30 janeiro 2009

Água: consumo excessivo ou... aqui há "gato"?


Estão disponíveis os indicadores estatísticos de 2007 respeitantes à Região de Lisboa e Vale do Tejo e, na Península de Setúbal, deparei com dados inexplicáveis sobre consumo de água do sector doméstico por habitante no município de Alcochete.
Ao longo do ano de 2006 – os dados fornecidos para a água referem-se a esse ano – com 88% da população residente servida por sistema público de abastecimento (a segunda taxa mais baixa na península), cada munícipe de Alcochete consumiu qualquer coisa como 105,8m3!
Tão elevado consumo não tem paralelo nos 18 municípios da Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde apenas Montijo nos ultrapassou (120,8m3 por habitante ao longo do ano).
Se a informação respeitante a Alcochete está correcta, ela significa que cada alcochetano(a) consome o dobro da água do lisboeta ou do barreirense e quase o triplo do almadense e do moitense.
A meu ver, o consumo médio diário de 289,8 litros de água por habitante é anormal e justifica clarificação por responsáveis municipais.
Porque de duas uma: ou se gasta demasiada água ou alguém meteu água!

5 comentários:

Paulo Benito disse...

O mais provavel é que a rede de abastecimento tenha fugas.
Em Lisboa, as percas são aproximadamente 50%.


Paulo Benito

Unknown disse...

Claro que a rede de abastecimento de água em Alcochete tem fuga, mas não é para o Marafuga.

Fonseca Bastos disse...

Caros Paulo Benito e João Marafuga: se for esse o problema, não seria simples questão de tapar fugas. Haveria algures um enorme rio alimentado pelo desperdício.
Peguem numa factura de água e vejam quanto gasta diariamente cada membro dos vossos agregados familiares.
Em todo o caso, continua a parecer-me que o erro está nos números e alguém devia esclarecer-nos.
Já agora, atentem no facto de, em 2006, ainda existirem 12% de alcochetanos sem sistema público de abastecimento de água. São cerca de 1500 pessoas!
Alguém sabe que evolução houve nos dois anos subsequentes?

Paulo Benito disse...

Um problema típico é a perca de água nas infra-estruturas. Este problema tende a prolongar-se no tempo porque os custos de reparação/substituição são muito elevados.

Em alguns municípios, por falta de orçamento para apoiar instituições locais, como por exemplo os bombeiros, permitem que se abasteçam e vendam a água (para piscinas ou outros fins). Aqui podem-se levantar algumas questões éticas, como o facto dos donos das piscinas comprarem água a preço mais económico que os restantes consumidores “legais” e ao facto do dinheiro cobrado pelas instituições locais fugir a qualquer tipo de controlo.

O elevado consumo de água também poderá ser justificado pelo critério de cálculo não ser uniforme em todos os municípios ou até mesmo por algum erro.

Uma coisa é certa. A água, como bem escasso que é, indubitavelmente irá aumentar no futuro, promovendo assim a sua racionalização.
Tipicamente os municípios taxam a água pelo custo real da sua extracção, tratamento e transporte. A curto/médio prazo estou convicto que seremos taxados pelo seu preço "ambiental"/comercial. Preparam-se para abrir os cordões à bolsa.

Um abraço,
Paulo Benito

Paulo Benito disse...

Um problema típico é a perca de água nas infra-estruturas. Este problema tende a prolongar-se no tempo porque os custos de reparação/substituição são muito elevados.

Em alguns municípios, por falta de orçamento para apoiar instituições locais, como por exemplo os bombeiros, permitem que se abasteçam e vendam a água (para piscinas ou outros fins). Aqui podem-se levantar algumas questões éticas, como o facto dos donos das piscinas comprarem água a preço mais económico que os restantes consumidores “legais” e ao facto do dinheiro cobrado pelas instituições locais fugir a qualquer tipo de controlo.

O elevado consumo de água também poderá ser justificado pelo critério de cálculo não ser uniforme em todos os municípios ou até mesmo por algum erro.

Uma coisa é certa. A água, como bem escasso que é, indubitavelmente irá aumentar no futuro, promovendo assim a sua racionalização.
Tipicamente os municípios taxam a água pelo custo real da sua extracção, tratamento e transporte. A curto/médio prazo estou convicto que seremos taxados pelo seu preço "ambiental"/comercial. Preparam-se para abrir os cordões à bolsa.

Um abraço,
Paulo Benito