24 março 2006

Para inglês ver


Em tempos idos, antes da distribuição domiciliária de água, a imigração galega dedicava-se ao ofício de aguadeiros – entre outras profissões. Gostavam de cá estar, as condições de vida e trabalho eram melhores e, volta não volta, escreviam para a terra: “Xosé, a terra é boa mas a gente é bruta, a água é deles mas nós é que a vendemos!”. Se trago aqui a história é porque me faz lembrar o que se passa com o Fórum Cultural: a ideia é boa, a edilidade é que não presta (para não utilizar, mais pesado mas não menos certeiro, o “bruta”). E não presta porquê? Vamos por partes, para me fazer compreender. Um equipamento com o recorte do Fórum, onde se despenderam, pelo menos, um milhão de euros, merece uma gestão eficaz no sentido de se maximizarem os recursos, tendo por objectivo um preenchimento, se não diário, pelo menos quotidiano das instalações. Uma análise sumária, feita com base no site da CMA, consente a leitura de, no decurso do corrente mês, se realizarem, no total, quatro eventos, a saber: uma conferência; um concerto; um espectáculo de música rock; uma pequena peça de teatro. Previsto para o próximo mês de Abril, que se saiba publicamente, não há nada. Claro que, quando chegar o dia 25, haverá corrupio de acontecimentos, a sublinharem a traço grosso a programação ser produzida sobre o joelho, ao sabor do que for soará. Um milhão de euros do erário público obrigam a que se saiba com a antecedência devida o que se vai efectivar, qual a programação existente para Abril, Maio, Junho. Um milhão de euros não caíram do céu, meus senhores, mas dos bolsos dos contribuintes. Um milhão de euros exigem rigor, impõem disciplina, reivindicam trabalho. Daí que a CMA não tenha do Fórum Cultural a noção que o mesmo é da comunidade e para a comunidade, de ser o mesmo um instrumento de serviço público, um bem diário de utilização comum. Para a CMA é tão só uma quinta, um couto, um feudo, a usar como e quando quer, sem prestar contas a ninguém. E a utilizar de acordo com as conveniências, como sala de visitas, passeando-se a vereação pelos salões, da mesma forma que a aristocracia utilizava as salas de aparato, de casaca e charuto, tão bem traduzida na expressão do “para inglês ver”. Ora a tudo isto, a esta forma de estar e de trabalhar qual latifundiário absentista, dá-se o nome feio de incompetência, para não lhe chamar outra coisa mais consentânea com o malbaratar dos recursos públicos.

Alvorada


"Chuta, eu vou descobrir o que se passa com o ex-libris alcochetano, vou recorrer a uma janela indiscreta da CMA! Ó António, parece-me que estou a ouvir o som de...caneladas, pá!"

Bom dia.

