A Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898 de Alcochete voltou este fim-de-semana a triunfar num Concurso de Bandas, desta vez organizado pelo Ateneu Artistico Vilafranquense de Vila Franca de Xira.
A Banda liderada pelo dignissimo Maestro António Menino ficou classificada em 1º.Lugar na 1ª.Categoria, sendo que o 2º.Lugar foi atribuido à Banda de Música da cidade de Espinho.
Na categoria de Tauromaquia, a Banda de Alcochete foi considerada de 1ª.Categoria sendo que a Banda de Música dos Bombeiros Voluntários de Arrifana e a Sociedade Filármonica União Samorense foram consideradas de 2ª e 3ª.Categoria, respectivamente.
Congratulo-me pelo feito alcançado pela Banda da minha terra e endereço as minhas felicitações aos Músicos, ao ilustre e digno Maestro e naturalmente ao Corpo Directivo desta prestigiada Colectividade de Alcochete.
Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com
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03 maio 2010
23 fevereiro 2009
Sociocultura e desporto em grande
Justificar-se-á tão elevada despesa municipal em actividades socioculturais e de desporto em Alcochete?Estatísticas de 2006 – último ano de que existem dados – indicam que as despesas totais da Câmara Municipal em actividades culturais e de desporto excederam 1,3 milhões de euros, o que dá a bonita média de 86,3€ por habitante.
Tal despesa local foi superior em 13,8% à média nacional e representa quase o dobro da média na Grande Lisboa e na Península de Setúbal.
Nesse ano – primeiro do mandato que expirará dentro de oito meses – o Município de Alcochete foi o que mais gastou por habitante, elevando-se a muito mais do dobro da Moita e quase duplicando as despesas dos municípios de Almada, do Barreiro e do Seixal. Comparáveis com Alcochete surgem apenas as despesas em cultura e desporto de Palmela (78,2€/habitante) e Sesimbra (81€/habitante).
Decompondo essas despesas locais de 2006, temos 189.000€ gastos em património (dos quais 146.000€ em museus), 137.000€ em bibliotecas, 68.000€ em música, 13.000€ em artes cénicas, 303.000€ em actividades socioculturais e 379.000€ em jogos e desportos.
Infelizmente, há muitos anos que, nem o município nem as estatísticas oficiais, nos fornecem outra informação relevante: a frequência da Biblioteca Pública e o número total de espectadores em actividades de cultura e desporto.
Valerá ainda a pena comparar as despesas de 2006 em actividades culturais e de desporto com as de alguns anos precedentes em Alcochete:
Acho curioso recordar que os orçamentos de 2002 a 2005 correspondem a um executivo PS e nos restantes anos a executivos da CDU.
Rótulos:
biblioteca,
Cultura,
Desporto,
museus
05 fevereiro 2009
Literatura
07 dezembro 2008
Não é triste uma guitarra

Cresceu por cá e é guitarrista bem conhecido no meio, filho do Salvador que presumo dispensar quaisquer apresentações em Alcochete.
José Manuel Duarte lançou, neste domingo, no Núcleo de Arte Sacra do Museu Municipal, o álbum «Sempre...», cuja capa reproduzo ao lado.
Pode soar a disparate mas, não sendo adepto das tristezas do fado, o trinar da guitarra portuguesa mexe comigo. Aos apaixonados das sonoridades extraídas desse instrumento fabuloso, nosso bilhete de identidade no mundo, recomendo este CD. Sem hesitações!
Presumo estar à venda por aí, talvez até no Posto de Turismo no Museu de Arte Sacra.
Já agora uma nota de rodapé: um pouco tardiamente, convenhamos, fica demonstrado com este CD que as parceiras público-privado também servem para a cultura. O prazer que José Manuel Duarte nos proporciona foi possível com significativo apoio da Mondo Portugal (empresa sediada em Alcochete), da Junta de Freguesia de Alcochete e da Câmara Municipal de Alcochete.
E os livros que falta editar, senhores?
Rótulos:
Câmara Municipal,
Cultura,
empresas
26 novembro 2008
Sugestão de leitura

Vão começar as férias do Natal.
Aproveite parte do seu tempo para ler Chesterton, Gilbert, Ortodoxia, Aletheia, Lisboa, 2008.
Pode ler-se na contra capa: «Com um século já decorrido sobre a primeira edição desta obra, eis que Ortodoxia de G. K. Chesterton surge mais do que nunca actual, lançando o debate em torno dos valores modernos, e de como estes, ao contrário do que comummente se imagina, se encaixam no conceito de ortodoxia».
Se o meu amigo ou amiga aceitar a sugestão e comprar o livro, verificará que em boa hora o fez.
24 novembro 2008
As comezainas é que dão tacho
A Câmara Municipal de Alcochete tem em seu poder documentos inéditos sobre vários aspectos da vida do povo alcochetano que não dá à luz do dia.
Uma ínfima parte dos custos de tanta almoçarada e jantarada chegaria para levar ao conhecimento do público interessado o conteúdo desses documentos, pois do património colectivo se trata.
Alguns, em forma de manuscrito, são da autoria do historiador local José Estêvão e oferecidos à Câmara pelo Dr. Elmano Alves sob promessa de publicação.
