Um grupo de cidadãos insatisfeitos com os conteúdos e a qualidade do debate político-partidário, pretende lançar para a discussão partidária que antecede as eleições legislativas e autárquicas uma agenda de prioridades.
As propostas estão reunidas no manifesto “O nosso presente e o nosso futuro: algumas questões prementes”, um documento de 27 páginas em que é feito um diagnóstico da situação actual de cada área.
Chamo a atenção para o documento e dele transcrevo adiante algumas frases que me parecem directamente aplicáveis em Alcochete, porque:
- Também iremos ter propostas eleitorais avulsas a que ninguém ligará a mínima importância porque a descrença é demasiado generalizada;
- Aqui a democracia representativa também está de facto esvaziada e não se sabe ao certo quem é que ela representará no futuro;
- Há muito que se cavou um fosso entre as pessoas concretas e o sistema político do qual apenas alguns se servem;
- Localmente, o sistema democrático não representa verdadeiramente necessidades, anseios, interesses de todos os cidadãos e muito menos promove o bem comum;
- Está coarctado o exercício da cidadania activa – que excede amplamente o voto – porque a participação de todos, em momentos regulares, nunca influiu nas decisões políticas;
- Também aqui a democracia representativa tem colocado as vozes cidadãs na modalidade 'sem som'. Não há democracia autêntica mas autocracia disfarçada;
- Também aqui a cultura política e administrativa dominante tende a considerar o envolvimento público mais como um bloqueio à eficácia da acção política do que como uma legítima e útil contribuição.
Segue-se a transcrição completa de frases do manifesto que me parecem mais directamente aplicáveis ao meio local, lamentando que o documento não se debruce sobre a problemática do poder autárquico:
"Estamos em vésperas de eleições. Os cidadãos, mulheres e homens, poderão ficar, mais uma vez, perante um menu diversificado de propostas avulsas, raramente bem esclarecidas e coerentes, sem terem em seu poder os dados necessários para fundamentarem e fazerem as suas escolhas.
"Continuarão alienados pela retórica dos discursos e cada vez mais descrentes quanto à importância do seu voto".
"A democracia representativa corre o risco de vir a ficar esvaziada, não se sabendo ao certo quem é que ela de facto representa. Com a classe política 'na posição inversa à que devia ter no corpo social', abre-se cada vez mais um fosso entre as pessoas concretas do país e o sistema político do qual apenas alguns se servem. O que faz falta é que o sistema democrático represente
verdadeiramente necessidades, anseios, interesses de todos os cidadãos e tenha condições para promover o bem comum.
"O exercício de uma cidadania activa excede amplamente o voto, significando a participação de todos, em momentos regulares, nas decisões políticas do país".
"Para além do voto, a democracia representativa tem colocado as vozes cidadãs na modalidade 'sem som', procurando até minimizar ou mesmo não ouvir as massivas expressões de rua, nas manifestações de protesto. Uma democracia que não ouve o povo é uma contradição nos próprios termos, tornando-se numa autocracia mais ou menos disfarçada.
"Há que repensar as formas de um exercício democrático, com uma cidadania e um espaço público com expressão política. Isto requer que os partidos e a governação conheçam a actual constituição da população deste país e quais as novas referências que alteram a relação dos cidadãos com a política".
"Todavia, constata-se que a cultura política e administrativa dominante tende a considerar o envolvimento público mais como um bloqueio à eficácia da acção política do que como uma legítima e útil contribuição.
"Em muitos casos as instituições estão desfasadas em relação aos desafios actuais, de uma sociedade da informação, do conhecimento e do risco".
As questões ficam lançadas. Responda quem tiver coragem política para analisar e reflectir sobre realidades concretas locais que, garantidamente, pesarão muitíssimo na maior abstenção de sempre em democracia.
19 julho 2009
18 julho 2009
Ingenuidade política

Diz Edouard Balladur: «Nada escapa à observação dos media e ninguém tem o direito de pretender escarpar-lhes. É um pecado, é uma violação da democracia sustentar que os media não têm o direito de acesso a tudo, de falar de tudo, de emitir juízos sobre tudo - juízos por vezes sumários e peremptórios. [...] Graças a eles [os jornalistas], a crítica exerce-se no dia-a-dia, enquanto o povo se manifesta através do voto apenas de vez em quando; a delegação do poder que ele faz naqueles que elegeu não exclui um controlo quotidiano. Quem poderá exercê-lo senão os jornalistas? E que significaria a liberdade de expressão se eles não fossem indiscretos, irritantes, ousados, malévolos e até de má-fé?» (Balladur, Edouard, Maquiavel em Democracia, Casa das Letras, Lisboa, 2006).
Diz Ondina Margo: «Ora a pergunta que faço é: e se as câmaras não tivessem apanhado o gesto de Pinho em directo? Provavelmente teríamos na mesma um comportamento reprovável que mereceria repúdio, mas duvido que fosse amplificado da maneira que foi, eclipsando por completo o debate do estado da nação e toda a discussão política subsequente em Portugal» (Jornal do Montijo, 17 de Julho de 2009).
Teria preferido Ondina Margo que as câmaras estivessem distraídas? Mas esta preferência interferiria com a competência dos jornalistas. Ondina está a deixar sob maus créditos estes profissionais da comunicação social. E é assim que esta senhora quer ascender ao exercício da política? Mas que ilusão!
Diz Ondina Margo: «Ora a pergunta que faço é: e se as câmaras não tivessem apanhado o gesto de Pinho em directo? Provavelmente teríamos na mesma um comportamento reprovável que mereceria repúdio, mas duvido que fosse amplificado da maneira que foi, eclipsando por completo o debate do estado da nação e toda a discussão política subsequente em Portugal» (Jornal do Montijo, 17 de Julho de 2009).
Teria preferido Ondina Margo que as câmaras estivessem distraídas? Mas esta preferência interferiria com a competência dos jornalistas. Ondina está a deixar sob maus créditos estes profissionais da comunicação social. E é assim que esta senhora quer ascender ao exercício da política? Mas que ilusão!
17 julho 2009
E as Empresas do Concelho?
Gostaria hoje de reflectir sobre a notícia do Jornal de Alcochete que diz respeito à obra no campo desportivo da Escola do Monte Novo.
Finalmente, e após queixas na ASAE, denúncias da Associação de Pais e do candidato do PSD, Jorge Borges da Silva, parece que a Câmara Municipal irá finalmente avançar com obras de requalificação do campo desportivo do estabelecimento de ensino.
Segundo o JA, a adjudicação foi feita à Fabrigimno pela verba de 9055,50 euros, verba esta que será paga pelo Instituto do Desporto de Portugal e pela Federação Portuguesa de Futebol. Contra este tipo de protocolos não estou nem nunca estarei, mas gostaria de deixar duas perguntas pertinentes:
Será que para se fazer obra neste concelho, será sempre necessário haver quem pague as obras? Não tinha a Câmara Municipal os 9000 euros necessários à execução da Obra?
Uma outra questão muito importante prende-se com a adjudicação da obra à Empresa Fabrigimno...
Foi a Câmara que adjudicou directamente ou foram as entidades que pagaram?
Não havia no concelho uma empresa que até já doou à Câmara um outro campo de jogos noutra escola?
Não deveria essa empresa ser consultada sobre este assunto?
Será que foi?
Ou será que nem sequer se tiveram a amabilidade de a consultar?
Todas estas são questões que gostaria ter respostas por parte de alguém da Câmara Municipal, ou será pedir muito?
Já agora aproveito também para fazer uma outra pergunta ao executivo camarário:
A venda dos bilhetes para a Feira de Alcochete só rendeu 350 euros?
É que esse foi o último subsídio atribuído à Cercima pela Câmara Municipal (fonte Jornal de Alcochete).
Finalmente, e após queixas na ASAE, denúncias da Associação de Pais e do candidato do PSD, Jorge Borges da Silva, parece que a Câmara Municipal irá finalmente avançar com obras de requalificação do campo desportivo do estabelecimento de ensino.
Segundo o JA, a adjudicação foi feita à Fabrigimno pela verba de 9055,50 euros, verba esta que será paga pelo Instituto do Desporto de Portugal e pela Federação Portuguesa de Futebol. Contra este tipo de protocolos não estou nem nunca estarei, mas gostaria de deixar duas perguntas pertinentes:
Será que para se fazer obra neste concelho, será sempre necessário haver quem pague as obras? Não tinha a Câmara Municipal os 9000 euros necessários à execução da Obra?
Uma outra questão muito importante prende-se com a adjudicação da obra à Empresa Fabrigimno...
Foi a Câmara que adjudicou directamente ou foram as entidades que pagaram?
Não havia no concelho uma empresa que até já doou à Câmara um outro campo de jogos noutra escola?
Não deveria essa empresa ser consultada sobre este assunto?
Será que foi?
Ou será que nem sequer se tiveram a amabilidade de a consultar?
Todas estas são questões que gostaria ter respostas por parte de alguém da Câmara Municipal, ou será pedir muito?
Já agora aproveito também para fazer uma outra pergunta ao executivo camarário:
A venda dos bilhetes para a Feira de Alcochete só rendeu 350 euros?
É que esse foi o último subsídio atribuído à Cercima pela Câmara Municipal (fonte Jornal de Alcochete).
Vamos lá falar claro

O meu amigo e amiga poderão ter pouco tempo para a leitura de fundo. Eu sei que assim é. Mas nada custa, pelo menos, ir ao motor de busca Google http://www.google.pt e, no rectângulo oblongo que lá aparece, escrever palavras ou expressões como "gulag", "holodomor", "o livro negro do comunismo", "crimes do bolchevismo", "crimes do estalinismo", "crimes do comunismo", etc., e, depois, clicar em IMAGENS e, de seguida, em PROCURAR IMAGENS.
Ajuíze por si.
Olho p'ra ti
És monte de ossos
Que mal fizeste?
Gostava de saber o que vias da vida
Qual foi o teu protesto
Por que te mataram como a rês para matadouro
Já te fizeram justiça?
Eu sei que não
Mas tu aí estas
A reclamá-la a brados que chegam aos céus
A nós
Teus vindouros
Que te devemos
Sem favor
Esse dever.
Ajuíze por si.
Olho p'ra ti
És monte de ossos
Que mal fizeste?
Gostava de saber o que vias da vida
Qual foi o teu protesto
Por que te mataram como a rês para matadouro
Já te fizeram justiça?
Eu sei que não
Mas tu aí estas
A reclamá-la a brados que chegam aos céus
A nós
Teus vindouros
Que te devemos
Sem favor
Esse dever.
16 julho 2009
Alienações políticas

«O artigo 46º, n.º 4, da Constituição da República Portuguesa - Liberdade de Associação - diz que não são consentidas organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista» (DN, 16-07-09).
Acredite quem quiser, há muitos anos que me interrogo por que razão a Constituição proíbe com toda a justeza organizações fascistas e deixa as comunistas a nadar no seio da nossa sociedade como peixes na água, quando os fascismos e o comunismo são totalitarismos porque controlam os mais ínfimos movimentos da vida do cidadão.
Mas contrariamente ao que diz o Diário de Notícias de hoje, eu não consigo ver que o fascismo seja uma ideologia totalitária de direita.
A direita política tem a ver com a liberdade individual, com o direito à propriedade privada sendo visceralmente contra o esvaziamento desta através de pesada tributação, com a economia de mercado que parte da livre iniciativa e da livre empresa, com o cristianismo contra a instauração de uma religião biónica (culto da natureza), com o valor da instituição família, etc.
O fascismo, tal como o comunismo, é a idolatria do Estado que se sobrepõe à sociedade, o culto do chefe, a polícia política, a censura, a forte restrição à liberdade individual, etc. Tudo isto tem alguma coisa a ver com a direita política?
À direita política pertence Alberto João Jardim que muito logicamente defende que seja consignada a proibição do comunismo na nossa Constituição.
Acredite quem quiser, há muitos anos que me interrogo por que razão a Constituição proíbe com toda a justeza organizações fascistas e deixa as comunistas a nadar no seio da nossa sociedade como peixes na água, quando os fascismos e o comunismo são totalitarismos porque controlam os mais ínfimos movimentos da vida do cidadão.
Mas contrariamente ao que diz o Diário de Notícias de hoje, eu não consigo ver que o fascismo seja uma ideologia totalitária de direita.
A direita política tem a ver com a liberdade individual, com o direito à propriedade privada sendo visceralmente contra o esvaziamento desta através de pesada tributação, com a economia de mercado que parte da livre iniciativa e da livre empresa, com o cristianismo contra a instauração de uma religião biónica (culto da natureza), com o valor da instituição família, etc.
O fascismo, tal como o comunismo, é a idolatria do Estado que se sobrepõe à sociedade, o culto do chefe, a polícia política, a censura, a forte restrição à liberdade individual, etc. Tudo isto tem alguma coisa a ver com a direita política?
À direita política pertence Alberto João Jardim que muito logicamente defende que seja consignada a proibição do comunismo na nossa Constituição.
15 julho 2009
A utopia bloquista
Eu nunca falei com Teresa Bonito nem garantiria que a reconhecesse se passasse na rua por esta militante do Bloco de Esquerda.
A nível local detesto falar de quem não conheço, mas desta vez tudo ultrapassa o meu poder de contenção face a parte tão fracturada relativamente a mim.
Em artigo no Jornal de Alcochete (15-07-09), sob o título "Políticas socialistas contra a crise do capitalismo", eu vejo que, afinal, do que se trata é de políticas socialistas contra o capitalismo, motor de real desenvolvimento da Humanidade nos últimos dois séculos.
Na verdade, as «...dez propostas Anti-crise»...» de Teresa Bonito são aquelas mesmas linhas políticas que estão na origem da crise que todos vivemos hoje em dia.
Se não há uma flexibilidade, regulada, por parte das empresas para despedimentos, é evidente que os lucros poderão virar em prejuízos sem emprego para ninguém. Mas não acaba aqui o ataque de Teresa Bonito às empresas que mais não é que uma estratégia de fragilização destas últimas, pois esta senhora, na segunda proposta, visa «impedir o pagamento de dividendos aos accionistas de empresas que receberam subsídios ou benefícios públicos». Eu não estou contra esse pagamento, apenas defendendo a regulamentação clara do mesmo, já que importa salvaguardar a livre empresa a todo o custo.
