Porque a vida municipal parece circunscrita a subsídios, panegíricos e cortinas de fumo, pouca gente repara em pormenores. Mas alguns estão disponíveis e não deveriam passar despercebidos.
Leia-se nesta acta da sessão de câmara, realizada a 9 de Junho passado, o capítulo "Autorização para adesão ao financiamento no âmbito do programa de regularização extraordinária de dívidas ao Estado para as regiões autónomas e municípios - autorização de consulta às instituições de crédito e celebração de candidatura".
Entre outras coisas, aí se escreve que, a 31 de Maio último, verificava-se "uma diminuição significativa das receitas próprias municipais, nomeadamente as provenientes dos loteamentos e obras no montante de €1.046.626,80 e do Imposto Municipal
sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis no montante de €897.492,64, representando uma quebra da receita global de cerca de €1.900.000,00, e um agravamento do prazo médio de pagamentos [a fornecedores] de 151 dias publicado pela DGAL e reportado a 31/12/2008".
É bom recordar que o orçamento do ano corrente previa receitas de 18.893.795€ e que se desconhece se a quebra de receitas apontada se reporta apenas aos primeiros cinco meses do ano ou a qualquer outro lapso de tempo.
Espero que ninguém diga, mais tarde, desconhecer isto...
10 julho 2009
Marafuga a Patrícia (4)
Pergunta a Patrícia: «...mas onde diz que o ateísmo é o contrário do Cristianismo?». Ateísmo tem a ver com a negação de Deus. Ora eu não estou a ver que a Confissão Cristã possa coabitar com o ateísmo, ainda que este, segundo alguns, possa incorporar traços religiosos. Em suma, não há ateísmo cristão, razão por que ser ateu e ser cristão são posturas inconciliáveis.
Depois quer saber a Patrícia «...por que razão o ateísmo [...] é grave». O ateísmo é grave porque não se pode negar Deus sem se negar o homem, isto é, sem estarmos a reduzir este último à condição mais degradante alguma vez imaginada. O homem nega Deus para se pôr no lugar d'Ele, atitude desafiadora (hybris) que só pode ter um nome: soberba (superbia). Esta cega-nos ao mais ínfimo grau. É mesmo isto que se vê no Édipo Rei. O que é central nesta tragédia de Sófocles não é o tema do incesto, mas sim o da soberba. Para os Gregos, também para os Romanos, o destino era inexorável, acima dos homens e dos próprios deuses. O crime de Édipo, na mentalidade de um grego da polis ateniense, foi pretender desinscrever o que tinha sido inscrito desde sempre pelo destino. É deste que fala a religião, «...seja para que [o homem] se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã s[ão] filosofias da liberdade» (Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995).
Édipo vê-se sem saída no círculo que lhe limita a vida, isto é, Édipo é vítima da concepção arcaica do tempo, mas este, para o cristianismo é levantarmo-nos e seguirmos o caminho em frente («surge et ambula!», diz Cristo aos paralíticos que todos somos no atavismo das nossas vidas).
O rei Édipo tinha que sucumbir a fim de devolver à cidade de Tebas o alívio por esta tão desejado. Este é o mecanismo do bode expiatório, mas Cristo, a última vítima sacrificial, vira o bico ao prego, afirma-se inocente e proclama que cada um de nós é responsável por todas as nossas aflições. É aqui que entra o conceito cristão de pecado. Em Memorial do Convento do comunista assumido José Saramago, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar». Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente: «O pecado não existe...». Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo marxista que reduz à luta de classes toda a História.
A irreverência de Patrícia tem raízes no Renascimento. Neste, o homem é colocado nos píncaros dos montes como se Deus fosse. É a isto que chamamos antropocentrismo, verdadeira conversio ad creaturam: o homem é o novo bezerro de oiro de si próprio.
A ciência, cujo reino é a horizontalidade porque se debruça sobre coisas, arvora-se cada vez mais em recurso único para tudo. Ela arrasaria todas as barreiras e nela estaria a tão desejada felicidade. Esta, porém, só é possível pela submissão a Cristo, o Sentido encarnado, enfim, a estrutura da realidade. Só assim a carne do homem e a carne do mundo ficariam redimensionadas à imagem e semelhança do Criador sem que a Civilização Cristã sofresse roturas capazes de a fazer precipitar no abismo.
O resto que a Patrícia diz é relativismo pernicioso que de todos nós faz títeres cujos titereiros outra coisa não querem senão amarrar o homem à escravização e animalização definitivas.
