Noutros tempos, depois de empossados os novos autarcas procuravam marcar a diferença executando pequenas obras de beneficiação e de remodelação. Coisas simples de concretizar num curto lapso de tempo, dispensando burocracia e esperas inúteis.Na maior parte dos casos, o adiamento ou a ignorância dessas obras implicara a perda de votos aos antecessores e a correcção imediata dos erros era uma forma de sedução. Visava criar uma imagem distintiva e de estímulo à adesão de novas bases eleitorais, porque só o apoio popular sustenta o poder do governante.Vêm estas cogitações a propósito da ridiculamente célebre Alameda do Tejo, na urbanização do Flamingo, em Alcochete, situada atrás da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I.Do ponto de vista urbanístico "os Flamingos" – como a maioria designa o bairro – são um monumental aborto. A praceta interior da Alameda do Tejo é um dos espaços mais áridos e desumanos que conheço em Alcochete.Dezenas de floreiras, canteiros tratados com gosto e espaços verdes devidamente cuidados poderiam amenizar aquele disparate urbanístico. Mas passaram-se sete anos desde que os primeiros moradores ali chegaram, vamos no terceiro mandato municipal e ninguém do poder demonstra a mínima disposição em resolver os casos pendentes.Os inacabados espaços verdes e outros problemas custaram muitos votos aos derrotados no passado Outubro, os quais, durante quase dois anos, pareciam poder resolvê-los de vez. Muita gente acreditou nisso e deu-lhes o benefício da dúvida, mas como pouco ou nada sucedeu depois e ninguém explicou porquê, a maioria cobrou-lhes mais essa dívida.Não estranho que sete meses depois das eleições as coisas continuem praticamente na mesma e a Alameda do Tejo apresente o aspecto patente nas imagens acima inseridas. Estranho é que os vencedores de Outubro tivessem um programa eleitoral em que prometiam o oposto do que têm demonstrado na prática diária.
Casualmente, descobri há pouco este blogue de um alcochetano anónimo.O primeiro texto foi publicado há cerca de uma semana e «Coisas de Alcochete» já contém hiperligação a este condomínio – o que muito agradeço e retribuo, obviamente.Os temas até agora abordados são interessantes, alguns pouco conhecidos e só é pena o autor não se identificar. É "Alcochetano, Puro e genuíno. Amante de histórias, História e contos".Seja bem-vindo quem parece vir por bem!
Mais de uma vez avisei que a maioria dos parques infantis do concelho de Alcochete não cumpre os preceitos legais. Estão todos irregulares, menos os dois novos: São Francisco e praia de Samouco.Uns não têm vedação, noutros o piso é impróprio, há brinquedos perigosos e em todos faltam as placas previstas na lei.Não sei se essas e outras anomalias visíveis explicam a deserção das crianças, mas os parques infantis do concelho de Alcochete são os menos frequentados entre dezenas que observei nos últimos meses em diversos pontos do país.Escapa à minha compreensão que dois novos parques infantis tenham as condições mínimas, mas ninguém do município ou das juntas de freguesia demonstre preocupação com os antigos.Continuarão assim até que haja um acidente grave?O executivo camarário não pode continuar a ser mero tesoureiro e emissor de licenças de urbanização e de construção.
É preciso, no campo da ciência, lutar pela emergência de um método científico que integre o melhor do paradigma dominante e o supere a favor de uma nova metodologia de investigação.O paradigma dominante em ciência assenta na separação sujeito/objecto. Este dualismo, há séculos ensinado nas escolas, é responsável por afirmações brutais do tipo: um homem é um homem, uma mulher é uma mulher. Isto quer dizer que a diferença de sexo discrimina radicalmente homens e mulheres.Mas se eu com o outro me posicionar numa envolvência unitiva, anulo a separação sujeito/objecto (observador/observado) e instauro uma nova racionalidade que traz o fim de um mundo e o princípio de outro.E no que consiste esta nova racionalidade? Consiste em fazer cruzar a minha subjectividade com tudo o que me é exterior. Aqui não pode haver discriminação de raça, religião, sexo, etc. É isto que poderá ser feito para, pelo menos, relativizar o método cartesiano em ciência e elevar o sinal da Cruz de Cristo que é o sinal da vida desde toda a Eternidade: união pelo Amor do Sujeito Supremo com a multiplicidade das coisas que d'Ele saem e n'Ele estão.Dou testemunho de que a Cruz de Cristo, imagem visível do Deus Uno e Trino, é porta para o Amor e também método para a compreensão científica do homem e do mundo.NOTA - Este texto não prescinde a leitura de outro em baixo intitulado A Cruz e o método.
Acabei de ler este texto e, muito sinceramente, não entendo a lógica do parecer votado pela maioria que hoje pontifica no município de Alcochete, a propósito do Dr. José Grilo Evangelista. Estranho em especial o seguinte parágrafo:"«Não se trata de pôr em causa o mérito do patrono proposto mas sim por se considerar não estarem reunidas, no caso, as condições para uma efectiva e ampla participação da comunidade escolar, aconselhando-se desse modo uma reanálise da situação, nova proposta de patronos e envolvimento de todos os intervenientes na Secundária local» justifica o executivo municipal em documento aprovado por maioria, mas com a abstenção dos vereadores socialistas".Se não se põe em causa o mérito do patrono... sugere-se nova proposta de patronos? Na escolha do patrono houve envolvimento de dezenas dos actuais representantes legítimos da comunidade escolar mas... sugere-se o envolvimento de todos os intervenientes na secundária local?Desconfio que anda aqui manobra da 'processionária' – a tal que causa uma comichão dos diabos – porque à data da sua morte o homenageado era um "situacionista" confesso! Coisa que, quase 34 anos após a morte do Dr. José Grilo Evangelista, ainda causa coceira a certas "mentes brilhantes"!Esquecem-se que maioria havia na edilidade quando se decidiu, em 1999/2000, a existência de uma Av.ª Dr. José Grilo Evangelista na Urbanização dos Barris, em Alcochete?Pobre Dr. José Grilo Evangelista, que deve andar às voltas no túmulo 57 anos após ter escrito o texto que reproduzo no 'post' anterior!Formulo um único voto: oxalá a DREL ignore o parecer (não vinculativo) do município e aprove a atribuição do nome do Dr. José Grilo Evangelista à Escola Secundária de Alcochete. Não é por mais nada, somente porque detesto habilidades de 'dinossauros excelentíssimos' e mentes conservadoras que tentam apagar da memória colectiva Homens bons, simplesmente porque se orientavam por outros ideais!E se o bom-senso vencer a esperteza vermelhusca, quem tiver documentos e textos relacionados com esse alcochetano ilustre deverá contactar o presidente da comissão instaladora do estabelecimento escolar em causa, que deseja recolher histórias protagonizadas pelo Dr. Grilo Evangelista na terra que foi a sua.Pode a escola contar, desde já, com o meu apoio voluntário e desinteressado se quiser reunir num sítio na Internet toda a documentação recolhida.
A propósito: leiam ainda os seguintes textos do meu companheiro de blogue:O Dr. Grilo ou a liberdade de um povoUm pequeno-grande texto do Dr. GriloO Dr. Grilo, também poeta
O dr. José Grilo Evangelista escreveu, em 1949, um dos mais sucintos e esclarecedores textos acerca da restauração do concelho de Alcochete, ocorrida a 13 de Janeiro de 1898.Cerca de meio século volvido, no extinto jornal «A Voz de Alcochete» (edição n.º 7, Ano 1), de Janeiro de 1949, o dr. José Grilo Evangelista, destacado médico e poeta local, exortava os mais novos a recordarem a restauração do concelho, com um artigo intitulado «Restauração do concelho de Alcochete - Exortação aos Novos».É bom saber que o Dr. José Grilo Evangelista nasceu a 11 de Novembro de 1895, em Alcochete, e faleceu a 24 de Dezembro de 1972 (em «Antologia de Poetas Alcochetanos», II vol., podem encontrar-se alguns das centenas de poemas que este ilustre médico nos legou).Na actualidade, quando para a maioria a data da Restauração do Concelho já nada significa e mesmo a nível institucional vai perdendo relevância, vale a pena recordar o que foi escrito em 1949 por esse ilustre clínico que, em vida, jamais negou assistência aos pobres.Eis, na íntegra, esse artigo do dr. José Grilo Evangelista. É longo, bem sei. Mas vale bem a pena recordar o pensamento de um Homem que serviu, amou e prestigia Alcochete:
"Para os alcochetanos, Janeiro encerra duas datas indeléveis: Em 15 se restaurou o Concelho, em 30 se reintegrou o arquivo municipal.
Foi em 1898. Já vai um ano a transbordar de meio século! - um nada na revolução dos tempos! - uma eternidade na vida de uma flor!
Recordar o que então se passou (1895-1898) sabe bem neste começo de 49, brumoso, friorento, enigmático.
Vão maus os tempos.
