16 agosto 2008

Compare vovê mesmo


Repare nesta foto tirada hoje (16-08-08) e compare-a com duas do mesmo local (Avenida da Restauração) deixadas por mim em Julho último neste blog.

As fotos dos choupos (ou tílias?) são de há quase trinta anos.

Depois da paciente pesquisa, que comentário é que o meu amigo ou amiga faria?

Clique na imagem para ver melhor.

15 agosto 2008

Comunismo não respeita a criança


A menina à esquerda é a dona da verdadeira voz da canção Ode à Pátria ouvida pelo mundo inteiro na abertura dos jogos Olímpicos Beijing 2008, mas por ser considerada feia pelos comunistas da China, foi escondida atrás dos bastidores e substituída pela menina da direita classificada de "boa aparência".
Eis o que comunistas de todas as cores entendem por direitos humanos.

13 agosto 2008

A Fundação João Gonçalves Júnior (2)


Concordo com a sugestão do sr. João Marafuga, expressa no texto anterior, e, em memória de quem a instituiu no final de 1951, penso que a Fundação João Gonçalves Júnior deve sair da alçada autárquica.
Desconheço se a hierarquia diocesana da Igreja Católica está ou não interessada no assunto – seria bom que alguém a alertasse – e reconheço ser necessário muito trabalho e alguma coragem para que a fundação retorne à sua função original.
Porque, ontem como hoje, a sua missão original é necessária em prol dos mais necessitados. Além disso, não creio ser vocação de nenhum município ou autarca controlar e gerir uma fundação com características vincadamente sociais.


A Fundação João Gonçalves Júnior tem pouco menos de 57 anos de existência e continuam, felizmente, entre nós inúmeras pessoas que, directa ou indirectamente, a ela estiveram ligadas desde início e bem conhecem os objectivos da sua instituidora.
Por continuarem desconhecidos da maioria inúmeros factos, repito-os seguidamente. São pormenores não inéditos porque foram, pela primeira vez, publicados, em 2004, no portal «Tágides».

Em 5 de Dezembro de 1951, D. Mariana Gonçalves Dias de Sousa Rodrigues – cujo nome de solteira era Mariana Augusta da Cruz Gonçalves e que nunca teve filhos – em seu leito de doente terminal, em circunstâncias dramáticas e na presença de duas testemunhas, resolve ditar testamento e disposição de sua última vontade perante o notário dr. Fernando Tavares de Carvalho, que tinha a seu cargo o 9.° Cartório Notarial de Lisboa.
Conforme cópia do testamento em meu poder e que reproduzo na imagem acima, D. Mariana Gonçalves Dias de Sousa Rodrigues dispõe dos seus bens dividindo a herança pessoal em três partes iguais:
– A primeira deixa em propriedade plena a sua irmã, Emília da Cruz Gonçalves;
– A segunda parte, também em propriedade plena, transfere-a para outra irmã, Maria José Gonçalves Facco Viana;
– A terceira parte, também sem qualquer reserva, deveria ser aplicada numa fundação, cujos fins expressos são: "a distribuição de uma sopa aos pobres da freguesia de São João Baptista, de Alcochete, Fundação que tomará o nome de meu pai João Gonçalves Júnior e será administrada pelo Padre Crispim António dos Santos [à época pároco da freguesia], pelo dr. José Grilo Evangelista, médico em Alcochete, e pelo dr. José Maria Gonçalves Guerra, médico no Montijo".
Deixa bem expresso no testamento que a sede da fundação "será em Alcochete e que dado o caso de falecimento de qualquer dos nomeados administradores será ele substituído pelo que os sobreviventes nomearem".
Determinaria ainda que, "se por qualquer motivo, a fundação se extinguir, os bens que a tiverem representado serão deferidos a favor de todos os meus sobrinhos, filhos de todas as minhas irmãs, falecidas ou não falecidas, entre as quais deverá ser incluída, nas mesmas condições, a minha prima Ilda Gonçalves de Oliveira".
Em 7 de Janeiro de 1952 – menos de um mês decorrido após a elaboração do testamento – verifica-se o óbito da doadora, aos 63 anos de idade.
É instaurado o processo de Inventário Orfanológico obrigatório, que viria a ser profusamente recheado de incidentes processuais e de recursos para os tribunais superiores.
A fundação é legalmente criada em 1953 e litiga com isenção de custas, pelo que os recursos são subscritos em seu nome.
O litígio arrastar-se-á por onze longos anos, sem que os administradores nomeados em testamento conseguissem pôr a funcionar a fundação e a sua sopa dos pobres.
Em 30 de Maio de 1962, o ministro da Saúde e Assistência emite um despacho nomeando uma Comissão Administrativa para a fundação.
A posse será conferida no dia seguinte, em Setúbal, pelo Governador Civil do distrito, dr. Miguel Rodrigues Bastos. A comissão é constituída por dr. Francisco Elmano Cruz Alves, advogado; dr. José Grilo Evangelista, médico em Alcochete; e António Antunes, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete, tendo como objectivos prioritários terminar o processo judicial, entrar na posse dos bens da herança e pôr a instituição em funcionamento efectivo.
Em 15 de Agosto de 1962 é aprovado o primeiro orçamento da Fundação João Gonçalves Júnior e, em 15 de Janeiro seguinte, arrendado o prédio então pertencente a Aires Salvado de Carvalho, sito na Rua Dr. Ciprião de Figueiredo (ex -D. Manuel I), n.°s 24 a 28 – hoje edifício de propriedade municipal e abandonado – no qual se instalam provisoriamente a sopa dos pobres e a secretaria da instituição.
Começava, finalmente, a cumprir-se a última vontade da benemérita doadora.

Em Abril 1963 iniciam-se as obras de adaptação do edifício arrendado e procede-se ao seu apetrechamento.
Em 15 de Novembro do mesmo ano saldam-se as contas com o dr. Carlos Zeferino Pinto Coelho, advogado que representou a fundação em juízo durante doze anos.

