13 julho 2008

Remendos


1. Há pouco mais de dois anos, neste texto e com a imagem que ao lado reproduzo, chamava a atenção para brechas visíveis em canteiros do Largo Barão de Samora Correia e da Av. D. Manuel I, porque "mentes brilhantes" resolveram plantar neles palmeiras em vez de arbustos e flores.
Como, ao contrário dos canteiros, as palmeiras crescem e engrossam, o resultado estava à vista.

Só hoje reparei que, em canteiros da Av. D. Manuel I, ao invés de mandar retirar as palmeiras de locais impróprios, alguém decidiu remendar as brechas com cimento.
A coisa parece-me equivalente a aplicar uns fundilhos numas calças rotas, mas crise é crise e, assim, aquilo dá menos nas vistas.

2. O parque infantil do Rossio, reinaugurado na passada sexta-feira, está inacabado e desrespeita a legislação aplicável a este tipo de equipamentos. E se não retirarem depressa aquele "focinho" ao "touro", tenho como seguro que, mais dia, menos dia, haverá uma criança com a cabeça aberta.
Lá diz o ditado popular: "as porcas apressadas têm os filhos marrecos"!

3. Os sistemas de rega automáticos, existentes na maioria dos espaços públicos do concelho, permitem reduzir gastos com mão-de-obra e água. Certo? Errado, a menos que haja manutenção regular.
Na Rua Manuel Gomes da Mestra, na Alameda do Tejo e no Largo Marquês de Soydos notei existirem sistemas de rega a desperdiçar água.
Só eu reparo nisto? Não há manutenção preventiva?

12 julho 2008

Manhosice


No Iraque servem-se da criança para denegrir os EUA que lá combatem o terrorismo.

Em Portugal servem-se da criança para denegrir a corrida de touros.

Muitos destes defensores, quero dizer, impostores, são o mesmos que defendem o sexo intergeracional.

Eles estão-se nas tintas para as crianças.

Apenas se servem dos nossos sentimentos que tão depressa ridicularizam como canalizam contra os valores da Civilização Ocidental Judaico-Cristã antiga de dois mil anos.

Corrida de touros versus ditadura


A queda da URSS provou também que o endeusamento da ciência é um rotundo fracasso, mas no Ocidente vive-se bastante da ilusão de que a ciência nos pode livrar do esforço.

O ódio de muitos à corrida de touros parte do facto de esta se apresentar como uma lição de esforço, divisa principal daqueles cuja opção de vida não é viver à custa dos outros, senão do próprio trabalho. Mas este mesmo é o móbil do capitalismo liberal, alvo da mira das esquerdas à escala planetária.

Nesta conformidade, a corrida de touros é encarada como um entrave à progressão do marxismo, "filosofia" do comunismo, razão por que todos os pretextos são aproveitados para apertar o cerco a uma das manifestações mais prestigiadas da cultura popular em Portugal, vale repetir, a corrida de touros.

Foi o que aconteceu no dia 04-06-08, quando a 12ª Vara Cível de Lisboa, dando provimento a uma providência cautelar da associação ANIMAL, notificou a RTP de que não poderia emitir a 44ª Corrida TV no Domingo de 08-06-08 às 17h30, sob a alegação de que «...as touradas são programas violentos susceptíveis de influir negativamente na formação da personalidade de crianças e adolescentes» (SOL).
Eis uma pequena amostra do discurso falacioso cujo resultado é o rastejante regresso à ditadura, aparentemente sem o culto do chefe, sem polícia política, sem censura, etc., mas com eficaz restrição à liberdade.

11 julho 2008

Ele há coisas...


Eu estava a ver se resistia a contar o que vou contar, mas não consegui. Manifestamente, sou um ouve-aqui-diz-acolá.

Hoje, a meio da tarde, falava com pessoa conhecida da nossa praça que no decurso da conversa me dizia com o ar mais cândido e magistral deste mundo: "...porque, ó Marafuga, como sabe, o poder económico deve estar subordinado ao poder político...».

Vi que não valia a pena contradizer a proposta de ditadura que o meu interlocutor me fazia. Como poderia explicar-lhe que não se trata de qualquer subordinação de poderes, mas de separação? Sim, de separação completa e sã entre o poder económico e o poder político, havendo a preocupação de domesticar o Estado e fazer prevalecer a lei.

