediados nas Assembleia Municipais, ficando o debate e discussão política reservada aos fóruns de intervenção deste orgão. Cabendo-lhe ainda a missão de escrutinar e acompanhar o desempenho dos executivos.
De resto, se observarmos com atenção a nossa realidade local, vemos bem que a oposição, presente na vereação, em minoria, pouca importância tem e a sua influência na acção executiva é praticamente nula. Ao invés, se o conjunto dos vereadores da oposição fosse maioritário poderiam surgir problemas de governabilidade...o que também não é bom.
Em suma, torna-se evidente a necessidade de modificar este “estado de coisas”. A Democracia Local sairá fortalecida com a revisão da Lei Eleitoral Autárquica, também prevista para breve. A alteração ao modelo de eleição dos orgãos autárquicos, a constituição de executivos homogéneos e o reforço de competências das Assembleias Municipais, a par da redução dos autarcas e dirigentes municipais, são os pontos essenciais da mudança que neste domínio se pretende implementar. No fundo, o objectivo é evitar uma excessiva “politização” na acção do executivo, com os consequentes ganhos em estabilidade e eficácia no funcionamento das estruturas municipais.


Uma palavra ainda para a tão indispensável redefinição no modelo de gestão e financiamento do Poder Local.
É notório e evidente que quase todas as autarquias estão a gastar demasiado. No entanto, umas mais que outras. No caso de Alcochete está-se a gastar ou gastou-se exageradamente.
O endividamento é assustador e compromete o futuro de muitas autarquias. Deficiências na acção governativa e opções políticas erradas estão na génese do problema e asfixiam as normais actividades das Câmaras. Se nada fosse feito, muitas passariam a “vegetar” por muitos e bons anos, tão descapitalizadas e sem recursos se encontram. Cortar com o despesismo inútil, racionalizar e dar escala aos serviços constitui uma prioridade, adoptando para o efeito um novo paradigma de gestão que valorize a eficiência e seja capaz de modificar a situação.
Neste momento, está em causa a prestação do serviço público em várias áreas de intervenção dos Municípios e até a própria carreira e estabilidade profissional dos trabalhadores da Administração Local não se encontra garantida, muito por força duma política insustentável de acesso ao emprego público que a maioria das edilidades se habituaram descuidadamente a executar (veja-se, por exemplo, a comparação entre Alcochete e Portalegre, capital de distrito. Portalegre tem igual número de trabalhadores embora muito mais área e habitantes, além de possuir um maior número de aglomerados urbanos dispersos).
Surge assim a necessidade do aprofundamento da legitimidade e de valorização das competências das Comunidades Intermunicipais e das Áreas Metropolitanas na base NUT III (provavelmente o embrião das propaladas Regiões Administrativas). Um novo modelo que se fundamenta numa lógica de renovação das antigas fórmulas de funcionamento das autarquias, susceptível de gerar mais economia de escala e maiores ganhos de produtividade. Tudo na perspectiva de dar esperança e futuro ao Poder Local, hoje em ruptura.
Acresce ainda dizer que, no imediato, em matéria de financiamento, o Governo tenciona implementar a chamada “Lei dos Compromissos”, passando desta forma a impedir que todo o Estado, autarquias incluídas, continue a assumir despesa corrente que não possam liquidar no curto prazo. Havendo, a partir de agora, responsabilidade civil e criminal para os infractores. Impossibilitando o contínuo endividamento com a aquisição de bens e serviços (em Alcochete a dívida a curto prazo atinge já o montante de 5,5 milhões de euros e os pagamentos a alguns fornecedores dilatam-se por mais de um ano. Excluindo a dívida a médio e longo prazo de montante sensivelmente igual).
Encontra-se também em curso a actualização dos valores patrimoniais do edificado urbano, o que vai permitir um substancial acréscimo de receita no IMI a transferir para as Autarquias.
Estas medidas, a par da redução dos encargos salariais em 2012/13, certamente que as vai aliviar do estrangulamento financeiro em que se encontram. Um balão de oxigénio que em Alcochete será muito bem recebido.
Em alguns casos, o descalabro é de tal ordem que já se fala em pedir assistência financeira. Num pedido de resgate financeiro. O que significa o descrédito na gestão e independência financeira do Poder Local. Daí a maior envolvência das Comunidades Intermunicipais, transferindo-se para estas algumas das responsabilidades até agora cometidas ao Poder Local.
Encontra-se prevista ainda a possibilidade dos Municípios, em determinadas circunstâncias, acederem a mais 15% do Fundo de Garantia Municipal durante quatro anos consecutivos, sendo-lhes atribuído igualmente tratamento preferencial no acesso a linhas de crédito e apoio nos domínios da inovação e coesão social. Libertando-os dos constrangimentos actuais e dando-lhes uma maior capacidade financeira. Uma solução que muito pode vir a beneficiar algumas regiões do território nacional...