Claro que os valores de José Estêvão são os do cristianismo, os da história de Portugal, os da lídima cultura do povo alcochetano, etc., o que não interessa muito aos senhores autarcas, mais propensos ao apoio de eventos vazios de alma.
Por que publicar textos cujos potenciais leitores jamais votaram ou votarão no poder instalado nas cadeiras do Largo do Poço?
Quem lê de ler vota comunista?
As comezainas é que dão tacho (panem et circenses).
É o fim da Civilização.
Uma ínfima parte dos custos de tanta almoçarada e jantarada chegaria para levar ao conhecimento do público interessado o conteúdo desses documentos, pois do património colectivo se trata.
Alguns, em forma de manuscrito, são da autoria do historiador local José Estêvão e oferecidos à Câmara pelo Dr. Elmano Alves sob promessa de publicação.
Claro que os valores de José Estêvão são os do cristianismo, os da história de Portugal, os da lídima cultura do povo alcochetano, etc., o que não interessa muito aos senhores autarcas, mais propensos ao apoio de eventos vazios de alma.
Por que publicar textos cujos potenciais leitores jamais votaram ou votarão no poder instalado nas cadeiras do Largo do Poço?
Quem lê de ler vota comunista?
As comezainas é que dão tacho (panem et circenses).
É o fim da Civilização.
23 novembro 2008
Encontro mensal para debate de ideias (3)
O primeiro encontro Mensal para debate de ideias sobre Alcochete, tem como título "A importância do Barrete Verde na Divulgação e Promoção de Alcochete"
DATA: 28 de Novembro, sexta-feira
HORA: 21:00 - 23:00
LOCAL: Junta de Freguesia de Alcochete
ORADOR: José Caninhas
Relembra-se que está aberta a participação a todos os munícipes interessados
DATA: 28 de Novembro, sexta-feira
HORA: 21:00 - 23:00
LOCAL: Junta de Freguesia de Alcochete
ORADOR: José Caninhas
Relembra-se que está aberta a participação a todos os munícipes interessados
Rótulos:
colectividades,
Cultura,
Festas do Barrete Verde,
poder local
22 novembro 2008
Onde é que ele quer chegar?

Se por qualquer estranhíssimo facto todos Os Lusíadas desaparecessem à face da terra de um momento para o outro, se apenas um homem possuísse um exemplar, se esse homem fosse obstáculo inultrapassável à recuperação da obra, se a resolução deste problema dependesse exclusivamente de mim, eu matava o dito homem e salvava o poema épico de Camões.
Onde é que ele quer chegar?
15 novembro 2008
O campino, o forcado e o salineiro

De cima desse cavalo
Soberbo
És o rei da lezíria
E a imponência do teu busto
Erguido sobre a planície
Olha os confins da terra
E sonha correrias para lá dos horizontes.
+++
Ser homem homem
É desafiar a dor
E rosto alto
Peito largo
Passo firme
Marcha adiante.
+++
Vens d'eras perdidas
E foste gigante tisnado pelo sol
Em séculos de silêncio ergueste montanhas
Brancas a teus pés gretados pelo sal.
+++
Marafuga, João, Antologia de Poetas Alcochetanos, CMA, I vol., 1989.
09 novembro 2008
Casa Portuguesa
01 outubro 2008
Sugestão a compositores
A propósito dos poemas que o condómino João Marafuga vem colocando neste blogue e, simultaneamente, sendo numerosa a poesia alcochetana registada em livro – quase sempre edições privadas – ocorre-me sugerir a quem tenha alguma inspiração para compor música que aproveite esse imenso manancial.
Em primeiro lugar, porque a maior parte desses poemas aborda temas locais.
Em segundo lugar, porque a maioria da música ligeira dedicada a Alcochete tem mais de meio século.
Em terceiro lugar, estamos a precisar de uma lufada de ar fresco.
Em primeiro lugar, porque a maior parte desses poemas aborda temas locais.
Em segundo lugar, porque a maioria da música ligeira dedicada a Alcochete tem mais de meio século.
Em terceiro lugar, estamos a precisar de uma lufada de ar fresco.
06 junho 2008
O Barroco

O Barroco é uma lição de equilíbrio: união do Renascimento e da Contra-Reforma, do antropocentrismo e do teocentrismo, da mitologia e do catolicismo.
Por outras palavras, o Barroco faz o transporte do significado mais profundo da Cruz para a Literatura, Pintura, Arquitectura, etc., o que me leva à irresistível afirmação hiperbólica de que a arte seiscentista é a estética da Cruz.
Portanto, não surpreende nada que vejamos no Barroco um meio para o reencontro com a nossa própria essência, sentindo a necessidade de quando em quando fazermos stop ao lufa-lufa do quotidiano e entrarmos na grande catedral que o séc. XVII nos legou.
Veja a análise por mim feita a um soneto barroco em http://sol.sapo.pt/blogs/Marafuga/default.aspx
27 maio 2008
Multiculturalismo
Por todo o lado se ouve gente desqualificada falar de multiculturalismo, convicta de que este traduz a ideia de acolhimento face a todas as culturas.
Nada mais falso!
O multiculturalismo é mais uma ideologia contra os valores nucleares da Civilização Ocidental.