Pontão e Monte Laranjo

Quem passa o Passil a caminho de Pegões, depois da rotunda, tem à direita os caminhos, primeiro para o Pontão, logo a seguir Monte Laranjo.
As populações destas localidades do Concelho de Alcochete vivem mergulhadas em tremendas dificuldades. Estou convencido de que a maior parte das pessoas que residem na vila não fazem a mais pequena ideia das privações suportadas pelos moradores de Pontão e Monte Laranjo. Eu nunca esquecerei o júbilo nos rostos das crianças quando lhes oferecíamos roupas de marca, excedentes dos nossos filhos. São experiências que só no terreno podem ser avaliadas e ficam para sempre.
Mas o que mais me confrange é o facto de os acessos àquelas localidades serem centenas de metros de terra batida. De Verão é a poeira; de Inverno são os buracos e a lama.
Escrevi então à Câmara, defendendo que os caminhos, com a congregação de esforços das partes interessados, talvez pudessem ser asfaltados.
A resposta, sem começar pelo nome do destinatário que sou eu, reza assim relativamente à matéria em foco: «Tanto o Pontão como o Monte Laranjo encontram-se em propriedade privada, pelo que, o asfaltamento das respectivas acessibilidades não é competência desta Câmara. No entanto, sempre que estes caminhos necessitam de reparação, a autarquia efectuará a sua reparação» sic. Nesta resposta que me foi dada, eu descortinei alguma contradição, porque se a Câmara efectua a reparação dos caminhos sempre que urge, tem para tal a autorização do(s) proprietário(s). Assim sendo, este(s) não se disponibilizaria(m) à negociação de um bem maior, isto é, ao asfaltamento? O teor desta pergunta leva-me a dirigir uma segunda missiva à Câmara, opinando que o facto de os caminhos para o Pontão e Monte Laranjo pertencerem a propriedade privada não ergueria muro intransponível ao fim almejado. Torno a transcrever a resposta que, como a anterior, começa sem se dirigir ao destinatário, pormenor revelador do desprezo que o(a) escriba sente pelo munícipe: «[...] Relativamente ao Monte Laranjo, está em causa uma propriedade agrícola devidamente vedada. Neste caso o proprietário não tem permitido intervenções de fundo, conseguindo-se, apenas, intervenções pontuais de melhoria dos acessos. No caso do Pontão, os custos de pavimentação das estradas são bastante onerosos, para além de não ser espaço público» sic. Agora, nesta redacção, Monte Laranjo e Pontão apresentam-se em planos distintos: no que toca ao primeiro aglomerado populacional, não há acréscimo de informação por parte do Gabinete de Apoio ao Presidente, mas o segundo surge envolto em contradição. É que parece estar implícita a ideia de que a pavimentação para o Pontão não se faz tanto por o caminho ser propriedade privada, mas mais por ser onerosa. E pronto, ninguém julgue que eu tornei a bater no ceguinho.

Ideias para reflectir


A ponte Vasco da Gama foi planeada em meados da década de 90 e concluída em Março de 1998, tendo os acessos sido concebidos numa época em que o município de Alcochete perdia população e tinha 10.000 residentes.
Oito anos após a abertura da ponte, a população do concelho cresceu mais de 50%, depreendendo do volume de empreendimentos habitacionais em construção ou planeados que a duplicação poderá ocorrer em pouco mais de uma década.
A imagem acima reproduz a situação actual dos acessos à ponte para residentes no município de Alcochete, cuja esmagadora maioria utiliza o automóvel nas deslocações casa-trabalho.
A linha verde é o percurso de 10 a 12km, feito duas vezes por dia, pelo menos, para atingir a praça da portagem.
As linhas brancas indicam os trajectos habituais a partir de Samouco e de São Francisco e para alguns automobilistas da freguesia de Alcochete.
Por questões de definição não consegui incluir o percurso dos residentes na sede do concelho que usam a via junto ao "outlet", situada a Norte da palavra Alcochete na imagem. Alguns optam pela Estrada da Atalaia, que está assinalada.
No concelho não falta quem sugira duas soluções para encurtar distâncias:
1. Em vez da maioria ser forçada a convergir para a rotunda do Entroncamento (a primeira à saída do IC13) – que nas horas de ponta tende a ficar congestionada – o município deveria sugerir ao Instituto de Estradas a construção de novos acessos ao IC13 junto a um dos três viadutos nele existentes, entre o Entroncamento e a ponte;
2. O maior número de sugestões refere-se a algo que considero de concretização difícil, salvo se a Lusoponte cooperar: a criação de novas entradas (quanto mais não fosse apenas para utilizadores da Via Verde) e saídas da ponte junto à Área de Serviço de Alcochete.
Pessoalmente preferia uma terceira via: estudar as necessidades de deslocação dos residentes e encontrar soluções ambiental e economicamente sustentáveis com transportes públicos. A auto-estrada líquida continua reservada aos esgotos e, que me lembre, nenhum país europeu com estas condições naturais as desperdiça desta maneira.
No entanto, olhando para esta imagem de satélite do Google e conhecendo a estrada de acesso ao edifício da Lusoponte, situado junto à praça da portagem, talvez seja possível criar aí entradas e saídas que dispensariam novas portagens.