Quem paga o «direito à reforma aos 40 anos de trabalho sem penalizações», o «aumento das pensões e do salário mínimo [...]» e o «subsídio para todos os desempregados»? A resposta é fácil. Toda essa demagogia cantante para arrebanhar votos seria paga pelos pagadores de impostos, ficando estes cada vez mais e mais pobres.
O imposto, seja sobre o que for, tem que ser justo, não podendo ser encarado e/ou sentido por quem o paga como um roubo, lógica que se articula naturalmente com a «nacionalização do sector energético, GALP e EDP» e se opõe à dinâmica do capitalismo normalizado, alvo de todo o ódio das esquerdas à escala planetária.
O «predomínio do sector público na banca» significa, no fundo, o feroz controlo do Estado sobre a economia de mercado, ou seja, a guilhotina para a nossa liberdade.
Finalmente, concordo com o «encerramento de todos os off-shores». Se não concordasse, entraria em desprezível contradição comigo próprio, mas se vislumbro aqui qualquer coisa, é mesmo nessa contradição que cai Teresa Bonito, pois esta bloquista parece querer o «imposto sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social» sem que persistam os off-shores já existentes e até cresçam em número por essas ilhas do mundo fora.
Outro aspecto da minha concordância com Teresa Bonito vai «...para as 35 horas semanais» de trabalho, máximo 40: cinco dias para trabalhar e dois para o lazer.
Se alguma vez o povo português fosse alienado ao ponto de dar os votos a pessoas ideologicamente identificadas com Teresa Bonito, Portugal transformar-se-ia num imenso gulag, tipo Coreia do Norte, onde todos seríamos reduzidos à escravização e animalização mais abjectas.
A nível local detesto falar de quem não conheço, mas desta vez tudo ultrapassa o meu poder de contenção face a parte tão fracturada relativamente a mim.
Em artigo no Jornal de Alcochete (15-07-09), sob o título "Políticas socialistas contra a crise do capitalismo", eu vejo que, afinal, do que se trata é de políticas socialistas contra o capitalismo, motor de real desenvolvimento da Humanidade nos últimos dois séculos.
Na verdade, as «...dez propostas Anti-crise»...» de Teresa Bonito são aquelas mesmas linhas políticas que estão na origem da crise que todos vivemos hoje em dia.
Se não há uma flexibilidade, regulada, por parte das empresas para despedimentos, é evidente que os lucros poderão virar em prejuízos sem emprego para ninguém. Mas não acaba aqui o ataque de Teresa Bonito às empresas que mais não é que uma estratégia de fragilização destas últimas, pois esta senhora, na segunda proposta, visa «impedir o pagamento de dividendos aos accionistas de empresas que receberam subsídios ou benefícios públicos». Eu não estou contra esse pagamento, apenas defendendo a regulamentação clara do mesmo, já que importa salvaguardar a livre empresa a todo o custo.
Quem paga o «direito à reforma aos 40 anos de trabalho sem penalizações», o «aumento das pensões e do salário mínimo [...]» e o «subsídio para todos os desempregados»? A resposta é fácil. Toda essa demagogia cantante para arrebanhar votos seria paga pelos pagadores de impostos, ficando estes cada vez mais e mais pobres.
O imposto, seja sobre o que for, tem que ser justo, não podendo ser encarado e/ou sentido por quem o paga como um roubo, lógica que se articula naturalmente com a «nacionalização do sector energético, GALP e EDP» e se opõe à dinâmica do capitalismo normalizado, alvo de todo o ódio das esquerdas à escala planetária.
O «predomínio do sector público na banca» significa, no fundo, o feroz controlo do Estado sobre a economia de mercado, ou seja, a guilhotina para a nossa liberdade.
Finalmente, concordo com o «encerramento de todos os off-shores». Se não concordasse, entraria em desprezível contradição comigo próprio, mas se vislumbro aqui qualquer coisa, é mesmo nessa contradição que cai Teresa Bonito, pois esta bloquista parece querer o «imposto sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social» sem que persistam os off-shores já existentes e até cresçam em número por essas ilhas do mundo fora.
Outro aspecto da minha concordância com Teresa Bonito vai «...para as 35 horas semanais» de trabalho, máximo 40: cinco dias para trabalhar e dois para o lazer.
Se alguma vez o povo português fosse alienado ao ponto de dar os votos a pessoas ideologicamente identificadas com Teresa Bonito, Portugal transformar-se-ia num imenso gulag, tipo Coreia do Norte, onde todos seríamos reduzidos à escravização e animalização mais abjectas.
OLHO VIVO
Ler em http://alcochetanidades.blogspot.com "Olho vivo - Cuidado com o político bem falante e sem curriculum profissional".
Por Alcochete.
Por Alcochete.
Plantai e semeai muito!

No passado, várias vezes escrevi neste blogue sobre a plantação de árvores, nomeadamente aqui e aqui.
Num dos textos alimentava expectativas de que os futuros candidatos à câmara de Alcochete inscrevessem nos seus programas a decisão de plantar (ou obrigar a plantar) uma árvore por cada nova dependência habitacional construída.
A menos de três meses da eleição de novos autarcas, não só se desconhecem planos de acção como ainda hoje estou à espera de decisões corajosas desse e doutros géneros. Não promessas mas planos concretos, viáveis e credíveis!
Certamente por coincidência, noutras paragens uma empresa imobiliária acaba de pegar na ideia para promoção comercial.
Continuo aqui, sentado, à beira-rio. E sem ver sequer passar navios!
13 julho 2009
O vira-rosto
Penso comigo
O vira-rosto,
Gesto vendido,
Safado e tosco.
Dou ida e volta
A meu pensar
Sem ver resposta
Boa de dar.
Surgiu-me ideia
Que fundo tem.
Deitas por terra
Preço de alguém,
Coragem de homem
Que falha em ti,
Pese aos que dormem
Ar mandarim,
Mera peçonha,
Isco fatal,
Veste medonha
Que tapa o mal.
João Marafuga
O vira-rosto,
Gesto vendido,
Safado e tosco.
Dou ida e volta
A meu pensar
Sem ver resposta
Boa de dar.
Surgiu-me ideia
Que fundo tem.
Deitas por terra
Preço de alguém,
Coragem de homem
Que falha em ti,
Pese aos que dormem
Ar mandarim,
Mera peçonha,
Isco fatal,
Veste medonha
Que tapa o mal.
João Marafuga
Novidade radiofónica
Está aqui uma notícia que conhecia há muito mas agora é oficial: em Alcochete, SuperFm sucede a Eco FM Rádio (104,8)
11 julho 2009
História da "fábrica do alumínio"
Entre o nascimento e a liquidação da sociedade anónima Alumínio Português (Angola) distam 36 anos atribulados, que principiam num sonho e terminam em lixo e sucata.
Em finais da década de 50 do século passado, o genial projecto cativa mais de quatro centenas de investidores, que decidem aproveitar várias oportunidades de mercado: a abundante bauxite existente em Angola, a construção da barragem hidroeléctrica de Cambambe (no rio Cuanza, província de Cuanza Norte, Angola) e a carência nacional de alumínio laminado para fins industriais.
Mas nada correrá de feição desde o início.
A Alumínio Português (Angola) é fundada em meados de 1958 e a fábrica de Alcochete demorará cerca de cinco anos a iniciar a laboração.
Porém, em Cambambe nunca haverá turbina para alimentar a fábrica que deveria ter sido edificada a poucos quilómetros de distância, no Dondo (província de Cuanza Norte, cerca de 190kms a Sudoeste de Luanda), e, entre finais de 1963 e meados de 1964, a laminagem de Alcochete arranca em pleno com chapa de alumínio importada. Primeiro de França e depois de Espanha.
Frustrada a montagem do ciclo completo de produção, o projecto apresenta debilidades, fica dependente de fornecedores estrangeiros e a sua viabilidade estava em risco.
Daí que os edifícios fronteiros à Praça de Touros de Alcochete representem apenas a terceira e última parte de um gigantesco empreendimento industrial que ficou no papel, pois faltaram duas áreas-chave: o porto para navios de grande tonelagem – que transportariam os lingotes de alumínio de Angola – e a extensa área industrial destinada à sua transformação em chapa.
Hoje nada resta desses planos porque, segundo testemunho de quem participou com mágoa na liquidação do Alumínio Português (Angola), a maqueta foi destruída e as plantas transformadas em desperdícios de papel numa conhecida empresa local da especialidade.
Com altos e baixos, a laminagem de Alcochete laboraria cerca de 30 anos, dando emprego no máximo a 104 trabalhadores. Dedicou-se apenas à transformação de chapas de alumínio com 0,7 milímetros de espessura em laminados industriais de seis ou sete mícron (milésimo de milímetro), destinados a embalagens industriais de vários tipos.
Desconhece a maioria dos portugueses que nessas três décadas se consumiram toneladas de caldos Knorr, bombons e chocolates Regina, Rajá, Aliança e Imperial; milhões de litros de bebidas (vinho, leite, whisky, etc.) e fumaram-se milhões de cigarros da Tabaqueira e da Micaelense de Tabacos (Açores), tudo embalado em 'papel prateado' fabricado em Alcochete.
Com espessuras um pouco superiores, em Alcochete fabricaram-se também milhões de embalagens de alumínio para produtos alimentares, além dos primeiros rolos de papel de alumínio para uso doméstico, cujo invólucro ainda hoje é recordado pelos mais velhos (ver filme acima).
Contudo, a protecção à indústria nacional cessará, obrigatoriamente, em 1985, com a adesão à então CEE (hoje União Europeia), momento a partir do qual as empresas consumidoras de laminados de alumínio se abastecem no estrangeiro, onde os preços são inferiores por motivos de rentabilidade.
Basta referir que, com uma tecnologia ultrapassada e do final da década de cinquenta, 25 anos depois a fábrica de Alcochete laminava chapa à razão de cinco metros por minuto. A Pechiney francesa produzia a 60 metros por minuto.
Agonia lenta
A extinta sociedade anónima Alumínio Português (Angola) existiu por iniciativa e vontade de 446 empresários de vários sectores – de que se destacam a Metalúrgica Alba de Albergaria-a-Velha e a Lusalite de Lisboa – que a constituíram por escritura pública celebrada a 6 de Agosto de 1958, com o objectivo de proceder à exploração da indústria do alumínio em todas as suas modalidades. O capital social inicial era de 33.000.000$00, que poderia ser aumentado até 500.000.000$00.
O empreendimento foi estruturado do seguinte modo:
a) As operações de electrólise, conducentes ao fabrico do alumínio em lingotes e as transformações economicamente adequadas para consumo em Angola e exportação, seriam localizadas em Angola, junto à barragem de Cambambe;
b) Na Metrópole, principal mercado nacional e de exportação, situar-se-ia uma grande fábrica de laminagem, destinada à produção de chapas, folhas, tiras, discos, barras, perfilados, tubos, arames, etc.
O empreendimento em Angola fora planeado para produzir 50.000 toneladas/ano de lingotes, com um consumo médio de electricidade, então equivalente a 2,5 vezes o da cidade de Lisboa, aproveitando, por um lado, a fonte energética de Cambambe e, por outro, a existência em Angola de abundante matéria-prima (bauxite).
O êxito da exploração da fábrica de laminagem em Alcochete estava condicionado ao fornecimento dos lingotes de alumínio produzidos a mais baixo custo na fábrica de electrólise do Dondo, a qual lhe garantiria um preço final largamente competitivo.
O facto de nunca ter existido a fábrica do Dondo criará dificuldades permanentes e insuperáveis à rentabilidade da unidade de laminagem.
Nos relatórios contabilísticos de sucessivos anos, a Alumínio Português (Angola) encerrará as contas do exercício com prejuízo, até à sua dissolução e encerramento a 31 de Outubro de 1994.
Os primeiros anos de actividade serão dominados pela execução dos estudos para a fábrica do Dondo e pelos contratos para a obtenção da energia eléctrica de Cambambe, em estreita colaboração com o grupo francês Pechiney – Compagnie de Produits Chimiques et Electro-Metalurgiques, fornecedor da tecnologia de fabrico.
Em 7 de Abril de 1959 procede-se ao primeiro aumento de capital para 33.000.000$00. Em 8 de Abril de 1961 um consórcio bancário francês, liderado pelo Crédit Lyonnais, celebra um acordo para financiamento da primeira fase da construção da fábrica de alumínio em Angola. O montante do crédito elevar-se-á a cerca de 420.000.000$00.
Mas a 15 de Março de 1961 rebentam os massacres no Norte de Angola, primeiro acto sangrento que virá a despoletar a guerra colonial. Daí em diante a insegurança e o risco em que passam a viver os técnicos e demais pessoal afecto aos estudos e levantamentos dos terrenos do Dondo, tornam cada vez mais difícil avançar com o projecto, acabando por levar à sua suspensão "sine die".
Laminagem de Alcochete usa matéria prima estrangeira
Após a fundação da Alumínio Português (Angola), tornava-se inadiável avançar com o projecto da fábrica de laminagem a instalar no Continente, contando de início com matéria-prima fornecida pela multinacional francesa Pechiney.
Surgem várias propostas de localização da fábrica e a mais favorecida tinha a preferência de um grupo de accionistas ligados a urbanizações e terrenos em Alverca do Ribatejo e Vila Franca de Xira. Um proprietário de Alcochete apresenta um preço despropositado e, para mais, acrescido da exigência de um lugar na administração da empresa.
Torna-se então decisiva a intervenção do dr. Elmano Alves, pessoa com grandes afinidades políticas e sociais no concelho, que convence familiares – co-proprietários da Quinta Nova do Forno da Telha, com 14 hectares, situada à entrada de Alcochete, com frentes para a Praça de Touros, para o rio e para a Estrada Nacional 119 – a venderem esse terreno ao Alumínio por um preço quase simbólico: 25$00 por metro quadrado.
Basta referir que, no balanço do exercício de 1992, os terrenos foram inventariados a 864$28/m2 e, aquando da liquidação da sociedade, em finais de 1994, foram transaccionados a 6.500$/m2.
O jornal «A Voz de Alcochete», edição de Julho de 1959, refere-se elogiosamente ao facto da família Cruz, uma vez mais, ter sabido "limitar os seus lucros e justos interesses a bem da terra e do seu povo. Outros sigam o seu exemplo e, dentro em breve, não haverá crise de trabalho em Alcochete".