Na verdade, pode-se denegrir o Cristianismo à vontade, mas, crêde-me, tudo se vai preparando para que, por exemplo, uma ofensa ao Islão seja sancionada dentro de um prazo mais breve do que muitos possam imaginar.
Aceito falar de multiculturalidade, melhor dito, talvez, pluralidade de culturas, sem considerar que estas, defendo eu, devam estar todas sobre o mesmo plano.
Quando estive na ex-colónia da Guiné a cumprir serviço militar obrigatório, apercebi-me de que o animismo estava espalhado por toda a parte, mesmo entre as etnias convertidas ao Islão, que o canibalismo ainda remanescia pontualmente, que a excisão do clítoris era prática mais ou menos generalizada, etc. Ora traços culturais deste tipo, afirmo eu, jamais estou disposto a aceitá-los.
Como diz Jeffrey Nyquist no artigo Fighting for Freedom, «civilization exists because of standards. These standards refer to right and wrong. If there is no objective right and wrong, recognized as a basis for the rule of law, civilized society cannot long endure» (http://www.financialsense.com).
Nada mais falso!
O multiculturalismo é mais uma ideologia contra os valores nucleares da Civilização Ocidental.
Na verdade, pode-se denegrir o Cristianismo à vontade, mas, crêde-me, tudo se vai preparando para que, por exemplo, uma ofensa ao Islão seja sancionada dentro de um prazo mais breve do que muitos possam imaginar.
Aceito falar de multiculturalidade, melhor dito, talvez, pluralidade de culturas, sem considerar que estas, defendo eu, devam estar todas sobre o mesmo plano.
Quando estive na ex-colónia da Guiné a cumprir serviço militar obrigatório, apercebi-me de que o animismo estava espalhado por toda a parte, mesmo entre as etnias convertidas ao Islão, que o canibalismo ainda remanescia pontualmente, que a excisão do clítoris era prática mais ou menos generalizada, etc. Ora traços culturais deste tipo, afirmo eu, jamais estou disposto a aceitá-los.
Como diz Jeffrey Nyquist no artigo Fighting for Freedom, «civilization exists because of standards. These standards refer to right and wrong. If there is no objective right and wrong, recognized as a basis for the rule of law, civilized society cannot long endure» (http://www.financialsense.com).
11 março 2008
Receita para um dormitório
Em comentário a um texto publicado há dias, Paulo Benito escrevia: "não entendo a pouca afluência de Alcochetanos ao programa cultural promovido pela Câmara. Algumas vezes são mais os artistas que a assistência. Verifico que está a ser feito um esforço financeiro significativo na área cultural, mas reconheço que sem público é difícil manter esta política. Tornei-me um consumidor assíduo destes eventos em Alcochete e a minha qualidade de vida aumentou. Obrigado às pessoas/entidades que me têm proporcionado isso".
Em meu entender, a ínfima audiência da maioria das manifestações de cultura pagas com fundos municipais resulta do facto de, na última década, em que ocorreu uma explosão populacional provavelmente única na história de Alcochete, ninguém ter apelado ao envolvimento dos novos moradores nas pequenas e grandes iniciativas, nas colectividades, nas realidades e na vida local, informando-os completa e devidamente acerca do que poderiam usufruir e ajudar a melhorar.
Do ponto de vista sociológico a opção foi tremendamente errada. Todavia, politicamente foi muito conveniente!
Se os recém-chegados se mantivessem distantes dos assuntos locais, subsistiriam os feudos partidários e o caciquismo reinantes há décadas. Até 1974 era de um tipo e daí em diante passou a ser de outro, embora nos efeitos perversos nada os distinga.
O anátema do desenraizamento fomenta o desinteresse e o distanciamento. Se as pessoas têm a cama aqui mas desconhecem o meio, as tradições, a cultura, a história e a realidade, distrair-se-ão com alternativas exteriores.
Para a maioria chegada na última década, Alcochete é um porto de abrigo. Por conveniência, são encarados como "estrangeiros". Vivem fora, cá dentro!
Assim se ampliou este grande salão com muitos leitos – a melhor definição actual para o concelho de Alcochete – o que em bom português significa dormitório.
A inexistência de qualquer semelhança entre a nossa vivência presente e uma comunidade de seres humanos parece-me evidente.
De nada serve estranhar que haja salas com mais artistas que espectadores. Tal como museus e exposições desertos. Colectividades adormecidas e moribundas.
Mais de 3000 cidadãos que, sendo nossos vizinhos, nunca actualizaram o recenseamento eleitoral, o que a ninguém parece incomodar demasiado embora tal afecte as transferências financeiras anuais do Estado para as autarquias locais.
Respondendo directamente a Paulo Benito e a quem não compreenda certos fenómenos: a câmara existe por nós e para nós e nela está, há muitos anos, o foco do problema. Se se gasta dinheiro em espectáculos sem afluência, desperdiça-se o que pagamos com sacrifício e prejudicando a satisfação de outras necessidades. O esforço financeiro é nosso!
Ao invés de agradecer, critico este estado de coisas.
