12 março 2007

Uma dependência = uma árvore

Espero que os futuros candidatos à câmara de Alcochete inscrevam nos seus programas a promessa de plantar (ou obrigar a plantar) uma árvore por cada dependência de novo edifício construído.
T0=2 árvores; T1=4 árvores; T2=5 árvores;T3=6 árvores; T5=8 árvores
Mas uma árvore a sério e não uma palmeira barata!
É o mínimo que deve exigir-se, embora lá para a Europa do Norte haja regras mais apertadas, como a obrigatoriedade de os espaços verdes – os verdadeiros e não os que se fazem por cá, com um relvado e meia dúzia de arbustos manhosos, como o do novo supermercado – ocuparem 3/4 da área urbanizada.
Deixo essa promessa para os próximos candidatos porque dos actuais autarcas já não espero gestos nobres. Estes estão amarrados à cultura da casca, do betão e do alcatrão.
Recentemente descobriram também a da calçada, cujo expoente máximo é o troço da Av. 5 de Outubro a que se refere MariaLisboa neste texto.

Intendência sobre antiguidades

Acerca do artigo que mostrava um livro antigo sobre Alcochete, datado do séc. XVIII, que por acaso já tinha encontrado no sítio Google Books.
Neste momento, no âmbito do 3.º ano do meu curso de arquitectura, vou fazer uma análise urbana à Vila de Alcochete e elaborar uma proposta de alteração da "cidade" (cidade em arquitectura é o espaço urbanizado).
Durante uma pesquisa, reparei que, nesse tempo, Alcochete era conhecida por Alcouchete. Então fui procurar pelo termo no Google Books e mostro aqui os resultados.
Para mim o mais interessante, que mostra a importância de Alcochete para os refúgios reais, é este texto de Garcia de Resende, datado de 1798, que fala do rei D. João II que foi com a rainha ver touros em Alcochete, no terreiro junto à igreja, com toda a comitiva real. Muita gente fugiu na rua principal aquando da investida do boi. A gritaria era muita e o Rei de Portugal protegeu a rainha e matou o touro, com a sua espada. A vergonha foi para os fidalgos, que fugiram!
No mesmo livro está também a descrição do que seria um pequeno almoço com o primeiro vice-rei da Índia, em Alcochete
Noutro, está a partida da princesa filha de D. João III (estou incerto do que li, pois é de difícil compreensão), do Terreiro do Paço até Alcochete, com uma frota de caravelas e tecidos, para Castela. Deve tratar-se da princesa Maria Manuela, que casou com Filipe II de Espanha. Penso que se trata da descrição da sua partida, junto com o dote.
Pelo que percebi, Alcochete era um ponto de passagem mais rápido para se chegar a Castela, fazendo a travessia do rio Tejo.

Nesta página está um poema de Gil Vicente.

Até se refere um milionário do Japão, jesuíta, nascido em Alcochete (1786), de seu nome João Rodrigues Giram, e os seus livros na biblioteca Lusitana.

E há uma enciclopédia de inglesa de 1827, «The New London Universal Gazetteer, or Alphabetical Geography».

Aqui está a descrição topográfica de Alcochete (muito pouco topográfica, do ponto de vista contemporâneo) de 1712, onde fala de Alcouchete e Çamora Correia.

Bruno Miguel Rosa
Alcochete



P.S. - Pedi ao autor que, quando possível, nos revelasse a sua proposta de alteração da "cidade".
Bruno deixa-nos boas pistas para o vizinho Alcochetano explorar o assunto no seu «Coisas de Alcochete».

09 março 2007

Cobaia não, obrigado!

Você, cidadã ou cidadão residente em Alcochete, sabia existirem pedidos para ensaiar milho geneticamente modificado, durante três anos, em Cercal de Cima, freguesia de São Francisco, numa área de 6000 a 10.000m2?

Provavelmente desconhecia, mas alguém soube muito antes, conforme poderá ser confirmado neste texto publicado no sítio da Quercus na Internet.

Fica agora a saber que, até ao próximo dia 16, o presidente do Instituto do Ambiente aceita as suas sugestões, comentários e opiniões, por escrito e através, por exemplo, do e-mail indicado nesta página, acerca de uma experiência estrangeira que se pretende realizar em três pontos distintos do país, um dos quais situado no concelho de Alcochete.
Segundo o Instituto do Ambiente, o processo também pode ser consultado... na Câmara Municipal de Alcochete(!).

