03 fevereiro 2009

Luís Cebola, grande forcado e grande senhor


Enquanto vasculhávamos papéis dispersos por gavetas, encontrámos este bilhete da corrida de touros que acolheu a despedida de Luís Cebola das arenas (24 de Julho de 1993).
Luís Cebola é, sem dúvida, um dos nomes mais ilustres da forcadagem alcochetana de todos os tempos.
Aqui fica esta singela homenagem do blog Praia dos Moinhos ao grande cabo de forcados e grande senhor, Luís Cebola.
Que a nova Direcção do Aposento do Barrete Verde, olhos postos nesta estirpe de homens, nunca perca de vista o espírito de José André dos Santos e dos fundadores de uma das casas mais nobres desta nossa terra de Alcochete.

Municipalismo de outrora (10): Misericórdia rica, câmara pobre

À data dos factos descritos no texto o hospital
da Misericórdia funcionava neste edifício.


Na reunião da edilidade realizada a 13 de Julho de 1940, preocupado por nesse ano terem sido emitidas 41 guias de internamento hospitalar gratuito – quase tantas como ao longo de cada um dos anos anteriores – o presidente da câmara dita para a acta a seguinte proposta:
"Considerando que a câmara não só jamais se verá livre da dívida aos Hospitais Civis, como ainda há que assistir ao seu constante aumento, delibera oficiar às juntas de freguesia e médicos do concelho solicitando-lhes o seu maior interesse no sentido de diminuir o número de guias".
No entanto, no final desse ano continuaria elevado o número de guias de hospitalização.
Em Dezembro de 1943 – em plena II Grande Guerra Mundial – a câmara decide pedir à Misericórdia local que assuma as despesas dos doentes pobres internados nos Hospitais Civis de Lisboa, invocando dificuldades em geral dos municípios por diminuição de receitas e aumento constante das despesas obrigatórias. Considerava a edilidade que tais actos de benemerência se coadunavam implicitamente com a índole da instituição.
Embora 1943 seja o ano em que o terceiro barão de Samora Correia, Carlos Ferreira Prego, deixa importante herança à Misericórdia de Alcochete, a pretensão da câmara teria sido mal sucedida porque as autorizações de hospitalização gratuita de pobres continuarão nos dois anos posteriores.
Em Junho de 1944 aparece ainda o primeiro munícipe a apresentar petição de amparo à câmara, porque seu filho fora recenseado para prestar serviço militar no Exército e não possuía meios de subsistência. De acordo com o previsto no regulamento dos serviços de recrutamento militar, desde Agosto de 1911, a câmara decide pagar a esse munícipe um subsídio de 5$ mensais.

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02 fevereiro 2009

Olhar para trás

Continuando a abordagem de dados estatísticos respeitantes a 2007, eis as estimativa oficial sobre a população residente no último dia desse ano: ao todo 16.813 indivíduos, sendo 8200 homens e 8613 mulheres.
Por idades a repartição era a seguinte:
0 a 14 anos - 2866
15 a 24 anos - 1741
25 a 64 anos - 9340
65 a 74 anos - 1640
75 e mais anos - 1226
E ainda dois outros dados: dos 80 casamentos celebrados no concelho em 2007, 19 foram católicos e 61 só no civil. No mesmo ano, 86 estrangeiros solicitaram estatuto legal de residentes.

01 fevereiro 2009

Qual a obra de referência desta câmara?

O depósito da água dos Barris, grande obra de referência de meados do século XX.

Este ano vai haver eleições autárquicas, razão por que, no meu entendimento, impõe-se que façamos a seguinte pergunta: qual a obra de refência desta câmara?
Eu gostava que alguém próximo destes autarcas chegasse aqui e nos esclarecesse a todos com clarividência, ainda que perante todos eu ficasse ridicularizado.
Se há impertinência na minha pergunta, não a deixem de aproveitar, eliminando alguém que não é propriamente simpático aos comunistas.
Como Aquiles, eu também hei-de ter um qualquer calcanhar vulnerável. Descubram-no e não errem a pontaria. Era a forma de eu, envergonhado, nunca mais aparecer à frente de um alcochetano, largar os comunistas da mão e ficar em paz.

