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27 outubro 2010

Alcochete volta a destacar-se!

Alcochete, uma vez mais, volta a destacar-se na área da tauromaquia para gaúdio dos apaixonados pela Festa Brava. Desta vez considerando os triunfadores da Palha Blanco em Vila Franca de Xira, onde o Grupo de Forcados Amadores de Alcochete atinge um excelente registo.
O Clube Taurino Vilafranquense deu esta semana a conhecer os triunfadores da temporada 2010 na Praça de Toiros Palha Blanco com especial destaque para o Forcado alcochetano - Vasco Pinto.

Eis a lista completa dos Triunfadores:

- Cavaleiro: João Salgueiro pela sua actuação no dia 5 de Outubro
- Forcado: Vasco Pinto do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete pela pega que executou no dia 2 de Maio
- Matador de Toiros: deserto- Bandarilheiro: deserto
- Novilheiro Praticante: Miguel Murtinho pela sua actuação na novilhada de 15 de Maio
- Melhor corrida: Vale do Sorraia pelo encerro lidado a 2 de Maio
- Melhor Toiro: Oliveira Irmãos pelo toiro lidado no Concurso de Ganadarias de 5 de Outubro.

A Direcção do Clube Taurino decidiu ainda reconhecer as trajectórias das seguintes individualidades:
- João Palha Ribeiro Telles pelos seus 30 anos de Alternativa;
- José Luís Gonçalves pela sua carreira tauromáquica no ano em que se despediu das arenas;
- Francisco Palhota pelos 35 anos de Alternativa
- António José Inácio pelo seu incondicional apoio à Festa Taurina.

Os troféus serão entregues a 11 de Dezembro numa cerimónia a realizar no Hotel Lezíria em Vila Franca de Xira.
Para finalizar, congratulo-me uma vez mais pela distinção atribuída ao Vasco que irá enriquecer o seu já longo e importante espólio de troféus.
Uma palavra de apreço para o Grupo, que paulatinamente se assume, sem margem para dúvidas, como o melhor Grupo de 2010.

Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com

20 outubro 2010

Alcochete em destaque na Festa Brava!

Decorreu hoje na Praça de Touros do Campo Pequeno em Lisboa uma conferência de imprensa onde a empresa gestora da catedral tauromáquica do nosso País apresentou o balanço da presente temporada, que diga-se em abono da verdade foi bastante positiva.
Constata-se que o número de abonados subiu categoricamente comparativamente ao período homólogo, registando-se uma assistência média por corrida no ano em curso de 5815 espectadores.
Depois desta nota introdutória bem representativa da vitalidade com que a Festa Brava se identifica no nosso País e aqui em particular na Monumental do Campo Pequeno, é com muito orgulho que verifico que na lista de nomeações para os "Galardões Campo Pequeno 2010", elaborada com base nas votações dos abonados do Campo Pequeno, consta o nome do Cabo dos Forcados Amadores de Alcochete - Vasco Pinto, na categoria de FORCADO.
Considerando Alcochete, terra mãe de forcados, não deixa de ser noticia um filho desta terra nomeado para tão distinto galardão a atribuir pela principal Praça de Touros do nosso País.

Parabéns ao Grupo de Forcados Amadores de Alcochete por continuarem a elevar bem alto o nome da nossa vila e a dignificarem essa tão nobre arte portuguesa de pegar touros, e em particular ao Vasco Pinto, pela forma humilde e nobre como tem pautado a sua responsabilidade de conduzir um Grupo de Homens, que fazem do barrete e da jaqueta, um motivo de orgulho das nossas gentes.

Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com

21 junho 2010

Alcochete – vila prodígio da Forcadagem!