O terreno mencionado num dos documentos acessíveis naquela página do Instituto do Ambiente situa-se algures no lado esquerdo, no sentido ascendente, do Caminho Municipal 1003, em São Francisco. Para quem não sabe, trata-se da artéria que liga São Francisco à estrada da Atalaia.

Pela minha parte – e disso dou público testemunho – rejeito, liminarmente, que a experiência decorra no concelho onde resido, por não estarem cumpridos dois dos pressupostos previstos no Decreto-Lei n.º 72/2003, de 10 de Abril.
Nomeadamente:

1. Ao contrário do mencionado no n.º 3 do art.º 11.º do citado decreto-lei, desconheço que tenha sido publicado qualquer anúncio em jornal de âmbito regional ou local, com distribuição alargada em Alcochete, embora tal fosse tecnicamente possível. Consequentemente, a esmagadora maioria dos alcochetanos não deverá ter conhecimento do assunto e não poderá pronunciar-se;
2. Em nenhum dos três documentos está suficientemente descrita a avaliação dos riscos humanos, animais e ambientais eventualmente resultantes da experiência científica;
Acresce que:
3. Nenhuma entidade pública ou privada se disponibilizou, até à data, directa e localmente, para esclarecer os alcochetanos acerca dos benefícios e eventuais danos resultantes da experiência.

Agora que o assunto tem possibilidades de chegar, pelo menos, ao conhecimento de quem sabe da existência deste blogue, cada um(a) fará o que entender.
Todavia, espero que haja em si, leitor(a) deste blogue, alguma réstia de solidariedade e que faça circular esta informação por vizinhos e amigos. Eis um link directo a este texto: http://praiadosmoinhos.blogspot.com/2007/03/cobaia-no-obrigado.html

Sozinho ninguém conseguirá nada, juntos podemos ir longe!


Por mim, vão semear os transgénicos onde quiserem, mas longe daqui. Cobaia não, obrigado!

P.S. - Outras leituras recomendadas sobre este assunto:

Portugal Diário
Gaia
Confagri
Wikipédia
União Europeia
Greenpeace
Quercus

Há milhares de outras páginas acessíveis através de qualquer motor de busca na Internet.

Ver ainda este texto de bloguista que enviou a sua opinião ao Instituto do Ambiente sobre o assunto tratado acima.

Bem-vinda Maria Lisboa!

Gostava que «Praia dos Moinhos» fosse um blogue colectivo, centrado em temas de Alcochete, e, repetidamente, tenho insistido para que mais autores se juntem a nós.
Podem, ou não, concordar com as opiniões dos "condóminos" mais antigos. Desde que venham por bem e por Alcochete, serão fraternalmente acolhidos.
Com grato prazer dou as boas-vindas a uma nova autora, Maria Lisboa, cujo primeiro texto está imediatamente abaixo.
É pseudónimo, sim senhor. Mas os restantes "condóminos" sabem de quem se trata e um deles conhece-a há muito.

AVENIDA 5 DE OUTUBRO

Há algum tempo que começaram umas "obras " na Av. 5 de Outubro mais conhecida p'lo " Rato" na zona entre a Rua Chão do Conde e o Largo S.João.
Ficaram prontas, finalmente, há 2 semanas. Obras um pouco esquisitas, diga-se de passagem, mas, enfim, é o que temos.
De repente, na semana passada para espanto dos distraídos a Av. foi novamente fechada. Porquê?
Há 2 versões:
1- Os autocarros não davam a volta junto à Caixa Agrícola. Já muita gente tinha chegado a essa conclusão.
2- A estrada afundou...
Mas parece que foram os dois casos. Quem terá sido o (s) responsável???

