11 novembro 2006

Eu estou do lado das polícias

Quando a PSP ou a GNR intervêm perante grupos transgressores da lei, logo aparecem as reportagens das televisões quase sempre orientadas para indisponibilizar os espectadores contra as forças da ordem.
Pelo princípio da razão suficiente sei que nada existe sem uma razão de ser.
Vem-me à cabeça um conto da minha avozinha cujos pormenores me falham.
Era uma família numerosa sem grandes recursos, mas que vivia em paz. Por mão de uma das filhas, insinua-se um intruso lá em casa que a pouco e pouco vai roubando o sossego a pais e filhos. Uns e outros não sabem o que fazer à rede cada vez mais apertada que os sufoca. O medo é o duro pão que comem. Todos os que tentaram ajudar se mostraram sem forças para resolver o problema. A dada altura apareceu-lhes à frente um manhosão de dentes à mostra mais medonho que o primeiro, mas prometia livrá-los do tormento de longa data se aceitassem recebê-lo como senhor o resto das vidas. O desespero era tanto que concordaram em troca de algum alívio.
O meu filho está aqui a meu lado e perguntou-me: pai, isto foi mesmo verdade? Eu respondi: filho, isto é verdade só até metade. A outra metade poderá estar a caminho.

10 novembro 2006

Ecologismo, feminismo e megacapitalismo

É necessário tomar consciência de que um dos pavores aparentes de todas as esquerdas é o aumento da população mundial.
O argumento de superfície contra o aumento populacional é o de que o planeta não oferece recursos para alimentar tanta gente, embora, por outro lado, sejam criticados virulentamente os excedentes da civilização industrial. Contra esta vem o ecologismo que, recorrendo a pseudo-valores, ataca aquela indústria que, a preços baixos, alimenta centenas de milhões de pessoas.
O feminismo não se desliga da problemática do aborto que, por sua vez, obedece a estratégias políticas de natureza anti-natalista.
Ora faz espanto que eu, na minha pesquisa permanente, nunca encontrasse nenhum cientista reconhecido pela academia internacional a preocupar-se por aí além com a subida demográfica à escala planetária.
Surge então a pergunta de fundo: qual é o real problema das esquerdas face ao aumento da população sobre todos os continentes da terra?
O controlo das bocas visa o controlo do mercado que paulatinamente deixaria de ser livre para cair nas mãos de alguns poucos, isto é, os megacapitalistas feitos com as esquerdas do mundo inteiro.
Na verdade, o livre-mercado esforça-se por dar satisfação às necessidades de um número cada vez maior de pessoas. Mas não é com a progressão do bem-estar material e espiritual que se governam as esquerdas. Estas precisam da pobreza dos povos para assentar arraiais.
Só há uma maneira de assegurar a pobreza à face da terra: prender o mercado. E este é também o desejo de grandes capitalistas que não se interessam pela elevação do nível de vida das vastas camadas populacionais, mas pelo domínio de um pequeno grupo sobre o resto dos homens.

Pagar mais para quê? (3)

Não era minha intenção voltar ao assunto tão cedo, mas esta notícia deve ser lida por quem deu alguma atenção às minhas duas notas anteriores sobre o tema fundação das salinas do Samouco.

09 novembro 2006

Pagar mais para quê? (2)


Falta em Alcochete uma instituição da sociedade civil dedicada a acções de carácter ambiental, artístico, científico e filantrópico, potenciadora de iniciativas visando a coesão social e a responsabilidade cidadã.
Talvez por isso, os estudos que conheço sobre o futuro da fundação das salinas do Samouco prevêem a pior das soluções: intervenção do município nos seus órgãos de gestão, juntamente com departamentos estatais dependentes dos ministérios das Obras Públicas e do Ambiente, a concessionária da ponte Vasco da Gama e organizações ambientalistas de carácter nacional e regional.

