29 julho 2009

Padre Cruz nasceu há século e meio

No dia do 150.º aniversário do nascimento do Padre Cruz, recordo aqui um trabalho pessoal de 2003 contendo imagens e documentos antigos, oriundos de colecções particulares, que traçam o perfil de um dos mais distintos alcochetanos, profundamente venerado e respeitado na sua terra e em muitos lares portugueses.

Em inúmeras residências pobres ou ricas do concelho, em vielas históricas e urbanizações modernas, notoriamente um dos elementos decorativos mais comuns das portadas é um quadro de azulejos representando o Padre Cruz.
A veneração não é exclusiva de Alcochete e suas freguesias, porque se repete um pouco por todo o país, embora sem a profusão evidente aos olhos de quantos reparem em pequenos detalhes do urbanismo local.
Além disso, tal como o jazigo do cemitério de Benfica (Lisboa), em que repousam os seus restos mortais, está sempre pejado de flores, também a sua estátua, no centro de Alcochete, não passa um dia sem receber um ramo fresco e viçoso.

Acresce que, não sendo santo – o processo continua pendente no Vaticano – nem o vulto que mais se evidenciou na defesa dos direitos humanos e no engrandecimento da vila, a gratidão e o reconhecimento da sua bondade fazem com que seja o único alcochetano com direito a duas esculturas: a referida estátua e o busto que, tendo-a precedido no mesmo local, seria depois transferido para um terraço do centro paroquial.

Nado no Rossio e baptizado na matriz

Embora haja dúvidas, o Padre Francisco Rodrigues da Cruz terá nascido no antigo Rossio de Alcochete, no dia 29 de Julho de 1859, no n.º 32 do Largo Barão de Samora Correia, sendo baptizado na Igreja Matriz, a 25 de Fevereiro de 1860.
Foi o quarto dos seis filhos que seus pais tiveram. Naturais de Alcochete, Manuel da Cruz e D. Catarina de Oliveira da Cruz, como bons cristãos e fiéis cumpridores dos seus deveres religiosos, educaram seus filhos no temor e amor de Deus.
Na casa em que o Padre Cuz nasceu existe uma placa evocativa, com a seguinte inscrição: "Em 29 de Julho de 1859 nasceu nesta casa de seus pais o padre Francisco Rodrigues da Cruz. A fé do baptismo que o santificou na igreja da nossa terra foi luz divina que iluminou a sua vida sacerdotal. A sua memória é luz bendita que a morte acendeu para não mais se apagar. A Câmara Municipal de Alcochete, 29-7-1950".
Aos nove anos de idade, Francisco, de temperamento vivo e activo, sensível, bondoso e alegre, foi com o irmão José para Lisboa, frequentar como interno o Colégio Europeu, onde estava já o irmão mais velho, Manuel, médico ilustre na vila de Montijo, que pelas suas benemerências lhe erigiu o busto patente num varandim do centro paroquial, conforme acima referi.
Depois, como externo, Francisco frequentou o Mainense, o Instituto Industrial e o liceu, onde estudou retórica, grego e filosofia.

Desde criança que pensava ser sacerdote e até lhe chamavam «Padre Francisco». Seu pai, que também manifestava o mesmo desejo a respeito do filho, ao terminar este os preparatórios em Lisboa perguntou-lhe que vida queria seguir. Ao que respondeu: «A vontade do pai é também a minha».

Entrada na Faculdade de Teologia

Assim, em 1875, com 16 anos de idade, Francisco parte para Coimbra e matricula-se na Faculdade de Teologia, vivendo com outros seis estudantes.
Todos viriam a ser sacerdotes. Em Coimbra foi sempre muito bom aluno, aplicado e bem comportado. No último ano do curso – 1879/1880 – inscreve-se na Congregação Mariana, erecta na Igreja de Santa Teresa e dirigida pelo lente dr. António Sebastião Valente, mais tarde Patriarca da Índia.
A este facto atribuía o Padre Cruz especial importância na orientação da sua vida para a santidade.

Terminado o curso teológico em 1880, com o grau de Bacharel, como não tivesse a idade canónica para ser ordenado sacerdote (contava apenas 21 anos incompletos), vai para o Seminário de Santarém ensinar filosofia, múnus que manteve até 1880.
No dia 3 de Junho de 1882 recebe a ordem de presbítero, conferida por D. António de Freitas Honorato, Arcebispo Titular de Mitilene e mais tarde Residencial de Braga.
Celebra a primeira missa 22 dias depois, num domingo, a pedido dos seminaristas, que nesse dia celebravam a festa de S. Luís, tendo assistido seu pai e irmãos. Sua mãe falecera a 15 de Agosto do ano anterior.
Em Santarém o Padre Cruz começa a sofrer de um esgotamento, que nunca mais o abandonaria e se agrava a ponto de, em 1886, ter de renunciar ao ensino.
Convidado pelo Provedor do Colégio dos Órfãos de S. Caetano, em Braga, para ir dirigir aquela casa, toma conta do cargo nesse mesmo ano. Ali se dedica de alma e coração à formação dos pequenos órfãos, procurando dar ao colégio uma orientação absolutamente religiosa, preocupação que se reflecte numa carta escrita ao Arcebispo de Braga, antes de deixar a direcção do estabelecimento.
Muitos dos seus antigos alunos lhe manifestaram pelos anos fora quanto admiravam, estimavam e amavam o seu antigo director.


Saúde precária até ao fim da vida

A saúde do Padre Cruz era cada vez mais precária, celebrando a missa com dificuldade, e além da direcção do colégio exercia ainda as funções de professor e ajudava o pároco de S. Maximinos, freguesia em cuja área se situava o estabelecimento de ensino.
Em 1894 é forçado a renunciar ao cargo. Não quis, porém, que a direcção do colégio ficasse sem óptimos substitutos. Para isso fez diligências prementes, com cartas e orações, para que os padres salesianos tomassem conta do colégio. O empenho do Padre Cruz foi, deste modo, a razão do estabelecimento dos salesianos em Portugal.

O Cardeal Patriarca, D. José Neto, encarrega-o então da direcção espiritual do Seminário Menor do Farrobo, perto de Vila Franca de Xira, acompanhando um ano depois, em 1896, os seminaristas para S. Vicente de Fora.
Além do trabalho de director espiritual preparava as visitas pastorais do prelado lisbonense às diversas freguesias do patriarcado – sendo por esse motivo apelidado «São João Baptista Precursor» – e exercia o seu ministério sacerdotal na Igreja de S. Vicente e na capela do Conventinho das Clarissas do Desagravo.
Sofreu a perseguição nos últimos anos da monarquia e nos primeiros do regime republicano, sendo duas vezes preso pelas autoridades do novo regime.
Em 1913 dá a primeira comunhão à vidente Lúcia, então com seis anos de idade, e em 1917 vai a Fátima falar com os três pastorinhos, rezando com eles o terço junto do local onde lhes aparecia Nossa Senhora e assegurando-lhes que era a Virgem quem lhes aparecia.

Entrada na Companhia de Jesus


Com 81 anos de idade realiza o sonho da sua vida, fazendo os votos religiosos da Companhia de Jesus, cumprindo assim o voto que fizera em 1886, de entrar nela se Deus lhe desse saúde.
Já em 1901 e 1910 tentara satisfazer o seu desejo, ao que os superiores da Companhia se opuseram.
Finalmente, em 1929, conseguiu de Pio XI fazer os votos religiosos à hora da morte, e de Pio XII, em 1940, emiti-los já, o que fez no noviciado em Guimarães, a 3 de Dezembro desse ano, festa de São Francisco Xavier, santo da sua grande devoção, que tomara por protector, mestre e modelo.
Pio Xll não só o dispensou do noviciado como lhe permitiu continuar a viver fora das casas da sua religião. Contudo, era muito cuidadoso em pedir as devidas licenças aos seus superiores religiosos.

O Padre Cruz vivia só para Deus e para as almas. Até quase à hora morte, a sua vida foi um contínuo peregrinar por todo o Portugal a confessar, a pregar, a abençoar e a consolar, numa palavra, a fazer bem.

Apesar de saúde muito precária, nunca conhecia descanso e quando lho recomendavam respondia: «Temos uma eternidade para descansar». De facto, fazendo-se tudo para todos como S. Paulo, não vivendo para si mas só para almas cuja eterna salvação procurava, não se poupava a trabalhos e sacrifícios para o conseguir.
As suas viagens foram contínuas, usava toda a espécie de transportes, e quando a natureza do caminho não permitia outros, como nas serras, ia de burro ou em cadeirinha de mão.
Cumpria admiravelmente o que pregava aos sacerdotes nas conferências da União Apostólica do Clero.
"A nossa missão é esta : confessar enquanto houver pecadores ao pé do confessionário; pregar enquanto houver ouvintes no templo; e rezar até já não poder mais".
Em 1942, com 83 anos, o seu zelo leva-o ainda a percorrer as ilhas da Madeira e dos Açores. Porém, o seu ministério sacerdotal exerceu-o de preferência junto dos humildes.
Quando o cardeal D. António Mendes Belo, que escolhera o Padre Cruz para seu confessor, o pretende nomear cónego da Sé Patriarcal, o ilustre alcochetano escreve-lhe uma carta, datada de 27 de Março de 1925, repassada de humildade, obediência e zelo da salvação das almas, na qual manifesta o desejo, que considerava especial vocação de Deus, de se dedicar ao apostolado entre "os presos das cadeias, os doentes dos hospitais, os pobrezinhos e abandonados, e tantos pecadores e almas abandonadas".

Alcochete sempre no coração

Preocupação constante do seu zelo era a terra natal. Procurava o seu bem espiritual, arranjando confessores e pregadores para as primeiras sexta-feiras e festividades, pagando a professoras que ensinassem também a doutrina cristã às crianças, quando esse ensino estava interdito, e materialmente socorria famílias necessitadas, mandando dar esmolas aos pobres, em géneros e dinheiro.
Alcochete soube corresponder-lhe com gratidão, sobretudo no 60.° aniversário da sua primeira missa, em 1912, e, ao ser aberta ao público a Igreja Matriz, após as obras de restauro de 1945, afirmaria nessa ocasião o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira: "Alcochete, só por ser a terra do Padre Cruz, virá a ser um dia lugar de peregrinação». Não se enganou, como é bem patente na estátua existente no Largo de São João, junto da qual já observei em recolhimento gente conhecida no país.