Por último, importa sublinhar que a Reorganização Territorial, plasmada na citada proposta de Lei nª 44/XII, traduz uma mensagem muito clara quanto à necessidade da adopção de um novo modelo de ordenamento do território e vem num momento crucial face às dificuldades que o País atravessa. Esta reforma e outras igualmente em curso ( Lei do Arrendamento Urbano, Lei Laboral, Lei do Novo Mapa Judiciário, Privatizações, etc) constituem um conjunto de instrumentos com inegável importãncia para a modernização do País. Nada fazer seria altamente lesivo do interesse das populações e dos Municípios.
No caso específico da nossa autarquia, julgo que a força política dominante não se pode sobrepôr aos interesses da Vila de Alcochete e das suas Freguesias. Actuando com a mera preocupação de se perpetuarem no poder, tudo vão rejeitando e hostilizando numa clara manifestação de lamentável autismo. Usando um discurso oficial e uma política de comunicação que afasta interlocutores, não alavanca a economia local nem atrai novos investimentos para o Concelho. Basta uma simples observação para se perceber desde logo que o risco e a iniciativa privada não são bemvindos, o que significa menos desenvolvimento, mais empobrecimento e aumento do desemprego.
Nesta perspectiva, erradicar a política “do mandar abaixo tudo o que vem do governo e da oposição” é uma tarefa que a todos deve mobilizar. Espero, porém, que, pelo menos, exista o bom senso de olhar este diploma como uma oportunidade única para corrigir as assimetrias dos actuais limites territoriais do Concelho e Freguesias.
A Reestruturação do SEL, hoje quase falido, a Reorganização do Território, a Redefinição do Modelo de Gestão Municipal, Intermunicipal e do seu Financiamento e, ainda, o Reforço da Democracia Local são os quatro pilares estratégicos para que uma a verdadeira Reforma do Poder Local seja levada por diante. Assim, para já, em sede de ordenamento territorial, Alcochete deve ponderar realisticamente a oportunidade histórica que este diploma contém.
É que se torna realmente confrangedor ver o Município de Alcochete continuar a evoluir nesta indesejada continuidade, desaproveitando os ventos da mudança ...


João Manuel Pinho

31 agosto 2009

Boa memória (2)

Escrevi isto a 28 de Novembro de 2005 – 28 dias após a instalação do novo executivo municipal – e ainda hoje espero resposta.
O apoio popular é a base do poder e esse apoio só se mantém se houver diálogo com os cidadãos. O poder é por definição solitário, mas não pode nem deve afastar-se dos eleitores.
O apoio popular é o capital mais importante do governante, mas só se mantém se houver comunicação e diálogo permanentes com os cidadãos.
Ao longo do mandato não houve diálogo – nem oposição que o exigisse – mas apenas propaganda.

24 agosto 2009

Discussão dos programas políticos

A natureza humana é fascinante.
Não pondo em causa a gravidade que é dois candidatos políticos andarem à pancada, verifica-se que o discurso político se centra nesse acto isolado (espero eu).
Deixou-se de se debater ideias/projectos. Afinal onde vamos votar? No partido que alberga candidatos com punhos fortes ou no partido que apresenta um projecto de desenvolvimento credível?
Parece que nos estamos a afastar do essencial, ou será que não há projectos/programas a partilhar e a discutir?

23 agosto 2009

Reflexão política

Ainda não li em lado nenhum, uma explicação ou interpretação sobre uma questão tão visível nas listas da CDU. Como tal, expresso algumas reflexões para quem saiba e/ou tenha a coragem de explicar aos eleitores: por que razão um tradicional elemento na Vereação da CDU e actual número dois na Câmara Municipal é "chutado" para nº 2 da Assembleia Municipal? E vou ainda mais longe, como se compreende ter sido substituído pelo actual nº 4, José Luis Alfélua. Outra situação percebo e deriva da Lei das quotas relegar para nº 4 o actual nº 3, Paulo Machado.
Mas, o que deveria ser explicado aos eleitores com clareza e transparência é a exclusão na lista de candidatos a vereador do actual nº 2.
Não venham com a história da renovação, porque então não apresentavam o "velho dinossauro" Álvaro Costa na lista de candidatos a vereador.
Será que algo se relaciona com a boa ou má gestão das obras que estiveram sobre a sua responsabilidade durante este mandato.
Há outros ruídos que afirmam que se o António Luís tivesse sido Vereador executivo no anterior mandato de maioria socialista não destoava nada nos pontos de contacto.
Qual o fundamento de todas estas reflexões?
E o que dirão os responsáveis políticos de outras candidaturas que continuam a gerir o silêncio total?

07 agosto 2009

Leitura recomendada

Aceita uma sugestão para leitura oportuna a propósito dos tempos que se avizinham?
Então leia isto – «Quem amansa os patos bravos?», assinado pelo ex-vereador municipal nortenho Paulo Morais, no JN – e confronte os candidatos locais com esse sério problema territorial, ambiental, moral e político.

29 junho 2009

Os porquês…

Fernando Pinto pede-me a publicação do seguinte texto de sua autoria. Aproveito a oportunidade para – agora publicamente – renovar um convite já antigo: inscreva-se como autor deste blogue!

Acompanho diariamente o que se escreve neste blogue, e faço-o porque os intervenientes do mesmo me merecem consideração e tenho-os como pessoas credíveis, idóneas e respeitadoras desta vila que as viu nascer ou que pelos mais diversos motivos as acolheu.
Não concordo com tudo o que se escreve mas ao abrigo da democracia instalada no nosso País, sempre que julgo oportuno ou tenho maior disponibilidade elaboro algum comentário sobre o tema ou temas em discussão.
Virão dias em que terei naturalmente maior disponibilidade para comentar este ou outro tema, ou inclusive formalizar alguma ideia ou projecto no entanto por ora questiono-me a mim mesmo… Porquê???

Porque é que nunca mais ninguém aqui abordou a questão do valor a atribuir à Cercima na sequência dos ingressos pagos na Feira de Alcochete??

Porque é que na página oficial da nossa edilidade se comenta que apesar das dificuldades financeiras, a Câmara Municipal atribuiu a semana passada ao Aposento do Barrete Verde um subsídio no valor de 45 mil euros?? Porquê, quando se gastou uma verba quase idêntica na Feira de Alcochete e nessa altura não se falou em dificuldades financeiras??

Porque é que sinto que cada vez mais os nossos políticos locais actualmente no poder teimam em fazer da população uns autênticos ingénuos, atribuindo ao governo as responsabilidades das enormes lacunas deste mandato??

Porque é que sinto que em prol da nossa terra e das pessoas que aqui vivem se podia ter feito mais e melhor nestes últimos quatro anos??

Porquê???

Fernando Pinto é o autor deste texto.

10 abril 2009

É evidente, sr. Presidente...