Distante dos arranjos políticos de ocasião e de feudos partidários, a Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco seria mais eficiente e útil, mas para isso seriam necessários empenho, entusiasmo e organização de cidadãos de boa vontade.
Há em Alcochete gente capaz de gerir, valorizar e até tornar lucrativa a Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco, assim como não faltam homens que de recuperação e manutenção de salinas sabem mais a dormir que a maioria dos ambientalistas.
Tal como sei haver gente conhecedora de bons exemplos europeus de recuperação e preservação de zonas húmidas, com cujas organizações se devia cooperar tendo em vista a candidatura aos generosos fundos comunitários destinados a projectos transfronteiriços de conservação ambiental.
Ninguém reparou nem nunca soube valorizar, por exemplo, que há não muito tempo trabalhou em Alcochete um homem com longa experiência de conservação na Amazónia, referenciado em inúmeros documentos de organizações das Nações Unidas.
Passou por cá e ninguém lhe ligou a mínima importância. Pelo contrário, criaram-lhe dificuldades na sua esfera de competência profissional.
Uma vez por outra, debalde tenho abordado aqui matérias relacionadas com cooperação ambiental e fundos europeus.
Hoje fico-me por um apelo também não inédito: por favor acordem! Ajudem a fazem alguma coisa pela vossa terra, antes que seja tarde demais!

A ler

Reinvindicações do PCP ao Governo, para obras em Alcochete e não só.
Discordo apenas dos ca
sos da sede de colectividade de São Francisco e da 3.ª e 4.ª fases da variante urbana de Alcochete.
Sobretudo desta, porque nada resolve, como está à vista após a abertura da inacabada 2.ª fase.
Não será necessária uma variante em São Francisco? Terá a EN119 condições de suportar o aumento de tráfego?
E o alargamento da Estrada Real, a verdadeira e única variante que faz sentido planear no concelho, quanto antes, incluindo novos acessos desta ao IC13? Ainda não repararam que a rotunda do Entroncamento começa a ficar congestionada em horas de ponta?
Também estranho a não inclusão do centro de saúde e de uma nova escola básica para São Francisco. Ter-se-ão esquecido que a população da freguesia quase duplicará com o empreendimento imobiliário aí em construção?
Deverá a sede de uma colectividade sobrelevar um centro de saúde e uma escola?
E a ampliação da capacidade da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I não é prioritária?

08 novembro 2006

A democracia tem que ser defendida


Todos sabemos que a estratégia dos partidos comunistas no Ocidente passa por apoiar as reivindicações feministas, mas se vocês perguntarem a um camarada se a democracia chegou à casa dele, responder-vos-á prontamente que não porque o nosso homem vive sob grilhões machistas que o impedirão de avançar com resposta diferente.
Se a democracia não chegou a casa dos comunistas, para que serve senão para eles se valerem cinicamente das leis vigentes e subverterem-na numa azáfama subterrânea que jamais se cansa?
A democracia está entregue ao eleitorado. Este, maioritariamente de direita, faz pela vida e não se mete nas caves obscuras da subversão.
Bolas! É tempo de arregalarmos os olhos e todos os amantes da democracia se organizarem activamente na defesa desta. De outro modo, os nossos filhos e netos perderão o rosto.

07 novembro 2006

Qual a alternativa à Festa Brava?


Mas afinal, pergunto eu, qual a alternativa daqueles que atacam a Festa Brava? O feminismo? Mas este tentáculo do marxismo pugna pela igualdade de género, isto é, não aceita gerenciamentos diferentes para o que também é diferente.
Sim, homem e mulher, iguais como pessoas, são diferentes na especificidade de cada um.
Pouquíssimas mulheres seriam capazes de arrostar um toiro, facto natural que não as desmerece absolutamente em nada porque a maternidade prova que elas têm uma força inexcedível.
Noutro plano está a agressividade do varão que não pode ser gratuita senão posta ao serviço do Homem.
O problema de fundo é que a Festa Brava é uma iconolatria, isto é, uma espiritualidade de acção. Uma vez destruído um importante rochedo ctónico das outras duas formas de espiritualidade, a saber, a de amor (personalismo) e a de conhecimento (misticismo), estas sumir-se-iam muito mais facilmente.
E eu torno a perguntar: de quem seria o ganho?