Vive-se uma vida agreste, açoitada por um vento sibilino, em rajadas ciclónicas, numa tempestade inclemente que tudo pretende subverter.
As paixões ideológicas cegam os homens e não raro a torrente galga o penedio das margens para se levantar em ondas encapeladas, plenas de facciosismo, tentando derrubar os fundamentos da sociedade, tudo encharcando, tudo nivelando na mesma vasa enganadora, estonteante, demoníaca.
Acordar os novos é, pois, uma obra meritória. Arrancá-los à nirvana embaladora, integrá-los na tradição de seus maiores, prendê-los à História da Terra em que nasceram, subtraí-los à indiferença, fazê-los viver e sentir o amor da Pátria é uma obra de obrigação e de devoção para quantos, já hoje, hajam dobrado, como eu, o alteroso «cabo das tormentas» da vida.
Recordemos por isso, nesta data, a página, porventura a mais dolorosa e mais nobre da nossa História Concelhia, para que os novos aufiram dela ensinamento e fervor patriótico e, como prólogo, façamos a declaração prévia de que, se como alcochetanos somos forçados a reprovar factos e atitudes de certo modo insolentes, isso o fazemos sem prejuízo das relações amistosas que é de boa norma e da mais elementar cortesia existirem entre povos vizinhos.
Setembro de 1895. Era então Ministro do Reino o ConseIheiro João Franco.
O Governo com o fim de centralizar mais os serviços do Ministério ao Reino, estudou e decretou uma reforma administrativa pela qual foram suprimidos muitos Concelhos do País.
Desta sorte, quase ditatorialmente, naquele triste Outono de 95, a nossa Terra viu-se esbolhada da sua autonomia administrativa, bem como de todos os privilégios que, desde tempos imemoriais, vinha disfrutando.
Não é fácil descrever a dor de quem tão dura e injustamente se vê privado da sua liberdade; não se descreve o sofrimento moral de quem, imolado à fúria legisladora, se vê na dura obrigação de prestar vassalagem ao jugo vexatório de estranhos, e muito menos, quando, nesses estranhos, é manifesto o propósito firme de nos exterminar.
Calcule-se pois a mágoa deste povo, quando, na manhã de 30 de Setembro de 1895, se apresentou aqui em nossa Terra, aqui em nossa casa, um empregado do Concelho de Aldegalega, escudado por numerosa força pública, e munido de um simples alvará do Governo Civil, a exigir a entrega de todos os documentos, móveis e títulos do nosso arquivo municipal.
A ânsia de agravar a nossa sensibilidade foi tal, que nem se esperou pelo cumprimento das formalidades do estilo, nem ao menos pela publicação do decreto da supressão no «Diário do Governo».
Eu não sei se nessa tristíssima manhã o sol deixou de brilhar intenso no azul do firmamento, mas o que sei, do que tenho a certeza plena, é que nesse dia 30 de Setembro de 1895, nesse dia funestíssimo em que passámos a ser vassalos forçados de Aldegalega, não houve peito de alcochetano que não gemesse angustiado, não houve lar nesta Terra que se não amortalhasse num silêncio profundo, silêncio feito de mágoa, silêncio feito de dor, silêncio feito de raiva.
Começou, então, a nossa tortura.
Começou assim o nosso cativeiro, que havia de durar anos, dois longos anos, sofridos de lágrimas nos olhos, mas também de dignidade altiva, de luta heróica, tremondo, incessante, luta de vencer ou morrer.
Escrevi há pouco que fôramos injustamente privados da nossa autonomia.
De facto, muitos concelhos do País, bem mais pequenos do que o nosso e alguns até dentro do próprio distrito de Lisboa, a que então pertencíamos, foram poupados.
Tão pouco nos era desfavorável o coeficiente populacional, com quase 25% de indivíduos sabendo ler e escrever e com mais cidadãos elegíveis para os corpos administrativos do que o próprio concelho em que fomos incorporados.
E, quanto a recursos económicos, saiba-se de uma vez para sempre que Alcochete não devia cinco réis a ninguém.
Pelo contrário: do seu cofre transitaram para o de Aldegalega valores que, na moeda de hoje, andariam para cima de mil contos.
Imolados assim sem uma razão forte, sem um motivo assaz poderoso, resultou ao menos do nosso sacrifício algum bem para Alcochete?
Que o diga a análise imparcial dos factos.
A conduta do município absorvente para connosco pode resumir-se em poucas palavras:
- Incompatibilizar entre si as freguesias do concelho extinto.
- Desvalorizar o seu património; e
- Utilizar em proveito próprio os seus rendimentos.
Hipocritamente revestiu de crepes as armas do seu Paço Municipal como se de sentimento estivesse pela nossa autonomia perdida, e, para nos suavizar a mágoa, deixou correr à revelia as nossas mais pequenas e urgentes necessidades, desbaratou quase por completo o famoso Pinhal do Concelho, agravou desmedidamente os impostos (só o do pão sofreu um aumento anual de 2.162$000, ou seja quase 70 contos de hoje).
Até nos próprios serviços públicos entrou a corrupção, dispensando-se empregados nossos, que o eram de direito, para apaniguar protegidos e afilhados. E, finalmente, a coroar todo este descalabro administrativo, mil e uma picuinhas impertinentes e vexatórias.
Eis a súmula, rápida mas exacta do nosso aviltante Cativeiro; eis um dos frutos, bem sezonados da reforma administrativa de João Franco.
Como não podia deixar de ser, Alcochete reagiu e reagiu bem. A luta atingiu, por vezes, uma violência extrema. Sucederam-se as representações, uma delas dirigida até ao próprio Chefe Supremo da Nação, a Sua Majestade.
Publicaram-se folhetos, artigos em jornais, moveram-se as mais altas influências, espumavam-se ódios, esboçavam-se conflitos pessoais e a tal ponto subiu o desespero do povo desta Terra que, certo dia, fez saber oficialmente aos Poderes Constituídos, que preferia ser simples freguesia do Concelho de Canha restaurado, a sê-lo de Aldegalega, engrandecida pela ditatorial reforma de João Franco.
Estamos agora em princípios do ano de 1897. O partido progressista assume o poder. José Luciano de Castro promete remediar o erro de João Franco, mandando restaurar os concelhos suprimidos. Mas... às freguesias rurais faculta-se-lhes o direito de não acompanharem as cabeças do concelho na sua reintegração.
Para isso basta que a maioria dos seus habitantes o requeiram. Nomeiam-se comissões distritais. Nomeia-se a Comissão Central que tudo apreciará em última instância.
Vão queimar-se os últimos cartuchos. Aldegalega pretende à viva força que Samouco requeira para lhe continuar anexado. Domingos Tavares, Presidente da Câmara, na noite de 14 de Março, vai em pessoa a Samouco, com música e foguetes. Promete o arruamento da freguesia e a conclusão de uma estrada, oferece restos de madeira do depauperado Pinhal do Concelho e, por fim, intima os habitantes da freguesia a assinarem o requerimento a favor de Aldegalega.
Entretanto, Alcochete, submete ao exame da Comissão Central uma bem fundamentada exposição em que analisa uma por uma as razões que lhe assiste e rebate com vigor as malévolas pretensões de Aldegalega.
O entusiasmo e a esperança são cada vez maiores. Crê-se firmemente na vitória.
Decorrem mais alguns dias. A Comissão Central elabora o seu parecer e entregou-o ao Governo.
A ansiedade é enorme. A toda a hora se espera a publicação do Decreto libertador.
Na estação Telégrafo-Postal é contínua a afluência de gente. Todos querem notícias.
Muitos operários da construção civil e alguns rurais negam-se a ausentarem-se do Vila no ânsia de festejarem a boa nova.
Na ponte-cais, os barcos da carreira de Lisboa são esperados impacientemente.
Não há casa em Alcochete, de rico ou de pobre, onde não hajo foguetes, foguetes guardados em silêncio, foguetes que rebentarão com estrépito na hora da vitória.
Vive-se nervosamente.
Vive-se febrilmente.
Afinal de contas a feliz notícia chegou duma maneira curiosa a Alcochete.
A Farmácia Gameiro era um dos pontos de reunião obrigatória de muitos magnates locais daquele tempo. Na noite de 14 de Janeiro encontravam-se ali reunidos, como de costume, o Prior Sá Ferreira, António Carlos da Cruz, Manuel da Piedade Pereira, Estêvão Monteiro Grilo, José Francisco Evangelista, António Alves Júnior e outros mais. Discutia-se animadamente o assunto de sempre.
Em dado momento, alguém entrou, pálido e açudado. Era Nicolau Francisco Freire, amanuense aposentado da Câmara, e muito da intimidade do Senhor Marquês de Soydos. Mal podia falar, preso da intensa comoção.
«Meus queridos amigos - disse a meia voz, quase a medo - o decreto restaurando o nosso querido Concelho já está na Imprensa Nacional. É publicado amanhã. Chegou mesmo agora o Senhor D. João (D. João Pereira Coutinho) vindo de Lisboa, com essa notícia muito em segredo.
