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12 junho 2012

Grupo Coral do Samouco: Um Ícone da Terra

O Grupo Coral do Samouco é uma exaltação ao Samouco. Um ícone da nossa terra. Quando o vemos em actuação perpassa entre os “samouqueiros” um imenso catálogo de emoções. Ali está o Samouco em todo o seu esplendor. Ali se exprime a “alma do Samouco”.
O Grupo Coral da Sociedade Filarmónica Progresso e Labor Samouquense (SFPLS), popularmente conhecido como Grupo Coral do Samouco, foi formado à cerca de cinco anos. Teve na sua génese a persistência do ainda Presidente da Direcção da SFPLS e de alguns amigos mais, parte dos quais cantavam semanalmente na Igreja Matriz durante a celebração da eucaristia dominical. Começou de forma puramente amadora, sem grandes perspectivas e com inexpressivos apoios públicos. Integrou-se na estrutura da “Sociedade” mas sempre pautou a sua acção pelo regime de plena autonomia, apenas recebendo daquela o necessário apoio logístico e diminutos recursos pecuniários para satisfação de pequenos compromissos.
Da sua composição fazem parte um grupo de “samouqueiros e samouqueiras”, uns de nascimento, outros aqui residentes e amigos da terra, todos irmanados no gosto pela Música e pelo Canto Coral. Fazendo deste um “hobby”, uma forma de convívio, sem a preocupação de patentearem relevantes predicados para a função. Unia-os apenas a amizade, a solidariedade e um forte espírito de partilha. Uma enorme vontade em constituírem um orfeão. Começaram paulatinamente. Com desejo em aprender. Despretenciosamente e sem ambições. Contudo, com o decorrer do tempo e sem se aperceberem, deram corpo à construção daquilo que é, aos dias de hoje, uma grande “instituição” da Vila. Reconhecida e admirada por todos. De início, com a orientação de Gisela Sequeira, maestrina que deu ao Grupo um forte impulso de crescimento e sustentabilidade; agora, sob a direcção de Ana Vale Gato, porventura um dos seus membros mais jovens mas que exibe uma sólida imagem de liderança. Uma maestrina respeitada pelas suas qualidades humanas, pela sua competência profissional e atributos técnicos.
O Grupo Coral do Samouco, na organização do seu repertório, inclui não somente temas de raiz popular mas também temas clássicos, alguns eruditos e outros de natureza “sacra”. Cujo alinhamento, inegavelmente bem escolhido, muito concorre para o excelente nível dos concertos e recitais que vão realizando pelo País. E, dentro em breve, “fora de portas”. Levando e apresentando o nome do Samouco por essa Europa fora. Dando a conhecer a gentes de outros países, com usos e hábitos muito diferenciados, onde fica o Samouco e quais os nossos costumes e tradições. Transmitindo-lhes um pouco da nossa cultura e dos nossos muito particulares marcos identitários.
Hoje, o Grupo está muito longe de ser aquilo que inicialmente foi. Está muito melhor. Tem sido reforçado por mais coralistas, homens e mulheres interessadas em partilhar experiências e participar nesta linda aventura de promoção da Cultura e de divulgação da bela manifestação estética que é o Canto. Não posso, no entanto, passar sem deixar um testemunho de apreço aos coralistas que estiveram na origem do Grupo. Aqueles que o levantaram a partir do nada.. Não os enumero porque não merece a pena. Nem eles ou elas o pretendem. Porém, merecem uma palavra de saudação. Merecem o reconhecimento e a estima das gentes do Samouco.
Por outro lado, observando o Grupo, desde logo se percebe o carácter genuíno do sentir “samouqueiro”. Donde ressalta uma franca generosidade e fraternal solidariedade em torno de um ideal comum. Que permite perceber o que significa a dedicação, o esforço e o empenho daquela “malta” em projectar, cada vez mais alto e mais longe, a SFPLS e a Vila do Samouco.
Por isso, falar do Grupo Coral do Samouco, dando-o a conhecer mais em detalhe , aqui nas páginas do “Alcaxete”, constitui para mim um imperativo. Que faço com orgulho. Dando a conhecer a mística, o encanto e a iniciativa daquela gente. No fundo, para dizer a todos a honra que é ter nascido ou morar nesta bonita Vila da área metropolitana da cidade de Lisboa.
De resto, tona-se inefável expressar algo mais sobre o Grupo Coral. Oxalá não lhes faleça a vontade para continuarem o seu percurso em prol da promoção do Canto e da Cultura... mantendo, em simultâneo, uma forte determinação na afirmação dos valores da “nossa terra”. O Grupo adquiriu já um estatuto de eleição. É considerado e bastante apreciado. Representa um inestimável património na difusão daquilo que constitui a idiossincrasia do “samouqueiro”.
Enfim...que mais se pode acrescentar? Apenas que o Grupo Coral simboliza uma enorme alegoria ao Samouco...que traduz uma infinita manifestação do “sentimento samouqueiro”. Grande “malta” aquela.


João Manuel Pinho / Samouco

28 setembro 2009

A Extensão do Centro de Saúde no Samouco

A Extensão do Centro de Saúde no Samouco atende os utentes num edifício antigo da Praça Movimento das Forças Armadas há uma "mancheia de anos", expressão de um idoso que eu interpelei in loco.
A nova Extensão do Centro de Saúde na segunda maior freguesia do Concelho funcionará junto ao cemitério, encontrando-se de momento em obras... e "para durar", segundo me disse a minha fonte.
Alguém poderá acrescentar mais dados a esta informação?

