17 dezembro 2010

VERDADE


Caiu-me nas mãos um publicação da Câmara que faz propaganda àquilo que diz ser a Regeneração Urbana de Alcochete. Para mim, esta revista - ou lá o nome que lhe possam dar - não passa de uma amostrazita de engenharia discursiva.
Luís Franco, na nota de abertura, fala de «...mante[r], [...], de forma consciente e planeada, muitos dos aspectos que caracterizam o nosso território e que constituem factores de atracção a quem nos procura...»; fala de «...políticas locais de conservação integrada do património...»; fala de «...uma nova imagem urbana de qualidade, acrescentando valor ao património identitário existente»; fala de «...recuperação do património arquitectónico...», etc.
Eu quero, numa zona histórica da vila de Alcochete, a menos de quarenta metros da Igreja Matriz, alterar e ampliar uma casa cuja fachada mantenho integralmente porque, para lá da lei sobre esta matéria específica, a minha consciência cívica diz-me que devo manter a referida fachada, linda por sinal. Tudo o mais já existe no terreno: acessos, água, esgotos, etc.
Então não é que a Câmara de Alcochete, minha terra e do meu pai e dos meus avós e dos meus bisavós...me está a pedir 3.182, 77 euros pelo levantamento da licença de obras? (Mais de 600 contos em moeda antiga).
Conclui-se, assim, que as palavras de Luís Franco são destituídas de sustentabilidade, palavra que aparece a torto e a direito no referido...não sei que nome concreto dar à tal publicação da Câmara...

16 dezembro 2010

Eleições para a Comissão Política do PS/Alcochete

Na janela em baixo da Concelhia de Alcochete do Partido Socialista, sita no Largo do Poço, podem-se ler estas palavras: «As eleições para Presidente da Comissão Política Concelhia foram marcadas para dia 17 de Dezembro de 2010, no período das 18h. 30m. às 23h. 30m.» sic.
Concorrem a Lista A e a Lista B, encabeçando a primeira Francisco José da Fonseca Giro seguido de Vanda Maria Canhoto Carvalho Rico e a segunda Arnaldo Matias Sena Teixeira seguido de Tiago Miguel Vacas Felgueira.
Segundo o parecer que me foi dado por um antigo socialista local, quem vai decidir a vitória é o grupo de pessoas que apoiaram o João Barata, actual presidente demissionário da Comissão Política do PS/Alcochete.

13 dezembro 2010

Os barões

Os barões

PENSAMENTO LIVRE

"Estamos numa época em que o fim do mundo, já não assusta tanto quanto o fim do mês..."

11 dezembro 2010

O Extermínio dos Ucranianos pelos comunistas

The Soviet Story - Socialismo: por que matar é essencial?

Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz /2010


Mais uma das inúmeras vítimas do comunismo no dealbar da 2ª década do séc. XXI.
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Desde a revolução russa de 1917 até ao genocídio cambodjano perpetrado por Pol-Pot (1928-1998) decorre, a bem dizer, todo o séc. XX cuja sanha comunista matou para cima de cento e trinta milhões (130.000.000) de pessoas, o equivalente, pelo menos, às populações de Portugal, Espanha, França...
Perante esta realidade que tem o cuidado de evitar exageros, cujas fontes são milhentos sítios na Internet e uma bibliografia quase infinita, eu pergunto: quando um votante crónico do PCP me lê, que pensa ele de si para si? É evidente que vou morrer sem saber, mas o que me ocorre à mente é que esse vontante do PCP não acredita no que vê, mas no que lhe é dito. E pronto: Liu Xiaobo, Prémio Nobel da Paz/2010 é um criminoso de delito comum. E não é verdade que o PCP disse que a atribuição do Nobel da Paz a Liu Xiaobo é "inseparável das pressões económicas e políticas dos EUA à República Popular da China"? (e.expresso, 11 de Out./2010). Que mais há a dizer?
Mas pergunto-me outra vez: quem é este criminoso de delito comum que tem a força de emparceirar com as pressões económicas e políticas à China?
A força de Liu Xiaobo assenta na defesa dos direitos fundamentais, nomeadamente da liberdade de expressão; na defesa da democratização da República Popular da China e em desfavor do sistema de partido único; na defesa da liberdade de associação e independência do poder judicial, etc.
Na verdade, para Liu Xiaobo, intelectual de coragem ímpar que sacrifica a vida pelas próprias convicções, não há justiça porque é um dissidente e "dissidentes são os que insistem em desafiar publicamente o poder do Partido Comunista. Para eles não há justiça" (e.expresso, 8 de Out./2010).

