19 junho 2006

O seu a seu dono


Não sendo adepto do programa nem do seu animador, ontem à noite, casualmente, passei pelo canal SIC e deparei com um vereador da Câmara Municipal de Alcochete no programa de Herman José.
A razão dessa presença era o VI Festival Internacional de Papagaios de Alcochete, que decorrerá na Praia dos Moinhos, entre 21 e 25 deste mês (principais eventos decorrerão sexta, sábado e domingo).
Sempre achei que uma manifestação com tamanha beleza e ineditismo merecia ampla divulgação nacional, tanto mais que depressa se tornou numa referência internacional para os entusiastas dos papagaios. Basta procurar o tema na Internet para perceber que este festival é a única manifestação regular que, até ao momento, projectou o concelho muito além dos seus limites geográficos.
Por isso nunca compreendi as razões que levavam a autarquia de Alcochete a alhear-se da adequada promoção e divulgação do festival, bem como de outras relevantes manifestações locais, nos meios de informação de expressão nacional.
Oxalá ao sexto ano, finalmente, o festival de papagaios saia da acanhada afluência observada no primeiro lustro e Alcochete consiga ser notícia nos meios de informação nacionais sem ser, como quase sempre sucede, pelos piores motivos.
Bem sei que toda gente tem direito a 15 minutos de fama, mas não compreendo a que título ela foi concedida ontem a um vereador municipal que como cidadão julgo ter andado ausente do evento nos cinco anos anteriores.
A organização do festival é do Gilpapagaios e resulta, principalmente, do entusiasmo e da dedicação de Carlos Soares, limitando-se a câmara a patrocinar.
Era ao discreto Carlos Soares – por sinal presente na plateia – que deveria ter sido dado plano de destaque, porque sabe do assunto e bem o merecia por muitas e variadas razões nunca publicamente reconhecidas.

Outro dia, noutro programa da RTP, o presidente da câmara fez algo semelhante e ainda mais despropositado. Então achei preferível ignorar o assunto, mas desta vez tomo posição na expectativa de que isto não se torne num hábito.
Pessoalmente nada tenho contra os dois autarcas, mas parece-me mais correcto que quem pontifica no município se destaque por obra feita e não se sirva do cargo para fins de promoção pessoal e política.
Promovam bem o festival de papagaios e manifestações de índole local em que a maioria se revê, contribuam para o sucesso dessas iniciativas e elevem o nome do concelho a patamares de divulgação nunca antes alcançados. Depois, sim, colham os frutos desse trabalho.

4 comentários:

JMarafuga disse...

Muito pertinente.

marialisboa disse...

Não vi.Também a mim o animador não atrai.Mas concordo que a"palavra" deveria ter sido dada a quem do assunto percebe e sempre acarinhou.

O tempo de antena é sempre muito útil...

luis disse...

As digníssimas edilidades já nos habituaram à sua predilecção em fazer só a marcação de penaltys…
1.Como desconheço certos pormenores inerentes à realização do festival fico curioso em saber quais serão os critérios que presidem à classificação final dos participantes.
As imagens deslumbrantes proporcionadas pela simplicidade e decoração dos papagaios aliadas à paisagem fascinante do pôr-do-sol em Alcochete?
A altitude a que eles se elevam, serpenteando, presos à guita ao sabor caprichoso da nortada?
A aerodinâmica a que obedeceu o desenho e construção do papagaio, a sua estabilidade face à pressão do vento?
A qualidade e elaboração da estrutura em que assenta o corpo do projéctil ou por outro lado a originalidade e esbelteza da sua forma?
2.Outro aspecto diverso a salientar é o do alojamento dos nossos visitantes.
A antiga escola do Valbom, subsequentemente convertida em albergue de juventude encontrava-se ainda há pouco encerrada e entregue a um deplorável abandono.
Em tempos fora uma escola a que uma senhora dedicara com abnegação todo o seu tempo e pertinácia visando a edificação de uma escola comunitária.
Com a paciência que revestia o seu carácter tentou e conseguiu obter de entidades públicas e multinacionais, usando do mais engenhoso voluntariado, todos os artefactos necessários à construção de um laboratório de química. Onde tudo isso já vai…
Vem a propósito aludir à prometida reabilitação do albergue sito na antiga escola do Valbom. Para quando?!

Anónimo disse...

À falta de obra passados 10 meses, os coitados têm que promover a imagem pessoal... aliás, propaganda e comunismo sempre andaram de mãos dadas.