11 junho 2006

Primeiro cristão, depois político

Eu já disse aos meus benévolos leitores que não estou aqui numa missão envangelizadora. Sinceramente, nunca foi essa a minha ideia de base nem sê-lo-á.
Eu disse que a minha função neste blog é eminentemente política, mas devo acrescentar mais qualquer coisa porque primeiro sou cristão e só depois político.
Quero então dizer que, para mim, a salvação não está na política. Se eu pensasse que a salvação está na política, ao fim e ao cabo seria marxista porque da salvação pela política à salvação pela matéria venha o Diabo e escolha.
Todos temos que nos preocupar pela política, isto é, pela cidade dos homens, mas esta perde sentido se não a unirmos à cidade de Deus, pão da vida.
Em conclusão, a política não é um fim, mas sim um meio para um bem superior que é o respeito por cada pessoa, única e irrepetível.

Curioso discurso

Não se resignem, tento eu alertar aqui quase todos os dias.
Não se resignem, disse ontem o Presidente da República.
Ainda há alguém por aí?

10 junho 2006

Muitos querem ignorar...


Muitos querem ignorar que «[...] as desigualdades não são geradas na peculiaridade das economias capitalistas, que as desigualdades não foram abolidas - e sim acentuadas - nas experiências socialistas e que as economias de mercado são o único locus onde, não obstante as desigualdades, verifica-se a redução da pobreza, a igualdade objectiva de oportunidades e o enriquecimento relativo geral em comparação com qualquer outra experiência histórica» (Nivaldo Cordeiro: 2001).

A ilusão do bom comunismo

A triste ilusão de que é possível salvar o comunismo significa que não se admite o falhanço de uma vida inteira.
Tenho 56 anos. Ora eu vivi a maior parte destes anos acalentando ilusões de esquerda. Estas começaram a ser postas em causa quando percebi intelectualmente que a Idade Média não era tão má como no-la pintam nem a Era Moderna tão boa como nos ensinaram na juventude.
Perceber a fundo o Teocentrismo e o Antropocentrismo e ser consequente obriga a ter de optar, respectivamente, pela direita ou pela esquerda.
No Teocentrismo, o homem assume-se criatura à imagem e semelhança de Deus; no Antropocentrismo há a forte tendência para o endeusamento do homem.
Sem agora recuar às raízes mais profundas do Antropocentrismo, afirmo que este só poderia ter desembocado no iluminismo, endeusamento da razão humana; no positivismo, endeusamento da ciência; no marxismo, endeusamento da matéria porque esta, o ser na filosofia do comunismo, recebe o primado.
Assim sendo, como é possível pensar no resgate de um bom comunismo? Há algum ponto de partida bom e universal no comunismo que o salve?
O comunismo deixá-lo-ia de ser se admitisse que o homem é criado à essência de Deus. Só a admissibilidade deste princípio pode travar os efeitos nefandos do materialismo que precipitariam a humanidade na escravidão mais hedionda.

09 junho 2006

O céptico


O céptico pergunta-me: por que é que o respeito pelo outro é uma certeza absoluta? Eu respondo-lhe que o respeito pelo outro é uma certeza absoluta porque condição sine qua non para os homens viverem em paz. O céptico olha para mim com o olhar da mal disfarçada superioridade e volta à carga: por que é que os homens precisam de viver em paz? Eu topo o primarismo da pergunta de alguém desinteressado de qualquer ponto de encontro, mas aguento para que o céptico não volte contra mim o meu legítimo direito de lhe voltar as costas. Já não sei o que lhe responder com um mínimo de exigência intelectual, mas para ver até onde ele seria capaz de chegar, adianto: sem paz, o homem cairia na antropofagia final. Atalha o céptico: o que entendes por antropofagia final? Fatigado, ainda respondo: o desprezo total pelo outro.
O céptico lançou sobre mim um sorriso luciferino e muito correctamente voltou-se para o colega sentado à esquerda.

Alcochetense: diz-se, diz-se

Disseram-me haver já solução directiva para o Desportivo. A assembleia eleitoral realizar-se-á, terça-feira à noite, na sua sede social.
Ainda bem.

Não tenho vontade de rir

Penso que esta notícia não tem piada alguma, porque o Dia das Mentiras é a 1 de Abril.
Chamo a atenção para ela por várias razões, espelhadas da primeira à última linha.
Uma séria: o poder local que nos coube em sorte, há oito meses, não só é o mais opaco de sempre como entrou já na fase delirante.
A mais divertida razão: a artéria descrita na notícia existirá, possivelmente, apenas em Marte.
Somadas todas as razões, estamos tramados.

