04 abril 2006

Juízo de facto e juízo de valor

Eu não penso que de um juízo de facto se não possa deduzir um juízo de valor, razão por que, perante a gestão autárquica em Alcochete depois do 25 de Abril, conclua que os homens que passaram pela Câmara, comunistas e socialistas, foram incompetentes.
Também não penso que de um juízo de valor se não possa deduzir um juízo de facto, razão por que, perante um bom presidente de Câmara como foi o Dr. Luís Santos Nunes, conclua que o aparecimento de um autarca da mesma envergadura se torne possível ainda nesta década em Alcochete.
O actual presidente da Câmara, em exercício há alguns meses, também é de nome Luís mas de apelido Franco. Daqui não passará porque a máquina partidária que serve não lhe permitirá a veleidade de outras franquezas.
Se as forças de direita em Alcochete se unirem para as próximas eleições autárquicas de uma forma muito séria, talvez o desejo de um verdadeiro autarca que restitua esta terra aos munícipes se consubstancie em facto incontornável.

O mito do mundo unipolar

« Nunca existiu mundo unipolar. A Guerra Fria foi simplesmente substituída por um novo duelo de gigantes: de um lado, os EUA; de outro, um agregado multinacional de poderes que inclui a "intelligentzia" esquerdista mundial, os organismos internacionais (ONU, Unesco, OMS, OIT, FMI, Banco Mundial), milhares de ONGs e um punhado de conglomerados financeiros que, mesmo quando de capital maioritariamente americano, têm interesses que vão muito além dos da nação americana [...]. Esse agregado representa claramente o núcleo da Nova Ordem Mundial, uma força dirigista e socialista que vive de sugar energias vitais dos EUA, usá-las em projectos megalómanos de controle universal que restringem a soberania nacional americana junto com a dos demais Estados e, por fim, lançar a culpa de tudo na própria nação americana» (Olavo de Carvalho:2001).

Gripe das aves (2)

Repare-se nesta noticiazinha do Expresso Online (04-04-06): A Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmou a morte de uma 24ª pessoa na Indonésia vítima de gripe das aves, anunciou hoje um porta-voz do Ministério da Saúde indonésio. A vítima é uma menina indonésia de oito anos que morreu no ano passado, mas cujas análises foram enviadas com atraso para o laboratório acreditado pela OMS em Hong Kong que contabiliza as mortes oficiais por gripe das aves. « À partida pensávamos que tinha morrido de um problema cardíaco. Mas um dos nossos funcionários conservou as amostras do seu sangue. Após as análises no laboratório da OMS em Hong Kong, os resultados revelaram-se positivos», afirmou Runizar Rusin, responsável do Ministério da Saúde indonésio.
Então a menina da notícia morreu o ano passado e só agora é que as amostras de sangue seguiram para laboratório? Por que razão? Porque pensaram que a criança tinha morrido de um problema cardíaco? Mas isto vai de pensar? E por que do pensar ao verificar decorreu tanto tempo? Onde está o rigor e responsabilidade jornalísticos? Os leitores deste blog estão mesmo convencidos de que o texto do Expresso não é para débeis mentais?
Meus amigos, não quero, de modo nenhum, ter certezas sobre tudo, mas que a OMS é um braço da "intelligentzia" esquerdista mundial constitui uma certeza das poucas que tenho.

03 abril 2006

Nihilismo ou a liberdade do amor?

Os pais alimentam, vestem, calçam os filhos; o Estado manipula-os.
Essa manipulação começa na Escola. Basta abrir na pág. 151 o manual de língua portuguesa para o 10º ano (Garrido, A., Duarte, C., Rodrigues, F., Afonso, F., Lemos, L., Antologia, Lisboa Editora, Lisboa, 2003) e lermos o seguinte poema de Miguel Torga (Diário, vol. V, 1951):

Vento que passas, leva-me contigo.
Sou poeira também, folha de outono.
Rês tresmalhada que não quer abrigo
No calor do redil de nenhum dono.

Leva-me e livre deixa-me cair
No deserto de todas as lembranças,
Onde eu possa dormir
Como no limbo dormem as crianças.


Dentro do esboço de análise aqui possível, o sujeito desta escrita vê-se no fim de uma estapa que fim de um mundo é ("sou poeira também, folha de outono"). A superbia deste eu leva-o a arredar toda a segurança que o recebido (legado) transmite ("rês tresmalhada que não quer abrigo/ no calor do redil de nenhum dono"). Deste parricídio ou morte da tradição passamos para a segunda estrofe que confirma a primeira, confrontando-nos com a absoluta recusa da memória, isto é, do passado ("leva-me e livre deixa-me cair/no deserto de todas as lembranças"). Nesta insolência (hybris), o mundo passaria a ser o limbo (utopia primordial) de uma nova ordem de sonho ("onde eu possa dormir/ como no limbo dormem as crianças"), livre de quaisquer marcas civilizacionais. Estas varrê-las-ia a passagem do vento que levaria o sujeito lírico não se sabe bem para onde ("vento que passas, leva-me contigo").

O Torga deste poema não sabe para onde vai, mas eu sei para onde vão os jovens. Se não soubese, como poderia intitular este trabalhinho como intitulei?

02 abril 2006

Burocracia e educação dos jovens

Imperceptivelmente, cada vez é maior a ingerência da burocracia na educação dos jovens.
O objectivo é tornar os pais incapazes de educar os seus próprios filhos cujos caprichos fazem lei. Nesta conformidade, a educação familiar passa de realidade a miragem: os jovens já não são filhos dos pais, mas da sociedade.
Será que não se perceba a estreita relação entre o aumento da criminalidade e a disseminação de práticas educacionais que consideram a obediência do filho ao pai uma violência contra a criança?
Só falta mesmo considerar que o crime seja um acto revolucionário!