O fim de um grande alcochetano

A última vez que o Padre Cruz pôde celebrar missa foi a dia 1 de Dezembro de 1947, prostrado por uma pneumonia. No dia 8 recebe os últimos sacramentos e no dia 12, moribundo, é-lhe recitado o ofício da agonia. Melhora e só a 1 de Outubro do ano seguinte, tendo-lhe sido administrada a comunhão, como de costume, no quarto, depois de breve Acção de Graças, sobrevem-lhe pelas 8h30 um colapso cardíaco.
Suavemente entrega a alma a Deus.
A venerar o cadáver estiveram o Cardeal Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, que lhe beijou comovido as mãos, monsenhor Umberto Mozzoni, em representação do Núncio Apostólico, e muitas outras pessoas de relevo social na época.
Na tarde do dia 2 de Outubro, o corpo, conduzido processionalmente para a Sé Patriarcal, ali fica exposto, desfilando perante ele, continuamente, dia e noite, milhares de pessoas, querendo tocar naqueles despojos terços, crucifixos, estampas, etc.
No dia seguinte, por determinação do Patriarca, celebram-se solenes exéquias na Sé, presididas pelo próprio, com a assistência do Cabido, de membros do governo e de inúmeras individualidades. Pelas 15 horas realiza-se o funeral, ficando o corpo depositado no jazigo na Companhia de Jesus, no cemitério de Benfica (Lisboa), segundo a vontade expressamente exarada pelo Padre Cruz num documento.
E, tal como a sua estátua em Alcochete, também à porta do jazigo há sempre inúmeros ramos de flores frescas.
O Padre Cruz praticou todas as virtudes em grau extraordinário, dizem-no os que o conheceram. Já em 1894, numa carta dirigida pelo superior dos Salesianos ao vigário geral da Congregação de S. João Bosco, se diz que "o Padre Francisco da Cruz é de uma tal virtude que em Braga costumam chamar-lhe 'o Padre Santo'.

Considerado santo já em vida e atribuindo-se-lhe intervenção poderosa na obtenção de graças maravilhosas, foram feitos pela autoridade eclesiástica os processos canónicos em ordem à sua beatificação.
Esses processos foram entregues à Sagrada Congregação dos Ritos, em 17 de Setembro de 1965, e aprovados em 30 de Dezembro de 1971. Desde que se provem, além disso, dois milagres alcançados pela sua intercessão, a Santa Sé elevará às honras dos altares o Padre Francisco Rodrigues da Cruz, glória da vila de Alcochete. O processo continua pendente no Vaticano.

Documentos complementares para consulta

Os documentos que reproduzo têm a singela finalidade de ajudar a compreender a mística e a fé que rodeiam este alcochetano simples, sereno e bondoso, mas capaz de fazer rir quem o escutava.
Tanto pelos documentos que publico, uma vez mais, como por relatos de quem o conheceu em vida, depreende-se que, já adulto, o padre jesuíta Francisco Rodrigues da Cruz residia em Lisboa mas nunca deixou de voltar regularmente à sua terra.
Atravessava o Tejo no vapor que todos conheciam, carinhosamente, como "O menino", como qualquer outro modesto cidadão, e assim que punha o pé em terra era rodeado por um bando de miúdos, que o acompanhavam nas deambulações pela vila.

Esses miúdos são hoje os avós das mais antigas famílias da vila e seria lamentável se esses testemunhos orais se perdessem para sempre. Porque uma coisa é o que relatam jornalistas, biógrafos e escritores; outra, bem distinta, a vivência dos protagonistas das pequenas histórias do quotidiano.
De cima para baixo, eis a identificação das imagens publicadas:
1 - Uma imagem pouco conhecida do Padre Cruz (da colecção familiar), datada da última parte da sua vida;
2 - Caligrafia e assinatura pessoal num cartão dirigido ao sobrinho-neto, dr. Elmano Alves;
3 - Frontaria da casa situada no Largo Barão de Samora Correia (vulgo Rossio), onde existe a placa que assinala o local de nascimento;
4 - Recorte de jornal da colecção da família
5 - Medalha comemorativa do centenário do seu nascimento (colecção familiar);
6 - A sua última imagem em vida, na qual vem a basear-se o autor da estátua existente no Largo de São João, em Alcochete;
7 - Estátua do Padre Cruz, em Alcochete, da autoria do escultor Luís Valdés Castelo Branco, inaugurada a 15 de Janeiro de 1969.
A maioria desconhece que a face reproduzida no bronze foi obtida a partir da própria máscara funerária;
8 - Imagem da cerimónia inaugural da estátua do Padre Cruz;
9 - Recorte do «Diário de Notícias»

As imagens a cores são minhas e as restantes reproduzidas a partir de documentos originais cedidos pelos drs. Francisco Elmano Alves (sobrinho-neto do Padre Cruz) e João Marafuga

28 julho 2009

Notícias deste condomínio

«Praia dos Moinhos» terá apreciável número de condóminos a candidatar-se a cargos públicos nas próximas eleições autárquicas.
Não garanto dispor ainda de informação completa mas, até à data, consegui apurar que, entre os 11 autores presentemente inscritos na lista ao lado, quatro (36,3%) figurarão em listas de candidatura.
E não serei eu a revelar os respectivos nomes (tendo sido anunciados, há muito, os casos de António Maduro e de Luís Proença), por entender que as decisões de candidatura a cargos de representação política devem ser formal e pessoalmente anunciadas e justificadas pelos próprios no momento considerado oportuno.
Sei também que mais dois condóminos de «Praia dos Moinhos» foram sondados ou formalmente convidados a integrar listas, embora por razões distintas rejeitassem as propostas.
Espero que os quatro futuros candidatos aproveitem os próximos meses para intervir mais assiduamente neste blogue, porquanto não sendo eu, pelo menos, candidato a nada nem a coisa alguma, considero ter chegado o tempo de algum interregno.
Não me demito do direito à cidadania, mas esses quatro têm agora o dever cívico de nos colocar perante propostas, ideias e perspectivas que ajudem a reflectir e a decidir na hora de votar. Deverão ainda responder às dúvidas que cidadãos devidamente identificados (entre os quais eu próprio) colocarem nas caixas de comentários.

27 julho 2009

História do pavilhão gimnodesportivo

O Pavilhão Gimnodesportivo de Alcochete nasceu num picadeiro do Valbom e teve projecto definitivo aprovado em 1972, sendo inaugurado no início de 1974.


Correspondendo a uma aspiração antiga e vivamente sentida pela juventude da terra, particularmente do sector escolar, ao cessar o exercício do cargo de vice-presidente da Câmara Municipal e ser chamado a desempenhar as funções de subsecretário de Estado da Juventude e Desportos no governo de Marcelo Caetano, o dr. Elmano Cruz Alves – pessoa com afinidades e raízes familiares no concelho – a 12 de Janeiro de 1970 proferia o despacho que criava o Pavilhão Gimnodesportivo de Alcochete.
Ao mesmo tempo atribuía-lhe o primeiro subsídio, para adaptação a ginásio do picadeiro da Quinta do Valbom, adquirido pelo município para a instalação provisória da Escola Preparatória d'El-Rei D. Manuel I. Tratava-se de uma solução de recurso, para permitir a utilização imediata pela população jovem.
Após deixar o Governo o dr. Elmano Alves continuaria a interessar-se pelo processo do pavilhão de Alcochete, junto do Director-Geral dos Desportos, dr. Armando Rocha, e do seu sucessor no cargo de subsecretário, dr. Augusto de Ataíde.
Em 1972 seria aprovado o projecto da construção de raiz do actual pavilhão gimnodesportivo, sendo as obras iniciadas de imediato e ficando a cargo da Câmara Municipal de Alcochete, com a comparticipação financeira do Ministério da Educação Nacional, do Fundo de Fomento do Desporto e do Ministério das Obras Públicas.

O novo pavilhão seria solenemente inaugurado na festa comemorativa da restauração do concelho, a 15 de Janeiro de 1974, com a presença do dr. Augusto de Ataíde e demais entidades oficiais.

O pavilhão tem capacidade para 600 espectadores e uma área útil de 40x20 metros, estando dotado de balneários e sanitários. Todas as colectividades sedeadas na vila, praticantes de várias modalidades (nomeadamente futsal e andebol), o utilizam para treinos e competição.
Nos últimos anos beneficiou da colocação de novos pavimento e cobertura, da instalação de aparelhagem sonora, da remodelação do sistema de aquecimento de água e de pintura de interiores e exteriores.
Durante 26 anos foi o único gimnodesportivo coberto do concelho – até à inauguração do pavilhão de Samouco, em 2000 – e durante 30 anos foi também único na vila, realizando-se nele as aulas de ginástica da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I a partir do 7.º ano de escolaridade.
É curioso o testemunho do dr. Elmano Alves, que diz desconhecer e nunca ter entrado no Pavilhão Gimnodesportivo de Alcochete.

26 julho 2009

Globalização


Na Civilização Ocidental Judaico-Cristã que a todo o homem e mulher de rosto alto compete defender, a palavra inteligência significa pergunta.
Por isso mesmo, nos totalitarismos a inteligência é ferozmente reprimida e a pergunta pode levar o perguntador à morte.
Quem gosta menos de ler e mais de ver filmes pode aperceber-se da justeza das minhas palavras em O Pianista dirigido por Roman Polanski.
A nova pergunta que eu quero dirigir a Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva é a seguinte: o que pensam estes candidatos locais sobre a globalização, objecto da recente encíclica, Caritas in Veritate, de Bento XVI?
Até agora, às mil perguntas que fiz ainda não obtive resposta nenhuma, o que é estranho porque, segundo o filósofo francês Emmanuel Lévinas (na foto), o outro o que pede é respostas.

25 julho 2009

É preciso pensar nas soluções

É extenso mas vale a pena ler com atenção este texto para compreender como e por quem os portugueses foram convertidos em servos para ter uma casa com condições mínimas (dica de ASul).
A solução para este estado de coisas depende sobretudo do poder local e menos do Estado.
Terão os candidatos locais soluções pensadas e planeadas?