Da MENSAGEM de Fernando Pessoa à epopeia do séc. XX

O tema em foco parece colocar de imediato uma dificuldade insuperável porque se poderia fazer esta pergunta: onde está a narração? Em resposta, poder-se-ia defender que o narrado estende-se mais pelo domínio do não-dito que do dito, uma vez que a reflexão sobre Portugal reclamada pelo texto ao destinatário instituir-se-ia como a própria narração da Mensagem.
Os versos finais do último poema deste megapoema ("Nevoeiro") são apelo lancinante à acção para que Portugal se arvore de vez em nova gesta: «Tudo é incerto e derradeiro./Tudo é disperso, nada é inteiro./ Ó Portugal, hoje és nevoeiro.../ É a hora!».
Para a consecução deste desígnio, senão imperativo, perpassa por toda a Mensagem o sopro da exaltação («Que o mar com fim será Grego ou Romano/O mar sem fim é Português») e o incitamento ("Quem quer passar além do Bojador/Tem que passar além da dor»). Ao serviço destas vertentes patrióticas, vestes de um nacionalismo exacerbado, quiçá místico, está um acentuado simbolismo e o messianismo sebástico.
Por exemplo, a divisão da Mensagem em três partes (Brasão, Mar Português, O Encoberto) traz a personificação de Portugal. Este nasceu, cresceu e morreu, embora se veja em toda a trama simbólica da obra que a ideia de morte está intrinsecamente ligada à de ressurgimento: «Mas a chama que a vida em nós criou,/Se ainda há vida ainda não é finda./O frio morto em cinzas a ocultou,/A mão do vento pode erguê-la ainda».
Finalmente, o D. Sebastião da Mensagem não é o de Alcácer-Quibir, mas o do Quinto Império, sonho de conquista sem espada (bellum sine bello) cujo emblema é a quinta chaga de Cristo, a do lado do coração, a grande metáfora de amor que une todos os homens.


Alcochete, 9 de Março de 2007
João José da Silva Marafuga

Aprendam "mentes brilhantes" (3)!

Não conheço quem me enviou a mensagem, mas adivinho por que o fez. Compreendi e agradeço.
Recebi na caixa de correio electrónico a informação de que o município da Ribeira Grande (ilha de São Miguel, Açores) passara a disponibilizar na Internet a versão interactiva do seu PDM (Plano Director Municipal).
Para lá chegar click aqui. Basta fazer como São Tomé.
Seja paciente, a aplicação é "pesada" e demora algum tempo a ler. Mas vale a pena.
Mais comentários para quê?

08 março 2007

E se for avante? (6)

Chegámos ao 8.º capítulo da novela do outlet – a hiperligação aos capítulos anteriores principia aqui – pois os deputados Luís Rodrigues e Hugo Velosa (PSD) entregaram no parlamento, com data de ontem, o seguinte requerimento:

"No final do ano de 2002 foi inaugurado o denominado “Freeport Lisboa Outlet Resort” no município de Alcochete, o qual se anunciou com um potencial de 20 milhões de visitantes/ano.
"Do processo que conduziu à implantação desta infra-estrutura ressalta a aprovação pelo Ministério do Ambiente – então tutelado pelo Engº José Sócrates, o actual Primeiro-Ministro – da alteração aos limites da Zona de Protecção Especial (ZPE) do Estuário do Tejo, por forma a acomodar aquele empreendimento comercial, num calendário record. Na verdade, o Engº José Sócrates fez aprovar tal desanexação no Conselho de Ministros de 14 de Março de 2002, com as eleições legislativas – que o Partido Socialista viria a perder – já marcadas para daí a 3 dias, ou seja, para 17 de Março de 2002, como efectivamente vieram a ter lugar.
"Este procedimento político-legal foi sempre veementemente contestado pelas associações ambientalistas, nomeadamente pela Quercus que, contra ele se insurgiu apresentando uma queixa nos órgãos próprios da União Europeia.
"A alteração aos limites da ZPE do Estuário do Tejo viria a constar do Decreto-Lei nº 140/2002, de 20 de Maio.
"Contudo, todo o procedimento que levou ao efectivo funcionamento do “Freeport Lisboa Outlet Resort” acabou por ficar sempre envolto nalgumas dúvidas relativamente à sua transparência e legalidade. Desde logo, como já mencionado, a controversa alteração aos limites da ZPE levada a cabo pelo Engº José Sócrates, mas também, toda a restante tramitação, ou o que dela restou, que culminou no facto de alegadamente, ainda hoje, esta mega-infraestrutura comercial continuar sem licença de utilização emitida.
"Recorda-se que, enquanto não for emitida a licença de utilização a receita gerada, que deve ser de vários milhares de euros, não entra nos cofres da Câmara Municipal de Alcochete e não pode ser investida no concelho, estando os munícipes a ser privados de diversos investimentos.
"Mas, por outro lado, também as expectativas inicialmente criadas com o arranque do Freeport de Alcochete se vieram a revelar sombrias para a esmagadora maioria dos investidores, vivendo actualmente alguns deles, segundo relatos que vêm sendo tornados públicos, situações verdadeiramente calamitosas e dramáticas em termos comerciais, económicos e financeiros.
"Nestes termos, vêm os Deputados abaixo-assinados requerer aos Ministérios do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, da Economia e Inovação e à Câmara Municipal de Alcochete, ao abrigo das disposições aplicáveis da Constituição da República Portuguesa e do Regimento da Assembleia da República, que lhe seja prestada integral informação sobre:
"a) Se pensa o Governo tomar medidas ou intervir na situação instável acima descrita?
"b) Qual a situação actual e concreta do licenciamento desta instalação, nomeadamente:
- "Dispõe a mesma das necessárias autorizações e concordâncias por parte das entidades sob tutela do Ministério do Ambiente?
- "Dispõe a mesma da necessária autorização para o funcionamento, da competência do Ministério da Economia?
- "Por que razão nunca foi emitida pela Câmara Municipal de Alcochete a indispensável licença de utilização?
- "Qual o valor a pagar pelo promotor à Câmara Municipal de Alcochete pela licença de utilização?"