27 agosto 2009

Boa memória (1)

Vai para quatro anos – quando este blogue tinha dois ou três leitores diários – editei um texto no qual chamava a atenção para a degradação dos centros históricos de Samouco e Alcochete e para um exemplo dado pelo município de Évora.
Agora – quando este blogue tem centenas de visitantes diários – vale a pena chamar a atenção para algo que escrevi... 18 dias após a tomada de posse dos actuais autarcas.
Volvidos 45 meses chegamos à época de balanços políticos e é bom reflectir nas inúmeras oportunidades perdidas.
Uma das oportunidades perdidas prende-se também com o edifício que serviu de ilustração a esse texto, o qual, embora desde 1992 esteja classificado como de interesse arquitectónico municipal, já por duas vezes esteve para ser destruído. E, em face do abandono a que continua votado, qualquer dia acabará mesmo por ruir definitivamente.
Da primeira vez (em 2004) salvei esse imóvel do camartelo com uma simples chamada de atenção ao então presidente da câmara. Presumo que da segunda vez (em 2006) também, porque reagi violentamente com novo texto aqui publicado. Vale a pena voltar a ele e reparar ainda nos comentários então suscitados.
O edifício em causa situa-se na Rua Ciprião de Figueiredo,
n.ºs 38 a 44
, em Alcochete, e o seu estado actual está bem à vista de quem não for cego.
Para quem não conhece, trata-se da artéria onde se situa a sede do Clube de Caçadores. Quem desce a Av.ª da Revolução, vindo da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, é a terceira artéria à esquerda. Em sentido oposto é a segunda à direita.

23 abril 2009

Samouco, Alcochete e etc.

A propósito deste meu texto, recebi do leitor Sousa Rego uma mensagem que agradeço e deixo à consideração geral.
Acrescentarei apenas concordar com as suas recomendações, porque a elas fiz referência em vários textos arquivados neste blogue.


Estive a consultar outras actas!
Dessa consulta considerei oportuno dizer o seguinte:

Samouco e Aldeia-Galega.
Uma integração frustrada.

Em 14 de Novembro de 1840 a Acta das Sessões da Câmara dos Senhores Deputados da Nação Portuguesa registava o seguinte:
-Ministério do Reino. Um Orneio enviando uma representação da Câmara Municipal do Concelho de Alcochete pedindo que não se atenda ao requerimento dos moradores do Logar de Samouco que pretendem ser anexados ao Concelho de Aldegallega do Riba-Tejo.
Uns anos depois, mais concretamente em 6 de Abril de 1883, e na mesma Câmara dos Senhores Deputados consta da acta e com o título “Representações”, o seguinte:
-Da junta de paróquia e moradores da freguesia de S. Braz do Samouco actualmente do concelho de Alcochete pedindo que se faça uma lei no sentido de anexar aquela freguesia ao concelho de aldeia Gallega.

Estas duas pretensões espaçadas no tempo por mais de 40 anos revelam uma realidade histórica e sociológica até ao momento pouco explorada.
A questão que se coloca é a de saber quais os motivos profundos que terão levado as gentes do Samouco a pedir a anexação da sua terra à vizinha Aldeia Gallega, separando-se, assim do concelho de Alcochete?
De um ponto de vista geográfico o Samouco está mais perto da então vila de Aldeia Gallega, hoje a cidade de Montijo, do que da sua sede de concelho, a vila de Alcochete.
Durante o passado século XX, para os assuntos mais importantes da vida diária das populações, era costume recorrer-se mais ao Montijo do que a Alcochete.
Com a nova era da globalização talvez tudo se tenha alterado um pouco.
Porém, estamos certos que esta tendência “histórica” se está a manter dado estar enraizada no sentir colectivo de toda uma população.
A Alcochete e para as gentes do Samouco só se vai se a tanto se for obrigado.
Certamente que a proximidade geográfica sempre foi um factor de importância a fortalecer as pretensões de anexação ao Montijo.
Sucede que terão existido outros factores a alimentar o movimento de separação do concelho de Alcochete.
De entre esses múltiplos factores que normalmente se conjugam em questões desta natureza, cabe salientar o sentimento das gentes do Samouco a considerarem que a sua terra, ao longo dos tempos, tem vindo a ser prejudicada face à vizinha sede do Concelho que é Alcochete.
E isto em inúmeros aspectos, sendo aqueles que o povo mais nota, no campo das “obras públicas vivas” e das realizações culturais e recreativas.
O “défice” é manifesto. Mas, diga-se em abono da verdade, ainda é maior relativamente às outras freguesias e povoações do concelho de Alcochete.
Esta realidade ”histórica” traduz, como não podia deixar de ser, ”culpas colectivas”.
Estamos agora em pleno Século XXI e no momento oportuno e inadiável para a “expiação” dessas “culpas colectivas”.
E, a “expiação dessas culpas”, passa pela efectiva concretização da freguesia do Samouco ser tratada, por direito próprio, em plena proporcionalidade e igualdade com a sede do concelho e demais freguesias.
E isto para não se estar à espera que surja, de novo, um movimento,-“ pedindo que se faça uma lei no sentido de anexar aquela freguesia ao concelho de Aldeia Gallega-“.
É preciso estar atento aos sinais dos tempos e às legítimas e justas aspirações das gentes do Samouco.

11 fevereiro 2009

Novos estatutos da Fundação das Salinas do Samouco



Foi publicado nesta terça-feira e entrou hoje em vigor o Decreto-Lei n.º 36/2009, que visa adaptar a estrutura organizacional e de gestão da Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco (dica de Paulo Benito).