Em Dezembro de 1963 obtém-se a colaboração da Congregação das Irmãs Franciscanas de Calais, que virão dirigir a sopa dos pobres e o futuro patronato das crianças, celebrando-se na Igreja Matriz solenes exéquias em memória da fundadora.
Então a Comissão Administrativa resolve, dentro de uma interpretação extensiva dos fins testamentários definidos para a fundação, que a assistência a prestar aos pobres não seria restrita ao plano alimentar – onde, aliás, as carências em Alcochete vinham diminuindo com o surto de industrialização.
As carências educacionais eram tanto ou mais importantes como o pão para a boca e a criação de um jardim infantil preencheria essa lacuna, visto que muitas mães trabalhadoras não tinham a quem confiar os filhos durante o dia.
Em 7 de Janeiro de 1964, com a presença do Governador Civil do distrito, e do dr. Manuel Medeiros, em representação do Director-Geral da Assistência, é inaugurada a sede provisória da sopa dos pobres.
Dezasseis dias depois é proposta a alteração dos estatutos, para contemplar o jardim infantil e aumentar de três para cinco o número de administradores da fundação.
A 20 de Março de 1964 delibera-se adquirir à família Barreto, herdeira de D. Mariana Rosa Adivinha da Costa, o prédio sito no Largo de São João, n.ºs 23 a 27, por 330 contos, a fim de aí erguer a futura sede (o edifício hoje existente).
Em 15 de Abril seguinte chega a Alcochete a comunidade religiosa, composta por quatro irmãs e a superiora, que se dedicarão inteiramente à sua missão.
Em Outubro desse ano terminaria o primeiro arrendamento das marinhas de sal, celebrado em 1962 – as marinhas do Brito, junto à Praia dos Moinhos, foram integradadas no terço do testamento atribuído à fundação – e, em Março do ano seguinte, realizar-se-ia a primeira ida à praça do arrendamento, não aparecendo candidatos. A segunda praça ficará igualmente deserta.
Perante este cenário, em 24 de Abril de 1965 resolve-se, corajosamente, empreender a exploração directa das salinas, contratando um encarregado para dirigir a exploração. Ainda hoje essas marinhas estão a cargo da fundação, embora com significativo apoio financeiro do município, visto serem deficitárias.
Voltando um pouco atrás, a 7 de Janeiro de 1965, data do 13.º aniversário do óbito da fundadora, é inaugurado na sede o busto em bronze do seu patrono, João Gonçalves Júnior, da autoria do escultor Luís Castelo Branco (o mesmo da estátua do Padre Cruz), hoje visível na entrada principal do jardim infantil, na Rua Carlos Manuel Rodrigues Francisco.
Ao tempo o jardim infantil funcionava com 50 crianças e a escritura de aquisição do prédio original à família Barreto é outorgada em 17 de Novembro de 1965, sendo doado pelos vendedores um donativo de 20 contos.
A forma amiga como decorreram todas as as negociações levaria a fundação a atribuir a duas salas de aula os nomes de D. Mariana Rosa Adivinha da Costa e D. Maria José da Graça Barreto de Bragança, Duquesa de Lafões.
Em 2 de Janeiro de 1966 é entregue ao arquitecto Lopes Galvão a elaboração do projecto do actual edifício sede da fundação, prevendo as mesmas três frentes que continuam a existir.
Em 9 de Outubro de 1966 o dr. Elmano Alves propõe a sua substituição na presidência da fundação pelo Padre José Gonçalves dos Santos, pároco de Alcochete, que se concretizaria apenas em Julho de 1968.
Em 15 de Janeiro de 1969, o então Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, dá a benção à primeira pedra da sede, as obras iniciam-se de imediato e em força.
Entretanto surge a oportunidade de instalar, no rés-do-chão do Largo de São João, a agência do Banco Pinto de Magalhães, a primeira dependência bancária que houve Alcochete, hoje pertencente ao Millenium.
Em Setembro de 1972 conclui-se a negociação do arrendamento com o Banco Pinto de Magalhães, mediante a renda mensal de 6.000$00 (importância que na época correspondia ao valor dos salários do pessoal da fundação), além da entrega de mais 300.000$00 e de um donativo de 100.000$00 para o jardim infantil.
Em Junho de 1975 o dr. Elmano Alves renuncia definitivamente à administração da fundação, de imediato aceite pelos seus pares, e o então comandante Fuzeta da Ponte – hoje almirante na reserva – que, ao tempo, assumia funções de Governador Civil designado pela Junta de Salvação Nacional, pressionava o saneamento da administração da Fundação João Gonçalves Júnior.
O resto da história é conhecida de alguns e conviria que a revelassem hoje em pormenor.

A Fundação João Gonçalves Júnior


No dia 06-06-08 recebo imprevisivelmente um telefonema do sr. Joaquim Pereira, solicitando-me que - conforme lhe chegara a conhecimento por amigo comum - não publicasse um artigo que eu tinha em mente sobre a Fundação João Gonçalves Júnior.

No dia 12-06-08, outra vez o sr. Joaquim Pereira pede-me que eu fique com o seu contacto pessoal para posteriormente combinarmos encontro e falarmos sobre a mesma Fundação, disponibilidade do Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete que eu gentilmente declinei.

O artigo de hoje (13-08-08), Jornal de Alcochete, pág. 3, sobre a Fundação João Gonçalves Júnior, obriga-me definitivamente a tornar público o que eu tinha pensado há coisa de três meses atrás.

Quer queiramos ou não enfrentar as coisas, a Fundação João Gonçalves Júnior foi municipalizada pela Câmara de Alcochete algum tempo depois do 25 de Abril.

Foi municipalizada, disse, para não dizer que a instituição em foco foi roubada à sua lídima vocação em prol dos pobres por testamento de Mariana Gonçalves, a doadora.

A Fundação João Gonçalves Júnior deve voltar à tutela da Igreja Católica porque foi sob a égide da Santa Mãe que a doadora a fundou em meados do século.

Não vai ser fácil a desmunicipalização. Por isso, a favor desta, a minha sugestão é que se crie um movimento de cidadãos do seio do qual brote um manifesto à população que denuncie o abuso levado a cabo contra o espírito do testamento de Mariana Gonçalves.

Portugal ainda é um Estado de direito ou não?

12 agosto 2008

Festa é festa (3)

Quem tiver acesso à Internet com uma ligação de alta velocidade (nomeadamente cabo ou ADSL), poderá ver na respectiva página no YouTube (largada) o vídeo com maior definição (logo abaixo da imagem, na janela Rate, escolha a opção watch in high quality).

Sou pobre


Defendo o capitalismo liberal, mas sou pobre.
Este mesmo computador de que me sirvo para meter estas palavras na Internet foi comprado a prestações. O meu anti-vírus é todos os anos uma fortuna (passe a hipérbole que não é gratuita). Ao longo de quase trinta anos acumulei vários milhares de horas a escrever generosamente, tendo sempre Alcochete por pano de fundo.
Mas muita gente que vem aqui criticar-me sem pés nem cabeça nada em dinheiros públicos, nada fazendo na vida senão defender os oprimidos.
Fora a demagogia! Haja vergonha!
(Sei que estou a pedir o impossível).

11 agosto 2008

Pobreza


Tirar a quem tem (através de impostos) e dar a quem não tem é a fórmula indigente de muitos para a resolução da pobreza.

Se a carga tributária aumenta progressivamente sobre quem trabalha, progressivamente também as camadas laboriosas, começando pelas menos fortes, vêem-se obrigadas a arrear os braços e, até, a engrossar o contingente de pobres.

Se queremos acabar com a pobreza, pelo menos mitigá-la, devemos deixar trabalhar quem quer trabalhar sem que uma carga abusiva de taxas desmotive o espírito empreendedor que gera emprego.

O que acabo de dizer levanta-se para mim como uma aparição de contornos cada vez mais nítidos.

Mas por que muitos não querem encarar as coisas assim?

Porque acabar com a pobreza é acabar com a revolução que se sustenta à custa do sistema capitalista, culpando este, ainda por cima, da situação dos deserdados.

Festa é festa (2)


Foi prejudicada a actuação da banda da Sociedade Recreativa e Musical União Sebastianense, à meia-noite deste domingo, no Largo de São João.
É uma banda açoriana da ilha Terceira, foi fundada em 1886 – sendo 12 anos mais antiga que a local – pertence à freguesia e vila de São Sebastião e merecia mais gente, mais atenção e menos ruído de fundo.
Infelizmente, são raras as oportunidades de escutar bandas doutras origens. Tenho profundo respeito por todas as filarmónicas portuguesas e continuo a crer que, em Alcochete, é possível organizar um concurso ou festival anual com bandas nacionais e estrangeiras e, através dessa manifestação, potenciar outras iniciativas de índole cultural e turística.

O meu aplauso a quem na Câmara Municipal de Alcochete teve a iniciativa de organizar o encontro de embarcações tradicionais do Tejo, coincidindo com as Festas do Barrete Verde e das Salinas. Estiveram presentes cerca de dezena e meia de embarcações de Alcochete, Barreiro, Cascais, Moita, Montijo, Sarilhos Grandes e Seixal.
Como início esteve bem. Mas soube-me a pouco. É preciso ser-se mais ousado, porque Alcochete tem condições excelentes para uma regata ou concentração de barcos tradicionais à vela de pequeno calado e o estuário do Tejo é extraordinário para desfiles náuticos de envergadura.
Acresce existirem milhares de embarcações típicas portuguesas espalhadas pelo país e juntar algumas centenas, uma vez por ano, no Mar da Palha, em Alcochete, não me parece nada do outro mundo.
Aproveito para recordar que, a partir de uma lista de antigas e famosas embarcações que nas décadas de 60 e 70 existiram em Alcochete, em tempos andei a pesquisar na Internet e, muito provavelmente, algumas continuarão a navegar e estão no Sul de França, na Holanda e na Grã-Bretanha. Também nos EUA deverão ainda existir outras. Há duas décadas, na costa Leste, vi algumas.
Na Internet localizam-se inúmeras embarcações descritas como tendo origem portuguesa, algumas estão registadas com designações coincidentes com as referenciadas em Alcochete e várias têm páginas próprias na Web.
Ao contrário de Portugal – que as vendeu e deixou fugir barra fora em meados dos anos 70 ou, simplesmente, apodreceram um pouco por todo o lado – lá fora as embarcações antigas continuam a ser preciosidades bem conservadas.
Curiosamente, não há muito tempo descobri que na Austrália realizam-se cruzeiros num lago com um barco bastante semelhante ao primeiro vapor «Alcochete» do início do século passado (na gíria local era o "Menino", cuja reprodução consta da imagem acima).