João Batista, também chamado de João, o Batizador, foi um pregador judeu e considerado pelos cristãos como o precursor do prometido Messias, Jesus Cristo. Baptizou muitos judeus, incluindo Jesus, no rio Jordão, e introduziu o baptismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adoptados pelo cristianismo.
Tendo São João Batista como o seu Santo Padroeiro, a vila de Alcochete assiste no dia consagrado à natividade do Santo, às comemorações de mais um aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete.
Praticamente a efectuarem 39 anos de existência, este Grupo de Forcados, fundado a 24 de Junho de 1971, consagrando nomes como João Mimo, Gregório Bolota, José Barrinha da Cruz, Francisco Sequeira, Aníbal Pinto, Alberto Silva, José Pinto, Estêvão Oliveira, Filipe Sequeira, Manuel Pinto, Augusto Oliveira, António José Pinto, João Rei, João Barata, Manuel Jorge Marques, António Cardoso, aos quais ainda se juntaram António Cruz, António Faria, Francisco Salvação, Paulo Penim, Vítor Marques e Joaquim da Costa Godinho.
Pouco menos de um mês da sua fundação, este Grupo fez a sua apresentação na Praça de Toiros da cidade vizinha – Montijo, enfrentando 6 toiros de Rio Frio. Sob a égide de João Mimo, este Grupo ao longo de 13 anos, conseguiu definir os seus princípios assentes numa postura determinada e conquistando o prestigio necessário para consolidar o seu sucesso nos anos imediatamente seguintes. É precisamente na década comandada por António Manuel Cardoso que este Grupo atinge simultaneamente os melhores e os mais angustiantes momentos da sua carreira. Foi precisamente na tragédia, com a morte de dois jovens e valorosos forcados, que o Grupo ainda mais se uniu, apesar de todas as dificuldades, conseguiu reunir fortes condições para superar as suas adversidades e continuar no trilho do êxito.
Em 1995 é João Pedro Bolota, forcado de enorme referencia no seio do grupo e não só, o eleito para liderar os Amadores de Alcochete. Na senda dos seus antecessores, o João prejudicando fisicamente a sua própria vida, mantém no seio do Grupo o espírito de unidade que permite continuarem com todo o mérito a marcarem presença de forma cada vez mais assídua nas melhores feiras taurinas.
O Grupo de Forcados Amadores de Alcochete, não só continua a honrar a jaqueta que enverga como também consegue elevar o nome da vila de Alcochete em todo o País e Ilhas, mas igualmente em Espanha, França e Estados Unidos da América.
A 01 de Julho de 2007, o João coloca um ponto final na sua já longa carreira de forcado passando o seu testemunho ao Vasco Pinto, que apesar da sua juventude, à muito que deixou de ser uma promessa da forcadagem para naturalmente se assumir como uma certeza com todo o romantismo que a figura de forcado representa na Festa.
Jovem, dinâmico mas simultaneamente humilde, empenhado e com uma visão bem actual, o Vasco orgulhoso do seu Grupo e com Alcochete no coração aposta na continuidade reforçando o Grupo com novas caras mas sempre regendo-se pelos mesmos princípios desse já longínquo ano de 1971.
Alcochete orgulha-se do seu passado e presente e de todos aqueles que um dia optaram por vestir a jaqueta das ramagens e deram a conhecer a outros povos e culturas, esta genuína, ímpar, e tão nobre arte de ser forcado português e de Alcochete.
Não é uma tarefa fácil, perceba-se, mas a amizade e a união entre novos e menos novos fomentada em muitas tardes e noites de glória e quiçá de infortúnio permitem aos Amadores de Alcochete continuarem…a manter a tradição.


Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com

20 maio 2010

Alcochete – símbolo maior do Forcado!

