De um colega e amigo, cujo nome não estou autorizado a revelar, recebi o seguinte e-mail.
"Foi hoje apresentado no Centro Paroquial de Alcochete, pelos CTT, um postal comemorativo dos 150 anos do nascimento do Padre Cruz. Esteve presente o Sr. Padre Reis, Postulador da causa de canonização. A partir de amanhã é possível encontrar os postais em qualquer estação dos CTT. Divulguem e rezem mesmo que não acreditem agora. Acreditarão depois. Um abraço"
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01 outubro 2009
29 julho 2009
Padre Cruz nasceu há século e meio
No dia do 150.º aniversário do nascimento do Padre Cruz, recordo aqui um trabalho pessoal de 2003 contendo imagens e documentos antigos, oriundos de colecções particulares, que traçam o perfil de um dos mais distintos alcochetanos, profundamente venerado e respeitado na sua terra e em muitos lares portugueses.Em inúmeras residências pobres ou ricas do concelho, em vielas históricas e urbanizações modernas, notoriamente um dos elementos decorativos mais comuns das portadas é um quadro de azulejos representando o Padre Cruz.
A veneração não é exclusiva de Alcochete e suas freguesias, porque se repete um pouco por todo o país, embora sem a profusão evidente aos olhos de quantos reparem em pequenos detalhes do urbanismo local.
Além disso, tal como o jazigo do cemitério de Benfica (Lisboa), em que repousam os seus restos mortais, está sempre pejado de flores, também a sua estátua, no centro de Alcochete, não passa um dia sem receber um ramo fresco e viçoso.
Acresce que, não sendo santo – o processo continua pendente no Vaticano – nem o vulto que mais se evidenciou na defesa dos direitos humanos e no engrandecimento da vila, a gratidão e o reconhecimento da sua bondade fazem com que seja o único alcochetano com direito a duas esculturas: a referida estátua e o busto que, tendo-a precedido no mesmo local, seria depois transferido para um terraço do centro paroquial.
Nado no Rossio e baptizado na matrizEmbora haja dúvidas, o Padre Francisco Rodrigues da Cruz terá nascido no antigo Rossio de Alcochete, no dia 29 de Julho de 1859, no n.º 32 do Largo Barão de Samora Correia, sendo baptizado na Igreja Matriz, a 25 de Fevereiro de 1860.
Foi o quarto dos seis filhos que seus pais tiveram. Naturais de Alcochete, Manuel da Cruz e D. Catarina de Oliveira da Cruz, como bons cristãos e fiéis cumpridores dos seus deveres religiosos, educaram seus filhos no temor e amor de Deus.
Na casa em que o Padre Cuz nasceu existe uma placa evocativa, com a seguinte inscrição: "Em 29 de Julho de 1859 nasceu nesta casa de seus pais o padre Francisco Rodrigues da Cruz. A fé do baptismo que o santificou na igreja da nossa terra foi luz divina que iluminou a sua vida sacerdotal. A sua memória é luz bendita que a morte acendeu para não mais se apagar. A Câmara Municipal de Alcochete, 29-7-1950".
Aos nove anos de idade, Francisco, de temperamento vivo e activo, sensível, bondoso e alegre, foi com o irmão José para Lisboa, frequentar como interno o Colégio Europeu, onde estava já o irmão mais velho, Manuel, médico ilustre na vila de Montijo, que pelas suas benemerências lhe erigiu o busto patente num varandim do centro paroquial, conforme acima referi.
Depois, como externo, Francisco frequentou o Mainense, o Instituto Industrial e o liceu, onde estudou retórica, grego e filosofia.
Desde criança que pensava ser sacerdote e até lhe chamavam «Padre Francisco». Seu pai, que também manifestava o mesmo desejo a respeito do filho, ao terminar este os preparatórios em Lisboa perguntou-lhe que vida queria seguir. Ao que respondeu: «A vontade do pai é também a minha».
Entrada na Faculdade de TeologiaAssim, em 1875, com 16 anos de idade, Francisco parte para Coimbra e matricula-se na Faculdade de Teologia, vivendo com outros seis estudantes.
Todos viriam a ser sacerdotes. Em Coimbra foi sempre muito bom aluno, aplicado e bem comportado. No último ano do curso – 1879/1880 – inscreve-se na Congregação Mariana, erecta na Igreja de Santa Teresa e dirigida pelo lente dr. António Sebastião Valente, mais tarde Patriarca da Índia.
A este facto atribuía o Padre Cruz especial importância na orientação da sua vida para a santidade.
Terminado o curso teológico em 1880, com o grau de Bacharel, como não tivesse a idade canónica para ser ordenado sacerdote (contava apenas 21 anos incompletos), vai para o Seminário de Santarém ensinar filosofia, múnus que manteve até 1880.
No dia 3 de Junho de 1882 recebe a ordem de presbítero, conferida por D. António de Freitas Honorato, Arcebispo Titular de Mitilene e mais tarde Residencial de Braga.
Celebra a primeira missa 22 dias depois, num domingo, a pedido dos seminaristas, que nesse dia celebravam a festa de S. Luís, tendo assistido seu pai e irmãos. Sua mãe falecera a 15 de Agosto do ano anterior.
Em Santarém o Padre Cruz começa a sofrer de um esgotamento, que nunca mais o abandonaria e se agrava a ponto de, em 1886, ter de renunciar ao ensino.
Convidado pelo Provedor do Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga, para ir dirigir aquela casa, toma conta do cargo nesse mesmo ano. Ali se dedica de alma e coração à formação dos pequenos órfãos, procurando dar ao colégio uma orientação absolutamente religiosa, preocupação que se reflecte numa carta escrita ao Arcebispo de Braga, antes de deixar a direcção do estabelecimento.
Muitos dos seus antigos alunos lhe manifestaram pelos anos fora quanto admiravam, estimavam e amavam o seu antigo director.
Saúde precária até ao fim da vidaA saúde do Padre Cruz era cada vez mais precária, celebrando a missa com dificuldade, e além da direcção do colégio exercia ainda as funções de professor e ajudava o pároco de S. Maximinos, freguesia em cuja área se situava o estabelecimento de ensino.
Em 1894 é forçado a renunciar ao cargo. Não quis, porém, que a direcção do colégio ficasse sem óptimos substitutos. Para isso fez diligências prementes, com cartas e orações, para que os padres salesianos tomassem conta do colégio. O empenho do Padre Cruz foi, deste modo, a razão do estabelecimento dos salesianos em Portugal.
O Cardeal Patriarca, D. José Neto, encarrega-o então da direcção espiritual do Seminário Menor do Farrobo, perto de Vila Franca de Xira, acompanhando um ano depois, em 1896, os seminaristas para S. Vicente de Fora.