Que novidades? Eis as principais:

- Passam a ser instituidores da fundação o Estado, a Lusoponte, o Município de Alcochete e o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB);
- A Lusoponte presta à fundação, de modo gratuito, apoio na área administrativa e financeira ou noutras que forem acordadas com o conselho de administração da fundação e na gestão técnico-operacional do Complexo das Salinas do Samouco;
- O conselho de administração é composto por três membros, sendo o presidente nomeado por despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas do ambiente, do ordenamento do território, das obras públicas e dos transportes, sob proposta da Lusoponte. Os dois vogais são nomeados pelo Município de Alcochete e pelo ICNB;
- O conselho consultivo é composto por todos os instituidores, incluindo o Estado, e por todos aqueles aos quais o conselho, por deliberação devidamente fundamentada e tomada por maioria absoluta dos seus membros, atribua tal qualidade, tendo em atenção os relevantes serviços prestados à Fundação ou os particulares méritos que neles concorram face aos fins da fundação;
- Estão fixadas até 2030 as dotações financeiras da fundação, a cargo da Lusoponte, a qual suportará no ano corrente 363.509€ de custos operacionais e 372.674€ de investimento.

Em finais de 2006 escrevi neste blogue dois textos sobre o tema. Parece-me oportuno sugerir a leitura de ambos: aqui e aqui.

28 julho 2008

Esperanças (2)

Em Alcochete o terreno é geralmente plano (a maior elevação ronda os 60 metros), mas fora dos centros urbanos não há bermas seguras para peões e muito menos para ciclistas.
Tomemos como exemplo quatro vias extensas, com tráfego intenso, que interligam aglomerados populacionais interdependentes e significativos: Estrada Municipal 501 (Alcochete-Samouco), Estrada Municipal 502 (Alcochete-Atalaia/Fonte da Senhora), Estrada Nacional 119 (Alcochete-São Francisco-Montijo) e Caminho Municipal 1003 (da EM502 à EN119, em São Francisco).
Em todas há espaço livre suficiente mas nenhuma tem bermas arranjadas, sendo perigosas e inseguras para ciclistas e pedestres porque desrespeito pelos outros é o desporto favorito de demasiados automobilistas. Basta atentar na quantidade de lixo acumulado nas bermas, lançado borda fora de veículos em movimento, para perceber quanta incivilidade por aí campeia.
Contrasensos de um concelho plano com excelentes condições naturais para marchar, passear e andar de bicicleta, actividades impossíveis sem riscos significativos porque se desprezam limites de velocidade e nenhum autarca reparou atempadamente na carência de obras pouco dispendiosas e imprescindíveis para o bem-estar de residentes.
Espero que isto seja contemplado em alguma lista de prioridades de candidatos com outra cultura e mais respeito pelas pessoas. Mas que as promessas não fiquem no papel, porque disso estamos fartos.