Eu é que não tive mão em mim que não lhes viesse contar. Mas... pelo amor de Deus... não me comprometam. O Senhor D. António (D. António Pereira Coutinho, Marquês de Soydos, mandou-me agora mesmo pedir as bandeiras para engalanar o bote em que há-de vir amanhã o Senhor D. Miguel, com a notícia oficial».
Ainda não tinha acabado e já rebentava nos ares e no silêncio da noite um foguete «primeiro ai de um povo desoprimido. Manuel da Piedade Pereira, o velho «Canhum», mal escutara Nicolau Freire, correra farfalhudo a casa e impando de satisfação e chorando de alegria, dera o sinal de alarme. Daí em diante ninguém mais sossegou nessa Terra toda a santa noite: os foguetes sucediam-se uns após outros, numa fúria louca.
Eram às dezenas, às centenas, talvez aos milhares, de toda a parte, cruzando-se e reeruzando-se, estalando ensurdecedoramente.
A população do Concelho secundou a da Vila com o mesmo entusiasmo. Chorava-se de satisfação. Chorava-se de alegria.
Nas ruas pejadas de gente, abraçavam-se uns aos outros. A filarmónica, reunida à pressa, percorreu as ruas da vila, no meio de muito povo, de muitos vivas, de muito fogo, tocando o «Hino da Restauração» esse Hino que um alcochetano compôs, (João Baptista Nunes Júnior) e que todos nós alcochetanos sabemos cantar e sentir.
Ia, enfim, soar a hora da libertação!
Duas semanas depois, no dia 30 de Janeiro, entrava solenemente nos seus Paços Municipais o Arquivo do Concelho de Alcochete, não trazido por um simples oficial de diligências mas sim pelas mãos fidalgas de D. António Pereira Coutinho, o primeiro presidente do município restaurado. Muito propositadamente o fora buscar em pessoa a Aldegalega, o ilustre marquês de Soydos, com D. João Pereira Coutinho, António Luís Nunes e José Francisco Evangelista.
A população inteira, acompanhada pela filarmónica, esperou, fremente de alegria e comoção, à entrada do Concelho, a um quilómetro para lá de São Francisco. Dali partiu, depois, o cortejo em direcção à Vila, percorrendo todas as ruas lindamente engalanadas com bandeiras e ricas colgaduras, sempre no meio de um entusiasmo indescritível, chegando a tal ponto que, num certo momento, o povo desatrelou os cavalos do carro onde ia o Senhor Marquês e assim o levou em triunfo até aos Paços do Concelho. Este gesto de tal forma o impressionou que lhe deu causa a um pequeno delíquio.
À noite não houve edifício público, não houve casa particular, rica ou pobre, grande ou pequena, que não iluminasse a sua fachada em sinal de regozijo.
Desta forma começaram as festas da «Restauração». Eis o seu programa, como outro igual ainda se não realizou em Alcochete:
DIA 31 - Alvorada, tocando a filarmónica uma marcha triunfal expressamente escrita pelo maestro Rosa Martins.
AO MEIO DIA - Bodo aos pobres, seguido de concerto musical na Fábrica dos Fósforos, hoje Asilo Barão de Samora Correia.
ÀS 16 HORAS - Posse da Câmara, dada pelo Administrador do Concelho D. João Pereira Coutinho.
À NOITE - Iluminações pública e particulares.
DIA 1 DE FEVEREIRO - Alvorada.
AO MEIO DIA - Condução da imagem de Nossa Senhora da Conceição da sua Capela para a Igreja Matriz.
À TARDE - Recepção de grande número de convidados de Lisboa, para as festas religiosas.
À NOITE - Ladainha a grande instrumental e continuação da iluminação.
DIA 2 DE FEVEREIRO - Alvorada - Missa solene a grande instrumental em honra de Nossa Senhora da Conceição. Sermão pelo distinto orador Sagrado Dr. Santos Farinha. Procissão percorrendo as ruas da vila.
ÀS 18 HORAS - Solene «Te-Deum», também a grande instrumental, voltando o orar o Reverendo Dr. Farinha.
ÀS 20 e 30 HORAS - Grande banquete na sala nobre do Palácio Pereira Coutinho, durante o qual a filarmónica executou vários trechos musicais, e finalmente, como fecho da festa, uma imponentíssima marcha luminosa, apoteose formidável, estranha faixa de luz, melhor, de fogo, alastradora, interminável, por toda a beira-rio, onde dezenas de barricas, alcatroadas, ardiam fantasticamente.
E, para tudo haver nessa marcha rubra de calor e frenesim, nem faltarem mãos delicadas de mulheres, sustentando, gentis e orgulhosas, clássicos e portuguesíssimos archotes.
Assim terminaram, exuberantes de alegria e de nobreza, as grandes Festas da Restauração, consoladora recompensa de dois anos de martírio, estupenda manifestação de uma liberdade reconquistada.
Dormem já o sono da morte a maior parte desses esforçados batalhadores a quem Alcochete tanto ficou devendo.
Velhos e gastos estarão por ventura os poucos que ainda vivem.
A ilustre família Pereira Coutinho
D. João de Alarcão
Conselheiro Pereira de Miranda
José Alexandre de Sousa
José Maria de Brito
Beneficiado Francisco José de Oliveira
Manuel Gonçalves Caixeiro
António Alves Júnior
Coronel Ramos da Costa
António Luís Nunes
José Francisco Evangelista
António Carlos da Cruz
José Luís da Cruz e tantos outros.
Recordar seus nomes neste momento é um consolador dever de gratidão.
Para os vivos, se algum ainda vivo está, deve ir o testemunho do nosso carinho.
Para os mortos, o preito sentido da nossa saudade.
Homens de Alcochete, novos e velhos que, de qualquer forma estais presos a este torrão, olhai para trás, à distância de quase meio século.
Dirigentes responsáveis locais, meditai nesta página da nossa existência concelhia.
Rapazes de Alcochete, aprendei nela o muito que ela vos ensina.
Saibam os primeiros zelar por este património, que é nosso, que é de todos nós, acrescentando-o sempre, melhorando-o constantemente.
Saibam os segundos cerrar quadrado e terçar armas, com a inteligência, com o coração, com o braço, contra certos exotismos que são o oposição ao nosso lema de sempre: Deus, Pátria, Família."
O método consiste na união da Eternidade e do tempo. Fui levado a esta plataforma de pensamento pela reflexão sobre o significado da Cruz de Cristo. Tal como o traço vertical entra pelo horizontal, assim a Eternidade entra pelo tempo.Só se pode unir o que está separado. A união da verticalidade e horizontalidade não faz destas duas dimensões uma só coisa pela redução da primeira à segunda. De igual modo, a Eternidade está no tempo, mas não se dilui nele. Assim o Criador está na criatura, mas são distintos. O mesmo se diga, por força da coerência lógica, da Eternidade e do tempo.Nesta conformidade, verifico que se me rendo exclusivamente ao tempo, isto é, à História, renego consciente ou inconscientemente o significado profundo da Cruz, vale dizer, o amplexo divino entre o Céu e a terra.Que dizer de um ser humano apegado às coisas materiais (Imanência) sem o mínimo sentido da Eternidade (Transcendência)? Nesta base será possível construir a esperada cidade do futuro? Teríamos mesmo o homem? Às três perguntas respondo não, porque o tempo, por si só, como coisa que é, não salva.Eu não estou a excluir o tempo porque se o fizesse, afinal, não perceberia nada do sentido da Cruz. O homem tanto perde o rosto vivendo o tempo sem Eternidade como vivendo a Eternidade sem tempo.Na verdade, sem prejuízo da união, se a Eternidade não se dissolve no tempo, quer dizer que está separada dele sem o excluir. Assim, o tempo aparece-nos redimido porque escada para a Eternidade, perfeita sintonia do homem com Deus.Podem perguntar-me: mas como é que se processa essa união da Eternidade e do tempo? Respondo que não sei porque esta é a melhor forma de saber, isto é, reconheço os meus limites. Quem negaria a união da mãe e do filhinho? E já alguém explicou como é que ela se processa?Portanto, vejo que se vivifico o tempo com a Eternidade, transcendo as coisas.Coisa é o tempo porque quantificável. Ele entra com a velocidade e a massa na resolução de problemas físicos.Ora é no tempo que se desenrola a História, relato de factos levados a cabo pelo homem ao longo das épocas.Se ao olhar para a Bíblia, eu faço uma avaliação só e tragicamente baseada em factos desencarnados do Espírito, dou a entender que não estou salvo pelo significado infinito da Cruz de Cristo, tudo reduzindo na Sagrada Escritura à dimenssão exclusivamente temporal. Isto repugna à minha liberdade.O ser humano que não vá para lá dos factos posiciona-se monstruosamente contra a relação indefectível existente entre Deus (Ser primeiro) e o Universo (Ser segundo). Aqui está a génese do poder despótico, do assassínio, do desprezo pela mulher, etc. Logo, tal como a Eternidade está no tempo de forma separada sem desunião, assim nós que estamos no tempo devemos viver desapegados dos factos, embora não os excluamos, porque este mundo é caminho para uma vida superior, o Eterno.