Luis Franco e a CDU - CARTÃO VERMELHO em matéria de emprego em Alcochete

O Praia dos Moinhos divulgou ontem informação relevante sobre os números do desemprego no concelho de Alcochete , situação , que em Maio deste ano , afectava segundo o quadro ali publicado , cerca de um em cada 30 munícipes de Alcochete.
Muito provavelmente muitos serão tentados a concluir que a questão do desemprego é da exclusiva responsabilidade do poder central , pelo que estas estatísticas pouco ou nada poderão contribuir para uma avaliação do trabalho dos executivos camarários.
Pelo menos será essa a convicção que mais convém aos interesses da CDU e de Luís Franco (Dr.) em Alcochete, que , como é do conhecimento geral , pouco ou nada fizeram de relevante pelo concelho nestes últimos quatro anos , recorrendo sistematicamente à desculpa da crise e da perseguição de Lisboa para justificarem a lassidão que caracterizou o seu mandato.
PURO ENGANO.
Hoje em dia os municípios assumem um papel decisivo naquilo que tem a ver com a criação de postos de trabalho.
Desde logo pela criação de condições de confiança no relacionamento com os agentes económicos locais. Por outro lado, os municípios têm um papel, à escala local e regional, de agente de promoção de investimento que contrarie uma situação de abstenção, fruto de um quadro económico complexo, por parte dos agentes económicos privados.
NADA DISTO ACONTECEU EM ALCOCHETE NO MANDATO DE LUIS FRANCO E DA CDU.
Para a maximização da eficácia desta intervenção específica dos municípios em politica de emprego tem contribuído a atenuação gradual do peso das despesas correntes em detrimento da despesa de investimento na a estrutura do orçamento municipal.
Não é preciso ser economista para entender que sem investimento não há mais emprego. , e há muito que as Câmaras Municipais se tornaram agentes privilegiados em matéria de politica de emprego.
Em Alcochete acontece precisamente o contrário.
Conforme foi oportunamente denunciado pelo PSD/Alcochete na Assembleia Municipal e nos órgãos de comunicação social local , o Orçamento de 2008 proposto por Luís Franco e pela CDU contempla um aumento da despesa corrente no valor de € 1.320.687, ou seja mais 11,9% do que o orçamentado em 2008, fazendo parte desse montante o aumento de € 1.069.819 em despesas com pessoal , isto apesar da autarquia encaixar mais € 1.320.687 de receita do que o orçamentado no ano anterior.
Ou seja , contrariamente ao que seria de esperar , o aumento da receita não será acompanhada por um aumento do investimento, muito pelo contrário. Para 2009 o PPI – Plano Plurianual de Investimentos, será reduzido em 5,4%, passando dos € 6.301.872 orçamentados em 2008 para € 5.961.143.
Eis um sinal inequívoco de uma politica absolutamente irresponsável de Luís Franco e da CDU em matéria de promoção de emprego em Alcochete.
Quais são, neste contexto, outras das medidas que correspondem a uma renovada atenção ao papel dos municípios à politica de emprego?
Em primeiro lugar, uma renovada atenção à necessidade que permita dar confiança às pequenas e médias empresas. E isso passa por uma cultura de pagamento atempado das suas dividas aos fornecedores.
Este factor não só permite melhorar a relação das autarquias com as empresas como permite injectar recursos significativos em empresas – muitas vezes de pequena e média dimensão - que actuam a nível local e regional, criando um quadro de confiança e condições acrescidas para a actuação dessas empresas.
Também neste capítulo acontece precisamente o contrário em Alcochete.
A mesma Câmara Municipal que se dispõe a gastar milhares de euros em eventos festivos com fins eleitoraliços não paga a tempo e horas aos seus fornecedores.
Ainda há dias , um funcionário da Câmara Municipal de Alcochete me confidenciava que na maior parte das vezes já nem atendem as chamadas telefónicas dos fornecedores a solicitar o pagamento dos seus créditos , ou então pedem-lhes para voltar a contactar daí a 3 ou 4 meses.
Por outro lado , há aspectos de utilização de instrumentos que a Lei das Finanças Locais veio conceder e que permitem mecanismos de incentivo à actividade das empresas e sinais positivos para as famílias, que crescentemente os municípios têm vindo a adoptar, compreendendo que este é também um campo de acção que lhes cabe.
A Lei das Finanças Locais veio permitir a redução de 5% da colecta de IRS devida pelos cidadãos na parcela em que essa participação integra as receitas municipais.
A Câmara Municipal de Alcochete assobiou para o lado…
Foi também a Lei das Finanças Locais que criou uma nova oportunidade de, lançando derrama, o município defina uma taxa mais baixa ou até uma isenção para as pequenas e médias empresas. Relativamente a 2009, 48 municípios tomaram essa opção.
A Derrama que é o imposto que os municípios podem lançar anualmente até ao limite máximo de 1,5% sobre o lucro tributável sujeito e não isento de imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas (IRC), que corresponda à proporção do rendimento gerado na sua área geográfica por sujeitos passivos que exerçam, a título principal, uma actividade de natureza comercial, industrial ou agrícola.
Contrariando esta tendência , Luís Franco e a CDU aplicam em Alcochete a taxa máxima de Derrama , ou seja 1,50% , não havendo sequer isenções totais ou parciais relativamente a esse imposto que , como foi oportunamente referido , representa uma percentagem muito pouco significativa das receitas municipais.
Outras das medidas que promovem a confiança necessária à atracção de investimento , são também mecanismos com impacto nos cidadãos e nas empresas em tudo o que tem a ver com a simplificação de procedimentos. A agilização dos procedimentos de licenciamento e a desmaterialização dos processos adoptada pela maioria dos municípios é um facto relevante em matéria de escolha da localização dos investimentos por parte dos seus promotores.
Em Alcochete , neste mandato pouco ou nada se fez nessa matéria.
Outras medidas já adoptadas há muito por outras Câmaras Municipais poderiam ter sido implementadas em Alcochete no âmbito de uma politica séria de promoção do emprego.
A título de exemplo refiro a implementação de Programas de Estágios Profissionais que poderiam ser promovidos pelo Departamento de Recursos Humanos da autarquia, programas Inserção-Emprego, Escolas-Oficina e Clubes de Emprego,que poderiam ser promovidos pela CMA , bem como os Programas de Ocupação de Tempos Livres
No espaço dos Paços do Concelho e das Juntas de Freguesia poderiam ainda ser disponibilizados computadores para acesso directo aos sites de emprego, de modo a que os interessados pudessem introduzir os elementos dos seus curriculos numa base de dados.
Também seria interessante promover um Observatório do Emprego em Alcochete, que teria como missão caracterizar o concelho em termos de emprego/desemprego, no sentido de se poderem desenvolver estratégias e programas específicos para um apoio mais eficazna busca de soluções.
Mais do que saber, é preciso saber fazer e Luís Franco e a CDU já provaram suficientemente que nem uma coisa nem outra.
Tudo o que Luís Franco e a CDU fizeram neste mandato nessa matéria foi umas visitas oportunistas e eleitoralistas a alguns empresários locais para lhes dar umas palmadinhas nas costas e os incentivar para o futuro , tudo com a bênção da senhora directora do Centro de emprego do Montijo que se prestou a tão caricata figura. Desconfio que sei porquê….
É a esta triste realidade que se reduz a politica de Luís Franco e da CDU em matéria de emprego em Alcochete.

Já agora e a titulo de curiosidade , refiro que no passado dia a 7 de Abril o Ministro Vieira da Silva deslocou-se ao Centro de Formação Profissional do Seixal onde estiveram representadas a maioria das Câmaras Municipais do Distrito de Setúbal e um elevado numero de Juntas de Freguesia e entidades privadas sem fins lucrativos. Nesta cerimónia realizaram-se dois actos: o primeiro em que as entidades assinaram protocolos de compromisso com o Sr. Ministro do Trabalho em como irão apresentar candidaturas para inserir desempregados em Contratos de Emprego Inserção e em Estágios Profissionais e um segundo acto em que algumas entidades assinaram termos de responsabilidades com os directores dos Centros de Emprego relativamente a candidaturas já aprovadas para a integração de desempregados em Contratos de Emprego Inserção.
Assim, nesta fase pública de partilha de responsabilidade, as autarquias locais e o sector social da Península de Setúbal comprometeram-se em integrar 1027 desempregados, sendo que destes, 480 foram assumidos por autarquias, nomeadamente.
A Câmara Municipal de Alcochete comprometeu-se a integrar 35 desempregados em Contratos de Emprego Inserção. Segundo sei , até à data , a Câmara Municipal de Alcochete não cumpriu o compromisso que assinou em Abril deste ano.
É também por tudo isto que em Outubro é preciso MUDAR.
PS: Relacionado com este tema sugiro ainda uma leitura deste texto neste link:

24 julho 2009

Má notícia


O gráfico acima parece-me suficientemente claro e esclarecedor. No passado mês de Maio, em cada 31 alcochetanos um estava desempregado.
Para quem tenha dúvidas de que o problema continua a agravar-se, recomendo a consulta deste texto contendo os dados precedentes.

23 julho 2009

Os casamentos homossexuais

Li hoje no SOl online o seguinte: «o programa eleitoral do PS que será aprovado Sexta-Feira e apresentado publicamente Sábado, defenderá os casamentos entre cidadãos homossexuais...» (http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=142805).
Perante isto, eu sei que tenho todo o direito de querer saber dos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Alcochete qual a posição que claramente defendem face à matéria para a qual remete o link transcrito.
Já agora, também convinha que os mesmos candidatos nos dissessem, com todo o rigor, o que pensam sobre a eutanásia.