Depois quer saber a Patrícia «...por que razão o ateísmo [...] é grave». O ateísmo é grave porque não se pode negar Deus sem se negar o homem, isto é, sem estarmos a reduzir este último à condição mais degradante alguma vez imaginada. O homem nega Deus para se pôr no lugar d'Ele, atitude desafiadora (hybris) que só pode ter um nome: soberba (superbia). Esta cega-nos ao mais ínfimo grau. É mesmo isto que se vê no Édipo Rei. O que é central nesta tragédia de Sófocles não é o tema do incesto, mas sim o da soberba. Para os Gregos, também para os Romanos, o destino era inexorável, acima dos homens e dos próprios deuses. O crime de Édipo, na mentalidade de um grego da polis ateniense, foi pretender desinscrever o que tinha sido inscrito desde sempre pelo destino. É deste que fala a religião, «...seja para que [o homem] se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã s[ão] filosofias da liberdade» (Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995).
Édipo vê-se sem saída no círculo que lhe limita a vida, isto é, Édipo é vítima da concepção arcaica do tempo, mas este, para o cristianismo é levantarmo-nos e seguirmos o caminho em frente («surge et ambula!», diz Cristo aos paralíticos que todos somos no atavismo das nossas vidas).
O rei Édipo tinha que sucumbir a fim de devolver à cidade de Tebas o alívio por esta tão desejado. Este é o mecanismo do bode expiatório, mas Cristo, a última vítima sacrificial, vira o bico ao prego, afirma-se inocente e proclama que cada um de nós é responsável por todas as nossas aflições. É aqui que entra o conceito cristão de pecado. Em Memorial do Convento do comunista assumido José Saramago, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar». Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente: «O pecado não existe...». Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo marxista que reduz à luta de classes toda a História.
A irreverência de Patrícia tem raízes no Renascimento. Neste, o homem é colocado nos píncaros dos montes como se Deus fosse. É a isto que chamamos antropocentrismo, verdadeira conversio ad creaturam: o homem é o novo bezerro de oiro de si próprio.
A ciência, cujo reino é a horizontalidade porque se debruça sobre coisas, arvora-se cada vez mais em recurso único para tudo. Ela arrasaria todas as barreiras e nela estaria a tão desejada felicidade. Esta, porém, só é possível pela submissão a Cristo, o Sentido encarnado, enfim, a estrutura da realidade. Só assim a carne do homem e a carne do mundo ficariam redimensionadas à imagem e semelhança do Criador sem que a Civilização Cristã sofresse roturas capazes de a fazer precipitar no abismo.
O resto que a Patrícia diz é relativismo pernicioso que de todos nós faz títeres cujos titereiros outra coisa não querem senão amarrar o homem à escravização e animalização definitivas.
09 julho 2009
Marafuga a Patrícia (3)
A Patrícia queixa-se de que eu «...ref[iro] constantemente o Cristianismo e os seus valores como sendo os valores da Sociedade Ocidental» sic. Ora se a Sociedade Ocidental é a civilização judaico-cristã, como me poderei furtar ao facto denunciado pela Patrícia? Se os valores da Sociedade Ocidental não são os cristãos, quais são então os valores dessa Sociedade? É capaz de me esclarecer? Se o nosso debate não partir de uma plataforma mínima de cientificidade, não estamos aqui a fazer nada a debater.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelas próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelas próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.
08 julho 2009
A arma do povo
Respigo deste artigo de opinião de Paulo Morais, ex-autarca do Porto (dica de ASul), uma passagem aplicável nestas paragens:"Na maioria dos municípios, as câmaras continuarão a esquecer o que deveria ser a sua missão primordial: conservar e manter o espaço público e gerir harmoniosamente o território. Por outro lado, o urbanismo permanecerá refém das negociatas com os empreiteiros do regime e continuarão a acumular-se tachos e empregos para os apaniguados do partido. Com excepções - é certo - irá deteriorar-se a qualidade de vida, degradar-se-á ainda mais a paisagem, enquanto se fortalecem os mais perversos interesses.
"Há que reescrever o enredo desta tragicomédia. Só um sobressalto cívico nos pode tirar deste torpor que nos encaminha para o abismo. O povo dispõe ainda dessa arma poderosa, o voto, que deve usar de forma inteligente e estratégica. Mais do que nunca, o voto de protesto, de apoio aos sinais da mudança, é o único eficaz. As eleições já não são o acto em que o povo escolhe quem comanda os seus destinos. Mas são ainda o momento em que, pelo menos, podemos decidir quem não manda".
A imagem acima foi retirada daqui (excelente biblioteca digital)
Praia dos Moinhos
Água-Tejo à ondinha,
A beijar os meus pés,
Que saudade a minha
Do mar de lés-a-lés.
Longe a ponte da seca,
Vou além sobre a areia,
Desvio da alforreca,
Oiço a voz da sereia.
«Nunca mais cantará
Poeta ameno rio.
Tubarão sondará
Praia de fio a fio!».
Coração fulminado,
Aflito, sem saber
Em momento apertado
À vida que fazer,
Ergui meu rosto ao céu
Contra tal profecia,
A ver se rompo o véu
Que o povo ludibria.
A beijar os meus pés,
Que saudade a minha
Do mar de lés-a-lés.
Longe a ponte da seca,
Vou além sobre a areia,
Desvio da alforreca,
Oiço a voz da sereia.