O homem falava, falava, falava, mas como acontece em muitas destas vezes, eu consigo dar a impressão de que estou a escutar sem estar, devaneando por paragens longínquas.

Desta vez pensava no filme de Spilberg, A Lista de Schindler. E de que me lembrava eu que já vi o filme há tanto tempo? Lembrava-me de que com o avanço do processo revolucionário, o dinheiro nada vale. A loucura se instala nas instâncias de poder. O próprio Schindler sucumbe com os escravos que inicialmente comprava para os explorar. O poder de matar sobrepunha-se ao poder do dinheiro. Mas essa já era mesmo a lição que vinha de Lenine.

Por fim despedi-me do camarada, vendo-lhe eu no rosto a convicção de que me tinha dado uma ensaboadela.

Reversão da era industrial


«As gerações futuras vão se admirar com a estupidez desconcertante de que o mundo desenvolvido do início do século XXI entrou em um pânico histérico a respeito de um aumento de temperatura global médio de alguns poucos décimos de grau, e, com base em exageros grosseiros de projecções feitas por computador de forma altamente duvidosa, combinado a uma implausível cadeia de inferências, passou a contemplar a possibilidade de reverter a era industrial» (negrito meu).

Este parágrafo, da autoria do professor Richard Lindzen do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, é citado por Václav Klaus, presidente da República Tcheca, em seu artigo intitulado "O que está em risco não é o clima, mas a liberdade" (http://www.midiasemmascara.org/print.php?id=6726).

Ilusões e realidade

Quem leu os programas eleitorais autárquicos da última década encontrou promessas de transformação do concelho de Alcochete num eldorado.
A ponte, as acessibilidades e a paisagem serviram de engodo, os prédios surgiram como cogumelos e vendiam-se muito antes de estarem concluídos, a população residente aumentou 27,9% na década 1991/2001 e os autarcas tiveram mais dinheiro para manter gente aperreada por via do emprego, dos subsídios e daquelas coisinhas em que raros reparam mas que alimentam um "exército" indigente útil para as fotografias e para a estabilidade da votação.
Na política indígena já se mentiu demasiado mas, pasme-se ou não, ainda há quem suponha poder amealhar muitos votos propagandeando novas ilusões de bem-estar com aeroporto, plataformas logísticas, comboio de alta velocidade e empreendimentos alegadamente turísticos ao pé da porta.
A realidade actual é dura e visível por quem não seja cego, mas nenhum semeador de ilusões ousou mencioná-lo no tempo em que se vendia Alcochete como "a Cascais do séc. XXI". Há bem pouco tempo, o desejo oculto de alguns era chegar aos 25.000 habitantes e, em meados do século, confundir-se-ia Alcochete com Almada, Corroios ou Santo António dos Cavaleiros.
O aumento populacional desregrado e mal planeado ocasiona sempre inúmeros problemas, que emergem agora à luz do dia em Alcochete e são de difícil solução.
Ontem estive a ler um documento recente que, no meio de informação importante, continha um arrazoado de demagogia desenvolvimentista para enganar papalvos. Dele extraí mais alguns dados esclarecedores sobre o concelho, que complementam outros do INE que, há uns meses, reproduzi em vários textos publicados neste blogue:
- Taxa de variação da população residente superior a 4% ao ano;
- Quarto concelho da península de Setúbal com a maior média de habitantes por médico nos Centros de Saúde;
- Quarto concelho da península de Setúbal com maior número de acidentes de viação;
- Segundo concelho da península com o maior índice de furtos de veículos e em veículos motorizados.
Há sempre um preço a pagar pelo desenvolvimento desregrado e agora começam a ser conhecidas as primeiras consequências. Outras surgirão no futuro, a menos que se inverta o rumo.
Para mim, o único rumo que à maioria interessa é este: não a mais prédios, mais automóveis e mais gente. Prioridade ao emprego e bem-estar dos residentes, preservar e valorizar o património edificado e cuidar do meio ambiente.

10 julho 2008

Direita e esquerda...outra vez!