Berros e bom-senso

A propósito desta notícia e do deficiente funcionamento de alguns serviços públicos e privados, vem a talhe de foice sublinhar que os alcochetanos, em particular, e os portugueses, em geral, oralmente reclamam muito – às vezes sem razão nem justificação – mas raros se atiram ao teclado do computador ou pegam numa folha de papel, num envelope e num selo de correio, expondo críticas, opiniões e sugestões por escrito a quem de direito.
Se um autarca descura os seus deveres, se um médico não cumpre o horário estipulado, se um serviço está mal organizado e não contempla as necessidades, o desconhecimento, as limitações e os interesses de quem a eles recorre, natural seria que, em vez de reclamarem entre dentes, em alta voz ou aos berros, atingindo até as pessoas erradas, as vítimas visassem directamente os responsáveis, que nunca estão presentes nem disponíveis ou parecem distraídos, cegos, surdos e mudos.
Informando-me, expondo ou reclamando por escrito e denunciando a ineficácia de serviços, nos últimos tempos consegui resolver a bem alguns problemas e até beneficiar de coisas raras nos dias de hoje: respeito e simpatia de pessoas que à maioria pareceriam inacessíveis.
Escreva a reclamar, justificadamente, sobre tudo o que lhe desagrada. Uma mensagem electrónica ou uma carta podem não mudar muita coisa; mas dez forçarão alguém a reflectir e cem implicarão uma revolução.
O exercício activo da cidadania é um direito individual de todos. Exerce-se na vivência diária e não somente em política.

21 julho 2009

As coisas são para se dizerem

Alcochete também anda nas bocas do mundo pelas piores razões.
Estou a referir-me ao caso de mega-corrupção, o caso Freeport. Neste é arguído o presidente anterior da Câmara Municipal de Alcochete, sr. José Inocêncio, homem levado ao poder pelo Partido Socialista.
Ou eu estou enganado ou os actuais candidatos à presidência da Câmara de Alcochete têm alguma coisa a ver com todo este processo.
Uma candidatura a presidente de Câmara não incluirá a defesa do bom nome da terra cuja gestão autárquica quer levantar à altura dos ombros?
Por eu pensar que sim, penso que os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva se deveriam demarcar de forma claríssima das práticas suspeitas relativas ao licenciamento de todo o espaço para o empreendimento comercial em foco.
Porque das duas tem que ser uma: ou as pessoas iam vendo as coisas e calavam-se, sendo coniventes com a corrupção ou não viam nada e são incompetentes.
Se há alguma pertinência no que eu digo, há gente que por aí anda que não se pode candidatar a cargos públicos.

20 julho 2009

Autárquicas 2009 (2)

Há outras perguntas que posso acrescentar às do texto imediatamente anterior para colocar aos candidatos à presidência da Câmara Municipal de Alcochete.
Aqui tão pertinho de nós, sempre foi um facto com pergaminhos históricos a tendência hegemónica do Montijo sobre Alcochete. Há pessoas que chegam a falar e a escrever da inevitabilidade de a nossa terra perder a liberdade autonómica. Sobre esta matéria, os candidatos Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva que opinariam?
Alcochete é uma manta de retalhos de todas as cores. Além dos autóctones e dos novos moradores, há imigrantes de vários países do Leste Europeu, de África, do Brasil, etc. Ora eu penso que é possível defender a alcochetanidade e os imigrantes. Que políticas têm Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para os muitos imigrantes estabelecidos em Alcochete?
Finalmente, numa humanidade cada vez mais unificada que faz de todos vizinhos de todos, eu gostava de saber quais os projectos de Luís Franco, António Maduro e Borges da Silva para a afirmação do papel de Alcochete em contexto tão novo e diversificado.
Espero que qualquer dos candidatos disponha de uma síntese orientadora em termos políticos que permita respostas pertinentes às minhas perguntas, todos eles dando fé aos eleitores da interiorização de um desígnio para Alcochete.

19 julho 2009

Autárquicas 2009 (1)

Entre nós há algumas questões que se poderiam considerar um pouco fracturantes e exigem da parte dos candidatos ao cargo de presidente da Câmara de Alcochete uma resposta urgente.
Eu vou falar de forma muito concreta, evitando lugares-comuns (clichés) porque me repugnam. Na verdade, creio que sou mais intelectual e menos político (conquistador do poder). Este meu linguajar não entra na cabeça de muitas pessoas, pois julgam que um professor que não se reclame de intelectual não se diminui a seus olhos e aos dos outros.
Mas voltemos à vaca fria.
Em relação à orla ribeirinha, especialmente à Praia dos Moinhos, urge saber qual é a posição de António Maduro e Borges da Silva, uma vez que existe toda uma gama de projectos que recebem o agrément dos comunistas para subtrair esta praia fluvial às populações. O ensaio mais grave deste abuso começou com as condições dadas aos holandeses para a instalação do estaleiro, hoje resumido a toneladas e toneladas de sucata cuja remoção pede enfrentamento político inadiável.
Segue-se o problema da municipalização da Fundação João Gonçalves Júnior. Que pensam António Maduro e Borges da Silva? Deixar as coisas como estão desde o PREC ou devolver a referida instituição à égide da Igreja Católica, fazendo jus ao Direito e à História?
Finalmente, no que respeita às colectividades, António Maduro e Borges da Silva defendem que as nossas associações continuem a viver à custa dos pagadores de impostos, assim assassinando todo o espírito do associativismo ou têm ideias claras para contrariar a política nefasta e nefanda dos comunistas?
É que na resposta que derem a estas questões, ficaremos a saber do grau de proximidade ou de distância destes candidatos a uma visão marxista da sociedade.

Pôr o dedo nas feridas

Um grupo de cidadãos insatisfeitos com os conteúdos e a qualidade do debate político-partidário, pretende lançar para a discussão partidária que antecede as eleições legislativas e autárquicas uma agenda de prioridades.
As propostas estão reunidas no manifesto “O nosso presente e o nosso futuro: algumas questões prementes”, um documento de 27 páginas em que é feito um diagnóstico da situação actual de cada área.
Chamo a atenção para o documento e dele transcrevo adiante algumas frases que me parecem directamente aplicáveis em Alcochete, porque:
- Também iremos ter propostas eleitorais avulsas a que ninguém ligará a mínima importância porque a descrença é demasiado generalizada;
- Aqui a democracia representativa também está de facto esvaziada e não se sabe ao certo quem é que ela representará no futuro;
- Há muito que se cavou um fosso entre as pessoas concretas e o sistema político do qual apenas alguns se servem;
- Localmente, o sistema democrático não representa verdadeiramente necessidades, anseios, interesses de todos os cidadãos e muito menos promove o bem comum;
- Está coarctado o exercício da cidadania activa – que excede amplamente o voto – porque a participação de todos, em momentos regulares, nunca influiu nas decisões políticas;
- Também aqui a democracia representativa tem colocado as vozes cidadãs na modalidade 'sem som'. Não há democracia autêntica mas autocracia disfarçada;
- Também aqui a cultura política e administrativa dominante tende a considerar o envolvimento público mais como um bloqueio à eficácia da acção política do que como uma legítima e útil contribuição.

Segue-se a transcrição completa de frases do manifesto que me parecem mais directamente aplicáveis ao meio local, lamentando que o documento não se debruce sobre a problemática do poder autárquico:


"Estamos em vésperas de eleições. Os cidadãos, mulheres e homens, poderão ficar, mais uma vez, perante um menu diversificado de propostas avulsas, raramente bem esclarecidas e coerentes, sem terem em seu poder os dados necessários para fundamentarem e fazerem as suas escolhas.
"Continuarão alienados pela retórica dos discursos e cada vez mais descrentes quanto à importância do seu voto".

"A democracia representativa corre o risco de vir a ficar esvaziada, não se sabendo ao certo quem é que ela de facto representa. Com a classe política 'na posição inversa à que devia ter no corpo social', abre-se cada vez mais um fosso entre as pessoas concretas do país e o sistema político do qual apenas alguns se servem. O que faz falta é que o sistema democrático represente
verdadeiramente necessidades, anseios, interesses de todos os cidadãos e tenha condições para promover o bem comum.
"O exercício de uma cidadania activa excede amplamente o voto, significando a participação de todos, em momentos regulares, nas decisões políticas do país".

"Para além do voto, a democracia representativa tem colocado as vozes cidadãs na modalidade 'sem som', procurando até minimizar ou mesmo não ouvir as massivas expressões de rua, nas manifestações de protesto. Uma democracia que não ouve o povo é uma contradição nos próprios termos, tornando-se numa autocracia mais ou menos disfarçada.
"Há que repensar as formas de um exercício democrático, com uma cidadania e um espaço público com expressão política. Isto requer que os partidos e a governação conheçam a actual constituição da população deste país e quais as novas referências que alteram a relação dos cidadãos com a política".

"Todavia, constata-se que a cultura política e administrativa dominante tende a considerar o envolvimento público mais como um bloqueio à eficácia da acção política do que como uma legítima e útil contribuição.
"Em muitos casos as instituições estão desfasadas em relação aos desafios actuais, de uma sociedade da informação, do conhecimento e do risco".


As questões ficam lançadas. Responda quem tiver coragem política para analisar e reflectir sobre realidades concretas locais que, garantidamente, pesarão muitíssimo na maior abstenção de sempre em democracia.

18 julho 2009

Ingenuidade política


Diz Edouard Balladur: «Nada escapa à observação dos media e ninguém tem o direito de pretender escarpar-lhes. É um pecado, é uma violação da democracia sustentar que os media não têm o direito de acesso a tudo, de falar de tudo, de emitir juízos sobre tudo - juízos por vezes sumários e peremptórios. [...] Graças a eles [os jornalistas], a crítica exerce-se no dia-a-dia, enquanto o povo se manifesta através do voto apenas de vez em quando; a delegação do poder que ele faz naqueles que elegeu não exclui um controlo quotidiano. Quem poderá exercê-lo senão os jornalistas? E que significaria a liberdade de expressão se eles não fossem indiscretos, irritantes, ousados, malévolos e até de má-fé?» (Balladur, Edouard, Maquiavel em Democracia, Casa das Letras, Lisboa, 2006).
Diz Ondina Margo: «Ora a pergunta que faço é: e se as câmaras não tivessem apanhado o gesto de Pinho em directo? Provavelmente teríamos na mesma um comportamento reprovável que mereceria repúdio, mas duvido que fosse amplificado da maneira que foi, eclipsando por completo o debate do estado da nação e toda a discussão política subsequente em Portugal» (Jornal do Montijo, 17 de Julho de 2009).
Teria preferido Ondina Margo que as câmaras estivessem distraídas? Mas esta preferência interferiria com a competência dos jornalistas. Ondina está a deixar sob maus créditos estes profissionais da comunicação social. E é assim que esta senhora quer ascender ao exercício da política? Mas que ilusão!

