Marafuga a Patrícia (3)
A Patrícia queixa-se de que eu «...ref[iro] constantemente o Cristianismo e os seus valores como sendo os valores da Sociedade Ocidental» sic. Ora se a Sociedade Ocidental é a civilização judaico-cristã, como me poderei furtar ao facto denunciado pela Patrícia? Se os valores da Sociedade Ocidental não são os cristãos, quais são então os valores dessa Sociedade? É capaz de me esclarecer? Se o nosso debate não pressupor uma plataforma mínima de cientificidade, não estamos aqui a fazer nada a debater.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelos próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.