O maior desrespeito é fazer que o outro esqueça Deus.O que é que eu faço para fazer o outro esquecer Deus? Apresento-me como exemplo de mera imanência, horizontalismo de nada.Não se pode separar a Transcendência da imanência e abraçar esta porque não se abraça nada.Se o homem une a Transcendência e a imanência, fica com aquela e esta. Se as desune, fica sem nada.Sempre que o meu exemplo é mera imanência, rebaixo o outro a nível do calhau. Ora há mais qualquer coisa para lá da coisa. No fundo, isto mesmo sabem todos os abutres que por aí pairam.Cristo, mistério máximo, é para todo o homem a verdadeira dignificação. Mas não é com esta que os necrófagos atestam a insaciável voracidade, senão com a total desespiritualização dos homens. A estes oferecem o cogito, a glorificação da razão e da ciência, ideologias, ecologismos, seitas religiosas, esoterismos, ocultismos e tantas outras excreções humanas que tolhem a liberdade.
O respeito pelo outro é absoluto. Mesmo quando o outro comete o maior dos crimes, permanece homem.O criminoso poderá horrorizar-se pelo crime que cometeu e reconciliar-se com Deus, mas esta verdade indispensável para a recuperação do rosto não invalida a prestação de contas perante a comunidade.Só eu dou testemunho da minha reconciliação com Deus. O outro dá testemunho do meu crime.A paz em cima tem que se cruzar com a paz em baixo. A minha reconciliação com Deus passa pela minha apresentação ao tribunal dos homens. Esta decisão é-me imposta pelo respeito que devo a mim próprio, condição sine qua non para respeitar o outro.
Penso comigo: será veraz que eu só deva ter dúvidas? Se eu tiver uma certeza absoluta, não avaliarei muito melhor o que é relativo?Ora qual será a minha certeza absoluta e onde deverei procurá-la? Na ciência? Mas nesta, que se debruça sobre coisas, a verdade de hoje poderá ser a mentira de amanhã.A minha certeza absoluta tem que ser procurada no âmbito do não-demonstrável. Mas o mundo à minha volta oferece-me uma certeza absoluta?Os homens desviam rios, arrasam vales, erguem montanhas. Mas para isto o que é imprescindível? Se cada um fala a língua da própria soberba, a construção da torre pára, fica exposta à erosão do vento e aos caprichos inexoráveis do tempo.Sem o respeito pelo outro nem o indez vem à luz em segurança. Então que devo testemunhar? Que o respeito pelo outro é uma certeza absoluta. Tu próprio que me lês aqui e agora, gostarias que eu declarasse que o meu respeito por ti é relativo?O respeito pelo outro é absoluto. Esta afirmação não pode ser demonstrada por nenhuma disciplina das ciências, o que me tranquiliza quanto à veracidade da mesma porque estou em presença de um decreto (dogma) sem o qual o humanidade se precipitaria no extermínio.A Matemática demonstra que dois e dois são quatro, mas sem o respeito pelo outro jamais o homem poderia fazer essa demonstração porque todo o tempo lhe seria pouco para defender a própria pele, o que teria deixado a espécie humana na idade da pedra ou em estádio anterior se o houve. Verifico, portanto, que o respeito pelo outro é uma verdade superior a todas as verdades dadas pelas ciências. As verdades destas são relativas; o respeito pelo outro é uma verdade absoluta porque reflexo do respeito devido ao Totalmente Outro que é Deus.
A esquerda jamais poderá defender o livre mercado sem deixar de ser esquerda. É aqui que aparentemente não se percebe a injecção de capitais públicos em empresas privadas por parte de Estados esquerdistas.Bom, lancemos a primeira carta para a mesa: eu não acredito que a esquerda queira deixar de ser esquerda. Antes que isso possa acontecer, muita água correrá sob a ponte.A segunda carta que puxo é a seguinte: dificilmente os empresários iludirão a esquerda. Já o inverso é mais plausível para mim. O empresário com consciência política é quase uma miragem. A maior parte deles são politicamente ignaros, disfarçando esta realidade com um pretenso pragmatismo que faz sempre o jogo da esquerda. Esta aproveita a ausência de capacidade empreendedora de falsos capitalistas para tramar projectos a longo prazo.Se o Estado capitaliza empresas privadas, por onde passa a linha divisória entre aquele e estas? Constatar isto dá-me a impressão de que o Estado é patrão dessas empresas. Mas esta não é uma via subreptícia para o totalitarismo ou outra coisa que o valha?Poder-me-ão dizer: existiria sempre a lei. Mas eu pergunto: há algum compromisso entre a esquerda e a lei que procede de uma visão liberal do homem e do mundo?É pressuposto básico do livre mercado reduzir a interferência do Estado ao mínimo, remetendo-o para árbitro das regras do jogo. Sempre que os empresários entram em contradição com isto, as democracias liberais correm perigos que ameaçam o futuro do mundo livre.Já as cartas da terceira rodada estão na mesa menos a minha. Alguém pediu que eu jogasse. Como se acordasse de estranho sonho, perguntei: qual é o trunfo? Responderam todos: o trunfo é espadas!
Para Descartes (1596-1650), contra toda a tradição, a criança é mau modelo porque confia nos sentidos, fonte de suspeita para o fundador da filosofia moderna. Pensa este que se um juízo é recebido (legado), provavelmente é um erro. A razão não é lúcida quando recebe ideias, senão quando as produz. A certeza não está em confiar, mas em controlar, razão por que é necessário duvidar de todo o recebido, para chegar à primeira certeza.Arrasada a tradição, Descartes pretende eliminar todas as ideias da própria mente à excepção de uma: penso. Este filósofo francês chega a afirmar que o pensar é o ser: «penso, logo existo» (cogito, ergo sum). Fica, assim, o pensamento por cima do ser. A partir daqui, o que entendemos, pode ser; o que não entendemos, não pode ser. Isto origina a fé num progresso sem limites: tudo o que possamos pensar, chegará a existir. Por outro lado, o cogito cartesiano instaura a incredulidade: o que não compreendemos, é impossível. O mistério fica abolido, a razão humana será a medida da realidade. Eis-nos perante o ideal clássico de que o homem é a medida de todas as coisas, também válido para o marxismo.
Neste começo do séc. XXI, eu diria que a mais perigosa das alienações é política, consistindo na subestimação das categorias direita e esquerda.Pessoas de pensamento circunspecto defendem em política a acção pragmática, ao fim e ao cabo benquista à esquerda, pois esta o que diz hoje poderá não dizer amanhã, o que faz hoje poderá não fazer amanhã. E porquê assim? Porque o político de esquerda é um homem de ruptura com o recebido, isto é, sem compromissos. Ora é a este descomprometimento que se chama pragmatismo.O político que se reclama de direita nunca pode fazer tábua rasa dos valores que a tradição arrasta, razão por que em importantes sectores do PSD-PPD e no CDS-PP descortina-se um fio condutor na defesa da respublica que chega a ter qualquer coisa de doutrinário.Esta incapacidade para se saber o que é a direita e a esquerda leva-nos ao cumprimento do dever dominical e simultaneamente votar em partidos cujos valores jamais podem estar ao lado dos religiosos porque onde estão aqueles não podem estar estes e vice-versa.Por exemplo, no campo da minha especialidade, a Literatura, não vejo como esta arte do tempo possa ser percebida sem uma clara distinção do que é a direita e a esquerda. Quando não entendemos um poeta, não é porque o pensamento deste esteja para lá do comum dos mortais, mas porque não há qualquer possibilidade de comunicação com o emissor cuja ruptura com o legado e desconstrução da própria linguagem o torna insondável. O mesmo é válido para a pintura dos últimos decénios, teatro, escultura, etc.Mas a distinção fulcral entre direita e esquerda está no modo de encarar a economia: a primeira defende o livre mercado e a segunda reforça o peso do Estado sobre a vida dos cidadãos. Ora é aqui que eu vislumbro a vitória da visão liberal do homem e do mundo porque em países de forte implantação esquerdista (América Latina) não é banido o livre mercado nem a propriedade privada, embora toda a análise neste campo, na minha perspectiva, se deva manter cautelosa.Em síntese, deixar de ver as coisas à luz dada pelas categorias direita e esquerda é deixar que outros as vejam por nós e nos transformem num rebanho de carneiros.
Entre alguns filósofos do pós-guerrra como Martin Buber (precursor) e Emmanuel Levinas, a categoria outro opõe-se aos privilégios do eu.
Para esses pensadores, o outro é aquele que exige respostas.