Igualmente o jornal «Distrito de Setúbal» dá notícia da compra do "Forno da Telha" pelo Alumínio, nestes termos: "É grande o regozijo da população, que não descansa de encarecer a atitude tomada pelos principais proprietários do terreno escolhido, respectivamente D. Isabel da Silva Cruz e dr. Elmano Alves e mulher, os quais desde a primeira hora se propuseram estabelecer um preço acessível, limitando os seus interesses, com a condição de que esta fábrica não saísse de Alcochete".
O relatório da administração do Alumínio, de Outubro de 1962, dá conta de estar em marcha a construção da fábrica de laminagem em Alcochete, que ficaria apta a produzir no final de 1963. Note-se que a indústria do alumínio estava incluída no III Plano de Fomento do Estado Novo, como única indústria de base para Angola, entre os anos de 1959 e 1964.
Em 20 de Dezembro de 1965 a administração do Alumínio informava que a fábrica de Alcochete, após a montagem da maquinaria, atingia a plenitude das suas potencialidades técnicas, estando apta a abastecer o mercado nacional e a realizar todas as fases intermédias da produção, utilizando papel, cartolina, cartão plástico, etc.
Aguardava-se, todavia, o fornecimento de produto resultante da electrólise de Angola. E negociava-se então (1965), em França, um aumento de capital para 852.000 contos.
A matéria-prima de Angola nunca chegará a Alcochete porque a fábrica do Dondo nem sequer arrancou. Então a Pechiney devolve as acções, que recebera a título de "engeneering" e mais compensações, e o contrato com o grupo francês cessa em 1969.
Em 10 de Junho de 1970 regista-se também o falecimento do dr. Manuel José Lucas de Sousa, grande impulsionador da iniciativa do Alumínio e perda irreparável para a liderança da empresa. Um óbito que marcará o princípio do fim do projecto.
Sonho começa a esfumar-se
Os anos sucedem-se e os resultados negativos também. Apenas em quatro exercícios, em que participou como administrador o dr. José Luís Esteves da Fonseca, se conseguiram resultados equilibrados.
Assim se chega à última assembleia geral de accionistas do Alumínio Português (Angola), em 1993. Então, um grupo liderado pelo dr. Rui Lucas de Sousa – filho do fundador da empresa e desejoso de ocupar o poder – consegue ser proclamado vencedor num escrutínio que deixaria as maiores dúvidas na contagem.
O grupo que assume a administração não tinha capacidade técnica nem gerencial, sobretudo para assegurar os financiamentos da banca. A dívida à Pechiney ascendia então a 153.000 contos e, suspensos os fornecimentos pela multinacional francesa, a administração do Alumínio volta-se para Espanha, celebrando um acordo ruinoso com a Inespal, apenas para manter a laboração.
As vendas passam a fazer-se abaixo dos custos de produção e depressa a dívida ao fornecedor espanhol se eleva a 100.000 contos. A maioria dos encarregados da fábrica tem quase 30 anos de serviço, restam cerca de 90 empregados, a tecnologia é obsoleta e não há dinheiro para a reconversão. Aproxima-se o fim.
No 1.º trimestre de 1994 acaba-se o stock de matéria-prima e em Agosto seguinte – quando a fábrica está encerrada para férias, como sempre foi tradição – demitem-se três dos cinco administradores. Cessa o pagamento de vencimentos e, em Setembro, quando o pessoal regressa à fábrica, também os telefones estão cortados por falta de pagamento.
Com dívidas acumuladas de 850.000 contos, a situação atinge o ponto de ruptura e, dada a incapacidade manifesta, a administração do Alumínio é forçada a precipitar a liquidação quando a Pechiney pede a falência (o seu advogado era o ex-ministro centrista do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes). Também a espanhola Inespal se preparava para interpor outra acção judicial.
Sem quorum para tomar decisões, os dois administradores em funções decidem co-optar um terceiro elemento, o trabalhador e encarregado de desenho sr. Joaquim Pereira (actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete). Sem direito a vencimento mas com 100 acções cedidas por accionistas, de modo a reunir as condições estatutárias para o desempenho do cargo.
É ele que, em ligação com o advogado António José Silva e Sousa, contratado para o efeito, virá a tratar de pagar algumas dívidas a fornecedores e ao Estado, bem como as indemnizações aos trabalhadores, mediante a venda do património (dois terrenos em Alcochete, o maior dos quais o das instalações situadas defronte da Praça de Touros).
O terreno mais pequeno, na Estrada Nacional 119, quase defronte da fábrica Crown, Cork & Seal, renderá 25.000 contos, apenas suficientes para liquidar ordenados em atraso a nove empregados da sede de Lisboa. Os cerca de 90 trabalhadores de Alcochete recorrem ao Fundo de Desemprego.
O terreno da fábrica é vendido por 560.000 contos, a liquidar em três prestações, a última e maior das quais dependente da entrega das instalações devolutas. O valor apurado não chega para cobrir as dívidas de 850.000 contos, mas os cerca de 90 empregados que se mantêm até ao final receberão 1,3 meses de ordenado por cada ano de trabalho, a título de indemnização, um pouco acima do mínimo legal na época. Também os aposentados são contemplados, aos quais a empresa sempre pagara um complemento de reforma.
As velhas máquinas vendem-se para sucata, à razão de 4$00/kg. Só a máquina de laminagem custara, 30 anos antes, cerca de 700.000 contos.
A Alumínio Português (Angola) é liquidada a 31 de Outubro de 1994, quando as chaves da fábrica de Alcochete são entregues ao adquirente do terreno, que por ele pagou 560.000 contos e pouco tempo depois o renegociaria por 1.000.000 de contos. A extinção legal da empresa é declarada no «Diário da República» cerca de um ano depois.
Assim se desfaz em sucata e lixo um belo sonho industrial, planeado para ter grandes fábricas no Dondo e em Alcochete.
Com a Alumínio Português (Angola) desaparece também uma das últimas fábricas do período do eng.º João Maria Ferreira do Amaral, que alicerçaram a industrialização deste concelho.
Desapareceria ainda a única unidade industrial portuguesa de laminagem de alumínio. Até hoje, em território nacional nenhuma outra a substituiu.
Nota de rodapé - Persegui esta história durante três anos. Graças à colaboração do dr. Elmano Alves (ex-accionista) e do sr. Joaquim Pereira (ex-desenhador, encarregado e administrador), em 2003 tive a possibilidade de atingir o objectivo, tendo publicado originalmente este texto no extinto portal «Tágides».
Contribuíram ainda o Sr. Henrique Oliveira, do sítio da Internet Prof2000 (espaço «Aveiro e Cultura») Imagem digital, que então me autorizou a reprodução de imagens da Barragem de Cambambe (propriedade de Ivo Cardoso) e do mapa de Angola assinalando a localização da mesma; bem como o Sr. Francisco Garrancho, que me cedeu duas imagens pessoais obtidas com cerca de 20 anos de intervalo no interior da fábrica de Alcochete (incluídas no filme acima).
A todos agradeço a colaboração.
Em finais da década de 50 do século passado, o genial projecto cativa mais de quatro centenas de investidores, que decidem aproveitar várias oportunidades de mercado: a abundante bauxite existente em Angola, a construção da barragem hidroeléctrica de Cambambe (no rio Cuanza, província de Cuanza Norte, Angola) e a carência nacional de alumínio laminado para fins industriais.
Mas nada correrá de feição desde o início.
A Alumínio Português (Angola) é fundada em meados de 1958 e a fábrica de Alcochete demorará cerca de cinco anos a iniciar a laboração.
Porém, em Cambambe nunca haverá turbina para alimentar a fábrica que deveria ter sido edificada a poucos quilómetros de distância, no Dondo (província de Cuanza Norte, cerca de 190kms a Sudoeste de Luanda), e, entre finais de 1963 e meados de 1964, a laminagem de Alcochete arranca em pleno com chapa de alumínio importada. Primeiro de França e depois de Espanha.
Frustrada a montagem do ciclo completo de produção, o projecto apresenta debilidades, fica dependente de fornecedores estrangeiros e a sua viabilidade estava em risco.
Daí que os edifícios fronteiros à Praça de Touros de Alcochete representem apenas a terceira e última parte de um gigantesco empreendimento industrial que ficou no papel, pois faltaram duas áreas-chave: o porto para navios de grande tonelagem – que transportariam os lingotes de alumínio de Angola – e a extensa área industrial destinada à sua transformação em chapa.
Hoje nada resta desses planos porque, segundo testemunho de quem participou com mágoa na liquidação do Alumínio Português (Angola), a maqueta foi destruída e as plantas transformadas em desperdícios de papel numa conhecida empresa local da especialidade.
Com altos e baixos, a laminagem de Alcochete laboraria cerca de 30 anos, dando emprego no máximo a 104 trabalhadores. Dedicou-se apenas à transformação de chapas de alumínio com 0,7 milímetros de espessura em laminados industriais de seis ou sete mícron (milésimo de milímetro), destinados a embalagens industriais de vários tipos.
Desconhece a maioria dos portugueses que nessas três décadas se consumiram toneladas de caldos Knorr, bombons e chocolates Regina, Rajá, Aliança e Imperial; milhões de litros de bebidas (vinho, leite, whisky, etc.) e fumaram-se milhões de cigarros da Tabaqueira e da Micaelense de Tabacos (Açores), tudo embalado em 'papel prateado' fabricado em Alcochete.
Com espessuras um pouco superiores, em Alcochete fabricaram-se também milhões de embalagens de alumínio para produtos alimentares, além dos primeiros rolos de papel de alumínio para uso doméstico, cujo invólucro ainda hoje é recordado pelos mais velhos (ver filme acima).
Contudo, a protecção à indústria nacional cessará, obrigatoriamente, em 1985, com a adesão à então CEE (hoje União Europeia), momento a partir do qual as empresas consumidoras de laminados de alumínio se abastecem no estrangeiro, onde os preços são inferiores por motivos de rentabilidade.
Basta referir que, com uma tecnologia ultrapassada e do final da década de cinquenta, 25 anos depois a fábrica de Alcochete laminava chapa à razão de cinco metros por minuto. A Pechiney francesa produzia a 60 metros por minuto.
Agonia lenta
A extinta sociedade anónima Alumínio Português (Angola) existiu por iniciativa e vontade de 446 empresários de vários sectores – de que se destacam a Metalúrgica Alba de Albergaria-a-Velha e a Lusalite de Lisboa – que a constituíram por escritura pública celebrada a 6 de Agosto de 1958, com o objectivo de proceder à exploração da indústria do alumínio em todas as suas modalidades. O capital social inicial era de 33.000.000$00, que poderia ser aumentado até 500.000.000$00.
O empreendimento foi estruturado do seguinte modo:
a) As operações de electrólise, conducentes ao fabrico do alumínio em lingotes e as transformações economicamente adequadas para consumo em Angola e exportação, seriam localizadas em Angola, junto à barragem de Cambambe;
b) Na Metrópole, principal mercado nacional e de exportação, situar-se-ia uma grande fábrica de laminagem, destinada à produção de chapas, folhas, tiras, discos, barras, perfilados, tubos, arames, etc.
O empreendimento em Angola fora planeado para produzir 50.000 toneladas/ano de lingotes, com um consumo médio de electricidade, então equivalente a 2,5 vezes o da cidade de Lisboa, aproveitando, por um lado, a fonte energética de Cambambe e, por outro, a existência em Angola de abundante matéria-prima (bauxite).
O êxito da exploração da fábrica de laminagem em Alcochete estava condicionado ao fornecimento dos lingotes de alumínio produzidos a mais baixo custo na fábrica de electrólise do Dondo, a qual lhe garantiria um preço final largamente competitivo.
O facto de nunca ter existido a fábrica do Dondo criará dificuldades permanentes e insuperáveis à rentabilidade da unidade de laminagem.
Nos relatórios contabilísticos de sucessivos anos, a Alumínio Português (Angola) encerrará as contas do exercício com prejuízo, até à sua dissolução e encerramento a 31 de Outubro de 1994.
Os primeiros anos de actividade serão dominados pela execução dos estudos para a fábrica do Dondo e pelos contratos para a obtenção da energia eléctrica de Cambambe, em estreita colaboração com o grupo francês Pechiney – Compagnie de Produits Chimiques et Electro-Metalurgiques, fornecedor da tecnologia de fabrico.
Em 7 de Abril de 1959 procede-se ao primeiro aumento de capital para 33.000.000$00. Em 8 de Abril de 1961 um consórcio bancário francês, liderado pelo Crédit Lyonnais, celebra um acordo para financiamento da primeira fase da construção da fábrica de alumínio em Angola. O montante do crédito elevar-se-á a cerca de 420.000.000$00.
Mas a 15 de Março de 1961 rebentam os massacres no Norte de Angola, primeiro acto sangrento que virá a despoletar a guerra colonial. Daí em diante a insegurança e o risco em que passam a viver os técnicos e demais pessoal afecto aos estudos e levantamentos dos terrenos do Dondo, tornam cada vez mais difícil avançar com o projecto, acabando por levar à sua suspensão "sine die".
Laminagem de Alcochete usa matéria prima estrangeira
Após a fundação da Alumínio Português (Angola), tornava-se inadiável avançar com o projecto da fábrica de laminagem a instalar no Continente, contando de início com matéria-prima fornecida pela multinacional francesa Pechiney.
Surgem várias propostas de localização da fábrica e a mais favorecida tinha a preferência de um grupo de accionistas ligados a urbanizações e terrenos em Alverca do Ribatejo e Vila Franca de Xira. Um proprietário de Alcochete apresenta um preço despropositado e, para mais, acrescido da exigência de um lugar na administração da empresa.
Torna-se então decisiva a intervenção do dr. Elmano Alves, pessoa com grandes afinidades políticas e sociais no concelho, que convence familiares – co-proprietários da Quinta Nova do Forno da Telha, com 14 hectares, situada à entrada de Alcochete, com frentes para a Praça de Touros, para o rio e para a Estrada Nacional 119 – a venderem esse terreno ao Alumínio por um preço quase simbólico: 25$00 por metro quadrado.
Basta referir que, no balanço do exercício de 1992, os terrenos foram inventariados a 864$28/m2 e, aquando da liquidação da sociedade, em finais de 1994, foram transaccionados a 6.500$/m2.
