16 junho 2009

Procissão de São João Baptista


O candiato a presidente da Câmara de Alcochete que aos olhos do povo pretenda capitalizar a procissão de São João Baptista a favor dos próprios desígnios políticos seja considerado malvado e vivamente desprezado no tribunal da consciência individual.

Biblioteca Pública de Alcochete
João Marafuga

15 junho 2009

Meus amigos...

Meus amigos, alguns dos autores deste blog estão ausentes de Alcochete e eu tenho o meu PC a arranjar no técnico, razão por que a produção de textos tem sido pouca.
Brevemente, penso retornar com as minhas reflexões sobre segurança, liberdade, próximas autárquicas, etc.

Café Barrete Verde
João Marafuga

11 junho 2009

Ai as escolas!

Analisados desenvolvimentos recentes acerca da degradação da escola básica do Monte Novo, no centro da vila de Alcochete – assunto aqui abordado há alguns dias – concluo haver duas soluções provisórias que tardaram demasiado.
Embora o executivo municipal tenha o dever de manter as escolas básicas em condições de conservação e segurança e de solucionar os problemas de degradação que nelas vão surgindo, foram necessários repetidos alertas e muitos meses de espera para alguém se preocupar com o estabelecimento do Monte Novo. E só depois de denunciada a situação em público se decidiram, enfim, a mandar limpar o recinto e a tapar buracos no piso.
Já antes havia um projecto de substituição do piso do recinto desportivo, cuja adjudicação foi apressadamente levada à reunião de câmara do passado dia 9, assunto ainda hoje mal esclarecido e explicado, mormente quanto ao prazo de execução.
Oxalá me engane mas, perante o que é do conhecimento público, temo que poucas ou nenhumas melhorias existam no início do próximo ano lectivo, embora, felizmente, ele coincida com eleições.
Haverá outras ilações a extrair deste caso desagradável.
As prioridades orçamentais do município parecem despropositadas. Gasta demasiado em festas, subsídios e detalhes de efeito imediato mas escassamente na conservação e construção de infra-estruturas essenciais que dele dependem exclusivamente.
Os autarcas com funções executivas afadigam-se na elaboração e apresentação de projectos mas nenhum sabe quem irá financiar a concretização. Dantes havia foguetório quando se inaugurava obra nova, agora embandeira-se em arco com promessas.
Os novos estabelecimentos de ensino pré-escolar e básico merecem reflexão urgente e aprofundada, quer porque a capacidade das actuais infra-estruturas há muito foi excedida como porque em cinco anos houve projectos distintos e nenhum foi avante.
Num país onde nascem cada vez menos crianças e num concelho com densidade populacional concentrada em três grandes núcleos justificar-se-ão meia dúzia de pequenas escolas, pouco funcionais porque boa parte delas construída há mais de meio século?
Sem se endividar ainda mais duvido que, nos próximos três a cinco anos, o município de Alcochete consiga obter financiamento público para projectos como os dos centros escolares da Quebrada e de São Francisco. Em face das limitações orçamentais do Estado, quase só projectos intermunicipais têm sido considerados prioritários.
Talvez mais facilmente se obtenha financiamento público para empreendimentos escolares em Alcochete e Montijo se os respectivos edis se sentarem à mesa e planearem um ou dois centros escolares nos limites comuns a ambos os municípios.
Idêntico princípio de complementaridade é ainda válido para muitas outras carências, como as de espaços verdes, de parques de recreio e lazer para a juventude, de infra-estruturas desportivas, de mercados, de saúde, de vias de comunicação, etc.

Lançamento de romance inspirado em factos locais

No próximo dia 20 será apresentado, na Biblioteca Municipal de Alcochete, o romance «Flor de Sal», da autoria de Arlindo Mota, inspirado em factos ocorridos localmente, nos anos 30 do século passado, quando o então presidente da câmara acusou o chefe da secretaria municipal de “infracções de carácter político”.
Em 1939, Francisco Leite da Cunha, presidente da Câmara Municipal de Alcochete, acusava Pinto Ferreira, então chefe de secretaria, de comportamentos graves, o que lhe valeu o levantamento, por parte do Governador Civil, de um processo disciplinar “por infracção de carácter político”.
É com base nessa preciosa fonte histórica que o autor desenvolve o romance “Flor de Sal”, onde tece uma construção ficcional que vai muito para além do episódio quase anónimo das desavenças de um chefe de secretaria com os poderosos da vila e membros influentes da União Nacional.
Que o leitor tenha a paciência e a perspicácia para entender que, sob o pano de fundo político, o que mais interessa ao autor é conseguir transmitir a força das relações sociais num período circunscrito da nossa história não muito distante, centrado num amor proibido que cresce por entre as areias do pecado e da intriga política.