Por exemplo: em 2006, o Município de Alcochete gastou 70,5€ por habitante em cultura e desporto, representando essas despesas 8,4% do total do ano. Em termos nacionais e regionais é excessivo, tanto mais que, conforme refere Paulo Benito e muita gente sabe, há espectáculos com mais artistas que audiência.
Revelei há algum tempo, neste blogue, que mesmo encerrado o fórum cultural custava ao município, em 2005, mensalmente, 10.000 euros.
Dentro em breve completará três anos de existência e não só continua com acessos e estacionamento inacabados como ainda se aguardam soluções visando cativar a maioria da população e tornar suportável a sua manutenção pela autarquia.
Mudar isto deve ser um desígnio de todos. Inclusive dos "estrangeiros", o que será impossível a quase 1/3 deles sem actualizarem o seu recenseamento eleitoral para Alcochete!
Em meu entender, a ínfima audiência da maioria das manifestações de cultura pagas com fundos municipais resulta do facto de, na última década, em que ocorreu uma explosão populacional provavelmente única na história de Alcochete, ninguém ter apelado ao envolvimento dos novos moradores nas pequenas e grandes iniciativas, nas colectividades, nas realidades e na vida local, informando-os completa e devidamente acerca do que poderiam usufruir e ajudar a melhorar.
Do ponto de vista sociológico a opção foi tremendamente errada. Todavia, politicamente foi muito conveniente!
Se os recém-chegados se mantivessem distantes dos assuntos locais, subsistiriam os feudos partidários e o caciquismo reinantes há décadas. Até 1974 era de um tipo e daí em diante passou a ser de outro, embora nos efeitos perversos nada os distinga.
O anátema do desenraizamento fomenta o desinteresse e o distanciamento. Se as pessoas têm a cama aqui mas desconhecem o meio, as tradições, a cultura, a história e a realidade, distrair-se-ão com alternativas exteriores.
Para a maioria chegada na última década, Alcochete é um porto de abrigo. Por conveniência, são encarados como "estrangeiros". Vivem fora, cá dentro!
Assim se ampliou este grande salão com muitos leitos – a melhor definição actual para o concelho de Alcochete – o que em bom português significa dormitório.
A inexistência de qualquer semelhança entre a nossa vivência presente e uma comunidade de seres humanos parece-me evidente.
De nada serve estranhar que haja salas com mais artistas que espectadores. Tal como museus e exposições desertos. Colectividades adormecidas e moribundas.
Mais de 3000 cidadãos que, sendo nossos vizinhos, nunca actualizaram o recenseamento eleitoral, o que a ninguém parece incomodar demasiado embora tal afecte as transferências financeiras anuais do Estado para as autarquias locais.
Respondendo directamente a Paulo Benito e a quem não compreenda certos fenómenos: a câmara existe por nós e para nós e nela está, há muitos anos, o foco do problema. Se se gasta dinheiro em espectáculos sem afluência, desperdiça-se o que pagamos com sacrifício e prejudicando a satisfação de outras necessidades. O esforço financeiro é nosso!
Ao invés de agradecer, critico este estado de coisas.
Por exemplo: em 2006, o Município de Alcochete gastou 70,5€ por habitante em cultura e desporto, representando essas despesas 8,4% do total do ano. Em termos nacionais e regionais é excessivo, tanto mais que, conforme refere Paulo Benito e muita gente sabe, há espectáculos com mais artistas que audiência.
Revelei há algum tempo, neste blogue, que mesmo encerrado o fórum cultural custava ao município, em 2005, mensalmente, 10.000 euros.
Dentro em breve completará três anos de existência e não só continua com acessos e estacionamento inacabados como ainda se aguardam soluções visando cativar a maioria da população e tornar suportável a sua manutenção pela autarquia.
Mudar isto deve ser um desígnio de todos. Inclusive dos "estrangeiros", o que será impossível a quase 1/3 deles sem actualizarem o seu recenseamento eleitoral para Alcochete!
12 fevereiro 2008
Quando o poder fica mal no retrato (3)
Em 2006 a densidade populacional de Alcochete era de 126,2 habitantes/Km2 – pouco acima de Montijo e ligeiramente abaixo de Palmela – estimando a estatística oficial que a taxa de crescimento efectivo da população, relativamente ao ano anterior, tenha sido de 4,06% (apenas Sesimbra nos ultrapassou).
A este ritmo e sem soluções à vista em inúmeras áreas sociais relevantes, Alcochete corre o risco de se transformar em zoo humano dentro de um lustro.
Em 2006 houve 64 matrimónios, 34,8% dos quais católicos. Foi superior o número de casamentos dissolvidos (92), sendo 45 por morte de um dos cônjuges e 47 por divórcio.
Estrangeiros residentes no concelho eram raros, representando 0,64% da população (103 pessoas). Mas as coisas podem estar a mudar: nesse ano, 99 estrangeiros solicitaram estatuto de residentes no município (dos quais 61 homens).
Por grupos etários, os residentes dividiam-se do seguinte modo:
0-14 anos - 2690
15-24 anos - 1731
25-64 anos - 9036
65-74 anos - 2737
75 e mais anos - 1153
Em 2006 registaram-se 237 cidadãos nados-vivos, dos quais 73 fora do casamento. Destes, 52 coabitam com os pais. Houve 136 óbitos e somente 3 de crianças com menos de um ano.