O jornal «A Voz de Alcochete», edição de Julho de 1959, refere-se elogiosamente ao facto da família Cruz, uma vez mais, ter sabido "limitar os seus lucros e justos interesses a bem da terra e do seu povo. Outros sigam o seu exemplo e, dentro em breve, não haverá crise de trabalho em Alcochete".
Igualmente o jornal «Distrito de Setúbal» dá notícia da compra do "Forno da Telha" pelo Alumínio, nestes termos: "É grande o regozijo da população, que não descansa de encarecer a atitude tomada pelos principais proprietários do terreno escolhido, respectivamente D. Isabel da Silva Cruz e dr. Elmano Alves e mulher, os quais desde a primeira hora se propuseram estabelecer um preço acessível, limitando os seus interesses, com a condição de que esta fábrica não saísse de Alcochete".
O relatório da administração do Alumínio, de Outubro de 1962, dá conta de estar em marcha a construção da fábrica de laminagem em Alcochete, que ficaria apta a produzir no final de 1963. Note-se que a indústria do alumínio estava incluída no III Plano de Fomento do Estado Novo, como única indústria de base para Angola, entre os anos de 1959 e 1964.
Em 20 de Dezembro de 1965 a administração do Alumínio informava que a fábrica de Alcochete, após a montagem da maquinaria, atingia a plenitude das suas potencialidades técnicas, estando apta a abastecer o mercado nacional e a realizar todas as fases intermédias da produção, utilizando papel, cartolina, cartão plástico, etc.
Aguardava-se, todavia, o fornecimento de produto resultante da electrólise de Angola. E negociava-se então (1965), em França, um aumento de capital para 852.000 contos.
A matéria-prima de Angola nunca chegará a Alcochete porque a fábrica do Dondo nem sequer arrancou. Então a Pechiney devolve as acções, que recebera a título de "engeneering" e mais compensações, e o contrato com o grupo francês cessa em 1969.
Em 10 de Junho de 1970 regista-se também o falecimento do dr. Manuel José Lucas de Sousa, grande impulsionador da iniciativa do Alumínio e perda irreparável para a liderança da empresa. Um óbito que marcará o princípio do fim do projecto.
Sonho começa a esfumar-se
Os anos sucedem-se e os resultados negativos também. Apenas em quatro exercícios, em que participou como administrador o dr. José Luís Esteves da Fonseca, se conseguiram resultados equilibrados.
Assim se chega à última assembleia geral de accionistas do Alumínio Português (Angola), em 1993. Então, um grupo liderado pelo dr. Rui Lucas de Sousa – filho do fundador da empresa e desejoso de ocupar o poder – consegue ser proclamado vencedor num escrutínio que deixaria as maiores dúvidas na contagem.
O grupo que assume a administração não tinha capacidade técnica nem gerencial, sobretudo para assegurar os financiamentos da banca. A dívida à Pechiney ascendia então a 153.000 contos e, suspensos os fornecimentos pela multinacional francesa, a administração do Alumínio volta-se para Espanha, celebrando um acordo ruinoso com a Inespal, apenas para manter a laboração.
As vendas passam a fazer-se abaixo dos custos de produção e depressa a dívida ao fornecedor espanhol se eleva a 100.000 contos. A maioria dos encarregados da fábrica tem quase 30 anos de serviço, restam cerca de 90 empregados, a tecnologia é obsoleta e não há dinheiro para a reconversão. Aproxima-se o fim.
No 1.º trimestre de 1994 acaba-se o stock de matéria-prima e em Agosto seguinte – quando a fábrica está encerrada para férias, como sempre foi tradição – demitem-se três dos cinco administradores. Cessa o pagamento de vencimentos e, em Setembro, quando o pessoal regressa à fábrica, também os telefones estão cortados por falta de pagamento.
Com dívidas acumuladas de 850.000 contos, a situação atinge o ponto de ruptura e, dada a incapacidade manifesta, a administração do Alumínio é forçada a precipitar a liquidação quando a Pechiney pede a falência (o seu advogado era o ex-ministro centrista do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes). Também a espanhola Inespal se preparava para interpor outra acção judicial.
Sem quorum para tomar decisões, os dois administradores em funções decidem co-optar um terceiro elemento, o trabalhador e encarregado de desenho sr. Joaquim Pereira (actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete). Sem direito a vencimento mas com 100 acções cedidas por accionistas, de modo a reunir as condições estatutárias para o desempenho do cargo.
É ele que, em ligação com o advogado António José Silva e Sousa, contratado para o efeito, virá a tratar de pagar algumas dívidas a fornecedores e ao Estado, bem como as indemnizações aos trabalhadores, mediante a venda do património (dois terrenos em Alcochete, o maior dos quais o das instalações situadas defronte da Praça de Touros).
O terreno mais pequeno, na Estrada Nacional 119, quase defronte da fábrica Crown, Cork & Seal, renderá 25.000 contos, apenas suficientes para liquidar ordenados em atraso a nove empregados da sede de Lisboa. Os cerca de 90 trabalhadores de Alcochete recorrem ao Fundo de Desemprego.
O terreno da fábrica é vendido por 560.000 contos, a liquidar em três prestações, a última e maior das quais dependente da entrega das instalações devolutas. O valor apurado não chega para cobrir as dívidas de 850.000 contos, mas os cerca de 90 empregados que se mantêm até ao final receberão 1,3 meses de ordenado por cada ano de trabalho, a título de indemnização, um pouco acima do mínimo legal na época. Também os aposentados são contemplados, aos quais a empresa sempre pagara um complemento de reforma.
As velhas máquinas vendem-se para sucata, à razão de 4$00/kg. Só a máquina de laminagem custara, 30 anos antes, cerca de 700.000 contos.
A Alumínio Português (Angola) é liquidada a 31 de Outubro de 1994, quando as chaves da fábrica de Alcochete são entregues ao adquirente do terreno, que por ele pagou 560.000 contos e pouco tempo depois o renegociaria por 1.000.000 de contos. A extinção legal da empresa é declarada no «Diário da República» cerca de um ano depois.
Assim se desfaz em sucata e lixo um belo sonho industrial, planeado para ter grandes fábricas no Dondo e em Alcochete.
Com a Alumínio Português (Angola) desaparece também uma das últimas fábricas do período do eng.º João Maria Ferreira do Amaral, que alicerçaram a industrialização deste concelho.
Desapareceria ainda a única unidade industrial portuguesa de laminagem de alumínio. Até hoje, em território nacional nenhuma outra a substituiu.
Nota de rodapé - Persegui esta história durante três anos. Graças à colaboração do dr. Elmano Alves (ex-accionista) e do sr. Joaquim Pereira (ex-desenhador, encarregado e administrador), em 2003 tive a possibilidade de atingir o objectivo, tendo publicado originalmente este texto no extinto portal «Tágides».
Contribuíram ainda o Sr. Henrique Oliveira, do sítio da Internet Prof2000 (espaço «Aveiro e Cultura») Imagem digital, que então me autorizou a reprodução de imagens da Barragem de Cambambe (propriedade de Ivo Cardoso) e do mapa de Angola assinalando a localização da mesma; bem como o Sr. Francisco Garrancho, que me cedeu duas imagens pessoais obtidas com cerca de 20 anos de intervalo no interior da fábrica de Alcochete (incluídas no filme acima).
A todos agradeço a colaboração.
10 julho 2009
Quebra na receita do imobiliário
Porque a vida municipal parece circunscrita a subsídios, panegíricos e cortinas de fumo, pouca gente repara em pormenores. Mas alguns estão disponíveis e não deveriam passar despercebidos.
Leia-se nesta acta da sessão de câmara, realizada a 9 de Junho passado, o capítulo "Autorização para adesão ao financiamento no âmbito do programa de regularização extraordinária de dívidas ao Estado para as regiões autónomas e municípios - autorização de consulta às instituições de crédito e celebração de candidatura".
Entre outras coisas, aí se escreve que, a 31 de Maio último, verificava-se "uma diminuição significativa das receitas próprias municipais, nomeadamente as provenientes dos loteamentos e obras no montante de €1.046.626,80 e do Imposto Municipal
sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis no montante de €897.492,64, representando uma quebra da receita global de cerca de €1.900.000,00, e um agravamento do prazo médio de pagamentos [a fornecedores] de 151 dias publicado pela DGAL e reportado a 31/12/2008".
É bom recordar que o orçamento do ano corrente previa receitas de 18.893.795€ e que se desconhece se a quebra de receitas apontada se reporta apenas aos primeiros cinco meses do ano ou a qualquer outro lapso de tempo.
Espero que ninguém diga, mais tarde, desconhecer isto...
Leia-se nesta acta da sessão de câmara, realizada a 9 de Junho passado, o capítulo "Autorização para adesão ao financiamento no âmbito do programa de regularização extraordinária de dívidas ao Estado para as regiões autónomas e municípios - autorização de consulta às instituições de crédito e celebração de candidatura".
Entre outras coisas, aí se escreve que, a 31 de Maio último, verificava-se "uma diminuição significativa das receitas próprias municipais, nomeadamente as provenientes dos loteamentos e obras no montante de €1.046.626,80 e do Imposto Municipal
sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis no montante de €897.492,64, representando uma quebra da receita global de cerca de €1.900.000,00, e um agravamento do prazo médio de pagamentos [a fornecedores] de 151 dias publicado pela DGAL e reportado a 31/12/2008".
É bom recordar que o orçamento do ano corrente previa receitas de 18.893.795€ e que se desconhece se a quebra de receitas apontada se reporta apenas aos primeiros cinco meses do ano ou a qualquer outro lapso de tempo.
Espero que ninguém diga, mais tarde, desconhecer isto...
Marafuga a Patrícia (4)
Pergunta a Patrícia: «...mas onde diz que o ateísmo é o contrário do Cristianismo?». Ateísmo tem a ver com a negação de Deus. Ora eu não estou a ver que a Confissão Cristã possa coabitar com o ateísmo, ainda que este, segundo alguns, possa incorporar traços religiosos. Em suma, não há ateísmo cristão, razão por que ser ateu e ser cristão são posturas inconciliáveis.
Depois quer saber a Patrícia «...por que razão o ateísmo [...] é grave». O ateísmo é grave porque não se pode negar Deus sem se negar o homem, isto é, sem estarmos a reduzir este último à condição mais degradante alguma vez imaginada. O homem nega Deus para se pôr no lugar d'Ele, atitude desafiadora (hybris) que só pode ter um nome: soberba (superbia). Esta cega-nos ao mais ínfimo grau. É mesmo isto que se vê no Édipo Rei. O que é central nesta tragédia de Sófocles não é o tema do incesto, mas sim o da soberba. Para os Gregos, também para os Romanos, o destino era inexorável, acima dos homens e dos próprios deuses. O crime de Édipo, na mentalidade de um grego da polis ateniense, foi pretender desinscrever o que tinha sido inscrito desde sempre pelo destino. É deste que fala a religião, «...seja para que [o homem] se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã s[ão] filosofias da liberdade» (Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995).
Édipo vê-se sem saída no círculo que lhe limita a vida, isto é, Édipo é vítima da concepção arcaica do tempo, mas este, para o cristianismo é levantarmo-nos e seguirmos o caminho em frente («surge et ambula!», diz Cristo aos paralíticos que todos somos no atavismo das nossas vidas).
O rei Édipo tinha que sucumbir a fim de devolver à cidade de Tebas o alívio por esta tão desejado. Este é o mecanismo do bode expiatório, mas Cristo, a última vítima sacrificial, vira o bico ao prego, afirma-se inocente e proclama que cada um de nós é responsável por todas as nossas aflições. É aqui que entra o conceito cristão de pecado. Em Memorial do Convento do comunista assumido José Saramago, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar». Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente: «O pecado não existe...». Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo marxista que reduz à luta de classes toda a História.
A irreverência de Patrícia tem raízes no Renascimento. Neste, o homem é colocado nos píncaros dos montes como se Deus fosse. É a isto que chamamos antropocentrismo, verdadeira conversio ad creaturam: o homem é o novo bezerro de oiro de si próprio.
A ciência, cujo reino é a horizontalidade porque se debruça sobre coisas, arvora-se cada vez mais em recurso único para tudo. Ela arrasaria todas as barreiras e nela estaria a tão desejada felicidade. Esta, porém, só é possível pela submissão a Cristo, o Sentido encarnado, enfim, a estrutura da realidade. Só assim a carne do homem e a carne do mundo ficariam redimensionadas à imagem e semelhança do Criador sem que a Civilização Cristã sofresse roturas capazes de a fazer precipitar no abismo.
O resto que a Patrícia diz é relativismo pernicioso que de todos nós faz títeres cujos titereiros outra coisa não querem senão amarrar o homem à escravização e animalização definitivas.
Depois quer saber a Patrícia «...por que razão o ateísmo [...] é grave». O ateísmo é grave porque não se pode negar Deus sem se negar o homem, isto é, sem estarmos a reduzir este último à condição mais degradante alguma vez imaginada. O homem nega Deus para se pôr no lugar d'Ele, atitude desafiadora (hybris) que só pode ter um nome: soberba (superbia). Esta cega-nos ao mais ínfimo grau. É mesmo isto que se vê no Édipo Rei. O que é central nesta tragédia de Sófocles não é o tema do incesto, mas sim o da soberba. Para os Gregos, também para os Romanos, o destino era inexorável, acima dos homens e dos próprios deuses. O crime de Édipo, na mentalidade de um grego da polis ateniense, foi pretender desinscrever o que tinha sido inscrito desde sempre pelo destino. É deste que fala a religião, «...seja para que [o homem] se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã s[ão] filosofias da liberdade» (Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995).
Édipo vê-se sem saída no círculo que lhe limita a vida, isto é, Édipo é vítima da concepção arcaica do tempo, mas este, para o cristianismo é levantarmo-nos e seguirmos o caminho em frente («surge et ambula!», diz Cristo aos paralíticos que todos somos no atavismo das nossas vidas).
O rei Édipo tinha que sucumbir a fim de devolver à cidade de Tebas o alívio por esta tão desejado. Este é o mecanismo do bode expiatório, mas Cristo, a última vítima sacrificial, vira o bico ao prego, afirma-se inocente e proclama que cada um de nós é responsável por todas as nossas aflições. É aqui que entra o conceito cristão de pecado. Em Memorial do Convento do comunista assumido José Saramago, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar». Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente: «O pecado não existe...». Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo marxista que reduz à luta de classes toda a História.