É evidente, sr. Presidente, que "a Liberdade e a Democracia" são valores de qualquer "regime político".
O político entra em sentido por oposição ao despótico.
Ora no regime despótico, como o é o comunismo, não tem lugar a liberdade nem a democracia.
Claro, o que as pessoas querem é a liberdade e a democracia, razão por que o sr. Presidente mistura a verdade com a mentira para esta avançar à custa daquela. Este é o procedimento típico dos comunistas desde Lenine ao serviço da velada revolução.
Seguindo a nota presidencial que abre o desdobrável n.º 14 da Câmara Municipal. Desde quando é que o comunismo se preocupa com o "destino individual", se este só se cumpre em liberdade? Sob a sapata do regime comunista, o indivíduo conta alguma coisa? Mas, estranhamente, o sr. Presidente, mais uma vez, mistura o que, como a água e o azeite, não pode ser misturado, ainda que muito se mexa, referindo-se ao «...nosso destino individual e colectivo». Será que o sr Presidente não respeita a inteligência dos munícipes? Medirá todos pela mesma bitola? Olhe que a tola de alguns foi um pouco mais além do que, à partida, era suposto ir. Não acredita? Então veja.
Se a Câmara de Alcochete é comunista, qual a credibilidade do Presidente dessa Câmara para se referir ao "Poder Local Democrático"? sic. Desde quando é que o comunismo respeita a democracia? Respeitou-a Estaline com mais de 20.000.000 (vinte milhões) de mortos? Respeitou-a Mao com mais de 70.000.000 (setenta milhões) de mortos? Respeitou-a Pol-Pot com mais de 2.000.000 (dois milhões) de mortos? E quantos cubanos matou Fidel Castro? Quem viver verá.
Sr. Presidente, o respeito pela democracia é o respeito pela minoria, isto é, o respeito por todo aquele que quer viver a seu jeito. O que é para mim viver a meu jeito? É estar-me nas tintas para as patranhas do ambientalismo (creio que o seu crescimento e/ou desenvolvimento sustentado), fumar à vontade o meu charuto, comer o pão que os meus avós comeram, etc. Vive sobretudo a seu jeito, sr. Presidente, todo aquele que tem a coragem de pensar diferente. Ora o comunismo, pela sua estrutura ideológica mais intrínseca, não pode tolerar a diferença e menos acolhê-la.
Logo a seguir na sua nota de abertura, escreve o sr. Presidente: «mas, em Abril, é também oportunidade de luta, de evolução, de crescimento sustentado e de desafio. E estes são, com certeza, os epítetos destinados ao concelho de Alcochete». Sr. Presidente, "luta", "evolução", "crescimento" e "desafio" são substantivos e não epítetos, esta uma palavra de origem grega cujo único significado é adjectivo.
Oiça, sr. Presidente, é o Marafuga que lhe diz, você não é um homem preparado para o cargo que ocupa. A crise que vivemos vai fazer sofrer milhões de pessoas por todo o mundo, mas também homens como você serão definitivamente arredados do poder.
Não vou continuar a analisar o seu texto pobrezinho porque escrúpulos de cristão começam a interferir comigo. Passe uma boa Páscoa, sr. Presidente, e saiba que Cristo, o Verbo Divino, a Estrutura da Realidade, é a ressurreição permanente.

24 março 2009

Pensar não causa calvície (2)

Uma vez mais estou grato a Luís Proença por me ter citado no seu blogue, a propósito de um comentário introduzido num texto de que também sou autor.
Devo clarificar ser meu entendimento que, independentemente do partido, qualquer maioria política comum na câmara e na assembleia municipal tenderá a ser acrítica.
Se bem me lembro, a única excepção ocorreu no final do mandato de 1997/2001, quando o caso da Indústria de Desmilitarização e Defesa (IDD) colocou o então presidente da Assembleia Municipal em rota de colisão com a maioria na câmara. Algo semelhante esteve iminente no final do mandato seguinte, mas as desavenças acabariam por não atingir o extremo antes das eleições.
Localmente tem sido prejudicial ao equilíbrio de poderes, à transparência e à democracia que o órgão deliberativo e fiscalizador Assembleia Municipal seja condicionado pelos executivos camarários. Urge devolver dignidade, autonomia política, capacidade de intervenção e visibilidade ao parlamento municipal de Alcochete.
Na câmara há sete vereadores (mas apenas quatro com funções executivas). A assembleia é composta por 24 deputados municipais, sendo 21 eleitos directamente e três por inerência (presidentes das juntas de freguesia).
Numérica e politicamente qual o órgão mais representativo dos cidadãos, onde chegaram a sentar-se eleitos de quatro partidos?
O poder assenta em quatro pessoas (há nisto alguma benevolência minha, porque o poder chegou a ser unipessoal) e às restantes reserva-se papel pouco mais que decorativo?

Continuo a pensar que o legislador entendeu a assembleia municipal como o órgão mais representativo dos municípios, embora, pelo menos nos hábitos políticos locais, esteja há muitos anos subordinada à práxis do poder executivo.
Em abono da verdade devo, contudo, acrescentar que boa parte da responsabilidade caberá também aos eleitos para o órgão deliberativo, porque só muito raramente se demarcaram e assumiram em público posições autónomas. Há três anos acreditei que, finalmente, as coisas iriam mudar, mas este exemplo durou pouco e morreu na incubadora.
Se há alguma lição a tirar de tudo isto, permitam-me que seja politicamente incorrecto recordando o que há muito defendi neste blogue: nas eleições locais os cidadãos não devem pôr todos os votos no mesmo saco.
Se na junta, na assembleia e na câmara municipal pontificarem forças ou partidos distintos, as decisões serão mais reflectidas e fundamentadas.
Eventualmente serão demoradas e complicadas, mas creio que, em relação a algumas autorizações e obras da última década, se tivesse existido a ponderação suficiente haveria menos erros a lastimar.