Numa das mais belas Tertúlias Tauromáquicas do País, existe uma sala consagrada ao Forcado onde está patente, aos olhos de todos, um conjunto de fotografias que ilustram as memorias de um passado repleto de história e de um presente condizente com esta tão nobre arte que é a de “pegar toiros”.
Este é o Aposento do Barrete Verde de Alcochete! A casa do Grupo de Forcados Amadores do Aposento do Barrete Verde, que no próximo dia 22 completa 45 anos de existência, após ter sido fundado no longínquo ano de 1965.
O grande mentor deste projecto foi Francisco Penetra Rodrigues, que contou com Artur Garrett para a orientação técnica do grupo, que teve como 1º.Cabo – José Luís Carapinha Rei, a quem competiu capitanear os seguintes homens: Aníbal Pinto; José Pinto; Manuel Pinto; João Mimo; Luciano Pinto; Augusto Henrique; Luís Cebola; José Gomes; Eduardo Vantacich; António Tavares; José Pires; Gregório Bolota; Joaquim Labreca e Francisco Giro.
O grupo fez a sua apresentação na Praça de Toiros de Alcochete a 09/08/1965, precisamente num Festival de Homenagem ao Aposento do Barrete Verde, em que fizeram parte do cartel os Cavaleiros Pedro Louceiro; J.Barahona Núncio e José Samuel Lupi, que actuaram generosamente. O grupo de forcados do Aposento do Barrete Verde dividiu praça com o grupo de forcados da Tertúlia Tauromáquica do Montijo. Abrilhantou o espectáculo a Banda da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898, de Alcochete.
Em 1967, o Sr. António Luís Penetra é nomeado cabo do grupo de forcados e consegue, corrida após corrida, época após época, afirmar no panorama taurino o nome do grupo de Alcochete, como sendo uma referência entre os grupos de forcados existentes naquela altura, tendo alcançado os mais variados êxitos. Aliás, decorria o ano de 1968 quando o grupo de forcados do Aposento do Barrete Verde alcançou o mais alto prémio, que se podia atribuir a um grupo de forcados, o Prémio da Imprensa. Este troféu encontra-se em exposição no relicário do forcado, na sede do Aposento.
No ano de 1981, o grupo passa a ser dirigido pelo Sr. Luís António Cebola, que aposta numa renovação formando um grupo de forcados juvenis, que viria a ser determinante nos sucessos subsequentes do grupo e que, rapidamente, consolidou a sua performance ao mais alto nível. É curioso que alguns desses jovens, ainda hoje, se encontram ligados intimamente ao grupo, dignificando naturalmente o Aposento.
Sob o comando de Luís António Cebola, o grupo faz algumas digressões ao estrangeiro nomeadamente a França e a Espanha e em 1991 participa, pela primeira vez na sua história, na corrida da TV. Este ano, considerado para muitos como um ano de ouro, contou ainda com a distinção elaborada pela crítica, que se referiu ao grupo como um dos melhores grupos de forcados da época. Em 1993, na Praça de Toiros de Setúbal, Luís António Cebola despede-se das arenas, passando o seu testemunho a Joaquim José Penetra. Este, enquanto cabo do grupo, continua na senda dos êxitos, conseguindo brilhantes actuações nas corridas em que o grupo actua, ganhando inclusive alguns prémios de melhores pegas nas mais importantes Praças do Pais e participando, também, em algumas corridas em Espanha.
Em 1995, é Luís Miguel Cebola quem assume o comando do grupo, cargo que viria a exercer durante 10 anos. A ele se deve a afirmação do grupo, ano após ano, alcançando vários sucessos e troféus de melhores pegas em importantes feiras taurinas, como é o caso das Sanjoaninas nos Açores, entre outras, e que podem ser apreciados no museu taurino do Aposento.
É em 2002 que o grupo de forcados do Aposento atinge o seu auge, sendo considerado pela Crítica como o Melhor Grupo de Forcados, tendo recebido, também, o troféu de um importante Jornal Taurino. Dois anos depois, João Miguel Salvação, hoje o actual cabo do grupo, foi galardoado pela Crítica com a distinção de Forcado do Ano.
Ao longo destes 45 anos, foram escritas em letras de oiro muitas páginas de histórias, umas mais felizes, outras menos, mas tenho a plena convicção de que em todas essas páginas se juntaram homens de várias gerações, que de tudo fizeram para honrar a casa que os viu nascer e crescer enquanto forcados. Por uma simples flor e o calor de um aplauso, estes homens dignificaram a nossa cultura, a nossa identidade e a jaqueta que vestiram, não fora o facto de serem de Alcochete – símbolo maior do Forcado.

Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com

29 agosto 2009

Petição "Inserção dos Ferros de Mola"

Está a decorrer uma petição online que pede a implementação dos "ferros de mola" nas corridas de toiros em Portugal.
Devido ao aumento de acidentes provocados aos forcados pelos ferros compridos, para protecção dos mesmos, estamos a pedir a quem concordar a inserção dos ferros de mola a fim de acautelar acidentes provocados pela madeira dos ferros actuais.
Posteriormente esta pedição será enviada para a IGAC (inspecção geral das actividades culturais).
Se estiver interessado siga o seguinte link: http://www.peticao.com.pt/ferros-de-mola

21 agosto 2009

Força Ninan

Como aficcionado e grande admirador da coragem dos Forcados , venho expressar a minha solidariedade ao Forcado Alcochetano João Salvação «Ninan» , vitima de um brutal acidente com uma bandarilha que lhe perfurou uma vista durante uma pega na corrida de toiros da passada 5ª Feira em Alcochete.
Coragem Ninan!

25 dezembro 2008

El gran José Samuel Lupi


No Sábado passado estive em Badajoz. Sempre que vou a esta cidade do País vizinho, o que faço é comprar livros, a única coisa que, para mim, vale a pena adquirir neste mundo.
Qual não foi o meu espanto quando numa das montras da livraria Universitas vi a obra de José António del Moral, Cómo ver una corrida de toros, Alianza Editorial, Madrid, 2007, e, pedindo que me facultassem um exemplar para um primeiro reconhecimento, deparei logo com o nome de uma figura incontornável da nossa região, a saber, o cavaleiro José Samuel Lupi.
Diz assim uma passagem que destaco do texto: «Batista revolucionó el toreo a caballo por sus maneras exuberantes. Llegó mucho al público más joven que llenó las plazas para verle competir con el hijo de Nuncio, el gran José Samuel Lupi y el grandioso rejoneador español de entonces, Álvaro Domecq Romero» sic.
Perante estas palavras, claro que o ego de um alcochetanito em terras de Sua Majestade fica todo inchado.
Comprei sem pestanejar o livro.

16 setembro 2008

Mecanismo do bode expiatório e tourada


Desde os primórdios da humanidade, por aqui e acolá mesmo depois do Sacrifício da Cruz, sempre que a colectividade se vê em crise, lança as culpas sobre o indivíduo. Só a morte trágica deste devolve as pessoas comuns à vida pacata. Eis em palavras rápidas e simples uma explicação para o mecanismo do bode expiatório.
Ao longo do séc. XX, os bodes expiatórios do totalitarismo (nazismo e comunismo) foram judeus, burgueses, reaccionários, etc.
Ora a minha tese é a seguinte: se a tourada, simbolicamente, obedecesse ao mecanismo do bode expiatório, as organizações de esquerda não estariam contra essa eminente manifestação cultural de raiz popular.
Hoje não vivemos no culto da colectividade, ou melhor, do que a representa, a assembleia? Esta, avessa a qualquer princípio superior que a transcenda, não inculpa nascituros, família, classe média, etc.?
Se o simbolismo da tourada abonasse a dinâmica desta inculpação, as áreas de esquerda certamente que não atacariam tão encarniçadamente a tourada, antes a apoiariam nem que fosse tacitamente.
Mas os espectadores de uma tourada não são uma massa enraivecida que aponta o dedo ao animal, projectando sobre este sentimentos de ódio e vingança e arvorando-o em suspeito a abater, o que faz do mecanismo do bode expiatório uma estrutura antropológica insuficiente para a análise honesta da corrida de toiros.