24 novembro 2007

Carta aberta a alguns deputados do distrito de Setúbal

Chegaram ao meu conhecimento dois testemunhos independentes confirmando que, durante a discussão do orçamento do Estado para 2006, deputados do PS, do PSD e do PP vetaram a inclusão no Plano de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Administração Central (PIDDAC) de uma proposta dos vossos pares da CDU para a construção de um novo edifício destinado à extensão do centro de saúde em Samouco.
Desconheço o que, acerca disso, se passou na discussão do orçamento para o ano corrente, embora tal obra também não conste do PIDDAC. Assim como ignoro a versão final aprovada na passada sexta-feira, sabendo apenas de idêntica omissão no projecto de orçamento para 2008 submetido pelo governo ao parlamento.
Nada tenho a ver com a CDU, nem com nenhum partido, seja ele parlamentar ou não, e abordo o assunto porque, há dias, quando um samouquense me revelou o facto, citando afirmação escutada a um autarca, a minha primeira reacção foi de incredulidade.
Nem me passava pela cabeça que a política fosse hoje tão tortuosa que deputados da nação chegassem ao extremo de confundir Alcochete com a antiga URSS somente porque, em finais de 2005, os comunistas acabavam de reconquistar a maioria nos órgãos municipais.
É um facto que o povo decidiu assim e ainda não percebeu que, andando há mais de duas décadas com o passo trocado em relação às tendências eleitorais do país, paga bem cara a ousadia. Mas também sei que, embora desatento e desinteressado de tudo o que está além da porta de casa, o povo de Alcochete não é burro, ao contrário do que alguns supõem. Erra demasiado, sim. Mas os políticos são como os melões e ainda não apareceu quem demonstrasse competência ou aptidão para fazer melhor.
No entanto, tenho para mim que os desfechos das eleições locais radicam sobretudo nos vossos erros, dirigentes nacionais e locais, deputados e eleitos municipais dos outros partidos, por desatenção ao significado profundo da democracia participativa.
Considero os dirigentes nacionais particularmente responsáveis, por encararem os alcochetanos como simples números. Para eles, representamos pouco mais que zero. Valemos 4% dos votos do distrito e desinteressaram-se de nós há muitos anos. Enquanto assim for nada mais deverão esperar que desprezo recíproco!
Retomando o fio à meada, incrédulo com a revelação do samouqueiro decidi consultar outra fonte. Que confirmou inteiramente o veto e me deixou perplexo.
Se inexistentes outros indícios de que, por albergar menos de 10.000 eleitores, o concelho de Alcochete é, há muitos anos, irrelevante nas aspirações e preocupações políticas distritais e nacionais, a posição assumida em 2006 pelos deputados daqueles três partidos daria a noção do alheamento, ignorância ou insensibilidade social ante problemas com que os alcochetanos se defrontam, diariamente, em infra-estruturas tuteladas pelo Estado.
É que, além de condições deploráveis nas instalações de saúde de Samouco e São Francisco, a esmagadora maioria das escolas básicas é indigna e está a rebentar pelas costuras, o único estabelecimento de ensino preparatório para lá caminha e dispõe de uma cozinha que nem num país do Terceiro Mundo seria tolerável.
E, embora pertencendo a uma instituição privada, não posso deixar sem menção o lar de idosos da Misericórdia, cuja lista de espera é muito superior à sua capacidade actual e funciona, há 35 anos, num primeiro andar sem elevador.
Sei que por ele passaram, na última década, vários deputados em campanha, todos prometendo pressionar os titulares da pasta da Solidariedade Social para financiar a sua dispendiosa e urgente remodelação, impossível sem apoio do Estado. Até hoje, porém, o projecto continua na gaveta.
Discordo, em absoluto, que os órgãos do município de Alcochete tenham decidido, a semana passada, substituir o Estado na solução provisória do caso da extensão de saúde de Samouco, tendo para isso de recorrer a empréstimo bancário. Já o escrevi antes (neste texto) e não voltarei agora ao assunto.
Em meu entender, nenhum governante ou deputado de país civilizado pode ignorar, anos a fio, o caso de um centro de saúde que serve quase três milhares de cidadãos e funciona num primeiro andar, com escadas exteriores inclinadas e degraus absurdos.
Que deficientes, idosos, grávidas e cidadãos com crianças de colo não podem subir tais escadas.
Caros deputados do PS, do PSD e do PP, sobretudo os eleitos no distrito de Setúbal: estão no direito de duvidar da minha palavra. Mas, pelo menos, desloquem-se à extensão de saúde da vila de Samouco.
Se não sabem onde fica, peçam a alguém para vos guiar na observação de como, mercê da vossa cegueira política, no Portugal do séc. XXI há médicos forçados consultar um doente na rua por dificuldades de acesso deste ao gabinete clínico!
De caminho, passem pela freguesia de São Francisco e reparem também na casinha de bonecas onde funciona outra extensão de saúde deste concelho, a qual, por agora, serve pouco mais de um milhar de residentes. Em breve terá muitíssimos mais utentes, como é fácil observar nas redondezas.
Além de instalações acanhadas (25m2, se tanto), ali é impossível estacionar um automóvel que transporte deficientes, idosos, grávidas ou crianças de colo.
Alcochete não se situa nos antípodas da capital portuguesa, caros deputados. Vivemos a 30kms do Terreiro do Paço e a 35kms de São Bento!
Quiçá longe demais da vista, do coração e das ambições dos eleitos de uma democracia em que o povo voltou costas ao poder. E, por estes exemplos poucos exaustivos, talvez faça muitíssimo bem!

24 julho 2007

O cais de Samouco, para variar


Esta vergonha acaba quando?
Há quase uma década que se promete resolver isto.
Venham outros autarcas porque, com os do costume, não passamos da cepa torta.

02 fevereiro 2007

No dia das zonas húmidas


Nem sempre estou de acordo com os ambientalistas mas, no caso concreto de Alcochete, estas críticas da Quercus parecem-me justas.
Conheço relativamente bem o terreno e, em meu entender, as críticas serão até demasiado brandas.
Em matéria de conservação da Natureza, há muitos anos que se faz de conta.
Há promessas inúmeras, entidades institucionais, protocolos de cooperação, acordos de colaboração, uma concessão para recuperação paisagística e uma área comercial cujo espaço maior tem carácter ambiental e deveria há anos ser usufruído pela população, mas nada se vê de positivo nem nunca se anda para diante.
Entretanto, os espaços de fruição da Natureza são cada vez menos, há antigas salinas com aquicultura ilegal e a paisagem continua a ser manchada por betão distribuído a esmo.
A reserva natural e a zona de protecção especial estão entregues a si próprias e a degradar-se, as aves limícolas batem em retirada, os atentados são inúmeros e os charcos abandonados ocasionam o aparecimento de mosquitos.
Sobretudo porque os cidadãos se alheiam dos problemas, fazem de conta que nada disto lhes diz respeito e não se organizam para pôr ordem nas coisas.
Assim se construiu (e o Estado financiou) um fórum cultural na ZPE do Tejo, a RNET chegou ao extremo de não ter dinheiro para nada, a fundação das salinas do Samouco é o artifício conhecido, o Sítio das Hortas não anda nem desanda, a área C da gigantesca catedral de consumo nunca foi aberta ao público e a zona marginal de Samouco continua no estado acima ilustrado.