Passando aos indicadores de cultura, o Município de Alcochete gastou 70,5€ por habitante, representando estas despesas 8,4% das registadas no ano. No conjunto dos nove municípios da Península de Setúbal foi a quinta despesa mais elevada.
Dos 1075 milhares de euros aplicados em despesas correntes de cultura e desporto, 165 milhares foram com o património (museus), 102 milhares em bibliotecas, 124 milhares em música, 10 milhares em artes cénicas, 232 milhares em actividades socio-culturais e 322 milhares em jogos e desportos.
As despesas de cultura e desporto parecem-me excessivas, tanto mais que metade foram aplicadas nas duas últimas rubricas.
Como também me parece muito estranho que a afluência de visitantes a museus municipais seja classificada como informação confidencial e, portanto, desconhecida da generalidade dos cidadãos. Justificação desconheço, mas seria bom averiguá-la.
Na saúde pública, em 2005, existiam em Alcochete nove médicos, 15 enfermeiros e 29 funcionários administrativos. Por milhar de habitantes, as médias eram de 1,4 enfermeiros e 1,5 médicos. Entre os nove municípios da Península de Setúbal, Alcochete era o quinto com menor número de profissionais de enfermagem e o quarto pior servido de médicos. Realizaram-se 27.934 consultas e, em média, cada habitante foi ao médico 1,8 vezes nesse ano.
Parece-me curioso salientar, ainda, que residiam então no concelho de Alcochete 23 médicos, sendo 10 não especialistas.
Quanto a mortalidade média por milhar de habitantes, 3,2 pessoas faleceram por doenças do aparelho circulatório, 2,2 por tumores malignos e 1,1 por doença de declaração obrigatória.
(continua)
A este ritmo e sem soluções à vista em inúmeras áreas sociais relevantes, Alcochete corre o risco de se transformar em zoo humano dentro de um lustro.
Em 2006 houve 64 matrimónios, 34,8% dos quais católicos. Foi superior o número de casamentos dissolvidos (92), sendo 45 por morte de um dos cônjuges e 47 por divórcio.
Estrangeiros residentes no concelho eram raros, representando 0,64% da população (103 pessoas). Mas as coisas podem estar a mudar: nesse ano, 99 estrangeiros solicitaram estatuto de residentes no município (dos quais 61 homens).
Por grupos etários, os residentes dividiam-se do seguinte modo:
0-14 anos - 2690
15-24 anos - 1731
25-64 anos - 9036
65-74 anos - 2737
75 e mais anos - 1153
Em 2006 registaram-se 237 cidadãos nados-vivos, dos quais 73 fora do casamento. Destes, 52 coabitam com os pais. Houve 136 óbitos e somente 3 de crianças com menos de um ano.
Passando aos indicadores de cultura, o Município de Alcochete gastou 70,5€ por habitante, representando estas despesas 8,4% das registadas no ano. No conjunto dos nove municípios da Península de Setúbal foi a quinta despesa mais elevada.
Dos 1075 milhares de euros aplicados em despesas correntes de cultura e desporto, 165 milhares foram com o património (museus), 102 milhares em bibliotecas, 124 milhares em música, 10 milhares em artes cénicas, 232 milhares em actividades socio-culturais e 322 milhares em jogos e desportos.
As despesas de cultura e desporto parecem-me excessivas, tanto mais que metade foram aplicadas nas duas últimas rubricas.
Como também me parece muito estranho que a afluência de visitantes a museus municipais seja classificada como informação confidencial e, portanto, desconhecida da generalidade dos cidadãos. Justificação desconheço, mas seria bom averiguá-la.
Na saúde pública, em 2005, existiam em Alcochete nove médicos, 15 enfermeiros e 29 funcionários administrativos. Por milhar de habitantes, as médias eram de 1,4 enfermeiros e 1,5 médicos. Entre os nove municípios da Península de Setúbal, Alcochete era o quinto com menor número de profissionais de enfermagem e o quarto pior servido de médicos. Realizaram-se 27.934 consultas e, em média, cada habitante foi ao médico 1,8 vezes nesse ano.
Parece-me curioso salientar, ainda, que residiam então no concelho de Alcochete 23 médicos, sendo 10 não especialistas.
Quanto a mortalidade média por milhar de habitantes, 3,2 pessoas faleceram por doenças do aparelho circulatório, 2,2 por tumores malignos e 1,1 por doença de declaração obrigatória.
(continua)
08 fevereiro 2008
Onde estão manuscritos de José Estevam?
Recuemos quase quatro anos, a Março de 2004.
O então presidente da Câmara Municipal de Alcochete recebe, das mãos do Dr. Elmano da Cruz Alves – personalidade de destaque nas décadas de 50 e 60 – a oferta de seis manuscritos de José Estevam, respeitantes a temas locais.
Os títulos dos originais são «Efemérides Alcochetanas», «Os Ratões em Alcochete», «A Corte em Alcochete», «A Misericórdia de Alcochete», «Figuras de Alcochete I» e «Figuras de Alcochete II».
O Dr. Elmano Alves guardou tais manuscritos durante décadas, ofereceu-os na Primavera de 2004 ao município e recebeu a promessa da sua edição imediata.