08 dezembro 2010

A Câmara, a pretexto de estar com o Presépio, destrói-o


Vede como este Presépio é exactamente o contrário daquele outro que a Câmara de Alcochete pôs no adro da Igreja Matriz. Nesse, o que recebe destaque são os animais em manifesto prejuízo do casal Maria e José e do Menino Jesus que mal se vê.
Assim, em Alcochete, o Presépio é aproveitado para a propaganda da ideologia comunista a favor do ambientalismo e contra o valor família.
A maior parte das pessoas sente que ali há qualquer coisa que não está bem, mas não se revolta contra a Câmara porque a mensagem é subliminar. Até há quem pense: afinal os comunistas não são tão maus nem tão ateus como dizem porque se preocupam com o Presépio. O que têm é mau gosto. Claro que isto é trágica ingenuidade que põe em causa a nossa segurança e liberdade, uma vez que os valores cristãos são secundarizados e, em substituição, privilegiada uma religião biónica, isto é, uma religião assente na natureza que é criatura como o é a vaca e o burro.

Textos longos quebram o interesse pelo blog

Sempre pensei que os textos muito longos quebram o interesse pelo blog.
Façam textos pequenos e insignificantes como este:

Por toda a parte o Estado predador
A parar sem paragem tua vida,
A sugar o melhor do teu labor,
A virar o trabalho em mó partida.

Perante a grã rapina o que fazer
Senão saber que só labuta conta?
Retira desses ombros vil poder
Que o povo todo a cada instante afronta.

À força de mamar o nosso afã,
Ponhamos no lugar o Estado gordo
Antes que a liberdade fique vã,

Pisada por acção totalitária,
Morte negra a grassar aqui e ali
Por bota verde-rubra de homem pária.

Autor do soneto: João Marafuga

05 dezembro 2010

O PEDA -- INSTRUMENTO DE PLANEAMENTO E GESTÂO

Chegou-nos o seguinte artigo de opinião, que passamos a transcrever na integra:

"Nos últimos tempos, o Governo central lançou para a margem sul da área metropolitana da cidade de Lisboa um conjunto de investimentos que, a serem concretizados, vão criar um forte impacto na região.

No caso específico do concelho de Alcochete, a localização do novo aeroporto de Lisboa, a construção da plataforma logística do Poceirão, da nova ponte Barreiro -Chelas, da nova rede de alta velocidade e as novas acessibilidades constituem desafios que o executivo terá imperativamente de levar em linha de conta no sentido de um correcto ordenamento do território e harmónico desenvolvimento do município.

Face a este panorama, a Câmara Municipal entendeu iniciar, em meados do ano transacto, a elaboração de um Plano Estratégico de Desenvolvimento de Alcochete (PEDA), documento operacional direccionado não apenas para a autarquia mas também para outros serviços públicos, agentes económicos, sociais, culturais, demais instituições e cidadãos em geral, cujo horizonte de aplicabilidade se estende até ao longínquo ano de 2025.

Trata-se evidentemente de uma ambiciosa e arrojada visão prospectiva para o futuro do município. Todavia, assente em premissas que actualmente ninguém sabe se alguma vez virão a ser realidade. A conjuntura actual, o acentuar da famigerada crise económica e as dificuldades de financiamento tornam duvidosa e comprometem a efectiva realização de tão vultosos empreendimentos ao longo da década que agora se inicia.