Alteração do regulamento do museu

Está aqui – ver pág. 10 de suplemento publicado com o «Diário da República» de hoje – a proposta de regulamento do Museu Municipal de Alcochete, que o município submete a discussão pública durante 30 dias.
Peço a algum(a) especialista que me faça chegar os comentários devidos, porque as minhas questões não são regulamentares mas de outra índole.
Por exemplo, acho que o chamado núcleo sede do museu municipal é pequeno e pobre demais para a grandeza deste concelho.
Estarei equivocado ou, até há poucos anos, os residentes tinham acesso gratuito aos museus municipais?

Mensagem cultural da Festa Brava


A cultura não é um fim mas um caminho para plainos superiores até ao plaino supremo que é a salvação do homem.
Na perspectiva cultural, a Festa Brava reclama que não lhe esvaziem os valores cuja ancestralidade decorre de tempos antiquíssimos. Esta reclamação será sempre satisfeita enquanto o homem preferir uma humanização cada vez mais elevada a ser um autómato mergulhado num imanentismo repugnante que o levará ao completo esquecimento de si.
O homem esquecido de si desviverá porque atrofiada a própria essência que o torna reflexo de Deus.
As raízes profundamente religiosas da relação homem-toiro são penhor da dimensão transcendente do ser humano que o promoverá a rei do cosmos.

06 novembro 2006

Pagar mais para quê? (1)


Espero que os utentes da ponte Vasco da Gama não sejam forçados, em breve, a financiar mais a obscura fundação das salinas do Samouco.
Até porque já suportam aumentos anuais absurdos e inexplicáveis do valor das portagens – o deste ano excedeu em mais do dobro a inflação estimada, sem que ninguém se dignasse justificá-lo – sendo injusto e inadmissível exigir-lhes mais sacrifícios para financiar um logro denominado Fundação para a Protecção e Gestão Ambiental das Salinas do Samouco.
Entidade que, até à data, pouco mais demonstra que incontrolável tendência para estar paralisada ou realizar obras de fachada, como aqueles casebres e o aeromotor que jazem a apodrecer à beira da estrada Alcochete-Samouco.
Uma instituição cujas actividades passadas, presentes e futuras até em Alcochete se desconhecem, embora aqui tenha actividade exclusiva e sede social.
Distingue-se sobretudo por ter como presidente (vitalício?) um ecologista incómodo ao "guterrismo" que, estranhamente, sobreviveu também aos três governos posteriores, com boa aceitação junto de alguns ignorantes ou ingénuos estagiários de jornalismo que, ciclicamente, se dispõem a ampliar-lhe declarações inconsequentes, críticas vãs a órgãos do Estado, alertas de bancarrota e ameaças de encerramento.
Até hoje, contudo, nenhum jornalista demonstrou o menor interesse em esclarecer inúmeras coisas ambientalmente muito relevantes.
Por exemplo, como é gerida e auditada a actividade dessa fundação e como se aplicaram elevadas verbas recebidas do Estado e da concessionária da ponte.
Inclusive, se cumpre os compromissos assumidos pelo Estado com a União Europeia, no âmbito da construção da ponte Vasco da Gama e a título de compensação por eventuais danos de natureza ambiental causados por essa travessia.

Aguardo com expectativa a reacção dos autarcas de Alcochete, que presumo conhecerem matéria relacionada com o assunto focado nesta notícia, porque lhes escuto, há anos, críticas objectivas à forma como essa fundação desconhecida e opaca funciona.
Uma vez mais exemplifico, recordando que, até ao início de 2003, entre fundos do Estado e contribuições da Lusoponte foram gastos 1.450.000€ na fundação das salinas do Samouco.
São mais de 290.000 contos na moeda antiga, verba idêntica à do custo estimado da nova biblioteca pública de Alcochete.