12 março 2009

Pensar não causa calvície




Há estatísticas municipais interessantes ou preocupantes, dependendo dos pontos de vista, relativamente às quais fico na expectativa de conhecer planos e ideias de quem aspira a sentar-se no primeiro gabinete da ala esquerda do primeiro piso dos Paços do Concelho.
Em 2006 – quando ainda era possível captar receitas significativas no sector imobiliário – os encargos com pessoal representaram 51,13% das despesas totais do nosso município. Nesse ano, a média nacional foi de 30,71% e a da Península de Setúbal de 43,59%.
Mais: Alcochete foi, entre os 18 municípios da Grande Área Metropolitana de Lisboa, o que maior percentagem das despesas aplicou em pessoal no ano de 2006.

As estatísticas oficiais com difusão geral e irrestrita apenas mencionam esses dados desde 2003. E as despesas com pessoal agravam-se, significativamente, desde 2005, quando o Município de Alcochete passou a ter a maior percentagem relativamente aos demais da Área Metropolitana de Lisboa.
Eis os dados conhecidos de anos precedentes:
2003 - 43,8%
2004 - 42,91%
2005 - 47,91%
Com receita por habitante de 808€ em 2006 – superior em quase o dobro à média dos municípios da região e, na área da Grande Lisboa, só inferior à do município da capital do país – 38,18% dessa receita veio de impostos e 21,83% de fundos municipais. O resto (cerca de 40%) resulta, maioritariamente, do imobiliário, porque as receitas próprias sempre foram baixas.
Três anos depois, com o imobiliário estagnado e a cobrança de impostos em curva descendente devido ao arrefecimento da economia, o município sobrevive a expensas dos fornecedores?
Não sei responder, mas seria bom haver explicações antes que algum perca a paciência e decida requerer a falência da câmara.
Por estas e outras razões serão vãs quaisquer promessas eleitorais irrealistas, a que ninguém ligará a mínima importância porque enquanto houve dinheiro pouco se fez de útil e hoje não há milagres: cada obra de valor significativo implica mais um empréstimo bancário. Ou seja, quem vier a seguir que pague a conta.
Haverá por aí gente corajosa, capaz de prometer menos câmara e melhor câmara: reduzir despesas com pessoal em 20%, aliviar encargos fixos em 25%, diminuir a subsídio-dependência em 90% e aumentar receitas próprias em 50%?
Essa coragem tem risco eleitoral elevado: honrosa derrota ou vitória histórica se a maioria dos eleitores não ficasse sentada em casa.

Vem a talhe de foice recordar que, a 17 de Dezembro passado, escrevi aqui um texto intitulado «É possível alumiar o futuro», de que não me arrependo embora no dia imediato quase fosse crucificado por Luís Proença (com este texto), o qual, menos de duas semanas depois, abandonaria este barco para pilotar o seu.
A solução por mim então apontada é exequível e poderia mobilizar os eleitores. E mesmo que a actual maioria rejeitasse a coligação, as restantes forças tinham condições para a desfazer em cacos.
De contrário, antevejo uma campanha eleitoral autárquica insuportável e, como também escrevi em tempos, abstenção inédita.


POSTA RESTANTE

Sousa Rego envia-me o seguinte comentário a propósito deste texto:

Parece que vamos ter uma “campanha alegre“ no que respeitas às futuras eleições autárquicas.
No entanto, e das ideias chaves do texto, fica-se com a sensação de que sonhar é próprio do homem.
O mundo da utopia é um mundo especial e, em certas ocasiões, ajuda a mobilizar os cidadãos eleitores.
Porém, no caso concreto do concelho, falar em coligações não passa de uma mera hipótese. Aliás, no distrito de Setúbal onde é que se viu uma coisa assim, e com abrangência que é proposta?
Por último, diminuir as despesas com o pessoal representaria um verdadeiro “tiro no pé”, e isto para qualquer partido ou força política que se encontre a exercer o poder autárquico.
Quer se queira quer não, os partidos políticos são a essência da democracia que temos.
Mas, onde os partidos podem vir a ser influenciados é precisamente através das associações cívicas.
E uma associação cívica de todo o concelho pode ser capaz de mobilizar os cidadãos eleitores para patamares de intervenção até hoje nunca vistos. Um Forúm Cívico do Concelho poderá vir a exigir muito dos partidos e da sua actuação concreta quanto ao futuro deste concelho e das suas gentes.
Será mais uma utopia?
Um sonho em vésperas de uma campanha “alegre e triste”?
Em vez do “sonho”, da “utopia”, sempre poderemos ficar com as palavras “duras” de Vitorino Magalhães Godinho, na recente entrevista ao DN de 27-2-2009, ao sustentar que:
-“Nós não temos democracia em Portugal, isso é fantasia.”- O que é que nós temos?, -“Um Estado corporativo como Salazar sonhou e nunca conseguiu. Realizámos o que desejava, que é o poder nas mãos de organizações profissionais-“.
E, a rematar a entrevista, diz-nos o ilustre historiador que,-“possuímos o hábito de decorar cartilhas em vez de pensar os problemas. De maneira geral, o português é preguiçoso a pensar…O português atira-se sempre a algo como um dogma porque gosta muito de os ter. É pouco religioso mas muito dogmático, ritualista e cumpridor de regulamentos. Não é capaz de resolver os problemas pela inteligência-“.


A minha opinião:
Como as demais propostas, um fórum cívico de todo o concelho é possível desde que haja gente suficiente com vontade de regenerar o sistema. Haverá? Onde?