31 janeiro 2009

Os chamados direitos dos animais


Alguém me poderia dizer que a sustentação da minha gatinha (a Kicas) pode ser integrada na educação do meu filho, argumento que subscreveria sem esforço.

Então, dir-me-iam logo que eu sustento o animal em troca de qualquer coisa, assim se instaurando no debate o ponto de partida para o jurídico.

Mas a minha casa, a decoração desta, o meu carro, etc., também se integram na educação do meu filho sem que eu descortine os direitos que assistem à casa, à decoração, ao carro, etc. Sob este tipo de raciocínio, não vejo que se possa legitimar direitos à minha Kicas, razão por que essa coisa dos direitos dos animais é uma das muitas fraudes que herdámos do século XX.

De facto, se os animais têm direitos, o meu projecto empresarial de criar um viveiro de cobras para a extracção da pele terá muitíssimas dificuldades de ir em frente, pois não é com o valor do trabalho e a prosperidade dos povos que os revolucionários da utopia marxista têm chances de vingar.

É uma criatura de Deus


Também comecei a estudar Zoologia no primeiro lustro do anos sessenta. Uma vez saímos do Seminário para darmos um passeio nos arredores da Apelação. Era um domingo à tarde. A dado momento da nossa deambulação, vejo um lagarto grandote e, sem reflectir, pego numa pedra para lhe atirar. Quando levantei o braço, a minha mão foi segurada pela do Padre que nos acompanhava, dizendo-me, olhos nos olhos: "Não deves fazer isso porque aquele animal é uma criatura de Deus". Eu larguei a pedra da mão e deixei o lagarto em paz. Portanto, como se vê, a lição contra a minha atitude gratuita foi-me dada no campo da moral, não disso que chamam direitos dos animais (campo jurídico).

Botânica


Quem por aí faz alarde público de saber Botânica, provavelmente não consideraria despicienda a posse deste manual da dita ciência, uma edição de 1900. Comecei a estudar Botânica na Pia Sociedade de São Paulo, primeiro lustro dos anos sessenta. In illo tempore, os grandes mestres que tive, quando falavam de verdura era para nos dizer que não convinha cozer o bacalhau só com batatas. As plantas eram criaturas de Deus, inclusive as que se comessem, única forma de não cometermos um crime quando arrancássemos uma alface da terra para fazer uma salada.

30 janeiro 2009

Propaganda comunista

«No meu estudo das sociedades comunistas, cheguei à conclusão de que o propósito da propaganda comunista não era persuadir, nem convencer, mas humilhar - e, para isso, quanto menos ela correspondesse à realidade, melhor. Quando as pessoas são forçadas a ficar em silêncio enquanto ouvem as mais óbvias mentiras, ou, pior ainda, quando elas próprias são forçadas a repetir as mentiras, elas perdem de uma vez para sempre todo o seu senso de probidade... Uma sociedade de mentirosos castrados é fácil de controlar» (Theodore Dalrymple).

Água: consumo excessivo ou... aqui há "gato"?


Estão disponíveis os indicadores estatísticos de 2007 respeitantes à Região de Lisboa e Vale do Tejo e, na Península de Setúbal, deparei com dados inexplicáveis sobre consumo de água do sector doméstico por habitante no município de Alcochete.
Ao longo do ano de 2006 – os dados fornecidos para a água referem-se a esse ano – com 88% da população residente servida por sistema público de abastecimento (a segunda taxa mais baixa na península), cada munícipe de Alcochete consumiu qualquer coisa como 105,8m3!
Tão elevado consumo não tem paralelo nos 18 municípios da Região de Lisboa e Vale do Tejo, onde apenas Montijo nos ultrapassou (120,8m3 por habitante ao longo do ano).
Se a informação respeitante a Alcochete está correcta, ela significa que cada alcochetano(a) consome o dobro da água do lisboeta ou do barreirense e quase o triplo do almadense e do moitense.
A meu ver, o consumo médio diário de 289,8 litros de água por habitante é anormal e justifica clarificação por responsáveis municipais.
Porque de duas uma: ou se gasta demasiada água ou alguém meteu água!