Desta forma, perante as incertezas que se perspectivam, chegados aos dias de hoje, num momento em que o PEDA já deveria estar concluído (o seu termo foi apontado para o final do 1º semestre do corrente ano e nada se conhece quanto à respectiva conclusão), impõe-se legitimamente questionar se este plano é imprescindível para o futuro de Alcochete e deve constituir uma prioridade da autarquia. Muitas interrogações pairam no ar, carecendo de uma resposta oportuna.
A saber:

1 - Contribui efectivamente o PEDA para uma visão estratégica realista, quando pode vir a ficar rapidamente ultrapassado e obsoleto em consequência de contingências várias exteriores à Câmara ou vicissitudes decorrentes de mutações inesperadas na tomada de decisões por parte do governo central?

2 - Quando a contenção e austeridade devem ser ponderadas, não será o PEDA, encomendado a uma empresa de consultadoria privada, mais um custo para os depauperados cofres municipais?

3 - Não terá a autarquia recursos humanos com qualificações e conhecimentos suficientes para concretizar um projecto desta natureza?

Vejamos então.

A Câmara de Alcochete possui um conjunto de instrumentos de planeamento em vários domínios da sua intervenção e competência que todos eles associados, enquadrados de forma integrada e devidamente coordenados, podem dar origem a um plano global, dinâmico, estratégico para o seu desenvolvimento, em permanente actualização e contínua reformulação porquanto a todo o tempo os desafios assumem contornos diferenciados e perspectivas diversas.
Contrariamente à ideia do PEDA actual que, depois de elaborado e entregue, será um documento estático, não preparado para responder às mudanças supervenientes nem à imprevisibilidade dos acontecimentos.

Com efeito, a autarquia dispõe já do PDM, futuramente um PDM de 2ª geração, possui elaboradas cartas de REN, de avaliação ambiental, participou na alteração do PROT, tem prontas as cartas educativa e desportiva, mantém preparada uma rede social de intervenção, estando ainda em execução as grandes opções do plano, os planos plurianuais de investimento e restantes documentos previsionais, em suma, existem uma plêiade de instrumentos de planeamento que, a par dos programas anuais do PIDDAC, permitem indubitavelmente definir um paradigma de desenvolvimento que valorize as potencialidades turísticas, económicas, sociais e ambientais susceptíveis de tornar o concelho atractivo e afirmá-lo no contexto da região.

Porque não o PEDA resultar de uma síntese de todos estes documentos?

Por outro lado, é sabido que existem igualmente ao serviço da Câmara um sem número de técnicos qualificados e com formação específica, aptos para participarem em equipas multidisciplinares de projecto e em condições de elaborarem instrumentos de gestão e planeamento necessários à definição de um rumo
Poderiam ser organizados em equipas e utilizados em funções de planeamento. Estas equipas constituídas por quadros de reconhecido mérito a funcionar no âmbito do Gabinete de Qualidade, Inovação e Desenvolvimento, cuja missão é fazer aquilo que qualquer gabinete de consultadoria privado faz, isto é, garantir o desenvolvimento de estudos tendentes à identificação e actualização dos indicadores de gestão, colaborando também na execução e coordenação do planeamento estratégico, teriam a responsabilidade de proceder ao diagnóstico das situações em análise e "Pensar Alcochete", preparando os planos que eventualmente se revelem indispensáveis, entre eles, o célebre PEDA.

De sublinhar ainda que a tarefa de "Pensar Alcochete", apelando à criatividade e inovação do trabalho subordinado, será sempre um factor de motivação acrescido para os técnicos envolvidos, dado o mérito, prestígio e realização profissional que o desempenho destas actividades trazem aos próprios. Além de que a adopção desta medida vai de encontro à propalada politica do executivo em valorizar os recursos humanos e aproveitar as potencialidades endógenas da capacidade de trabalho instalada na Câmara.

Com a iniciativa de "Pensar Alcochete" entregue a equipas de projecto ou de gestão operacional a funcionar sob a tutela autárquica, qualquer plano estratégico, incluindo o PEDA, pode seguir em frente, manter-se em permanente construção, sendo reformulado sempre que as circunstâncias assim o exijam. Sem os encargos que a sua entrega a consultores privados implica.

Por isso, para quê entidades externas a fazerem aquilo que os trabalhadores da autarquia serão certamente capazes de executar?