Numa informação distribuída à vereação, em princípios de Abril de 2004, o chefe da edilidade afirmava-se grato "ao dr. Elmano Alves pela demonstração de confiança", uma vez que manteve em seu poder os referidos manuscritos durante 30 anos, "aguardando o surgimento de condições ideais para a divulgação dos mesmos".
Como forma de retribuir o gesto – acrescenta a informação do presidente – "manifestamos desde já a nossa intenção em publicar estas obras, transcritas com a maior celeridade possível, enriquecendo assim o vasto património literário sobre Alcochete".
A informação adianta ainda que "era já intenção do actual executivo reeditar as obras conhecidas de José Estevam, outro alcochetano de vulto que, com os seus estudos, contribuiu para um melhor conhecimento sociológico e cultural do nosso concelho".
As obras a reeditar seriam «A Restauração da Igreja Matriz de Alcochete», «O Povo de Alcochete», «Anais de Alcochete» e «Assuntos Ribatejanos».
Não me recordo de, posteriormente aos factos acima relatados, ter lido ou escutado algo sobre o lançamento do livro. E como tenho um arquivo de temas locais correntes, o caso saltou-me agora à vista. Daí algumas perguntas objectivas: o prometido livro foi editado? Se o não foi, porquê? Em que arquivo autárquico estão depositados os manuscritos? Que razões existem para o município atrasar a reedição de obras de José Estevam, quando estão esgotadas há anos e são preciosas para a memória colectiva?
Quem foi José Estevam
José Estevam será, aparentemente, pseudónimo de alguém cujo verdadeiro nome se desconhece, nascido algures em 1877 e falecido, em Lisboa, a 28 de Dezembro de 1960. Escreveu imensos artigos no extinto jornal local «A Voz de Alcochete» e vários livros sobre as gentes de Alcochete, alguns dos quais fruto de significativa investigação histórica, tendo colaborado na revista municipal de Lisboa até muito perto da data do seu falecimento.
Além das obras acima citadas – cujas primeiras edições datam do período 1948/1957 e hoje existem apenas em bibliotecas públicas e privadas – tem editado em Alcochete o livro «Fidalgos e Mareantes - Apontamentos Históricos sobre os Alcochetanos no Oriente", Câmara Municipal de Alcochete (Janeiro de 2001).
João Marafuga – professor, poeta e analista de assuntos locais – garante que José Estevam nasceu em Alcochete, no n.º 3 da actual Rua de O Século – "no primeiro e último andar", segundo o próprio polígrafo.
Era tetraneto de um tal Farelo – cujas façanhas ainda serão reminiscência nas cabeças dos alcochetanos mais idosos – e filho de um homem de apelido Silva.
José Estevam era discreto, tipógrafo de profissão, muito viajado (trabalhou em Moçambique) e com um saber descomunal. Ele e o prof. Leite da Cunha eram rivais no que respeitava à História local. Este, caindo na irascibilidade de vez em quando, dizia que José Estevam era descendente de escravos ao serviço dos Soydos (marquês de Soydos, na época proprietário do solar da Quinta da Praia das Fontes). No entanto, João Marafuga admite que o grande historiador de Alcochete seria descendente de cristãos novos.
Quem é Elmano Alves
O dr. Francisco Elmano da Cruz Alves – apenas conhecido de quem tenha vivido no concelho nas décadas de 50 e 60 – nasceu, por acaso, em Lisboa, a 20 de Outubro de 1929. É sobrinho-neto do Padre Cruz, cursou o seminário durante quatro anos mas licenciou-se em Direito. Casou com uma prima em terceiro grau, Maria do Carmo Cruz, também sobrinha-neta do Padre Cruz, e desse matrimónio há quatro filhos.
Retirou da administração do concelho o dr. Luís Santos Nunes, por incapacidade de gestão, e pôs no seu lugar João Leite da Cunha. Foi vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Alcochete e da Comissão Concelhia da União Nacional (partido político do regime deposto em 1974), respectivamente.
Tal como o eng.º João Maria Ferreira do Amaral e o prof. Francisco Leite da Cunha, o dr. Elmano Alves foi director do jornal «A Voz de Alcochete», editado pela União Nacional e desaparecido no final da década de 60.
Em 1968 o dr. Elmano Alves foi nomeado subsecretário de Estado da Juventude e Desportos e, depois da revolução do 25 de Abril, Marcelo Caetano dedicou-lhe o livro «Depoimento». Esteve exilado no Brasil durante 9 anos, donde regressou em 1984.
Os alcochetanos devem ao dr. Elmano Alves, entre tantas outras coisas, a construção do Pavilhão Gimnodesportivo da vila. Esteve também na génese da Fundação João Gonçalves Júnior, da construção da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, da ampliação do lar da Santa Casa da Misericórdia, da construção do actual Bairro 25 de Abril (originalmente denominado da Caixa de Previdência), da instalação da fábrica do Alumínio Português-Angola e de muito mais.
Conheço-o pessoalmente, reside na freguesia de Canha (Montijo), é viticultor e dele recolhi imensa e preciosa informação documental sobre Alcochete, toda publicada no extinto «Tágides.net», da qual conservo cópias, imagens e alguns originais.