28 agosto 2008

Saramago contra a tourada


A procissão e a tourada, lídimas manifestações de religiosidade e cultura populares, são abjectamente denegridas em Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984. Leia-se, por exemplo, esta passagem sobre a tourada, p. 82-85: «Estão as bancadas e os terrados formigando de povo, reservadamente acomodadas as pessoas principais, e as majestades e altezas miram das janelas do paço, por enquanto ainda andam os aguadores a aguar a praça, oitenta homens vestidos à mourisca, com as armas do Senado de Lisboa bordadas nas opas que trazem vestidas, impacienta-se o povinho que quer ver sair os touros, já se foram embora as danças, e agora retiraram-se os aguadores, ficou o terreiro um brinco, cheirando a terra molhada, parece que o mundo se acabou agora mesmo de criar, esperem-lhe pela pancada, não tardam aí o sangue e a urina, e as bostas dos touros, e os benicos dos cavalos, e se algum homem se borrar de medo oxalá o amparem as bragas, para não fazer má figura diante do povo de Lisboa e de D. João V» sic.

Muitos leitores, levados pela falsa máxima de que gostos não se discutem, encolhem os ombros e concluem apenas que Saramago não gosta de touradas.

Ora o problema é de longe muito mais profundo.

As esquerdas em geral e o comunismo em particular, sem que o pareça, desprezam a cultura de raiz popular, uma vez que esta, por força dos valores intrínsecos que a estruturam, é obstáculo à progressão do marxismo, retardando assim o advento da justiça e paz perpétuas.

Esta ideia está tão arreigada nos totalitarismos (nazismo e comunismo) que matar milhões e milhões de pessoas em nome da utopia almejada é apenas um incómodo de percurso.

12 julho 2008

Corrida de touros versus ditadura


A queda da URSS provou também que o endeusamento da ciência é um rotundo fracasso, mas no Ocidente vive-se bastante da ilusão de que a ciência nos pode livrar do esforço.

O ódio de muitos à corrida de touros parte do facto de esta se apresentar como uma lição de esforço, divisa principal daqueles cuja opção de vida não é viver à custa dos outros, senão do próprio trabalho. Mas este mesmo é o móbil do capitalismo liberal, alvo da mira das esquerdas à escala planetária.

Nesta conformidade, a corrida de touros é encarada como um entrave à progressão do marxismo, "filosofia" do comunismo, razão por que todos os pretextos são aproveitados para apertar o cerco a uma das manifestações mais prestigiadas da cultura popular em Portugal, vale repetir, a corrida de touros.

Foi o que aconteceu no dia 04-06-08, quando a 12ª Vara Cível de Lisboa, dando provimento a uma providência cautelar da associação ANIMAL, notificou a RTP de que não poderia emitir a 44ª Corrida TV no Domingo de 08-06-08 às 17h30, sob a alegação de que «...as touradas são programas violentos susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes» (SOL).
Eis uma pequena amostra do discurso falacioso cujo resultado é o rastejante regresso à ditadura, aparentemente sem o culto do chefe, sem polícia política, sem censura, etc., mas com eficaz restrição à liberdade.

28 abril 2008

José Saramago e a tourada


A tourada, lídima manifestação de cultura popular, é abjectamente denegrida em Memorial do Convento de José Saramago porque a festa de toiros tem implícita uma antropologia que se opõe à do marxismo.
Leia-se, por exemplo, esta passagem: «Estão as bancadas e os terrados formigando de povo, reservadamente acomodadas as pessoas principais, e as majestades e altezas miram das janelas do paço, por enquanto ainda andam os aguadores a aguar a praça, oitenta homens vestidos à mourisca, com as armas do Senado de Lisboa bordadas nas opas que trazem vestidas, impacienta-se o povinho que quer ver sair os touros, já se foram embora as danças, e agora retiraram-se os aguadores, ficou o terreiro um brinco, cheirando a terra molhada, parece que o mundo se acabou agora mesmo de criar, esperem-lhe pela pancada, não tardam aí o sangue e a urina, e as bostas dos touros, e os benicos dos cavalos, e se algum homem se borrar de medo oxalá o amparem as bragas, para não fazer má figura diante do povo de Lisboa e de D. João V» (Saramago, José, Memorial do Convento, Círculo de Leitores, Lisboa, 1984).
Muitos leitores, levados pela máxima de que gostos são gostos, encolhem os ombros e concluem que Saramago não gosta de touradas, direito que lhe assiste.
O problema é de longe muito mais profundo.
O comunismo, sem que o pareça, despreza a cultura de raiz popular, uma vez que esta, por força dos valores intrínsecos que a estruturam (ideia de uma Força superior à do homem, hierarquização, mais regra para mais liberdade, etc.), é obstáculo à progressão marxista, retardando o advento da justiça e paz perpétuas. Esta ideia está tão arreigada nos totalitarismos que matar milhões e milhões de pessoas em nome da utopia almejada é apenas um incómodo de percurso.