Felizmente que a Câmara Municipal já dispõe de documentos de planeamento e de recursos humanos qualificados com capacidade para conduzirem quaisquer processos com esta envergadura e complexidade. A ideia, pomposa, de lançar o PEDA, outorgando-o a privados, mais não parece que uma acção de marketing político destinada a dar ainda maior visibilidade ao discurso oficial..."
João Manuel Pinho
Membro Comissão Politica Concelhia PSD/ Alcochete




O canto dos sereios


É do conhecimento público que o PS local se encontra esfrangalhado. Na génese deste facto está o último presidente socialista da Câmara que assumiu, qual messias, a encarnação de um projecto político para Alcochete.
O resultado mais dorido tivemo-lo nas últimas autárquicas que foi retumbante a favor dos comunistas. Estes, desde aí, fazem pouco de quem querem impunemente.
Quem entra num partido, entre humilde e a passo curto. De outro modo, mais nada faz do que dar continuidade à política podre deste País.
Foi por não querer nada dentro do CDS-PP/Alcochete que fui escolhido para presidente da Concelhia desta estrutura política. Sempre vi, em consciência, que eu não poderia ser o último a chegar ao Partido e imediatamente me pôr em bicos dos pés. Isso mete nojo a todo o homem e mulher capaz de sentir nojo.
Sim, eu estou a mandar recados. A quem? A todos os democratas de Alcochete que se queiram unir em torno de um projecto vencedor para as próximas eleições autárquicas.
Eis por que devemos extrair a conveniente lição do que há mais de cinco anos sucede ao PS local. Alcochete precisa de uma direita que tome plena consciência de si própria e arrede complexos injustificados. Sem pressas mas firme, o CDS-PP/Alcochete palmilha agora a seu caminho; quanto ao PSD local, é meu desejo que resista ao canto dos sereios.

04 dezembro 2010

HERNÂNI LOPES

Foi ontem o funeral do Prof. Dr. Hernâni Lopes.
Nos últimos anos mantive com ele alguns contactos em especial em eventos liderados pelo próprio, nomeadamente em questões ligadas ao Mundo Lusófono. Integro um grupo de cidadãos que periodicamente nos reunimos para reflectir sobre questões e preocupações contemporâneas com ênfase na Lusofonia, estruturamo-nos em torno do: “Círculo de Reflexão Lusófona”.
A associação assim denominada saberá dar continuidade aos objectivos traçados desde a sua fundação e respeitar a vontade do seu grande mentor, estou certo disso. Mas, todos sentiremos um enorme vazio nos encontros por faltar a palavra sábia, clara, transparente, honesta do nosso amigo Hernâni Lopes.
É do domínio público a sua enorme luta contra a doença que o atormentava há alguns anos, mas quem com ele lidava nestes diversos encontros e conversas nunca sentiu o combate que tinha interior (muito provavelmente). Foi um Homen que nunca renegou as suas raízes de Português e do Juramento de Bandeira que fez no cumprimento do serviço militar, tinha um amor eterno aos valores da Pátria, mas esses sentimentos nunca o impediram de ter um excelente relacionamento com os principais líderes africanos e ser respeitado pelos mesmos.
Idêntico relacionamento tinha ao nível diplomático com líderes europeus pelo seu passado como Embaixador e Ministro das Finanças. Nesta última missão não esqueço dois pensamentos que tinha sobre a situação de crise em Portugal e na Europa: nunca pensou que o País voltasse a viver uma situação de catástrofe financeira e ter que recorrer ao Fundo Monetário Internacional depois de estarmos de pleno direito na antiga CEE agora União Europeia; outro pensamento, considerava que estamos a ser afectados pela crise de talentos e transparência, caiu-se na mediania do cidadão, são raros os casos daqueles que se impõem pelo conhecimento, pela transparência, pela clareza, pela assumpção dos riscos e acima de tudo não colocarem os talentos ao serviço dos outros como missionários no Mundo.
Não podia deixar de fazer esta simples homenagem a um Homen que tanto gosto, tive, em escutá-lo e aprender e que recentemente me desafiou para desenvolver um trabalho (está a ser executado) sobre o papel das Forças Armadas no passado, presente e futuro do Mundo Lusófono.
Obrigado Prof. Dr. Hernâni Lopes! Até sempre!