Além do trabalho de director espiritual preparava as visitas pastorais do prelado lisbonense às diversas freguesias do patriarcado – sendo por esse motivo apelidado «São João Baptista Precursor» – e exercia o seu ministério sacerdotal na Igreja de S. Vicente e na capela do Conventinho das Clarissas do Desagravo.
Sofreu a perseguição nos últimos anos da monarquia e nos primeiros do regime republicano, sendo duas vezes preso pelas autoridades do novo regime. Em 1913 dá a primeira comunhão à vidente Lúcia, então com seis anos de idade, e em 1917 vai a Fátima falar com os três pastorinhos, rezando com eles o terço junto do local onde lhes aparecia Nossa Senhora e assegurando-lhes que era a Virgem quem lhes aparecia.
Entrada na Companhia de Jesus
Com 81 anos de idade realiza o sonho da sua vida, fazendo os votos religiosos da Companhia de Jesus, cumprindo assim o voto que fizera em 1886, de entrar nela se Deus lhe desse saúde.
Já em 1901 e 1910 tentara satisfazer o seu desejo, ao que os superiores da Companhia se opuseram. Finalmente, em 1929, conseguiu de Pio XI fazer os votos religiosos à hora da morte, e de Pio XII, em 1940, emiti-los já, o que fez no noviciado em Guimarães, a 3 de Dezembro desse ano, festa de São Francisco Xavier, santo da sua grande devoção, que tomara por protector, mestre e modelo.
Pio Xll não só o dispensou do noviciado como lhe permitiu continuar a viver fora das casas da sua religião. Contudo, era muito cuidadoso em pedir as devidas licenças aos seus superiores religiosos.
O Padre Cruz vivia só para Deus e para as almas. Até quase à hora morte, a sua vida foi um contínuo peregrinar por todo o Portugal a confessar, a pregar, a abençoar e a consolar, numa palavra, a fazer bem.
Apesar de saúde muito precária, nunca conhecia descanso e quando lho recomendavam respondia: «Temos uma eternidade para descansar». De facto, fazendo-se tudo para todos como S. Paulo, não vivendo para si mas só para almas cuja eterna salvação procurava, não se poupava a trabalhos e sacrifícios para o conseguir.
As suas viagens foram contínuas, usava toda a espécie de transportes, e quando a natureza do caminho não permitia outros, como nas serras, ia de burro ou em cadeirinha de mão.
Cumpria admiravelmente o que pregava aos sacerdotes nas conferências da União Apostólica do Clero. "A nossa missão é esta : confessar enquanto houver pecadores ao pé do confessionário; pregar enquanto houver ouvintes no templo; e rezar até já não poder mais".
Em 1942, com 83 anos, o seu zelo leva-o ainda a percorrer as ilhas da Madeira e dos Açores. Porém, o seu ministério sacerdotal exerceu-o de preferência junto dos humildes.
Quando o cardeal D. António Mendes Belo, que escolhera o Padre Cruz para seu confessor, o pretende nomear cónego da Sé Patriarcal, o ilustre alcochetano escreve-lhe uma carta, datada de 27 de Março de 1925, repassada de humildade, obediência e zelo da salvação das almas, na qual manifesta o desejo, que considerava especial vocação de Deus, de se dedicar ao apostolado entre "os presos das cadeias, os doentes dos hospitais, os pobrezinhos e abandonados, e tantos pecadores e almas abandonadas".
Alcochete sempre no coração
Preocupação constante do seu zelo era a terra natal. Procurava o seu bem espiritual, arranjando confessores e pregadores para as primeiras sexta-feiras e festividades, pagando a professoras que ensinassem também a doutrina cristã às crianças, quando esse ensino estava interdito, e materialmente socorria famílias necessitadas, mandando dar esmolas aos pobres, em géneros e dinheiro.Alcochete soube corresponder-lhe com gratidão, sobretudo no 60.° aniversário da sua primeira missa, em 1912, e, ao ser aberta ao público a Igreja Matriz, após as obras de restauro de 1945, afirmaria nessa ocasião o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira:
"Alcochete, só por ser a terra do Padre Cruz, virá a ser um dia lugar de peregrinação». Não se enganou, como é bem patente na estátua existente no Largo de São João, junto da qual já observei em recolhimento gente conhecida no país. O fim de um grande alcochetano
A última vez que o Padre Cruz pôde celebrar missa foi a dia 1 de Dezembro de 1947, prostrado por uma pneumonia. No dia 8 recebe os últimos sacramentos e no dia 12, moribundo, é-lhe recitado o ofício da agonia. Melhora e só a 1 de Outubro do ano seguinte, tendo-lhe sido administrada a comunhão, como de costume, no quarto, depois de breve Acção de Graças, sobrevem-lhe pelas 8h30 um colapso cardíaco. Suavemente entrega a alma a Deus.
A venerar o cadáver estiveram o Cardeal Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, que lhe beijou comovido as mãos, monsenhor Umberto Mozzoni, em representação do Núncio Apostólico, e muitas outras pessoas de relevo social na época.
Na tarde do dia 2 de Outubro, o corpo, conduzido processionalmente para a Sé Patriarcal, ali fica exposto, desfilando perante ele, continuamente, dia e noite, milhares de pessoas, querendo tocar naqueles despojos terços, crucifixos, estampas, etc.
No dia seguinte, por determinação do Patriarca, celebram-se solenes exéquias na Sé, presididas pelo próprio, com a assistência do Cabido, de membros do governo e de inúmeras individualidades. Pelas 15 horas realiza-se o funeral, ficando o corpo depositado no jazigo na Companhia de Jesus, no cemitério de Benfica (Lisboa), segundo a vontade expressamente exarada pelo Padre Cruz num documento.
E, tal como a sua estátua em Alcochete, também à porta do jazigo há sempre inúmeros ramos de flores frescas.O Padre Cruz praticou todas as virtudes em grau extraordinário, dizem-no os que o conheceram. Já em 1894, numa carta dirigida pelo superior dos Salesianos ao vigário geral da Congregação de S. João Bosco, se diz que "o Padre Francisco da Cruz é de uma tal virtude que em Braga costumam chamar-lhe 'o Padre Santo'.
Considerado santo já em vida e atribuindo-se-lhe intervenção poderosa na obtenção de graças maravilhosas, foram feitos pela autoridade eclesiástica os processos canónicos em ordem à sua beatificação.