A irreverência de Patrícia tem raízes no Renascimento. Neste, o homem é colocado nos píncaros dos montes como se Deus fosse. É a isto que chamamos antropocentrismo, verdadeira conversio ad creaturam: o homem é o novo bezerro de oiro de si próprio.
A ciência, cujo reino é a horizontalidade porque se debruça sobre coisas, arvora-se cada vez mais em recurso único para tudo. Ela arrasaria todas as barreiras e nela estaria a tão desejada felicidade. Esta, porém, só é possível pela submissão a Cristo, o Sentido encarnado, enfim, a estrutura da realidade. Só assim a carne do homem e a carne do mundo ficariam redimensionadas à imagem e semelhança do Criador sem que a Civilização Cristã sofresse roturas capazes de a fazer precipitar no abismo.
O resto que a Patrícia diz é relativismo pernicioso que de todos nós faz títeres cujos titereiros outra coisa não querem senão amarrar o homem à escravização e animalização definitivas.
09 julho 2009
Marafuga a Patrícia (3)
A Patrícia queixa-se de que eu «...ref[iro] constantemente o Cristianismo e os seus valores como sendo os valores da Sociedade Ocidental» sic. Ora se a Sociedade Ocidental é a civilização judaico-cristã, como me poderei furtar ao facto denunciado pela Patrícia? Se os valores da Sociedade Ocidental não são os cristãos, quais são então os valores dessa Sociedade? É capaz de me esclarecer? Se o nosso debate não partir de uma plataforma mínima de cientificidade, não estamos aqui a fazer nada a debater.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelas próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelas próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.
08 julho 2009
A arma do povo
Respigo deste artigo de opinião de Paulo Morais, ex-autarca do Porto (dica de ASul), uma passagem aplicável nestas paragens:"Na maioria dos municípios, as câmaras continuarão a esquecer o que deveria ser a sua missão primordial: conservar e manter o espaço público e gerir harmoniosamente o território. Por outro lado, o urbanismo permanecerá refém das negociatas com os empreiteiros do regime e continuarão a acumular-se tachos e empregos para os apaniguados do partido. Com excepções - é certo - irá deteriorar-se a qualidade de vida, degradar-se-á ainda mais a paisagem, enquanto se fortalecem os mais perversos interesses.
"Há que reescrever o enredo desta tragicomédia. Só um sobressalto cívico nos pode tirar deste torpor que nos encaminha para o abismo. O povo dispõe ainda dessa arma poderosa, o voto, que deve usar de forma inteligente e estratégica. Mais do que nunca, o voto de protesto, de apoio aos sinais da mudança, é o único eficaz. As eleições já não são o acto em que o povo escolhe quem comanda os seus destinos. Mas são ainda o momento em que, pelo menos, podemos decidir quem não manda".
A imagem acima foi retirada daqui (excelente biblioteca digital)
Praia dos Moinhos
Água-Tejo à ondinha,
A beijar os meus pés,
Que saudade a minha
Do mar de lés-a-lés.
Longe a ponte da seca,
Vou além sobre a areia,
Desvio da alforreca,
Oiço a voz da sereia.
«Nunca mais cantará
Poeta ameno rio.
Tubarão sondará
Praia de fio a fio!».
Coração fulminado,
Aflito, sem saber
Em momento apertado
À vida que fazer,
Ergui meu rosto ao céu
Contra tal profecia,
A ver se rompo o véu
Que o povo ludibria.
A beijar os meus pés,
Que saudade a minha
Do mar de lés-a-lés.
Longe a ponte da seca,
Vou além sobre a areia,
Desvio da alforreca,
Oiço a voz da sereia.
«Nunca mais cantará
Poeta ameno rio.
Tubarão sondará
Praia de fio a fio!».
Coração fulminado,
Aflito, sem saber
Em momento apertado
À vida que fazer,
Ergui meu rosto ao céu
Contra tal profecia,
A ver se rompo o véu
Que o povo ludibria.
Detesto mistificações
Centenas e centenas de alcochetanos sempre souberam a localização exacta do Poço de São João.
O meu sogro, velho salineiro de oitenta e tantos anos, analfabeto, vivinho da silva, apontaria com o dedo, sem hesitação nenhuma, a qualquer sr. engenheiro da câmara, o sítio por baixo do qual as escavações encontrariam o poço.
Vem isto a propósito do que se pode ler no Jornal de Alcochete (08-07-09) que reza assim: «Com recurso a fotografias antigas do Largo de São João, os trabalhadores da Câmara Municipal já identificaram a localização da estrutura e iniciaram os trabalhos de escavação» (itálico meu).
Até parece que querem dar a entender às pessoas que houve um trabalho meticuloso e árduo de arqueologia, o que se me afigura verdadeiramente ridículo.
Acabemos esta nótula com um registo mais sério, transcrevendo uma quadra do grande João Ferreira Rosa, alcochetano de coração: «Bebi a água do poço/do poço de São João/comi fogaça ao almoço/ e bebi vinho ao serão».
O meu sogro, velho salineiro de oitenta e tantos anos, analfabeto, vivinho da silva, apontaria com o dedo, sem hesitação nenhuma, a qualquer sr. engenheiro da câmara, o sítio por baixo do qual as escavações encontrariam o poço.
Vem isto a propósito do que se pode ler no Jornal de Alcochete (08-07-09) que reza assim: «Com recurso a fotografias antigas do Largo de São João, os trabalhadores da Câmara Municipal já identificaram a localização da estrutura e iniciaram os trabalhos de escavação» (itálico meu).
Até parece que querem dar a entender às pessoas que houve um trabalho meticuloso e árduo de arqueologia, o que se me afigura verdadeiramente ridículo.
Acabemos esta nótula com um registo mais sério, transcrevendo uma quadra do grande João Ferreira Rosa, alcochetano de coração: «Bebi a água do poço/do poço de São João/comi fogaça ao almoço/ e bebi vinho ao serão».
07 julho 2009
Campeões Distritais
Sob a égide da Associação de Futebol de Setúbal (AFS), decorreu no passado Sábado, dia 04 de Julho, no Fórum Cultural de Alcochete, a Festa de Encerramento das Actividades desta Associação relativas a 2008/2009.
Nesta cerimónia foram entregues os prémios aos vencedores dos Torneios e Fases Complementares, sendo que as notas de grande destaque recaíram sobre o Sport Clube Samouco que se sagrou Campeão Distrital de Futsal na categoria de Júniores Femininos, o Grupo Desportivo Alcochetense - Campeão Distrital da 1ª.Divisão Séniores em Futebol 11 e a Homenagem simbólica mas profundamente sentida ao Treinador de Futebol - Carlos Cardoso, natural de Setúbal.
Foi com exaltação com que assisti à entrega destes prémios mormente destes dois em particular e que afectam profundamente o nosso Concelho.
Parabéns às duas colectividades, às respectivas equipas técnicas, jogadores e jogadoras, dirigentes e sobretudo aos respectivos associados pelo apoio dispensado.
Nesta cerimónia foram entregues os prémios aos vencedores dos Torneios e Fases Complementares, sendo que as notas de grande destaque recaíram sobre o Sport Clube Samouco que se sagrou Campeão Distrital de Futsal na categoria de Júniores Femininos, o Grupo Desportivo Alcochetense - Campeão Distrital da 1ª.Divisão Séniores em Futebol 11 e a Homenagem simbólica mas profundamente sentida ao Treinador de Futebol - Carlos Cardoso, natural de Setúbal.
Foi com exaltação com que assisti à entrega destes prémios mormente destes dois em particular e que afectam profundamente o nosso Concelho.
Parabéns às duas colectividades, às respectivas equipas técnicas, jogadores e jogadoras, dirigentes e sobretudo aos respectivos associados pelo apoio dispensado.
Jogada eleitoral
Nos últimos três anos, inúmeras vezes sugeri alternativas e reclamei dos critérios de arborização seguidos pelo município, nomeadamente a "palmeirização" do concelho. Leia isto, isto, isto, isto, isto e isto, por exemplo.
Estamos a três meses de decidir se ficam estes autarcas no poder executivo ou vêm outros e só à beira de eleições verifico que alguma coisa mudou, num derradeiro esforço para que tudo fique na mesma.
A prova está aqui. Em muitos anos é a primeira vez que, no sítio do município na Internet, deparo com informação substancial sobre critérios de arborização.
Quando as coisas são bem feitas não se devem regatear aplausos. Lamentável é que este afã tardio só possa ser interpretado como jogada eleitoral.
Espere pelas cenas dos próximos capítulos, porque nunca vi tanto funcionário municipal na rua!
Aproveite a onda e reclame do buraco ou de qualquer coisa errada na artéria onde reside. Entre no jogo do poder porque só terá nova oportunidade em 2013!
Estamos a três meses de decidir se ficam estes autarcas no poder executivo ou vêm outros e só à beira de eleições verifico que alguma coisa mudou, num derradeiro esforço para que tudo fique na mesma.
A prova está aqui. Em muitos anos é a primeira vez que, no sítio do município na Internet, deparo com informação substancial sobre critérios de arborização.
Quando as coisas são bem feitas não se devem regatear aplausos. Lamentável é que este afã tardio só possa ser interpretado como jogada eleitoral.
Espere pelas cenas dos próximos capítulos, porque nunca vi tanto funcionário municipal na rua!
Aproveite a onda e reclame do buraco ou de qualquer coisa errada na artéria onde reside. Entre no jogo do poder porque só terá nova oportunidade em 2013!
06 julho 2009
Exploração da ignorância
Para mim, um dos grandes crimes dos comunistas assenta na exploração da ignorância.
Por exemplo, os comunistas de Alcochete geminaram a nossa terra com uma localidade da Coreia do Norte. Mas será que foi dito aos alcochetanos que os camaradas da Coreia do Norte já mataram dois milhões (2.000.000) de coreanos para se solidificarem no poder?
Outra pergunta: nas campanhas para todas as legislativas por essas aldeias do Alentejo fora, os comunistas alguma vez explicaram claramente à base do seu eleitorado que, instalados na Assembleia da República, estão dispostos a aprovar e/ou deixar passar projectos a favor do "casamento" entre homossexuais? Claro que não.
A ideia venenosa que se passa para as pessoas é que cada um é livre de fazer a opção sexual que quiser, podendo - dizem - coabitar as novas formas de viver a sexualidade e a instituição família, quando o verdadeiro objectivo é destruir pelos alicerces esta última, uma vez que o comunismo não pode progredir sem aniquilar os valores da principal célula da Civilização Ocidental Judaico-Cristã: propriedade privada, poder sobre a educação dos filhos, direito de herança, etc.
Por exemplo, os comunistas de Alcochete geminaram a nossa terra com uma localidade da Coreia do Norte. Mas será que foi dito aos alcochetanos que os camaradas da Coreia do Norte já mataram dois milhões (2.000.000) de coreanos para se solidificarem no poder?
Outra pergunta: nas campanhas para todas as legislativas por essas aldeias do Alentejo fora, os comunistas alguma vez explicaram claramente à base do seu eleitorado que, instalados na Assembleia da República, estão dispostos a aprovar e/ou deixar passar projectos a favor do "casamento" entre homossexuais? Claro que não.
A ideia venenosa que se passa para as pessoas é que cada um é livre de fazer a opção sexual que quiser, podendo - dizem - coabitar as novas formas de viver a sexualidade e a instituição família, quando o verdadeiro objectivo é destruir pelos alicerces esta última, uma vez que o comunismo não pode progredir sem aniquilar os valores da principal célula da Civilização Ocidental Judaico-Cristã: propriedade privada, poder sobre a educação dos filhos, direito de herança, etc.
05 julho 2009
PLANO ESTRATÉGICO DE ALCOCHETE – 2025
Devido ao constrangimento do tráfego na Ponte Vasco da Gama não pude assistir à apresentação documental do que foi denominado no encontro da passada 6 feira, como Carta Magna Estratégica para Alcochete, mas pude assistir à parte final da apresentação e ao pequeno debate que se seguiu.
Retive a ideia que este evento vem no seguimento do cumprimento da acção pré-eleitoral do actual executivo. Recordemos que esta maioria prometeu envolver a população em acções participativas para a elaboração de determinados documentos. O que se viu ao longo do mandato foi a apresentação de documentos e pedirem contributos posteriores.
O que foi apresentado não fugiu à regra. E para dar alguma credibilidade à matéria não há nada como entregar o estudo da matéria em referência a personalidade que há muito está no negócio da consultoria e tem coordenado outros estudos de âmbito nacional e regional.
Se não me falha a memória não me recordo de ter sido aberto qualquer concurso público para que aparecessem outros consultores.
A apresentação pouco ou nada trouxe de novo em relação ao muito que já se tem dito e escrito.
A época parece-nos a menos adequada, por várias motivos: suponhamos que o peso eleitoral no executivo se altera nas próximas eleições autárquicas, quais foram as orientações enunciadas por parte desta actual maioria na CMA?
Porque razão adjudicar um estudo desta natureza em final de mandato, depois de e ao longo do mesmo terem apresentados também Carta Educativas, Carta Desportivas e reiniciados Revisões de PDM?
Tudo isto é demonstrativo da falta de ideias e capacidade estratégica por parte desta maioria.
Não seria mais vantajoso promover debates sobre esta e outras matérias antes de gastar dinheiro, que a todos pertence para elaborar estudos desta natureza?
Como se pode preparar um estudo com esta envolvente sem se ter em conta o que será aprovado pela administração central e em especial num diálogo profundo com os concelhos vizinhos? Esta lógica de os consultores serem contratados individualmente por cada concelho, para que mais tarde junte a manta de retalhos e imponha a sua profecia talvez não seja a metodologia mais adequada para servir o Portugal.
Seria conveniente que as forças politicas tivessem a coragem de assumir o que pensam sobre a matéria
Retive a ideia que este evento vem no seguimento do cumprimento da acção pré-eleitoral do actual executivo. Recordemos que esta maioria prometeu envolver a população em acções participativas para a elaboração de determinados documentos. O que se viu ao longo do mandato foi a apresentação de documentos e pedirem contributos posteriores.
O que foi apresentado não fugiu à regra. E para dar alguma credibilidade à matéria não há nada como entregar o estudo da matéria em referência a personalidade que há muito está no negócio da consultoria e tem coordenado outros estudos de âmbito nacional e regional.
Se não me falha a memória não me recordo de ter sido aberto qualquer concurso público para que aparecessem outros consultores.