26 novembro 2010

João Ferreira Rosa


João Ferreira Rosa é uma grande alma de português e um alcochetano para os alcochetanos.
"Alcochete é companhia
que faz esquecer e cantar
a triteza d'agonia
deste Reino d'aquém-mar".
(Quadra de João Ferreira Rosa, Fados, 1986)

22 novembro 2010

A eleição da Concelhia do CDS-PP/Alcochete

No Sábado passado, dia 20 de Novembro de 2010, teve lugar no salão nobre da Junta de Freguesia de Alcochete a eleição da Concelhia do CDS-PP local.


Este acto contou com a presença do ilustre deputado centrista na Assembleia da República Nuno de Magalhães que, de manhã, numa palestra para uma quinzena de pessoas, referiu-se ao papel que deve ser desempenhado por uma concelhia do CDS-PP, nomeadamente no que respeita a acções de proximidade com as populações.


De tarde, a urna ficou à disposição dos votantes que, diga-se em abono da verdade, não concorreram tanto quanto se estava à espera. Ainda assim, cerca de um terço dos militantes com direito a voto expressaram apoio à única lista que apareceu, elegendo João Marafuga presidente da Comissão Política Concelhia, Adélia Vieira presidente da Mesa da Assembleia Geral e António Carapinha delegado à Assembleia Distrital.


A tarefa que de imediato se coloca aos novos dirigentes do CDS-PP de Alcochete é conseguir encontrar um espaço minimamente digno para sede do Partido a fim de a Comissão política recém-eleita se poder reunir regularmente a assentar as acções a desenvolver nos meses mais próximos: angariação de novos militantes, auscultação das populações das três freguesias e de todos os lugares do Concelho, triagem dos anseios mais prementes (crianças, jovens, idosos por um lado; escolas, emprego, saúde por outro).


Mas outras problemáticas preocuparão certamente o novo dinamismo do CDS-PP local, quais sejam a segurança das pessoas, o universo rural do Concelho e respectivas potencialidades e o ambiente sem que este seja idolatrado, mas encarado como meio imprescindível para uma boa qualidade de vida.


Face a toda esta gama de temas, o sucesso deste novo CDS-PP/Alcochete dependerá do calibre das respostas a dar, o que obriga, em termos políticos, à adopção de um novo modelo de criatividade a favor da democratização do nosso Concelho em particular e do País em geral.

18 novembro 2010

O Sobe e Desce das Taxas!