O Dr. Elmano Alves tem vastos arquivo e biblioteca sobre assuntos locais e nacionais.
O então presidente da Câmara Municipal de Alcochete recebe, das mãos do Dr. Elmano da Cruz Alves – personalidade de destaque nas décadas de 50 e 60 – a oferta de seis manuscritos de José Estevam, respeitantes a temas locais.
Os títulos dos originais são «Efemérides Alcochetanas», «Os Ratões em Alcochete», «A Corte em Alcochete», «A Misericórdia de Alcochete», «Figuras de Alcochete I» e «Figuras de Alcochete II».
O Dr. Elmano Alves guardou tais manuscritos durante décadas, ofereceu-os na Primavera de 2004 ao município e recebeu a promessa da sua edição imediata.
Numa informação distribuída à vereação, em princípios de Abril de 2004, o chefe da edilidade afirmava-se grato "ao dr. Elmano Alves pela demonstração de confiança", uma vez que manteve em seu poder os referidos manuscritos durante 30 anos, "aguardando o surgimento de condições ideais para a divulgação dos mesmos".
Como forma de retribuir o gesto – acrescenta a informação do presidente – "manifestamos desde já a nossa intenção em publicar estas obras, transcritas com a maior celeridade possível, enriquecendo assim o vasto património literário sobre Alcochete".
A informação adianta ainda que "era já intenção do actual executivo reeditar as obras conhecidas de José Estevam, outro alcochetano de vulto que, com os seus estudos, contribuiu para um melhor conhecimento sociológico e cultural do nosso concelho".
As obras a reeditar seriam «A Restauração da Igreja Matriz de Alcochete», «O Povo de Alcochete», «Anais de Alcochete» e «Assuntos Ribatejanos».
Não me recordo de, posteriormente aos factos acima relatados, ter lido ou escutado algo sobre o lançamento do livro. E como tenho um arquivo de temas locais correntes, o caso saltou-me agora à vista. Daí algumas perguntas objectivas: o prometido livro foi editado? Se o não foi, porquê? Em que arquivo autárquico estão depositados os manuscritos? Que razões existem para o município atrasar a reedição de obras de José Estevam, quando estão esgotadas há anos e são preciosas para a memória colectiva?
Quem foi José Estevam
José Estevam será, aparentemente, pseudónimo de alguém cujo verdadeiro nome se desconhece, nascido algures em 1877 e falecido, em Lisboa, a 28 de Dezembro de 1960. Escreveu imensos artigos no extinto jornal local «A Voz de Alcochete» e vários livros sobre as gentes de Alcochete, alguns dos quais fruto de significativa investigação histórica, tendo colaborado na revista municipal de Lisboa até muito perto da data do seu falecimento.
Além das obras acima citadas – cujas primeiras edições datam do período 1948/1957 e hoje existem apenas em bibliotecas públicas e privadas – tem editado em Alcochete o livro «Fidalgos e Mareantes - Apontamentos Históricos sobre os Alcochetanos no Oriente", Câmara Municipal de Alcochete (Janeiro de 2001).
João Marafuga – professor, poeta e analista de assuntos locais – garante que José Estevam nasceu em Alcochete, no n.º 3 da actual Rua de O Século – "no primeiro e último andar", segundo o próprio polígrafo.
Era tetraneto de um tal Farelo – cujas façanhas ainda serão reminiscência nas cabeças dos alcochetanos mais idosos – e filho de um homem de apelido Silva.
José Estevam era discreto, tipógrafo de profissão, muito viajado (trabalhou em Moçambique) e com um saber descomunal. Ele e o prof. Leite da Cunha eram rivais no que respeitava à História local. Este, caindo na irascibilidade de vez em quando, dizia que José Estevam era descendente de escravos ao serviço dos Soydos (marquês de Soydos, na época proprietário do solar da Quinta da Praia das Fontes). No entanto, João Marafuga admite que o grande historiador de Alcochete seria descendente de cristãos novos.
Quem é Elmano Alves
O dr. Francisco Elmano da Cruz Alves – apenas conhecido de quem tenha vivido no concelho nas décadas de 50 e 60 – nasceu, por acaso, em Lisboa, a 20 de Outubro de 1929. É sobrinho-neto do Padre Cruz, cursou o seminário durante quatro anos mas licenciou-se em Direito. Casou com uma prima em terceiro grau, Maria do Carmo Cruz, também sobrinha-neta do Padre Cruz, e desse matrimónio há quatro filhos.
Retirou da administração do concelho o dr. Luís Santos Nunes, por incapacidade de gestão, e pôs no seu lugar João Leite da Cunha. Foi vice-presidente e presidente da Câmara Municipal de Alcochete e da Comissão Concelhia da União Nacional (partido político do regime deposto em 1974), respectivamente.
Tal como o eng.º João Maria Ferreira do Amaral e o prof. Francisco Leite da Cunha, o dr. Elmano Alves foi director do jornal «A Voz de Alcochete», editado pela União Nacional e desaparecido no final da década de 60.
Em 1968 o dr. Elmano Alves foi nomeado subsecretário de Estado da Juventude e Desportos e, depois da revolução do 25 de Abril, Marcelo Caetano dedicou-lhe o livro «Depoimento». Esteve exilado no Brasil durante 9 anos, donde regressou em 1984.