A apresentação pouco ou nada trouxe de novo em relação ao muito que já se tem dito e escrito.
A época parece-nos a menos adequada, por várias motivos: suponhamos que o peso eleitoral no executivo se altera nas próximas eleições autárquicas, quais foram as orientações enunciadas por parte desta actual maioria na CMA?
Porque razão adjudicar um estudo desta natureza em final de mandato, depois de e ao longo do mesmo terem apresentados também Carta Educativas, Carta Desportivas e reiniciados Revisões de PDM?
Tudo isto é demonstrativo da falta de ideias e capacidade estratégica por parte desta maioria.
Não seria mais vantajoso promover debates sobre esta e outras matérias antes de gastar dinheiro, que a todos pertence para elaborar estudos desta natureza?
Como se pode preparar um estudo com esta envolvente sem se ter em conta o que será aprovado pela administração central e em especial num diálogo profundo com os concelhos vizinhos? Esta lógica de os consultores serem contratados individualmente por cada concelho, para que mais tarde junte a manta de retalhos e imponha a sua profecia talvez não seja a metodologia mais adequada para servir o Portugal.
Seria conveniente que as forças politicas tivessem a coragem de assumir o que pensam sobre a matéria
Bimbos
Respeitando a capacidade intelectual de cada um, as suas ideias e crenças, acho uma horroridade "desenterrar" o Poço de São João. E chamo bimbo a quem acordou com essa ideia.
Imaginem "desenterrar" todo o santo elemento desaparecido ao longo dos tempos. Havia de ser bonito.
Mais, o largo de S.João não tem ponta por onde se pegue , totalmente despido de integridade com a evolvente.
Pior ainda, se olharem para as fotos antigas, realmente o poço até funciona como ponto chave no desenho onde está inserido, mas é totalmente descabido na zona onde o querem "desenterrar". Como é que não entendem a razão de ser das coisas. Parece o topo da televisão ali da Dona Amélia, com o napron, o buda, a santa, e a foto do casamento.
Aproveito para deixar mais duas ideias: o largo de S. João é o unico espaço publico digno de ter alguma potencialidade para funcionar como tal; em Alcochete não existe critério na concepção do espaço publico, nunca houve, e a continuar assim nunca vai haver. Os Barris são uma aberração, os Flamingos são uma aberração, toda a politica urbana em Alcochete e arredores é uma aberração. O único espaço que felizmente ainda consegue ser digno é o centro histórico, e mesmo assim lá aparece uma aberração.
Aconselho então a ler o livro "A Imagem da Cidade" de Kevin Lynch , se alguém responsável da CMA e em particular do pelouro do Urbanismo e Imagem Urbana ler isto .. leiam o livro. Ou perguntem aos técnicos (Arquitectos e Urbanistas) de que se trata este livro (e esses leram de certeza .. mas provavelmente a decisão foi politica e com muito pouco bom senso.)
E por ultimo, não confundam as coisas: o poço existia para fornecer agua a população e aos animais, pensem um bocadinho se isto tem algum cabimento hoje em dia. Uma coisa é a manutenção de um ícone histórico que de alguma forma ainda existe, outra coisa é o Kitschismo. Bimbos!
Somos tão ingénuos...

Somos tão ingénuos politicamente que chegamos a pensar que os deputados comunistas são os mais bem educados na Assembleia da República. Isto é mesmo não conseguirmos ir além da camada de verniz que lhes serve de máscara.
Como é que o comunista pode ser bem educado se toda a acção política que leva a cabo visa pôr fim à liberdade individual? Ou será possível a coabitação entre liberdade individual e colectivismo?
É extraordinário como algumas das melhores ovelhas do rebanho não conseguem cavar um pouco mais fundo e ver que o comunismo, tal como o nazismo, é um totalitarismo. Os mais de cem milhões (100.000.000) de mortos às mãos dos comunistas no séc. XX foi facto que resultasse da boa educação?
Muitos pensam que os comunistas portugueses, se alguma vez fossem governo, ficariam longe de fazer o mesmo, pensamento que não passa de uma trágica ingenuidade porque não há comunismo sem planeamento centralizado da economia. Ora foi este planeamento que na URSS sob Estaline e na China sob Mao constituiu a causa de matanças genocidas jamais vistas na História da Humanidade.
Os milhões e milhões de vítimas da sanha totalitária dão a ordem inquebrantável de que entre mim e o comunista não haja qualquer compromisso. Consulte (http://www.geocities.com/violacao_direitos_homem/comunismo.html).
Como é que o comunista pode ser bem educado se toda a acção política que leva a cabo visa pôr fim à liberdade individual? Ou será possível a coabitação entre liberdade individual e colectivismo?
É extraordinário como algumas das melhores ovelhas do rebanho não conseguem cavar um pouco mais fundo e ver que o comunismo, tal como o nazismo, é um totalitarismo. Os mais de cem milhões (100.000.000) de mortos às mãos dos comunistas no séc. XX foi facto que resultasse da boa educação?
Muitos pensam que os comunistas portugueses, se alguma vez fossem governo, ficariam longe de fazer o mesmo, pensamento que não passa de uma trágica ingenuidade porque não há comunismo sem planeamento centralizado da economia. Ora foi este planeamento que na URSS sob Estaline e na China sob Mao constituiu a causa de matanças genocidas jamais vistas na História da Humanidade.
Os milhões e milhões de vítimas da sanha totalitária dão a ordem inquebrantável de que entre mim e o comunista não haja qualquer compromisso. Consulte (http://www.geocities.com/violacao_direitos_homem/comunismo.html).
04 julho 2009
Há uma série de textos...
Há uma série de textos com interesse público em http://alcochetanidades.blogspot.com que convinha ler.
Por Alcochete.
Por Alcochete.
Convém estar atento
Recomendo a leitura desta notícia, relacionada com a atribuição de subsídios à Santa Casa da Misericórdia de Alcochete (75.000€) e à CERCIMA (5150€), cujo conteúdo e pormenores a maioria dos alcochetanos certamente desconhecia.
A intenção deliberada de ocultar e varrer graves problemas para debaixo do tapete tem sempre consequências.
Quem sabia que o lar da Misericórdia de Alcochete estava em risco de encerrar por falta de condições?
No entanto, a directora do Centro de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, afirmou que "a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete estava em vias de encerrar porque necessitava de intervenções rápidas".
Boa ou má, a verdade deve ser revelada com sinceridade.
Por vezes a verdade dói. Mas o que mais me revolta e magoa é a relação promíscua com a verdade e a falta de sinceridade.
A propósito disto veio-me à memória uma das principais notícias de ontem, cujo título era «Portugueses sentem-se traídos pelos políticos».
No conteúdo escrevia-se o seguinte: "os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa".
P.S. - Com esta é a sexta vez, em três anos, que chamo a atenção para a situação do lar da Misericórdia de Alcochete.
Os textos anteriores estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
A intenção deliberada de ocultar e varrer graves problemas para debaixo do tapete tem sempre consequências.
Quem sabia que o lar da Misericórdia de Alcochete estava em risco de encerrar por falta de condições?
No entanto, a directora do Centro de Segurança Social de Setúbal, Fátima Lopes, afirmou que "a Santa Casa da Misericórdia de Alcochete estava em vias de encerrar porque necessitava de intervenções rápidas".
Boa ou má, a verdade deve ser revelada com sinceridade.
Por vezes a verdade dói. Mas o que mais me revolta e magoa é a relação promíscua com a verdade e a falta de sinceridade.
A propósito disto veio-me à memória uma das principais notícias de ontem, cujo título era «Portugueses sentem-se traídos pelos políticos».
No conteúdo escrevia-se o seguinte: "os portugueses estão descrentes. Sentem que os eleitos não atendem às suas expectativas. Esta percepção e a de que a Justiça não funciona contribuem para a sua ideia de que a qualidade da democracia é baixa".
P.S. - Com esta é a sexta vez, em três anos, que chamo a atenção para a situação do lar da Misericórdia de Alcochete.
Os textos anteriores estão aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
03 julho 2009
Mais um condómino
Dou as boas-vindas a Fernando Pinto, que aceitou o meu convite público e se disponibilizou a integrar o grupo de condóminos deste blogue.
É bancário e ex-presidente da Direcção do Aposento do Barrete Verde, cargo que exerceu durante dois mandatos consecutivos.
Como comentarista já intervinha frequentemente no blogue, agora passará a fazê-lo também como autor inscrito.
«Praia dos Moinhos» é um espaço suprapartidário sobre questões pertinentes e relevantes para a comunidade alcochetana. Tal significa que este blogue é e será um espaço discussão que reune pessoas sem filiação partidária ou filiadas em diferentes partidos, embora não se subordine a nenhum em especial.
Volto a recordar que «Praia dos Moinhos» é um espaço de debate sobre Alcochete, aberto à participação de qualquer membro da comunidade, tenha ou não pontos de vista coincidentes com os dos condóminos mais antigos.
Todos os textos têm autor devidamente identificado (em rodapé) e podem ser comentados, embora a exibição de comentários dependa de validação por um dos administradores do blogue. São rejeitados comentários que contenham expressões ofensivas ou considerações de carácter pessoal sobre autores e cidadãos ou entidades estranhos ao blogue.
É bancário e ex-presidente da Direcção do Aposento do Barrete Verde, cargo que exerceu durante dois mandatos consecutivos.
Como comentarista já intervinha frequentemente no blogue, agora passará a fazê-lo também como autor inscrito.
«Praia dos Moinhos» é um espaço suprapartidário sobre questões pertinentes e relevantes para a comunidade alcochetana. Tal significa que este blogue é e será um espaço discussão que reune pessoas sem filiação partidária ou filiadas em diferentes partidos, embora não se subordine a nenhum em especial.
Volto a recordar que «Praia dos Moinhos» é um espaço de debate sobre Alcochete, aberto à participação de qualquer membro da comunidade, tenha ou não pontos de vista coincidentes com os dos condóminos mais antigos.
Todos os textos têm autor devidamente identificado (em rodapé) e podem ser comentados, embora a exibição de comentários dependa de validação por um dos administradores do blogue. São rejeitados comentários que contenham expressões ofensivas ou considerações de carácter pessoal sobre autores e cidadãos ou entidades estranhos ao blogue.
Erro estético imperdoável
Infelizmente sem máquina fotográfica, passei hoje no Largo de São João e deparei com o biombo em que se anuncia a recolocação do poço (ou uma réplica?) na sala de visitas da vila de Alcochete.
Porque sou coleccionador de documentos e depoimentos de memórias locais, deixo aqui lavrado o meu enérgico protesto pelo desrespeito estético e artístico da estátua do Padre Cruz, obra do escultor Luís Valdés Castelo Branco, uma referência da vila e local de recolhimento e oração de inúmeros naturais, residentes e forasteiros.
A estátua foi inaugurada nas comemorações de 15 de Janeiro de 1969 e representa o sacerdote de corpo inteiro, paramentado com casula gótica, face voltada para a Igreja (matriz de Alcochete) a quem sempre serviu em dedicação total.
A figura, de braços abertos, apresenta uma postura de saudação e acolhimento fraternal a quem na época entrava na vila pelo seu principal acesso, a antiga Rua do Rato e actual Avenida 5 de Outubro. O eixo da via coincide com a base do pedestal do monumento, mas esse efeito perdeu-se, na actualidade, dado que a artéria tem sentido único e ascendente.
O bronze assenta sobre um plano ligeiramente inclinado de pedra branca, que liberta a frente da estátua do contacto directo com a população que, no entanto, pode tocar o pedestal e depositar flores, pela parte de trás, numa circulação que não prejudica o monumento.
Quem decidiu agora recolocar o poço no local original ignorava a concepção estética do autor da estátua? Desconhecia que, ao entrepor o poço entre a estátua e a Igreja Matriz, a leitura artística do monumento é adulterada?
Para mim é inconcebível que o Padre Cruz deixe de estar diante da Igreja mas de um poço (ou uma réplica?)!

Embora aplauda a devolução do poço (ou uma réplica?) aos alcochetanos da velha guarda e da nova vaga, recolocá-lo no sítio original, quarenta anos depois da estátua, representa mais um atentado à sala de visitas da vila, que outrora teve belos canteiros floridos mas cuja requalificação com empedrado, há alguns anos, a transformou em deserto ardente no Verão e uma ratoeira escorregadia no Inverno com certo tipo de calçado.
Por favor escutem: estão a tempo de evitar um erro!
Coloquem o poço à entrada da Rua do Mercado, no local onde até há semanas existiu o canteiro mais viçoso e perfumado de Alcochete!
O poço é um símbolo e ficará melhor aí. Afixe-se junto dele uma placa explicando onde estava originalmente e por que mudou de local.
Por favor não cometam erro semelhante ao ocorrido com a estátua de D. Manuel I, cujo autor quis o bronze recortado sobre as paredes brancas da Quinta da Praia das Fontes, efeito que, muitos anos volvidos, alguém decidiu subverter ao plantar palmeiras vulgares e arbustos inúteis entre o edifício e a obra escultórica.
02 julho 2009
Números surpreendentes
Finalmente, consegui encontrar informação actualizada sobre o número de funcionários ao serviço do município de Alcochete no ano corrente: são 419.
Com contrato por tempo indeterminado são 308 e com duração determinada são 111.
Temos um funcionário municipal por cada 40 residentes.
Por estas e por outras, conforme referi aqui os encargos com pessoal representaram 51,13% das despesas totais do nosso município em 2006. Nesse ano, a média nacional foi de 30,71% e a da Península de Setúbal de 43,59%.
Andei em busca de dados comparáveis e descobri uma notícia de 2007, baseada numa tese de doutoramento, segundo a qual a câmara de Lisboa tinha então dez trabalhadores por cada mil habitantes.
A notícia classificava a câmara da capital como "recordista no número de funcionários per capita", acrescentando que "em Madrid e Barcelona, esse ratio é de cerca de metade, no Porto não chega a sete e mesmo municípios onde os índices de satisfação dos habitantes são altos, como Oeiras, não há sequer oito trabalhadores por mil habitantes".
Que dizer então de Alcochete, cujo município tem quase 25 funcionários por cada mil habitantes?
E qual será o índice de satisfação dos habitantes de Alcochete em relação ao seu município?
Com contrato por tempo indeterminado são 308 e com duração determinada são 111.
Temos um funcionário municipal por cada 40 residentes.
