
Pelo seu passado, presente e futuro a variante urbana de Alcochete merecia um livro, tantos e tão surpreendentes são os pormenores que rodeiam a obra.
Para quem não sabe, esclareço ser aquela avenida que principia na Estrada Municipal 501 (Alcochete-Samouco), junto ao fórum cultural, e, presentemente, termina no posto de combustíveis adjacente aos supermercados mais antigos.
Talvez ninguém tenha reparado ainda num pormenor invulgar: a cada fase de construção corresponde uma designação toponímica. O primeiro troço (até ao Cerrado da Praia) denomina-se Avenida do Brasil, daí até ao entroncamento com a Estrada da Atalaia muda para Avenida dos Barris e o troço "2,5" – designo-o assim porque somente existe meia avenida – foi baptizado, com pompa e circunstância, em honra da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.
Mas não é isso que me traz de volta à avenida multicúspida.
Como se fossem insuficientes mais de três anos de incómodos e de poeira para construir os cerca de 400 metros da segunda fase, no início do mês passado os moradores na urbanização dos Barris foram confrontados com mais 210 dias de obras.
Sete longos meses de desassossego, na melhor das hipóteses. O pretexto é o "enquadramento paisagístico" – as aspas não são minhas mas do cartaz oficial – no qual se incluem também coisas inexplicáveis, como refazer o que estava feito.
E desengane-se quem suponha serem estas as últimas obras num troço onde três em cada cinco automobilistas excedem o limite de velocidade e têm um gozo enorme em evidenciar indiferença pelos semáforos, enquanto outros se entretêm, altas horas da madrugada, a treinar habilidades, tais como contornar rotundas em derrapagem controlada, arranque brusco com chiadeira de pneus, etc.
A imagem acima mostra um cartaz em que se anuncia ser esta a primeira fase. Aliás, se reparar bem no desenho inferior, comprovará que o lado Norte da via não está contemplado.
Em conclusão, é meio "enquadramento paisagístico". O resto pode esperar.



