Esses processos foram entregues à Sagrada Congregação dos Ritos, em 17 de Setembro de 1965, e aprovados em 30 de Dezembro de 1971. Desde que se provem, além disso, dois milagres alcançados pela sua intercessão, a Santa Sé elevará às honras dos altares o Padre Francisco Rodrigues da Cruz, glória da vila de Alcochete. O processo continua pendente no Vaticano.Documentos complementares para consulta
Os documentos que reproduzo têm a singela finalidade de ajudar a compreender a mística e a fé que rodeiam este alcochetano simples, sereno e bondoso, mas capaz de fazer rir quem o escutava.
Tanto pelos documentos que publico, uma vez mais, como por relatos de quem o conheceu em vida, depreende-se que, já adulto, o padre jesuíta Francisco Rodrigues da Cruz residia em Lisboa mas nunca deixou de voltar regularmente à sua terra.
Atravessava o Tejo no vapor que todos conheciam, carinhosamente, como "O menino", como qualquer outro modesto cidadão, e assim que punha o pé em terra era rodeado por um bando de miúdos, que o acompanhavam nas deambulações pela vila.
Esses miúdos são hoje os avós das mais antigas famílias da vila e seria lamentável se esses testemunhos orais se perdessem para sempre. Porque uma coisa é o que relatam jornalistas, biógrafos e escritores; outra, bem distinta, a vivência dos protagonistas das pequenas histórias do quotidiano.
De cima para baixo, eis a identificação das imagens publicadas:
1 - Uma imagem pouco conhecida do Padre Cruz (da colecção familiar), datada da última parte da sua vida;
2 - Caligrafia e assinatura pessoal num cartão dirigido ao sobrinho-neto, dr. Elmano Alves;
3 - Frontaria da casa situada no Largo Barão de Samora Correia (vulgo Rossio), onde existe a placa que assinala o local de nascimento;
4 - Recorte de jornal da colecção da família
5 - Medalha comemorativa do centenário do seu nascimento (colecção familiar);
6 - A sua última imagem em vida, na qual vem a basear-se o autor da estátua existente no Largo de São João, em Alcochete;
7 - Estátua do Padre Cruz, em Alcochete, da autoria do escultor Luís Valdés Castelo Branco, inaugurada a 15 de Janeiro de 1969. A maioria desconhece que a face reproduzida no bronze foi obtida a partir da própria máscara funerária;
8 - Imagem da cerimónia inaugural da estátua do Padre Cruz;
9 - Recorte do «Diário de Notícias»
As imagens a cores são minhas e as restantes reproduzidas a partir de documentos originais cedidos pelos drs. Francisco Elmano Alves (sobrinho-neto do Padre Cruz) e João Marafuga
21 julho 2009
As coisas são para se dizerem
Alcochete também anda nas bocas do mundo pelas piores razões.
Estou a referir-me ao caso de mega-corrupção, o caso Freeport. Neste é arguído o presidente anterior da Câmara Municipal de Alcochete, sr. José Inocêncio, homem levado ao poder pelo Partido Socialista.
Ou eu estou enganado ou os actuais candidatos à presidência da Câmara de Alcochete têm alguma coisa a ver com todo este processo.
Uma candidatura a presidente de Câmara não incluirá a defesa do bom nome da terra cuja gestão autárquica quer levantar à altura dos ombros?
Por eu pensar que sim, penso que os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva se deveriam demarcar de forma claríssima das práticas suspeitas relativas ao licenciamento de todo o espaço para o empreendimento comercial em foco.
Porque das duas tem que ser uma: ou as pessoas iam vendo as coisas e calavam-se, sendo coniventes com a corrupção ou não viam nada e são incompetentes.
Se há alguma pertinência no que eu digo, há gente que por aí anda que não se pode candidatar a cargos públicos.
Estou a referir-me ao caso de mega-corrupção, o caso Freeport. Neste é arguído o presidente anterior da Câmara Municipal de Alcochete, sr. José Inocêncio, homem levado ao poder pelo Partido Socialista.
Ou eu estou enganado ou os actuais candidatos à presidência da Câmara de Alcochete têm alguma coisa a ver com todo este processo.
Uma candidatura a presidente de Câmara não incluirá a defesa do bom nome da terra cuja gestão autárquica quer levantar à altura dos ombros?
Por eu pensar que sim, penso que os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva se deveriam demarcar de forma claríssima das práticas suspeitas relativas ao licenciamento de todo o espaço para o empreendimento comercial em foco.
Porque das duas tem que ser uma: ou as pessoas iam vendo as coisas e calavam-se, sendo coniventes com a corrupção ou não viam nada e são incompetentes.
Se há alguma pertinência no que eu digo, há gente que por aí anda que não se pode candidatar a cargos públicos.
Rótulos:
Câmara Municipal,
pessoas,
política
20 julho 2009
Autárquicas 2009 (2)
Há outras perguntas que posso acrescentar às do texto imediatamente anterior para colocar aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Alcochete.
Aqui tão pertinho de nós, sempre foi um facto com pergaminhos históricos a tendência hegemónica do Montijo sobre Alcochete. Há pessoas que chegam a falar e a escrever da inevitabilidade de a nossa terra perder a liberdade autonómica. Sobre esta matéria, os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva que opinariam?
Alcochete é uma manta de retalhos de todas as cores. Além dos autóctones e dos novos moradores, há imigrantes de vários países do Leste Europeu, de África, do Brasil, etc. Ora eu penso que é possível defender a alcochetanidade e os imigrantes. Que políticas têm Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para os muitos imigrantes estabelecidos em Alcochete?
Finalmente, numa humanidade cada vez mais unificada que faz de todos vizinhos de todos, eu gostava de saber quais os projectos de Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para a afirmação do papel de Alcochete em contexto tão novo e diversificado.
Espero que qualquer dos candidatos disponha de uma síntese orientadora em termos políticos que permita respostas pertinentes às minhas perguntas, todos eles dando fé aos eleitores da interiorização de um desígnio para Alcochete.
Aqui tão pertinho de nós, sempre foi um facto com pergaminhos históricos a tendência hegemónica do Montijo sobre Alcochete. Há pessoas que chegam a falar e a escrever da inevitabilidade de a nossa terra perder a liberdade autonómica. Sobre esta matéria, os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva que opinariam?
Alcochete é uma manta de retalhos de todas as cores. Além dos autóctones e dos novos moradores, há imigrantes de vários países do Leste Europeu, de África, do Brasil, etc. Ora eu penso que é possível defender a alcochetanidade e os imigrantes. Que políticas têm Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para os muitos imigrantes estabelecidos em Alcochete?
Finalmente, numa humanidade cada vez mais unificada que faz de todos vizinhos de todos, eu gostava de saber quais os projectos de Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para a afirmação do papel de Alcochete em contexto tão novo e diversificado.