Desejo e espero que, posteriormente, os deputados requerentes nos dêem conhecimento das respostas recebidas.

Creio ser coincidência mas, no passado dia 3, publiquei um escrito que bateu já um recorde de leituras neste blogue.

Contas à vida municipal


Apresento acima dois gráficos baseados em informação oficial, respeitantes a receitas e despesas correntes (quadro superior) e receitas e despesas de capital (quadro inferior), referentes ao município de Alcochete e ao período 2000/2004.
Esta informação é anualmente disponibilizada por inúmeros municípios nacionais, ao contrário do de Alcochete, que nunca a divulgou, por exemplo, no seu sítio na Internet.

Convém notar que a definição de receitas e despesas, segundo a classificação económica do POCAL (Plano Oficial de Contabilidade das Autarquias Locais), é a seguinte:

Receitas correntes – Receitas de impostos directos (como Imposto Municipal sobre Imóveis, Imposto Municipal sobre Veículos e Imposto Municipal sobre Transacções Onerosas de Imóveis); de impostos indirectos (como mercados e feiras, loteamentos e obras, ocupação da via pública, canídeos, publicidade e saneamento); de taxas, multas e outras penalidades; de rendimentos da propriedade (como dividendos e participações nos lucros de sociedades, rendas de terrenos, de habitações e de edifícios, por exemplo), de transferências correntes (nomeadamente contribuição do Estado para fundos municipais); e receitas de saneamento, de resíduos sólidos e de cemitérios.

Despesas Correntes – Despesas com pessoal, incluindo contribuições para a Segurança Social; aquisição de bens e serviços, juros e encargos derivados de empréstimos; subsídios e IVA pago.

Receitas de Capital – Incluem venda de terrenos, de habitações, de edifícios e outros bens de investimento; transferências de capital (nomeadamente do Estado).

Despesas de Capital
– Investimentos em terrenos, habitações, edifícios, construções diversas, material de transporte, equip. e software informático, ferramentas e utensílios, locação financeira e despesas com bens do domínio público, empréstimos de curto, médio e longo prazo; acções e participações em sociedades.


Qualquer leigo percebe, no gráfico superior, ter havido confortável margem entre receitas e despesas correntes. As linhas aproximam-se somente em 2001 (ano de eleições locais) e 2004.
Pelo contrário, o desequilíbrio é patente no gráfico inferior, onde as despesas de capital estiveram sempre acima das receitas, excepto nos anos de 2001 e 2002 (o primeiro completo do mandato anterior).
A partir de 2003 as coisas complicaram-se seriamente.

Infelizmente não há informação disponível sobre a decomposição por rubricas das despesas de capital, o que permitiria apurar quais as que mais contribuíram para esse desequilíbrio.