No meu discurso, aparece com frequência a alusão ao outro. Então muitos julgam que quem fala assim deve acolher tudo o que pensa o seu semelhante, andar com este às costas e dar esmola a todos os pobres.
Eu não acolho tudo o que pensa o meu semelhante, não ando com este às costas nem dou esmola a todos os pobres. Apenas desejo para o outro que renuncie à alienação, isto é, que ande sobre os próprios pés e não precise de pedir esmola a ninguém.
Tive uma ideia quando estava a fumar no meu logradouro um habano (ninguém pense que isto de fumar dá ideias porque é falso).O Café Barrete Verde é uma referência na terra de Alcochete. Depois há ali todo um cenário de alusões culturais à alcochetanidade, para além do ambiente castiço muito são que convém preservar.Poderíamos criar a Associação dos Amigos do Café Barrete Verde que promoveria, pelo menos, um jantar anual no restaurante do mesmo nome e um passeio a lugares taurinos de Portugal ou Espanha.Parece-me uma ideia simpática e meritória cuja concretização não seria difícil.
Na imagem ao lado, edifício municipal situado no n.º 24 da Rua Ciprião de Figueiredo, em Alcochete. Observem no local o seu estado.É convicção de muita gente que o problema do despovoamento dos centros históricos das cidades e vilas portuguesas não se resolverá por esta ou esta vias. Pela simples razão de que neles já não há inquilinos, sejam particulares ou empresas, estando os prédios devolutos há muitos anos.O problema não é grave apenas em Lisboa e Porto, mas em todo o país. Em Alcochete e Samouco conhecemos bem o problema e também aqui centenas de casas estão devolutas há muito.Até prédios classificados estão ao abandono, incluindo um de propriedade municipal! Há dois casos bem visíveis na Rua Ciprião de Figueiredo, em Alcochete. Alguém repara neles?Os centros históricos de Lisboa, Porto, Coimbra, Figueira da Foz, Évora e Setúbal – para citar apenas cidades que, em menos de um ano, observei com atenção – são casos muito sérios de desertificação populacional. A poeira nas janelas e a degradação de telhados e fachadas evidencia que, acima do piso térreo, desapareceu toda a gente há anos.Só algumas lojas familiares vão resistindo como podem ao estranho fenómeno lusitano dos centros históricos mortos. É graças a esses heróicos comerciantes que cidades e vilas, pujantes de vida há cerca de 30 anos, são hoje pouco recomendáveis apenas aos fins de semana e a partir das 20h00 dos dias úteis.Ao longo da vida conheci um bom pedaço do mundo e, sinceramente, não me recordo de reparar em fenómeno idêntico em parte alguma. Mas vejo que, em cerca de 30 anos, morreu a Lisboa onde trabalhei quase sempre. Que o Porto histórico está fechado e silencioso. Que a baixa de Coimbra, com tantos encantos, parece uma cidade fantasma. Que o centro histórico da Figueira da Foz parou no tempo. Que o centro de Évora é património a que todos viraram costas há muito. Que os centros de Setúbal e Montijo morrem aos poucos, descontando algumas lojas de produtos chineses.Visivelmente, em Alcochete temos um problema mais sério: já nem o comércio resiste ao abandono e à desertificação do centro histórico. Em Samouco é ainda pior, porque o seu miolo antigo era marcadamente residencial.Está tudo por fazer e temo que o destino da maioria das construções antigas seja a ruína total, para em lugar delas surgirem, sempre que possível, blocos de apartamentos. Há vários exemplos recentes. Porquê? Porque são as licenças de construção e de habitação que alimentam a voracidade despesista das autarquias. Estado, autarquias e cidadãos têm de enfrentar este problema com realismo. Não com a criação de gabinetes de requalificação ou a produção de legislação inútil, nem com excepções aos limites de endividamento municipal."Não guardes para amanhã o que podes fazer hoje", diz a sabedoria popular. Expliquem-me, ao menos, o que de útil fez ontem e anteontem o Município de Alcochete.
Eu estou convencido do triunfo da visão liberal do homem e do mundo em todo o planeta porque a força da liberdade é de longe superior à de todas as tiranias. Mas é esta convicção que me alerta sobre a urgência de não cruzar os braços e encostar-me às paredes.Tenho que deixar o mundo melhor do que o encontrei. Nesta conformidade denuncio chavões responsáveis pelo sofrimento humano.Não há a menor dúvida de que o humanismo antropocêntrico arreda a ideia de Deus; de que o cogito cartesiano nega Deus; de que o iluminismo e o positivismo são o endeusamento da razão e ciência respectivamente; de que a ideologia marxista é um nihilismo, isto é, a destruição dos mais altos valores humanos.Sim, o marxismo é uma ideologia. Não é o mesmo paradigma científico e ideologia. É certo que têm elementos comuns, uma vez que a ideologia também é um conjunto de ideias, imagens, representações e valores que servem para interpretar o mundo. Porém, a ideologia distingue-se pelo seu carácter não científico. Ideologia é opinião. Sejam opiniões espontâneas do povo (modos de vida, valores, crenças, etc.), sejam opiniões manipuladas e impostas pelo Estado ou por grupos que acumularam o poder suficiente para impô-las.Em conclusão, enquanto que o paradigma é algo fundamentalmente intelectual que parte do seio da comunidade científica, a ideologia é uma convicção intelectual que parte do interesse.
Há cerca de 6 meses, havia imenso fumo em Alcochete por causa da auditoria às contas da câmara.A CDU inscreveu-a no seu programa eleitoral e, segundo entrevistas e papéis que muita gente arquivou para memória futura, tê-la-á mandado realizar pouco depois de assumir o poder no município.Ultrapassado há muito o prazo prometido para a divulgação dos resultados – o incumprimento de prazos é mais uma pecha deste executivo – pergunto: era só fumaça? As "vacas sagradas" celebraram um pacto de silêncio?
Imaginem os meus benévolos leitores que eu no curso de um discurso escrevia qualquer coisa tosca como esta: o caminho da salvação é volver a ser Deus. Se tal escrevesse, tão depressa corria o risco de entrar na grande tentação que tem atormentado os homens desde a bruma dos tempos como o de angariar prosélitos para a minha asserção tão nefasta quanto luciferina. De facto, aquele meu rude pensamento à laia gnóstica defende a unidade de Deus e do homem. Ora os efeitos de uma mentalidade deste jaez é encarar tudo o que lhe é exterior de forma absoluta. Quando o poder cai nas mãos de um destes doentes detentores só de certezas, poderemos enfrentar o que vulgarmente recebe o nome de totalitarismo: o ditador, chefe supremo, qual deus, é o grande olho que toma providências sobre o povo que oprime. Por isso mesmo, para o Cristianismo Deus é diverso do homem, mera criatura que apenas se pode volver para o Criador.Portanto, a afirmação de que "o caminho da salvação é volver a ser Deus" não pode ser tida nem achada como uma ideia igual a tantas outras porque poderá ter efeitos devastadores no seio de um público receptor menos crítico às vigarices intelectuais. Estas, se não forem combatidas energicamente, acabarão em definitivo com a nossa liberdade.
Perante a afirmação de que «tenho um corpo, logo existo», já houve quem me dissesse que cada qual pensa o que quer. A pergunta que faço é a seguinte: as coisas são assim tão simples?Ora eu sei que na comunicação oral ou escrita com o outro devo cercear a minha subjectividade porque toda a ênfase dada a esta pode levar à negação da liberdade. Não é esta a lição que se retira do totalitarismo nazi?A frase «tenho um corpo, logo existo» é um decalque inqualificável dessa outra de Descartes «penso, logo existo». Nesta conclusão meramente racionalista que um indiozinho da selva seria capaz de rejeitar, "existo" significa "sou" (cogito, ergo sum). Se o pensamento é uma ferramenta, como é que desta procede o ser? Portanto, já o que Descartes disse e escreveu no Discurso do Método não quer dizer nada. Para mim, a filosofia cartesiana é uma filosofia infantil que prejudica a humanidade há centenas de anos porque não raramente a máxima racionalista conduz ao irracionalismo. Não é esta a lição que se retira do totalitarismo estalinista?Quando se afirma «tenho um corpo, logo existo», com consciência ou sem ela, defende-se a total desespiritualização do ser humano que precipitará este no materialismo animalesco mais abjecto.Então? Cada qual pensa o que quer? Se assim é, onde fica o lugar para a indefectível responsabilidade intelectual face ao outro?Cada qual poderá pensar o que quiser, mas tenha muito cuidado com o dito e o escrito.
Retorno à base. Reencontro com a realidade.Numa manchete de quarta-feira vejo lenha em que muita gente vai arder. Daqui a uns tempos perceberão porquê.Há também notícia de um grande bodo aos pobres, com pastéis de nata para uns e bolos de arroz para outros. Já perceberam quem apoiou quem? Com a vossa licença, o montepio vai tendo fundos para isto. O resto pode esperar.No sítio do costume nada, como é costume: só as festas e bolos do costume. O triste fado do costume.Nos sítios novos insultam-se uns aos outros. À falta de melhor...No PSD há agora um jornalista samouquense a liderar. Mas o blogue laranja continua mudo. Ó Virgílio: dá à luz!A variante faz que anda, mas não anda. Valha-nos Santa Engrácia...A Repsol perdeu a Bolívia mas ganha Alcochete. O índio é que sabe...Perdi alguma coisa importante?