Os alcochetanos devem ao dr. Elmano Alves, entre tantas outras coisas, a construção do Pavilhão Gimnodesportivo da vila. Esteve também na génese da Fundação João Gonçalves Júnior, da construção da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I, da ampliação do lar da Santa Casa da Misericórdia, da construção do actual Bairro 25 de Abril (originalmente denominado da Caixa de Previdência), da instalação da fábrica do Alumínio Português-Angola e de muito mais.
Conheço-o pessoalmente, reside na freguesia de Canha (Montijo), é viticultor e dele recolhi imensa e preciosa informação documental sobre Alcochete, toda publicada no extinto «Tágides.net», da qual conservo cópias, imagens e alguns originais.
O Dr. Elmano Alves tem vastos arquivo e biblioteca sobre assuntos locais e nacionais.
07 agosto 2007
Alcochete
Quedas estão as águas no seu leito,
Imóveis as palmeiras do jardim,
Casas brancas as mesmas tais sem fim,
Tudo parou por mágico efeito.
O ar, a graça, as maneiras, o teu jeito
São de outrora, de séculos, enfim,
No teu ar de palhaço, de arlequim
Apostam gralhas ter mulher de peito.
A novidade, força e o aparato
São para o touro em fúria e mais lesto
Que saúdas com palmas e barrete.
Do teu Rossio, ao Troino, até ao Rato
Poder dizer-se é menos que modesto:
As coisas vão na mesma em Alcochete.
António Marafuga/22-9-87
Imóveis as palmeiras do jardim,
Casas brancas as mesmas tais sem fim,
Tudo parou por mágico efeito.
O ar, a graça, as maneiras, o teu jeito
São de outrora, de séculos, enfim,
No teu ar de palhaço, de arlequim
Apostam gralhas ter mulher de peito.
A novidade, força e o aparato
São para o touro em fúria e mais lesto
Que saúdas com palmas e barrete.
Do teu Rossio, ao Troino, até ao Rato
Poder dizer-se é menos que modesto:
As coisas vão na mesma em Alcochete.
António Marafuga/22-9-87
08 fevereiro 2007
Cultura: leitura útil

Estudo sobre «Três exemplares de cerâmica azul e dourada, provenientes de Alcochete», da Baixa Idade Média, jarros ocasionalmente descobertos em 1952 no centro histórico da vila e existentes no Museu Municipal de Alcochete.
Autor: Miguel Correia, arqueólogo municipal
12 dezembro 2006
Símbolos (13)
METANÓIA
Negra loucura humana dessa gente
Que procura uma tíbia do Senhor
Sem nada ver um pouco mais à frente...
Ó barranco de cegos sem pudor!
Quando p'ra além do facto se não vai,
O tempo à nossa volta faz tramóia
E o nosso ser afunda em curto ai
Bem longe da urgente metanóia.
Eternidade e tempo une a Cruz,
Fundamento do mundo ao meu redor,
Eis a lição que dá o bom Jesus.
História sem o raio do sentido
É negrume mais denso do que pedra
Que o homem pela noite traz perdido.
João Marafuga
Negra loucura humana dessa gente
Que procura uma tíbia do Senhor
Sem nada ver um pouco mais à frente...
Ó barranco de cegos sem pudor!
Quando p'ra além do facto se não vai,
O tempo à nossa volta faz tramóia
E o nosso ser afunda em curto ai
Bem longe da urgente metanóia.
Eternidade e tempo une a Cruz,
Fundamento do mundo ao meu redor,
Eis a lição que dá o bom Jesus.
História sem o raio do sentido
É negrume mais denso do que pedra
Que o homem pela noite traz perdido.
João Marafuga
Símbolos (12)
É inteligente quem vê os pontos comuns e não comuns entre as coisas, conclui e age.
Se eu não consigo ver a relação, por exemplo, entre aborto e atentado à perenidade da nossa identidade cultural, como posso reclamar-me de inteligência?
INTELIGENTE
Desde pequeno
Vivo insciente
Do que isso seja
De inteligente!
Se calhar é
Meu pensamento,
Cave de trastes
A monte ao tempo?
Se calhar é
Não questionar?
De havido e tido
Tudo palrar?
Se calhar é
Ter de memória
Em coisas mil
Certinha história?
Se calhar é
Sábia sentença
Depressa aceite
Sem mais detença?
Se calhar é
Ser da cultura,
Homem sabido
Que isto assegura?...
João Marafuga
Se eu não consigo ver a relação, por exemplo, entre aborto e atentado à perenidade da nossa identidade cultural, como posso reclamar-me de inteligência?
INTELIGENTE
Desde pequeno
Vivo insciente
Do que isso seja
De inteligente!
Se calhar é
Meu pensamento,
Cave de trastes
A monte ao tempo?
Se calhar é
Não questionar?
De havido e tido
Tudo palrar?
Se calhar é
Ter de memória
Em coisas mil
Certinha história?
Se calhar é
Sábia sentença
Depressa aceite
Sem mais detença?
Se calhar é
Ser da cultura,
Homem sabido
Que isto assegura?...
João Marafuga
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