Em tempo oportuno e em plena sede de discussão, entenda-se em Assembleia Municipal, cuja competência é acompanhar e fiscalizar a actividade da autarquia e dos seus respectivos serviços entre outras actividades, tivemos oportunidade de discutir a Alteração ao Regulamento de Taxas e Licenças Municipais. A criação de Taxas em qualquer município deve fundamentalmente respeitar o princípio da prossecução do interesse público local e visa a satisfação das necessidades financeiras das autarquias locais e a promoção de finalidades sociais e de qualificação urbanística, territorial e ambiental. Tendo como base de sustentação os presentes alicerces e a fim de evitar situações de carácter indefinido e de transparência duvidosa, surgiu a imperiosa necessidade da criação de critérios uniformes na aplicação das Taxas Municipais. Sendo assim surge a Lei nº.53-E/2006 de 29 de Dezembro aprovada em plena Assembleia da República e que obriga única e exclusivamente as autarquias a fundamentar os valores das taxas do ponto de vista económico-jurídico, para que, quem paga possa de facto saber o que está a pagar, não sendo imputados quaisquer limites máximos ou mínimos. Esta é uma decisão política atribuída ao executivo camarário que estabelece a proporcionalidade pretendida.
Ao contrário do que se possa fazer crer, os eleitos pelo Partido Socialista, quer vereadores quer deputados municipais, tiveram oportunidade de comprovar com dados concretos e objectivos que as Taxas apresentadas continham aumentos desmesurados e muito aquém das capacidades financeiras da grande maioria das famílias do Concelho de Alcochete.
Relembro, por exemplo, o Abastecimento de Água e Salubridade, com um aumento médio na ordem dos 80%, o Cemitério, onde por exemplo, uma inumação em sepultura temporária sofria um aumento de cerca de 500% e em sepultura perpétua de 450%, nos Equipamentos de Uso Colectivo onde os Pavilhões Desportivos sofriam um aumento médio de cerca de 165% em todas as taxas e agora algumas foram reduzidas, mas continuam com especial destaque as Escolas e IPSS do concelho que viram as suas taxas aumentadas em cerca de 160%, passando de 7,30€ para 19,10€, ou o Autocarro Municipal, onde o preço do Km aumentou cerca de 230% e o motorista, por hora, teve um acréscimo de cerca de 90%, em horário de trabalho, 77% em horas extraordinárias ou 79% em período de descanso semanal, sendo que, neste caso, não houve qualquer alteração.
É óbvio que a nossa opinião na altura foi simplesmente ignorada, contudo, o tempo viria a comprovar as nossas expectativas e tudo isto porque tivemos o discernimento de “olhar para a floresta e não somente para a árvore”.
Depois de várias contestações de inúmeros munícipes, o executivo decide então apelidar de período experimental o tempo que vigoraram os aumentos referenciados e resolve apresentar uma nova proposta para redução de algumas taxas, curiosamente, relacionadas com alguns dos aumentos que tivemos então oportunidade de discutir na preservação de mais e melhores condições para a população que representamos.
Com a nossa participação, estamos convictos de que exercemos na plenitude o nosso dever de cidadania e não temos dúvidas que desta ou de outra forma estamos paulatinamente a contribuir para um futuro que se espera e deseja risonho, vivido sobretudo com transparência, rigor e acima de tudo com determinação.
Estamos, como sempre, disponíveis para discutir assuntos de interesse supremo para o concelho, sobretudo com quem saiba interpretar o verdadeiro sentido da democracia em que todos os participantes possuam liberdade de expressão, aqui ou em outro local qualquer.
Ouvir uma outra opinião, por vezes contrária à nossa ideologia política ou à nossa forma de pensar, é um acto de inteligência intelectual e emocional que está ao alcance daqueles que querem e sabem ouvir e não apenas dos pseudo-predestinados para aquilo que julgam ser a política.


Fernando Pinto
Deputado Municipal Independente eleito pelo PS
bancadapsalcochete@gmail.com

“Educação MAL AMADA”


Recebemos da Sra. Prof.ª Maria da Graça Medeiros Cabral, Vice-Presidente da CPS do PSD Alcochete o seguinte Artigo de Opinião, que passamos a transcrever na integra:

"Falar de Educação/Ensino nos tempos que correm é uma tarefa arriscada e difícil. É arriscada porque não sabemos o que se passa na cabeça dos nossos governantes na operacionalização dos seus ideais na concretização dos seus objectivos mais simples. Difícil porque o que hoje é certo amanhã está ultrapassado face ao lançamento de uma série de medidas normativas desarticuladas e por vezes desanexadas do nosso sistema educativo que se quer eficaz, atractivo e orientado por um ideal condutor.

A Educação em Portugal tem sido fruto de sucessivas paixões de sucessivos governos e tem acabado quase sempre na sarjeta, incrivelmente abandonada, sobejamente criticada, mal falada e até mesmo por muitos desprezada.

A Nossa Educação tem sido muito Mal Amada, no entanto vai resistindo através dos milhares de docentes que no seu dia a dia enfrentam inúmeros desafios, vezes sem conta solucionados, face ao profissionalismo de uma classe, também ela muitas vezes mal tratada e incompreendida, por uma sociedade centrada na árvore sem reparar na floresta, que não desiste de continuar a acreditar que é possível mudar o estado das coisas que é possível esperar que um dia os apaixonados pela educação consigam ver para além da paixão e se centrem, mais no amor simples e terno por uma educação que se quer mais eficaz mais centrada nos saberes, mais focada na dignidade e na consciência da pessoa humana, mais dedicada na formação de uma sociedade futura mais justa.

A Educação Mal Amada vai sobrevivendo também com os contributos sempre preciosos dos pais e encarregados de educação que apesar de estarem também eles sobrecarregados vão dando o seu melhor para ajudar na árdua tarefa de educar.