Defesa da propriedade privada


Tenho insistido não poucas vezes na afirmação de que os governos de esquerda ameaçam a propriedade privada.
Como fazem essa ameaça à propriedade privada? Esgotando-a por um excesso de encargos e de impostos.
Sobre esta matéria, vejamos o seguinte passo da encíclica Rerum Novarum (1891) de Leão XIII: «Não é das leis humanas, mas da natureza, que emana o direito à propriedade privada; a autoridade pública [Estado] não o pode pois abolir; o que ela pode é regular-lhe o uso e harmonizá-lo com o bem comum. É por isso que ela age contra a justiça e contra a humanidade quando, sob o nome de impostos, sobrecarrega desmedidamente os bens dos particulares» sic.

10 agosto 2008

Festa é festa

Dois excertos de filmes da noite de sábado, 9 de Agosto, e da madrugada de domingo, 10 de Agosto, na 67.ª edição das Festas do Barrete Verde e das Salinas, em Alcochete (2008).
Quem tiver acesso à Internet com uma ligação de alta velocidade (nomeadamente cabo ou ADSL), poderá ver na respectiva página no YouTube (charanga e sardinha) ambos os vídeos com maior definição (logo abaixo da imagem, na janela Rate, escolha a opção watch in high quality).


Charanga




Noite da Sardinha assada


Os extremos tocam-se


A Igreja Católica conta com a economia de mercado, o que não faz surpreender ninguém porque a mesma Igreja não abre mãos do valor da propriedade privada. Esta «...é para o homem de direito natural» (Rerum Novarum, Leão XIII, 1891).
Quando a Igreja defende a propriedade privada, inclui a defesa da propriedade pública cuja cabeça é o Estado. Este é erguido a instância reguladora, travão contra aquele liberalismo sem rosto que mergulharia as sociedades por inteiro no mais feroz individualismo.
Individualismo e colectivismo são os extremos do mesmo fio condenados pela Igreja, o que não faz surpreender ninguém porque os extremos tocam-se.

09 agosto 2008

Rerum Novarum e Quadragesimo Anno


Todo o estudo que se faça ao Estado Novo à revelia das grandes encíclicas sociais Rerum Novarum (1891) de Leão XIII e, sobretudo, Quadragesimo Anno (1931) de Pio XI sai inevitavelmente coxo.

Para ilustração, vejam-se estes dois parágrafos da Quadragesimo Anno: «81 - O primeiro objectivo que devem propor-se tanto o Estado como o escol dos cidadãos, o ponto em que devem concentrar todos os esforços, é pôr termo ao conflito que divide as classes, e suscitar e promover uma cordial harmonia entre as diversas profissões. 82 - É necessária uma política social, portanto, a fim de reconstituir os corpos profissionais. Actualmente a sociedade continua num estado violento e por isso instável e vacilante, pois se funda sobre classes que se movem por interesses desencontrados e, por consequência, dada a fraqueza humana, tendem com facilidade para a inimizade e para o conflito».

Portanto, como se verifica, a ideia do corporativismo já estava afirmada pelo Papa Pio XI na célebre encíclica que comemorava o quadragésimo aniversário da publicação de Rerum Novarum.


Festas: sugestão aceite

Uma sugestão feita, há dias, em «Praia dos Moinhos», está concretizada no sítio do Aposento do Barrete Verde na Internet.
Quem quiser contribuir para a 67.ª edição das Festas do Barrete Verde e das Salinas e não atendeu as equipas voluntárias que fizeram o peditório porta-a-porta, poderá agora enviar um donativo através do computador ou de um terminal Multibanco, usando o NIB de destino indicado na primeira página do sítio do Aposento:

0045 5030 4003 2387 5555 1

08 agosto 2008

Rádio nas Festas do Barrete Verde



Pedem-me da RDP Internacional que anuncie a realização da sua habitual Festa de Verão das Comunidades, em Alcochete, pelas 22h30 da próxima terça-feira, 12 de Agosto, dedicada ao Fado.
Os fadistas Rodrigo da Costa Félix e Ana Sofia Varela são os convidados para essa noite de fados, acompanhados por três guitarristas, que actuarão no palco instalado no Largo de São João.
A RDP Internacional transmitirá o espectáculo para todo o mundo, directa e integralmente, através da sua rede de emissores de Onda Curta, de satélite, de FM e ainda via Internet (quem tiver som no computador pode escutar a emissão através desta hiperligação).
A Festa de Verão das Comunidades integra uma programação mais geral, que este ano acompanha as Festas dos Barrete Verde e das Salinas, pelo que a RDPI fará também a transmissão do espectáculo musical do dueto Os Anjos, na noite de 11 de Agosto.
Durante estas festas outros programas da RDP Internacional serão, igualmente, transmitidos de Alcochete, cujo estúdio está instalado no Coreto Municipal, situado no Largo Almirante Gago Coutinho, junto à Igreja Matriz.
Entretanto, no próximo domingo, 10 de Agosto, entre as 16 e as 17 horas, a RDP Internacional abrirá as portas do Centro de Emissão de Ondas Curtas, situado em S. Gabriel (Pegões), a quantos queiram conhecer antenas, emissores e equipamentos que asseguram a transmissão dos programas da estação pública. Recomendo vivamente esta visita, para se ter noção das infra-estruturas técnicas que permitem levar Rádio de Portugal aos cinco continentes.
A RDP Internacional é, desde há décadas, o elo de ligação radiofónica de Portugal com os portugueses espalhados pelo mundo.

Aproveito a oportunidade para enaltecer o esforço de quantos – e muitos foram, certamente – ajudaram o Aposento do Barrete Verde a pôr de pé a 67.ª edição das Festas do Barrete Verde e das Salinas. Oxalá tudo decorra tão bem como todos desejam, porque esse será o melhor prémio para mais uma demonstração de dedicação a Alcochete, às suas tradições e cultura.

O Fugas


O Fugas nasceu a meio do século numa casinha virada ao mar que este é o nome do Tejo em Alcochete.
Era o mais velho de um rancho de irmãos que ou estavam na escola ou brincavam na areia da praia.
Uma vez o pai, que lhes arrancava o pão às ondas do mar, deu uma boneca à única menina dos seus filhos.
O Fugas ficou cheio de ciúmes e só olhava para a irmã que só olhava para a boneca. Aquilo não podia ficar assim. Ele tinha que fazer qualquer coisa. Mas o quê?
Foi durante a noite, quando a mãe o deitou a ele e aos irmãos, que lhe ocorreu uma ideia. A boneca deitá-la-ia ao mar sem que a irmã visse e depois, por mais que a Rita chorasse, ele faria ouvidos de mercador.
De manhã, logo que se levantou para ir para a escola, foi ao quarto da irmã que dormia com a boneca ao lado, tirou-a devagarinho, meteu-a dentro da sacola, comeu o que a mãe lhe deu e saiu de casa.
A maré estava vazia, mas o fio de água parecia-lhe ali mesmo à frente dos olhos. Desce à praia e entra no lamaçal com o fito de deitar a boneca ao mar. À medida que avança, cada vez atasca mais os pés na lama, mas o Fugas avança sempre pronto a levar a cabo a ideia da véspera.
Os pés enterram-se quase até ao joelho. O Fugas não olha para trás, a água está ali mesmo à vista, mas não há meio de lá chegar.
Nisto ouve gritos atrás de si. É o pai avisado por alguém que passou pela muralha. O Fugas mal se pode mexer, começa a chorar, a boneca na mão à espera que o pai o arranque daquela situação.
O velho pescador puxa-o por um braço e quando chegou ao areal deu-lhe um par de estalos e só disse: «És parvo!».
O Fugas seguiu para a escola, já não era o mesmo rapazito do dia anterior.
Quando chegou a casa à hora do almoço, a Ritinha, agarrada à sua boneca, nem deu pela chegada do irmão.