07 janeiro 2009

Espero respostas

Provavelmente, no futuro a História de Portugal registará que a minha geração consentiu com indiferença, em democracia e durante mais de três décadas, o saque fiscal à sua carteira, o enriquecimento fácil de especuladores públicos e privados e pagar uma casa durante toda a vida embora apenas precisasse de um lar decente para habitar e constituir família.
A minha geração iludiu-se com uma bolha imobiliária iniciada na década de 60, supondo investir em património com valorização garantida para no futuro usufruir de uma aposentação mais digna e menos difícil que a dos progenitores e/ou herança para transmitir à descendência. Hoje, porém, esse património nada produz e é inegociável: a gula estatal, municipal e privada excedeu os limites da decência e o país tinha, já há dois anos, todas as habitações de que necessita até 2050, enquanto a lei do arrendamento é uma mistificação.
Ao invés de rendimento esse património pago com esforço gera hoje despesas imprevistas, porquanto o Imposto Municipal sobre Imóveis atingiu valores brutais e a conservação das habitações tem custos incontroláveis, alguns resultantes de legislação avulsa que encara o cidadão como dono de um poço de petróleo. Acresce que as casas usadas se desvalorizam vertiginosamente e já pouco falta para que o valor fiscal das mais recentes exceda o de mercado, embora os poderes central e local continuem indiferentes ao problema.
A minha geração caiu num conto do vigário inédito na História e boa parte dela pode estar condenada a ir para a cova ou para o crematório deixando uma herança infinda de problemas, uma vez que os sucessores são obrigados a pagar dívidas mesmo que a elas alheios. Património de que dificilmente usufruirão, pois a volatilidade e a precariedade do emprego obrigam todos os portugueses activos à migração forçada, como outrora os servos da gleba.
Vem tudo isto a propósito de quê? Da recomendação e da interrogação que se seguem.
Começando pela recomendação, justifico o que acima escrevi com esta notícia da edição do «Público» de 6 de Janeiro.
Concluo com a interrogação: que soluções imediatas e urgentes propõem os autarcas e os candidatos às próximas eleições locais, uma vez que a economia está em recessão há meses, o desemprego começou a disparar em Setembro, haverá muito mais famílias em dificuldades, algumas deixarão de amortizar o empréstimo da habitação, de pagar o IMI, a água e o mais que adiante se verá?

P.S. - Convém ler também esta notícia do «Jornal de Negócios» e consultar a tabela cuja ligação é fornecida no texto.

06 janeiro 2009

Pessoas que estão pior que gritem

A frase que serve de título a este texto não é de minha autoria mas do bispo de Setúbal, D. Gilberto Canavarro dos Reis, tendo sido proferida em entrevista à Rádio Renascença, pouco antes do Natal.
A entrevista teve pouco eco e passou quase despercebida na comunicação social, facto habitual nos dias de hoje quando alguém fala alto e grosso.
O prelado alerta para coisas que exigem mobilização e busca de soluções rápidas e eficientes, porque os problemas existem mesmo: aumento de pobres no distrito, pobreza envergonhada e crianças que apenas tomam a refeição diária fornecida na escola.
Alcochete desconhece isto? Não, infelizmente conhece! Basta falar com meia dúzia de pessoas próximas destes problemas para perceber que o alheamento generalizado é incompreensível.
Parece-me oportuno estranhar a inacção do poder local, que, no mínimo, há muitas semanas deveria ter esboçado alguma reacção de alerta, nomeadamente nos órgãos informativos próprios.
Estes problemas não são de ontem, nem se agravaram somente na semana passada. Sempre existiram e agudizam-se desde há cerca de três meses.

Existem, no âmbito do município, um Gabinete de Acção Social e um grupo de trabalho denominado Conselho Local de Acção Social, os quais presumo transmitirem aos órgãos executivo e deliberativo informação mais que suficiente para agirem em tempo oportuno e em várias frentes.
Consequentemente, creio competir aos autarcas serem expeditos na definição de acções, algumas das quais podem partir da próprias autarquias e constituir exemplos para os cidadãos em geral.
Dar as mãos e contribuir um pouco para a solução pode evitar males maiores que ninguém desejará.

14 dezembro 2008

Fazer bem e agradecimento

Anda aí muita gente a redigir, inutilmente, promessas eleitorais. Não lhe fará mal ler isto, matéria que inúmeras vezes abordei neste blogue.

Obrigado ao «A Sul»

O blogue «A Sul»
referenciou os textos aqui publicados acerca do orçamento participativo. Ali houve reacções...
Obrigado "Ponto Verde"!

10 dezembro 2008

Vamos iniciar revolução em Alcochete! (3)


Foral de Alcochete e Aldeia Galega (Montijo), atribuído por D. Manuel I em 17 de Janeiro de 1515


Ler primeiro texto
Ler segundo texto



Em linhas muito gerais, porque não quero abusar da paciência de ninguém, apresento, seguidamente, a metodologia sugerida para o funcionamento dos órgãos delineados para a elaboração do Orçamento Participativo de Alcochete: Assembleias de Cidadãos e Conselho do Orçamento Participativo.

Assembleias de Cidadãos
Por livre iniciativa de cidadãos ou de colectividades sediadas em determinado bairro ou aglomerado populacional – num processo de captação de adesões por eles divulgado e dinamizado na respectiva área territorial, através de meios de comunicação social e de um sítio na Internet a criar para o Orçamento Participativo – em dia e hora fixados com a antecedência mínima de 15 dias e em horário pós-laboral, organizar-se-á uma Assembleia de Cidadãos dessa área residencial, podendo participar e registar-se como membros de pleno direito os maiores de 16 anos.
Cada assembleia elege um delegado efectivo e outro suplente ao Conselho do Orçamento Participativo por cada 100 presentes na sessão em que ocorrer a votação.
A Assembleia de Cidadãos será dirigida por um ou mais delegados efectivos ou suplentes e reunir-se-á quinzenal ou mensalmente, em horário pós-laboral e durante não mais de duas horas.
Os mandatos de delegados efectivos e suplentes têm a duração de um ano e, em caso de reeleição, nenhum poderá cumprir mais de dois mandatos sucessivos.