20 janeiro 2007

19 julho 2006

Descubram, replantem e protejam samoucos


José António dos Santos Pinheirinho, na interessante obra citada neste texto, apresenta duas teses sobre a origem da designação da vila de Samouco: uma liga-a à existência de um tal Sá, surdo (mouco), em tempos popular na zona; e outra aponta a origem numa espécie arbórea florestal folhosa, variedade de faia que será possível relíquia da época do Terciário (entre 65 milhões e 1,6 milhões de anos atrás), característica de solos arenosos próximos de pinhais.
Esta última tese prendeu a minha especial atenção e estimulou algumas pesquisas na Internet.
Apurei que a Myrica Faia – popularmente conhecida, em vários pontos de Portugal Continental, nos Açores e na Madeira, como Samouco, Faia-das-Ilhas ou Faia-da-Terra – é já muito rara no Continente, estando em risco de extinção. Existem alguns exemplares na Serra de Sintra, perto de Vila Nova de Milfontes e no Pinhal de Leiria.
É uma espécie especialmente protegida nos Parques Naturais de Sintra/Cascais e do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, constando do Anexo II da Directiva 92/43/CEE como espécie de conservação prioritária e valor florístico. Os locais da sua ocorrência são considerados áreas de valor florístico muito elevado.
O desafio que lanço é este: alguém sabe da existência de Samoucos, Faias-da-Terra ou Faias-das-Ilhas na área da vila de Samouco e arredores? Existirá nos terrenos da Base Aérea do Montijo, considerando que os pinhais de outrora foram preservados até meados do século passado?
Não encontrei qualquer pista sobre isso, mas recomendo pesquisa atenta no terreno e peço que me informem se encontrarem algum exemplar. Pela minha parte farei o mesmo.
Apresento acima uma imagem esclarecedora (click sobre ela para ver ampliação), retirada daqui.
Admito, porém, que tal variedade de faia possa ter desaparecido destas paragens. Mas tratando-se de uma espécie arbórea que, embora ameaçada, existe ainda em vários pontos do país, parece-me que deveria surgir um movimento de cidadania para a sua reposição na vila de Samouco.
Possivelmente com o apoio e cooperação do Instituto de Conservação da Natureza (que tutela os parques naturais acima citados) ou similares das regiões autónomas.
Escolas, autarquias e cidadãos de Samouco bem podiam contribuir para a substituição da tão maltratada árvore nacional do Canadá (plátano), profusamente disseminada nas artérias da vila, por uma faia cujo nome me parece um símbolo local e que, a julgar pela imagem acima, é muito bonita.

P.S.-Prosseguindo nas minhas investigações sobre a Myrica Faia, descobri posteriormente ser abundante nas ilhas do Faial (cujo nome se diz derivar deste arbusto ou árvore) e da Graciosa.
Outra importante pista nesta página, pertencente ao Governo Regional da Madeira.
Há ainda uma árvore do género no Pinhal de Leiria, possivelmente centenária, com mais de 45 metros de altura.

Muito importante: ver também as imagens desta página. Demonstram a variedade de tons dos frutos, descritos noutra fonte como saborosos quando maduros.

20 abril 2006

Bom exemplo de recuperação


Tenho um saco cheio de promessas de recuperação da magnífica orla ribeirinha do concelho de Alcochete, embora não veja nem um centímetro de obra feita. E não me contento com aquela amostra em curso na Praia dos Moinhos.
Já se prometeu de tudo um pouco (de circuitos pedonais a vias para ciclistas, passando pela requalificação ambiental do espaço entregue à Fundação das Salinas do Samouco) e, inclusive, algo que me desagrada: hotéis no lugar das antigas secas de bacalhau.
Temos um dos mais longos e belos panoramas sobre o Tejo (são cerca de 9kms do Sítio das Hortas à Praia de Samouco), mas inaproveitados, abandonados e improdutivos, apesar de me parecer que, com imaginação e o planeamento adequado, dessa obra poderia fruir a generalidade da população. E creio ser possível autofinanciá-la, através da concessão de espaços e das infra-estruturas de apoio.
Por motivos que não vêm ao caso, ultimamente a minha vida está dividida entre Alcochete e Coimbra. Há cerca de uma década que não revia em pormenor a cidade do conhecimento, que cresceu e se modernizou sem abandonar, destruir ou adulterar, aparentemente, alguns dos seus ex-libris.
Há dias, sentado numa esplanada do novo e magnífico Parque Verde do Mondego – construído no prolongamento do exemplarmente conservado Parque Manuel Braga, junto à margem direita do rio (aquela em que se situa o centro histórico da cidade) – dei comigo a pensar quantos novos empregos, negócios e atractivos ganharia Alcochete se alguém passasse das promessas aos actos e tratasse da recuperação da jóia do nosso concelho, a sua orla ribeirinha.
Era minha intenção colher meia dúzia de imagens para vos mostrar o tal Parque Verde do Mondego mas, como na Internet se encontra quase tudo o que é preciso, deixo-vos esta preciosa página como referência, por conter belas imagens captadas por Dias dos Reis, um artista da fotografia que não conheço (é também dele a imagem acima, que reproduzo com a devida vénia).
Consultem atentamente as imagens que indiquem Parque Verde do Mondego (ou Parque do Mondego) e o Parque Manuel Braga.
O primeiro (com cerca de 400.000m2) é novo e nem sequer está ainda totalmente concluído. O segundo é antigo e conhecido, mas continua bem tratado e conservado.
Parece-me serem dois bons exemplos, para Alcochete, em termos paisagísticos.
Digam-me se preferem o que temos ou o que se fez em Coimbra.