17 julho 2009

E as Empresas do Concelho?

Gostaria hoje de reflectir sobre a notícia do Jornal de Alcochete que diz respeito à obra no campo desportivo da Escola do Monte Novo.

Finalmente, e após queixas na ASAE, denúncias da Associação de Pais e do candidato do PSD, Jorge Borges da Silva, parece que a Câmara Municipal irá finalmente avançar com obras de requalificação do campo desportivo do estabelecimento de ensino.
Segundo o JA, a adjudicação foi feita à Fabrigimno pela verba de 9055,50 euros, verba esta que será paga pelo Instituto do Desporto de Portugal e pela Federação Portuguesa de Futebol. Contra este tipo de protocolos não estou nem nunca estarei, mas gostaria de deixar duas perguntas pertinentes:

Será que para se fazer obra neste concelho, será sempre necessário haver quem pague as obras? Não tinha a Câmara Municipal os 9000 euros necessários à execução da Obra?

Uma outra questão muito importante prende-se com a adjudicação da obra à Empresa Fabrigimno...
Foi a Câmara que adjudicou directamente ou foram as entidades que pagaram?
Não havia no concelho uma empresa que até já doou à Câmara um outro campo de jogos noutra escola?
Não deveria essa empresa ser consultada sobre este assunto?
Será que foi?
Ou será que nem sequer se tiveram a amabilidade de a consultar?

Todas estas são questões que gostaria ter respostas por parte de alguém da Câmara Municipal, ou será pedir muito?

Já agora aproveito também para fazer uma outra pergunta ao executivo camarário:
A venda dos bilhetes para a Feira de Alcochete só rendeu 350 euros?
É que esse foi o último subsídio atribuído à Cercima pela Câmara Municipal (fonte Jornal de Alcochete).


Vamos lá falar claro


O meu amigo e amiga poderão ter pouco tempo para a leitura de fundo. Eu sei que assim é. Mas nada custa, pelo menos, ir ao motor de busca Google http://www.google.pt e, no rectângulo oblongo que lá aparece, escrever palavras ou expressões como "gulag", "holodomor", "o livro negro do comunismo", "crimes do bolchevismo", "crimes do estalinismo", "crimes do comunismo", etc., e, depois, clicar em IMAGENS e, de seguida, em PROCURAR IMAGENS.
Ajuíze por si.

Olho p'ra ti
És monte de ossos
Que mal fizeste?
Gostava de saber o que vias da vida
Qual foi o teu protesto
Por que te mataram como a rês para matadouro
Já te fizeram justiça?
Eu sei que não
Mas tu aí estas
A reclamá-la a brados que chegam aos céus
A nós
Teus vindouros
Que te devemos
Sem favor
Esse dever.

16 julho 2009

Alienações políticas


«O artigo 46º, n.º 4, da Constituição da República Portuguesa - Liberdade de Associação - diz que não são consentidas organizações racistas ou que perfilhem a ideologia fascista» (DN, 16-07-09).
Acredite quem quiser, há muitos anos que me interrogo por que razão a Constituição proíbe com toda a justeza organizações fascistas e deixa as comunistas a nadar no seio da nossa sociedade como peixes na água, quando os fascismos e o comunismo são totalitarismos porque controlam os mais ínfimos movimentos da vida do cidadão.
Mas contrariamente ao que diz o Diário de Notícias de hoje, eu não consigo ver que o fascismo seja uma ideologia totalitária de direita.
A direita política tem a ver com a liberdade individual, com o direito à propriedade privada sendo visceralmente contra o esvaziamento desta através de pesada tributação, com a economia de mercado que parte da livre iniciativa e da livre empresa, com o cristianismo contra a instauração de uma religião biónica (culto da natureza), com o valor da instituição família, etc.
O fascismo, tal como o comunismo, é a idolatria do Estado que se sobrepõe à sociedade, o culto do chefe, a polícia política, a censura, a forte restrição à liberdade individual, etc. Tudo isto tem alguma coisa a ver com a direita política?
À direita política pertence Alberto João Jardim que muito logicamente defende que seja consignada a proibição do comunismo na nossa Constituição.

15 julho 2009

A utopia bloquista

Eu nunca falei com Teresa Bonito nem garantiria que a reconhecesse se passasse na rua por esta militante do Bloco de Esquerda.
A nível local detesto falar de quem não conheço, mas desta vez tudo ultrapassa o meu poder de contenção face a parte tão fracturada relativamente a mim.
Em artigo no Jornal de Alcochete (15-07-09), sob o título "Políticas socialistas contra a crise do capitalismo", eu vejo que, afinal, do que se trata é de políticas socialistas contra o capitalismo, motor de real desenvolvimento da Humanidade nos últimos dois séculos.
Na verdade, as «...dez propostas Anti-crise»...» de Teresa Bonito são aquelas mesmas linhas políticas que estão na origem da crise que todos vivemos hoje em dia.
Se não há uma flexibilidade, regulada, por parte das empresas para despedimentos, é evidente que os lucros poderão virar em prejuízos sem emprego para ninguém. Mas não acaba aqui o ataque de Teresa Bonito às empresas que mais não é que uma estratégia de fragilização destas últimas, pois esta senhora, na segunda proposta, visa «impedir o pagamento de dividendos aos accionistas de empresas que receberam subsídios ou benefícios públicos». Eu não estou contra esse pagamento, apenas defendendo a regulamentação clara do mesmo, já que importa salvaguardar a livre empresa a todo o custo.
Quem paga o «direito à reforma aos 40 anos de trabalho sem penalizações», o «aumento das pensões e do salário mínimo [...]» e o «subsídio para todos os desempregados»? A resposta é fácil. Toda essa demagogia cantante para arrebanhar votos seria paga pelos pagadores de impostos, ficando estes cada vez mais e mais pobres.
O imposto, seja sobre o que for, tem que ser justo, não podendo ser encarado e/ou sentido por quem o paga como um roubo, lógica que se articula naturalmente com a «nacionalização do sector energético, GALP e EDP» e se opõe à dinâmica do capitalismo normalizado, alvo de todo o ódio das esquerdas à escala planetária.
O «predomínio do sector público na banca» significa, no fundo, o feroz controlo do Estado sobre a economia de mercado, ou seja, a guilhotina para a nossa liberdade.
Finalmente, concordo com o «encerramento de todos os off-shores». Se não concordasse, entraria em desprezível contradição comigo próprio, mas se vislumbro aqui qualquer coisa, é mesmo nessa contradição que cai Teresa Bonito, pois esta bloquista parece querer o «imposto sobre as grandes fortunas para financiar a segurança social» sem que persistam os off-shores já existentes e até cresçam em número por essas ilhas do mundo fora.
Outro aspecto da minha concordância com Teresa Bonito vai «...para as 35 horas semanais» de trabalho, máximo 40: cinco dias para trabalhar e dois para o lazer.
Se alguma vez o povo português fosse alienado ao ponto de dar os votos a pessoas ideologicamente identificadas com Teresa Bonito, Portugal transformar-se-ia num imenso gulag, tipo Coreia do Norte, onde todos seríamos reduzidos à escravização e animalização mais abjectas.

OLHO VIVO

Ler em http://alcochetanidades.blogspot.com "Olho vivo - Cuidado com o político bem falante e sem curriculum profissional".
Por Alcochete.

Plantai e semeai muito!


No passado, várias vezes escrevi neste blogue sobre a plantação de árvores, nomeadamente aqui e aqui.
Num dos textos alimentava expectativas de que os futuros candidatos à câmara de Alcochete inscrevessem nos seus programas a decisão de plantar (ou obrigar a plantar) uma árvore por cada nova dependência habitacional construída.
A menos de três meses da eleição de novos autarcas, não só se desconhecem planos de acção como ainda hoje estou à espera de decisões corajosas desse e doutros géneros. Não promessas mas planos concretos, viáveis e credíveis!
Certamente por coincidência, noutras paragens uma empresa imobiliária acaba de pegar na ideia para promoção comercial.
Continuo aqui, sentado, à beira-rio. E sem ver sequer passar navios!

13 julho 2009

O vira-rosto

Penso comigo
O vira-rosto,
Gesto vendido,
Safado e tosco.

Dou ida e volta
A meu pensar
Sem ver resposta
Boa de dar.

Surgiu-me ideia
Que fundo tem.
Deitas por terra
Preço de alguém,

Coragem de homem
Que falha em ti,
Pese aos que dormem
Ar mandarim,

Mera peçonha,
Isco fatal,
Veste medonha
Que tapa o mal.