«Nunca mais cantará
Poeta ameno rio.
Tubarão sondará
Praia de fio a fio!».
Coração fulminado,
Aflito, sem saber
Em momento apertado
À vida que fazer,
Ergui meu rosto ao céu
Contra tal profecia,
A ver se rompo o véu
Que o povo ludibria.
Detesto mistificações
Centenas e centenas de alcochetanos sempre souberam a localização exacta do Poço de São João.
O meu sogro, velho salineiro de oitenta e tantos anos, analfabeto, vivinho da silva, apontaria com o dedo, sem hesitação nenhuma, a qualquer sr. engenheiro da câmara, o sítio por baixo do qual as escavações encontrariam o poço.
Vem isto a propósito do que se pode ler no Jornal de Alcochete (08-07-09) que reza assim: «Com recurso a fotografias antigas do Largo de São João, os trabalhadores da Câmara Municipal já identificaram a localização da estrutura e iniciaram os trabalhos de escavação» (itálico meu).
Até parece que querem dar a entender às pessoas que houve um trabalho meticuloso e árduo de arqueologia, o que se me afigura verdadeiramente ridículo.
Acabemos esta nótula com um registo mais sério, transcrevendo uma quadra do grande João Ferreira Rosa, alcochetano de coração: «Bebi a água do poço/do poço de São João/comi fogaça ao almoço/ e bebi vinho ao serão».
O meu sogro, velho salineiro de oitenta e tantos anos, analfabeto, vivinho da silva, apontaria com o dedo, sem hesitação nenhuma, a qualquer sr. engenheiro da câmara, o sítio por baixo do qual as escavações encontrariam o poço.
Vem isto a propósito do que se pode ler no Jornal de Alcochete (08-07-09) que reza assim: «Com recurso a fotografias antigas do Largo de São João, os trabalhadores da Câmara Municipal já identificaram a localização da estrutura e iniciaram os trabalhos de escavação» (itálico meu).
Até parece que querem dar a entender às pessoas que houve um trabalho meticuloso e árduo de arqueologia, o que se me afigura verdadeiramente ridículo.
Acabemos esta nótula com um registo mais sério, transcrevendo uma quadra do grande João Ferreira Rosa, alcochetano de coração: «Bebi a água do poço/do poço de São João/comi fogaça ao almoço/ e bebi vinho ao serão».
07 julho 2009
Campeões Distritais
Sob a égide da Associação de Futebol de Setúbal (AFS), decorreu no passado Sábado, dia 04 de Julho, no Fórum Cultural de Alcochete, a Festa de Encerramento das Actividades desta Associação relativas a 2008/2009.
Nesta cerimónia foram entregues os prémios aos vencedores dos Torneios e Fases Complementares, sendo que as notas de grande destaque recaíram sobre o Sport Clube Samouco que se sagrou Campeão Distrital de Futsal na categoria de Júniores Femininos, o Grupo Desportivo Alcochetense - Campeão Distrital da 1ª.Divisão Séniores em Futebol 11 e a Homenagem simbólica mas profundamente sentida ao Treinador de Futebol - Carlos Cardoso, natural de Setúbal.
Foi com exaltação com que assisti à entrega destes prémios mormente destes dois em particular e que afectam profundamente o nosso Concelho.
Parabéns às duas colectividades, às respectivas equipas técnicas, jogadores e jogadoras, dirigentes e sobretudo aos respectivos associados pelo apoio dispensado.
Nesta cerimónia foram entregues os prémios aos vencedores dos Torneios e Fases Complementares, sendo que as notas de grande destaque recaíram sobre o Sport Clube Samouco que se sagrou Campeão Distrital de Futsal na categoria de Júniores Femininos, o Grupo Desportivo Alcochetense - Campeão Distrital da 1ª.Divisão Séniores em Futebol 11 e a Homenagem simbólica mas profundamente sentida ao Treinador de Futebol - Carlos Cardoso, natural de Setúbal.
Foi com exaltação com que assisti à entrega destes prémios mormente destes dois em particular e que afectam profundamente o nosso Concelho.
Parabéns às duas colectividades, às respectivas equipas técnicas, jogadores e jogadoras, dirigentes e sobretudo aos respectivos associados pelo apoio dispensado.
Jogada eleitoral
Nos últimos três anos, inúmeras vezes sugeri alternativas e reclamei dos critérios de arborização seguidos pelo município, nomeadamente a "palmeirização" do concelho. Leia isto, isto, isto, isto, isto e isto, por exemplo.
Estamos a três meses de decidir se ficam estes autarcas no poder executivo ou vêm outros e só à beira de eleições verifico que alguma coisa mudou, num derradeiro esforço para que tudo fique na mesma.
A prova está aqui. Em muitos anos é a primeira vez que, no sítio do município na Internet, deparo com informação substancial sobre critérios de arborização.