23 maio 2007

Toiros

Devido a qualquer razão que não atinjo, há pessoas que julgam ver contradição na defesa, levada a cabo por um cristão, da Festa Brava e origem pagã desta.
Não há contradição nenhuma.
Apontemos uma das grandes distinções entre paganismo e cristianismo.
Para o pagão, o destino está por cima dele, dos próprios deuses e é inexorável, vale dizer, o homem não pode fugir ao ditame de forças incontroláveis. Os próprios Gregos, pais da nossa Filosofia, pensavam assim. Era a moira à qual nem sequer Zeus escapava.
Para o cristão é o homem que faz o seu próprio destino, vale dizer, para o cristão, se há um destino, é o da liberdade orientada a Deus, máximo Bem. Isto, no fundo, é o que em Teologia se chama livre arbítrio, negado pelo marxismo, filosofia do comunismo.
Em conclusão, eu cumpro o sentido da Cruz de Cristo se me apropriar do legado pagão da cultura taurina e redimensionar os traços antropológicos desta num quadro de vivência cristã.
Assim, o caos (desordem) da cultura taurina desde tempos arcaicos virou cosmos (ordem) por força da acção civilizadora do cristianismo.

07 novembro 2006

Qual a alternativa à Festa Brava?


Mas afinal, pergunto eu, qual a alternativa daqueles que atacam a Festa Brava? O feminismo? Mas este tentáculo do marxismo pugna pela igualdade de género, isto é, não aceita gerenciamentos diferentes para o que também é diferente.
Sim, homem e mulher, iguais como pessoas, são diferentes na especificidade de cada um.
Pouquíssimas mulheres seriam capazes de arrostar um toiro, facto natural que não as desmerece absolutamente em nada porque a maternidade prova que elas têm uma força inexcedível.
Noutro plano está a agressividade do varão que não pode ser gratuita senão posta ao serviço do Homem.
O problema de fundo é que a Festa Brava é uma iconolatria, isto é, uma espiritualidade de acção. Uma vez destruído um importante rochedo ctónico das outras duas formas de espiritualidade, a saber, a de amor (personalismo) e a de conhecimento (misticismo), estas sumir-se-iam muito mais facilmente.
E eu torno a perguntar: de quem seria o ganho?

Mensagem cultural da Festa Brava


A cultura não é um fim mas um caminho para plainos superiores até ao plaino supremo que é a salvação do homem.
Na perspectiva cultural, a Festa Brava reclama que não lhe esvaziem os valores cuja ancestralidade decorre de tempos antiquíssimos. Esta reclamação será sempre satisfeita enquanto o homem preferir uma humanização cada vez mais elevada a ser um autómato mergulhado num imanentismo repugnante que o levará ao completo esquecimento de si.
O homem esquecido de si desviverá porque atrofiada a própria essência que o torna reflexo de Deus.
As raízes profundamente religiosas da relação homem-toiro são penhor da dimensão transcendente do ser humano que o promoverá a rei do cosmos.

05 novembro 2006

Mensagem histórica da Festa Brava


A História faz-se com a adesão dos povos a grandes projectos galvanizadores.
A Festa Brava recebe a aderência de multidões porque é um projecto de recorrência para o retorno às raízes mais recônditas do homem.
Por esta senda, a Festa Brava faz História. E a História é esta: todo o fruto pende dos ramos que se erguem do tronco que parte das raízes. Tolhidas estas, secam as árvores que viram espectros à beira dos caminhos.