13 abril 2006

Pasquim de propaganda


Chegou-me, enfim, às mãos o prometido boletim informativo da câmara de Alcochete.
Não deveria ser o boletim do município? Creio que essa seria a opção mais lógica, mas lá para os lados do Largo de São João as mentes brilhantes estão-se nas tintas para a Assembleia Municipal e elas lá sabem porquê!
Em formato de crise – mais reduzido e com menor número de páginas que o anterior – mas pecadilhos e vícios idênticos aos do precedente:
1. Em 20 páginas há 22 fotografias do sr. presidente (o assessor de imagem descuidou-se com as gravatas do chefe?);
2. O boletim é da câmara e a Assembleia Municipal que se lixe!
3. A esmagadora maioria da informação é requentada e o sítio na Internet era bem mais conveniente e barato para a sua difusão atempada;
4. A oposição continua sem direito a intervir, contrariando várias recomendações do Provedor de Justiça e da extinta Alta Autoridade para a Comunicação Social.
Vejamos a edição em pormenor.
O editorial do sr. presidente tem 30 linhas e metade é dirigida ao interior da própria câmara. Eu percebo porquê e já escrevi sobre isso, aqui e aqui.
Nas restantes linhas, em substância nada diz. Fica-se pelas triviais promessas. E tem um penúltimo parágrafo confuso, que espero seja mero lapso.
Se ao fim de cinco meses de mandato ainda se anda às voltas com o planeamento estratégico – que, por sinal, estava esquematizado no programa eleitoral – estamos tramados!
Passo à página 8. Na coluna Breves, chamo a vossa atenção para algo que mostrarei um dias destes em pormenor: o magnífico arranjo paisagístico plantado no cruzamento da Rua 25 de Abril com a avenida D. Manuel I, em Alcochete. Contém 99% de casca de pinheiro e 1% de florinhas discretas. E ninguém reclama?
Na mesma coluna e página, sem que se justifiquem as razões da nova opção nem se esclareça o óbvio e mais relevante, fica a saber-se que, afinal, o centro escolar de São Francisco vai para outro lado. O que irá para o local onde está hoje um cartaz?
Na mesma página, notícia sobre o lítigio entre câmara e misericórdia a propósito do terreno da biblioteca. Também aqui o óbvio ficou no tinteiro. Que houve acordo, a gente já sabia. O que não se sabe e deveria ser esclarecido, depressa, eram os termos exactos desse acordo.
Página 9, centro de saúde de Samouco. Câmara vai gastar, pelo menos, 141.500 euros (28 mil contos e uns trocos) para construir um edifício provisoriamente destinado a essa função. Se e quando o Ministério da Saúde construir outro edifício, este será reutilizado para fins diferentes. Não haverá alguma precipitação na decisão?
Página 11, Centro de Dia de São Francisco. Afinal, já não vai para junto dos arcos. Irá para onde? É segredo! Mais uma vez, o óbvio ficou no tinteiro.
Não sei se quem acreditou nas promessas e votou na CDU ficará satisfeito com este boletim, mas eu – que confesso ter votado em branco mas terei também de o pagar – considero-o inadmissível peça de propaganda e de promoção de pessoas que me desiludem, definitivamente, ao omitirem informação muitíssimo mais importante.
Este boletim é o primeiro contacto directo de eleitos que prometeram transparência, diálogo e democracia participativa. Mas nada esclarecem e limitam-se à agenda da câmara. Estamos conversados.
De uma vez por todas, alcochetanos, metam isto na cabeça: ou dão um safanão nesta gente ou só terão conseguido mudar as moscas!

29 março 2006

Comovente!

A atenção que a CMA dedica aos problemas sociais!

24 março 2006

Ideias para reflectir


A ponte Vasco da Gama foi planeada em meados da década de 90 e concluída em Março de 1998, tendo os acessos sido concebidos numa época em que o município de Alcochete perdia população e tinha 10.000 residentes.
Oito anos após a abertura da ponte, a população do concelho cresceu mais de 50%, depreendendo do volume de empreendimentos habitacionais em construção ou planeados que a duplicação poderá ocorrer em pouco mais de uma década.
A imagem acima reproduz a situação actual dos acessos à ponte para residentes no município de Alcochete, cuja esmagadora maioria utiliza o automóvel nas deslocações casa-trabalho.
A linha verde é o percurso de 10 a 12km, feito duas vezes por dia, pelo menos, para atingir a praça da portagem.
As linhas brancas indicam os trajectos habituais a partir de Samouco e de São Francisco e para alguns automobilistas da freguesia de Alcochete.
Por questões de definição não consegui incluir o percurso dos residentes na sede do concelho que usam a via junto ao "outlet", situada a Norte da palavra Alcochete na imagem. Alguns optam pela Estrada da Atalaia, que está assinalada.
No concelho não falta quem sugira duas soluções para encurtar distâncias:
1. Em vez da maioria ser forçada a convergir para a rotunda do Entroncamento (a primeira à saída do IC13) – que nas horas de ponta tende a ficar congestionada – o município deveria sugerir ao Instituto de Estradas a construção de novos acessos ao IC13 junto a um dos três viadutos nele existentes, entre o Entroncamento e a ponte;
2. O maior número de sugestões refere-se a algo que considero de concretização difícil, salvo se a Lusoponte cooperar: a criação de novas entradas (quanto mais não fosse apenas para utilizadores da Via Verde) e saídas da ponte junto à Área de Serviço de Alcochete.
Pessoalmente preferia uma terceira via: estudar as necessidades de deslocação dos residentes e encontrar soluções ambiental e economicamente sustentáveis com transportes públicos. A auto-estrada líquida continua reservada aos esgotos e, que me lembre, nenhum país europeu com estas condições naturais as desperdiça desta maneira.
No entanto, olhando para esta imagem de satélite do Google e conhecendo a estrada de acesso ao edifício da Lusoponte, situado junto à praça da portagem, talvez seja possível criar aí entradas e saídas que dispensariam novas portagens.