Espero que qualquer dos candidatos disponha de uma síntese orientadora em termos políticos que permita respostas pertinentes às minhas perguntas, todos eles dando fé aos eleitores da interiorização de um desígnio para Alcochete.
Rótulos:
Câmara Municipal,
pessoas,
política
19 julho 2009
Autárquicas 2009 (1)
Entre nós há algumas questões que se poderiam considerar um pouco fracturantes e exigem da parte dos candidatos ao cargo de presidente da Câmara de Alcochete uma resposta urgente.
Eu vou falar de forma muito concreta, evitando lugares-comuns (clichés) porque me repugnam. Na verdade, creio que sou mais intelectual e menos político (conquistador do poder). Este meu linguajar não entra na cabeça de muitas pessoas, pois julgam que um professor que não se reclame de intelectual não se diminui a seus olhos e aos dos outros.
Mas voltemos à vaca fria.
Em relação à orla ribeirinha, especialmente à Praia dos Moinhos, urge saber qual é a posição de António Maduro e Borges da Silva, uma vez que existe toda uma gama de projectos que recebem o agrément dos comunistas para subtrair esta praia fluvial às populações. O ensaio mais grave deste abuso começou com as condições dadas aos holandeses para a instalação do estaleiro, hoje resumido a toneladas e toneladas de sucata cuja remoção pede enfrentamento político inadiável.
Segue-se o problema da municipalização da Fundação João Gonçalves Júnior. Que pensam António Maduro e Borges da Silva? Deixar as coisas como estão desde o PREC ou devolver a referida instituição à égide da Igreja Católica, fazendo jus ao Direito e à História?
Finalmente, no que respeita às colectividades, António Maduro e Borges da Silva defendem que as nossas associações continuem a viver à custa dos pagadores de impostos, assim assassinando todo o espírito do associativismo ou têm ideias claras para contrariar a política nefasta e nefanda dos comunistas?
É que na resposta que derem a estas questões, ficaremos a saber do grau de proximidade ou de distância destes candidatos a uma visão marxista da sociedade.
Eu vou falar de forma muito concreta, evitando lugares-comuns (clichés) porque me repugnam. Na verdade, creio que sou mais intelectual e menos político (conquistador do poder). Este meu linguajar não entra na cabeça de muitas pessoas, pois julgam que um professor que não se reclame de intelectual não se diminui a seus olhos e aos dos outros.
Mas voltemos à vaca fria.
Em relação à orla ribeirinha, especialmente à Praia dos Moinhos, urge saber qual é a posição de António Maduro e Borges da Silva, uma vez que existe toda uma gama de projectos que recebem o agrément dos comunistas para subtrair esta praia fluvial às populações. O ensaio mais grave deste abuso começou com as condições dadas aos holandeses para a instalação do estaleiro, hoje resumido a toneladas e toneladas de sucata cuja remoção pede enfrentamento político inadiável.
Segue-se o problema da municipalização da Fundação João Gonçalves Júnior. Que pensam António Maduro e Borges da Silva? Deixar as coisas como estão desde o PREC ou devolver a referida instituição à égide da Igreja Católica, fazendo jus ao Direito e à História?
Finalmente, no que respeita às colectividades, António Maduro e Borges da Silva defendem que as nossas associações continuem a viver à custa dos pagadores de impostos, assim assassinando todo o espírito do associativismo ou têm ideias claras para contrariar a política nefasta e nefanda dos comunistas?
É que na resposta que derem a estas questões, ficaremos a saber do grau de proximidade ou de distância destes candidatos a uma visão marxista da sociedade.
Rótulos:
Câmara Municipal,
pessoas,
política
18 junho 2009
Ruy de Sousa Vinagre
Ruy de Sousa Vinagre foi presidente da Câmara Municipal de Alcochete nos meados do séc. XX, fase de pouca disponibilidade para o cargo da parte dos notáveis locais segundo testemunho do Eng.º Ferreira do Amaral (Pai) ao autor destas linhas.
Sem ser alcochetano, Ruy de Sousa Vinagre foi o melhor presidente camarário que Alcochete teve na segunda metade do século passado. Diríamos que este administrador, empregado bancário de profissão, revolucionou Alcochete, pois montou as bases para a rede de esgotos, distribuiu água ao domicílio, electrificou, calcetou, ajardinou, etc. Por tudo isto, muito justamente, o seu nome foi dado a uma rua em Alcochete.
Sem ser alcochetano, Ruy de Sousa Vinagre foi o melhor presidente camarário que Alcochete teve na segunda metade do século passado. Diríamos que este administrador, empregado bancário de profissão, revolucionou Alcochete, pois montou as bases para a rede de esgotos, distribuiu água ao domicílio, electrificou, calcetou, ajardinou, etc. Por tudo isto, muito justamente, o seu nome foi dado a uma rua em Alcochete.
06 abril 2009
Uma opinião pública alcochetana
Desde criança que eu ouço falar de "povo alcochetano". Só mais tarde é que fui posto na frente da mesma expressão com a leitura dos livros do historiador local José Estêvão, nome injustiçado no âmbito da nossa micro-cultura.
Povo aglutina todos os extractos sociais sem nada ter a ver com a divião marxista da sociedade em classes. A luta destas, para Marx, seria a mola da História.
Outra coisa curiosa é que eu, também desde criança, sempre ouvi falar de "terra de Alcochete". Não poucos dos meus textos utilizam a expressão "esta minha terra de Alcochete". Não é possível que eu fale assim por falar porque não há estrutura de pensamento sem nada que a preceda.
O conceito "minha terra" só faz sentido por oposição e respeito à terra que é do outro. Não vejo no que esta estrutura ancestral, tão básica quanto natural, esteja na lógica do fim da propriedade privada e internacionalismo comunista - Proletários de todos os países, uni-vos (Assim acaba o Manifesto Comunista de Marx e Engels publicado em 1848).
Depois, há uma literatura local que vem dos fins do séc. XIX aos nossos dias: Boieiro de Pancas, Luís Cebola, Dr. Grilo, Germano Carvalheda, Leonor Matos, Maria José Branco, António Neto Salgado, João Santana, António Rei, Constantino Menino, Manuel Rei e tantos outros cujo elenco exaustivo abusaria dos moldes pré-delineados para este artigo.
Entre poemas e contos, os milhares de textos que estas pessoas nos deixaram inserem-se no veio dos princípios e valores da civilização ocidental judaico-cristã: a terra, o rio, o fado, o touro, a família, etc.