Quando as coisas são bem feitas não se devem regatear aplausos. Lamentável é que este afã tardio só possa ser interpretado como jogada eleitoral.
Espere pelas cenas dos próximos capítulos, porque nunca vi tanto funcionário municipal na rua!
Aproveite a onda e reclame do buraco ou de qualquer coisa errada na artéria onde reside. Entre no jogo do poder porque só terá nova oportunidade em 2013!
Estamos a três meses de decidir se ficam estes autarcas no poder executivo ou vêm outros e só à beira de eleições verifico que alguma coisa mudou, num derradeiro esforço para que tudo fique na mesma.
A prova está aqui. Em muitos anos é a primeira vez que, no sítio do município na Internet, deparo com informação substancial sobre critérios de arborização.
Quando as coisas são bem feitas não se devem regatear aplausos. Lamentável é que este afã tardio só possa ser interpretado como jogada eleitoral.
Espere pelas cenas dos próximos capítulos, porque nunca vi tanto funcionário municipal na rua!
Aproveite a onda e reclame do buraco ou de qualquer coisa errada na artéria onde reside. Entre no jogo do poder porque só terá nova oportunidade em 2013!
06 julho 2009
Exploração da ignorância
Para mim, um dos grandes crimes dos comunistas assenta na exploração da ignorância.
Por exemplo, os comunistas de Alcochete geminaram a nossa terra com uma localidade da Coreia do Norte. Mas será que foi dito aos alcochetanos que os camaradas da Coreia do Norte já mataram dois milhões (2.000.000) de coreanos para se solidificarem no poder?
Outra pergunta: nas campanhas para todas as legislativas por essas aldeias do Alentejo fora, os comunistas alguma vez explicaram claramente à base do seu eleitorado que, instalados na Assembleia da República, estão dispostos a aprovar e/ou deixar passar projectos a favor do "casamento" entre homossexuais? Claro que não.
A ideia venenosa que se passa para as pessoas é que cada um é livre de fazer a opção sexual que quiser, podendo - dizem - coabitar as novas formas de viver a sexualidade e a instituição família, quando o verdadeiro objectivo é destruir pelos alicerces esta última, uma vez que o comunismo não pode progredir sem aniquilar os valores da principal célula da Civilização Ocidental Judaico-Cristã: propriedade privada, poder sobre a educação dos filhos, direito de herança, etc.
Por exemplo, os comunistas de Alcochete geminaram a nossa terra com uma localidade da Coreia do Norte. Mas será que foi dito aos alcochetanos que os camaradas da Coreia do Norte já mataram dois milhões (2.000.000) de coreanos para se solidificarem no poder?
Outra pergunta: nas campanhas para todas as legislativas por essas aldeias do Alentejo fora, os comunistas alguma vez explicaram claramente à base do seu eleitorado que, instalados na Assembleia da República, estão dispostos a aprovar e/ou deixar passar projectos a favor do "casamento" entre homossexuais? Claro que não.
A ideia venenosa que se passa para as pessoas é que cada um é livre de fazer a opção sexual que quiser, podendo - dizem - coabitar as novas formas de viver a sexualidade e a instituição família, quando o verdadeiro objectivo é destruir pelos alicerces esta última, uma vez que o comunismo não pode progredir sem aniquilar os valores da principal célula da Civilização Ocidental Judaico-Cristã: propriedade privada, poder sobre a educação dos filhos, direito de herança, etc.
05 julho 2009
PLANO ESTRATÉGICO DE ALCOCHETE – 2025
Devido ao constrangimento do tráfego na Ponte Vasco da Gama não pude assistir à apresentação documental do que foi denominado no encontro da passada 6 feira, como Carta Magna Estratégica para Alcochete, mas pude assistir à parte final da apresentação e ao pequeno debate que se seguiu.
Retive a ideia que este evento vem no seguimento do cumprimento da acção pré-eleitoral do actual executivo. Recordemos que esta maioria prometeu envolver a população em acções participativas para a elaboração de determinados documentos. O que se viu ao longo do mandato foi a apresentação de documentos e pedirem contributos posteriores.
O que foi apresentado não fugiu à regra. E para dar alguma credibilidade à matéria não há nada como entregar o estudo da matéria em referência a personalidade que há muito está no negócio da consultoria e tem coordenado outros estudos de âmbito nacional e regional.
Se não me falha a memória não me recordo de ter sido aberto qualquer concurso público para que aparecessem outros consultores.
A apresentação pouco ou nada trouxe de novo em relação ao muito que já se tem dito e escrito.
A época parece-nos a menos adequada, por várias motivos: suponhamos que o peso eleitoral no executivo se altera nas próximas eleições autárquicas, quais foram as orientações enunciadas por parte desta actual maioria na CMA?
Porque razão adjudicar um estudo desta natureza em final de mandato, depois de e ao longo do mesmo terem apresentados também Carta Educativas, Carta Desportivas e reiniciados Revisões de PDM?