Convém notar que os espaços dos arcos desenhados a vermelho se situam no concelho de Montijo, onde uma parte dos residentes nas novas urbanizações situadas a Norte da sede desse município poderia deixar de utilizar o IC13. A obra pode ser feita em cooperação pelos dois municípios, porque convém a ambos.
São ideias que deixo à consideração geral, se alguém quiser pensar no assunto antes que o tráfego se complique de vez.

27 fevereiro 2006

Samouco: aleluia!



Dez dias após ter escrito e ilustrado oportunidades para os nossos autarcas mostrarem serviço em Samouco – exemplos que fizeram com que este blogue ganhasse vários leitores regulares na vila – gostosamente anuncio haver sinais de fumo.
Na rotunda da Rua Bento Gonçalves (imagem 1) foi já cortado o mato. Espero que, em breve, esse pequeno espaço tenha aspecto mais cuidado. De contrário, prometo voltar à carga.
No extremo oposto dessa artéria, na rotunda onde está suspensa a construção de uma fonte modernaça (imagem 2), houve operação de limpeza semelhante.
O mesmo sucede na Rua Luís de Camões (imagem 6), onde o corte do mato estava – neste domingo, pelo menos – apenas iniciado.

Fica provado ser fácil resolver problemas simples. Aleluia!

Parece-me que na reunião da vereação, realizada no dia 22, em Samouco, se falou de outras coisas também aqui abordadas. Mas como considero insuficiente a única pista que possuo, deixo a referência ao assunto para melhor oportunidade.

Não párem para descansar porque a lista de espera cresce todos os dias!

16 fevereiro 2006

Samouco: salvem a Casa do Mirante

Como obra do mandato – passível de concretização em quatro anos, segundo o critério expresso no texto anterior – devo ainda incluir outra jóia: a Casa do Mirante.
Restam no concelho escassos edifícios classificados, quase todos propriedades privadas, que urge preservar.
Residência emblemática de Samouco, construída em 1917 por ordem de Estêvão Rebelo, a Casa do Mirante está classificada, há muitos anos, como imóvel de interesse arquitectónico municipal.
Mas, tal como noutros casos (um deles referido aqui), o seu estado de conservação indicia que, qualquer dia, a casa vem abaixo. No terreno cabem vários edifícios de apartamentos e talvez a rentabilidade futura esteja também na origem do problema, não obstante ser exemplar único na vila e no concelho.
Exteriormente, na Casa do Mirante destacam-se o torreão octogonal, os frisos de azulejo nas fachadas (adufas ou rótulas típicas da tradição alcochetana), em particular os que contêm grandes amores perfeitos, os varandins e o gradeamento em ferro forjado.

Samouco: sugestões para mostrar serviço















Já que a edilidade de Alcochete resolveu descentralizar algumas reuniões públicas – a primeira está agendada para dia 22, em Samouco – deixo à vossa consideração alguns exemplos daquilo que neste texto sugeri: aproveitar tais sessões para anunciar (e cumprir, obviamente) benefícios efectivos aos alcochetanos residentes na periferia do Largo de São João.
As imagens acima ilustram obras por realizar na vila de Samouco, tendo-as ordenado segundo um ponto de vista pessoal também expresso neste texto: obras de curtíssimo prazo (em 100 dias, simples e de baixo custo), de curto prazo (entre 6 meses e um ano, simples e de custo médio) e de médio prazo (segundo e terceiro anos, complexidade relativa e dentro das disponibilidades do município).
Propositadamente, limitei-me a aspectos bem visíveis e que há muito me chocam na vila. Se desejasse ser exaustivo haveria muito mais para apontar. Qualquer autarca que deseje honrar a confiança nele depositada deveria dar prioridade a estes casos.
"Clique" sobre as imagens para ver ampliação.

Obras de curtíssimo prazo

(imagem 1)
A rotunda da Rua Bento Gonçalves tem soluções fáceis. A menos cansativa é mandar lá um rebanho de ovelhas. Nada se perde e alguém ganha para fabricar queijos artesanais.
Pensei em cavar este espaço esquecido e plantar umas couves. Se a terra é de quem a trabalha e a maré política favorável, fácil seria correr com o latifundiário e reivindicar a posse desta terra depois de amanhada com o suor do meu rosto.
Mas decidi ceder o meu direito de superfície se o latifundiário prometer que a rotunda mudará de aspecto nos primeiros seis meses de mandato. Passaram apenas 100 dias, que diabo!

(imagem 2)
As fontes são a tentação de muitos autarcas 'rotundeiros' deste país e "nuestros hermanos" vendem-nas bem e aos molhos. Esta começou há uns meses mas... empanou. Não tem água, nem azulejos, nem luz, nem ponta por onde se lhe pegue. Pensei fundir em bronze uma versão pessoal do Maneken Pis belga, ou esculpir a minha visão do falo de Cutileiro que plantaram ao alto do Parque Eduardo VII (Lisboa), colocando a minha obra no topo deste monumento adiado. Mas desisti porque sou mau demais a partir pedra!
Que prendados são certos autarcas portugueses. E a gente deixa!...

Obras de curto prazo

(imagem 3)
O porto palafítico seria uma "jóia da coroa" – de Samouco e até do concelho – não fosse estar transformado nesta vergonha. Pior cego é quem nunca quis reparar nisto!
Tenho muita pena que as lagartas – as malditas "processionárias do pinheiro" – na origem do forçado encerramento do parque de merendas, desde 26 de Janeiro, não façam romaria à vegetação do quintal de quem deixou jóias ao abandono. Adoro ver Lisboa daqui. Mas só na praia-mar, porque na baixa-mar saio daqui irritado com a estupidez humana!