Há quem diga e rediga que as categorias direita e esquerda não têm valor nenhum para a análise da realidade política.
Eu cá nunca fui dessa opinião, suspeitando mesmo que o menosprezo pelas categorias direita e esquerda favoreça esta última.
Vejamos então: eu e outros sabemos que o terrorismo não parte dos contingentes de trabalhadores que trabalham nas fábricas e nos campos, mas sim das classes médias. Esta constatação poderia indispor-me intelectualmente com as classes médias se não manuseasse outras ferramentas de análise.
Segundo De Diego, Enrique, El Manifiesto de las Clases Medias, Rambla, 2007, p. 17, «las clases medias se componen de gentes cuya opción de vida no es servirse de los demás, sino servir a los demás; no vivir a costa de los otros, sino de su propio trabajo».
Forçoso é reconhecer que a definição dada por Enrique de Diedo sobre as classes médias se reclama da direita porque privilegia a dinâmica da sociedade contra as mãos mortas.
Aqueles extractos das classes médias dos quais parte o terrorismo, cujo alvo de eleição é a sociedade civil laboriosa e indefesa, são de esquerda, porque, conforme dizem grandes analistas políticos de todos os quadrantes (Daniel Pipes, Jeffrey Nyquist, Thomas Sowell, etc.), há uma aliança estratégica entre o terrorismo e as esquerdas à escala planetária contra as democracias liberais do Ocidente.

Luta contra o insucesso escolar

Coitadinhas das criancinhas! O mal que os adultos lhes fazem!
Clicar sobre imagem para ver melhor.

Novo condómino

Dou as boas-vindas a Paulo Benito, oitavo condómino inscrito neste blogue. Nos últimos meses tem-me enviado úteis ideias e, dispondo agora de completa autonomia para editar textos, mais fácil e oportunamente poderá difundi-las.
Volto a recordar que Praia dos Moinhos é um espaço de debate sobre Alcochete, aberto à participação de qualquer membro da comunidade, tenha ou não pontos de vista coincidentes com os dos condóminos mais antigos.
Quem quiser juntar-se a nós e lutar por Alcochete, nada mais tem a fazer que contactar um dos participantes indicados na coluna da esquerda.

Mero fumo


Os políticos apressam-se a prometer muitas coisas. Para cumpri-las precisam de muito dinheiro. Para conseguir muito dinheiro o que fazem é aumentar os impostos. A promessa mais recorrente é a da igualdade. Esta miragem é paga pelos bolsos dos que trabalham. A estes dizem que o dinheiro se destinará aos mais necessitados. Que nada disto dê certo e que as sociedades onde mais se insiste na redistribuição dos rendimentos sejam as mais pobres, não é algo que importe muito, pois o que vendem os políticos é mero fumo.

09 julho 2008

Choupos ou tílias?


Mas afinal estas árvores são choupos ou tílias?

Alguém com estudos abalizados em Botânica terá a humildade de descer a este blog e deixar a informação pertinente?

Depois que uma das câmaras presidida pelo sr. Miguel Boieiro deliberou derrubar estas árvores e de recentemente o mesmo autarca, hoje presidente da Assembleia Municipal, ter feito a apologia da tília no Jornal de Alcochete, eu ficaria boquiaberto se fossem mesmo tílias as árvores que estavam na Avenida da Restauração antes das palmeiras que tristemente lá se vêem.
Clique sobre a imagem para ver melhor.

De volta à palha

Paulo Benito chama a minha atenção para este texto originário da Oceania, mais uma análise interessante sobre a evolução do mercado do petróleo bruto.
Contém informação acerca de um problema que também afecta todos os alcochetanos, residentes numa área injustificada e forçadamente integrada na Grande Lisboa, e onde, ao contrário dos canteiros do Rossio, dos Restauradores e da Avenida de Roma, ainda existem condições para repensar a produção de cereais e armazenagem de palha, a construção de carroças e diligências, instalação de uma fábrica de bicicletas, etc.
Isto se, entretanto, a simpatia autárquica pela betonização logística, adicionada ao consentimento dos cidadãos, não destruir os derradeiros terrenos aproveitáveis.
Perante documentos destes não é difícil antever que daqui a uns anos – poucos presumo – boa parte da população voltará a carecer de palha e fava para alimentar o burro.
Além disso, é grave o problema da produção de cereais: o país importa 85% das necessidades internas de consumo. Apenas a produção de arroz é considerada suficiente, correspondendo a 70% do consumo.
Tenho um pressentimento que, ao invés de auto-estradas, aeroportos, pontes, comboios de alta velocidade, armazéns, prédios e outros tipos de betonização, a classe política terá de repensar depressa a alimentação futura dos cidadãos.
Já dependemos do exterior para quase tudo em matéria alimentar, dos cereais à fruta, passando pelos hortícolas, pela carne, pelo peixe, etc.