Um bom autarca vê-se em épocas de crise ( A crise tem as costas largas)

«Por estas e outras razões, suponho que a malfadada crise não é o maior problema destes autarcas (eu acrescento - autarcas de Alcochete). A sua desatenção surpreendeu-me no início do mandato e, quase três anos volvidos, os sinais de emenda continuam invisíveis.»
As doutas palavras de Fonseca Bastos retiradas do seu último texto publicado hoje sob o título «Palavras Traiçoeiras: Comunicação», reportam-se à inclinação do executivo camarário (e concordo que não passa de uma mera inclinação sem contornos profissionalizados) para um «marketingzinho» politico que procura utilizar alguns investimentos como bandeira de realização e competência, esquecendo contudo ,que as provas do contrário (ou seja da falta de capacidade de realização e de competência) estão afinal à vista de todos, como bem evidencia Fonseca Bastos através dos seus textos e fotos, tornando verdadeiramente caricaturais e até risíveis, os esforços destes autarcas para «tapar o sol com a peneira».

Aliás não será descabido afirmar que é o próprio Presidente da Câmara Municipal de Alcochete que auto denuncia a sua incapacidade e a do seu executivo em promover o desenvolvimento e o progresso no Concelho.

Se assim não fosse, que necessidade teria o Senhor Presidente da Câmara de iniciar a Nota de Abertura ao último Boletim Municipal «inAlcochete», edição nº 10 de Julho de 2008, com a desculpa já gasta e conhecida de todos que a culpa é da crise?
Escreve o Senhor Presidente da Câmara logo na abertura :
«Vivemos numa época difícil e conturbada, com uma grave crise económica e social… que …provoca constrangimentos vários no desenvolvimento e no progresso que pretendemos instituir no Concelho.»
A opção por iniciar com esta advertência a Nota de Abertura a esta edição do informativo mensal camarário, denuncia que o Senhor Presidente da Câmara está antes de mais preocupado em «amortecer» ou «suavizar» com a já esfarrapada desculpa da crise, a opinião dos munícipes, que ele próprio adivinha critica, para o evidente imobilismo e ausência de estratégia com que tem conduzido os destinos da autarquia.
Ciente da sua má performance, o Senhor Presidente da Câmara, revelando uma clara tendência para a resignação, procura antes de mais que os munícipes o ilibem ou desculpem pela sua gestão deficiente. É a crise diz ele!
A crise tem as costas largas. Serve para justificar a incompetência, a má gestão, a improdutividade, a falta de qualidade dos serviços, a ausência de estratégia, a pouca capacidade de risco, os investimentos disparatados... (ai o Valbom…) Enfim, é uma oportunidade de ouro para a desresponsabilização, para a inércia, para o «deixa andar» tão ao gosto deste executivo camarário.
O texto do Senhor Presidente da Câmara denuncia que aquele continua a preferir agarrar-se à muleta da crise e a continuar a mancar até que as nuvens negras passem. Entretanto, pode ser que as audiências realizadas junto dos ministros do Governo surtam algum efeito...
O Senhor Presidente da Câmara, que intuiu há muito a imagem negativa, a desilusão e a insatisfação dos munícipes de Alcochete, opta então pela fuga para a frente, valorizando excessivamente os factores externos à sua gestão ( a crise económica , a escassez de recursos financeiros) , em detrimento dos factores internos (produtividade, qualidade do serviço, motivação da equipa, coerência estratégica, capacidade de investimento...), quando a atitude deveria ser a contrária.
O que se espera de um bom autarca, é que em momentos de crise, olhe para dentro da sua autarquia para aí encontrar forças para combater a adversidade. A dinâmica interna é fundamental para rechaçar eventuais impactes negativos, ao contrário do que tem acontecido na Câmara de Alcochete, cuja gestão, como denuncia o próprio Presidente da Câmara, depende quase em exclusivo da evolução dos factores externos.
O que o Senhor Presidente da Câmara revela uma vez mais aos munícipes no boletim informativo de Julho de 2008 , é que só podem esperar mais dele e da sua equipa quando as condições favoráveis ao crescimento apareçam , graças, unicamente, a fenómenos exteriores.
E quanto a criar internamente um ambiente favorável à gestão da autarquia, assumindo a crise sem temores, motivando a sua equipa para um esforço redobrado, afinando a estratégia e apostando na inovação?
A resposta a esta pergunta é confrangedora: NADA SE FAZ!
Ora, é nos momentos difíceis que se descobrem, por vezes, energias, recursos, potencialidades que permaneciam escondidas ou subaproveitadas. A crise seria, ao contrário do que afirma o Senhor Presidente da Câmara no boletim informativo, um momento privilegiado para a autarquia se descobrir a si própria devido à pressão a que está sujeita, e não um momento para usar como desculpa ou álibi para desempenhos menos conseguidos.
Nessa perspectiva eu considero que um bom autarca se vê nos períodos de retracção económica e não em períodos de «vacas gordas» em que tudo é muito mais fácil de resolver.
A capacidade de adaptação das autarquias à crise é pois um dos principais critérios de aferição da capacidade de gestão dos seus responsáveis.
Quando a gestão é competente, quando há capacidade de inovação e criatividade, quando se quebram modelos e se criam outros, quando há estratégias bem definidas e equipas mobilizadas, os factores externos à gestão da autarquia acabam por ter um peso menos significativo no seu dia a dia.
Caso contrário Senhor Presidente da Câmara Municipal de Alcochete, tudo o que disser ou divulgar não passa de fachada.
Portanto, PARE DE SE DESCULPAR COM A CRISE!

Palavras traiçoeiras: comunicação



Num texto publicado ontem neste blogue, Luís Proença atribuía ao actual executivo municipal "uma irresistível inclinação para o marketing político em detrimento do esclarecimento que deveria sustentar o esforço e o investimento na definição coerente da reabilitação dos espaços urbanos".
Pode presumir-se a inclinação, mas marketing profissional é algo distinto do que observa Luís Proença.
Entre as inúmeras coisas que se ensinam a políticos inexperientes, duas têm aplicação directa ao caso: presunção e credibilidade.
Bem poderão os governantes propalar a qualidade do trabalho realizado, que a propaganda pouco efeito causa quando a percepção dos eleitores é diferente. Mesmo fazendo uma avaliação positiva, estes até podem querer mudar de pessoas e de políticas. O desfecho das eleições locais, em Alcochete, em 2001 e 2005, é um bom exemplo disso.
Confiar na obra feita para conseguir a reeleição é erro frequente em política mas raramente resulta.
Supor que o cidadão comum valoriza o trabalho do governante da mesma forma que este, é ignorar que as eleições se disputam em ambiente de esperança e de expectativas de mudança e de inovação. A política desgasta e cansa os protagonistas, mas mais facilmente os eleitores se enfadam com os políticos.
Os excessos informativos podem ter efeito contraproducente na percepção geral acerca destes autarcas e contribuir para o seu funeral político. Porque informação repetitiva é ruído massacrante.
Tenho fundadas dúvidas que algum(a) especialista de marketing político, mesmo estagiário(a), recomende que se noticiem obras triviais antes, durante e após o seu decurso.
O meio é pequeno e, seguramente, os cidadãos interessados irão mirar as obras. Depressa concluirão haver ostentação injustificada na maioria dos casos.
E porque os textos são, em geral, prolixos e frouxos, não há comunicação nem se cativam os indiferentes. Aliás, nestes a terapêutica terá de ser específica e prolongada.
Para agravar o panorama, quem deambula pelo concelho depara com pequenas coisas que corroem imenso a imagem e o prestígio de autarcas.