08 junho 2006

A Encarnação

Digam-me uma coisa: eu tenho que demonstrar que o Sol ilumina a Terra ou que este planeta recebe a luz daquela estrela? Desta pergunta passo para outra: eu tenho que demonstrar que a razão (logos) me habita?
Se a razão me habita, poderei resistir à ideia de que o logos permeia todo o Universo?
Esta é uma forma de chegar à Encarnação, quero dizer, a Cristo, Acto de Deus: partir de baixo para cima como fazemos quando subimos uma escada.
Sem excluir todos os paradigmas racionais que se alicerçam na realidade, que me deverá demover de uma racionalidade pouco acolhida entre os bem-pensantes? Dever-me-á demover o facto de eu não ser cientificamente correcto? Mas eu vivo para a correcção dos responsáveis por este mundo que me cerca?

Há soluções


Alcochete integra a terceira mais importante zona húmida europeia, maioritariamente abandonada e com as consequentes erosão e degradação, fuga de aves limícolas, exploração dispersa, especulativa e desregrada de recursos, riscos para a saúde pública e nulo benefício de condições naturais que noutras latitudes são úteis e geralmente rentáveis.
Resolvi investigar o tema na Internet e concluí haver generosos apoios de fundos europeus e internacionais para a conservação da natureza, que várias regiões mediterrânicas enfrentaram problemas semelhantes e que é possível dar passos seguros na preservação, recuperação e rentabilidade das nossas pouco úteis zonas húmidas.
Despertou a minha atenção o facto de haver duas fundações locais a explorar salinas (com resultados financeiros desastrosos) e da Misericórdia de Alcochete, que vive com dificuldades, ter boa parte do seu património improdutivo porque constituído por salinas abandonadas em zona de paisagem protegida.
As pistas mais óbvias surgiram na consulta ao site da MedWet, Iniciativa Mediterrânica das Zonas Húmidas.
Quem tiver curiosidade e paciência consulte esta útil fonte de orientação e informação, com pistas de sobra para delinear um projecto de recuperação das nossas tristes e abandonadas zonas húmidas, de que ninguém beneficia e que no estado actual representam um risco para a saúde pública.
Aparentemente nem é necessário muito dinheiro próprio. Alguns projectos postos em prática no âmbito da MedWet são quase autofinanciados.
Quem se der ao trabalho de ler e pensar um pouco nas pistas da iniciativa MedWet, que apresente sugestões.
Outra pista importante está no site da convenção Ramsar.
Por agora sugiro que o ponto de partida seja a oferta de disponibilidade de pessoas que se incumbam de contactar e sensibilizar as entidades certas para desencadear as acções.
Espero que neste debate, além das ideias e sugestões de leigos, apareçam também contributos de técnicos e estudiosos do tema.
Sem a pressão dos cidadãos não iremos a parte alguma...

Ideologias

Sempre que falo em ideologias, falo nas ideologias de esquerda.
De facto, para me ficar pelo caso português, o PSD-PPD e o CDS-PP não defendem nenhuma ideologia que seja uma representação total do homem e do mundo.
Representação total do homem e do mundo pretende ser, por exemplo, o marxismo porque para esta ideologia a questão fundamental da filosofia é a relação entre o pensamento e o ser. Aqui por ser entende-se a matéria cujo primado é defendido pelo marxismo. Para esta dita filosofia do comunismo, os que defendem o primado do pensamento são idealistas.
Caio em mim e penso: defender o primado da matéria ou do pensamento é o mesmo porque tanto aquela como este me aprisionam numa abjecta imanência. Na verdade, a diferença entre matéria e pensamento é a mesma que há entre pedra e picareta. Eis por que, para mim, o cogito cartesiano é a negação de Deus.
Concluindo, o marxismo é uma ideologia, ou seja, o discurso do interesse. Por esta senda, pouco se desviará da opinião.

07 junho 2006

Não esqueça

Se não leu nem reflectiu sobre o conteúdo deste texto, faça-o quanto antes e exprima os seus pontos de vista na respectiva caixa de comentários.
No futuro, as suas opiniões poderão ser úteis.
Prometo que, oportunamente, abordarei a circulação e o estacionamento de veículos no centro histórico de Alcochete.

