24 fevereiro 2011

INFORMAR OU MANIPULAR

No próximo dia 25 do corrente mês ocorre a realização da primeira Assembleia Municipal no ano em curso. Estas reuniões são sempre importantes para a vida do município e, por isso mesmo, aos seus trabalhos deve ser dada pela Câmara Municipal a devida promoção e publicidade.
Nesse sentido, espera-se assim que não volte a acontecer aquilo que sistematicamente, desde algum tempo a esta data, tem vindo a verificar-se. E que tem a ver como as notícias sobre a referida Assembleia são publicadas no "site" da autarquia (ou "portal", como lhe queiram chamar).
Fazendo uma leitura atenta, conclui-se, sem grande esforço, que os responsáveis pela sua gestão apenas se preocupam em divulgar informação quanto às intervenções, teor das propostas e declarações da coligação CDU e do executivo autárquico, visando com este procedimento colocar em evidência os seus discursos e tomadas de posição.
Das diversas intervenções, constantes pedidos de esclarecimento, moções e declarações de voto dos deputados municipais da Oposição, quer do PSD como do PS, pouco ou mesmo nada se menciona naquele espaço informativo. Para o exterior passa erradamente uma imagem de ausência de empenho e desinteresse destes partidos pelas reuniões da Assembleia e matérias nela postas à discussão.
Ora, o modelo de mensagem escolhido parece-me propositado. Dar relevância à maioria hegemónica da CDU, embora feito de forma subliminar, é a finalidade desta estratégia. Em detrimento da Oposição, do direito à publicidade das suas intervenções e actividade no âmbito dos orgãos municipais onde têm assento.
Esta politica de comunicação tem imperativamente de ser revista. Vem acontecendo e não dá mostras de mudança. Até porque, para além de capciosa, não é séria nem competente. Assim o exigem o interesse público e o respeito que os membros eleitos da Oposição devem merecer.
Por outro lado, lança a suspeição sobre a qualidade do desempenho do sector de comunicação da autarquia. Da forma como o "site" processa a informação, o que se observa é que a actividade da Oposição está secundarizada e a importância do seu labor minimizada, transmitindo a sensação de que esta nada faz em prol do município. Facto que não corresponde de modo algum à realidade e induz os munícipes em erro.
O que se reclama é que esta "hábil" forma de comunicar seja modificada. É necessário isenção e imparcialidade na divulgação e relato das actividades da Câmara, em especial nos seus fóruns de natureza politica onde a Oposição tem lugar por direito próprio.
Rigor é o que, de futuro, se pede. Intransigência com a verdade, seja qual for a solução encontrada para resolver o problema.
Recuso-me a acreditar que o sector de comunicação actue apenas como a vulgarmente designada "voz do dono". Afinal, em Alcochete, como de resto em qualquer autarquia, a Democracia deve funcionar, a Oposição democrática fazer ouvir a sua voz...e ser respeitada.
Ao executivo CDU importa entender que a correcta formulação das notícias e a sua difusão em tempo oportuno, através dos meios de que a Câmara dispõe, são indispensáveis ao exercício duma gestão partilhada e concorrem para o imprescindível esclarecimento da população relativamente ao que no concelho se passa. Aspectos que, pela sua importância, devem igualmente constituir preocupação dominante de quem tem a seu cargo, enquanto profissional, a honrosa função de informar. A ética deontológica assim obriga e os munícipes também!
Em conclusão, inverter a forma como se opera no domínio da comunicação na Câmara Municipal constitui o propósito de alguma Oposição, neste caso o PSD, mais atenta a este fenómeno.
Pretende-se, por isso, que, doravante, todos os envolvidos se comprometam em assegurar, com imparcialidade, transparência e independência, novos processos de fazer informação, tratando de modo idêntico, tanto a maioria CDU como os demais partidos da Oposição.
Já que neste momento, como o "site" se apresenta, torna-se pertinente questionar: na Câmara Municipal há informação ou manipulação?...



P.S.- De sublinhar ainda que até a versão integral das Actas das reuniões da Assembleia Municipal, onde a informação é mais abundante no tocante às intervenções da Oposição, são publicadas no "site" muito tardiamente. Neste momento, só recentemente, há dias, foram publicadas as Actas das Assembleias efectuadas em Setembro e Novembro do ano transacto. Com a consequente perda de actualidade dos assuntos então lá debatidos.
Do teor das moções, votos de protesto e outras deliberações eventualmente apresentados e aprovados também nada se conhece. Sabe-se apenas dos títulos e nada mais. Porque não a sua integral colocação em anexo à publicação da respectiva Acta?
Uma vez mais algo não bate certo...

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