07 março 2007

Leia isto se tem crédito à habitação

Ver na pág. 1481 deste «Diário da República» o texto do Decreto-Lei n.º 51/2007, de 7 de Março, que regula as práticas comerciais dos bancos e assegura a transparência da informação por estes prestada no âmbito da celebração de contratos de crédito para aquisição, construção e realização de obras em habitação própria permanente, secundária ou para arrendamento, bem como para aquisição de terrenos para construção de habitação própria.
Esta é a anunciada lei que também regula as comissões a aplicar quando o cliente antecipa o pagamento ou transfere para outra entidade bancária o crédito à habitação.
A quem esteja na iminência de uma dessas situações, recomendo especialmente a leitura atenta e a guarda do texto em local apropriado, por conter pormenores eventualmente relevantes no futuro.
Por exemplo, caso os contratos de crédito à habitação em vigor omitam a aplicação de qualquer comissão por resolução antecipada, os bancos não poderão agora cobrá-la a esses clientes. Além disso, não poderá ser aplicada comissão em caso de reembolso por motivos de morte, desemprego ou deslocação profissional.

Ai a construção!



As imagens acima (click sobre elas para ver ampliação) ilustram a evolução das licenças de construção emitidas e do número de fogos autorizados pelo Município de Alcochete no período 1997/2004.

Para lá de quebras visíveis no número de fogos autorizados em 2000 e nos dois primeiros anos do mandato dos autarcas derrotados há 16 meses, é notório que desde 1998 – ano da abertura ao tráfego da ponte Vasco da Gama – o número de licenças de construção tem vindo sempre a subir, quase duplicando em seis anos.
Uma estimativa oficial diz-nos que, em 2001, existiam em Alcochete 3.644 edifícios de habitação familiar clássica e 6.448 alojamentos. Em 2004 o número de edifícios terá subido para 3.894 (mais 250) e o de alojamentos para 7.441 (mais 993).

Só em 2003 celebraram-se, também no município de Alcochete, 684 contratos de compra e venda de prédios, sendo 653 respeitantes a urbanos, 26 a rústicos e cinco a mistos.
O valor total desses contratos ascendeu a 72.802.000 Euros (14,6 milhões de contos em moeda antiga).

Relativamente ao ano de 2004, sabe-se ainda que a tipologia dos fogos concluídos em contruções novas para habitação, em Alcochete, foi a seguinte: 11 fogos T0 ou T1, 50 fogos T2, 232 fogos T3 e 32 fogos T4 ou mais.
Desta forma chegámos aos actuais 16.000 residentes – mais 50% que antes da existência da ponte – criando-se novos problemas e agravando outros.
Gostaria ainda de chamar a atenção de quem tenha instalado no computador o programa Adobe Acrobat (de uso livre no formato Reader) para um interessante trabalho académico que descobri no sítio da FCT da UNL.
Prenderam a minha especial atenção as imagens 5 e 6, que comparam os usos do solo em 1997 e 2002 numa região abrangendo Alcochete.
Repare-se como, em apenas cinco anos, diminuíram visivelmente as manchas verdes, correspondentes a solos naturais.

Os potenciais candidatos a sucessores dos actuais autarcas deveriam começar já a estudar e planear soluções para estes problemas, por se depreender do rumo actual das coisas que dentro de dois anos e meio tudo estará muito pior.

06 março 2007

Coisas do passado

As minhas homenagens ao "Alcochetano", por mais esta pérola no seu valioso blogue «Coisas de Alcochete».
Siga, pelo menos, as hiperligações Alcochete 1 e Alcochete 2 dessa pérola e leia atentamente os textos, procurando compreender as palavras e o seu sentido.
Uma curiosidade, entre muitas outras, despertou-me a atenção: obras de índole histórica, publicadas nos últimos anos, mencionam Santa Maria de Sabonha (ou Sebonha) como antiga denominação de um concelho que teve sede na actual freguesia de São Francisco, no qual fora erigida, no séc. XIII, uma igreja evocativa de Nossa Senhora de
Sabonha (ou Sebonha).
No entanto, no livro de António Carvalho Costa (1650-1715) é bem legível o seguinte: "huma freguesia da invocação de Nossa Senhora da Cegonha, que fica ao Norte de Aldea Galega pouco menos de meya legoa, & o mesmo ao Nordeste de Alcochete".
Gralhas num livro do princípio do séc. XVIII? Erros de padre estudioso mas míope ou duro de ouvido?
Sabonha ao "Nordeste de Alcochete"?
Isto são coisas para historiadores, não para mim.

Desportivo: milagres com 70.000 euros!

Sábado telefonou-me o presidente da Direcção do Grupo Desportivo Alcochetense, Dr. Carlos Cortes, pedindo desculpa pela leitura tardia de um texto aqui editado o mês passado e os comentários adicionais.
Só nessa tarde, durante o jogo dos juniores, alguém lhe chamara a atenção para tal.