Por estas e por outras, conforme referi aqui os encargos com pessoal representaram 51,13% das despesas totais do nosso município em 2006. Nesse ano, a média nacional foi de 30,71% e a da Península de Setúbal de 43,59%.
Andei em busca de dados comparáveis e descobri uma notícia de 2007, baseada numa tese de doutoramento, segundo a qual a câmara de Lisboa tinha então dez trabalhadores por cada mil habitantes.
A notícia classificava a câmara da capital como "recordista no número de funcionários per capita", acrescentando que "em Madrid e Barcelona, esse ratio é de cerca de metade, no Porto não chega a sete e mesmo municípios onde os índices de satisfação dos habitantes são altos, como Oeiras, não há sequer oito trabalhadores por mil habitantes".
Que dizer então de Alcochete, cujo município tem quase 25 funcionários por cada mil habitantes?
E qual será o índice de satisfação dos habitantes de Alcochete em relação ao seu município?
01 julho 2009
O poço de São João
O poço de São João,
Água fresca dos avós,
Vem honrar a tradição,
Memória de todos nós.
O poço foi degrau
Deste nosso patamar;
Foi rio de largo vau
Bem custoso de passar.
Andar em frente o caminho
De quem ama a liberdade.
Não esquecer um bocadinho
A herança da verdade.
Recordar sem nostalgia,
Sem querer voltar atrás,
Eis o fogo da alegria
Que esta água ao povo traz.
João Marafuga
Água fresca dos avós,
Vem honrar a tradição,
Memória de todos nós.
O poço foi degrau
Deste nosso patamar;
Foi rio de largo vau
Bem custoso de passar.
Andar em frente o caminho
De quem ama a liberdade.
Não esquecer um bocadinho
A herança da verdade.
Recordar sem nostalgia,
Sem querer voltar atrás,
Eis o fogo da alegria
Que esta água ao povo traz.
João Marafuga
Uma boa notícia

Bom, nem tudo é mau!
Os homens da Câmara vão devolver à população o antigo poço de São João.
Só espero que a tradição de todas as coisas seja justamente cumprida.
Na verdade, a evocação respeitosa do esforço dos nossos avós não entra em choque com a distribuição de água ao domicílio.
E ninguém pense que pura e simplesmente me cinjo a uma evidência à Monsieur de La Palice.
Os homens da Câmara vão devolver à população o antigo poço de São João.
Só espero que a tradição de todas as coisas seja justamente cumprida.
Na verdade, a evocação respeitosa do esforço dos nossos avós não entra em choque com a distribuição de água ao domicílio.
E ninguém pense que pura e simplesmente me cinjo a uma evidência à Monsieur de La Palice.
Alô! Alô!
A três meses de eleições locais o prof. Augusto Mateus – que se notabilizou como ministro e especialista próximo do PS – presente numa iniciativa do executivo CDU de Alcochete?
Cheira-me a manobra da reacção!
Manobra por manobra, talvez não fosse má ideia António Maduro e o PS convidarem o arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, para uma sessão livre e aberta no Jardim do Rossio, projecto originalmente de sua autoria mas que tanta adulteração e degradação paisagística sofreu entretanto.
Há por aí quem goste de brincar às casinhas e invoque «Alcochete 2025». E Alcochete 2006? Alcochete 2007? Alcochete 2008? Alcochete 2009?
Experimentem jogar «Monopólio». É mais divertido.
Cheira-me a manobra da reacção!
Manobra por manobra, talvez não fosse má ideia António Maduro e o PS convidarem o arq.º Gonçalo Ribeiro Telles, para uma sessão livre e aberta no Jardim do Rossio, projecto originalmente de sua autoria mas que tanta adulteração e degradação paisagística sofreu entretanto.
Há por aí quem goste de brincar às casinhas e invoque «Alcochete 2025». E Alcochete 2006? Alcochete 2007? Alcochete 2008? Alcochete 2009?
Experimentem jogar «Monopólio». É mais divertido.
29 junho 2009
Os porquês…
Fernando Pinto pede-me a publicação do seguinte texto de sua autoria. Aproveito a oportunidade para – agora publicamente – renovar um convite já antigo: inscreva-se como autor deste blogue!
Acompanho diariamente o que se escreve neste blogue, e faço-o porque os intervenientes do mesmo me merecem consideração e tenho-os como pessoas credíveis, idóneas e respeitadoras desta vila que as viu nascer ou que pelos mais diversos motivos as acolheu.
Não concordo com tudo o que se escreve mas ao abrigo da democracia instalada no nosso País, sempre que julgo oportuno ou tenho maior disponibilidade elaboro algum comentário sobre o tema ou temas em discussão.
Virão dias em que terei naturalmente maior disponibilidade para comentar este ou outro tema, ou inclusive formalizar alguma ideia ou projecto no entanto por ora questiono-me a mim mesmo… Porquê???
Porque é que nunca mais ninguém aqui abordou a questão do valor a atribuir à Cercima na sequência dos ingressos pagos na Feira de Alcochete??
Porque é que na página oficial da nossa edilidade se comenta que apesar das dificuldades financeiras, a Câmara Municipal atribuiu a semana passada ao Aposento do Barrete Verde um subsídio no valor de 45 mil euros?? Porquê, quando se gastou uma verba quase idêntica na Feira de Alcochete e nessa altura não se falou em dificuldades financeiras??
Porque é que sinto que cada vez mais os nossos políticos locais actualmente no poder teimam em fazer da população uns autênticos ingénuos, atribuindo ao governo as responsabilidades das enormes lacunas deste mandato??
Porque é que sinto que em prol da nossa terra e das pessoas que aqui vivem se podia ter feito mais e melhor nestes últimos quatro anos??
Porquê???
Fernando Pinto é o autor deste texto.
Acompanho diariamente o que se escreve neste blogue, e faço-o porque os intervenientes do mesmo me merecem consideração e tenho-os como pessoas credíveis, idóneas e respeitadoras desta vila que as viu nascer ou que pelos mais diversos motivos as acolheu.
Não concordo com tudo o que se escreve mas ao abrigo da democracia instalada no nosso País, sempre que julgo oportuno ou tenho maior disponibilidade elaboro algum comentário sobre o tema ou temas em discussão.
Virão dias em que terei naturalmente maior disponibilidade para comentar este ou outro tema, ou inclusive formalizar alguma ideia ou projecto no entanto por ora questiono-me a mim mesmo… Porquê???
Porque é que nunca mais ninguém aqui abordou a questão do valor a atribuir à Cercima na sequência dos ingressos pagos na Feira de Alcochete??
Porque é que na página oficial da nossa edilidade se comenta que apesar das dificuldades financeiras, a Câmara Municipal atribuiu a semana passada ao Aposento do Barrete Verde um subsídio no valor de 45 mil euros?? Porquê, quando se gastou uma verba quase idêntica na Feira de Alcochete e nessa altura não se falou em dificuldades financeiras??
Porque é que sinto que cada vez mais os nossos políticos locais actualmente no poder teimam em fazer da população uns autênticos ingénuos, atribuindo ao governo as responsabilidades das enormes lacunas deste mandato??
Porque é que sinto que em prol da nossa terra e das pessoas que aqui vivem se podia ter feito mais e melhor nestes últimos quatro anos??
Porquê???
Fernando Pinto é o autor deste texto.
Rótulos:
Câmara Municipal,
colectividades,
poder local,
política
João Marafuga a Patrícia
A Civilização Ocidental está estritamente ligada ao Cristianismo: aquela não se pensa sem este.
Há mais de cinquenta anos, na catequese, ensinaram-me a respeitar o ambiente e os animais. Nessa altura, o que era posto em foco era a questão moral.
Agora o problema é que o ambiente é aproveitado pelas esquerdas para a transmutação dos valores. Essa transmutação visa pôr fim a todo o legado dos nossos pais e avós.
Desde o séc. XIX, a Humanidade deu um salto maior que do princípio até àquela data. Isso só deveu-se ao capitalismo liberal, o grande alvo de todo o ódio do comunismo.
O capitalismo liberal atém-se ao mercado normalizado, isto é, ao mercado sujeito a normas (regras). Sempre que o capital se sobrepõe às normas do mercado, faz o jogo dos socialismos que pretendem destruir o livre mercado.
Com a destruição do livre mercado, regredimos à velha história de alguns senhores e vastas hordas de escravos. Mutatis mutandis, é ao serviço disto que está o ambientalismo, a nova face do comunismo.
Os direitos dos animais e a defesa das plantas (vegetarianismo) decorre da mesma lógica do ambientalismo. Se não bebermos leite, não comermos carne, não fumarmos, etc., grandes indústrias de lacticínios, matadouros industriais, tabaqueiras, etc., fecham as portas. Os consumidores deixam de ter a importância que têm na dinâmica do mercado e são subjugados. É aqui que pode entrar o aborto e o casamento gay como estratégia para controlar os consumidores nas democracias capitalistas, o que se torna um perigo tanto maior quanto menor é a adesão de minorias étnicas que não vão atrás das nossas leis, caso dos grupos islamizados que, entre outras camadas de imigrantes estabelecidas no Ocidente, podem ser um sério perigo para a nossa Civilização. Eis o sonho globalista tão desejado pelos socialismos e por não poucos megacapitalistas feitos com aqueles.
O feminismo e a igualdade de género aparecem, no fundo, para isto: quem tem poder sobre quem? O homem sobre a mulher ou a mulher sobre o homem? Ora o problema real não assenta no poder de um sobre o outro, mas na união: esta exclui todo o domínio de uma pessoa sobre a outra cuja inevitabilidade é a separação. Voici le divorce, banalização da instituição família, célula da sociedade ocidental.
Se a família for destruída, a Civilização Ocidental Judaico-Cristã será também destruída.
Finalmente, não há "consciência social". O que há é a consciência individual que o marxismo, "filosofia" do comunismo, destrói para reduzir-nos à escravização e animalização.
Há mais de cinquenta anos, na catequese, ensinaram-me a respeitar o ambiente e os animais. Nessa altura, o que era posto em foco era a questão moral.
Agora o problema é que o ambiente é aproveitado pelas esquerdas para a transmutação dos valores. Essa transmutação visa pôr fim a todo o legado dos nossos pais e avós.
Desde o séc. XIX, a Humanidade deu um salto maior que do princípio até àquela data. Isso só deveu-se ao capitalismo liberal, o grande alvo de todo o ódio do comunismo.
O capitalismo liberal atém-se ao mercado normalizado, isto é, ao mercado sujeito a normas (regras). Sempre que o capital se sobrepõe às normas do mercado, faz o jogo dos socialismos que pretendem destruir o livre mercado.
Com a destruição do livre mercado, regredimos à velha história de alguns senhores e vastas hordas de escravos. Mutatis mutandis, é ao serviço disto que está o ambientalismo, a nova face do comunismo.
Os direitos dos animais e a defesa das plantas (vegetarianismo) decorre da mesma lógica do ambientalismo. Se não bebermos leite, não comermos carne, não fumarmos, etc., grandes indústrias de lacticínios, matadouros industriais, tabaqueiras, etc., fecham as portas. Os consumidores deixam de ter a importância que têm na dinâmica do mercado e são subjugados. É aqui que pode entrar o aborto e o casamento gay como estratégia para controlar os consumidores nas democracias capitalistas, o que se torna um perigo tanto maior quanto menor é a adesão de minorias étnicas que não vão atrás das nossas leis, caso dos grupos islamizados que, entre outras camadas de imigrantes estabelecidas no Ocidente, podem ser um sério perigo para a nossa Civilização. Eis o sonho globalista tão desejado pelos socialismos e por não poucos megacapitalistas feitos com aqueles.
O feminismo e a igualdade de género aparecem, no fundo, para isto: quem tem poder sobre quem? O homem sobre a mulher ou a mulher sobre o homem? Ora o problema real não assenta no poder de um sobre o outro, mas na união: esta exclui todo o domínio de uma pessoa sobre a outra cuja inevitabilidade é a separação. Voici le divorce, banalização da instituição família, célula da sociedade ocidental.
Se a família for destruída, a Civilização Ocidental Judaico-Cristã será também destruída.
Finalmente, não há "consciência social". O que há é a consciência individual que o marxismo, "filosofia" do comunismo, destrói para reduzir-nos à escravização e animalização.
28 junho 2009
João Marafuga ao anónimo p*
O comunismo e as esquerdas em geral sabem que a estratégia para a implantação do socialismo (lato sensu) à escala global não se faz sem uma aparência de religião que substitua as religiões tradicionais, nomeadamente o Cristianismo, sublime expressão da realidade e abertura ao Transcendente.
O ambientalismo (o novo comunismo) é um materialismo que no lugar de Deus (o Transcendente) põe o ambiente. Os valores deste novo deus, apenas imanente, são o clima, a agricultura ecológica, os direitos dos animais, a defesa das plantas, etc.
Evidentemente, o que está em causa é a destruição da grande indústria. Por exemplo, um texto completamente ideologicizado do manual de Inglês do meu filho chega a aconselhar os jovens que não bebam leite nem comam carne. No fundo, com a adesão cada vez maior das pessoas a estas tretas, é o capitalismo liberal que se sai cada vez mais frágil. Mas é este mesmo o objectivo de todos os socialismos, independentemente das rivalidades entre as facções.
O feminismo e a dita categoria de género (gender) têm por alvo principal a destruição do valor da família, veículo de valores cristãos ancestrais, fomentadora de patrimónios e raiz do direito de herança. A destruição da família já é preconizada no Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels. Na realidade, por trás do feminismo está o marxismo, "filosofia" do comunismo.
As feministas, em geral, são pelo abortismo, pelo divórcio e unem-se ao movimento gay - projecto de poder no seio das esquerdas à escala planetária - para a consecução de projectos revolucionários que visam a destruição das democracias capitalistas.
Finalmente, A Civilização Ocidental é Judaico-Cristã. Aqui não se trata de concordar ou discordar. Apenas há muita gente que por intoxicação marxista e alienação combate a própria Civilização à qual pertence. Não percebe que não poderia haver vazio. Vulnerabilizada a Civilização Judaico-Cristã, outra se sobreporia a ela com dano para a nossa liberdade.
O ambientalismo (o novo comunismo) é um materialismo que no lugar de Deus (o Transcendente) põe o ambiente. Os valores deste novo deus, apenas imanente, são o clima, a agricultura ecológica, os direitos dos animais, a defesa das plantas, etc.