João Marafuga

Novidade radiofónica

Está aqui uma notícia que conhecia há muito mas agora é oficial: em Alcochete, SuperFm sucede a Eco FM Rádio (104,8)

11 julho 2009

História da "fábrica do alumínio"




Entre o nascimento e a liquidação da sociedade anónima Alumínio Português (Angola) distam 36 anos atribulados, que principiam num sonho e terminam em lixo e sucata.
Em finais da década de 50 do século passado, o genial projecto cativa mais de quatro centenas de investidores, que decidem aproveitar várias oportunidades de mercado: a abundante bauxite existente em Angola, a construção da barragem hidroeléctrica de Cambambe (no rio Cuanza, província de Cuanza Norte, Angola) e a carência nacional de alumínio laminado para fins industriais.
Mas nada correrá de feição desde o início.
A Alumínio Português (Angola) é fundada em meados de 1958 e a fábrica de Alcochete demorará cerca de cinco anos a iniciar a laboração.
Porém, em Cambambe nunca haverá turbina para alimentar a fábrica que deveria ter sido edificada a poucos quilómetros de distância, no Dondo (província de Cuanza Norte, cerca de 190kms a Sudoeste de Luanda), e, entre finais de 1963 e meados de 1964, a laminagem de Alcochete arranca em pleno com chapa de alumínio importada. Primeiro de França e depois de Espanha.
Frustrada a montagem do ciclo completo de produção, o projecto apresenta debilidades, fica dependente de fornecedores estrangeiros e a sua viabilidade estava em risco.
Daí que os edifícios fronteiros à Praça de Touros de Alcochete representem apenas a terceira e última parte de um gigantesco empreendimento industrial que ficou no papel, pois faltaram duas áreas-chave: o porto para navios de grande tonelagem – que transportariam os lingotes de alumínio de Angola – e a extensa área industrial destinada à sua transformação em chapa.
Hoje nada resta desses planos porque, segundo testemunho de quem participou com mágoa na liquidação do Alumínio Português (Angola), a maqueta foi destruída e as plantas transformadas em desperdícios de papel numa conhecida empresa local da especialidade.
Com altos e baixos, a laminagem de Alcochete laboraria cerca de 30 anos, dando emprego no máximo a 104 trabalhadores. Dedicou-se apenas à transformação de chapas de alumínio com 0,7 milímetros de espessura em laminados industriais de seis ou sete mícron (milésimo de milímetro), destinados a embalagens industriais de vários tipos.
Desconhece a maioria dos portugueses que nessas três décadas se consumiram toneladas de caldos Knorr, bombons e chocolates Regina, Rajá, Aliança e Imperial; milhões de litros de bebidas (vinho, leite, whisky, etc.) e fumaram-se milhões de cigarros da Tabaqueira e da Micaelense de Tabacos (Açores), tudo embalado em 'papel prateado' fabricado em Alcochete.
Com espessuras um pouco superiores, em Alcochete fabricaram-se também milhões de embalagens de alumínio para produtos alimentares, além dos primeiros rolos de papel de alumínio para uso doméstico, cujo invólucro ainda hoje é recordado pelos mais velhos (ver filme acima).
Contudo, a protecção à indústria nacional cessará, obrigatoriamente, em 1985, com a adesão à então CEE (hoje União Europeia), momento a partir do qual as empresas consumidoras de laminados de alumínio se abastecem no estrangeiro, onde os preços são inferiores por motivos de rentabilidade.
Basta referir que, com uma tecnologia ultrapassada e do final da década de cinquenta, 25 anos depois a fábrica de Alcochete laminava chapa à razão de cinco metros por minuto. A Pechiney francesa produzia a 60 metros por minuto.


Agonia lenta

A extinta sociedade anónima Alumínio Português (Angola) existiu por iniciativa e vontade de 446 empresários de vários sectores – de que se destacam a Metalúrgica Alba de Albergaria-a-Velha e a Lusalite de Lisboa – que a constituíram por escritura pública celebrada a 6 de Agosto de 1958, com o objectivo de proceder à exploração da indústria do alumínio em todas as suas modalidades. O capital social inicial era de 33.000.000$00, que poderia ser aumentado até 500.000.000$00.
O empreendimento foi estruturado do seguinte modo:
a) As operações de electrólise, conducentes ao fabrico do alumínio em lingotes e as transformações economicamente adequadas para consumo em Angola e exportação, seriam localizadas em Angola, junto à barragem de Cambambe;
b) Na Metrópole, principal mercado nacional e de exportação, situar-se-ia uma grande fábrica de laminagem, destinada à produção de chapas, folhas, tiras, discos, barras, perfilados, tubos, arames, etc.
O empreendimento em Angola fora planeado para produzir 50.000 toneladas/ano de lingotes, com um consumo médio de electricidade, então equivalente a 2,5 vezes o da cidade de Lisboa, aproveitando, por um lado, a fonte energética de Cambambe e, por outro, a existência em Angola de abundante matéria-prima (bauxite).
O êxito da exploração da fábrica de laminagem em Alcochete estava condicionado ao fornecimento dos lingotes de alumínio produzidos a mais baixo custo na fábrica de electrólise do Dondo, a qual lhe garantiria um preço final largamente competitivo.
O facto de nunca ter existido a fábrica do Dondo criará dificuldades permanentes e insuperáveis à rentabilidade da unidade de laminagem.
Nos relatórios contabilísticos de sucessivos anos, a Alumínio Português (Angola) encerrará as contas do exercício com prejuízo, até à sua dissolução e encerramento a 31 de Outubro de 1994.
Os primeiros anos de actividade serão dominados pela execução dos estudos para a fábrica do Dondo e pelos contratos para a obtenção da energia eléctrica de Cambambe, em estreita colaboração com o grupo francês Pechiney – Compagnie de Produits Chimiques et Electro-Metalurgiques, fornecedor da tecnologia de fabrico.
Em 7 de Abril de 1959 procede-se ao primeiro aumento de capital para 33.000.000$00. Em 8 de Abril de 1961 um consórcio bancário francês, liderado pelo Crédit Lyonnais, celebra um acordo para financiamento da primeira fase da construção da fábrica de alumínio em Angola. O montante do crédito elevar-se-á a cerca de 420.000.000$00.
Mas a 15 de Março de 1961 rebentam os massacres no Norte de Angola, primeiro acto sangrento que virá a despoletar a guerra colonial. Daí em diante a insegurança e o risco em que passam a viver os técnicos e demais pessoal afecto aos estudos e levantamentos dos terrenos do Dondo, tornam cada vez mais difícil avançar com o projecto, acabando por levar à sua suspensão "sine die".

Laminagem de Alcochete usa matéria prima estrangeira

Após a fundação da Alumínio Português (Angola), tornava-se inadiável avançar com o projecto da fábrica de laminagem a instalar no Continente, contando de início com matéria-prima fornecida pela multinacional francesa Pechiney.
Surgem várias propostas de localização da fábrica e a mais favorecida tinha a preferência de um grupo de accionistas ligados a urbanizações e terrenos em Alverca do Ribatejo e Vila Franca de Xira. Um proprietário de Alcochete apresenta um preço despropositado e, para mais, acrescido da exigência de um lugar na administração da empresa.
Torna-se então decisiva a intervenção do dr. Elmano Alves, pessoa com grandes afinidades políticas e sociais no concelho, que convence familiares – co-proprietários da Quinta Nova do Forno da Telha, com 14 hectares, situada à entrada de Alcochete, com frentes para a Praça de Touros, para o rio e para a Estrada Nacional 119 – a venderem esse terreno ao Alumínio por um preço quase simbólico: 25$00 por metro quadrado.
Basta referir que, no balanço do exercício de 1992, os terrenos foram inventariados a 864$28/m2 e, aquando da liquidação da sociedade, em finais de 1994, foram transaccionados a 6.500$/m2.
O jornal «A Voz de Alcochete», edição de Julho de 1959, refere-se elogiosamente ao facto da família Cruz, uma vez mais, ter sabido "limitar os seus lucros e justos interesses a bem da terra e do seu povo. Outros sigam o seu exemplo e, dentro em breve, não haverá crise de trabalho em Alcochete".
Igualmente o jornal «Distrito de Setúbal» dá notícia da compra do "Forno da Telha" pelo Alumínio, nestes termos: "É grande o regozijo da população, que não descansa de encarecer a atitude tomada pelos principais proprietários do terreno escolhido, respectivamente D. Isabel da Silva Cruz e dr. Elmano Alves e mulher, os quais desde a primeira hora se propuseram estabelecer um preço acessível, limitando os seus interesses, com a condição de que esta fábrica não saísse de Alcochete".
O relatório da administração do Alumínio, de Outubro de 1962, dá conta de estar em marcha a construção da fábrica de laminagem em Alcochete, que ficaria apta a produzir no final de 1963. Note-se que a indústria do alumínio estava incluída no III Plano de Fomento do Estado Novo, como única indústria de base para Angola, entre os anos de 1959 e 1964.
Em 20 de Dezembro de 1965 a administração do Alumínio informava que a fábrica de Alcochete, após a montagem da maquinaria, atingia a plenitude das suas potencialidades técnicas, estando apta a abastecer o mercado nacional e a realizar todas as fases intermédias da produção, utilizando papel, cartolina, cartão plástico, etc.
Aguardava-se, todavia, o fornecimento de produto resultante da electrólise de Angola. E negociava-se então (1965), em França, um aumento de capital para 852.000 contos.
A matéria-prima de Angola nunca chegará a Alcochete porque a fábrica do Dondo nem sequer arrancou. Então a Pechiney devolve as acções, que recebera a título de "engeneering" e mais compensações, e o contrato com o grupo francês cessa em 1969.
Em 10 de Junho de 1970 regista-se também o falecimento do dr. Manuel José Lucas de Sousa, grande impulsionador da iniciativa do Alumínio e perda irreparável para a liderança da empresa. Um óbito que marcará o princípio do fim do projecto.