Sirvo-me do exemplo reproduzido nas imagens deste texto, colhidas na confluência das ruas 25 de Abril e Cerradinho da Praia, em Alcochete.
Para situar os menos conhecedores da toponímia local, trata-se de artérias situadas a Nascente e Norte dos gigantescos blocos de apartamentos em construção defronte do fórum cultural.
Há dias li, algures, uma notícia anunciando a conclusão da asfaltagem da EM501 junto ao fórum cultural. Ontem chamaram-me a atenção para um passeio há anos esquecido nesse local, onde se acumula água quando chove. Mesmo com tempo seco é difícil circular ali com crianças e carrinhos de bebé.

As imagens são esclarecedoras e poderia complementá-las com outros exemplos antigos e conhecidos, como o do Largo da Feira (junto à antiga fábrica de cortiça Orvalho), a ligação da Av. do Canto do Pinheiro ao outlet, o do lado Nascente e o muro velho do recém-remodelado campo do Alcochetense, etc.
Por estas e outras razões, suponho que a malfadada crise não é o maior problema destes autarcas. A sua desatenção surpreendeu-me no início do mandato e, quase três anos volvidos, os sinais de emenda continuam invisíveis.
Mas os eleitores nunca esquecem, porque passam todos os dias em locais com aspecto desolador e na hora de cobrar o preço é sempre alto.

07 agosto 2008

A revelação para o comunista


A pirâmide é a melhor representação para uma estrutura partidária como o Partido Comunista, aqui tomado abstractamente.
A partir da base e até metade da altura dessa pirâmide, quiça mais, o militante comunista julga que está a colaborar com a revolução para a mudança do mundo.
É lá para os últimos planos da pirâmide até ao vértice que o militante toma consciência (realize) de que a revolução não é para o outro mas para si.
O militante abarca então todo o horror da mentira que ajudou a erguer durante uma vida inteira. Voltar atrás é ter de admitir que se enganou no decurso de muitas lutas e enfrentar o desprezo dos camaradas, na melhor das hipóteses a humilhante tolerância pela aceitação de um lugarzito numa qualquer organização ou instituição sob controlo do Partido.
Mas muitos destes militantes vendem a alma ao diabo e partem para a acção sem freio, acusando os ricos de terem o que, no fundo, eles desejam mais do que ninguém.

Refutem o que eu digo


As pessoas, em vez de me atacarem indirectamente nos comentários a textos de outros condóminos, tomem a atitude de refutarem o que eu digo na parte mais nobre deste blog.
Ninguém está impedido de o fazer.
Caso as pessoas não queiram fazer parte da equipa que aqui escreve permanentemente, mandem os seus textos para o sr. Fonseca Bastos que este condómino mais antigo tudo publicará se tudo tiver um mínimo de decência.
Quando escrevo, penso primeiro duas vezes, sei do que falo, da bibliografia que tenho por trás de mim, etc.
O que os leitores lêem nos meus textos são quilómetros de outros e milímetros de mim, embora estes sejam os suficientes para a instauração da diferença.
Apareçam, com argumentos lancem os meus argumentos por terra, ponham-me à irrisão de todos no próprio blog de que sou co-fundador.

Férias!Quando o tempo sobra a imaginação exercita-se...

Silvas ...desculpem lá mas estou de férias... E quando estou de férias sobra-me o tempo... E enquanto preparo cuidadosamente a próxima temporada desportiva no âmbito da minha actividade paralela como treinador de futebol ( ai que ainda tenho de defrontar esta época o nosso Alcochetense graças às incompetências federativas que o podem atirar injustamente para os distritais...que o bom senso impere e não o permita) , sobra-me tempo para reflectir sobre Alcochete e para colaborar mais profusamente com o Praia dos Moinhos , actividade que muito prezo e aprecio...para Vosso gáudio naturalmente.
Entre a planificação de unidades de treino e a redacção do «post» anterior ocorreu-me quão interessante seria confrontar a Câmara Municipal de Alcochete com algumas questões que a minha curiosidade há muito gostaria de satisfazer.
Ora bolas... , lá estou eu outra vez a jogar ao ataque no que respeita à Câmara Municipal de Alcochete... deve ser um reflexo da minha filosofia como treinador de futebol e que tão bons resultados me tem dado...(modéstia à parte...).
Advirto desde já os mais exaltados e nervosos que a minha curiosidade relativamente às questões que colocarei a seguir nada tem a ver com alguma suspeição ou desconfiança em relação à idoneidade dos titulares do cargos políticos da nossa autarquia, os quais , independentemente das criticas fundadas de que têm sido alvo enquanto titulares desses cargos e apenas nessa qualidade , me merecem , até prova em contrário , óbvio respeito como pessoas,estando certo que no caso em concreto prevaleceria sempre a ideia subjacente ao ditado de que «quem não deve nada teme».
Apenas entendo , e colocando-me na posição dos titulares destes cargos ( não...não me estou a anunciar como candidato a candidato) , que a resposta cabal a estas perguntas , contribuiria fortemente para a aproximação e identificação entre os munícipes e os autarcas eleitos , dando uma imagem de rigor e exigência no desempenho de funções em que a máxima «à mulher de César não basta parecer» se justifica vivamente.
O que então gostaria de saber é o seguinte:
1º) - Qual a antiguidade do último cadastro do solo municipal?
2º) - Há algum regulamento camarário para as compensações urbanísticas?
3º) - Há cruzamento entre o sistema informáti­co da contabilidade e do urbanismo?
4º) - Estaria a Câmara Municipal na disposição de divulgar uma lista dos gabinetes privados que eventualmente colaborem com a Câmara e quem são os respectivos proprietários , identificando , sempre que tal ocorresse , relações entre esses gabinetes e funcionários, antigos funcionários ou familiares de funcionários?
5º) - Quantos são e quais são os processos em que há eventualmente funcionários que têm interesse directo nos mesmos a intervir?
6º) - Quantas foram (por referência aos 2 últimos mandatos) as altera­ções simplificadas ao Plano Director Municipal (PDM) ?
No fundo o que eu gostaria de saber enquanto munícipe é se a Câmara Municipal de Alcochete estaria disposta , a bem da transparência e da informação aos municípes , a aceitar implementar um Plano e um calendário de verificação da legalidade em todo o município com periodicidade determinada , divulgando os seus resultados.
Seria bonito e digno de louvor para qualquer Câmara Municipal independentemente da cor partidária predominante.

Urbanismo em Portugal...uma miragem.