Entretanto, desde 2003 que nada se sabe acerca dos gastos da fundação.
Recordo que, a 11 de Fevereiro de 2004, o então chefe da edilidade levou a sessão de câmara um documento no qual está escrito que, "na realidade, as marinhas da fundação estão abandonadas".
Nessa sessão os vereadores da CDU foram severos nas críticas ao processo de criação da fundação, aos motivos que determinaram a escolha do seu presidente e à sua gestão.
Miguel Boieiro (à data vereador da então oposição) recordava que a fundação foi um "prémio" do executivo de António Guterres a um dirigente da delegação de Setúbal de uma associação ambientalista, pela sua "coragem" na defesa da instalação de uma incineradora de resíduos industriais na zona da Arrábida.

Ainda segundo o agora presidente da Assembleia Municipal de Alcochete, no início de 2004 as salinas eram "uma vergonha para o país e para o município", estavam "numa situação escandalosa" e nada funcionava.
Nessa mesma sessão do executivo camarário, uma então vereadora substituta e hoje chefe de gabinete do presidente da autarquia lançava também algumas interrogações: "que faz a fundação? Que tem a ver connosco? Aquele espaço era nosso, da população de Alcochete. De repente, divide-se e cria-se uma área abandonada. Ninguém presta contas à população do que ali se passa. Não escutam ninguém nem pedem opiniões. A fundação tem de envolver as pessoas da terra, não voltar-lhes as costas. Que é feito dos subsídios recebidos, se nem sequer mantiveram os muros de acesso?"
Pergunto: que mudou desde há dois anos e meio?
Tanto quanto me apercebo, se algo mudou foi para pior.
Seremos obrigados a pagar mais para este filme?


(continua)

Para petizes de palmo e meio (6)

PESCADOR

Pescador que foste ao mar
De manhã bem cedinho
P'ra depois regressar...
Mas não vieste de caminho!

O povo se alvoroçou
A correr para a praia
E ao mar se lançou
P'la "Senhora da Atalaia".

A lancha bailarina
Apanhou a ir só
A cantar a triste sina
Que à gente mete dó!

Gritos chegam das ondas
Do mar a perder de vista.
Pela terra sem delongas
Não há dor que resista.

"Adeus camarada,
Lembrança querida!...
Ó alma levada
De amarga partida!..."

João Marafuga

05 novembro 2006

Mensagem histórica da Festa Brava


A História faz-se com a adesão dos povos a grandes projectos galvanizadores.
A Festa Brava recebe a aderência de multidões porque é um projecto de recorrência para o retorno às raízes mais recônditas do homem.
Por esta senda, a Festa Brava faz História. E a História é esta: todo o fruto pende dos ramos que se erguem do tronco que parte das raízes. Tolhidas estas, secam as árvores que viram espectros à beira dos caminhos.

Convocatória (2)

Alguém que participou nesta reunião, com cerca de duas dezenas de presenças, revelou-me o seguinte:
1. Há um grupo de pessoas incumbido de redigir um manifesto, cuja subscrição será, em breve, proposta à população de Alcochete;
2. Foi notória a ausência de dirigentes partidários;
3. Os órgãos autárquicos de Alcochete nada decidiram ainda acerca do fecho das urgências do hospital de Montijo e a chefe de gabinete do presidente da câmara diz desconhecer o teor do documento submetido a audição pública pelo Ministério da Saúde.
O que escrevo é lido e comentado em público pelo chefe da edilidade, pelo que forneço, uma vez mais, a hiperligação para a proposta da rede de serviços de urgência do Ministério da Saúde.
Suspeitava que, em Alcochete, há demasiada gente alheada da realidade. Mas quando os maus exemplos vêm até de eleitos e dirigentes políticos, só posso esperar muito pior.
Para usar uma referência que os mais velhos conhecem, continuem sentados à espera do comboio...