Antes de mais, estou grato a esse alguém e ao meu interlocutor pela consideração demonstrada. São exemplos de correcção e de respeito pelos bons costumes, raríssimos nos dias de hoje, pelo que me apraz registá-los.
Após ler artigo e comentários, o presidente do Alcochetense garantiu-me não haver nem embargo nem reserva pessoal em dialogar seja com quem for.
Comigo também não, porque nos conhecemos de outras actividades e porque sabia, há cerca de um ano, da existência deste blogue. Todavia, um dos seus terríveis problemas é a falta de tempo, obstáculo habitual de dirigentes desportivos porque, fora das quatro linhas, há vida a governar e família a apoiar. Vida que nunca é fácil, mormente quando numa única semana a profissão e o futebol obrigam a voar 16 vezes!

A conversa telefónica foi longa e explicou-me imensas coisas que tentarei, resumidamente, transmitir em seguida.
Assume sem hesitações a corrida da equipa de seniores rumo ao Campeonato Nacional de Futebol da II Divisão, objectivo possível mercê da actual liderança no campeonato da III Divisão, série E, com dois pontos de avanço sobre o 2.º classificado (Caniçal) e após a vitória deste domingo, por 2-1, em Alcochete, frente ao Santana (5.º classificado).
Diz-me o presidente que as consequências da subida de divisão foram previstas há um ano, tendo sido já dados passos tendentes a encarar as responsabilidades inevitáveis. Há inúmeras carências, mas existem ideias e projectos para pôr em prática.
Muito em breve será proposta a realização de uma assembleia geral, na qual os sócios tomarão conhecimento do presente e do futuro do clube, quando faltam cinco anos para celebrar as Bodas de Diamante.
Ambiciona o dirigente que essa reunião magna seja a mais participada de sempre, por haver muito a analisar, discutir e decidir. Nomeadamente a revisão dos estatutos, a remodelação do complexo desportivo e a prática de outras modalidades.
Os sócios terão oportunidade de se pronunciar sobre os planos traçados e serão postos perante a necessidade de assumirem, pessoalmente, alguns compromissos, como o de lutar com denodo para que algumas pessoas e instituições cooperem sem reservas políticas nem mentais.
É quase impossível que o Desportivo tenha a equipa sénior na II Divisão com o actual orçamento anual de 70.000 euros (cerca de 14 mil contos em moeda antiga) para todas as categorias, note-se bem!
Nesse aspecto o esforço será enorme e terão de aparecer mais apoios individuais e colectivos.

Relativamente aos restantes escalões, acrescento da minha lavra que, por vezes, os resultados e as classificações até iludem a realidade. Bastar notar que o velho campo "pelado" não tem condições aceitáveis na actualidade, muito menos para jovens praticantes.
Mas o clube não quer prescindir dele, preferindo melhorá-lo com obras profundas e relva sintética. Quando e como saberão os sócios em primeira mão, na assembleia geral.
Detesto ser injusto e como conheço, minimamente, o velhinho campo Foni, construído há meio século, de piso áspero e lamacento, da bola na estrada e nos quintais vizinhos, creio que fazer melhor seja impossível.
Ainda assim, quanto a classificações, segundo o que copiei ontem do sítio do clube na Internet os dados mais recentes são os seguintes:

Escolas - 6.º lugar após seis jogos do distrital de futebol de 7, com duas vitórias, um empate e três derrotas.

Infantis - 2.º lugar após oito jogos do distrital de futebol de 7, com 51 golos marcados e apenas 16 sofridos. Haja respeito por estes miúdos!

Iniciados - Antepenúltimo lugar após 13 jornadas do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão.

Juvenis - 8.º lugar quando estão disputados 13 jogos do Campeonato Distrital da 1.ª Divisão.

Juniores - 9.º lugar ao fim de 14 jogos (mais um que a maioria das equipas).