A Mal Amada continua a lutar por se manter à tona de água apesar de acusada de nada fazer, de em pouco contribuir, para uma sociedade mais adequada às reais necessidades de um país que de quando em vez, e de vez em quando, ou quase sempre, se encontra à beira de um abismo, e permite-se correr ao encontro dele, quando assim não acontece

A Mal Amada agoniza em salas pouco confortáveis e muitas vezes inadequadas às reais necessidades do sistema educativo, onde se possam acolher alunos mais exigentes, mais críticos, mais inconformados porque também eles estão mais informados na educação global a que hoje se assiste.

A Mal Amada insiste em suportar a falta de recursos humanos desde os quadros administrativos passando pelos quadros dos ex-auxiliares da acção educativa e colmatando no quadro do pessoal docente para não falar nas tão faladas equipas multidisciplinares. Cada vez mais, temos menos recursos nas nossas escolas e cada vez mais, mais deles, o nosso sistema educativo necessita.

A Mal Amada apesar de tudo acode aos gritos da sociedade e sempre com esforço, sem meios e sem recursos vai dando uma mão aqui e ali para que as estatísticas melhorem para que possamos aparecer, a nível Europeu, num filme mais colorido mas cada vez mais, mais mudo.

A Mal Amada de vez em quando é enganada com “Magalhães” e “KITães” para num esforço de acrescentar mais despesa aos já e sempre magros recursos a ela destinados, tentar esconder e iludir as reais carências do nosso sistema educativo.

A Mal Amada foi presenteada com áreas curriculares não disciplinares, incute-se a importância delas na escola e nos horários dos alunos e quando já estão razoavelmente implantadas retiram-se e sabe-se lá o que vai vir em sua substituição.



À Mal Amada tem sido muitas vezes atribuída, os fracassos, os desaires, os insucessos, o abandono, a sinistralidade rodoviária etc.… etc.….Virão tempos em que se irão pedir contas a ela, pela duvidosa qualidade dos gestores deste país.

Mas é preciso continuar a procurar o equilíbrio entre todos aqueles que se preocupam com a Educação. Temos que continuar a acreditar que, no papel que desempenhamos no dia a dia sejamos capazes de dar um contributo efectivo em prol da educação, em prol das nossas crianças e em prol do nosso país."


Prof.ª Maria da Graça Medeiros Cabral
Vice-Presidente da CPS do PSD Alcochete

17 novembro 2010

Mas como é que essa coisa se faz?

Poderá ser mentira, mas não poucas pessoas me têm assegurado que com uma boa lubrificadela eu já tinha a minha casa construída. Na verdade, toda a gente na Rua Francisco Diogo era do parecer que me iria ter por vizinho já neste Natal.
No último almoço (Agosto do ano em curso) que tive com ex-combatentes da Guiné oriundos de todas as partes do País, não faltaram camaradas que, à boca cheia, falavam em quantias avultadas que tinham dado a funcionários camarários para verem os seus processos despachados em tempo razoável.
Eu interrogava-me para dentro de mim: será verdade?
A uma das pessoas aqui em Alcochete com quem costumo falar sobre esta matéria, senhor de idade e bem conhecedor de todo este labiríntico universo, dizia eu que, se me prestasse a coisa tão odiosa, mais não poderia dar que uns escassos quinhentos euros. Ele, de rompão, retorquiu:
-Pois, mas isso já seria metade dum daqueles ordenados!
Fiquei estarrecido por tal coisa nunca me ter vindo à cabeça.
Mas aqui é que está o busílis da questão para mim: como é que essa coisa se faz?
Uma vez, estava eu entre vários encarregados de educação, quando um deles, dando-se pressas, estende-me a mão para se despedir e retirar-se. No vigoroso cumprimento, eu senti qualquer coisa entre a palma da mão dele e a minha. Tendo ele largado a minha mão, eu, numa atitude de espanto bem representada, comecei a desdobrar a nota na presença de todos, enquanto esse pai, já a alguma distância, gritava a rir-se:
É para o professor comprar alguns livros!
Entre a gargalhada geral, também gritei:
Obrigado!