Evidentemente, o que está em causa é a destruição da grande indústria. Por exemplo, um texto completamente ideologicizado do manual de Inglês do meu filho chega a aconselhar os jovens que não bebam leite nem comam carne. No fundo, com a adesão cada vez maior das pessoas a estas tretas, é o capitalismo liberal que se sai cada vez mais frágil. Mas é este mesmo o objectivo de todos os socialismos, independentemente das rivalidades entre as facções.
O feminismo e a dita categoria de género (gender) têm por alvo principal a destruição do valor da família, veículo de valores cristãos ancestrais, fomentadora de patrimónios e raiz do direito de herança. A destruição da família já é preconizada no Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels. Na realidade, por trás do feminismo está o marxismo, "filosofia" do comunismo.
As feministas, em geral, são pelo abortismo, pelo divórcio e unem-se ao movimento gay - projecto de poder no seio das esquerdas à escala planetária - para a consecução de projectos revolucionários que visam a destruição das democracias capitalistas.
Finalmente, A Civilização Ocidental é Judaico-Cristã. Aqui não se trata de concordar ou discordar. Apenas há muita gente que por intoxicação marxista e alienação combate a própria Civilização à qual pertence. Não percebe que não poderia haver vazio. Vulnerabilizada a Civilização Judaico-Cristã, outra se sobreporia a ela com dano para a nossa liberdade.
26 junho 2009
Não há pachorra!
Eu vejo a Drª Lucília Ferra, grande mulher e política da cidade vizinha, a lutar pelo que quer em pleno Montijo e nos órgãos de comunicação tradicionais e electrónicos, mas não vejo, em Alcochete, Borges da Silva a informar a população dos projectos que tem para o nosso concelho.
Isto assim não pode continuar porque se continuar o filme a correr no écran poderá ser outro.
Então é só o Luís Proença que vem a terreiro todos os dias e luta com denodo e, até, eu próprio por minha conta e risco?
Isto assim não pode ser.
Os eleitores têm que saber o que pensa Borges da Silva. Ele tem que se expor, a todos mostrando as suas capacidades, sem medo que detectemos as suas vulnerabilidades, pois precisamos de conhecer bem o candidato a quem damos o nosso voto.
Se Borges da Silva resolver continuar mudo, eu mudo o curso ao discurso.
Isto assim não pode continuar porque se continuar o filme a correr no écran poderá ser outro.
Então é só o Luís Proença que vem a terreiro todos os dias e luta com denodo e, até, eu próprio por minha conta e risco?
Isto assim não pode ser.
Os eleitores têm que saber o que pensa Borges da Silva. Ele tem que se expor, a todos mostrando as suas capacidades, sem medo que detectemos as suas vulnerabilidades, pois precisamos de conhecer bem o candidato a quem damos o nosso voto.
Se Borges da Silva resolver continuar mudo, eu mudo o curso ao discurso.
25 junho 2009
Quando no Verão de 1974...

Quando no verão de 1974 cheguei a Alcochete vindo da ex-colónia da Guiné e vi tantos senhores do anterior regime metidos no Partido Comunista, eu apenas pensei que eram homens sem vergonha e descarados oportunistas.
Um desses senhores chegou-me a dizer que era espião do Partido Comunista no seio dos fascistas...e eu acreditei.
Malvados!
Hoje eu sei que o conflito entre o fascismo e o comunismo é o tipo de conflito que há sempre entre facções socialistas rivais porque o fascismo era um socialismo de nação e o comunismo é um socialismo de classe.
O que importa é que os alcochetanos não se tornem socialistas e que, todos juntos, não deixemos que o ideal liberal seja expulso das nossas vidas em nome dos nossos avós.
Um desses senhores chegou-me a dizer que era espião do Partido Comunista no seio dos fascistas...e eu acreditei.
Malvados!
Hoje eu sei que o conflito entre o fascismo e o comunismo é o tipo de conflito que há sempre entre facções socialistas rivais porque o fascismo era um socialismo de nação e o comunismo é um socialismo de classe.
O que importa é que os alcochetanos não se tornem socialistas e que, todos juntos, não deixemos que o ideal liberal seja expulso das nossas vidas em nome dos nossos avós.
24 junho 2009
Aos srs. Maduro e Giro
Torna-se para mim difícil ler textos alienantes de homens que se candidatam a autarcas e não tomar posição. Se esta não tomasse, sentir-me-ia a colaborar com todo o tipo de confusões que sai da pena destes homens.
Na edição de hoje (24/Jun./09) do Jornal de Alcochete, António Maduro escreve assim: «Independentemente da área partidária, vê-se um pouco de tudo. Pessoas que tiveram práticas políticas ostensivas, não só ao grande capital como a tudo quanto cheirasse a capital, que se diziam defensores dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da liberdade individual, da democracia, hoje, arregimentados a uma opulência saloia, mudam os princípios, mudam as vontades, as ideias, as convicções, o carácter e a sua própria personalidade» sic.
Vamos lá a ver se nos entendemos. António Maduro faz bem defender um amigo comum, Dr. Mário Balseiro Dias, historiador emérito regional e local. O problema está no tipo de argumentação que usa, manifestamente a denotar confusão por parte de quem quer ser presidente de Câmara.
Mas que história é essa de «...práticas políticas ostensivas não só ao grande capital como a tudo quanto cheirasse a capital...»? Quem tem essas práticas? Um homem de esquerda? Um homem de direita? Mas parte do grande capital defende planos estratégicos de natureza totalitária para o mundo e outra parte está com a Civilização Ocidental Judaico-Cristã! Por exemplo, os Rockefeller estão com todas as esquerdas à escala mundial; os Bush são conservadores.
Por outro lado, como é que é possível alguém estar contra o capitalismo em geral e a favor «...dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da liberdade individual, da democracia...», todos estes valores liberais?
António Maduro não sabe o que é direita nem o que é esquerda.
Jorge Giro acredita que o comunismo pode ascender a um patamar de «...defesa intransigente dos interesses de todos os portugueses» sic. Mas como, se o comunismo ataca as propriedade privada, o livre mercado, a liberdade individual, o Cristianismo, a família, o direito de herança, a cultura de raiz popular, etc. e defende o ambientalismo, os direitos dos animais, o feminismo, o aborto, o divórcio, o casamento gay, a eutanásia, etc.? Quase tudo o que acabo de enumerar bem poderia ler Jorge Giro no Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels. Se o meu ex-aluno lesse esta obra, o vade mecum do comunismo à escala planetária, nunca aplicaria o termo honestidade ao comunismo pela simples razão de que concluiria não poder haver comunismo honesto.
Na edição de hoje (24/Jun./09) do Jornal de Alcochete, António Maduro escreve assim: «Independentemente da área partidária, vê-se um pouco de tudo. Pessoas que tiveram práticas políticas ostensivas, não só ao grande capital como a tudo quanto cheirasse a capital, que se diziam defensores dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da liberdade individual, da democracia, hoje, arregimentados a uma opulência saloia, mudam os princípios, mudam as vontades, as ideias, as convicções, o carácter e a sua própria personalidade» sic.
Vamos lá a ver se nos entendemos. António Maduro faz bem defender um amigo comum, Dr. Mário Balseiro Dias, historiador emérito regional e local. O problema está no tipo de argumentação que usa, manifestamente a denotar confusão por parte de quem quer ser presidente de Câmara.
Mas que história é essa de «...práticas políticas ostensivas não só ao grande capital como a tudo quanto cheirasse a capital...»? Quem tem essas práticas? Um homem de esquerda? Um homem de direita? Mas parte do grande capital defende planos estratégicos de natureza totalitária para o mundo e outra parte está com a Civilização Ocidental Judaico-Cristã! Por exemplo, os Rockefeller estão com todas as esquerdas à escala mundial; os Bush são conservadores.
Por outro lado, como é que é possível alguém estar contra o capitalismo em geral e a favor «...dos direitos humanos, da liberdade de expressão, da liberdade individual, da democracia...», todos estes valores liberais?
António Maduro não sabe o que é direita nem o que é esquerda.
Jorge Giro acredita que o comunismo pode ascender a um patamar de «...defesa intransigente dos interesses de todos os portugueses» sic. Mas como, se o comunismo ataca as propriedade privada, o livre mercado, a liberdade individual, o Cristianismo, a família, o direito de herança, a cultura de raiz popular, etc. e defende o ambientalismo, os direitos dos animais, o feminismo, o aborto, o divórcio, o casamento gay, a eutanásia, etc.? Quase tudo o que acabo de enumerar bem poderia ler Jorge Giro no Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels. Se o meu ex-aluno lesse esta obra, o vade mecum do comunismo à escala planetária, nunca aplicaria o termo honestidade ao comunismo pela simples razão de que concluiria não poder haver comunismo honesto.
23 junho 2009
Uma monografia e uma trapalhada
Acabei de falar com Mário Balseiro Dias, autor da «Monografia do Concelho de Alcochete» – cujo II volume fora por mim noticiado aqui, em primeira mão, há cerca de quatro meses – e, embora a sessão de lançamento dessa obra tenha sido marcada e anunciada, unilateralmente, pelo município, para esta terça-feira, 23 de Junho, o autor garante-me que não comparecerá ao acto nem autoriza a distribuição do livro, tendo instruído a sua advogada para intentar acção judicial contra a autarquia.
Sucintamente, a história é a seguinte: no passado mês de Janeiro, por sua iniciativa a câmara de Alcochete encomenda a obra a Mário Balseiro Dias, mediante ajuste directo e pelo valor de 7500€, fixando-se em 120 dias o prazo de execução (terminando em finais de Maio passado).
Conforme combinado entre as partes o pagamento seria feito em quatro prestações, mas afirma o autor terem sido protelados os prazos previamente fixados, devido a alegados problemas na tesouraria autárquica, o que prejudicaria o trabalho de tradução de documentos fundamentais muito antigos, alguns com quase dez séculos.
A revisão de provas foi outra odisseia, com prazos que Mário Balseiro Dias considera excessivamente apertados e em condições despropositadas para uma obra de rigor histórico, razão pela qual não autoriza o uso do seu nome na versão cujo lançamento foi anunciado pela autarquia sem o seu consentimento.
Para completar esta história kafkiana, falta revelar que para a cerimónia de lançamento os serviços do município impunham ao autor uma intervenção com a "duração de cinco a dez minutos", para a qual redigiria "um texto de teor técnico", do qual o "executivo deveria ter conhecimento prévio".
Estas e outras posturas incoerentes e atitudes irreflectidas e precipitadas justificarão o alheamento geral, a ponto de, num município com quase 17.000 residentes, uma obra histórica ter edição prevista de... 500 exemplares?
A política cultural a que temos direito neste pagode de pobres de espírito nunca poderia dar bons resultados.
Sucintamente, a história é a seguinte: no passado mês de Janeiro, por sua iniciativa a câmara de Alcochete encomenda a obra a Mário Balseiro Dias, mediante ajuste directo e pelo valor de 7500€, fixando-se em 120 dias o prazo de execução (terminando em finais de Maio passado).
Conforme combinado entre as partes o pagamento seria feito em quatro prestações, mas afirma o autor terem sido protelados os prazos previamente fixados, devido a alegados problemas na tesouraria autárquica, o que prejudicaria o trabalho de tradução de documentos fundamentais muito antigos, alguns com quase dez séculos.
A revisão de provas foi outra odisseia, com prazos que Mário Balseiro Dias considera excessivamente apertados e em condições despropositadas para uma obra de rigor histórico, razão pela qual não autoriza o uso do seu nome na versão cujo lançamento foi anunciado pela autarquia sem o seu consentimento.
Para completar esta história kafkiana, falta revelar que para a cerimónia de lançamento os serviços do município impunham ao autor uma intervenção com a "duração de cinco a dez minutos", para a qual redigiria "um texto de teor técnico", do qual o "executivo deveria ter conhecimento prévio".
Estas e outras posturas incoerentes e atitudes irreflectidas e precipitadas justificarão o alheamento geral, a ponto de, num município com quase 17.000 residentes, uma obra histórica ter edição prevista de... 500 exemplares?
A política cultural a que temos direito neste pagode de pobres de espírito nunca poderia dar bons resultados.
21 junho 2009
O grande equívoco
Há pessoas que, quando se referem a este ou àquele, dizem: "nem parece um homem de esquerda!". Subjacente a esta frase está a ideia equivocada de que o bom, em termos políticos, pertence à esquerda.
Ora urge reconhecer que esse homem é como é precisamente porque é de esquerda e não porque seja de outra coisa qualquer.
O homem de esquerda, com ou sem consciência disso, põe-se ou é posto ao serviço da revolução. Esta inverte a realidade, isto é, inverte a própria lógica através da qual representamos a realidade: o que é passa a não ser, o que não é passa a ser. Para uma empresa deste quilate ser levada a cabo, a esquerda combate a tradição, a cultura de raiz popular, a Fé Cristã, a moral, a lei a pretexto de que é burguesa, etc.
Mas as pessoas que votam à esquerda, no fundo, não estão contra a tradição, a cultura de raiz popular, a Fé Cristã, a moral, a lei, etc., razão por que, quando se referem a este ou àquele, dizem: "nem parece um homem de esquerda!".
Ora urge reconhecer que esse homem é como é precisamente porque é de esquerda e não porque seja de outra coisa qualquer.
O homem de esquerda, com ou sem consciência disso, põe-se ou é posto ao serviço da revolução. Esta inverte a realidade, isto é, inverte a própria lógica através da qual representamos a realidade: o que é passa a não ser, o que não é passa a ser. Para uma empresa deste quilate ser levada a cabo, a esquerda combate a tradição, a cultura de raiz popular, a Fé Cristã, a moral, a lei a pretexto de que é burguesa, etc.
Mas as pessoas que votam à esquerda, no fundo, não estão contra a tradição, a cultura de raiz popular, a Fé Cristã, a moral, a lei, etc., razão por que, quando se referem a este ou àquele, dizem: "nem parece um homem de esquerda!".
20 junho 2009
Gulag (campo de trabalho correctivo)

Os gulags eram campos de extermínio na Rússia comunista através de trabalho escravizante.
Há quem diga que a Coreia do Norte, sob um regime comunista-estalinista, tem destes gulags.
A mim, pelo muito que leio, parece-me que toda a Coreia do Norte é um gulag forçado a trabalhar para um Governo que se arma contra o mundo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


