
Em tempos idos, antes da distribuição domiciliária de água, a imigração galega dedicava-se ao ofício de aguadeiros – entre outras profissões. Gostavam de cá estar, as condições de vida e trabalho eram melhores e, volta não volta, escreviam para a terra: “Xosé, a terra é boa mas a gente é bruta, a água é deles mas nós é que a vendemos!”. Se trago aqui a história é porque me faz lembrar o que se passa com o Fórum Cultural: a ideia é boa, a edilidade é que não presta (para não utilizar, mais pesado mas não menos certeiro, o “bruta”). E não presta porquê? Vamos por partes, para me fazer compreender. Um equipamento com o recorte do Fórum, onde se despenderam, pelo menos, um milhão de euros, merece uma gestão eficaz no sentido de se maximizarem os recursos, tendo por objectivo um preenchimento, se não diário, pelo menos quotidiano das instalações. Uma análise sumária, feita com base no site da CMA, consente a leitura de, no decurso do corrente mês, se realizarem, no total, quatro eventos, a saber: uma conferência; um concerto; um espectáculo de música rock; uma pequena peça de teatro. Previsto para o próximo mês de Abril, que se saiba publicamente, não há nada. Claro que, quando chegar o dia 25, haverá corrupio de acontecimentos, a sublinharem a traço grosso a programação ser produzida sobre o joelho, ao sabor do que for soará. Um milhão de euros do erário público obrigam a que se saiba com a antecedência devida o que se vai efectivar, qual a programação existente para Abril, Maio, Junho. Um milhão de euros não caíram do céu, meus senhores, mas dos bolsos dos contribuintes. Um milhão de euros exigem rigor, impõem disciplina, reivindicam trabalho. Daí que a CMA não tenha do Fórum Cultural a noção que o mesmo é da comunidade e para a comunidade, de ser o mesmo um instrumento de serviço público, um bem diário de utilização comum. Para a CMA é tão só uma quinta, um couto, um feudo, a usar como e quando quer, sem prestar contas a ninguém. E a utilizar de acordo com as conveniências, como sala de visitas, passeando-se a vereação pelos salões, da mesma forma que a aristocracia utilizava as salas de aparato, de casaca e charuto, tão bem traduzida na expressão do “para inglês ver”. Ora a tudo isto, a esta forma de estar e de trabalhar qual latifundiário absentista, dá-se o nome feio de incompetência, para não lhe chamar outra coisa mais consentânea com o malbaratar dos recursos públicos.