Estejam alerta

No passado, sempre que as coisas foram feitas pela calada tempos depois viria a descobrir-se haver algumas impensáveis.
Como as decisões e os compromissos tinham ocorrido há muito, depois pouco ou nada se podia fazer.
É sabido que, por causa disso, ainda hoje há vários imbróglios não resolvidos nem esclarecidos nesta nossa terra. A lista é razoável e não vale a pena entrar agora em pormenores. Será suficiente recordar que com essas trapalhadas poucos ganharam alguma coisa, mas colectivamente perdemos muito.
Para evitar a repetição de tais casos, quem tiver conhecimento de compromissos, contratos, protocolos, autorizações e outras decisões críticas de interesse público deve denunciá-los o mais depressa possível.
Usem os meios que entenderem, mas denunciem-nos antes que seja tarde demais.

06 junho 2006

O comunismo é uma utopia

O comunismo é uma utopia cujas raízes recebem muito húmus na Utopia de Thomas Morus (1477-1535). Mas na obra deste autor renascentista não se conta com o pecado original, categoria teológica que todos aceitarão se eu a traduzir por criminalidade hereditária.
Nesta conformidade, cai por terra aquele optimismo antropológico com origem em Rousseau (1712-1778) que defende a bondade natural do homem corrompida pela história.
Mas todo o pensamento anti-histórico é gnóstico como gnóstica é a esquerda para a qual a tradição institucional no campo civil, político e religioso deve ser banida a favor de uma nova racionalidade que ninguém sabe dizer qual seja.

Não se passa nada

Tudo calmo e pacífico em Alcochete. Não se passa nada.
Mas não se fala de outra coisa: da coceira causada por nuvens de moscas minúsculas.
São marroquinas, dizem por aí. Se mouras ou enviadas por D. Sebastião, foi coisa que não consegui esclarecer.
Observei-as à lupa e não são moscas comuns.
Nada de grave. Hoje é o dia 06.06.06, o dia da Besta do Apocalipse.

05 junho 2006

Tenho muitas dúvidas mas algumas certezas

Há pessoas que vivem sem nenhuma certeza. Então, à força, tudo tem que ser relativo para todos.
Eu tenho muitas dúvidas mas algumas certezas. Sem estar a insinuar que não falho perante o outro, eu sei que o respeito pelo rosto do outro é absoluto. A partir desta certeza que nunca poria sobre uma mesa de negociações, começo paulatinamente a estruturar o mundo à minha volta.
Então penso: sem liberdade, eu não posso reconhecer o rosto do outro. Se o respeito pelo rosto do outro é um bem absoluto, a liberdade também o é, uma vez que a ausência de liberdade é véu opaco que se interpõe entre os rostos.
Sem liberdade todo o homem se transforma num gestor do medo; sem liberdade, no rosto do outro não vejo o meu próprio rosto, senão o objecto da minha desconfiança; sem liberdade, desvivo a vida.
Mas logo a seguir, penso: é o homem que é o dispensador da liberdade? Se afirmo que sou livre, não dou fé de um absoluto transcendente, imagem e semelhança de Alguém a um tempo absolutamente transcendente e imanente ao próprio dinamismo do meu agir? Eis-me chegado a Deus, o Rosto dos rostos.
Portanto, da certeza de que o respeito pelo rosto do outro é absoluto, eu transito para a certeza de que a liberdade é um bem absoluto e ascendo ao Dispensador absoluto de todos os bens que é Deus.

Pensar e imaginar

Alguns nem sempre coerentes especialistas dizem que a melhoria da situação económica do país depende de consumirmos menos, importarmos menos e exportarmos mais.
Não sou versado na matéria mas parece-me que consumindo preferencialmente produtos nacionais dar-se-ia mais emprego à nossa gente e lucros a um maior número de empresários, diminuindo as importações de bens facilmente substituíveis e criando condições para a futura exportação.
Vem isto a propósito do que observo, frequentemente, em estabelecimentos comerciais e estradas do concelho: flores, batata, cenoura e cebola que vejo à venda em supermercados são quase sempre de proveniência estrangeira, embora depare amiúde com camiões franceses e holandeses que carregam flores, batata, cenoura e cebola em Alcochete.
Diria o capitão Haddock das histórias do Tintim: com cinquenta milhões de macacos! Não há forma de consumirmos cá o que se produz cá, a um preço inferior porque o transporte seria desnecessário?
Penso eu "de que" podem fazer-se várias coisas. Por exemplo: criar uma feira ou mercado regular exclusivamente para bens de consumo localmente produzidos e uma etiqueta «Produzido em Alcochete».
Suponho ainda que alguma criatividade daria também resultados positivos. Temos em Alcochete uma das maiores catedrais de consumo da Europa, pelo menos no seu género, mas não enxergo nada localmente produzido.