O que disse e o muito que ficou por dizer me afoita a sustentar que temos bases indeléveis para defender uma opinião pública alcochetana cuja pedra angular seria a ideia de que o comunismo é estruturalmente uma mentira.
Povo aglutina todos os extractos sociais sem nada ter a ver com a divião marxista da sociedade em classes. A luta destas, para Marx, seria a mola da História.
Outra coisa curiosa é que eu, também desde criança, sempre ouvi falar de "terra de Alcochete". Não poucos dos meus textos utilizam a expressão "esta minha terra de Alcochete". Não é possível que eu fale assim por falar porque não há estrutura de pensamento sem nada que a preceda.
O conceito "minha terra" só faz sentido por oposição e respeito à terra que é do outro. Não vejo no que esta estrutura ancestral, tão básica quanto natural, esteja na lógica do fim da propriedade privada e internacionalismo comunista - Proletários de todos os países, uni-vos (Assim acaba o Manifesto Comunista de Marx e Engels publicado em 1848).
Depois, há uma literatura local que vem dos fins do séc. XIX aos nossos dias: Boieiro de Pancas, Luís Cebola, Dr. Grilo, Germano Carvalheda, Leonor Matos, Maria José Branco, António Neto Salgado, João Santana, António Rei, Constantino Menino, Manuel Rei e tantos outros cujo elenco exaustivo abusaria dos moldes pré-delineados para este artigo.
Entre poemas e contos, os milhares de textos que estas pessoas nos deixaram inserem-se no veio dos princípios e valores da civilização ocidental judaico-cristã: a terra, o rio, o fado, o touro, a família, etc.
O que disse e o muito que ficou por dizer me afoita a sustentar que temos bases indeléveis para defender uma opinião pública alcochetana cuja pedra angular seria a ideia de que o comunismo é estruturalmente uma mentira.
09 março 2009
Parabéns, Luís!
O facto de ser adversário de Luís Proença em várias áreas políticas não me coíbe de lhe dar os parabéns pela obra que acaba de publicar a favor do futebol entre os mais novos. Devo dizer que fui apanhado de surpresa esta noite quando visitei o blog "Alcochetanidades", facto que lograria a sua cereja no pico se o autor me presenteasse com um exemplar da obra autografado e tudo.
Da gentileza que venha a ter não poderá Luís Proença esperar a minha conversão a qualquer relvado que por aí se veja.
10 fevereiro 2009
Uma carta de João Gonçalves
Esta carta interessantíssima é de João Gonçalves, mais conhecido em Alcochete, Portugal e até mesmo além fronteiras por «Joãozinho». Este alcochetano, deveras intrigante, teria nascido nos princípios do séc. XX e faleceu alguns anos antes do 25 de Abril. Depois de eu, muito criança, ter sido acossado por uma doença que forçaria os médicos a declarar à minha mãe a inevitabilidade da minha morte, meu pai pegou-me nos próprios braços e levou-me ao sr. Joãozinho. Este homem recomendou-lhe que fosse ao campo, colhesse, sem engano, sete ou nove espécies de ervas (já não me lembro bem), que derretesse um bocado de toucinho numa frigideira, pusesse lá as ditas ervas e que me desse a beber aquela mezinha. A verdade é que deitei um bicho pela boca fora que minha mãe conservou em álcool para eu ver quando ganhasse memória e não mais esquecesse.O sr. Joãozinho vivia numa das suas casas no Rato.
03 fevereiro 2009
Luís Cebola, grande forcado e grande senhor

Enquanto vasculhávamos papéis dispersos por gavetas, encontrámos este bilhete da corrida de touros que acolheu a despedida de Luís Cebola das arenas (24 de Julho de 1993).
Luís Cebola é, sem dúvida, um dos nomes mais ilustres da forcadagem alcochetana de todos os tempos.
Aqui fica esta singela homenagem do blog Praia dos Moinhos ao grande cabo de forcados e grande senhor, Luís Cebola.
Que a nova Direcção do Aposento do Barrete Verde, olhos postos nesta estirpe de homens, nunca perca de vista o espírito de José André dos Santos e dos fundadores de uma das casas mais nobres desta nossa terra de Alcochete.
26 janeiro 2009
Municipalismo de outrora (9): nomeação do dr. Simões Arrôs
Em meados de 1941 ocorre em Alcochete um surto de febre tifóide e, na sessão de 1 de Agosto, a câmara paga 51$ a uma senhora que prestara serviços no balnério público "durante a campanha contra o tifo".Numa deliberação camarária, de Fevereiro desse ano, invoca-se o recenseamento geral da população, realizado no ano anterior, segundo o qual a principal freguesia (Alcochete) tinha 4000 habitantes e a periferia (incluindo Samouco) cerca de 2000 pessoas. Tais factos, somados à circunstância de haver "fáceis meios de comunicação no concelho", levaria a câmara a propor ao ministro do Interior que o segundo médico municipal residisse também na vila, embora prestasse serviço prioritário em Samouco.
O caso tinha alguns contornos políticos – possivelmente devido a divergências herdadas da restauração do concelho, em 1898, quando em Samouco surge um grupo que tenta manter a freguesia no município de Montijo – e a nomeação desse médico para a freguesia periférica andaria embrulhada cerca de ano e meio, resolvendo-se apenas na Primavera de 1944, ao ser nomeado o falecido dr. Manuel Simões Arrôs (1910-2007).
O processo tem início no Verão de 1942, quando o presidente da câmara propõe que o lugar seja posto a concurso, encetando logo diligências para que a sua residência seja fixada em Alcochete, para evitar problemas políticos futuros.
A proposta divide a vereação. Manuel Ferreira da Costa discorda da abertura do concurso, enquanto não for dada resposta a um pedido de esclarecimento da câmara, ao Ministério do Interior, formulado cerca de ano e meio antes.
António Antunes secunda a posição do presidente, mas sugere que se aguarde pela resposta da comissão incumbida de emitir parecer acerca da petição da câmara, invocando o argumento de que convinha "evitar que, colocado o médico na freguesia rural, não surjam depois dificuldades de ordem política local, nem prejuízos que obstem ao estabelecimento da residência do médico na sede do concelho, com prejuízo para a boa regularização da assistência clínica".
Só em Janeiro de 1943 a câmara decidirá abrir concurso para o segundo médico municipal, cujo cargo vagara cerca de dois anos antes devido a aposentação do anterior titular, e a nomeação vem a concretizar-se mais de um ano depois (em Março de 1944), quando a vereação vota em escrutínio secreto e decide por maioria admitir o dr. Manuel Simões Arrôs, que fixa residência em Alcochete embora prestasse sobretudo serviço em Samouco.