Convém notar que os espaços dos arcos desenhados a vermelho se situam no concelho de Montijo, onde uma parte dos residentes nas novas urbanizações situadas a Norte da sede desse município poderia deixar de utilizar o IC13. A obra pode ser feita em cooperação pelos dois municípios, porque convém a ambos.
São ideias que deixo à consideração geral, se alguém quiser pensar no assunto antes que o tráfego se complique de vez.

23 março 2006

Recolher

Boa noite!

Bolsa de futuros

Não me surpreendem, por aí além, esta e esta notícias. Há anos que existem as ferramentas informáticas necessárias. É até possível fazer um pouco mais.
O que quero sublinhar é que, lá para 2009, ouvirão certamente falar disto na campanha eleitoral para as autarquias de Alcochete. Nessa altura alguém apresentará isto como o ovo de Colombo ou a tábua de salvação para aproximar o município dos munícipes.
Por estas e por outras razões, o projecto Setúbal Península Digital sempre me pareceu ser dinheiro deitado à rua. Relativamente ao nosso concelho, nem 30% do projecto estarão concretizados nos próximos cinco anos.
Repare-se, por exemplo, que o município de Alcochete, tendo embarcado nesse projecto e nele enterrado bom dinheiro, um ano após dispor de novo sítio próprio na Internet não conseguiu sequer disponibilizar metade da documentação prevista...
Conheço engenheiros informáticos, residentes em Alcochete, que confessam a sua frustração pela falta de oportunidades para pôr os conhecimentos ao serviço da comunidade e do país.
Os especialistas andam por aí, o problema é faltarem mentes brilhantes que utilizem há muito as novas tecnologias como ferramenta de trabalho e saibam aproveitar essas e outras mais-valias quando detêm o poder de tomar decisões em representação da comunidade.
Até agora só apareceram mentes brilhantes que olham para o computador como ornamento doméstico e fogem dele como o Diabo da cruz!

Alvorada

Bom dia!

Advertência


Venho dizer aos amáveis visitantes deste blog que daqui para o futuro não comentarei comentários de anónimos.
Tenho-o feito de vez em quando, mas sinto que há qualquer coisa de humilhante no meu afã. É que o diálogo entre duas pessoas só é verdadeiro se conversam sobre o mesmo plano. Ora o anónimo, seja ele quem for, olha para o outro de cima porque quer estar sempre numa posição de domínio nem que seja apenas pela anonímia.
No meu caso pessoal, aposto que os anónimos de ontem (Tágides) e de hoje (Praia dos Moinhos) são pessoas que me cumprimentam na praça pública, mas sem coragem para o essencial. Sempre fui e sou um homem carregado de defeitos, mas esse nunca tive. Para mim, dar o rosto pelas minhas convicções é um acto de liberdade que jamais seria capaz de alienar.

Intendência dos leitores

Leitor devidamente identificado enviou-me o seguinte texto, a propósito de outros por mim escritos nos últimos dias.

Em complemento do seu artigo no Praia dos Moinhos, a Lei n.º 159/99, Art.º 17.º , n.º 1, alíneas a) e b), diz expressamente que é também da competência dos órgãos municipais o planeamento, a gestão e a realização de investimentos nos seguintes domínios: distribuição de energia eléctrica em baixa tensão e iluminação urbana e rural.
Atente-se no "belíssimo" efeito estético de alguns tendidos na distribuição de energia eléctrica em baixa tensão ali para os lados da Lagoa do Láparo, junto ao Intermarché, e nos condutores na fachada dos imóveis no centro da vila.

Mais grave ainda é que existem situações em que as distâncias de segurança de isolamento das pessoas aos condutores, junto de varandas, não são respeitadas e não há esperança de solução à vista. Até um dia...