Para gáudio da parceria Silva & Silva , integrada por dois dos mais diletos e fiéis leitores dos «posts» que tenho oportunidade e o privilégio de colocar neste Blogue graças ao honroso convite que em tempos me foi dirigido por Fonseca Bastos para colaborar como «residente» do Praia dos Moinhos , aqui vai mais um sobre um tema que tem marcado a actualidade neste espaço. O Urbanismo.
Desta feita , e certamente para descanso da dupla Silva & Silva , não me vou reportar directamente à Câmara Municipal de Alcochete , cuja realidade neste capítulo tem vindo a ser sistematica e fundamentadamente denunciada neste Blogue (sim , aqui ninguém diz mal sem fundamentar as razões das suas criticas) , mas sim a um contexto bem mais genérico , do qual a realidade neste Concelho não deixa de ser um reflexo.
Refiro-me a uma das causas mais prováveis do desastre urbanistico generalizado de que enferma a quase totalidade das autarquias portuguesas , e que se traduz na subvalorização e desaproveitamento ( mais ou menos intencional) dos verdadeiros profissionais do urbanismo por parte das autarquias.
Em Portugal existem 37 cursos universitários e politécnicos de arquitectura e apenas um de Urbanismo.
A verdade é que uma aparente conspiração informal entre políticos, autarcas, construtores civis, arquitectos e outros não identificados marginalizou quase por completo os urbanistas. Os poucos que restam vivem na semi-clandestinidade e desemprego. Andam pelas ruas das cidades que não planeiaram de cabeça baixa.
Em contrapartida os arquitectos proliferam, têm fama, são geniais e muitos deles são pagos a preço de ouro para nos «impingirem» os monumentos da sua originalidade.
Por falar de originalidades , a verdade é que Portugal é o país da União Europeia com mais planos urbanísticos por metro quadrado. Existem planos em todas as escalas do território: planos de âmbito nacional, regional, concelhio, por lugar, planos de reserva agrícola, de reserva ecológica, etc. etc..
Vale a pena enumerar alguns deles à laia de exemplo:
PNPOT - Programa Nacional de Política do Ordenamento do Território,
PROT – Planos Regionais de Ordenamento do Território,
PMOT – Planos Municipais de Ordenamento do Território, que se dividem em:
PDM – Plano Director Municipal de cada concelho,
PU – Planos de Urbanização,
PP - Planos de pormenor
Não é pois à míngua de planos que temos o caos urbanístico.O problema é outro.
Começando por cima, o governo criou um instrumento especial para meter todos os planos na gaveta, chamado PIN (Potencial Interesse Nacional). Qualquer investimento na área do imobiliário, pode passar por cima de todos os planos, desde que o governo decida que é um investimento PIN!
Os autarcas também foram contemplados e podem mandar fechar os olhos a qualquer PDM, através dos Planos de Pormenor (PP), feitos por medida para o investidor: em muitos casos o executivo camarário delega no próprio investidor ou construtor a elaboração do PP, para construir a seu bel prazer.
Provavelmente, será difícil encontrar outro exemplo onde a contradição entre a teoria e a prática seja maior e a chave do problema chama-se classificação do uso dos solos.
É através desta «fórmula magica» que terrenos agrícolas, públicos e privados, de reduzido valor, são classificados como urbanizáveis , permitindo lucros de milhões de euros em mais-valias.
Comprar ao preço da chuva e vender ao preço do ouro é a alma do negócio, e a lei permite assim que os privados possam enriquecer.
Um variado leque de modalidades de alteração dos PDMs, a inoperância da fiscalização das obras licenciadas, etc., completam o quadro.
A decisão política ( a tal assinatura...) que classifica ou reclassifica o uso dos solos é pois a galinha dos ovos de ouro que garante as mais-valias.
Este sistema está na origem de dois desastres do nosso urbanismo: a proliferação caótica de novas construções (dormitórios) na periferia dos centros urbanos e a desertificação dos centros históricos das cidades. A reconstrução fica mais cara do que a nova construção e, sobretudo, não gera mais-valias e assim foram «assassinados» os urbanistas.
E afinal , para que serve um município que não é capaz de fazer planeamento urbanistico e gerir os espaços urbanos?

Portagens mais caras para carros com ocupante único

Era inevitável que a penalização dos automóveis com um único ocupante seria imposta um dia e acontecerá em breve. O processo começa a ser planeado. Quem quiser ler a fundamentação técnica da decisão está aqui.
Há duas alternativas possíveis, entre outras: partilhar o carro ou usar os transportes públicos.
Vai para dois anos abordei a partilha do carro neste texto do blogue. Há dois meses insisti no assunto com este texto.
É preferível planear a vida a tempo, evitando decisões precipitadas.
Em todo o caso, vejo nestas portagens aspectos susceptíveis de hábil aproveitamento local. Voltarei ao assunto com mais vagar.

Livre-mercado e propriedade privada


Há uma estreita relação entre livre-mercado e propriedade privada.
Alguns dirão: este só agora descobriu a pólvora.
Não desanime, caro leitor, e veja se entre as linhas lhe apresento alguma descoberta.
Pois, só há livre mercado no pressuposto da propriedade privada porque aquele é um espaço de trocas. Ora eu troco com o outro o que é meu.
Portanto o livre-mercado está arreigado ao princípio de propriedade.
Ora se o comunismo está contra o livre-mercado, está também contra a propriedade privada. Até aqui continuo a não dizer nada de novo porque o Manifesto Comunista (1848) de Marx e Engels, defendendo o «imposto fortemente progressivo», não deixa margem para dúvidas nesta matéria.
Mas é aqui que eu encerro o meu texto com uma perguntinha: os bandidos que assaltaram a pequena fábrica de mosaicos de um amigo meu em Alcobaça, roubaram o que puderam e destruíram o resto, estão a favor da propriedade privada?

Palavras traiçoeiras: desenvolver



Desculpe-me a insistência mas volto à denominada Avenida dos Barris – a segunda fase da variante urbana de Alcochete – para mostrar algo que, há cerca de três anos, me deixou perplexo, ao observar a construção de um muro alto de betão à beira de residências.
Repare nas duas imagens deste texto, que reproduzem pormenores de edifícios da Praceta 10 de Julho, situada entre a piscina municipal e a Rua Capitão Salgueiro (a artéria do centro de saúde), local que serviu de mote ao meu texto anterior.
Que opinião terão os moradores, nomeadamente os dos pisos térreos, dos eleitos no mandato 2001/2005, os quais, invocando premissas de desenvolvimento, mandaram enclausurá-los por um muro de betão com cerca de três metros de altura?
Que condenaram dezenas de famílias a conviver com tráfego diurno e nocturno – crescentemente indisciplinado – a 25 metros da mesa, da sala e da cama onde, no limite, teriam direito a dormir descansados?
Que os prejudicaram, gravemente, com a desvalorização das propriedades?
Que cruelmente os abandonaram num deserto, porque nem um único canteiro em redor evidencia sinais de preocupação dos actuais autarcas com o seu bem-estar? Infelizmente, até hoje não consegui chegar à fala com ninguém da zona. Bem o tenho tentado, mas parece-me que as pessoas se entrincheiraram atrás de quatro paredes.
Após anos de clausura, naturalmente os residentes nos pisos térreos até poderão enfrentar problemas psicológicos.

Há heróis vivos em Alcochete e estes também são alguns dos meus.
Gente tão duramente afectada justifica autarcas com outra cultura, que respeitem os direitos do seu semelhante.
Noto preocupação crescente com os direitos dos irracionais. Ainda bem.
Mas alguém se inquieta com os direitos dos racionais em Alcochete?



06 agosto 2008

O esquecimento do Eterno


De um lado o
espírito da sociedade
política, do outro o
culto das forças
materiais do cosmos.
A aliança de religião
estatal e religião do
cosmos opõe-se à
aliança de Deus com
o homem.

JOSÉ ENRIQUE BARREIRO

Nazismo e comunismo


O que é que o nazismo tem de comum com o comunismo? Quase tudo, pois são dois socialismos.
O que distingue o nazismo do comunismo? Distingue o facto do o primeiro ser um socialismo nacional e o segundo um socialismo internacional.
Percebem agora por que nunca se deu na História nenhuma Internacional Nazi?
Anda um homem a estudar uma vida inteira para só aos sessenta anos chegar a estas evidências!
Na verdade, desde a minha juventude, eu sei que nazi é a abreviação alemã de Nationalsozialismus (Nacional Socialismo).
Já poderia ter visto o que digo aqui e agora há séculos!
Poderia?