Tudo isto é demonstrativo da falta de ideias e capacidade estratégica por parte desta maioria.
Não seria mais vantajoso promover debates sobre esta e outras matérias antes de gastar dinheiro, que a todos pertence para elaborar estudos desta natureza?
Como se pode preparar um estudo com esta envolvente sem se ter em conta o que será aprovado pela administração central e em especial num diálogo profundo com os concelhos vizinhos? Esta lógica de os consultores serem contratados individualmente por cada concelho, para que mais tarde junte a manta de retalhos e imponha a sua profecia talvez não seja a metodologia mais adequada para servir o Portugal.
Seria conveniente que as forças politicas tivessem a coragem de assumir o que pensam sobre a matéria
Retive a ideia que este evento vem no seguimento do cumprimento da acção pré-eleitoral do actual executivo. Recordemos que esta maioria prometeu envolver a população em acções participativas para a elaboração de determinados documentos. O que se viu ao longo do mandato foi a apresentação de documentos e pedirem contributos posteriores.
O que foi apresentado não fugiu à regra. E para dar alguma credibilidade à matéria não há nada como entregar o estudo da matéria em referência a personalidade que há muito está no negócio da consultoria e tem coordenado outros estudos de âmbito nacional e regional.
Se não me falha a memória não me recordo de ter sido aberto qualquer concurso público para que aparecessem outros consultores.
A apresentação pouco ou nada trouxe de novo em relação ao muito que já se tem dito e escrito.
A época parece-nos a menos adequada, por várias motivos: suponhamos que o peso eleitoral no executivo se altera nas próximas eleições autárquicas, quais foram as orientações enunciadas por parte desta actual maioria na CMA?
Porque razão adjudicar um estudo desta natureza em final de mandato, depois de e ao longo do mesmo terem apresentados também Carta Educativas, Carta Desportivas e reiniciados Revisões de PDM?
Tudo isto é demonstrativo da falta de ideias e capacidade estratégica por parte desta maioria.
Não seria mais vantajoso promover debates sobre esta e outras matérias antes de gastar dinheiro, que a todos pertence para elaborar estudos desta natureza?
Como se pode preparar um estudo com esta envolvente sem se ter em conta o que será aprovado pela administração central e em especial num diálogo profundo com os concelhos vizinhos? Esta lógica de os consultores serem contratados individualmente por cada concelho, para que mais tarde junte a manta de retalhos e imponha a sua profecia talvez não seja a metodologia mais adequada para servir o Portugal.
Seria conveniente que as forças politicas tivessem a coragem de assumir o que pensam sobre a matéria
Bimbos
Respeitando a capacidade intelectual de cada um, as suas ideias e crenças, acho uma horroridade "desenterrar" o Poço de São João. E chamo bimbo a quem acordou com essa ideia.
Imaginem "desenterrar" todo o santo elemento desaparecido ao longo dos tempos. Havia de ser bonito.
Mais, o largo de S.João não tem ponta por onde se pegue , totalmente despido de integridade com a evolvente.
Pior ainda, se olharem para as fotos antigas, realmente o poço até funciona como ponto chave no desenho onde está inserido, mas é totalmente descabido na zona onde o querem "desenterrar". Como é que não entendem a razão de ser das coisas. Parece o topo da televisão ali da Dona Amélia, com o napron, o buda, a santa, e a foto do casamento.
Aproveito para deixar mais duas ideias: o largo de S. João é o unico espaço publico digno de ter alguma potencialidade para funcionar como tal; em Alcochete não existe critério na concepção do espaço publico, nunca houve, e a continuar assim nunca vai haver. Os Barris são uma aberração, os Flamingos são uma aberração, toda a politica urbana em Alcochete e arredores é uma aberração. O único espaço que felizmente ainda consegue ser digno é o centro histórico, e mesmo assim lá aparece uma aberração.
Aconselho então a ler o livro "A Imagem da Cidade" de Kevin Lynch , se alguém responsável da CMA e em particular do pelouro do Urbanismo e Imagem Urbana ler isto .. leiam o livro. Ou perguntem aos técnicos (Arquitectos e Urbanistas) de que se trata este livro (e esses leram de certeza .. mas provavelmente a decisão foi politica e com muito pouco bom senso.)
E por ultimo, não confundam as coisas: o poço existia para fornecer agua a população e aos animais, pensem um bocadinho se isto tem algum cabimento hoje em dia. Uma coisa é a manutenção de um ícone histórico que de alguma forma ainda existe, outra coisa é o Kitschismo. Bimbos!
Somos tão ingénuos...

Somos tão ingénuos politicamente que chegamos a pensar que os deputados comunistas são os mais bem educados na Assembleia da República. Isto é mesmo não conseguirmos ir além da camada de verniz que lhes serve de máscara.
Como é que o comunista pode ser bem educado se toda a acção política que leva a cabo visa pôr fim à liberdade individual? Ou será possível a coabitação entre liberdade individual e colectivismo?