A máxima de Juvenal mens sana in corpore sano (mente sã em corpo são) é entendida por alguns como se do estado do corpo dependesse o estado da alma. Ora eu penso que este entendimento é impróprio.Por mais que eu possa espantar algumas pessoas, na locução deste poeta satírico romano que viveu no 1º e no 2º séc. depois de Cristo, eu vejo algo próximo da Encarnação, descida do logos à carne do homem.Na verdade, para o Cristianismo o homem é a união de sua alma e de seu corpo; para o Platão do Alcibíades, o homem é uma alma que se serve de um corpo. Perguntar-me-ão se este meu excurso tem alguma coisa a ver com Juvenal. Talvez tenha.Se procurarmos o verbete "Juvenal" na Grande Enciclopádia Portuguesa e Brasileira, poderemos ler o seguinte: «Assim como Horácio é o satírico do senso do ridículo, assim Juvenal é o satírico da indignação. Não é um mundano mas uma espécie de reformador, e representa na literatura romana um papel parecido ao dos profetas na história da cultura judaica. Usa a sátira, não como um ramo da comédia [...], mas como uma arma de ataque contra as brutalidades da tirania, as corrupções do gosto e das maneiras, os crimes, as loucuras, as extravagâncias de uma sociedade degenerada. A sua sátira é vigorosa, pungente e austera, com relanços de alta poesia moral. Pode ainda dizer-se que Juvenal representa o génio próprio do Romano, distinto daquela mais cosmopolita espécie de talento formada pela cultura grega».Depois destas palavras retiradas da enciclopédia referida, imaginemos que há quase dois mil anos para trás alguém chegava ao pé de Juvenal e proferia a seguinte frase: «Tenho um corpo, logo existo». Não acham que este grande poeta da Humanidade se indignaria com o materialismo abjecto de tamanha monstruosidade intelectual cuja raiz já vem de Platão, passa pelos gnósticos e estende-se até Descartes? Sim, indignar-se-ia obviamente com a mesma veemência que eu me indignei ontem ao ter a certeza de que alguns professores de Educação Física orientam esta disciplina de todo o ensino até ao 12º ano na senda do cartesianismo mais execrável que alguma vez vi na minha vida.
Constato com desagrado que esta arma que se chama blog está a ser utilizada em Alcochete para a expressão dos mais baixos instintos que residem lá no fundo de todos nós.Há muito tempo que a maledicência ultrapassou de longe a zona do suportável, não sendo poupada nenhuma obscenidade do nosso léxico para enxovalhar o outro. Inclusive, desafia-se o outro para vias de facto, tudo sob o conceito abusivo do anonimato que num meio tão pequeno como Alcochete se pode tornar muito perigoso.Sei que sou pecador, mas parece que há outros esquecidos disso, razão por que venho lembrar a necessidade de contensão aos diversos bloguistas de Alcochete.A começar por mim, nenhum de nós pode descredibilizar o movimento bloguista, verdadeiro espaço de liberdade nos tempos que correm em toda a parte.Vamos parar, inflectir as coisas e redimensioná-las para o bem comum.
«Aquilo de que mais precisamos neste momento da história é de homens que, por meio de uma fé iluminada e vivida, tornem Deus credível neste mundo. O testemunho negativo de cristãos que falavam de Deus e viviam contra Ele ensombrou a imagem de Deus e abriu a porta à incredulidade. Precisamos de homens que mantenham o olhar voltado para Deus e aí aprendam a verdadeira humanidade. Temos necessidade de homens cujo intelecto seja iluminado pela luz de Deus e aos quais Deus abra o coração, de modo a que o seu intelecto possa falar ao intelecto dos outros e o seu coração possa abrir o coração dos outros. Só através de homens tocados por Deus, Deus pode voltar para junto dos homens» (Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, 2005).
É inegável que o apoio dado aos movimentos feministas, a homossexuais, transsexuais, etc., vem sempre de sectores esquerdistas.A pergunta que se pode fazer é a seguinte: qual o fim deste apoio?Vejamos se sobre esta matéria sou capaz de deixar aqui um discurso coerente.Toda a gente vê que entre os interesses das esquerdas à escala mundial e os dos Árabes há muitos pontos de contacto para a consecução de objectivos comuns, pelo menos nos tempos que correm. De facto, ninguém venha dizer, por exemplo, que os atentados terroristas de 11 de Março de 2004 em Madrid, a três dias das eleições gerais, nada tinham a ver com estas. Na verdade, o partido socialista do sortudo Zapatero ganha essas eleições e forma-se o Governo que retira logo as tropas espanholas do Iraque. Ora todos nós sabemos que este país está numa região do globo onde se decidirá o futuro da Civilização Ocidental.Aqui chegado, faço outra pergunta: se as esquerdas impusessem o seu jugo ao mundo, entender-se-iam com a cultura árabe em matéria de feminismo, homossexualidade, transsexualidade, etc.?Para mim, o fim das esquerdas é lançar a humanidade no caos. Pronto o terreno, sairiam das tocas os tenebrosos salvadores que imporiam aos povos uma nova ordem sobre as ruínas de dois mil anos de civilização.
Volto apenas para recomendar a leitura desta notícia de hoje.Desafio um dos deputados do distrito de Setúbal a perguntar ao governo se a implantação do Fórum Cultural de Alcochete, em plena ZPE do Tejo, não ficou também a dever-se a algo semelhante ao do "esquecido" parque eólico espanhol.Na ZPE do Tejo nada pode ser construído. Mas foi... e o Estado até comparticipou a obra!Fique clara a minha opinião: o fórum, a biblioteca e o museu municipal deviam ser agregados e complementar-se. Um fórum isolado e naquele local, nunca!
Eu já coloquei neste blog os textos suficientes da autoria do Dr. Grilo para o leitor concluir que os valores daquele profissional da medicina eram Deus, Pátria e Família.Depois do 25 de Abril, muitos de nós fomos intoxicados pelas esquerdas com a ideia de que Deus, Alteridade Suprema; Pátria, alma de um povo e Família, sacrário da civilização ocidental, eram valores fascistas. Hoje pagamos bem caro essa mentira hedionda que ainda teima passar por verdade.O nome do grande médico e poeta alcochetano não serve para patrono da nova escola secundária porque homens como o Dr. Grilo evocam valores que retardam os projectos das esquerdas à escala local, nacional e mundial.À TERRA ONDE EU NASCISe eu soubesse que cantandoConseguia o meu desejoPassava a vida a cantarSó para te dar um beijo.Esta quadra de José Grilo Evangelista está no programa das Festas do Barrete Verde e das Salinas, 1970.
Voltarei a estar ausente deste espaço 'blogosférico' durante uns dias, por motivos pessoais, mas deixo-vos matéria para um debate sério e profundo.Usem a caixa de comentários ou enviem mensagens para o meu companheiro de blogue, João Marafuga.O tema está aflorado nesta notícia, onde, em meu entender, há muito pano para mangas.Tenho algumas ideias sobre o assunto, que prometo revelar no regresso, se valer a pena.
