
Quase não há nenhuma publicação da Câmara que não nos confronte com a palavra género. Esta é uma das palavras do politicamente correcto. Artigo sobre o feminismo que a dispense é para deitar ao caixote do lixo.
Mas saberão os piratas do politicamente correcto o que é a categoria de género, mesmo quando empregam esta palavra? Eu fiz os seminários de um Mestrado em Estudos sobre as Mulheres (Universidade Aberta) e sei que a apreensão do sentido desta categoria não é facil.
Por género entende-se as práticas de educação para o menino e para a menina. Por outras palavras, as múltiplas culturas da Humanidade desde que esta é Humanidade atribuem papéis aos meninos que em várias vertentes se distinguem dos que são atribuídos às meninas.
Ora eu pergunto: se o menino e a menina são diferentes, não será natural que os pais tenham discursos também diferentes para o que é diferente?
Por exemplo, quaisquer pais nunca direccionarão o discurso para a maternidade se falam com rebentos varões.
Mas ao fim e ao cabo, o que é afinal o género? O género mais não é do que a diferença de poder entre homens e mulheres. O que se pretende saber é: quem tem poder sobre quem? Para iludir esta questão, impõe-se a igualdade de género através de uma legislação que faz tábua rasa do que há de mais sagrado no ser humano, nomeadamente a identidade.
E quando se houve falar da luta contra a discriminação de género, saiba-se que, no fundo, se fala da igualdade de género, esta responsável por uma espécie de indiferenciação entre masculino e feminino. A partir daqui, cada um(a), qual célula estaminal com poder de escolha sobre si próprio(a), decide a orientação sexual que quer: heterossexualidade (passando esta a estar démodé), homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, etc., etc., etc.
Em conclusão, género é uma categoria que extrai a sua carga conceptual do marxismo e ameaça empurrar-nos para a pior das escravidões alguma vez sofrida por homens e mulheres à face da terra.
Outra palavra do politicamente correcto à qual não teríamos o direito de nos furtarmos é mobilidade.
Quando leio estes textos escritos por gente sem alma na imprensa local, vem-me à cabeça a ideia de que estas esquerdas querem substituir liberdade por mobilidade.
Mas o que é esta mobilidade?
Esta mobilidade é a deslocação física de pessoas e coisas sob condições - dizem - sustentáveis (forçosamente tenho que embarcar nos clichés da tribo para não parecer um extraterrestre).
E então a mobilidade cívica, política, ética, moral, cultural, religiosa, espiritual, etc.?
Onde está a mobilidade cívica de um autarca que ofende gratuitamente um jovem por este pretender dar de beber a uma cadelinha num bebedouro público em vez de aproveitar a ocorrência para o exercício pedagógico do civismo?
Onde está a mobilidade política, ética e moral de uma câmara que quase exige tomar conhecimento prévio dos conteúdos de um jornal sob ameaça implícita de bloquear o envio dos próprios materiais de informação e publicidade para esse órgão de comunicação?
Onde está a mobilidade cultural de uma câmara que politiza os eventos culturais e abafa a cultura de raiz popular? Por que razão a Câmara Municipal de Alcochete não toma posição explícita sobre a Festa Brava, quando esta hoje sofre ataques como nunca os houve em Portugal?
Onde está a mobilidade do respeito devido à religião por parte de uma câmara que não desmunicipaliza a Fundação João Gonçalves Júnior, quando a fundadora, D.ª Mariana Gonçalves, colocou a sua doação sob a égide da Igreja Católica?
Onde está a mobilidade espiritual da câmara se esta é comunista e se o comunismo nega o Transcendente? Ou haverá uma espiritualidade intramundana como a que defende o ambientalismo? Que querem? Reduzir a mobilidade ao passeio da carne? NUNCA!