Budas


Acabei de ver no Le Figaro (http://www.lefigaro.fr/), sob o título "L'obésité, le nouveau fléau de la Chine", que este empório comunista é o país do planeta onde o peso médio dos indivíduos está a aumentar mais rapidamente.

Eu pergunto: por que razão os chineses não poderão fazer jus ao seu Buda?

Sociedade civil e poder político


Veja-se como está em Portugal a Saúde, a Justiça, o Ensino...

No caso do Ensino, o que melhor conheço, assistimos, paulatinamente, à instrumentalização da educação para a consecução de objectivos políticos.

Na verdade, cada vez mais a educação pública vai difundindo o credo socialista e ambientalista, ficando para trás o legado civilizacional.

Como dar solução a isto?

A catástrofe final só poderá ser resolvida pela luta da sociedade civil contra os intentos do poder político. Para tal, os tribunais seriam encarados como as instâncias mais qualificadas para s solução de conflitos, vale dizer, a partidarização da escola, a ideologização dos manuais, a apologia de contra-valores, a indisciplina, a violência contra professores, etc.

Ainda estamos a tempo. Se nada for feito, entreter-nos-emos, sem dar por isso, a forjar as próprias cadeias que nos imobilizarão num futuro que poderá não estar muito distante.

08 julho 2008

Gente sem coração

Relativamente a este artigo de opinião de Armando Esteves Pereira, director-adjunto do «Correio da Manhã», a minha única discordância prende-se com o facto de nem só em todas as principais urbes do país se assistir ao fenómeno do abandono dos centros e à construção desordenada nas suas periferias.
Eu que, em anos recentes, dedico parte do meu tempo a rever locais recônditos do país afirmo que o fenómeno se generalizou no litoral, enquanto o interior é um impressionante deserto humano.
Alcochete e Samouco não são urbes principais e enfermam dos mesmos problemas: núcleos antigos desertos e abandonados às inclemências do tempo, onde o comércio vai morrendo ou muda de poiso antes que se afunde de vez, onde não há condições de reocupação sem profundas obras de remodelação de infra-estruturas e de modernização dos edifícios, bem como solução para casos como o estacionamento de veículos dos moradores.
A esse abandono nem sequer escapam edifícios classificados de valor arquitectónico, relativamente aos quais no concelho de Alcochete existem vários casos gritantes e bem visíveis para quem não for cego.
Convém aos especuladores que depressa arda ou acabe por ruir o que é velho e causa problemas e, para piorar as coisas, até a certos autarcas agrada o aumento de receitas, porque cada edifício novo rende imenso em taxas e licenças e, a prazo, representará bem mais em impostos cobrados.
Contudo, esta constatação significa um divórcio de interesses entre autarcas e munícipes conscientes. Por isso o poder local e os cidadãos vivem de costas voltadas.

Daí estar convicto que, se não mudarmos depressa de rumo, algum "salvador" o mudará por nós. Com bem menos pranto e dor que outrora, mais ano, menos ano, novamente haverá carroças à porta dos Paços do Concelho para carregar o arquivo rumo a outro local.
Nem me admiraria que fosse o mesmo de 1895.
Esperem mais algum tempo sentados, porque para todos os males a classe política sempre encontrou as terapêuticas que mais lhe convêm. E nunca precisou de consultar ninguém antes de tomar decisões, pois basta saber aproveitar o momento oportuno.