Holodomor


Foi através de uma senhora ucraniana que trabalhou na minha casa que tomei conhecimento do Holodomor, genocídio deliberado levado a cabo contra o povo e a cultura ucranianos por Estaline. Este comunista assassino ordenou que em 1932-1933 só se semeasse milho nos vastos e férteis campos da Ucrania. Mais de 7 milhões de ucranianos foram exterminados pela fome, tantos como quase a população actual de Portugal.

10 junho 2009

Formatação do cidadão


A política para o ambiente, o clima, os direitos dos animais que são antecâmara para os direitos das plantas, o ataque à festa de toiros, a horta ecológica, o poupar água, o parar de fumar, a selecção gratuita do lixo, a recolha de óleo alimentar usado, etc., etc., etc., tudo isto visa a formatação do cidadão para a construção da sociedade socialista (lato sensu).
Os intelectuais de todas as esquerdas combatem encarniçadamente o Cristianismo, mas eles sabem que não se pode justificar um plano concreto através de uma convicção racional senão pela aceitação de uma fé.
Falo da fé ambiental, vértice de um cone de revolução que almeja a transmutação de todos os valores que fizeram a civilização ocidental judaico-cristã.
Se alguém quiser entrar comigo em debate pautado pela honestidade intelectual sobre esta matéria, estou ao dispor.

09 junho 2009

O cio do poder para o estupro de todos

Há uma estratégia nova a circular de boca em boca cá no burgo para poupar politicamente Luís Franco: este autarca até nem é mau, embora esteja mal acompanhado. Depois diz-se: as hipóteses de António Maduro são escassas e Borges da Silva é um ilustre desconhecido. Por fim remata-se: mal por mal...que continue Luís Franco.
O que muitas pessoas não sabem é que para os comunistas pouco importa que o candidato da foice e martelo seja fulano, sicrano ou beltrano desde que arrebanhe votos e não seja obstáculo à luta por uma sociedade socialista. Mas esta é possível sem o Estado autoritário? Claro que não!
Quando falo assim para as pessoas, verifico que, embora timidamente, lança-se a ideia de que é preferível a segurança à liberdade. Mas há segurança verdadeira que venha por mão de comunistas? Não, meus amigos, não há!
Por mão de comunistas o que vem é o cio do poder para o estupro de todos.

08 junho 2009

O Cartão do Cidadão = Cartão da Confusão!






Ontem, dia 7 de junho de 2009, foi com enorme satisfação e dever cívico que integrei a composição da Assembleia de Voto nº7 da Freguesia de Alcochete situada na Escola Primária do Valbom.



Como todos sabemos, Alcochete, é um concelho com bastantes novos moradores, que ao pedirem a emissão do novo Cartão do Cidadão ficaram automaticamente recenseados no nosso concelho.




Cabia, no meu entender, à Autarquia fazer uma verdadeira campanha de sensibilização, sobre como iria funcionar o novo cartão e como saber o seu número de eleitor.



Além dos novos moradores, há ainda os casos dos alcochetanos que mudaram de residência dentro do concelho, e pediram o novo Cartão do Cidadão, havendo por esse motivo alteração de local de voto.



Desde cedo, começámos a verificar que muitos eleitores, se apresentavam apenas com o Cartão do Cidadão para votar, o que para a votação se torna impossível, uma vez que nos cadernos eleitorais apenas consta o número de eleitor, e esse número não consta no novo Cartão do cidadão.



As soluções apresentadas pelo manual das eleições passavam por: a consulta de um site na internet, o envio de um sms ou a deslocação à Junta de Freguesia.



Ora, numas eleições marcadas pela abstenção, em que a grande maioria dos portugueses nem se estiveram para deslocar às urnas, os que se apresentam ainda têm que passar por todas estas confusões, o resultado seria que muitos deles desistiriam de se preocupar e elevar ainda mais os índices de abstenção.



Por sorte, 2 dos membros da minha assembleia de voto, levaram os seus computadores pessoais com ligação à Internet, e com todo o espírito cívico, disponibilizaram-nos ao serviço da comunidade, e montámos ali mesmo na assembleia de voto um serviço de informações que ajudou a fornecer o número de eleitor a mais de 100 pessoas durante o dia.