Defronte da minha casa, perto do estaleiro da Câmara, as obras continuam a descoberto... Naquela urbanização não há vedação nem tapumes que isolem a entrada de poeiras na minha casa. Bonito espectáculo de se ver o daqueles montes de saibro, brita e entulhos próximos da bagunça dos materiais de construção no estaleiro da obra. Em casa recebo a visita, sempre alergogénica, das poeiras da obra, tocadinhas pela nortada quando o Verão se aproximar.
O DL n.º 555/99 dispõe sobre este assunto no art.º 23.º, n.º 1, prescrevendo que a fiscalização administrativa se destina a assegurar a conformidade das operações urbanísticas (...) a prevenir os perigos que da sua realização possam resultar para a saúde e a segurança das pessoas.
A título de exemplificação, no Regulamento Municipal das Operações Urbanísticas de Águeda, o art.º 23.º, n.º 1 estatui que:

"- Na execução das obras, qualquer que seja a sua natureza, serão obrigatoriamente tomadas precauções e observadas as disposições necessárias para garantir a segurança dos trabalhadores e do público (...) (e.g. obras dos Barris) e permitir o trânsito normal de peões e veículos em condições de segurança.
"- Sempre que se verifique a ocupação da via ou do espaço público será obrigatória a vedação do estaleiro com tapumes."


Será que nenhum regulamento local trata desta matéria?

Por acaso há um regulamento local sobre isto. E quase decalcado, ipsis verbis, do de Águeda. Cumpri-lo e fazê-lo cumprir, no entanto, é outra coisa.
Obrigado pela ajuda.

Raios os partam


Este poste estará vergado pelo peso da consciência de quem permitiu que nos centros históricos do concelho haja cabos de telecomunicações assim espalhados?

Raios os partam!

Este poste estará vergado pelo absurdo que representa investir em variantes, fóruns e bibliotecas e ninguém reparar que faltam coisas elementares como creches, escolas e condutas subterrâneas para resolver de vez o problema?

Raios os partam!

Este poste estará vergado porque a maioria dos alcochetanos se alheia da sua terra e julga suficiente exprimir, de quatro em quatro anos, o desconsolo que tem na alma?

Levantai-vos criaturas e defendei a vossa terra!

Senhores, patrões, chefes supremos,
Nada esperamos de nenhum!
Sejamos nós que conquistemos
A terra mãe livre e comum!
Para não ter protestos vãos,
Para sair desse antro estreito,
Façamos nós por nossas mãos
Tudo o que a nós diz respeito!


(Este verso pertence ao hino A Internacional, que os comunistas escutam no início ou no final das suas manifestações).

22 março 2006

A cola do ex-libris

Devo confessar-vos que não me dou bem com as novas tecnologias, é tudo complexo, a necessitar manuais. Vem isto a propósito do Fórum Cultural, esse ex-libris alcochetano, no dizer “simples” e descritivo do site da Câmara: “a obra de maior envergadura até hoje realizada pela Autarquia” e que “veio permitir que Alcochete passasse a dispor de um dos espaços culturais mais dignos e modernos que se pode encontrar no Distrito”, esse projecto de “elevado índice de versatilidade”, e outras baboseiras de prosa saloia - para não chamar parola! - do escriba de serviço pago a expensas do erário público. Tudo bem, diria eu cá com os meus botões, não fossem as dúvidas que as “obras de fachada”, sobretudo as realizadas por autarquias, sempre me deixam. Suponho que sabem ao que refiro, há exemplos à mostra, escuso-me de apontar a dedo casos concretos. E, ao que consta, são só a ponta do iceberg. Mas passo à frente, dou de barato a maior transparência a benefício dos patrocinadores, por crer que equipamentos neste âmbito são eventualmente úteis e necessários. Possibilitariam, no caso específico de Alcochete, uma revitalização da vida económica e social, se devidamente conjugados com a área urbana em que se inserem - a de maior densidade populacional do país - com a dinâmica gerada pelo Free Port. Mas estas cogitações, aqui deixadas à laia de desabafo, só fariam sentido se o ex-libris tivesse vida, leia-se programação regular: exposições temporárias, teatro, cinema, música, colóquios, congressos. E que se soubesse, isto é, que se fosse ao site da CMA e se visse, dia tantos isto ou aquilo, para, pelo menos, seis meses. Mas não, não vi lá nada. Como não acredito em que não exista programação regular para aquilo, para o tal famosíssimo ex-libris, o defeito só pode ser meu, por não me entender com as novas tecnologias: mea culpa, mea maxima culpa! Agora se realmente de programação há zero, aconselho a excelentíssima edilidade a esticar a língua e a lamber o verso do dito: para o colar no livro. Sabe a cola?! Pois é...