O Dr. Simôes Arrôs faleceu, em Alcochete, a 9 de Abril de 2007.
Texto anterior da série «Municipalismo de outrora» arquivado aqui.
continua
20 janeiro 2009
Grande abraço a Isabel M!

Envio para Londres um abraço a Isabel M, bisneta de António Rodrigues Regatão, a qual, graças a este texto, pôde conhecer uma imagem do seu antepassado.
Repare-se no comentário por ela introduzido no texto.
Já agora, Isabel, especialmente para si aqui tem uma página com tudo o que neste blogue se escreveu acerca do seu bisavô.
E o que ainda não se escrevera, por falta de oportunidade, fica registado em seguida, com duas imagens pouco conhecidas: ao alto, grupo de fundadores do Aposento do Barrete Verde, onde figura seu bisavô. Um pouco mais abaixo, neste texto, há ainda um documento histórico da fundação do Aposento.
Há cerca de sete anos, quando originalmente escrevi e publiquei este texto, registei nele que o filho de António Rodrigues Regatão - reformado e então com quase 80 anos - lamentava que Alcochete se tivesse esquecido do pai, oficialmente tido como o ideólogo do Aposento do Barrete Verde.
Nunca houve justificação para tal e presume-se que a razão seja apenas uma: não nasceu cá!
O impulsionador do Aposento do Barrete Verde foi o jornalista José André dos Santos e na época (início da década de 40 do século passado) surgiram várias ideias acerca do nome a atribuir-lhe, tais como Casa, Pousada ou Albergue.
Chega a ser impressa uma circular, datada de 22 de Agosto de 1944, em que surge estampada a denominação Pousada do Barrete Verde. Todavia, quando é distribuída à população tem sobreposta à palavra Pousada, através de um carimbo, a designação Aposento (ver imagem acima ampliada).Tudo indica que António Rodrigues Regatão foi quem atribuiu a denominação final ao Aposento e terá também contribuído para a redacção dos seus princípios básicos e do projecto inicial de estatutos.
O Aposento do Barrete Verde nasceu a 20 de Agosto de 1944 e são seus fundadores oficiais Álvaro José da Costa, António Rodrigues Regatão, António Tomé, Augusto Atalaia, Augusto Ferreira da Costa, Augusto Ferreira Gonçalves de Oliveira, Augusto Ferreira Saloio, Carlos Pedro de Oliveira, Estêvão João Pio Nunes, João Baptista Lopes Seixal, Joaquim José de Carvalho, Joaquim Tomás da Costa Godinho, José de Oliveira, Manuel Ferreira Perinhas, Dr. Manuel Simões Arrôs e Virgílio Jorge Saraiva.
António Rodrigues Regatão, falecido em 1966 em Alcochete, era natural de Alandroal, distrito de Évora, onde nasceu em 1890. Foi fundador e presidente do Sindicato dos Ajudantes Técnicos de Farmácia, radicando-se em Alcochete no ano de 1933, para exercer a sua profissão de farmacêutico, adquirindo a Farmácia Gameiro (cujo nome lamentavelmente desapareceu quando, há pouco tempo, o estabelecimento se mudou para a Urbanização do Barris).
António Rodrigues Regatão foi também presidente da Assembleia Geral da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 e tomou parte activa na aquisição do edifício classificado onde se situa a sua sede, na Rua Comendador Estêvão de Oliveira.
Foi criador e ideólogo - na sua forma física, filosófica e programática - do Aposento do Barrete Verde, expressa na circular para angariação de sócios, datada de 22 de Agosto de 1944, publicada mais acima nesta página.
Lutou contra a ditadura do Estado Novo, foi figura destacada e de referência em Alcochete, sendo citado no «Livro Branco do Fascismo». Em consequência das suas opções políticas, foi perseguido na actividade comercial por pessoas influentes e afectas à ditadura.
Em data que não posso precisar – porque o original manuscrito não está datado – a Câmara Municipal recebeu uma proposta para atribuir o seu nome a uma artéria de Alcochete. Nunca obteve resposta. O documento deve constar do arquivo municipal e o seu teor é o seguinte:
"As Festas do Barrete Verde e das Salinas são as festas mais representativas do povo alcochetano, da sua cultura e da sua identidade. Projectaram o nome de Alcochete por todo o país, transpondo fronteiras e proporcionando, todos os anos, a reunião da família alcochetana.
"À personalidade que as criou, José André dos Santos, já foi devida e justamente prestada homenageada. Foi dado o seu nome a uma rua de Alcochete. "Houve alguém que teve a iniciativa, apoiada por um grupo de pessoas que constituíram o núcleo dos sócios fundadores, de criar uma colectividade com a obrigatoriedade de realizar as Festas do Barrete Verde e das Salinas e, consequentemente, de as perpetuar. De estabelecer os princípios que a devia corporizar: trabalhar por Alcochete; fazer a sua propaganda; pugnar pelo seu progressivo desenvolvimento, tornar conhecidas todas as suas belezas naturais; criar um lar regional representativo das tradições, do labor, das tendências e aspirações da família alcochetana e que sirva de casa de recepção de visitantes. "Foi esta mesma pessoa que materializou estes princípios, organizando e dando vida à mais representativa e importante colectividade alcochetana, o Aposento do Barrete Verde. "Este alguém foi António Rodrigues Regatão. "Por analogia com a homenagem a José André dos Santos, e dentro dos mesmos princípios, propomos que seja atribuído o nome de António Rodrigues Regatão a uma rua de Alcochete. Porque nos parece de elementar justiça e gratidão para com a memória de quem fez algo de concreto por Alcochete. Era incontestavelmente seu grande amigo e alcochetano de coração".
Tendo dado pouco ou nada a Alcochete, há quem tenha o seu nome inscrito numa artéria. António Rodrigues Regatão deu algo bem visível, mas cerca de 43 anos após a sua morte ainda não lhe foi feita justiça.
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19 janeiro 2009
A realidade preterida por narrativas

Ontem, Domingo, 18 de Janeiro de 2009, pelas 17H30, dirigi-me aos Paços do Concelho para assistir à sessão solene do 111º aniversário da Restauração do Concelho de Alcochete que medalhou o contrabaixista notável Armando Crispim, a Associação GilTeatro, o Centro Social de São Brás do Samouco e a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete.
Há muitos anos que lá não ia e muitos outros decorreriam se a tal não me visse obrigado pelo meu amigo Armando Crispim, cuja história de vida é uma vitória retumbante sobre as forças cegas desta terra de Alcochete.
Logo após as merecidas honras prestadas ao Armando, senti um impulso que me levaria a sair do salão se isso não fosse uma falta de respeito às entidades colectivas logo a seguir agraciadas.