Pergunto-me a mim mesmo, será que todas essas pessoas teriam ido ou á Junta de Freguesia, ou gastado dinheiro a mandar um sms, ou teriam ido a casa consultar a internet e depois teriam voltado para votar?



Eu acho que pelo menos metade não teria voltado.






07 junho 2009

Censura ao executivo municipal

Não quero deixar de censurar o executivo municipal de Alcochete por atitudes incoerentes nas eleições europeias realizadas neste domingo, marcadas pelo alheamento de mais de metade dos eleitores inscritos no concelho (61,61%).
Enquanto por todo o lado se combate um dos piores vícios da democracia nacional e europeia – a abstenção – os detentores do poder de representação política no município tiveram atitudes reprováveis.
Numas eleições em que, conforme referi aqui há meses, havia 670 novos eleitores recenseados no concelho sobretudo devido às alterações havidas por força da introdução do Cartão do Cidadão, além de não terem fornecido qualquer informação escrita aos eleitores (excepto os editais do costume previstos na lei) também ignoraram as referências ao assunto no sítio do municipio na Internet.
Aliás, o executivo da câmara nunca se dignou sequer a mandar fazer o que neste blogue se explicara há mais de dois meses: como confirmar o local do recenseamento eleitoral via SMS e Internet.
Diferente foi a atitude de executivos autárquicos de dezenas e dezenas de municípios, uns mais próximos (como Palmela, Sines, Mafra e Lourinhã) e outros um pouco mais distantes (casos de Arraiolos, Porto de Mós, Serpa, Matosinhos, Gondomar, Cinfães, Tavira e Ponta Delgada), que deram aos respectivos eleitores amplas pistas para facilitar o cumprimento do dever cívico.
Lamento a dualidade de critérios do nosso executivo municipal, que ignorou o mais importante mas sobre o final da campanha eleitoral ou mesmo depois dela – e este foi o caso da área onde resido – não teve pejo em promover ampla distribuição domiciliária do boletim de propaganda «InAlcochete», datado de Maio, cujo director é o próprio presidente da Câmara Municipal, do qual se publicam seis imagens entre as 16 que ilustram o panfleto.
Dedica-se amplo espaço à habitual propaganda pacóvia mas nem uma linha foi reservada ao acto eleitoral, o que menos justifica a coincidência da distribuição com a data das eleições.

Resultados finais de Alcochete (2)

Primeira análise à votação global no concelho

- Relativamente às eleições europeias de 2004 aumentou em 1648 o número de eleitores inscritos, mas os votantes praticamente estagnaram (apenas +1,03%);

- Abstenção global no concelho: 61,61%;

- PCP-PEV ganha, localmente, as eleições europeias de 2009 com mais 5 votos que o PS;

- PCP-PEV teve mais167 votos que em 2004 e o PS menos 616 (PS foi agora o partido mais penalizado);

- PPD/PSD posiciona-se em 3.º lugar com 747 votos;

- BE ascende ao 4.º lugar com 623 votos, mais 316 que em 2004 (BE é o partido mais favorecido nestas eleições);

- CDS-PP foi o 5.º partido mais votado, com 369 votos.

- Nas eleições europeias de 2004, PPD/PSD e CDS-PP concorreram coligados e obtiveram 617 votos. A soma de hoje em ambos os partidos é de 1116 votos, mais 499 que há cinco anos;

- Significativo o aumento de votos brancos e nulos, relativamente a 2004. Brancos agora 299, há cinco anos 100. Nulos: em 2004 foram 44 e agora 91;

- Em São Francisco houve nítida vitória do PS, com mais 33 votos que PCP-PEV. Esta coligação perde 10 votos em relação a 2004 e o PS perde 30 votos;

- PPD/PSD fica em 3.º lugar na freguesia e o CDS-PP é 5.º. A soma da votação de ambos (123) excede largamente o resultado de 204, quando alcançaram 48 votos;

- BE foi o 3.º partido mais votado em S. Francisco, com mais 34 votos que em 2004;

- Na freguesia de S. Francisco também aumentou muito o número de votos brancos. Agora foram 32 e em 2004 apenas 3;

- Quanto a Samouco, PCP-PEV ganha com larga vantagem mas recebe somente mais 23 votos que em 2004;

- PS perde quase metade dos votos relativamente a 2004, passando de 428 para apenas 244 agora;

- BE sobe muito em Samouco, alcançando 125 votos contra apenas 59 em 2004;

- PPD/PSD é o 3.º partido mais votado em Samouco e CDS-PP o 5.º. A soma dos votos de ambos nestas eleições supera em 80 votos a de 2004;