A propósito de algo em tempos abordado aqui, aqui e aqui, houve um deputado municipal (Jorge Cardoso, do PSD) que levou à Assembleia Municipal de Alcochete o assunto da rotunda da EN119, construída junto ao novo espaço comercial.Via «Jornal do Montijo» fiquei hoje a saber várias coisas acerca dessa gincana, causadora, pelo menos, de um acidente e de vários sustos inúteis a automobilistas desprevenidos (eu incluído):1. Que a câmara tem "recebido muitas críticas de munícipes". Bravo! Afinal os alcochetanos não são tão mansos como às vezes parecem! Muito estranho, todavia, o silêncio público dos autarcas, pois esta explicação poderia ter sido dada, colectivamente, há muito mais tempo, via meios informativos da própria câmara. "Democracia participativa", lembram-se? Em meu entender, o mutismo mantido acerca do assunto representa uma outra coisa, bem mais grave, mas deixo à vossa inteligência a interpretação do preocupante fenómeno;2. Que o executivo da câmara e alguns deputados municipais dizem não concordar com aquilo. Ainda bem. Resta saber de quem é a responsabilidade: do anterior executivo? Dos técnicos que recomendaram a aprovação da obra? A culpa continua a morrer solteira nestas terras de Alcochete?;3. Que o actual executivo se confessa de pés e mãos atados, pois aquele aborto foi aprovado pelo anterior, embora um autarca (que já o era à data da aprovação do projecto, embora na oposição, pelo que tomou conhecimento do assunto) prometa agora diligenciar, junto dos técnicos, no sentido de tentar corrigir o disparate. V.Ex.ªs compreendem o verdadeiro alcance desta afirmação, não é verdade?Este caso lembra-me o velho e estafado problema do posto de abastecimento de combustíveis dos Barris, implantado a duas dezenas de metros de habitações (cujos locatários arrostam, 16 horas diárias, sete dias na semana, 365 dias no ano, com o cheiro a combustível e a poluição) e a 50 metros da Escola EB 2,3 El-Rei D. Manuel I (com centenas de alunos, professores e empregados).Também em relação a essa se disse (em 2002) que nada podia ser feito, pois a construção fora autorizada pelo anterior executivo (da CDU). Mas até podia e ainda pode fazer-se.Na altura, o presidente da empresa proprietária do posto era pessoa que conhece e gosta de Alcochete. É filho de uma alcochetana e aqui passou férias, na juventude, durante muitas temporadas. Se alguém tivesse recorrido a ele creio, firmememente, que aquele aborto teria ido para outro lado.Hoje mesmo pode fazer-se alguma coisa de relevante. Está na lei (e não suscita dúvidas interpretativas) que os alvarás dos postos de combustíveis são sempre provisórios e podem ser cancelados por decisão administrativa, invocando o interesse público. As autoridades administrativas competentes são a Assembleia Municipal de Alcochete e a Câmara Municipal de Alcochete. Repito e sublinho: as autoridades administrativas competentes são a Assembleia Municipal de Alcochete e a Câmara Municipal de Alcochete.Voltando ao terceiro ponto relacionado com a gincana plantada na EN119, gostaria de recordar que a empresa proprietária daquela superfície comercial é uma multinacional com outros serviços no concelho de Alcochete (Passil), que certamente cuida da sua imagem, que não estará interessada em incompatibilizar-se com ninguém e, muito menos, com potenciais clientes.Creio que essa empresa será a principal interessada em resolver as coisas a contento das partes envolvidas, principalmente dos residentes que, como eu, não adquirem nada na bomba indesejável nem na nova área comercial da EN119.
«Um dia um amigo a quem li um dos meus poemas perguntou-me:- Por que escreve você esses versos se os não publica?- Porque, quando escrevo, verso ou prosa, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta-me. Como que renasço para a vida!Anne Frank, no seu Diário de Mergulhada, durante a Segunda Guerra Mundial, escreveu: Escrevo, porque, quando escrevo, me sinto mais encorajada para lutar.Pobre criança! Mal pensava ela que havia de morrer às mãos da Gestapo...».Este texto foi escrito pelo Dr. José Grilo Evangelista em 1965.
Decorridos seis meses desde a tomada de posse do actual executivo municipal (1/8 do mandato), mantém-se a incapacidade em converter as mensagens da campanha em linhas de acção. Não se consolidou a maioria alcançada.Lamento que nessa maioria haja pessoas que me merecem consideração, mas cuja intervenção ou poder de persuasão parecem limitadas em excesso.Escrevi aqui, há pouco menos de três meses, que a qualidade dos governantes se avalia pela definição de preocupações prioritárias. Quem hoje governa a autarquia de Alcochete nem essas prioridades conseguiu transmitir à opinião pública, se é que alguma vez as definiu.Também escrevi que o défice de informação era a pecha da nova maioria, representa o seu pior defeito e não tem justificação conhecida. Nada mudou daí para cá. Até o boletim municipal foi inútil, porque mero instrumento de propaganda como no passado. Há limites para o sigilo e a reserva, mormente quando isso fragiliza o poder e contribui para o seu isolamento, solidão e insegurança.Escrevi ainda que esta maioria era banal, pouco criativa e previsível. Pior é faltar-lhe tempo ou capacidade para se emendar. Péssimo é não haver oposição visível nem intervenção cívica para mudar o rumo às coisas.Tudo somado temos Alcochete a fervilhar de boatos. Alguns não podem ignorar-se de todo, sobretudo se põem em causa a honorabilidade das instituições e a dignidade de pessoas. Mais mês, menos mês, alguém acabará por chamar a polícia. É o costume nestas circunstâncias.Do ponto a que chegámos dificilmente há retorno, a menos que as figuras de referência do sistema puxem dos galões e dêem um murro na mesa. Essa é uma hipótese de regeneração, tanto mais que as carreiras política e pessoal de muita gente boa e séria estão em jogo.Sic transit gloria mundi.
Se olharmos para o homem e para tudo ao redor deste, verificamos que as coisas se realizam sempre pela coincidência de dois pólos, quais sejam, masculino e feminino, antes e depois, aquém e além, etc., até ao infinito.Toda a gente tem a categoria genérica (abstracta) povo na boca, mas poucos parecem reflectir que sem intelectuais não há povo senão uma mole inerme.Escusado seria dizer que os intelectuais só se justificam em função do povo.Não poucas vezes tenho ouvido pessoas aparentemente bem intencionadas a culpar o povo pela situação política que se vive em Alcochete desde o 25 de Abril. Para mim isso é falso.Perante tremendos desleixos de autarcas ignaros contra as populações do Concelho de Alcochete, onde estão e que fazem os intelectuais? Não é verdade que só do intercâmbio destes e do povo é que as coisas poderão avançar?Os intelectuais da terra de Alcochete preferem fechar-se na concha da ridícula superioridade a sujar os sapatinhos no terreiro dos problemas colectivos. Não querem deixar de ser tratados por senhores engenheiros ou doutores na praça pública ao invés do João Marafuga que muitos desprezam por se meter onde não é chamado. Mas é isto que se chama cidadania? E se amanhã a liberdade em Alcochete, em todas as Alcochetes deste País, for uma miragem? Falarei de receios infundados?A consciência de que sou um intelectual - ai de mim se não a tivesse - ordena-me que ponha o meu modesto saber ao serviço do outro. Nos dias que correm, esta opção humaníssima e civilizacional expõe-me à irrisão de muitos.Sim, não sou tratado por doutor no Largo do Poço, mas jamais pactuarei com os coveiros da alma do povo.Nota: versus, do Latim, significa em face de.
Recebi hoje um texto apócrifo, que reproduzo mais abaixo, excepcionalmente, por conter informação que, em parte, já conhecia, além de outra que me parece interessante e suponho não ofender ninguém. No primeiro caso estão as matérias abordadas nos pontos 1, 4 e 5.Se alguém tiver alguma coisa a acrescentar ou a corrigir nestas informações, use a caixa de comentários ou contacte um dos autores deste blogue.Quanto ao primeiro ponto, insisto na necessidade de haver total transparência dos autarcas na informação aos munícipes acerca do licenciamento de superfícies comerciais e outras matérias de carácter estritamente administrativo, quer porque o assunto interessa a todos como porque convém que não se repita o disparate dos acessos à última aberta no concelho e cuja correcção tarda demasiado.Segue-se a transcrição do texto de autor(a) desconhecido(a):
1. Sabia que vão abrir mais duas grandes superfícies comercias em Alcochete, sendo elas Pingo Doce e Minipreço, e que o presidente da câmara, Luís Franco, já participou em diversas reuniões?
2. Sabia que a Escola D. Manuel vai deixar de ter aulas à noite, já com efeito no próximo ano lectivo, a favor da nova Escola Secundária em Alcochete, o que deixou a prof.ª Ana Fidalgo bastante aborrecida?
3. Sabia que o prof. José Caninhas tem uma lista concorrente para o executivo da Escola Secundária de Alcochete e que as eleições são já em Maio?
4. Sabia que dentro do PS de Alcochete existem vários desentendimentos, ao ponto do deputado Luís Rodrigues ter faltado à última Assembleia Municipal, sem dar qualquer justificação?
5. Sabia que a secção do PSD Alcochete, Assembleia e Concelhia, vão a eleições esta sexta, dia 5 de Maio, e, aparentemente, há duas listas concorrentes?
SER POETAComo tu sabes dizerCantandoTudo o que eu sinto!...Tudo o que me vai no coração!...AmarA Cristo, a Pátria, o Pai, a MãeE os nossos filhos também...É verdadeiramenteTer Deus em si e dá-lo a toda a gente.O MEU RETRATOSe a poesia traduzO que vai no coraçãoAqui deixo o meu retratoPintado por minha mão.A MÁGOAÉ onda que passa...Se passa!...É fumo que se esvoa...Se se esvoa!...É ferida que cura...Quando cura!...Mas entãoDeixa cicatriz que perdura.NOTA: O primeiro poema foi escrito em 1966 e os últimos dois em 1967.
Há meia dúzia de pessoas nesta terra de Alcochete que se fazem passar perante a população como as referências em matéria de opinião e até de conduta de vida.Essas pessoas são detentoras de cargos nas principais instituições do Concelho.Conheço-as desde que tenho memória de mim.Com o peso da responsabilidade que recai sobre o cidadão, munícipe e alcochetano que sou, venho dizer a quem me quiser ouvir que esses senhores nunca tiveram nem têm as bases humanísticas para que a comunidade veja neles outra coisa que não seja a de meras pessoas com os direitos que a lei lhes garante.Enquanto vida Deus me der, denunciarei toda a tentativa subreptícia para institucionalizar a inversão dos valores herdados dos nossos maiores.Sapientiam autem non vincit malitia.