(imagens 4 e 5)
A Quinta da Caixeira é um dos pontos negros do concelho e por isso mostro duas imagens. Há lá de tudo: entulho, lixo, erva, passeios escalavrados, veículos abandonados, desleixo e incúria q.b. Esse bairro, sim, parece situar-se no Samouco (apetecia-me escrever no ## de Judas, mas o "Diácono Remédios" não deixa).
Poderia ser um bairro pacato e simpático, mas não é. Além do mais, que não é pouco, nele abundam espaços abandonados. Os técnicos denominam-nos "zonas expectantes".
E nós na expectativa de que alguém se lembre de que perto vive gente! Espantado fico eu por a câmara e os seus arquitectos paisagistas não terem o mínimo respeito pelos moradores da Quinta da Caixeira!

(imagem 6)
Até já perderam o respeito ao grande Luíz Vaz! Há tanta erva na Rua Luís de Camões que será necessário apascentar uma boa manada de gado vacuum para a ver dali para fora. Neste caso, com tanto espaço expectante, pensei juntar um grupo de amigos e criar uma horta da malta. Eu produzo rabanetes, o vizinho de cima dedica-se às alfaces, o vizinho de baixo fica-se pelos tomates, o do rés-do-chão planta pepinos e todos juntos temos uma salada comunitária. Agora a sério: tropeço neste sítio há meia dúzia de anos, pelo menos. Não sucede o mesmo com mais ninguém do poder?

(imagem 7)
A Rua Marcelino Vespeira parece-me um caso de estudo. Vespeira é filho famoso de Samouco e um dos grandes pintores portugueses contemporâneos, tendo-se notabilizado pela versatilidade. Passou por várias correntes estéticas e em todas se destacou.
Esta artéria parece-me não ser de Samouco mas do Samouco, outrora sinónimo de um recôndito lugarejo terceiromundista. Nem Vespeira nem os moradores têm direito a alcatrão e passeios. Porquê?
Pergunto: os residentes nesta artéria têm desconto no Imposto Municipal sobre Veículos, considerando que gastam mais que os outros na manutenção dos respectivos popós? Têm desconto na água por serem forçados a lavá-los frequentemente, a limpar o calçado se saírem à rua em dia de chuva e a lavar a roupa mais de uma vez devido à poeira?

Obras de médio prazo

(imagem 8)
A Rua Bento Gonçalves – para quem não sabe é um ex-tarrafalista (1902-1942) – não lembraria ao Diabo.
Tem tanto por onde pegar que o mais difícil é escolher. Neste espaço, em concreto, está tudo por fazer. Presumo que, um dia, quando os homens quiserem, haverá aqui um jardim. Mas como os homens nunca mais se entendem, espero bem que a mãe Natureza faça o favor de cobrir depressa o resto das pedras com erva para ocultar a vergonha.
Esteve um militante comunista preso seis anos e morreu no Tarrafal, para ter direito a uma rua neste estado! Acho que certos homens de hoje mereciam a "frigideira"!

Por agora chega. Quando se aproximar a hora de outras reuniões descentralizadas mostrarei mais misérias.

15 fevereiro 2006

Importam-se de emendar?


Bem sei que, na gíria popular, algo que "fica no Samouco" equivale a ser distante e/ou difícil de localizar.
Mas quem foram os samouquenses que resolveram perpetuar um conceito popular passadista numa placa colocada à entrada da vila, para quem vem de Montijo?
Samouquenses, nada de confusões: a vossa vila é de Samouco e não do Samouco.
Já agora, em bom português aquele a que antecede Vila deve ter acento grave.
Não vos basta haver uma Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco? E que na câmara alguém tenha cometido o mesmo erro, ao escrever a notícia sobre a descentralização de reuniões da edilidade, tal como consta (hoje) do sítio do município na Internet?

02 janeiro 2006

Fim de ano em Samouco


Tentado por familiares, pela primeira vez entrei no novo ano junto à praia de Samouco. É, de facto, um ponto privilegiado de observação dos locais de lançamento de fogo-de-artifício em Lisboa e Almada.
Garante quem lá esteve em anos precedentes que, pouco a pouco, vai aparecendo mais gente. Sem exagero, este ano foram umas largas centenas. Dizem-me que, no ano passado, seriam algumas dezenas.
Pretendo com esta singela nota chamar a atenção para duas coisas:
1. Trata-se de um dos locais mais bonitos e atractivos do concelho, cuja beleza natural é apenas manchada pelo eterno adiamento da construção de um novo cais palafítico. O actual é uma vergonha! Apesar da crise económica, não creio que a obra seja excessivamente dispendiosa. De comum acordo, a Administração do Porto de Lisboa e a câmara conseguirão melhorar ali muita coisa. De caminho deveria ser dagrado o canal de acesso das embarcações, actualmente inoperacional na baixa-mar.
2. Não seria de planear algo mais atractivo para os que acorrem à praia de Samouco no final do ano? Bastaria, por exemplo, que os proprietários do restaurante e da discoteca Moinho da Praia planeassem uma contagem sonora decrescente para a chegada do novo ano, encontrando uma forma de rentabilizar comercialmente a infra-estrutura exterior existente na sua propriedade, inaproveitada nesta época do ano. Mesmo que o sucesso comercial da iniciativa dependa, em grande medida, do estado do tempo, há sempre formas de pôr a imaginação a trabalhar e de limitar os danos da eventual contrariedade da chuva.