03 novembro 2006

Mensagem cristológica da Festa Brava


Se abrirmos um bom dicionário de Grego e procurarmos lógos, descobriremos que esta entrada significa Palavra, Espírito, Razão, Inteligência, Pensamento, etc., no sentido mais vertical destes conceitos.
O Evangelho de São João começa assim: «No princípio era o Logos...» (En arkê ên ho lógos).
Cristo é o Logos que está presente em todas as coisas desde toda a Eternidade. Esta realidade, fundamento do criado, é representada pelo símbolo da Cruz, união da verticalidade e horizontalidade (carne do homem e carne do mundo).
Na arena, o abraço homem-toiro foca a descida vertical da razão sobre a horizontalidade simbolizada pelo animal, o que recebo como uma imagem cristológica.

O seu a seu dono

São fúteis as guerras partidárias que se inventam em Alcochete. E a do pavilhão desportivo da Escola E.B. 2,3 El-Rei D. Manuel I é execrável e patética.
Quem merece os louros de uma obra: o que a negociou, definiu o método de financiamento e celebrou o contrato de construção ou quem a mandou acabar e pagar?
Para mim o mérito ou demérito será sempre do primeiro, nomeadamente se o segundo se limita a pouco mais que honrar compromissos herdados.
Conheço razoavelmente o caso do pavilhão desportivo da Escola E.B. 2,3 El-Rei D. Manuel, em meu entender a mais acertada decisão do anterior executivo municipal.
Creio ser pacífica esta opinião, porque nunca ninguém contestou a obra e há mais de 20 anos que o pavilhão era imprescindível. Criticou-se apenas, e com inteira justificação, a forma precipitada como as obras arrancaram em vésperas da campanha eleitoral de há um ano, sem sequer haver visto legal do Tribunal de Contas.
Acrescentando eco ao mau exemplo dado, há dias, pelo actual chefe da edilidade, na cerimónia inaugural do pavilhão, o(a) escriba de serviço na câmara resolveu redigir nesta notícia tratar-se da "segunda importante obra municipal disponibilizada à população pelo actual Executivo Municipal".
Presumo que superiormente alguém terá aprovado o texto, pelo que a coisa não me parece inocente. Ainda o será menos porque, na cerimónia inaugural, o actual presidente da câmara terá destacado "o trabalho desenvolvido pelos autarcas no anterior e actual mandatos", assumindo, "ao contrário de outros, que esta é uma obra transversal a dois executivos municipais e que o mérito, quer do seu início, quer da sua conclusão, se deve a esses dois executivos”.
Para mim, lamentável é a aparente ausência na cerimónia do "pai" da "criança" ou de um eleito da actual oposição camarária. Observei atentamente as imagens que ilustram a notícia acima citada e não reconheci ninguém ligado ao PS. Admito que possam ter sido convidados e declinado a presença, o que nem seria inédito.
Se cerimónias destas fossem organizadas de forma cautelosa, democraticamente correcta e eticamente transparente, um ou mais representantes do anterior executivo deveriam ter marcado presença. Creio mesmo que a honra do descerramento da placa inaugural poderia pertencer, por direito próprio, a algum deles.
Assim não entendeu ou não conseguiu concretizar quem organizou a cerimónia e lamento-o profundamente.
Posso ter fundadas reservas a muito do que foi planeado e executado no mandato anterior. Mas o pavilhão tem importância indiscutível e para mim será sempre obra creditada a esses autarcas.
Já agora, uma observação marginal. Alguém decidiu mal que o troço da 2.ª fase da variante se denominaria Avenida dos Barris. Penso ser errado, por duas razões: primeira, o topónimo é equívoco e toda a gente o liga a adega e vinho embora na sua origem esteja o barro. Segunda, tratando-se da continuação de uma artéria originalmente denominada Avenida do Brasil, lógico seria que em toda a extensão a variante tivesse a mesma designação toponímica.
Duvido mesmo que, se a pergunta fosse feita aos alcochetanos, a escolha da maioria não recaísse em Avenida do Brasil.
Mas as mentes brilhantes decidiram que esta obra péssima deveria chamar-se Avenida dos Barris. E fizeram bem. Os nossos netos serão levados a supor que tão má obra só podia ter nascido na mente de quem destilava vapores de alcool.