É extraordinário como algumas das melhores ovelhas do rebanho não conseguem cavar um pouco mais fundo e ver que o comunismo, tal como o nazismo, é um totalitarismo. Os mais de cem milhões (100.000.000) de mortos às mãos dos comunistas no séc. XX foi facto que resultasse da boa educação?
Muitos pensam que os comunistas portugueses, se alguma vez fossem governo, ficariam longe de fazer o mesmo, pensamento que não passa de uma trágica ingenuidade porque não há comunismo sem planeamento centralizado da economia. Ora foi este planeamento que na URSS sob Estaline e na China sob Mao constituiu a causa de matanças genocidas jamais vistas na História da Humanidade.
Os milhões e milhões de vítimas da sanha totalitária dão a ordem inquebrantável de que entre mim e o comunista não haja qualquer compromisso. Consulte (http://www.geocities.com/violacao_direitos_homem/comunismo.html).
Como é que o comunista pode ser bem educado se toda a acção política que leva a cabo visa pôr fim à liberdade individual? Ou será possível a coabitação entre liberdade individual e colectivismo?
É extraordinário como algumas das melhores ovelhas do rebanho não conseguem cavar um pouco mais fundo e ver que o comunismo, tal como o nazismo, é um totalitarismo. Os mais de cem milhões (100.000.000) de mortos às mãos dos comunistas no séc. XX foi facto que resultasse da boa educação?
Muitos pensam que os comunistas portugueses, se alguma vez fossem governo, ficariam longe de fazer o mesmo, pensamento que não passa de uma trágica ingenuidade porque não há comunismo sem planeamento centralizado da economia. Ora foi este planeamento que na URSS sob Estaline e na China sob Mao constituiu a causa de matanças genocidas jamais vistas na História da Humanidade.
Os milhões e milhões de vítimas da sanha totalitária dão a ordem inquebrantável de que entre mim e o comunista não haja qualquer compromisso. Consulte (http://www.geocities.com/violacao_direitos_homem/comunismo.html).
04 julho 2009
Há uma série de textos...
Há uma série de textos com interesse público em http://alcochetanidades.blogspot.com que convinha ler.
Por Alcochete.
Por Alcochete.
Convém estar atento
Recomendo a leitura desta notícia, relacionada com a atribuição de subsídios à Santa Casa da Misericórdia de Alcochete (75.000€) e à CERCIMA (5150€), cujo conteúdo e pormenores a maioria dos alcochetanos certamente desconhecia.
A intenção deliberada de ocultar e varrer graves problemas para debaixo do tapete tem sempre consequências.
Quem sabia que o lar da Misericórdia de Alcochete estava em risco de encerrar por falta de condições?
No entanto, a directora do Centro de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, afirmou que "a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete estava em vias de encerrar porque necessitava de intervenções rápidas".
Boa ou má, a verdade deve ser revelada com sinceridade.
Por vezes a verdade dói. Mas o que mais me revolta e magoa é a relação promíscua com a verdade e a falta de sinceridade.
A propósito disto veio-me à memória uma das principais notícias de ontem, cujo título era «Portugueses sentem-se traídos pelos políticos».
No conteúdo escrevia-se o seguinte: "os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa".
P.S. - Com esta é a sexta vez, em três anos, que chamo a atenção para a situação do lar da Misericórdia de Alcochete.
Os textos anteriores estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A intenção deliberada de ocultar e varrer graves problemas para debaixo do tapete tem sempre consequências.
Quem sabia que o lar da Misericórdia de Alcochete estava em risco de encerrar por falta de condições?
No entanto, a directora do Centro de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, afirmou que "a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete estava em vias de encerrar porque necessitava de intervenções rápidas".
Boa ou má, a verdade deve ser revelada com sinceridade.
Por vezes a verdade dói. Mas o que mais me revolta e magoa é a relação promíscua com a verdade e a falta de sinceridade.
A propósito disto veio-me à memória uma das principais notícias de ontem, cujo título era «Portugueses sentem-se traídos pelos políticos».
No conteúdo escrevia-se o seguinte: "os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa".
P.S. - Com esta é a sexta vez, em três anos, que chamo a atenção para a situação do lar da Misericórdia de Alcochete.
Os textos anteriores estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
03 julho 2009
Mais um condómino
Dou as boas-vindas a Fernando Pinto, que aceitou o meu convite público e se disponibilizou a integrar o grupo de condóminos deste blogue.
É bancário e ex-presidente da Direcção do Aposento do Barrete Verde, cargo que exerceu durante dois mandatos consecutivos.
Como comentarista já intervinha frequentemente no blogue, agora passará a fazê-lo também como autor inscrito.
«Praia dos Moinhos» é um espaço suprapartidário sobre questões pertinentes e relevantes para a comunidade alcochetana. Tal significa que este blogue é e será um espaço discussão que reune pessoas sem filiação partidária ou filiadas em diferentes partidos, embora não se subordine a nenhum em especial.