29 janeiro 2009

Nova Direcção do Aposento do Barrete Verde


Foram há vinte anos estas Festas do Barrete Verde e das Salinas. Agora que o Aposento tem uma nova Direcção presidida pelo sr. Carlos Maurício, hão-de desejar todos os alcochetanos que a mesma leve a cabo um bom trabalho a fim de que as festas deste ano dignifiquem Alcochete perante Portugal inteiro e o Mundo.

28 janeiro 2009

Feitiçaria

É impressionante a velocidade com que, em Alcochete, se queimam candidaturas autárquicas.
Até parece que o número de interessados(as) relevantes excede o de cargos a distribuir!
Que mais irá acontecer?

27 janeiro 2009

Realidade e demagogia

Entre os inúmeros desafios que, em Alcochete, os potenciais candidatos às próximas eleições locais têm pela frente, um dos que me parece decisivo é o de clarificar a real situação financeira das autarquias.
Os cidadãos têm acesso fácil aos orçamentos municipais de 2008 e 2009, embora, contrariando o legalmente estipulado, ignorem as contas de gestão desde 2004. Parece-me estranho mas como nunca houve qualquer outra reacção política pública – além de várias minhas – presumo que os potenciais candidatos já perfilados no horizonte terão informação privilegiada, estão atentos e em condições de esclarecer o cidadão comum.
Estarão mesmo ou, tal como em 2001 e 2005, por exemplo, continuamos no reino da ficção e, pouco depois da tomada de posse, virão reconhecer que nada sabiam acerca da realidade?
Se conhecem as contas de gestão seria preferível começarem por aí, explicando detalhadamente donde partimos, qual a situação actual e que perspectivas existem para o mandato.
De outro modo, quaisquer ideias e planos dificilmente prenderão a atenção de significativo número de eleitores.
No início de uma crise financeira e económica sem precedentes na actual geração, qualquer candidato(a) a cargos de representação política deve começar por descrever a realidade dos factos e dos números.
Numa democracia madura não há lugar para a demagogia. Sem conhecer o passado, nem o presente, dificilmente alguém acreditará no futuro.

26 janeiro 2009

Municipalismo de outrora (9): nomeação do dr. Simões Arrôs

Em meados de 1941 ocorre em Alcochete um surto de febre tifóide e, na sessão de 1 de Agosto, a câmara paga 51$ a uma senhora que prestara serviços no balnério público "durante a campanha contra o tifo".
Numa deliberação camarária, de Fevereiro desse ano, invoca-se o recenseamento geral da população, realizado no ano anterior, segundo o qual a principal freguesia (Alcochete) tinha 4000 habitantes e a periferia (incluindo Samouco) cerca de 2000 pessoas. Tais factos, somados à circunstância de haver "fáceis meios de comunicação no concelho", levaria a câmara a propor ao ministro do Interior que o segundo médico municipal residisse também na vila, embora prestasse serviço prioritário em Samouco.
O caso tinha alguns contornos políticos – possivelmente devido a divergências herdadas da restauração do concelho, em 1898, quando em Samouco surge um grupo que tenta manter a freguesia no município de Montijo – e a nomeação desse médico para a freguesia periférica andaria embrulhada cerca de ano e meio, resolvendo-se apenas na Primavera de 1944, ao ser nomeado o falecido dr. Manuel Simões Arrôs (1910-2007).
O processo tem início no Verão de 1942, quando o presidente da câmara propõe que o lugar seja posto a concurso, encetando logo diligências para que a sua residência seja fixada em Alcochete, para evitar problemas políticos futuros.
A proposta divide a vereação. Manuel Ferreira da Costa discorda da abertura do concurso, enquanto não for dada resposta a um pedido de esclarecimento da câmara, ao Ministério do Interior, formulado cerca de ano e meio antes.
António Antunes secunda a posição do presidente, mas sugere que se aguarde pela resposta da comissão incumbida de emitir parecer acerca da petição da câmara, invocando o argumento de que convinha "evitar que, colocado o médico na freguesia rural, não surjam depois dificuldades de ordem política local, nem prejuízos que obstem ao estabelecimento da residência do médico na sede do concelho, com prejuízo para a boa regularização da assistência clínica".
Só em Janeiro de 1943 a câmara decidirá abrir concurso para o segundo médico municipal, cujo cargo vagara cerca de dois anos antes devido a aposentação do anterior titular, e a nomeação vem a concretizar-se mais de um ano depois (em Março de 1944), quando a vereação vota em escrutínio secreto e decide por maioria admitir o dr. Manuel Simões Arrôs, que fixa residência em Alcochete embora prestasse sobretudo serviço em Samouco.
O Dr. Simôes Arrôs faleceu, em Alcochete, a 9 de Abril de 2007.