Uma Câmara Municipal obviamente divorciada dos munícipes

Foram bastante pertinentes os «posts» de Fonseca Bastos sobre as iniciativas apelidadas de «requalificação urbana» recentemente publicitadas com pompa e circunstância pela Câmara Municipal, das quais destaco o (des)investimento de meio milhão de euros na zona desportiva do Valbom.
Sobre esse investimento em particular, sublinho a minha total concordância com Fonseca Bastos, quando refere que o futuro parque desportivo vai ter obviamente muito menor utilização e procura do que o potencial do espaço.
Nesta matéria a Câmara Municipal de Alcochete mostra mais do mesmo, ou seja , uma irresistível inclinação para o marketing político em detrimento do esclarecimento que deveria sustentar o esforço e o investimento na definição coerente da reabilitação dos espaços urbanos. Para a Câmara Municipal o esforço de reabilitação urbana mede-se então, e convenientemente, por meros padrões financeiros, cujos números são literalmente atirados à cara dos munícipes com propósitos meramente políticos.
Prova do que acabo de referir é, para além da divulgação dos valores do investimento , a referência a esse espaço no Valbom como «zona desportiva» , expressão intencionalmente usada com excessiva amplitude , quando afinal se trata de ocupar o espaço quase exclusivamente com courts de ténis , o que teria justificado , caso não houvesse essa inclinação camarária para usar e abusar do marketing politico , um maior realismo e humildade quando apostou na sua utilização como bandeira propagandística. Teria ficado muito melhor divulgá-lo , por exemplo , como o novo «Complexo de Ténis de Alcochete.»
Sem querer melindrar a meia dúzia de praticantes de ténis , (modalidade que até aprecio) que residem em Alcochete, a verdade é que o respectivo poder de «lobby» me surpreendeu ao lograrem ser beneficiados com a implantação de um complexo deste tipo num espaço, que como bem refere Fonseca Bastos, tem um potencial de utilização pela população muito superior caso se tivessem perspectivado para ali outras formas de utilização.
Assim sendo eis que a Câmara Municipal de Alcochete revela uma tendência muito pouco coerente com o ideal comunista que deveria estar subjacente à sua politica urbanística. Potenciar o uso do espaço público por minorias em detrimento de formas de utilização que permitissem que um universo bem mais amplo de munícipes pudesse dele usufruir. Ou será que o executivo camarário é composto maioritariamente por amantes empedernidos do ténis?
Tudo isto revela ainda que a Câmara Municipal de Alcochete desconhece completamente qual o vector ou fio de prumo que deve sustentar qualquer esforço de verdadeira Reabilitação Urbana , o que também não me surpreende , atentas as sucessivas exibições públicas de incompetência por acção ou omissão com que nos vem brindando desde o início do mandato , facto que deve fazer corar de vergonha as cúpulas hierárquicas do partido da foice e do martelo , partido que gosta de fazer pregão da sua alegada , mas não provada , competência em matéria de gestão autárquica.
Este investimento no Valbom revela à saciedade que a Câmara Municipal de Alcochete desconhece que qualquer esforço de reabilitação urbana deve radicar numa premissa essencial:
A requalificação no contexto urbano será, mais do que um processo ou uma forma de actuação, ou do que um investimento , a necessidade de corresponder a um desejo social previamente apurado e estudado.
Cabe ao urbanista qualificado (onde é que eles estão ?) a formulação de estratégias de intervenção no espaço urbano, modernizando-o, conferindo-lhe novas qualidades que correspondam e venham ao encontro dos desejos sociais. Como tal, a Requalificação Urbana é uma das áreas do Planeamento Local com maior desenvolvimento e pode ser vista como um ponto de convergência para outras ciências tais como a Sociologia Urbana, a Geografia, o Ordenamento do Território, o Paisagismo e a Economia Urbana.
É evidente que a opção camarária para a requalificação urbana do Valbom está a anos luz de corresponder àquilo que será o desejo dos munícipes de Alcochete, mas também parece evidente que aquilo que os munícipes verdadeiramente desejam para o concelho nunca interessou ao executivo camarário.
Aproveito para desejar o maior sucesso para as Festas do Barrete Verde 2008 e umas boas férias aos munícipes de Alcochete.

Palavras traiçoeiras: prioridade


Quando, neste texto, escrevi haver inúmeros espaços expectantes de que apareça um autarca com verdadeiro amor a Alcochete, tinha em mente casos como o que seguidamente abordarei.
As imagens deste texto reproduzem, parcialmente, um espaço ermo que deveria fazer corar de vergonha quem presidiu aos destinos do município desde a década de 90.
Situa-se na sede do concelho e confina com a Rua Capitão Salgueiro Maia (a do centro de saúde), as traseiras da Praceta 10 de Julho e a Av.ª dos Barris (segunda fase da variante).
Um caso
que exemplifica a definição de prioridades segundo conveniências políticas, menosprezando a antiguidade dos problemas e os benefícios colhidos pelo maior número de pessoas. É extraordinário como, ainda hoje, a política tem coisas que a razão desconhece!
Com mais ou menos mato, com ou sem entulho e muito ou pouco lixo resultante da falta de civismo, esta praceta está esquecida há mais de uma década.

No entanto, até prova em contrário dou o benefício da dúvida ao actual executivo porque à história da variante nada falta, nem mesmo aparentes heranças incómodas da falência da empresa que construiu a segunda fase. Aquele contentor azul, visível na imagem acima, parece-me um sinal evidente. Ali foi o estaleiro da obra.
Nem por isso deixarei de manifestar a minha discordância quanto aos seus critérios de selecção de prioridades.
Recentemente foram anunciadas obras vultosas na zona do Valbom – a 100 metros de distância – financiadas com um empréstimo bancário superior a 500.000 euros (mais de 100 mil contos em moeda antiga) para tapar o buraco do campo de futebol que a construção da variante tornou inviável há pouco mais de dois anos.

Parece-me inquestionável que o futuro parque desportivo terá menor procura e utilização que o potencial deste espaço abandonado, vizinho de um bairro onde é difícil ser criança, cuja requalificação implicaria menor investimento que no Valbom.

Relativamente a obras dispensáveis e não prioritárias, indigno-me quando se propagandeiam elefantes brancos viabilizados por crédito bancário.
Existem imensos problemas elementares sem solução, mas a hipoteca-se o futuro por vaidade.
Às maiorias políticas também se exige lucidez e sensatez nas decisões.

05 agosto 2008

Leitura útil

Recomendo a pré-candidatos à eleição para os órgãos do município que leiam atentamente esta notícia e reflictam sobre o futuro, uma vez que secou a única fonte controlável de financiamento do orçamento autárquico.
Restam duas (impostos e receitas próprias), cujos caudais, a julgar pelo ambiente nacional de incerteza e angústia, também tenderão a diminuir.

"Dadas as dificuldades financeiras em que se encontra a Câmara Municipal" e o facto de os cidadãos não poderem pagar mais impostos, para evitar o naufrágio convém agir do lado da despesa.
Com expectativa aguardo pelas propostas, ciente de que, por vezes, coragem e sinceridade conduzem à derrota, mormente em concelhos onde o município é o maior empregador e perdulário e os autarcas e correligionários tudo controlam ou anulam quando não alcançam tal desiderato.
Contudo, considero mais digna uma derrota honrosa que vitórias mentirosas.

Liberdade e cidadania


Liberdade e cidadania são duas palavras que os benévolos leitores dos meus textos aqui neste blog poderão encontrar com frequência.
Mas se o leitor e eu consultarmos qualquer órgão de comunicação comunista tanto dentro como fora do País, verificaremos que aí também se fala de liberdade e cidadania.
A pergunta a fazer é esta: estaremos todos a falar do mesmo? É evidente que não.
Para os comunistas, tanto liberdade como cidadania é a submissão do cidadão ao consenso colectivo, se bem que as coisas nesta matéria sejam tão mais complexas quanto inacreditáveis para o comum dos mortais.
Para nós, liberdade e cidadania prendem-se à actuação dos indivíduos livres, numa palavra, à liberdade individual.