- Claro aumento de votos brancos e nulos em Samouco. Brancos agora foram 68 e em 2004 apenas 20. Nulos agora houve 24 e há cinco anos apenas 13;

- Na freguesia de Alcochete as eleições foram ganhas pelo PS, com 763 votos, menos 402 que em 2005;

- PCP-PEV fica na segunda posição na freguesia de Alcochete, com 729 votos, mais 154 que em 2005;

- PPD/PSD é a 3.ª força mais votada na freguesia da sede do concelho, com 519 votos, sendo o CDS-PP a 5.ª com 259 votos. A soma de ambos os partidos é bem superior à de 2005, quando a coligação não foi além de 434 votos;

- BE é a 4.ª força mais votada na freguesia de Alcochete, com 444 votos, mais 216 que nas eleições europeias de 2005;

- Na freguesia de Alcochete verificou-se o maior aumento de votos brancos e nulos. Brancos houve agora 199 e em 2005 apenas 77. Nulos registaram-se agora 62 e há cinco anos apenas 25;

- Conclusão global rápida em relação a todo o concelho: PS perde votos para a esquerda e para a direita. BE mais que duplica a votação em eleições europeias;

- Quando faltava revelar os resultados de uma única freguesia em todo o país, a afluência às urnas em Alcochete era ligeiramente superior à média nacional. A afluência local às urnas também superou um pouco a média registada no distrito.

Resultados finais de Alcochete

Eleições europeias 2009

Resultados finais no concelho de Alcochete


Resultados finais na freguesia de São Francisco



Resultados finais na freguesia de Samouco


Resultados finais na freguesia de Alcochete


Assim vai a votação

Uma amostragem de três mesas de voto em Alcochete (zona ocidental da vila) indicava que às 11h00 tinham exercido o seu direito entre 9,2% e 9,9% dos eleitores aí inscritos.
Observação directa no local, realizada poucos minutos antes das 12h00, indiciava que os eleitores das três mesas chegavam à média de dois por minuto.
A experiência de Alcochete diz-me que a afluência é sempre superior no período da tarde.
Às 12h00 a afluência média nacional às urnas era de 11,84% e a afluência europeia – em países onde o acto decorre em simultâneo – era de 9,31%.


P.S. - Peço a quem exerça o seu direito de voto nas freguesias de Alcochete, Samouco e São Francisco que me ajude a actualizar os valores. Nos quadros negros das salas de aula estão, normalmente, afixados os números respeitantes à afluência das horas precedentes.

06 junho 2009

Leituras para as férias grandes (4)


Diz Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) de Hans Urs von Balthasar: «Posso afirmar que a sua vida foi uma busca genuína da verdade, que ele compreendia como uma busca da verdadeira vida. Procurou os vestígios da presença de Deus e da sua verdade em toda a parte: na filosofia, na literatura, nas religiões, chegando sempre a interromper aqueles circuitos que muitas vezes fazem a razão prisioneira de si e abrindo-se aos espaços do infinito».

Leia Hans Urs von Balthasar, Só o Amor É Digno de Fé, Assírio & Alvim, Lisboa, 2008.

É preciso...

É preciso ler o texto de Luís Proença "Culto da personalidade em véspera de eleições..." em http://alcochetanidades.blogspot.com/
Por Alcochete.

05 junho 2009

Mercado na escola do Monte Novo

As compras deste fim-de-semana são no mercadinho da escola do Monte Novo (falei dela aqui)! Já abriu!
Faça uma visita! É por uma boa causa!

Apelo de cidadão

Chega ao fim a primeira de três campanhas eleitorais marcadas para este ano. Não deixa saudades e da Europa pouco se falou.
Domingo realizar-se-á o sufrágio e apelo aos meus concidadãos para que cumpram esse dever.
Votem como ou na organização política que entenderem mas não voltem costas à democracia. Se o povo se demite o túnel ficará mais longo e a luz ao fundo menos intensa.
Abstenção elevada será sempre o pior resultado. Não muda nada, nem no presente nem no futuro.
Sempre considerei arriscado votar em branco e, mal por mal, antes anular o boletim de voto.
Excluindo a indiferença e o protesto, há muito por onde escolher. O boletim de voto tem os símbolos de 12 partidos e uma coligação.

Vá votar, por favor! Mais vale gastar 15 minutos para exprimir o que pensa do que endossar esse poder a outros.

Domingo à noite, logo que o apuramento de Alcochete, Samouco e São Francisco esteja concluído, publicarei aqui os respectivos resultados finais e comentários.