É que eu estava agoniado pela preterição da realidade a favor da imposição de narrativas, fosse a história de vida do sr. Miguel Boieiro em espaço e tempo tão desaconselhado para tal, fosse a mistificação do dr. Luís Franco sobre a obra da Câmara ao longo destes mais de três anos. Sim, porque eu não vejo, por mais que abra os olhos, nenhuma obra digna de referência levada a cabo por estes autarcas.
Há muitos anos que lá não ia e muitos outros decorreriam se a tal não me visse obrigado pelo meu amigo Armando Crispim, cuja história de vida é uma vitória retumbante sobre as forças cegas desta terra de Alcochete.
Logo após as merecidas honras prestadas ao Armando, senti um impulso que me levaria a sair do salão se isso não fosse uma falta de respeito às entidades colectivas logo a seguir agraciadas.
É que eu estava agoniado pela preterição da realidade a favor da imposição de narrativas, fosse a história de vida do sr. Miguel Boieiro em espaço e tempo tão desaconselhado para tal, fosse a mistificação do dr. Luís Franco sobre a obra da Câmara ao longo destes mais de três anos. Sim, porque eu não vejo, por mais que abra os olhos, nenhuma obra digna de referência levada a cabo por estes autarcas.
NOTA: mas agora penso eu cá comigo: e se a realidade é intencionalmente preterida pela imposição de narrativas que nos oferecem a ilusão dessa mesma realidade? Aqui, a mera alienação seria substituída por um corte fulminante que passaria entre os nossos pés e o chão que pisamos. Assim, tudo nos poderia ser dito, inclusive que as raízes das árvores sobem direitas ao céu e as folhas se entranham no subsolo, que ninguém se lembraria de erguer a voz para a mínima contestação.
O meu amigo ou amiga dirá que o Marafuga está a delirar!
Olhe que não!...Olhe que não!...
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Câmara Municipal,
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16 janeiro 2009
Respeito e perversidade
Alcochete acaba de perder António Rei, uma das suas raras referências culturais contemporâneas. Se muitos outros motivos não existissem, o simples facto de, há três anos, ter sido agraciado pelo município com a medalha D. Manuel I justificaria uma nobre atitude pelo seu falecimento.
Um galardão de mérito atribuído por uma autarquia é um gesto de reconhecimento público pela vida e obra de alguém e, se significa algo mais que pretexto para propaganda visando a conservação do poder, a coerência exige que se respeitem a pessoa e a sua memória.
Porém, ao início da madrugada de quinta-feira, decorria o velório do seu corpo, alguém da câmara mandou iniciar um foguetório. A decisão irreflectida repetir-se-ia menos de quatro horas após o funeral. E, novamente, cerca das 20h30, 20h45, 21h00, 21h30 e 22h00.
Admito que o significado fosse a celebração da restauração da autonomia municipal há 111 anos e não um pretexto politicamente perverso.
Contudo, se a causa fosse a primeira, por respeito à memória de António Rei deveriam guardar os foguetes. Porque só a segunda explica a insensibilidade perante a morte de alguém que há três anos se lisonjeava.
Um galardão de mérito atribuído por uma autarquia é um gesto de reconhecimento público pela vida e obra de alguém e, se significa algo mais que pretexto para propaganda visando a conservação do poder, a coerência exige que se respeitem a pessoa e a sua memória.
Porém, ao início da madrugada de quinta-feira, decorria o velório do seu corpo, alguém da câmara mandou iniciar um foguetório. A decisão irreflectida repetir-se-ia menos de quatro horas após o funeral. E, novamente, cerca das 20h30, 20h45, 21h00, 21h30 e 22h00.
Admito que o significado fosse a celebração da restauração da autonomia municipal há 111 anos e não um pretexto politicamente perverso.
Contudo, se a causa fosse a primeira, por respeito à memória de António Rei deveriam guardar os foguetes. Porque só a segunda explica a insensibilidade perante a morte de alguém que há três anos se lisonjeava.
15 janeiro 2009
Bem hajas, poeta!
A pedido do poeta alcochetano Manuel Rei, mais uma singela homenagem a António Rei.
O Poeta,
Não tem muito d'especial,
Mas há algo p'ra contar.
Pode trabalhar no sal,
Ou andar por esse mar,
Onde por certo é tentado,
A escrever talvez um fado...
Pode até não ser letrado.
Mas ele tem sabedoria,
Simplesmente por ser tocado
Pela mão da poesia...
O Poeta,
É por natureza bom.
Usa as armas do seu dom,
Sem jamais ser violento,
E reclama bem a fundo
Por justiça neste mundo
Dando todo o seu talento...
Escreve coisas muito belas.
Vale a pena transcrevê-las:
"PAZ É JUSTIÇA, PAZ É AMOR,
PAZ É HOMEM IGUALADO,
PAZ É SENTIR A DOR
E ESTAR AO LADO
DE QUEM SOFRE...DESIGUALDADE".
O Poeta,
É, portanto, generoso.
É amigo, é precioso,
Mais do que o ouro de lei,
É valor inestimável,
Ser poeta é formidável,
Assim é ANTÓNIO REI!
Manuel Rei
94.02.05
Faleceu o poeta António Rei

Desde há muito que passeando com o poeta António Rei pelas ruas de Alcochete ou sentado com ele à mesa de café lhe ouvia histórias cujo cenário era o mundo inteiro.
Invariavelmente António Rei começava assim: "Não sei se já lhe contei...". Eu dizia sempre: "Não, António, ainda não contou!". E pela segunda ou terceira vez ouvia a mesma história que conservava a estrutura inicial com alteração de alguns pormenores.
António Rei quis presentificar através da escrita um passado cuja trama vai de norte a sul, de ocidente a oriente. No centro está ele de vigia como vezes sem conto esteve em navios de guerra sulcando oceanos e mares.
A escrita deste marinheiro não é só saudade do passado. É também futuro porque António Rei, como todo o homem que assim mereça ser chamado, insurge-se contra a injustiça e antevê dias melhores para a humanidade.
Assim, este grande poeta popular alcochetano insere-se no movimento escatológico de todo o cristão responsável, embora reduza as velhas sacristias a monturos de calhaus. Mas também Cristo destruiu velhos templos e dá-nos todos os dias um Novo Templo cuja realização última será o Reino de Deus ou comunhão total de todos os homens.
O meu nome aparece pela primeira vez ligado ao de António Rei no Jornal Echo d'Alcochete, ano II, n.º 15, Setembro de 1989. Aí, ele ilustra com um belo poema um artigo meu sobre a greve do sal de 1957.