Luís Pereira, que me chamara a atenção para as caixas de telecomunicações e esgoto desprotegidas na variante – o que me esqueci de referir neste texto, falta de que me penitencio – enviou-me hoje a imagem publicada ao lado, acompanhada da seguinte nota:"Existem duas aberturas como esta, na rotunda junto à bomba da gasolina. Estão neste estado, pelo menos, desde sexta-feira, junto a um caminho 'de pé posto'. De noite pode acontecer o acidente..."Pode, sim senhor. E se alguém se aleijar ou sofrer prejuízos por causa disso, deverá arranjar duas testemunhas e fotografar o local do acidente. Contrata um advogado e processa a câmara e o empreiteiro, exigindo o ressarcimento dos danos.
Recebi de Luís Pereira o seguinte texto, constituindo mais um contributo que me cumpre agradecer:Tenho procurado, no site oficial da Câmara ou no Boletim Municipal, informação sobre os actos ou deliberações dos órgãos do município ou das freguesias. Como é do conhecimento geral, estes conteúdos eram tradicionalmente inseridos nesses suportes informativos, mas já decorreram uma meia dúzia de meses desde o início de funções deste elenco governativo local sem que tal aconteça.
Decidi, pois, fundamentar esta pretensão atendendo a que:
1. O art.º 268.º, n.º 2 da Constituição da República Portuguesa proclama o direito do livre e geral acesso aos arquivos e registos administrativos, pelo cidadão comum ou por qualquer pessoa colectiva, sem necessidade de invocação de um motivo ou interesse, salvo restrições admissíveis em matérias relativas à segurança interna e externa, à investigação criminal e à intimidade das pessoas;
2. Também encontramos alusão à matéria no Código de Procedimento Administrativo, art.º 65.º com o título – Princípio da Administração Aberta – segundo o qual todas as pessoas têm o direito de acesso aos arquivos e registos administrativos, mesmo que não se encontre em curso qualquer procedimento que lhes diga directamente respeito, sem prejuízo do disposto na lei em matérias relativas à segurança interna e externa, à investigação criminal e à intimidade das pessoas;
3. Finalmente, a Lei n.º 65/93, de 26 de Agosto, regula com superior minúcia o mesmo assunto, dispondo que o acesso aos documentos administrativos é assegurado pela Administração Pública de acordo com os princípios da publicidade, da transparência, da igualdade, da justiça e da imparcialidade (art.º 1.º).
E, logo a seguir, define que são considerados documentos administrativos e não nominativos as actas (art.º 4.º), e que todos têm acesso aos documentos administrativos de carácter não nominativo (art.º 7.º), pelo que a Administração Pública publicará por forma adequada e informará da existência e conteúdo de todos (…) os documentos que comportem enquadramento da actividade administrativa (art.º 11.º, n.º 1, alínea a)), sendo que a publicação e o anúncio de documentos deve efectuar-se com periodicidade máxima de 6 meses e em moldes que incentivem o regular acesso dos interessados (n.º 2).
Assim, salvo melhor interpretação de especialistas na matéria em apreço, julgo ser razoável, justo e legítimo, no exercício do direito invocado, sentirmo-nos motivados a consultar as actas das sessões municipais no site oficial da Câmara Municipal e, no máximo, no prazo que a lei estipula.Este texto levou-me a investigar os sítios na Internet das restantes 12 câmaras do distrito de Setúbal, concluindo que a de Alcochete é, desde há muito, das mais opacas em matéria de informação pública, não cumprindo, nem sequer minimamente, o disposto na Lei n.º 65/93, de 26 de Agosto, acima invocada.Além da de Alcochete, também as de Alcácer do Sal, Sesimbra e Barreiro são exemplos negativos de democracia electrónica.Relativamente às restantes, com maior ou menor actualidade apresentam sínteses das decisões das respectivas edilidades. Em certos casos essa informação está um pouco escondida, mas quem procurar acabará por a encontrar.Eis uma síntese do que encontrei.Câmara de Montijo - A acta da reunião da edilidade, realizada no passado dia 12, está aqui;Câmara da Moita - Acta da reunião da edilidade, realizada a 5 deste mês, está aqui;Câmara de Palmela - Aplaudo! A acta da reunião de 26 de Abril está aqui;Câmara de Setúbal - Decisões da reunião de 19 de Abril. O respectivo documento está aqui;Câmara se Seixal - Atrasada. Só deliberações da reunião de 1 de Março. Esse documento está aqui;Câmara de Sines - Atrasada. Só decisões da reunião de 2 de Março. Documento está aqui;Câmara de Santiago do Cacém - Decisões da reunião de 20 de Abril. Documento está aqui;Câmara de Grândola - Decisões da reunião de 30 de Março. Documento está aqui;Câmara de Almada - Mas que odisseia inútil! Só decisões da reunião de... 18 de Janeiro. Documento está aqui.
Voltando ao caso de Alcochete, devo recordar que este executivo iniciou funções há seis meses e do seu programa eleitoral para a Câmara Municipal, submetido ao sufrágio no passado mês de Outubro e que recebeu a aprovação da esmagadora maioria dos votos expressos, consta a seguinte passagem:"3. Garantir que os cidadãos-munícipes e que os parceiros institucionais tenham acesso à informação relevante da Câmara Municipal e das Juntas de Freguesia:
a. (...);
b. (...);
c. Assegurar a qualidade da informação, bem como assistência e apoio aos cidadãos na compreensão das políticas autárquicas:
(i.) (...);
(ii.) Garantir a permanente actualização de conteúdos do sítio da Câmara Municipal;
(iii.) Criar páginas Web para as Juntas de Freguesia;
(iv.) Promover o e-Administration."
Estas promessas foram mentiras, senhoras e senhores da CDU? Isto não deveria ter sido imediatamente posto em prática?Que têm andado a fazer nestes 180 dias, que justifique esquecerem-se do que prometeram?Ou será que, como no mandato anterior, seis meses antes das próximas eleições locais far-se-á de conta que se cumpriu o prometido?Eu tenho o saco cheio de promessas. E você?
O presidente da câmara de Alcochete prometera, há tempos, concluir a variante urbana da vila até ao final de Abril. Até nisso falhou, embora a previsão tenha sido feita com pouco mais de um mês de antecedência.A construção da artéria da discórdia e futuro "ponto negro" rodoviário do concelho parou, uma vez mais, sem que ninguém se justifique nem apresente desculpas. E duvido que o atraso real, relativamente à promessa, seja inferior a um mês.Tanto pior para os moradores na Urbanização dos Barris, que nunca mais vêem chegar o dia em que os autocarros deixarão de os incomodar, das 06h00 às 02h00.O único problema que a variante resolve é o dos autocarros mas, paralelamente, originará outros novos, sérios e desnecessários em termos de segurança dos peões, pelo facto de ter sido abandonada a construção de uma passagem superior, desde sempre prevista mas preterida por motivos... financeiros.Em boa verdade deveria haver três ou quatro passagens aéreas entre o Cerradinho da Praia e a Estrada da Atalaia, mas esse é um assunto de que se falará, certamente não muito depois da abertura da via, quando ocorrer o primeiro acidente grave.Gostaria ainda de chamar a atenção para o facto de, no estado actual da construção da variante, subsistirem armadilhas e riscos para peões imprevidentes ou desprevenidos.Falta, por exemplo, colocar algumas tampas e grelhas em caixas abertas no solo.Veja-se o caso da imagem acima: uma caixa de esgotos pluviais supostamente protegida com... pedaços de madeira. Esta situa-se junto à rotunda dos Barris e num dos locais muito utilizados por peões.
Na Constituição Gaudium et Spes, o Concílio Vaticano II dá o aval à visão do lugar de Cristo como centro do universo. As raízes desta perspectiva teológica remontam a São Paulo, já que, para este apóstolo, Deus «...deu-nos a conhecer o mistério da Sua vontade segundo o beneplácito que n'Ele de antemão estabelecera para ser realizado ao completarem-se os tempos, reunindo sob a chefia de Cristo todas as coisas que há no Céu e na Terra» (Ef., 1, 9-10).Ora Johannes Kepler (1571-1630), cristão e astrónomo, não endossava a ideia de um sistema solar heliocêntrico com base em princípios objectivos e científicos, mas nas próprias convicções religiosas. Na verdade, kepler acreditava que Cristo, Luz da luz (Lumen de lumine) é o centro do universo. Logo o Sol, excelsa imagem do Verbo encarnado, só poderia estar no centro da Galáxia com todos os planetas em torno daquela estrela.Eis a verdade científica a partir de uma base dada pela fé.