03 novembro 2006

Mensagem cristológica da Festa Brava


Se abrirmos um bom dicionário de Grego e procurarmos lógos, descobriremos que esta entrada significa Palavra, Espírito, Razão, Inteligência, Pensamento, etc., no sentido mais vertical destes conceitos.
O Evangelho de São João começa assim: «No princípio era o Logos...» (En arkê ên ho lógos).
Cristo é o Logos que está presente em todas as coisas desde toda a Eternidade. Esta realidade, fundamento do criado, é representada pelo símbolo da Cruz, união da verticalidade e horizontalidade (carne do homem e carne do mundo).
Na arena, o abraço homem-toiro foca a descida vertical da razão sobre a horizontalidade simbolizada pelo animal, o que recebo como uma imagem cristológica.

02 novembro 2006

Mensagem democrática da Festa Brava


A Corrida de Toiros é um espectáculo pacificado com a tradição cujas raízes antropológicas, muito anteriores à História como ciência, se soerguem dos mitos mais arcaicos de todos os povos.
Ora eu penso que não é possível defender as democracias liberais do Ocidente por um lado e desprezar a genuína tradição por outro. Estes juízos levam-me ao raciocínio de que a morte da tradição é a morte da democracia.
De facto, se defendo o cristianismo, o estado-nação, a liberdade individual, a família, a propriedade privada, as regras do mercado, etc., estou a defender a tradição, isto é, o modelo de democracia ocidental.
Nesta perspectiva, eu vejo na Festa Brava uma das manifestações da democracia, uma vez que os valores intrínsecos da primeira são aliados dos da segunda, uns e outros incompatíveis com qualquer espécie de reedição totalitária, por mais pintada que seja.

01 novembro 2006

Mensagem ética da Festa Brava


A Festa Brava, pela sua vertente mais prestigiada, vale dizer, a Corrida de Toiros, está ordenada ao Bem.
De facto, a Corrida de Toiros pauta-se pela imutabilidade de gestos sempre repetidos, recriando simbolicamente a obra da Criação que se rege por leis imutáveis e é boa: «Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã. Foi o sexto dia» (Gen. 1, 31).
Nesta conformidade, a Corrida de Toiros (são lidados seis animais) celebra a Criação gerada pelo Sumo Bem, razão por que só pode estar ordenada a Este, lembrando todos os homens de que são colaboradores do Criador na construção incessante da casa comum.

31 outubro 2006

Mensagem sociológica da Festa Brava


Não há a menor dúvida de que a Festa Brava favorece e fortalece as relações sociais, ou seja, as relações de convivência entre membros de uma comunidade.
Mas o sentido e finalidade da categoria festa não são outros.
Assim sendo, a Festa Brava é factor de coesão de uma sociedade, reunião de pessoas fracturadas entre o gozo dos direitos e a tensão dos deveres.
Na própria Corrida de Toiros vejo eu um sociodrama porque aquela, ao fim e ao cabo, é uma representação ordenada para uma acção terapêutica como se de uma catarse colectiva se tratasse em benefício dos espectadores.

30 outubro 2006

Mensagem política da Festa Brava


A Festa Brava, através da sua vertente mais nobre, a corrida de toiros, reflecte a ordem.
Ninguém vai a uma corrida de toiros esperando qualquer alteração neste espectáculo: sai o toiro, depois vem o cavaleiro, a seguir os forcados e sempre assim até à sexta vez, o que traz à memória a ordem da Criação.
Na verdade, Deus é o supremo ordenador de tudo quanto existe. Nesta conformidade, podemos encarar a ordem como um mandamento dado a cada um, ao grupo, à cidade.
A cidade de Deus desce sobre a cidade dos homens e esse ponto de união é a garantia do nosso equilíbrio.
Equilíbrio entre dois mundos é a Corrida de Toiros à Portuguesa. Nesta estão representadas em sã convivência hierárquica a antiga aristocracia e a plebe.
A Corrida à Portuguesa, imagem de ordem (imago ordinis), lembra à Democracia que esta deve opor a benéfica autoridade ao mero horizontalismo estiolante.