Texto anterior da série «Municipalismo de outrora» arquivado aqui.

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Com uma cajadada matava dois coelhos

Pelo que se retira dos meus textos anteriores, o comunismo não é o único inimigo do capitalismo liberal. Deste também são inimigos não poucos dos grandes donos do dinheiro porque a muitos homens o que lhes diz tudo é o quintal que não têm. Por aqui se vê que, no respeitante a efeitos, vai dar no mesmo o que comunistas e esses megacapitalistas querem. Ora é a partir daqui que começa a grande mistificação à humanidade que tem origem na propaganda estalinista.
Como os povos ficaram a odiar o fascismo e como este fizera a aliança com parte do alto capital, o comunismo, passando por cima da distinção entre megacapitalismo desregrado e capitalismo liberal, mete tudo no mesmo saco, acusando o capitalismo em geral dos horrores do fascismo, sobretudo do nazismo.
Estaline, com uma cajadada matava dois coelhos. Por um lado, desacreditava aos olhos de milhões de incautos o capitalismo liberal, isto é, a espinha dorsal das democracias ocidentais; por outro, desviava a atenção desses mesmos incautos dos crimes hediondos levados a cabo pelo comunismo nos quatro cantos do mundo.

25 janeiro 2009

Ambientalismo versus capitalismo

O capitalismo é um sistema económico que germinou no seio da Civilização Judaico-Cristã. Esta asserção afoita-me a declarar, sem risco de grande engano, que o sustentabilidade do sistema económico do Ocidente nada deve ou vem a dever ao ambientalismo senão ao respeito pela matriz cultural no seio da qual cresceu e se solidificou.
Não pode haver capitalismo se o mandamento bíblico não roubarás for desprezado. Ora se eu passo a vida a não querer o que é meu mas o que é do outro, sou um ladrão. É este, em palavras muito simples, o retrato de não poucos megacapitalistas do nosso tempo.
Entrando noutro tipo de registo desta minha escrita afunilada, não há capitalismo quando se abdica da moral. Esta fica para trás se a pessoa é coisificada. Eis a economia pela economia, ou seja, a economia (coisa) como fim. Nesta mesma linha está o ambientalismo, culto do imanente (da criatura), o que se opõe a todo o espírito do Cristianismo porque rouba à pessoa a sua lídima dimensão humana ordenada a Deus.

24 janeiro 2009

Fim de ciclo no Aposento do Barrete Verde



Fernando Pinto, presidente cessante da Direcção do Aposento do Barrete Verde, pede-me a publicação do seguinte texto:


Chegámos ao fim de um maravilhoso ciclo no Aposento do Barrete Verde de Alcochete.
Depois de 4 anos intensos, surgiu o momento indicado para encerrarmos um capítulo na história desta Agremiação.
Ao longo deste período foram muitos os sorrisos esboçados, muitas as lágrimas derramadas mas acima de tudo muitos os amigos que conquistámos. Naturalmente que muito ainda ficou por fazer, mas estamos de consciência tranquila porque sabemos que fizemos o melhor que sabíamos e que podiamos.
Foram muitos os que se insurgiram contra este grupo de jovens que abraçou um projecto para desenvolver as suas ideias sempre em função dos mais supremos interesses do Barrete Verde, preservando a sua história, os seus costumes e tradições acrescentando novas ideias face ás mais recentes ideologias da sociedade, mas foram muitos mais, aqueles que sempre estiveram do nosso lado, percebendo as nossas razões, motivando-nos e apoiando todas as iniciativas desenvolvidas, criticando construtivamente quando necessário.
A todos que nos acompanharam nesta missão "Por Alcochete" agradeço a forma entusiástica e desinteressada como o fizeram.
O Aposento não é apenas um local onde se bebe um copo e se fuma um cigarro, o Aposento é o local onde se "respira" a cultura deste povo, onde se encontra o nosso mais recente passado e fundamentalmente onde se confunde essa nobre tradição secular de pegar toiros com a valentia e destreza desta gente que "abraça" o Tejo como se fosse seu.
Aos meus companheiros de 4 anos (Fátima Soares, Estêvão Pereira, Pedro Lavrado, Luciano Bolota, Nuno Lavrado, José Jorge Ferreira, Nuno Damiães, Paulo Silva, Sérgio Gregório e António Carlos) jamais esquecerei a lealdade com que me acompanharam contribuindo decisivamente para que continuássemos a escrever em letras de ouro "Barrete Verde de Alcochete".

