
Há três meses, neste texto, criticara o projecto de reorganização de serviços no Município de Alcochete, chamando a atenção para o facto de o panorama económico ser pouco lisonjeiro e não me parecer recomendável uma estrutura crescentemente pesada, compartimentada e burocratizada.
Recordava então que as empresas e o Estado estão, há anos, a emagrecer estruturas e hierarquias, a reduzir pessoal, a agilizar processos de decisão e a contratar serviços externos para executar tarefas rotineiras.
Escrevia ainda que jamais o desejo de dominação partidária poderia justificar que na organização administrativa se ampliassem estruturas funcionais no topo da hierarquia, tanto mais que a todos os munícipes é exigido o dinheiro necessário para financiar decisões.
Infelizmente, há inúmeras decisões manifestamente erradas.
E esta reorganização parece-me ser uma das piores, até à data.
Contudo, através do Edital n.º 581/2008, entrará amanhã em vigor. Consulte-se a II série do «Diário da República» de hoje, em cuja página 25967 é publicado o Regulamento de Organização dos Serviços Municipais e respectivo organograma.
Esse organograma está reproduzido na imagem acima e, embora ilegível (tal como no original electrónico), dá para entender a dimensão do erro que ninguém soube travar a tempo.
É bom recordar que, tanto em área como em população, o concelho de Alcochete é um dos mais pequenos do país. E, entre os 308 nacionais, o seu município ocupa também dos últimos lugares em termos orçamentais no Continente.
Espero que me demonstrem o acerto desta reorganização e do organograma reproduzido, em face do art.º 235.º da Constituição da República, segundo o qual as autarquias locais "visam a prossecução de interesses próprios das populações respectivas".
P.S. - Paulo Benito enviou-me a imagem que reproduzo, acompanhada do comentário que seguidamente também transcrevo:

"Não conheço o funcionamento da CMA, não conheço os seus indicadores de desempenho nem a sua eficácia ou eficiência organizacional. O que conheço, no âmbito da minha actividade profissional, é que as organizações tendem a ter actividades estruturadas por processos, que muitas vezes não estão alinhadas com a organização hierarquica-funcional tradicional (exemplo do organograma da CMA).
"O que espero, como cidadadão e munícipe, é que a CMA defina metas para o desempenho dos seus serviços. Exemplo: x dias para aprovar um licenciamento, y dias para a ligação da água, z dias para... Voto nas pessoas que me conseguirem dar isto, independentemente do partido que representam".






