Volto a recordar que «Praia dos Moinhos» é um espaço de debate sobre Alcochete, aberto à participação de qualquer membro da comunidade, tenha ou não pontos de vista coincidentes com os dos condóminos mais antigos.
Todos os textos têm autor devidamente identificado (em rodapé) e podem ser comentados, embora a exibição de comentários dependa de validação por um dos administradores do blogue. São rejeitados comentários que contenham expressões ofensivas ou considerações de carácter pessoal sobre autores e cidadãos ou entidades estranhos ao blogue.
É bancário e ex-presidente da Direcção do Aposento do Barrete Verde, cargo que exerceu durante dois mandatos consecutivos.
Como comentarista já intervinha frequentemente no blogue, agora passará a fazê-lo também como autor inscrito.
«Praia dos Moinhos» é um espaço suprapartidário sobre questões pertinentes e relevantes para a comunidade alcochetana. Tal significa que este blogue é e será um espaço discussão que reune pessoas sem filiação partidária ou filiadas em diferentes partidos, embora não se subordine a nenhum em especial.
Volto a recordar que «Praia dos Moinhos» é um espaço de debate sobre Alcochete, aberto à participação de qualquer membro da comunidade, tenha ou não pontos de vista coincidentes com os dos condóminos mais antigos.
Todos os textos têm autor devidamente identificado (em rodapé) e podem ser comentados, embora a exibição de comentários dependa de validação por um dos administradores do blogue. São rejeitados comentários que contenham expressões ofensivas ou considerações de carácter pessoal sobre autores e cidadãos ou entidades estranhos ao blogue.
Erro estético imperdoável
Infelizmente sem máquina fotográfica, passei hoje no Largo de São João e deparei com o biombo em que se anuncia a recolocação do poço (ou uma réplica?) na sala de visitas da vila de Alcochete.
Porque sou coleccionador de documentos e depoimentos de memórias locais, deixo aqui lavrado o meu enérgico protesto pelo desrespeito estético e artístico da estátua do Padre Cruz, obra do escultor Luís Valdés Castelo Branco, uma referência da vila e local de recolhimento e oração de inúmeros naturais, residentes e forasteiros.
A estátua foi inaugurada nas comemorações de 15 de Janeiro de 1969 e representa o sacerdote de corpo inteiro, paramentado com casula gótica, face voltada para a Igreja (matriz de Alcochete) a quem sempre serviu em dedicação total.
A figura, de braços abertos, apresenta uma postura de saudação e acolhimento fraternal a quem na época entrava na vila pelo seu principal acesso, a antiga Rua do Rato e actual Avenida 5 de Outubro. O eixo da via coincide com a base do pedestal do monumento, mas esse efeito perdeu-se, na actualidade, dado que a artéria tem sentido único e ascendente.
O bronze assenta sobre um plano ligeiramente inclinado de pedra branca, que liberta a frente da estátua do contacto directo com a população que, no entanto, pode tocar o pedestal e depositar flores, pela parte de trás, numa circulação que não prejudica o monumento.
Quem decidiu agora recolocar o poço no local original ignorava a concepção estética do autor da estátua? Desconhecia que, ao entrepor o poço entre a estátua e a Igreja Matriz, a leitura artística do monumento é adulterada?
Para mim é inconcebível que o Padre Cruz deixe de estar diante da Igreja mas de um poço (ou uma réplica?)!

Embora aplauda a devolução do poço (ou uma réplica?) aos alcochetanos da velha guarda e da nova vaga, recolocá-lo no sítio original, quarenta anos depois da estátua, representa mais um atentado à sala de visitas da vila, que outrora teve belos canteiros floridos mas cuja requalificação com empedrado, há alguns anos, a transformou em deserto ardente no Verão e uma ratoeira escorregadia no Inverno com certo tipo de calçado.
Por favor escutem: estão a tempo de evitar um erro!
Coloquem o poço à entrada da Rua do Mercado, no local onde até há semanas existiu o canteiro mais viçoso e perfumado de Alcochete!
O poço é um símbolo e ficará melhor aí. Afixe-se junto dele uma placa explicando onde estava originalmente e por que mudou de local.
Por favor não cometam erro semelhante ao ocorrido com a estátua de D. Manuel I, cujo autor quis o bronze recortado sobre as paredes brancas da Quinta da Praia das Fontes, efeito que, muitos anos volvidos, alguém decidiu subverter ao plantar palmeiras vulgares e arbustos inúteis entre o edifício e a obra escultórica.
02 julho 2009
Números surpreendentes
Finalmente, consegui encontrar informação actualizada sobre o número de funcionários ao serviço do município de Alcochete no ano corrente: são 419.
Com contrato por tempo indeterminado são 308 e com duração determinada são 111.
Temos um funcionário municipal por cada 40 residentes.