03 junho 2006

O Deus Pessoal


A afirmação de que sou pessoa, preservada de qualquer representação, é um absoluto que mora no mais profundo da minha existência pessoal. Por trás desse absoluto está Alguém a um tempo absolutamente transcendente e imanente ao agir da criatura que sou. Esta poderá ser uma janela para que a razão se una à fé no Deus Pessoal da confissão cristã.
A luta pela dignidade da pessoa humana é a luta pela liberdade que lhe é intrínseca contra todas as escravidões.

02 junho 2006

Mudar «Salineiro», sim ou não?


Como muitos sabem – se nunca reparou nisso, vá observá-la de perto – a escultura dedicada ao salineiro, da autoria de Francisco Simões, situa-se no Largo da República, em Alcochete, e tem dimensões manifestamente inadequadas para o local.
Parece-me também estar um pouco "escondida" e, porque se pretendeu, com indiscutível justiça, homenagear uma actividade outrora tradicional no concelho e a determinação dos que lutaram contra duras condições de trabalho, creio merecer maior visibilidade.
Os mais antigos residentes recordar-se-ão, certamente, que a obra, inaugurada a 1 de Dezembro de 1985, suscitou na época acaloradas discussões na vila, precisamente porque a escultura era desproporcionada em relação ao espaço e ao casario envolvente. Além disso, a sua implantação fez desaparecer um terreiro que, durante décadas, fora privilegiado local de convívio e de cavaqueira.
Na mente de algumas pessoas paira – há muito, disseram-me há meia dúzia de anos – a ideia de transferir a obra escultórica para uma das zonas de antigas salinas.
Em duas décadas Alcochete cresceu muito, tanto em dimensão como em rotundas, parecendo-me que, actualmente, o mais difícil será escolher o local ideal para a recolocar.
Porque também escasseiam acolhedores espaços de convívio, nomeadamente no centro histórico, faria todo o sentido remodelar e humanizar o pequeno Largo da República – incompreensivelmente pejado de automóveis – criando um pequeno e acolhedor jardim público.
Se alguém estiver com disposição de pensar no assunto, apresento seguidamente algumas alternativas. Usando a caixa de comentários, convido outras pessoas a pronunciarem-se sobre isto, justificando os seus pontos de vista.
Hipóteses que deixo à consideração geral:
– Recolocar a estátua junto ao fórum cultural, se e quando for possível acabar o espaço envolvente, porque algumas das mais importantes salinas principiavam perto;
– Mudá-la para a rotunda da Avenida da Revolução, junto à Rua D. Maria Teresa de Noronha, substituindo o dispensável OMNI (objecto metálico não identificado) hoje aí existente. A volumetria das actuais edificações e das previstas parece-me corresponder, adequadamente, à dimensão da obra escultórica;
– Transferi-la para a rotunda do Entroncamento, a principal e mais movimentada entrada no concelho. Confesso ser esta a sugestão que menos me agrada. Defendi, há muito, que essa rotunda fosse repensada e arranjada com urgência. Creio hoje que uma boa solução para o espaço central seria a colocação de um grande mastro com uma bandeira do município de dimensões apreciáveis.
Aproveito para sugerir gosto artístico e algum investimento no arranjo das inúmeras rotundas criadas no concelho. São já mais de uma dezena e nenhuma faz sentido no estado actual.

01 junho 2006

A contradição

Por todo o lado oiço dizer que o Partido Socialista executa uma política de direita.
Será mesmo assim?
Peguemos no vexame que está a ser feito a todos os professores deste País.
Como é que o ataque aos professores se coaduna com a defesa da liberdade? E sem liberdade como é possível a cidadania? Ou o exercício desta será favorecido pela ignorância? Sim, porque será à mais rasteira ignorância de todo um povo que levará o pacote legislativo agora congeminado contra os professores. Ora como é que isto tudo se articula com os direitos individuais, condição sine qua non para uma verdadeira sociedade liberal?
Em conclusão, ou a política de direita já não defende os direitos individuais ou este PS da Inernacional Socialista é da mais refinada esquerda.

Obrigado

Estou grato ao editor de «Escândalos no Montijo», que decidiu republicar a minha carta aberta aos sócios do Alcochetense.
Agradeço também às pessoas que, via e-mail, se solidarizaram com o escrito.