Principais finalidades da Assembleia de Cidadãos:
a) Analisar problemas da sua área territorial e propor soluções;
b) Definir prioridades na acção local a desenvolver pelo município;
c) Discutir e votar propostas de obras e melhoramentos na respectiva área residencial;
d) Ser informada sobre o evoluir dos processos de decisão, do desenvolvimento de acções e obras;
e) Obter informação e esclarecimentos do Conselho do Orçamento Participativo, de titulares de órgãos da freguesia e do município;
f) Discutir e votar propostas de reforma das regras de funcionamento do programa do Orçamento Participativo.


Conselho do Orçamento Participativo
A sua principal tarefa é apreciar, discutir e votar acções e obras apresentadas por delegados das Assembleias de Cidadãos.
As propostas e decisões do conselho não vinculam nem são imperativas ou limitadoras da acção e da autonomia dos eleitos para os órgãos deliberativo e executivo do Município de Alcochete.
O conselho reúne-se mensalmente, durante não mais de duas horas e em horário pós-laboral, e, excepcionalmente, quando convocado pelo respectivo presidente, ou pelos presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal, ou por três vereadores da Câmara Municipal, ou por 12 deputados da Assembleia Municipal, ou por 10 delegados efectivos das Assembleias de Cidadãos.

O conselho tem a seguinte composição:
a) Presidentes da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal ou seus representantes credenciados;
b) Delegados efectivos eleitos em Assembleias de Cidadãos;
c) Um representante eleito pelos trabalhadores das autarquias de Alcochete;
d) Presidentes das três juntas de freguesia ou seus representantes credenciados.
Na primeira sessão o conselho deverá decidir sobre a nomeação do presidente e secretário, podendo elegê-los ou cooptá-los entre os delegados das Assembleias de Cidadãos ou convidar elementos da comunidade com residência permanente ou actividade empresarial sediada no concelho.
Os presidentes da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal, bem como os presidentes das juntas de freguesia, não têm direito de voto em quaisquer decisões do conselho.

Principais finalidades do Conselho do Orçamento Participativo:
a) Debater e votar acções e propostas submetidas pelos delegados das Assembleias de Cidadãos;
b) Definir as prioridades municipais de investimento em diálogo directo com os presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal sobre a viabilidade de executar as obras aprovadas nas assembleias;
c) Apreciar, emitir opinião e propor alterações, no todo ou em parte, aos projectos de obras e investimentos que o Executivo entenda como necessários para o concelho;
d) Elaborar a proposta anual de Orçamento Participativo, que entregará, no mês de Setembro, em sessão pública da Assembleia Municipal;
e) Acompanhar o evoluir dos processos de decisão a nível autárquico e o desenvolvimento das acções e obras previstas;
f) Obter informação, esclarecimentos e justificações de eleitos locais das freguesias e do município e, se necessário e mediante autorização dos titulares dos órgãos deliberativo e/ou executivo da autarquia, recorrer ao aconselhamento por técnicos municipais;
g) Dar parecer sobre quaisquer assuntos submetidos pelos presidentes da Assembleia e da Câmara Municipal;
h) Fiscalizar o andamento das obras e reclamar directamente para o presidente da Câmara Municipal sobre atrasos, irregularidades e serviços mal feitos, devendo a autarquia corrigir os erros e entregar à comunidade a melhor obra possível;
i) Discutir e votar propostas para reformar as regras de funcionamento do programa do Orçamento Participativo;
j) Guardar o arquivo de fichas de residentes das Assembleias de Cidadãos e fornecer aos delegados destas a lista de participantes precedentemente inscritos nessa área.

Finalmente, em nota de rodapé gostaria de acrescentar que, caso haja alguns trocos disponíveis (cerca de 30 euros mensais!), e, principalmente, apoio humano e técnico suficientes, é possível adaptar estas ideias a um formato digital do Orçamento Participativo (outra inovação brasileira, da cidade de Belo Horizonte), o qual permite maior mobilização porque qualquer cidadão poderá intervir e votar nas obras da sua preferência através da Internet.

Ao longo de três artigos expliquei o essencial das minhas ideias. Há muito mais trabalho elaborado, mas não cabe aqui. Se lhe agradam estas ideias, vamos ao trabalho! Se quer dinamizar o processo, inscreva-se enviando dados de contacto (telefone e endereço de correio electrónico) e disponibilidade de tempo para orcamento.participado.alcochete@gmail.com.
Logo que possível receberá mensagem pessoal de resposta, confirmando a recepção da inscrição.

08 dezembro 2008

Orçamento Participativo

A fim de potenciar ao máximo o valor da iniciativa proposta por FBastos , sugiro vivamente uma consulta ao site http://www.op-portugal.org/index.php .

No âmbito desta proposta sugiro igualmente uma consulta directa à Coordenação Global do Projecto de forma a aferir a possibilidade de apoio técnico e documental à iniciativa.

Contactos:
Coordenação Global do ProjectoTelf. (+351) 289 840 860Fax. (+351) 289 840 879Telm. (+351) 968425978

07 dezembro 2008

Vamos iniciar revolução em Alcochete! (2)


Ler primeiro artigo.