Sonho começa a esfumar-se

Os anos sucedem-se e os resultados negativos também. Apenas em quatro exercícios, em que participou como administrador o dr. José Luís Esteves da Fonseca, se conseguiram resultados equilibrados.
Assim se chega à última assembleia geral de accionistas do Alumínio Português (Angola), em 1993. Então, um grupo liderado pelo dr. Rui Lucas de Sousa – filho do fundador da empresa e desejoso de ocupar o poder – consegue ser proclamado vencedor num escrutínio que deixaria as maiores dúvidas na contagem.
O grupo que assume a administração não tinha capacidade técnica nem gerencial, sobretudo para assegurar os financiamentos da banca. A dívida à Pechiney ascendia então a 153.000 contos e, suspensos os fornecimentos pela multinacional francesa, a administração do Alumínio volta-se para Espanha, celebrando um acordo ruinoso com a Inespal, apenas para manter a laboração.
As vendas passam a fazer-se abaixo dos custos de produção e depressa a dívida ao fornecedor espanhol se eleva a 100.000 contos. A maioria dos encarregados da fábrica tem quase 30 anos de serviço, restam cerca de 90 empregados, a tecnologia é obsoleta e não há dinheiro para a reconversão. Aproxima-se o fim.
No 1.º trimestre de 1994 acaba-se o stock de matéria-prima e em Agosto seguinte – quando a fábrica está encerrada para férias, como sempre foi tradição – demitem-se três dos cinco administradores. Cessa o pagamento de vencimentos e, em Setembro, quando o pessoal regressa à fábrica, também os telefones estão cortados por falta de pagamento.
Com dívidas acumuladas de 850.000 contos, a situação atinge o ponto de ruptura e, dada a incapacidade manifesta, a administração do Alumínio é forçada a precipitar a liquidação quando a Pechiney pede a falência (o seu advogado era o ex-ministro centrista do Ambiente e do Ordenamento do Território, Luís Nobre Guedes). Também a espanhola Inespal se preparava para interpor outra acção judicial.
Sem quorum para tomar decisões, os dois administradores em funções decidem co-optar um terceiro elemento, o trabalhador e encarregado de desenho sr. Joaquim Pereira (actual provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete). Sem direito a vencimento mas com 100 acções cedidas por accionistas, de modo a reunir as condições estatutárias para o desempenho do cargo.
É ele que, em ligação com o advogado António José Silva e Sousa, contratado para o efeito, virá a tratar de pagar algumas dívidas a fornecedores e ao Estado, bem como as indemnizações aos trabalhadores, mediante a venda do património (dois terrenos em Alcochete, o maior dos quais o das instalações situadas defronte da Praça de Touros).
O terreno mais pequeno, na Estrada Nacional 119, quase defronte da fábrica Crown, Cork & Seal, renderá 25.000 contos, apenas suficientes para liquidar ordenados em atraso a nove empregados da sede de Lisboa. Os cerca de 90 trabalhadores de Alcochete recorrem ao Fundo de Desemprego.
O terreno da fábrica é vendido por 560.000 contos, a liquidar em três prestações, a última e maior das quais dependente da entrega das instalações devolutas. O valor apurado não chega para cobrir as dívidas de 850.000 contos, mas os cerca de 90 empregados que se mantêm até ao final receberão 1,3 meses de ordenado por cada ano de trabalho, a título de indemnização, um pouco acima do mínimo legal na época. Também os aposentados são contemplados, aos quais a empresa sempre pagara um complemento de reforma.
As velhas máquinas vendem-se para sucata, à razão de 4$00/kg. Só a máquina de laminagem custara, 30 anos antes, cerca de 700.000 contos.
A Alumínio Português (Angola) é liquidada a 31 de Outubro de 1994, quando as chaves da fábrica de Alcochete são entregues ao adquirente do terreno, que por ele pagou 560.000 contos e pouco tempo depois o renegociaria por 1.000.000 de contos. A extinção legal da empresa é declarada no «Diário da República» cerca de um ano depois.
Assim se desfaz em sucata e lixo um belo sonho industrial, planeado para ter grandes fábricas no Dondo e em Alcochete.
Com a Alumínio Português (Angola) desaparece também uma das últimas fábricas do período do eng.º João Maria Ferreira do Amaral, que alicerçaram a industrialização deste concelho.
Desapareceria ainda a única unidade industrial portuguesa de laminagem de alumínio. Até hoje, em território nacional nenhuma outra a substituiu.


Nota de rodapé - Persegui esta história durante três anos. Graças à colaboração do dr. Elmano Alves (ex-accionista) e do sr. Joaquim Pereira (ex-desenhador, encarregado e administrador), em 2003 tive a possibilidade de atingir o objectivo, tendo publicado originalmente este texto no extinto portal «Tágides».
Contribuíram ainda o Sr. Henrique Oliveira, do sítio da Internet Prof2000 (espaço «Aveiro e Cultura») Imagem digital, que então me autorizou a reprodução de imagens da Barragem de Cambambe (propriedade de Ivo Cardoso) e do mapa de Angola assinalando a localização da mesma; bem como o Sr. Francisco Garrancho, que me cedeu duas imagens pessoais obtidas com cerca de 20 anos de intervalo no interior da fábrica de Alcochete (incluídas no filme acima).
A todos agradeço a colaboração.

10 julho 2009

Quebra na receita do imobiliário

Porque a vida municipal parece circunscrita a subsídios, panegíricos e cortinas de fumo, pouca gente repara em pormenores. Mas alguns estão disponíveis e não deveriam passar despercebidos.
Leia-se nesta acta da sessão de câmara, realizada a 9 de Junho passado, o capítulo "Autorização para adesão ao financiamento no âmbito do programa de regularização extraordinária de dívidas ao Estado para as regiões autónomas e municípios - autorização de consulta às instituições de crédito e celebração de candidatura".
Entre outras coisas, aí se escreve que, a 31 de Maio último, verificava-se "uma diminuição significativa das receitas próprias municipais, nomeadamente as provenientes dos loteamentos e obras no montante de €1.046.626,80 e do Imposto Municipal
sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis no montante de €897.492,64, representando uma quebra da receita global de cerca de €1.900.000,00, e um agravamento do prazo médio de pagamentos [a fornecedores] de 151 dias publicado pela DGAL e reportado a 31/12/2008".

É bom recordar que o orçamento do ano corrente previa receitas de 18.893.795€ e que se desconhece se a quebra de receitas apontada se reporta apenas aos primeiros cinco meses do ano ou a qualquer outro lapso de tempo.

Espero que ninguém diga, mais tarde, desconhecer isto...

Marafuga a Patrícia (4)

Pergunta a Patrícia: «...mas onde diz que o ateísmo é o contrário do Cristianismo?». Ateísmo tem a ver com a negação de Deus. Ora eu não estou a ver que a Confissão Cristã possa coabitar com o ateísmo, ainda que este, segundo alguns, possa incorporar traços religiosos. Em suma, não há ateísmo cristão, razão por que ser ateu e ser cristão são posturas inconciliáveis.
Depois quer saber a Patrícia «...por que razão o ateísmo [...] é grave». O ateísmo é grave porque não se pode negar Deus sem se negar o homem, isto é, sem estarmos a reduzir este último à condição mais degradante alguma vez imaginada. O homem nega Deus para se pôr no lugar d'Ele, atitude desafiadora (hybris) que só pode ter um nome: soberba (superbia). Esta cega-nos ao mais ínfimo grau. É mesmo isto que se vê no Édipo Rei. O que é central nesta tragédia de Sófocles não é o tema do incesto, mas sim o da soberba. Para os Gregos, também para os Romanos, o destino era inexorável, acima dos homens e dos próprios deuses. O crime de Édipo, na mentalidade de um grego da polis ateniense, foi pretender desinscrever o que tinha sido inscrito desde sempre pelo destino. É deste que fala a religião, «...seja para que [o homem] se submeta a ele, como no caso da religião grega, seja para que o faça, como no caso da religião cristã. É por isso que, influenciadas pela religião grega, as filosofias gregas são filosofias da necessidade [fatalistas], ao passo que as filosofias influenciadas pela religião cristã s[ão] filosofias da liberdade» (Gilson, Etienne, A Filosofia na Idade Média, Martins Fontes, São Paulo, 1995).
Édipo vê-se sem saída no círculo que lhe limita a vida, isto é, Édipo é vítima da concepção arcaica do tempo, mas este, para o cristianismo é levantarmo-nos e seguirmos o caminho em frente («surge et ambula!», diz Cristo aos paralíticos que todos somos no atavismo das nossas vidas).
O rei Édipo tinha que sucumbir a fim de devolver à cidade de Tebas o alívio por esta tão desejado. Este é o mecanismo do bode expiatório, mas Cristo, a última vítima sacrificial, vira o bico ao prego, afirma-se inocente e proclama que cada um de nós é responsável por todas as nossas aflições. É aqui que entra o conceito cristão de pecado. Em Memorial do Convento do comunista assumido José Saramago, a heroína do romance, Blimunda, «...diz do outro lado do pano, em voz alta [...], Não tenho pecados a confessar». Esta mesma personagem, quase para o fim do texto, dirá taxativamente: «O pecado não existe...». Se o pecado não existe, não faz sentido o perdão, estrutura de liberdade contra o fatalismo marxista que reduz à luta de classes toda a História.
A irreverência de Patrícia tem raízes no Renascimento. Neste, o homem é colocado nos píncaros dos montes como se Deus fosse. É a isto que chamamos antropocentrismo, verdadeira conversio ad creaturam: o homem é o novo bezerro de oiro de si próprio.
A ciência, cujo reino é a horizontalidade porque se debruça sobre coisas, arvora-se cada vez mais em recurso único para tudo. Ela arrasaria todas as barreiras e nela estaria a tão desejada felicidade. Esta, porém, só é possível pela submissão a Cristo, o Sentido encarnado, enfim, a estrutura da realidade. Só assim a carne do homem e a carne do mundo ficariam redimensionadas à imagem e semelhança do Criador sem que a Civilização Cristã sofresse roturas capazes de a fazer precipitar no abismo.
O resto que a Patrícia diz é relativismo pernicioso que de todos nós faz títeres cujos titereiros outra coisa não querem senão amarrar o homem à escravização e animalização definitivas.

09 julho 2009

Marafuga a Patrícia (3)