P.S. – Posteriormente à colocação deste texto no blogue, consegui falar com alguém que assistiu à inauguração do pavilhão da escola.
Esse alguém referenciou-me dois factos relevantes: a presença do ex-vereador José Navarro (eleito pelo PS) e a ausência de jovens.
Um e outros não foram protagonistas naquela cerimónia. Foi pena.

02 novembro 2006

Convocatória

ENCERRAMENTO DAS URGÊNCIAS
DO HOSPITAL DISTRITAL DO MONTIJO
PLENÁRIO DA POPULAÇÃO
DO CONCELHO DE ALCOCHETE


DIA 04 DE NOVEMBRO DE 2006 (Sábado), 17H00

JUNTA DE FREGUESIA

DE ALCOCHETE


O encerramento das urgências do Hospital do Montijo é cada vez mais uma ameaça com que a população do concelho de Alcochete se confronta.
É possível um melhor serviço e evitar o encerramento!
Vamos analisar em conjunto as soluções e evitar que os objectivos do Ministério da Saúde se concretizem.

Apareça e traga um amigo!

P'la Pró-Comissão
Isidoro Santos/João Noronha

Mensagem democrática da Festa Brava


A Corrida de Toiros é um espectáculo pacificado com a tradição cujas raízes antropológicas, muito anteriores à História como ciência, se soerguem dos mitos mais arcaicos de todos os povos.
Ora eu penso que não é possível defender as democracias liberais do Ocidente por um lado e desprezar a genuína tradição por outro. Estes juízos levam-me ao raciocínio de que a morte da tradição é a morte da democracia.
De facto, se defendo o cristianismo, o estado-nação, a liberdade individual, a família, a propriedade privada, as regras do mercado, etc., estou a defender a tradição, isto é, o modelo de democracia ocidental.
Nesta perspectiva, eu vejo na Festa Brava uma das manifestações da democracia, uma vez que os valores intrínsecos da primeira são aliados dos da segunda, uns e outros incompatíveis com qualquer espécie de reedição totalitária, por mais pintada que seja.

Para petizes de palmo e meio (5)

LANCHA

Lá vai menina,
Lancha no mar.
Carrega sina
Que a faz chorar.

Lá vai gelada,
De peito ao vento.
Sofre calada
Duro tormento.

Já longe dança
Quase à porfia.
As redes lança
Sobre água fria.

Uma tainha
Na rede cai,
Mas a lanchinha
Não solta um ai!

Lá vem sofrida
De volta à praia
E tão garrida,
Linda catraia!

João Marafuga

01 novembro 2006

Mensagem ética da Festa Brava


A Festa Brava, pela sua vertente mais prestigiada, vale dizer, a Corrida de Toiros, está ordenada ao Bem.
De facto, a Corrida de Toiros pauta-se pela imutabilidade de gestos sempre repetidos, recriando simbolicamente a obra da Criação que se rege por leis imutáveis e é boa: «Deus, vendo toda a sua obra, considerou-a muito boa. Assim, surgiu a tarde e, em seguida, a manhã. Foi o sexto dia» (Gen. 1, 31).
Nesta conformidade, a Corrida de Toiros (são lidados seis animais) celebra a Criação gerada pelo Sumo Bem, razão por que só pode estar ordenada a Este, lembrando todos os homens de que são colaboradores do Criador na construção incessante da casa comum.

Para petizes de palmo e meio (4)

PASTOR

Quem me dera ser pastor,
Ter casebre sobre o monte,
Levantar-me ao alvor,
Para o Sol virar a fronte,

Ajoelhar-me no chão,
Erguer as mãos ao alto,
Rezar de gratidão
Sem qualquer sobressalto,

Descer a vertente
Agarrado ao cajado,
O rebanho à minha frente
Feito mar ondulado,

Ao meio dia descansar
À sombra de uma azinheira,
Meu amor recordar
Mais aquela Sexta-Feira...

Sexta-Feira aziaga
Que noivado acabou.
Desde então sangue e água
Do meu peito jorrou.

João Marafuga