07 julho 2008

Salvar as instituições

Tenho, frequentemente, chamado a atenção para a incapacidade das estruturas partidárias e das suas "elites" em reformar o governo municipal, incitando os cidadãos a unirem-se na busca de alternativas independentes.
Somos nós que pagamos tudo e temos o direito de procurar melhores soluções na defesa do interesse colectivo. As coisas continuam a toldar-se, quase diariamente, não se vislumbrando sinais de soluções credíveis.
A organização autárquica está hoje programada e definida de tal modo que qualquer pessoa informada, sensível, sensata, realista e experiente na vida – dona de casa ou ancião, inclusive – fará bom trabalho, mentirá menos e prestará melhores serviços à comunidade que autarcas "profissionais" como os que nos têm governado. Não faltam exemplos por esse país fora.
Numericamente inexpressivas em relação à população residente e, frequentemente, divididas por divergências quase insanáveis, as delegações partidárias locais não dispõem de gente qualificada e são incapazes atraí-la em períodos eleitorais. Nenhuma tem capacidade financeira mínima para suportar uma campanha, o poder torna-se ilusório e acaba condicionado por pressões exteriores, com todos os riscos inerentes e inevitáveis.
Os resultados negativos estão à vista e as consequência também: os programas eleitorais são uma farsa, os partidos assumem compromissos que não tencionam ou não podem concretizar e fazem no poder o inverso do que defendem na oposição.
Passivamente, os cidadãos assistem a indecorosos espectáculos de mentira, que descredibilizam os partidos e tornam esta sociedade cada vez menos coesa e mais decadente.
Os partidos são a essência da democracia. Mas as delegações locais, além de inaptidão para cativar e aproveitar os melhores cidadãos, no poder ou na oposição ignoram os sentimentos da comunidade, afastam toda a gente dos centros de decisão, fomentam o desencanto e o desprestigío das instituições.
É hoje difícil vislumbrar qualquer relação entre estes agrupamentos partidários e a realidade económica e social do concelho.
Os partidos estão doentes e alguma coisa tem de ser feita para salvar as instituições do poder local, usar melhor os recursos existentes e aproveitar os gerados pelos impostos que pagamos com crescente dificuldade.

06 julho 2008

O homem não se reduz ao ambiente


Não adiro ao texto Schmitt, Carl, Terra e Mar, Esfera do Caos, Lisboa , 2008, uma vez que nele há um manifesto desprezo pela burguesia laboriosa ao longo dos séculos, o que não invalida o reconhecimento de que Carl Schmitt (1888-1985) é um filósofo alemão cujos textos têm o poder de nos imergir na mais profunda reflexão. Ora vejamos um extracto da obra que referi: «[...], o homem é um ser que não se reduz ao seu ambiente. Ele tem a força para conquistar historicamente a sua existência e consciência. Conhece não apenas o nascimento, mas também a possibilidade de um renascimento. Numa urgência e num perigo em que o animal e a planta fatalmente perecem, pode salvar-se através do seu espírito, através de uma firme observação e dedução, e através da decisão de uma nova existência. Tem um espaço de acção do seu poder e da sua potência histórica. Pode escolher e, em certos momentos históricos, pode até mesmo escolher o elemento em relação ao qual se decide e se organiza, através de uma acção e de uma realização próprias, como nova forma global da sua existência. [...]» sic.

05 julho 2008

Uma intelectualidade de direita


Venho sugerir o aparecimento de uma intelectualidade de direita nesta nossa terra de Alcochete que defenda os grandes valores da Civilização Ocidental: Fé Cristã, tradição, liberdade individual, livre mercado, propriedade privada, família, cultura popular, etc.
Ideias como lei e ordem, tantas vezes batidas pela direita, se fora de um quadro mais vasto de valores civilizacionais, viram abstracções a favor dos projectos de esquerda.
Temos que estar muito atentos, apercebermo-nos de tudo o que nos circunda, relacionar e concluir para que possamos agir e livrarmo-nos da máxima nefanda de Lenine que recomenda fazer o adversário lutar contra si próprio.
A marxização das sociedades continua já não em nome da classe operária, da revolução, da igualdade, etc., o que deu em cem milhõers de mortos só no séc. XX, mas da salvação do meio ambiente contra as liberdades individuais para a instauração do totalitarismo mais feroz que alguma vez foi imaginado pela Humanidade desde que é Humanidade.
Hoje até os gordos dão azo às esquerdas para denegrir alguma tecnologia electrónica (consolas, por exemplo) e grandes cadeias alimentares que enchem a barriga a milhões de pessoas a baixos custos.
Um dos maiores intelectuais de toda a Cristandade, São Tomás d'Aquino (1224 ou 1225-1274), foi dos mais gordos do seu tempo ao ponto de o altar ser serrado à altura da barriga para esta entrar e permitir que o grande teólogo e filósofo medieval chegasse com as mãos aos objectos de culto durante a celebração da missa.
E quem foi maior que São Tomás d'Aquino?

04 julho 2008

O novo comunismo (2)


Quase todas as semanas, o sr. Miguel Boieiro nos brinda com a descrição de uma planta no Jornal de Alcochete. A última croniqueta (designativo que encabeça os textos do conhecido autarca) aconteceu na edição deste semanário local de 25 de Junho de 2008. Desta vez recebia as honras do culto a tília de onde vem o chá.