Em nenhuma cidade onde foi introduzido o conceito de Porto Alegre de Orçamento Participativo – e há já inúmeras dezenas em, pelo menos, três continentes – se considera desprestigiante para autarcas a intervenção dos cidadãos na definição de políticas de investimento municipal.
A decepção e o descontentamento da maioria dos eleitores quanto às actuais formas de democracia representativa – que não são sentimentos exclusivamente portugueses, nem apenas europeus, porque se conhecem de uma ponta à outro do globo – há muitos anos que impuseram uma reflexão ao poder político sobre alternativas adequadas à renovação da importância e do significado da democracia.
Tal como no caso pioneiro do Brasil, onde a iniciativa partiu de um vencedor de eleições municipais, há abundante documentação demonstrativa de que, em todas as latitudes, foram os eleitos e os órgãos administrativos – alguns hesitantes e receosos no início – a beneficiar dos efeitos e a reconhecer virtudes ao sistema de democracia directa em termos sociais, económicos e políticos.
O movimento do Orçamento Participativo principiou em Porto Alegre, há quase 20 anos, envolvendo apenas 403 pessoas numa cidade então com cerca de 1,2 milhões de habitantes. Hoje abeira-se dos quatro milhões de residentes e há mais de 500.000 pessoas a participar no longo e complexo processo de hierarquização dos investimentos municipais.
Inconvenientes? Dá muito trabalho, o processo nem sempre é pacífico e são necessários refinamentos e ajustamentos anuais.
Vantagens? Em cerca de duas décadas melhoraram enormemente as condições de vida, a cidade cresceu de forma mais harmoniosa, investimento empresarial superior ao até então registado e, hoje, a maioria dos cidadãos considera-se feliz com o sistema.
Creio, firmemente, no desejo, na viabilidade e utilidade dessa iniciativa ser também empreendida em Alcochete, bem como na possibilidade de mobilização significativa para o arranque se algumas dezenas de cidadãos, a comunicação social, as colectividades e os autarcas trabalharem em conjunto e com os mesmos objectivos.
É que a elaboração pelos cidadãos do Orçamento Participativo de Alcochete para 2010 depende de cinco decisões que os eleitos das juntas de freguesia, da Assembleia Municipal e da Câmara Municipal terão de aprovar com a maior brevidade possível.
Não tenho qualquer influência nesses órgãos e dependerá sempre de um amplo movimento de cidadania a contribuição para que as seguintes decisões sejam tomadas:
1. Aceitação do processo e da metodologia de funcionamento dos dois órgãos a criar: Assembleias de Cidadãos e Conselho do Orçamento Participativo;
2. Relativamente ao exercício de 2010 – primeiro ano em que será executado, pelos órgãos autárquicos e nestes moldes, um Orçamento Participativo inteiramente decidido pelos cidadãos – até 1 de Junho próximo a vereação camarária terá de decidir que percentagem ou verba do orçamento municipal desse ano se aplicará no Orçamento Participativo;
3. As juntas de freguesia e o município cederão instalações ou providenciarão o aluguer ou a disponibilidade de espaços suficientes e adequados, em colectividades próximas de bairros ou aglomerados populacionais a definir, para a realização das Assembleias de Cidadãos;
4. O executivo da Câmara Municipal de Alcochete disponibilizará, em instalações municipais, sala própria e espaços de reunião para o Conselho do Orçamento Participativo, fornecendo apoio logístico e algum administrativo indispensável à execução das tarefas dos dois órgãos;
5. De comum acordo com os presidentes das juntas de freguesia, bem como os da Assembleia e da Câmara Municipal, e contando com a colaboração de técnicos designados pelos titulares das juntas e da câmara, o grupo dinamizador do Orçamento Participativo terá de proceder, o mais urgentemente possível, à divisão harmónica do território concelhio, com vista à definição dos limites físicos das Assembleias de Cidadãos. Dependendo apenas da capacidade de mobilização local, está previsto que cada bairro ou aglomerado populacional isolado possa criar, nos primeiros meses do próximo ano, a sua Assembleia de Cidadãos.

Dos contactos imediatos com autarcas, comunicação social, colectividades e cidadãos terá de incumbir-se um grupo dinamizador, constituído por voluntários residentes nas três freguesias. No mínimo deverão ser uma dezena, mas o ideal seriam duas dezenas.
Se está disponível para colaborar na preparação e dinamização do processo junto dessas entidades – acções a empreender ainda no mês corrente – inscreva-se enviando dados de contacto (telefone e endereço de correio electrónico) e disponibilidade de tempo para orcamento.participado.alcochete@gmail.com.
Logo que possível receberá mensagem pessoal de resposta, confirmando a recepção da inscrição.
Note-se que a nenhum membro desse grupo dinamizador é garantida a continuidade do exercício de funções nos órgãos a criar no âmbito do Orçamento Participativo, porquanto os cargos previstos nas Assembleias de Cidadãos e no Conselho do Orçamento Participativo dependem de actos eleitorais realizados no seio desses órgãos.

Não fique à espera do que há-de vir. Venha ajudar a decidir o que virá!

Apresentarei noutro texto, a publicar posteriormente, pistas sobre o funcionamento dos dois órgãos basilares para a elaboração de propostas a incluir no orçamento da Câmara Municipal.

05 dezembro 2008

Vamos iniciar revolução em Alcochete! (1)


Perante notícias recentes que confirmam o descontentamento dos portugueses acerca da qualidade de vida, da democracia e da política, e tendo como provável que, para o ano, com três eleições marcadas, a maioria considerará inútil votar, proponho aos meus concidadãos, bem como a partidos e coligações com intenções de concorrer às eleições locais em Alcochete, alternativas susceptíveis de potenciar ampla intervenção dos eleitores nesses sufrágios.
Se houver participação intensa e decisiva no esboço da actividade autárquica creio ser possível acabar com a apatia reinante, devolver dignidade e prestígio ao poder local e contribuir para a regeneração da democracia participativa, pelo menos, à escala local.
É uma experiência que julgo valer a pena tentar por vários motivos. Porque somos uma pequena comunidade com cerca de 17.000 munícipes; porque temos três freguesias geograficamente desligadas; porque há alguns núcleos populacionais dispersos, esquecidos e com problemas básicos insolúveis há décadas; e, enfim, porque a coesão social é hoje inexistente.
Quero crer que, se bem sucedida, esta experiência seria um caso de estudo e susceptível de revolucionar o poder local no país, relativamente ao qual existem imensas desconfianças, compreensíveis, sem dúvida, mas nem sempre justas.
Proponho a adesão dos alcochetanos – e consequente compromisso de honra de continuidade e de execução pelos concorrentes às eleições locais! – a um modelo de gestão do município e das freguesias com um Orçamento Participativo amplamente preparado, discutido e decidido pelos cidadãos, baseado nos princípios de Porto Alegre (estado de Rio Grande do Sul) mas adaptado à nossa realidade.
A experiência inovadora dessa cidade do Sul do Brasil, iniciada há quase duas décadas, tem sido preciosa referência para o mundo, foi considerada pela ONU como uma das 40 melhores práticas de gestão pública urbana, reconhecida pelo Banco Mundial como exemplo bem sucedido de acção comum entre governo e sociedade civil e posteriormente adoptada em Saint-Denis (França), Rosário (Argentina), Montevideu (Uruguai), Barcelona (Espanha), Toronto (Canadá), Bruxelas (Bélgica) e noutros municípios brasileiros.
Não há nenhuma experiência semelhante em Portugal, nem encontro impedimentos de ordem constitucional ou legal.