Conviria notar que, na progressão dos Infantis para os Iniciados, há uma dificuldade em que poucos atentam: passa-se do futebol de 7 para o futebol de 11, com mais espaço e balizas maiores. E como no escalão Iniciados os jogadores permanecem duas épocas, ano sim, ano não, as classificações ressentem-se com as saídas para os Juvenis e a chegada dos ex-Infantis.
Carlos Cortes – que continua a acompanhar de perto o futebol juvenil, inúmeras vezes sentado no banco e na qualidade de delegado aos jogos – promete, enfim, que o sucesso dos seniores nunca eclipsará o apoio aos jovens. A formação é, para si, um ponto de honra.
Com algum esforço de memória, julgo ter resumido o essencial da conversa telefónica com o presidente do Alcochetense. Se me esqueci de algo importante, desde já as minhas desculpas. Estava na rua e não podia tomar notas.
Brevemente prometo contar mais coisas, visto termos previsto um encontro logo que a ambos seja possível.

05 março 2007

E se for avante? (5)

E assim chegamos ao 7.º capítulo da novela do outlet.
Siga esta hiperligação se tiver curiosidade em conhecer os capítulos anteriores.
Um responsável da empresa crê, pela primeira vez, via comunicação social, haver "uma conspiração movida por certos indivíduos no sentido de tentar destruir a boa-vontade e reputação que a companhia construiu em Portugal”.
Se bem se recorda, a propósito de um capítulo precedente comentei aqui que nem às paredes desejava confessar o meu pensamento sobre o assunto.
A seguir desabafei com uma célebre frase no país vizinho: "Yo no credo en brujas, pero que las hay, las hay".
Acredito que acabará por aparecer alguém com coragem para escrever um livrinho sobre os imbróglios que têm rodeado este outlet.

P.S. – Há quase 137 anos, durante dois meses, Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão escreveram no «Diário de Notícias» uma série de artigos, sob a forma de carta anónima, que em 1884 daria origem ao clássico da literatura portuguesa «Mistério da Estrada de Sintra».
Cerca de 130 anos depois começaria em Alcochete uma outra história, ainda mais mirabolante, cujos títulos poderiam ser «Mistérios do Sítio das Cardeeiras» ou «Mistérios da Avenida do Euro 2004», por exemplo.

04 março 2007

Eclipse da Lua


Esta sequência de imagens – captada ontem à noite, da minha torre de controlo, em Alcochete – só não é mais completa porque o anticiclone dos Açores não deixou.

Um eclipse da Lua concorre com o da política local?

03 março 2007

Por favor, acorde os políticos!

Rogo por este meio a quem puder ajudar a acordar os principais dirigentes partidários portugueses, que lhes faça chegar o maior número possível de links ou de cópias deste texto.

Alcochete tem Lisboa à vista e parece perto da sede do poder nacional mas, como concelho, é politicamente encarado com sobranceria, menoridade e insignificância.
Desde D. Manuel I que quase ninguém se interessa por esta espécie de bastardos da Pátria, salvo duas honrosas excepções nas distantes décadas de 50 a 70 do século passado: Eng.º João Maria Ferreira do Amaral e Dr. Elmano da Cruz Alves, os quais, sentados em Lisboa, muito fizeram por Alcochete.
Hoje vivem aqui pouco mais 16.000 portugueses, invariavelmente tratados com desdém – até pelo poder local – quando não votados a um vil abandono. Valem tão pouco que até os meios de comunicação nacionais só noticiam as coisas negativas.

O desprezo é tal que, há 15 meses, pelo menos, esta comunidade está transformada num imenso deserto político-partidário.
Ninguém terá reparado que, nas últimas eleições locais, o partido mais votado voltou a ser o dos abstencionistas. Isto quer dizer alguma coisa? Ou não?
Vejamos o que sucedeu em seguida:
1. O PCP detém maioria confortável nos órgãos do município (Câmara e Assembleia Municipal). É também maioritário nas juntas de freguesia de Alcochete e de Samouco.
Há quase ano e meio que os comunistas governam a seu bel-prazer. Sem oposição visível nem perceptível. Se tem ou não sido positivo é o que se saberá tardiamente.

2. O PS elegeu três vereadores e oito deputados municipais – por inerência tem também assento a presidente da Junta de Freguesia de São Francisco – mas o partido está sem actividade conhecida quase desde Outubro de 2005.
A sua sede concelhia encerrou pouco depois e, há escassas semanas, continuava sem órgãos institucionais.
No Verão de 2005 criou um sítio na Internet (está aqui), que emperrou com a derrota...
Há mais de um ano que nenhum socialista aqui residente dá sinal de vida nos meios de comunicação local ou regional.