Aprendam mentes brilhantes!

Esta notícia do JN é uma pedrada no charco e um bom exemplo para os eleitos locais de Alcochete.
Siga-se o exemplo de Santarém e aprovem-se na Assembleia Municipal, por unaninimidade, disposições regulamentares que acabem com a rebaldaria do quero, posso e mando!
Quem não come demasiado queijo lembrar-se-á que houve "trabalhos a mais" numa obra mal planeada (fórum cultural), por precipitação de alguém.
Esses trabalhos a mais custaram 250.000 euros, o Tribunal de Contas recusou-se, por duas vezes, a conceder-lhe visto legal e a verba não pode ser paga ao empreiteiro.
Talvez acabe tudo em tribunal, com o pagamento a ser acrescido de juros de mora contados ao dia. Se o desenlace for esse, pagaremos todos pelos erros pessoais de um ou dois responsáveis.
Recordo o n.º 2 do art.º 235.º da Constituição: "As autarquias locais são pessoas colectivas territoriais dotadas de órgãos representativos, que visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas".
Alguém já mexeu uma palha para evitar a repetição deste e outros disparates, tanto mais que grandes obras em curso podem ter desenlace semelhante?

Alvorada

Bom dia!

Dêem à luz, por favor!


Se de dia a "sala" de entrada no concelho a partir do IC13 – a rotunda do Entroncamento – evidencia o desinteresse dos autarcas de Alcochete pelo bom acolhimento na sua terra, agora de noite é bem pior.
Todos os acessos estão às escuras. Será avaria, falta de dinheiro ou desleixo?
Lembram-se que imagens daquela rotunda, pejada de gente, durante o Euro2004, deram a volta a Portugal, pelo menos?
Que me recorde, essa porta de entrada na sede do concelho só esteve completamente iluminada no princípio de 2002. Mas por escassos meses. Daí até data recente só havia luz nas entradas e saídas do IC13.
Agora nem isso. Está escuro como breu.
Estará reservado àquela rotunda algo ainda pior?

São Francisco: sugestões para mostrar serviço (3)