Por estas e por outras, conforme referi aqui os encargos com pessoal representaram 51,13% das despesas totais do nosso município em 2006. Nesse ano, a média nacional foi de 30,71% e a da Península de Setúbal de 43,59%.
Andei em busca de dados comparáveis e descobri uma notícia de 2007, baseada numa tese de doutoramento, segundo a qual a câmara de Lisboa tinha então dez trabalhadores por cada mil habitantes.
A notícia classificava a câmara da capital como "recordista no número de funcionários per capita", acrescentando que "em Madrid e Barcelona, esse ratio é de cerca de metade, no Porto não chega a sete e mesmo municípios onde os índices de satisfação dos habitantes são altos, como Oeiras, não há sequer oito trabalhadores por mil habitantes".
Que dizer então de Alcochete, cujo município tem quase 25 funcionários por cada mil habitantes?
E qual será o índice de satisfação dos habitantes de Alcochete em relação ao seu município?
Com contrato por tempo indeterminado são 308 e com duração determinada são 111.
Temos um funcionário municipal por cada 40 residentes.
Por estas e por outras, conforme referi aqui os encargos com pessoal representaram 51,13% das despesas totais do nosso município em 2006. Nesse ano, a média nacional foi de 30,71% e a da Península de Setúbal de 43,59%.
Andei em busca de dados comparáveis e descobri uma notícia de 2007, baseada numa tese de doutoramento, segundo a qual a câmara de Lisboa tinha então dez trabalhadores por cada mil habitantes.
A notícia classificava a câmara da capital como "recordista no número de funcionários per capita", acrescentando que "em Madrid e Barcelona, esse ratio é de cerca de metade, no Porto não chega a sete e mesmo municípios onde os índices de satisfação dos habitantes são altos, como Oeiras, não há sequer oito trabalhadores por mil habitantes".
Que dizer então de Alcochete, cujo município tem quase 25 funcionários por cada mil habitantes?
E qual será o índice de satisfação dos habitantes de Alcochete em relação ao seu município?
01 julho 2009
O poço de São João
O poço de São João,
Água fresca dos avós,
Vem honrar a tradição,
Memória de todos nós.
O poço foi degrau
Deste nosso patamar;
Foi rio de largo vau
Bem custoso de passar.
Andar em frente o caminho
De quem ama a liberdade.
Não esquecer um bocadinho
A herança da verdade.
Recordar sem nostalgia,
Sem querer voltar atrás,
Eis o fogo da alegria
Que esta água ao povo traz.
João Marafuga
Água fresca dos avós,
Vem honrar a tradição,
Memória de todos nós.
O poço foi degrau
Deste nosso patamar;
Foi rio de largo vau
Bem custoso de passar.
Andar em frente o caminho
De quem ama a liberdade.
Não esquecer um bocadinho
A herança da verdade.
Recordar sem nostalgia,
Sem querer voltar atrás,
Eis o fogo da alegria
Que esta água ao povo traz.
João Marafuga
Uma boa notícia

Bom, nem tudo é mau!
Os homens da Câmara vão devolver à população o antigo poço de São João.
Só espero que a tradição de todas as coisas seja justamente cumprida.
Na verdade, a evocação respeitosa do esforço dos nossos avós não entra em choque com a distribuição de água ao domicílio.
E ninguém pense que pura e simplesmente me cinjo a uma evidência à Monsieur de La Palice.
Os homens da Câmara vão devolver à população o antigo poço de São João.
Só espero que a tradição de todas as coisas seja justamente cumprida.
Na verdade, a evocação respeitosa do esforço dos nossos avós não entra em choque com a distribuição de água ao domicílio.
E ninguém pense que pura e simplesmente me cinjo a uma evidência à Monsieur de La Palice.
Alô! Alô!
A três meses de eleições locais o prof. Augusto Mateus – que se notabilizou como ministro e especialista próximo do PS – presente numa iniciativa do executivo CDU de Alcochete?
Cheira-me a manobra da reacção!
Manobra por manobra, talvez não fosse má ideia António Maduro e o PS convidarem o arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, para uma sessão livre e aberta no Jardim do Rossio, projecto originalmente de sua autoria mas que tanta adulteração e degradação paisagística sofreu entretanto.
Há por aí quem goste de brincar às casinhas e invoque «Alcochete 2025». E Alcochete 2006? Alcochete 2007? Alcochete 2008? Alcochete 2009?
Experimentem jogar «Monopólio». É mais divertido.
Cheira-me a manobra da reacção!
Manobra por manobra, talvez não fosse má ideia António Maduro e o PS convidarem o arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, para uma sessão livre e aberta no Jardim do Rossio, projecto originalmente de sua autoria mas que tanta adulteração e degradação paisagística sofreu entretanto.
Há por aí quem goste de brincar às casinhas e invoque «Alcochete 2025». E Alcochete 2006? Alcochete 2007? Alcochete 2008? Alcochete 2009?
Experimentem jogar «Monopólio». É mais divertido.
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