3. O PSD elegeu dois deputados municipais, que criaram um blogue em 30 de Janeiro de 2006 (está aqui). Nele prometiam dar conta das suas iniciativas mas, por motivos nunca explicados, acabaram por suspendê-lo a 12 de Março seguinte. Até hoje.
Pouco antes das últimas eleições locais, este partido criou também um sítio na Internet. Mas logo a seguir encerrou-o.
Em 15 meses não tive conhecimento de qualquer iniciativa ou actividade partidária, nem sinais de vida nos meios de comunicação local ou regional.

4. O BE não tem, nem nunca teve, secção concelhia em Alcochete. Não elegeu ninguém e a sua candidata à câmara terá – politicamente, pelo menos – desaparecido de circulação há 15 meses.

5. O CDS não elegeu ninguém, o presidente da concelhia demitiu-se e a secção foi encerrada dias após o sufrágio de Outubro de 2005. Também desconheço qualquer iniciativa ou actividade partidária desde então.

Pergunto: seremos tão feios, porcos e maus para merecermos esta debandada geral?

Cultura do silêncio

Nem de propósito: um professor da Universidade Aveiro escreveu no DN algo que tem a ver com o meu texto anterior.

02 março 2007

Vem aí mais betonização (2)

Já abordara o assunto aqui, mas julgo dever insistir para que não se ignore nem caia no esquecimento, pois antes era mera proposta e agora é realidade: o executivo da câmara de Alcochete deliberou, em 21 de Fevereiro, por unanimidade, aprovar protocolos para a elaboração de estudos urbanísticos da quinta da Coutadinha (Alcochete) e da Lagoa da Cheia (São Francisco).

Perguntar-se-á: com quem celebrará a câmara esses protocolos? Quais os termos das propostas? Que condições? Que compromissos? Que direitos? Que responsabilidades?

Os autarcas têm legitimidade para tomar tais decisões, mas existe um Plano Director Municipal (PDM) e dele depreende-se que a Coutadinha e a Lagoa da Cheia são constituídas, parcial ou totalmente, por terrenos agrícolas.
Portanto, previamente, os autarcas deviam explicar-se perante quem os elegeu de boa-fé, justificando as razões dessas opções. Mas tal não sucedeu, até ao momento.
A betonização desenfreada não é fatalidade inevitável, por mais desesperada que possa ser a situação financeira das autarquias.
O alargamento dos espaços edificáveis, num concelho onde quase 80% do território está sujeito a condicionamentos ambientais, agrícolas e mesmo militares, deve ser discutido e ponderado, principalmente, entre autarcas e residentes.
Sobretudo porque qualquer nova área a urbanizar influencia a qualidade de vida e agrava problemas como a insuficiência de pressão da água de consumo público, a sobrelotação de escolas e centros de saúde, o aumento da criminalidade, a inexistência de áreas de recreio e lazer, o estacionamento desordenado, etc., etc. Nenhum dos quais, por sinal, tem solução anunciada ou perceptível.
Deve ainda haver discussão e ponderação porque a transparência é um dos principais deveres dos autarcas, que todos os candidatos habitualmente prometem aos eleitores. Mas após chegarem ao poder não podem ser atacados de amnésia!
Desconheço qualquer esclarecimento ou demonstração de transparência que tenham antecedido a decisão de celebrar os protocolos para a elaboração de estudos urbanísticos da Coutadinha e da Lagoa da Cheia. E até para preservar a dignidade e a honra dos eleitos locais o assunto justificaria clarificação prévia, em termos que todos o compreendessem.
Deixo estes apelos aos autarcas, mas endereço-os também a si, concidadã ou concidadão, porque votar de boa fé já não é suficiente e torna-se premente agir colectivamente, de forma organizada, sob pena de se malbaratar o seu e nosso futuro.

01 março 2007

E se for avante? (4)

Chega o momento do sexto capítulo da novela do outlet.
Os pormenores estão aqui e também aqui. Convém ler tudo até ao fim.
Para conhecer a história em sentido inverso, recomendo a leitura deste texto, que faz a ligação com aos capítulos anteriores.

Simplesmente sal

A propósito desta notícia, há duas coisas que gostava de saber, porque nisto anda envolvido o dinheiro de todos: receitas e despesas anuais das salinas nos últimos cinco anos.
Nunca encontrei respostas em parte alguma. E bem as tenho procurado.
Serão tais dados segredo de Estado? E mais ninguém gostaria de os conhecer?