Ambientalismo

O ambientalismo está entre as maiores patranhas que se abateram sobre a humanidade desde que esta é humanidade.
Nenhum homem mentalmente saudável nega a verdade de que se deve proteger o ambiente. Mas é nesta evidência tão racional que se apoia toda a mentira. Por exemplo, se alguém tem um bom bocado de terreno virado ao mar e lá quer construir um complexo turístico, dando trabalho a centenas de pessoas, descobrem, quando menos se espera, uma colónia de roedores em vias de extinção na propriedade do empreendedor, tolhendo este de levar por diante o projecto que acalentava. Claro que estou a utilizar uma caricatura, mas todos vêem que há um cordão qualquer a ligá-la à realidade.
O ambientalismo é uma maquinação de alguns megacapitalistas do globalismo inimigos do capitalismo liberal, o único sistema à face da terra que pode assegurar a liberdade e prosperidade ao mundo e salvar a humanidade da hecatombe.

Nota: por capitalismo liberal entendo o capitalismo normalizado, isto é, o capitalismo sujeito a normas (regras) que contam com um árbitro chamado Estado que penaliza quem não as cumpre.

22 janeiro 2009

Estás contra o ambiente?

- Por que pisaste a ervinha? Por que não desviaste o teu pé da formiguinha? Por que deixaste cair o papelinho do teu rebuçado para o chão? Estás contra o ambiente?
- Não, estou a favor!
- Entras em contradição porque pisaste a ervinha, não desviaste o teu pé da formiguinha, deixaste cair o papelinho do teu rebuçado para o chão.
- Mas estar a favor do ambiente é não pisar a ervinha, desviar o meu pé da formiguinha, não deixar cair o papelinho do meu rebuçado para o chão?
- Claro, estúpido!
- Bem diz o poeta...
- Qual poeta?
- O poeta António Aleixo!
- Que diz ele?
- «P'rà mentira ser segura/e atingir profundidade/tem que trazer à mistura/qualquer coisa de verdade».
- Deixa-te de lirismos. A defesa do ambiente está na ordem do dia.
- Para mudar valores, dominar e roubar o outro?
- Eh pá, toda a gente diz que já não se pode falar contigo! Bom, estou atrasado. Depois falamos. Até outro dia.

31 de Maio: Alcochete a Correr

Por enquanto há só um "boneco" para mostrar, mas a data definitiva está fixada: 31 de Maio.

Felicidade e realidade


Há quem pense (não são poucas as pessoas a pensar assim), por exemplo, que a felicidade está num casamento feito a contento de nubentes que protestam um ao outro eterno amor. Ora não é bem isso porque o verdadeiro amor conta com a realidade. Como assim?
É feliz quem se submete à realidade, não quem por cima desta põe o "eu" e quer submeter o que não pode ser submetido à própria subjectividade.
E o que é transformar a realidade senão querer submetê-la à nossa subjectividade?
A grande lição é-nos dada pelo significado profundo da história de São Cristóvão. Parecia a este bom homem da tradição cristã que nada lhe custaria transportar aos ombros um menino de uma margem para a outra do rio que o agigantado barqueiro tão bem conhecia. Dando início à travessia, Cristóvão começa a sentir que o peso do menino é cada vez mais pesado, obrigando-o a vergar-se qual Atlas sob o peso do mundo. Exausto, o santo chega à margem oposta do rio, quando se desfaz o menino-aparência e se lhe revela o Senhor pela Criação, o Cristo, a Estrutura da Realidade.
Feliz pelo alívio da revelação, Cristóvão percebeu que a humildade é a verdade.