Desejo, sinceramente, que a abstenção local seja inferior às médias regional e nacional. Contribua para isso, por favor!



04 junho 2009

Leituras para as férias grandes (3)


«É necessário reabrir o inquérito livre e aberto sobre os fundamentos da liberdade do Ocidente, redescobrindo a conversação entre a filosofia política clássica e a tradição judaico-cristã, entre Atenas, Roma e Jerusalém, que em boa verdade inspiram e sustentam as modernas domocracias liberais».

Leia Robert P. George, Choque de Ortodoxias, Tenacitas, Coimbra, 2008.

Vá até lá!

Vá até a http://alcochetanidades.blogspot.com e leia o artigo de Luís Proença "Escola do Monte Novo - ASAE processa Câmara Municipal de Alcochete".

Culpa morre solteira

Pode ter passado despercebido ao(à) leitor(a) deste blogue um curioso e esclarecedor artigo de António Fonseca Ferreira, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDRLVT), publicado na edição do passado domingo do «Diário de Notícias» e cuja versão integral pode ser consultada através desta hiperligação.
O texto deixa-me perplexo porque o autor desempenha o cargo há mais de uma década (desde 16 de Março de 1998, poucos dias antes da inauguração da ponte Vasco da Gama) e a CCDR é "o mais abrangente organismo da administração desconcentrada do Estado, com a primordial atribuição de promover a integração entre desenvolvimento regional e local, ordenamento do território e ambiente" e, por outro lado, constitui uma importante alavanca de concertação entre a administração central e a administração local, tendo como principais atribuições:
"- Contribuir para a definição das bases gerais da política de desenvolvimento regional no âmbito da política de desenvolvimento económico e social do País;
- Executar, avaliar e fiscalizar, ao nível regional, as políticas de ambiente, de conservação da natureza, de ordenamento do território e de cidades;
- Garantir a elaboração, acompanhamento e avaliação dos instrumentos de gestão territorial;
- Coordenar os serviços desconcentrados de âmbito regional;
- Assegurar o cumprimento das responsabilidades de gestão, no âmbito da política de coesão da União Europeia em Portugal;
- Dinamizar a cooperação inter-regional e transfronteiriça;
- Apoiar tecnicamente as autarquias locais e as suas associações, em articulação com a Direcção-Geral das Autarquias Locais".

O que acima transcrevi consta dos estatutos da comissão e qualquer pessoa sensata pensará que a CCDRLVT e o seu director dispõem dos meios legais para travar excessos, de evitar a duplicação de equipamentos, o desperdício de recursos e de impor dimensão intermunicipal a projectos de autarcas impreparados ou mal-intencionados.
Mas as pessoas sensatas estão erradas porque, ao fim de onze anos de mandato, o presidente da comissão enjeita partilhar responsabilidades. Endossa a culpa aos autarcas e à fragmentação administrativa do território, embora a maioria dos projectos careça de parecer vinculativo dos serviços tutelados pelo articulista.
Não perderei tempo a discutir agora a questão da divisão administrativa do País, classificada pelo autor como demasiado fragmentada e para a qual preconiza profunda reforma. Conheço essa tese e sobre ela muito haverá a debater nos próximos tempos – nomeadamente em Alcochete – porque antes de haver novo aeroporto o arco ribeirinho a Sul do Tejo pode ficar reduzido a dois municípios.
Finalmente, os quatro derradeiros parágrafos do artigo do presidente da CCDRLVT ficam à consideração dos líderes partidários em Alcochete. Presumo justificarem reflexão porque nenhum dos candidatos já conhecidos me parece corresponder ao perfil sugerido e, portanto, para sermos bem servidos melhor seria convidar o autor a candidatar-se à edilidade de Alcochete.

03 junho 2009

Leituras para as férias grandes (2)



«Por toda a parte surgiu o homem-massa, um tipo de homem feito à pressa, montado apenas sobre umas quantas abstracções e que, por isso mesmo, é idêntico de uma ponta à outra da Europa. Ao homem-massa se deve o triste aspecto de monotonia asfixiante que a vida vai tomando em todo o continente. Este homem-massa é o homem previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas de passado e, por isso mesmo, dócil a todas as disciplinas chamadas internacionais [divórcio, feminismo, gayzismo, abortismo, eutanásia, ambientalismo, direitos dos animais e plantas, globalismo, etc.]».

Leia Ortega y Gasset, A Rebelião das Massas, Relógio d'Água, Lisboa, s/d.