Para ser delineado atempadamente, com a profundidade necessária e captar a adesão de inúmeros munícipes, o processo terá de ser desencadeado, impreterivelmente, no próximo mês de Janeiro.
É de recomendar aos partidos e coligações com representação directa ou indirecta em Alcochete que, o mais depressa possível, designem, identifiquem publicamente e mandatem dois dos principais candidatos indigitados aos diferentes cargos autárquicos (assembleia e câmara municipal, assembleia e junta de freguesia), os quais participarão nessa qualidade em debates e reuniões preparatórios dos orçamentos municipal e das freguesias para 2010 – os primeiros cuja execução será da responsabilidade dos autarcas a eleger, previsivelmente, em Outubro próximo.
Desse modo os cidadãos terão contactos directos suficientes e antecipados com os candidatos e ficarão melhor informados e preparados para votar em consciência naqueles que preferirem para levar por diante o Orçamento Participativo de Alcochete e a gestão das autarquias.

Voltarei ao assunto com o desenvolvimento da ideia local e, entretanto, recomendo a consulta do Orçamento Participativo de Porto Alegre (cuja hiperligação forneço acima), que me parece altamente inspirador.

23 novembro 2008

Encontro mensal para debate de ideias (3)

O primeiro encontro Mensal para debate de ideias sobre Alcochete, tem como título "A importância do Barrete Verde na Divulgação e Promoção de Alcochete"

DATA: 28 de Novembro, sexta-feira
HORA: 21:00 - 23:00
LOCAL: Junta de Freguesia de Alcochete
ORADOR: José Caninhas

Relembra-se que está aberta a participação a todos os munícipes interessados


13 novembro 2008

Encontro mensal para debate de ideias (2)

Decorrente de uma ideia/proposta que surgiu neste blog, vai realizar-se uma sessão presencial no próximo dia 28 de Novembro para um debate sobre tema relativo a Alcochete.
Posteriormente serão dadas informações sobre o tema a discutir, pois está condicionado pela resposta positiva de técnico convidado a participar.

1. OBJECTIVO:
Debate de ideias e temas relativos a Alcochete.
[Se possível] elaborar um documento com as ideias/propostas decorrentes da sessão e enviar para as entidades com poder de decisão/execução.

2. ÂMBITO:
Aberto a todos os munícipes

3. PONTO DE ENCONTRO:
Junta de Freguesia de Alcochete

4. PERIODICIDADE:
Última Sexta-feira de cada mês das 21:00 às 23:00

Paulo Benito

21 outubro 2008

Encontro mensal para debate de ideias

Caríssimos,

Será que faz sentido promover um encontro mensal para debate de ideias?

Para cada mês, seria sugerido um tema.
Seriam convidados elementos dos vários partidos para apresentar a sua opinião (20/30 minutos cada), seguido de um debate de ideias.

Será que isto tem pernas para andar?

Paulo Benito

21 julho 2008

Insensibilidades


Espero que os alcochetanos não baixem os braços e, no próximo ano, elevem ao poder local representantes sensíveis aos anseios e problemas de seres humanos, que privilegiem o bem-estar dos seus patrícios em detrimento da betonização apressada e desregrada.
Vem isto a propósito da profusão de barreiras arquitectónicas existentes um pouco por todo o concelho, que restringem especialmente a mobilidade de idosos, de crianças e de deficientes, mas que, num número apreciável de casos, põem até em risco a segurança do peão lesto e previdente.
Desafio qualquer um(a) a dar uma volta por Alcochete, Samouco e São Francisco reparando, atentamente, na quantidade imensa de passadeiras de peões inexistentes ou mal situadas; nos pisos deformados, descuidados e desnivelados; nas artérias sem lancis rampeados ou com inclinação inadequada; em degraus e soleiras que representam autênticas armadilhas; em passeios exíguos ou, pura e simplesmente, inexistentes; pisos com revestimento escorregadio quando molhado, etc., etc.
Tenho para mim que os autarcas de Alcochete – anteriores e actuais – quiçá por usarem demasiado o automóvel, revelam notável insensibilidade pelos problemas de peões e pelo conceito de cidades inclusivas.
Essa indiferença é particularmente gravosa para residentes e forasteiros que se movimentam com dificuldade, por questões de visão ou de locomoção, porque empurram um carrinho de bebé ou a cadeira de um deficiente motor.
Nos centros históricos de Alcochete e Samouco, nomeadamente, conduzir o carrinho de uma criança ou uma cadeira de rodas é autêntico suplício e, mesmo em locais planos, ao fim de 300 metros só um super-homem ou super-mulher não estará esgotado, tal a quantidade de barreiras que lhe aparecem no caminho.
Escrevo-o com pena: os autarcas de Alcochete são insensíveis aos problemas de velhos e trôpegos e não acarinham crianças de tenra idade!