A Patrícia queixa-se de que eu «...ref[iro] constantemente o Cristianismo e os seus valores como sendo os valores da Sociedade Ocidental» sic. Ora se a Sociedade Ocidental é a civilização judaico-cristã, como me poderei furtar ao facto denunciado pela Patrícia? Se os valores da Sociedade Ocidental não são os cristãos, quais são então os valores dessa Sociedade? É capaz de me esclarecer? Se o nosso debate não partir de uma plataforma mínima de cientificidade, não estamos aqui a fazer nada a debater.
Continuando: a ideologia marxista que está na raiz de todas as esquerdas é ateia. Esta minha asserção dispensa demonstração tal como aquela outra de que os valores do cristianismo são os valores da nossa civilização dispensam-na também. Não estou agora a fazer uma tese para uma graduação qualquer senão a partir da ideia de que há ideias assentes universalmente para todos. Mas retomando o curso do discurso: digo com toda a sinceridade que eu não sei como se pode ser cristão e simultaneamente perfilhar uma visão de esquerda do homem e do mundo. O comunismo, cuja "filosofia" é o marxismo, é apenas um materialismo, isto é, apenas uma imanência negadora da Transcendência. O que eu estou a dizer não pode ser negado por quem tenha lido um mínimo de literatura marxista...se for alguém intelectualmente honesto. Na verdade, todas estas coisas que insistentemente tenho afirmado neste blog são do que é mais básico no marxismo.
Estou de acordo: quem «...não aceita[-] e teme[-] a diferença», pior que ignorante, é racista. Ora o racismo tem muitos traços comuns com os totalitarismos, nomeadamente o de raça (nazismo) e o de classe (comunismo). Eis a razão mais que suficiente para fugirmos da não-aceitação da diferença do outro a sete pés.
Deixar os dogmas? Mas como? Dogma, do grego, significa decisão, decreto, sentença. O respeito que eu devo à Patrícia é um dogma porque algo decidido entre nós que não carece de demonstração. Mas sem o respeito que devemos uns aos outros não poderíamos viver. Se não vivêssemos, não faríamos Matemática, ciência esta que jamais poderá demonstrar pelas próprias fórmulas o dogma de que nos devemos respeitar uns aos outros. Se calhar, a Patrícia refere-se a outro tipo de dogmas, por exemplo, ao dogma da Imaculada Conceição, isto é, Concepção. Não vêem muitas Patrícias deste mundo que o dogma da Imaculada Conceição é uma forma radical de a Igreja Católica humanizar e, até, espiritualizar a sexualidade. Somos homens e mulheres e não montes de carne. Ora os filhos do espírito não são filhos do falo, por outro modo de dizer, o falo não faz filhos do espírito, isto é, não faz filhos de Deus. Então, já percebe o dogma da Imaculada Conceição? E se em relação a todos os outros dogmas se passar o que se passava com o da Imaculada Conceição? Não esqueça a Patrícia: perante o desconhecido, a primeira reacção do ignorante é rir.
Claro que «...a diversidade é o que nos caracteriza», mas por mais diversos que a Patrícia e eu sejamos, ambos, de certo, concordamos que dois e dois são quatro, que o céu azul de dia ou estrelado de noite está por cima de nós, que há uma moral comum a todos, etc.
Finalmente, a seguir ao já comentado só me merece comentário a insinuação de que sou uma «...pessoa[-] de geraç[ão] mais antiga[-]...». Não sei nem estou interessado em saber que idade tem a Patrícia, mas garanto-lhe com toda a honestidade de que sou feito que o sexagenário Marafuga é várias décadas mais novo que a Patrícia.

08 julho 2009

A arma do povo

Respigo deste artigo de opinião de Paulo Morais, ex-autarca do Porto (dica de ASul), uma passagem aplicável nestas paragens:

"Na maioria dos municípios, as câmaras continuarão a esquecer o que deveria ser a sua missão primordial: conservar e manter o espaço público e gerir harmoniosamente o território. Por outro lado, o urbanismo permanecerá refém das negociatas com os empreiteiros do regime e continuarão a acumular-se tachos e empregos para os apaniguados do partido. Com excepções - é certo - irá deteriorar-se a qualidade de vida, degradar-se-á ainda mais a paisagem, enquanto se fortalecem os mais perversos interesses.


"Há que reescrever o enredo desta tragicomédia. Só um sobressalto cívico nos pode tirar deste torpor que nos encaminha para o abismo. O povo dispõe ainda dessa arma poderosa, o voto, que deve usar de forma inteligente e estratégica. Mais do que nunca, o voto de protesto, de apoio aos sinais da mudança, é o único eficaz. As eleições já não são o acto em que o povo escolhe quem comanda os seus destinos. Mas são ainda o momento em que, pelo menos, podemos decidir quem não manda".

A imagem acima foi retirada daqui (excelente biblioteca digital)

Praia dos Moinhos

Água-Tejo à ondinha,
A beijar os meus pés,
Que saudade a minha
Do mar de lés-a-lés.

Longe a ponte da seca,
Vou além sobre a areia,
Desvio da alforreca,
Oiço a voz da sereia.

«Nunca mais cantará
Poeta ameno rio.
Tubarão sondará
Praia de fio a fio!».

Coração fulminado,
Aflito, sem saber
Em momento apertado
À vida que fazer,

Ergui meu rosto ao céu
Contra tal profecia,
A ver se rompo o véu
Que o povo ludibria.

Detesto mistificações

Centenas e centenas de alcochetanos sempre souberam a localização exacta do Poço de São João.
O meu sogro, velho salineiro de oitenta e tantos anos, analfabeto, vivinho da silva, apontaria com o dedo, sem hesitação nenhuma, a qualquer sr. engenheiro da câmara, o sítio por baixo do qual as escavações encontrariam o poço.
Vem isto a propósito do que se pode ler no Jornal de Alcochete (08-07-09) que reza assim: «Com recurso a fotografias antigas do Largo de São João, os trabalhadores da Câmara Municipal já identificaram a localização da estrutura e iniciaram os trabalhos de escavação» (itálico meu).
Até parece que querem dar a entender às pessoas que houve um trabalho meticuloso e árduo de arqueologia, o que se me afigura verdadeiramente ridículo.
Acabemos esta nótula com um registo mais sério, transcrevendo uma quadra do grande João Ferreira Rosa, alcochetano de coração: «Bebi a água do poço/do poço de São João/comi fogaça ao almoço/ e bebi vinho ao serão».

07 julho 2009

Campeões Distritais

Sob a égide da Associação de Futebol de Setúbal (AFS), decorreu no passado Sábado, dia 04 de Julho, no Fórum Cultural de Alcochete, a Festa de Encerramento das Actividades desta Associação relativas a 2008/2009.
Nesta cerimónia foram entregues os prémios aos vencedores dos Torneios e Fases Complementares, sendo que as notas de grande destaque recaíram sobre o Sport Clube Samouco que se sagrou Campeão Distrital de Futsal na categoria de Júniores Femininos, o Grupo Desportivo Alcochetense - Campeão Distrital da 1ª.Divisão Séniores em Futebol 11 e a Homenagem simbólica mas profundamente sentida ao Treinador de Futebol - Carlos Cardoso, natural de Setúbal.
Foi com exaltação com que assisti à entrega destes prémios mormente destes dois em particular e que afectam profundamente o nosso Concelho.
Parabéns às duas colectividades, às respectivas equipas técnicas, jogadores e jogadoras, dirigentes e sobretudo aos respectivos associados pelo apoio dispensado.

Jogada eleitoral

Nos últimos três anos, inúmeras vezes sugeri alternativas e reclamei dos critérios de arborização seguidos pelo município, nomeadamente a "palmeirização" do concelho. Leia isto, isto, isto, isto, isto e isto, por exemplo.
Estamos a três meses de decidir se ficam estes autarcas no poder executivo ou vêm outros e só à beira de eleições verifico que alguma coisa mudou, num derradeiro esforço para que tudo fique na mesma.
A prova está aqui. Em muitos anos é a primeira vez que, no sítio do município na Internet, deparo com informação substancial sobre critérios de arborização.
Quando as coisas são bem feitas não se devem regatear aplausos. Lamentável é que este afã tardio só possa ser interpretado como jogada eleitoral.
Espere pelas cenas dos próximos capítulos, porque nunca vi tanto funcionário municipal na rua!
Aproveite a onda e reclame do buraco ou de qualquer coisa errada na artéria onde reside. Entre no jogo do poder porque só terá nova oportunidade em 2013!

06 julho 2009

Exploração da ignorância

Para mim, um dos grandes crimes dos comunistas assenta na exploração da ignorância.
Por exemplo, os comunistas de Alcochete geminaram a nossa terra com uma localidade da Coreia do Norte. Mas será que foi dito aos alcochetanos que os camaradas da Coreia do Norte já mataram dois milhões (2.000.000) de coreanos para se solidificarem no poder?
Outra pergunta: nas campanhas para todas as legislativas por essas aldeias do Alentejo fora, os comunistas alguma vez explicaram claramente à base do seu eleitorado que, instalados na Assembleia da República, estão dispostos a aprovar e/ou deixar passar projectos a favor do "casamento" entre homossexuais? Claro que não.
A ideia venenosa que se passa para as pessoas é que cada um é livre de fazer a opção sexual que quiser, podendo - dizem - coabitar as novas formas de viver a sexualidade e a instituição família, quando o verdadeiro objectivo é destruir pelos alicerces esta última, uma vez que o comunismo não pode progredir sem aniquilar os valores da principal célula da Civilização Ocidental Judaico-Cristã: propriedade privada, poder sobre a educação dos filhos, direito de herança, etc.

05 julho 2009

PLANO ESTRATÉGICO DE ALCOCHETE – 2025

Devido ao constrangimento do tráfego na Ponte Vasco da Gama não pude assistir à apresentação documental do que foi denominado no encontro da passada 6 feira, como Carta Magna Estratégica para Alcochete, mas pude assistir à parte final da apresentação e ao pequeno debate que se seguiu.
Retive a ideia que este evento vem no seguimento do cumprimento da acção pré-eleitoral do actual executivo. Recordemos que esta maioria prometeu envolver a população em acções participativas para a elaboração de determinados documentos. O que se viu ao longo do mandato foi a apresentação de documentos e pedirem contributos posteriores.
O que foi apresentado não fugiu à regra. E para dar alguma credibilidade à matéria não há nada como entregar o estudo da matéria em referência a personalidade que há muito está no negócio da consultoria e tem coordenado outros estudos de âmbito nacional e regional.
Se não me falha a memória não me recordo de ter sido aberto qualquer concurso público para que aparecessem outros consultores.
A apresentação pouco ou nada trouxe de novo em relação ao muito que já se tem dito e escrito.
A época parece-nos a menos adequada, por várias motivos: suponhamos que o peso eleitoral no executivo se altera nas próximas eleições autárquicas, quais foram as orientações enunciadas por parte desta actual maioria na CMA?
Porque razão adjudicar um estudo desta natureza em final de mandato, depois de e ao longo do mesmo terem apresentados também Carta Educativas, Carta Desportivas e reiniciados Revisões de PDM?
Tudo isto é demonstrativo da falta de ideias e capacidade estratégica por parte desta maioria.
Não seria mais vantajoso promover debates sobre esta e outras matérias antes de gastar dinheiro, que a todos pertence para elaborar estudos desta natureza?
Como se pode preparar um estudo com esta envolvente sem se ter em conta o que será aprovado pela administração central e em especial num diálogo profundo com os concelhos vizinhos? Esta lógica de os consultores serem contratados individualmente por cada concelho, para que mais tarde junte a manta de retalhos e imponha a sua profecia talvez não seja a metodologia mais adequada para servir o Portugal.
Seria conveniente que as forças politicas tivessem a coragem de assumir o que pensam sobre a matéria