Para concluir a lista não exaustiva de intendência respeitante à freguesia de São Francisco, a propósito da reunião da câmara – e depois disto e disto – faltava-me referir o problema da energia eléctrica. Ou melhor, da intermitência dela.
Disseram-me que, frequentemente, ocorrem interrupções no fornecimento de energia em São Francisco.
Ninguém conhece as razões e muitos só se apercebem do facto quando chegam a casa, ao fim da jornada de trabalho, deparando com os relógios eléctricos desregulados.
É anormal que tal ocorra, ainda por cima com a frequência que me asseguram residentes, urgindo resolver o problema de vez.
Parece-me, aliás, que a qualidade do serviço é sofrível até na sede do concelho, onde resido. E isso constata-se há anos.
Sempre tive o computador e periféricos ligados a dispositivos de segurança (estabilizador de tensão e/ou unidade auxiliar de energia) e raro é o dia em que não detecto sinais de variações bruscas de tensão. O fenómeno é também perceptível em lâmpadas incandescentes.
As variações de tensão afectam a maioria dos electrodomésticos não ligados a dispositivos que atenuem os seus efeitos. Por causa disso tenho três estabilizadores de tensão, que me dão alguma segurança mas contribuem para o aumento do consumo de energia.
Os talones, os mexias e os accionistas esfregam as mãos, bem entendido, porque, embora se diga que há concorrência no mercado da energia, nunca ninguém me bateu à porta a oferecê-la em pó ou pilhas. Logo, tenho de aturar o monopolista.
Como, neste quadrilátero de castas, lá em cima estão as corporações e cá em baixo os mansos cidadãos, já nem estranho que haja mecanismos de regulação mas na prática ninguém repare na sua utilidade.
Embora este assunto esteja fora da alçada do município, trata-se de um serviço de interesse público e essencial à vida moderna. As suas pressões poderiam acelerar a resolução dos problemas.
Até que haja solução, sobretudo aos residentes em São Francisco só posso recomendar uma coisa: tenham paciência... franciscana.
E se mais algum "franciscano" quiser acrescentar temas à agenda municipal, está sempre a tempo de o fazer. Este condomínio agradece.

21 março 2006

Descubram as diferenças!

Estas imagens apresentam sete pequenas diferenças entre si. A quem as descobrir, ofereço uma viagem à Sibéria com o cavalheiro do post anterior. Paga pela edilidade, é bom de ver, no âmbito dos "Projectos Municipais".
Boa sorte!

Primavera?!

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.
Luís Vaz de Camões

Urge entender

Aqueles que afirmam Deus e não acreditam no homem (fascistas) são iguais àqueles que acreditam no homem e negam Deus (todas as esquerdas).
Qual é a diferença entre lançar bombas sobre Londres em nome de Deus (Hitler) e matar a elite russa em nome da classe operária (Staline)?
Crer em Deus e descrer do homem faz parte de um filão de pensamento nefasto que percorre a Civilização Ocidental e Cristã desde há dois mil anos. Falo do Gnosticismo que por ser uma fraude gera fraude.
De facto, o avesso do Gnosticismo haveria de surgir com o Renascimento, mais propriamente com o humanismo antropocêntrico reforçado pelo Iluminismo, culto da razão. Agora o homem é Deus. Eis-nos chegados ao desfecho totalmente intramundano do sonho gnóstico da unidade do homem e Deus, quando Este, para o Cristianismo, é diverso daquele.

Grandes capitalistas e comunistas

Se eu disser que os megacapitalistas, ou talvez melhor, os metacapitalistas, se entendem às mil maravilhas com os comunistas, surpreenderei alguém?
Os megacapitalistas mais não fazem que aproveitar a máquina do Estado para os fins próprios.
Os comunistas o que querem é reforçar o peso do Estado em nome, dizem eles, das classes trabalhadoras, o que para os megacapitalistas é preferível ao Estado liberal que se põe regras a favor dos direitos individuais.
Então há ou não há uma plataforma de interesses comuns entre grandes capitalistas e comunistas?
Agora já os leitores dos meus textos perceberão melhor por que, tanto em Portugal como no Mundo inteiro, representantes do alto capital apoiam partidos de esquerda. Ao fim e ao cabo, por diversas vias, eles querem o mesmo: dominar.

O menino da sua mãe





















O MENINO DA SUA MÃE

No plaino abandonado,
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado
- Duas de lado a lado –
Jaz morto, e arrefece.
Raia-lhe a farda o sangue,
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.
Tão jovem!
Que jovem era!
Agora que idade tem?
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome, e o mantivera
–“O menino da sua mãe”...
Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe.
Está inteira
E boa a cigarreira,
Ele é que já não serve.
Da outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
Do lenço...
Deu-lho a criada
Velha, que o trouxe ao colo.
Lá longe, em casa, há a prece:
Que volte cedo e bem!
(Malhas que o Império tece!)
Jaz morto, e apodrece,
O menino da sua mãe...

Fernando Pessoa