Chá não teve uma das primeiras Câmaras presidida pelo sr. Miguel Boieiro quando decidiu arrancar várias dezenas de choupos na Avenida da Restauração sob o pretexto de que as raízes dos ditos levantavam as pedras dos passeios, quando o móbil de fundo se relacionava com o facto de aquelas árvores serem de folha caduca, razão por que foram substituídas por palmeiras, estas de folha marcescente, o que diminui os custos de limpeza, pouco ou nada importando que à frescura das grandes sombras dos verões sucedesse a canícula insuportável sobre o peão.


O sr. Miguel Boieiro liga tanto a peões como a plantas, uma vez que o interesse do comunista mais consequente desta terra de Alcochete é servir o ambientalismo que corrói a liberdade individual em nome da salvação do meio ambiente como o velho comunismo a corroía em nome da igualdade.





Desenvolvimento sustentável?

Em 2005, Portugal era o país da União Europeia mais dependente da energia: 99,4%. A média europeia era de 56,2%
Em 2006, em Portugal, o transporte rodoviário representou 94,9% do transporte total interno, sobrando para os modos ferroviário, fluvial e marítimo somente 4,1%.
Numa década (1995-2005), em Portugal, o transporte ferroviário de mercadorias subiu 20% e, em apenas três anos (2002-2005), o transporte rodoviário equivalente subiu 44,3%.
Também em Portugal, entre 1995 e 2006, o transporte individual aumentou de 71,7% para 82,8% do transporte total de passageiros.
Há duas décadas que Portugal investe excessivamente em construção de auto-estradas mas estão anunciadas mais 20 concessões. Nos últimos dois anos, cerca de 90% do investimento do orçamento do Estado em transportes continuou a ser canalizado para infra-estruturas rodoviárias (confira dados aqui).
Não é de espantar que, além do que isto significa em agravamento de custos, de distorções no desenvolvimento e de dependências económicas perigosas, haja reflexos negativos no ambiente e na segurança rodoviária.
Há duas semanas, nos 32kms de auto-estrada que separam Vilar Formoso da Guarda, cruzei-me com 107 camiões. Por curiosidade, na estação ferroviária de Vilar Formoso consultei os horários disponíveis e contei quatro comboios diários de passageiros com paragem naquela estação.
Dois dias antes, num comboio Intercidades com cinco carruagens, que ligava Lisboa à Guarda, na gare de Celorico da Beira desembarcaram três passageiros e prosseguiram viagem somente uma dezena.
A semana passada, entre Coimbra e Vila Franca, cruzei-me com várias filas compactas de cinco e seis camiões.
Na extremamente perigosa Estrada Nacional 118, entre Alcochete e Porto Alto, frequentemente deparo com filas idênticas de camiões.
Não há muitos meses, na rotunda do Entroncamento, em Alcochete, Luís Proença – condómino deste blogue – numa manhã contava um camião por minuto a caminho dos armazéns no Passil.
Será isto desenvolvimento sustentável?

P.S. - O que o Presidente da República disse hoje, em Alter do Chão, é algo que qualquer português facilmente constata quando se afasta da costa atlântica.
No Minho, de Valença até ao limite do distrito de Vila Real é o deserto humano.
Quatro cidades parecem-me escapar a este fenómeno em Trás-os-Montes: Vila Real, Chaves, Mirandela e Bragança.
Na Beira Alta, de Viseu e Mangualde até à fronteira é o deserto humano. Já é difícil encontrar um restaurante. Modernos centros de saúde estão fechados. Em algumas sedes de concelho os antigos mercados só funcionam uma vez por semana.
Recentemente, no interior das muralhas de Sortelha (Sabugal) – uma das 12 aldeias históricas portuguesas – vi seis residentes: três idosas, dois cães e um gato. T
otalmente recuperada com fundos europeus, existirão nela cerca de meia centena de habitações fechadas.
Na Beira Baixa, com excepção de Fundão e Castelo Branco, a desertificação humana é notória.
No Baixo Alentejo idem e no interior do Algarve o panorama não é melhor.
Um exercício que também recomendo é atravessar a fronteira e conhecer o lado de lá, da Galiza à Andaluzia, onde, há 30 anos, o isolamento não era menor.
Era mas deixou de ser. Todas as cidades deram um salto imenso.