Ao render tão pequena homenagem a António Rei nesta hora de despedida, ligo-me indefectivelmente a todos os homens de bem que buscam o sentido nesta vida.
13 janeiro 2009
Nomes injustiçados
Em seu texto um pouco abaixo, Fonseca Bastos faz alusão ao fundador do Aposento do Barrete Verde, o Sr. António Rodrigues Regatão. Este nobre varão - saiba Deus porquê - não tem uma artéria da vila de Alcochete com o seu nome, o que me parece ultrapassar os limites de toda a ingratidão.
Mas não é só António Rodrigues Regatão o grande injustiçado nesta terra de Alcochete.
O Eng.º Ferreira do Amaral (Firestone), o Dr. Elmano Alves (Pavilhão Gimnodesportivo), o Dr. Luís Santos Nunes (Bairro da Caixa), o Sr. Estêvão Nunes (fundador dos Bombeiros Voluntários de Alcochete), os Srs. António da Cruz e Manuel Martins (construtores navais), o Sr. António José Garrancho (empreendedor), etc., são alguns dos grandes vultos, inexplicavelmente esquecidos, que bem serviram Alcochete.
Perante estes factos, não sei como poderei tecer uma escrita branda e não dizer que estamos perante uma total estreiteza de espírito da parte dos responsáveis que têm detido as rédeas da administração local desde o 25 de Abril.
Será possível mudar todo este estado de coisas?
Eu penso que sim se fôssemos capazes de vencer o preconceito, mudando a direcção do voto a favor de forças mais consentâneas com os princípios e valores dos nossos pais e avós.
Mas não é só António Rodrigues Regatão o grande injustiçado nesta terra de Alcochete.
O Eng.º Ferreira do Amaral (Firestone), o Dr. Elmano Alves (Pavilhão Gimnodesportivo), o Dr. Luís Santos Nunes (Bairro da Caixa), o Sr. Estêvão Nunes (fundador dos Bombeiros Voluntários de Alcochete), os Srs. António da Cruz e Manuel Martins (construtores navais), o Sr. António José Garrancho (empreendedor), etc., são alguns dos grandes vultos, inexplicavelmente esquecidos, que bem serviram Alcochete.
Perante estes factos, não sei como poderei tecer uma escrita branda e não dizer que estamos perante uma total estreiteza de espírito da parte dos responsáveis que têm detido as rédeas da administração local desde o 25 de Abril.
Será possível mudar todo este estado de coisas?
Eu penso que sim se fôssemos capazes de vencer o preconceito, mudando a direcção do voto a favor de forças mais consentâneas com os princípios e valores dos nossos pais e avós.
29 dezembro 2008
Chamada de atenção
Meus amigos, o blog tem que palmilhar o seu caminho, mas o texto que escrevemos um pouco para baixo sobre o músico Alfredo José Cardoso Júnior e os comentários já apostos merecem a leitura de todos nós por se tratar de um grande exemplo de dedicação à Sociedade Imparcial, vale dizer, a Alcochete.
26 dezembro 2008
Alfredo José Cardoso Júnior, exemplo de dedicação à Sociedade e sua Banda

Esta pequena história de vida de Alfredo José Cardoso Júnior, nascido em Alcochete em 1932, filho de Alfredo José Cardoso e de Palmira do Carmo Pereira, integra-se no 111º aniversário da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.
Alfredo frequentou a escola do Rossio, recordando com saudade o eminente professor Francisco Leite da Cunha.
No primeiro edifício da Sociedade (Largo António dos Santos Jorge), começou a aprender música com os monitores José Canteiro e, seguidamente, Manuel Gomes da Mestra que tocavam, aquele tuba, este clarinete e flauta.
O primeiro instrumento musical que Alfredo tocou foi clarinete, passando depois para o saxofone soprano e, por fim, saxofone tenor.
Durante mais de cinquenta anos, tocou na Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 sob a regência de vários mestres, vale referi-los, António Gonçalves, Mário José da Costa Marques, José Lopes Bastos, Leonel Duarte Ferreira, Mariano Guerreiro Domingues, Estêvão António Barrinha e, por último, António Francisco Rei Menino.
Por diversas vezes, em simultâneo com a sua actividade na Banda, Alfredo fez parte dos corpos sociais da colectividade como secretário, vogal e tesoureiro.
A Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 distingue-o através de vários diplomas; em 1998, a Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio atribui-lhe um diploma e uma medalha de valor e exemplo pelos seus cinquenta anos ao serviço da música; a 25-4-95, a Câmara Municipal de Alcochete, homenageando o movimento associativo, honrou com uma medalha Alfredo José Cardoso Júnior, alma simples de Alcochetano, mas também grande senhor por força de uma vida inteiramente cumprida.
25 dezembro 2008
El gran José Samuel Lupi

No Sábado passado estive em Badajoz. Sempre que vou a esta cidade do País vizinho, o que faço é comprar livros, a única coisa que, para mim, vale a pena adquirir neste mundo.
Qual não foi o meu espanto quando numa das montras da livraria Universitas vi a obra de José António del Moral, Cómo ver una corrida de toros, Alianza Editorial, Madrid, 2007, e, pedindo que me facultassem um exemplar para um primeiro reconhecimento, deparei logo com o nome de uma figura incontornável da nossa região, a saber, o cavaleiro José Samuel Lupi.
Diz assim uma passagem que destaco do texto: «Batista revolucionó el toreo a caballo por sus maneras exuberantes. Llegó mucho al público más joven que llenó las plazas para verle competir con el hijo de Nuncio, el gran José Samuel Lupi y el grandioso rejoneador español de entonces, Álvaro Domecq Romero» sic.
Perante estas palavras, claro que o ego de um alcochetanito em terras de Sua Majestade fica todo inchado.
Comprei sem pestanejar o livro.
Qual não foi o meu espanto quando numa das montras da livraria Universitas vi a obra de José António del Moral, Cómo ver una corrida de toros, Alianza Editorial, Madrid, 2007, e, pedindo que me facultassem um exemplar para um primeiro reconhecimento, deparei logo com o nome de uma figura incontornável da nossa região, a saber, o cavaleiro José Samuel Lupi.
Diz assim uma passagem que destaco do texto: «Batista revolucionó el toreo a caballo por sus maneras exuberantes. Llegó mucho al público más joven que llenó las plazas para verle competir con el hijo de Nuncio, el gran José Samuel Lupi y el grandioso rejoneador español de entonces, Álvaro Domecq Romero» sic.
Perante estas palavras, claro que o ego de um alcochetanito em terras de Sua Majestade fica todo inchado.
Comprei sem pestanejar o livro.
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