Palavras traiçoeiras: variante



Pelo seu passado, presente e futuro a variante urbana de Alcochete merecia um livro, tantos e tão surpreendentes são os pormenores que rodeiam a obra.
Para quem não sabe, esclareço ser aquela avenida que principia na Estrada Municipal 501 (Alcochete-Samouco), junto ao fórum cultural, e, presentemente, termina no posto de combustíveis adjacente aos supermercados mais antigos.
Talvez ninguém tenha reparado ainda num pormenor invulgar: a cada fase de construção corresponde uma designação toponímica. O primeiro troço (até ao Cerrado da Praia) denomina-se Avenida do Brasil, daí até ao entroncamento com a Estrada da Atalaia muda para Avenida dos Barris e o troço "2,5" – designo-o assim porque somente existe meia avenida – foi baptizado, com pompa e circunstância, em honra da Sociedade Imparcial 15 de Janeiro de 1898.
Mas não é isso que me traz de volta à avenida multicúspida.
Como se fossem insuficientes mais de três anos de incómodos e de poeira para construir os cerca de 400 metros da segunda fase, no início do mês passado os moradores na urbanização dos Barris foram confrontados com mais 210 dias de obras.
Sete longos meses de desassossego, na melhor das hipóteses. O pretexto é o "enquadramento paisagístico" – as aspas não são minhas mas do cartaz oficial – no qual se incluem também coisas inexplicáveis, como refazer o que estava feito.
E desengane-se quem suponha serem estas as últimas obras num troço onde três em cada cinco automobilistas excedem o limite de velocidade e têm um gozo enorme em evidenciar indiferença pelos semáforos, enquanto outros se entretêm, altas horas da madrugada, a treinar habilidades, tais como contornar rotundas em derrapagem controlada, arranque brusco com chiadeira de pneus, etc.
A imagem acima mostra um cartaz em que se anuncia ser esta a primeira fase. Aliás, se reparar bem no desenho inferior, comprovará que o lado Norte da via não está contemplado.
Em conclusão, é meio "enquadramento paisagístico". O resto pode esperar.
Há por aí tanto espaço expectante de que apareça algum autarca com verdadeiro amor a Alcochete que mais ou menos sinais de desprezo ninguém notará.
















04 agosto 2008

Palavras traiçoeiras: requalificação




Nos últimos quatro meses houve inúmeras notícias sobre a requalificação da Rua da Azinhaga, em Alcochete, cuja localização a esmagadora maioria suponho desconhecer.
Comecemos por aí: situa-se entre as ruas D. Maria Teresa de Noronha (a do posto da GNR), do Bocage e Luís de Camões, no chamado Núcleo D.
Rezam as crónicas tratar-se de "arranjo paisagístico" compreendendo "pavimentação, instalação da rede de iluminação pública, criação de zonas verdes de enquadramento, plantação de árvores e colocação de mobiliário urbano".
As obras parecem perto do termo, conforme as imagens acima documentam e delas se extraiam algumas conclusões, embora recomende uma visita ao local para que cada um forme a sua opinião.
Cerca de 95% de espaço foi empedrado, haverá 3% (se tanto) para canteiros e 2% para árvores.
Supostamente, obras destas deveriam humanizar espaços livres entre construções e melhorar a paisagem. Com engenho e arte podem até reduzir a temperatura no interior das habitações.
Sabe-se lá porquê, nada disso parece ter sido levado em conta nesta requalificação da Rua da Azinhaga.
Por favor, mais respeito pelo bem-estar das pessoas!

P.S. - Alguém acaba de chamar a minha atenção para um pormenor que tive em conta ao escrever o que acima consta: a capacidade das pedras em acumular calor. O exemplo dado no comentário é correcto: o bife na pedra
Há também sistemas de aquecimento que aproveitam a acumulação de calor pela pedra, de tal modo que esta, quando alcançada a temperatura pretendida, dispensa o consumo de energia e irradia calor durante horas. A descrição técnica de tais sistemas refere seis a sete horas de consumo de energia para 24 horas de aquecimento constante.
Se alguém quiser comprovar o fenómeno, o Largo de São João é o local ideal para avaliar a razão pela qual a pedra não deve ser usada em excesso na pavimentação de artérias. Num dia de canícula, várias horas após o pôr-do-sol as pedras continuam a irradiar calor.

03 agosto 2008

Repto de Marafuga a Boieiro (3)


Um segundo texto mais prolixo do sr. Boieiro progride articulando duas vertentes bem distintas: por um lado, julgaria este autarca fazer o favor de me proporcionar um encontro ao qual eu ocorreria sem segunga reflexão na ânsia de me sentir valorizado pelo presidente da Assembleia Municipal de Alcochete; por outro, eu seria um caso de psiquiatria e o sr Boieiro, qual Freud de último recurso, o psiquiatra posto a serviço que se deliciaria a perscrutar as profundezas psicológicas da minha alma.

Quanto ao primeiro caso, eu quero ver se não falo com o sr. Boieiro para o resto da minha vida; quanto ao segundo, visa tolher o outro através do medo, o que talvez o sr. Boieiro acabasse por conseguir se eu não tivesse um conhecimento mínimo das estratégias porcas dos comunistas para a neutralização do opositor.

Todos sabemos que num país sob a canga comunista, os opositores não gozam de liberdade, pois são fisicamente abatidos ou, o que vai a dar no mesmo, enfiados em gulags (ex-URSS e actual Coreia do Norte), cárceres horríveis (Cuba), hospitais psiquiátricos (todos os países comunistas de ontem e de hoje), etc.

Mas vamos lá discorrer um pouco: se eu, por exemplo, acuso o sr. Boieiro de ser o primeiro grande responsável político pela gasolineira dos Barris e se ele, em vez de se defender com argumentos respeitadores da inteligência do outro, entra pela tergiversação, e insinua, à boa maneira estalinista, que eu sou um desequilibrado, não está este autarca a fugir à realidade, inclusive a invertê-la, eclipsando o facto a favor do não-facto?

O repto que, por último, lanço sobre o sr Boieiro é o que segue: as denúncias implícitas na longa pergunta do parágrafo imediatamente anterior, nomeadamente a desfactualização da História Local mais recente, não porão a nu os tiques de uma idiossincrasia totalitária?

02 agosto 2008

O avisado


Na Sexta-Feira (01-08-08), com a compra do jornal Diário de Notícias, ofereceram-me O Ingénuo de Voltaire (1694-1778), texto que li há quarenta anos e que, graças à estupidez dos meus dezoito anos, considerei uma grande obra escrita por um dos mais talentosos iluministas do séc. XVIII.
Hoje abano tristemente a cabeça por descobrir quanto esta leitura e outras do mesmo jaez prejudicaram durante décadas a minha visão do homem e do mundo.
Relido o texto em duas horas ou pouco mais, vi quanto Voltaire é intelectualmente perverso pelo ódio destilado contra a Humanidade, contra a Civilização Ocidental, contra a Igreja Católica, a própria pátria, etc.
Ora veja-se, como exemplo, esta passagem: «Embora a história de França esteja cheia de horrores, como, aliás, qualquer outra, o Ingénuo, no entanto, sentiu-a tão fastidiosa no seu começo, tão seca no meio, tão mesquinha, enfim, mesmo no tempo de Henrique IV, sempre tão desprovida de grandes monumentos, tão estranha a esses belos descobrimentos que tanto ilustraram outras nações, que se viu obrigado a vencer o tédio para conseguir ler todos esses pormenores de calamidades obscuras passadas num canto do mundo» (O Ingénuo de Voltaire, Edições Quasi, 2008, pág. 48).
Voltaire foi um celerado precursor da Revolução Francesa (1789). Depois desta, a França vem perdendo cada vez mais a glória que a bafejou durante mais de mil anos. Queira Deus que Nicolas Sarkozy seja a catapulta que relance a França para aquele patamar de respeito que a pátria de Joana d'Arc justamente merece entre todas as nações do mundo.

01 agosto 2008

Repto de Marafuga a Boieiro (2)

O sr. Boieiro acusa-me de desonestidade intelectual.
Instauremos já duas perguntas: o que é a desonestidade intelectual? O sr. Boieiro sabe?
Desonestidade intelectual é a prática de toda a estrutura de pensamento que parte da inversão da realidade.
Vendo daqui que apanho o meu interlocutor de surpresa, adianto um exemplo: o comunismo leva ao desastre as economias dos povos que subjuga. Mas que faz a máquina de propaganda do Estado-Partido senão atirar para cima do capitalismo a responsabilidade de todos os reveses que ele próprio gera? Desta execrável estratégia resulta a sacralização do comunismo e a demonização do capitalismo liberal.
Convicto de que o sr. Boieiro já me está a perceber, lanço-lhe o seguinte repto: nas centenas de textos que eu tenho neste blog, será possível encontrar alguma passagem que possa ilustrar magistralmente a noção que eu dou de desonestidade intelectual e colocar a minha pessoa à irrisão de todos no próprio órgão de comunicação electrónica de que sou co-fundador?
Fico à espera.

Cabanas de Tavira