16 novembro 2010

Entre cerca ?

Ontem, defendi a tese de mestrado integrado com o tema da proposta da praça publica de Alcochete no largo de S. João.
A arguente do juri, a Dr.ª Arq.ª Margarida Vallas, referiu que estranhava não ter referido que Alcochete poderia ter uma cerca, devido a foram muito compacta do centro histórico. Não referi porque nunca achei referências dessa possibilidade.

Mas fiquei intrigado.

De facto, o centro histórico é muito compacto, e por hipótece, é compatível com cidades que se desenvolvem entre muros. Outro ponto que a Arq.ª Margarida Vallas referiu foi que, se o primeiro foral da vila -desconhecido - foi dado por Sancho I, então a probabilidade de ter uma muralha torna-se maior.
E mais, não se entendia porque motivo a Igreja matriz se edificou longe do centro urbano de Alcochete, mas tal também é compatível com a cidade entre cercas, uma vez que os templos ficam sempre fora de portas.
Mas não será so isto. Ao olharmos planta de Alcochete verificamos que a rua direita (Rua Comendador Estevão de Oliveira) liga dois templos (Igreja da misericórdia e Igreja Matriz) e atravessa toda a malha orgânica. Isso é exactamente o que existia na cidade entre muros - cidade medieval - quando a rua direita ligava as duas portas da cidade.

Se me apresentassem uma planta do centro histórico de Alcochete e me indicassem que o limite da cerca é o limite do actual centro histórico, que tinha uma porta a nascente e outra a ponte onde atravessava a rua direita, com dois rossios* junto as mesmas, e com um templo fora de portas, eu seria levado a concordar que sim: Alcochete foi uma vila entre muros, com uma cerca.

No entanto, não existe qualquer registo que indique tal facto.

* Um rossio é um espaço livre normalmente localizado na entrada das vilas medievais com o objectivo de realizar actividades que entre muros não eram possíveis. Existe registo histórico da existência de dois em Alcochete: um onde actualmente já designamos de "Rossio" (Jardim do Rossio) onde eram realizadas as actividades menos nobre, tais como a despeja de lixos, carcaças de animais, etc. O outro rossio seria onde actualmente se encontra o largo de S. João, onde se efectuava as actividades mais nobre, nomeadamente a lide de toiros, festas, mercados e similares.


Se me dissessem que estou a olhar para os limites da cerca de uma vila medieval (a amarelo) diria que tal era completamente possível.

14 novembro 2010

Exercício do poder gratuito

A construção civil em Alcochete está praticamente parada.
Por outro lado, a legislação em vigor face a processos que entram numa câmara para construção difere da existente há quatro ou cinco anos por acelerar o despacho desses mesmos processos.
Estes factos, mesmo assim, não querem dizer que um projecto para construção de uma casa, dando entrada na câmara, receba alvará para obras num estalido de dedos, sendo uma prática, todos o sabemos, que os serviços camarários, muitas vezes, tentam encurtar, em boa parte, a demora que a lei ainda força. Mas este encurtamento de tempo está dependente da boa vontade ou humores da legião de funcionários pela qual passa um processo de construção urbanístico.
Eu pergunto: o serviço que deve ser prestado ao munícipe pode estar dependente da boa vontade ou humores de este ou aquele funcionário? Este ou aquele funcionário pode permitir-se boa vontade ou humores no desempenho do respectivo serviço? E se este ou aquele funcionário se permite boa vontade ou homores no desempenho do respectivo serviço, quem lhe dá esse espaço de manobra? Obviamente os eleitos. Se me juram a pés juntos que não, concluo que os funcionários fazem o que querem, o que já é absolutamente delirante, sendo então que é com o apoio mais ou menos explícito dos eleitos que os funcionários procedem como procedem.
Este procedimento, sob o agrément dos eleitos, objectivamente é corrupção porque esta não é só passar dinheiro por baixo da mesa, mas também aproveitar um lugarzinho que se tem nos serviços de uma câmara para o exercício do poder gratuito contra este ou aquele munícipe reputado persona non grata.