01 abril 2006

Alcochetanidade

Minha terra, Alcochete, a tradição
É valor sacrossanto para gente
Hospitaleira e sã de coração,
Capaz de um sacrifício boamente.

Vem depois o valor da forcadagem,
Abraço firme de homem e animal,
Pintura, poesia e fadistagem
Deste lindo rincão de Portugal.

Defender a cultura do terrunho
Será tarefa dura nesta era,
Mas deste meu fazer não me acabrunho.

O poema diz, eu sei, valer a espera.
Que cada homem leve o próprio cunho
Ao grande encontro sob a face vera!

Até breve (2)

Mais abaixo, António avisa-nos que deixará a sua cadeira livre por uns dias.
Também a minha ficará vazia, por algum tempo, mas prometo voltar logo que possível.
O condómino João Marafuga não fica só, mas bem acompanhado por vós. Além disso, em espírito estamos ambos com ele.
Até breve!

Política: a minha visão (2)

No passado Outubro faltaram dinheiro, organização, projectos e líderanças que justificassem votações significativas nos partidos à direita e à esquerda do tradicional eixo alcochetano CDU-PS. Naturalmente, o PCP e os independentes com ele alinhados eram a alternativa.
Para o inêxito dos partidos fora desse eixo contribuíram também dois problemas conhecidos: muitos dos novos moradores (que representam já metade da população) não estão recenseados em Alcochete e quase 40% dos inscritos nos cadernos eleitorais ficaram em casa.
Ambos os problemas radicam num outro ainda mais delicado: à população urbana, chegada após a abertura da ponte Vasco da Gama, interessa pouco, ou mesmo nada, o que há para além do prédio onde habita. Distanciada da realidade e dos problemas locais, preocupada sobretudo com o emprego, as prestações e a família, vive noutro planeta.
O desinteresse explica a abstenção elevada. Em meia dúzia de anos, Alcochete passou de vila pacata a dormitório igual aos outros, sem que o poder local tenha mexido um dedo para o evitar.
Regressando ao universo do eixo político tradicional alcochetano, as quatro principais causas da derrota do PCP em 2001 – divisões internas, pressões exteriores, pessoal camarário e Freeport – foram as mesmas que ditaram idêntica sorte ao poder socialista, no passado mês de Outubro.
Detendo então uma maioria confortável nos órgãos do município, no início de 2004 o PS local começou a ser minado por divergências internas. No Outono desse ano esteve para ocorrer uma cisão no grupo dos seus eleitos locais, que só não foi avante, aparentemente, para evitar a repetição de fenómeno semelhante, ocorrido pouco mais de dois anos antes, com os eleitos da CDU. Ainda agora o problema parece longe de uma solução.
A segunda causa da derrota socialista nas eleições de Outubro – pressões exteriores – é melhor conhecida. A arrogância e a prepotência de alguns destacados membros do poder e seus apaniguados, em múltiplas circunstâncias e meios, disparando em todas as direcções, foi imprevidente e prejudicial à sua imagem.
Não me custa a crer que, pouco antes das eleições, o chefe da edilidade fosse o autarca mais impopular do distrito, segundo sondagem que um dos partidos locais diz ter na sua posse. Prejudicado também por motivos de outra índole, cujos efeitos são devastadores em meios pequenos de comadres e primos, onde o boato queima até inocentes na praça pública.
Nesse período o PCP aproveitou o vento bonançoso e intensificou a circulação de boletins informativos nas caixas de correio, beliscando o adversário nas partes fracas. E, no início de 2005, quando desencadeia contactos e pressões junto da população sensível, das colectividades e dos funcionários da câmara, apercebe-se que o adversário político teria de lutar muito e bem cedo para se agarrar ao poder.
Mas este não fez nada disso, deixando quase tudo para as vésperas da campanha. Cumprida de forma atabalhoada e, inevitavelmente, desastrosa.
O pessoal camarário e as colectividades foram o terceiro motivo da derrota socialista de Outubro. O caso das colectividades é simples: sempre que falta dinheiro no montepio começam os problemas.
As receitas da autarquia evoluíram abaixo dos seus compromissos e necessidades e, desde o ano passado, foi necessário apertar mais o cinto. As dívidas de curto prazo subiram acentuadamente, prejudicando outra faixa populacional sensível no concelho e na região: a dos pequenos empresários fornecedores da câmara.
No caso dos funcionários municipais, tenho dificuldade em entender que vantagens espera qualquer executivo retirar de relações tensas com subordinados. Os riscos parecem-me óbvios, mormente se o executivo se rodeia de um núcleo duro de assessores, controversos e bem pagos, gente que para o pessoal do quadro será sempre mercenária.
Com isso a porta ficou entreaberta para o PCP agitar as massas. Os funcionários da câmara valem mais de um milhar de votos.
Quarta e última causa da derrota socialista: Freeport e Misericórdia.
Em Fevereiro de 2005, quando a Polícia Judiciária esteve em Alcochete a apreender documentação e computadores em vários locais, incluindo os paços do concelho, a muralha socialista sofreu outro sério rombo.
Cinco meses depois, foram a GNR e o tribunal a dar cabo do resto ao pararem à força as obras de construção da nova biblioteca pública, devido a providência cautelar interposta pela Santa Casa da Misericórdia de Alcochete.
Concluindo: sem sinais claros de mudança no estilo de governação, o que o PCP ganhou em 2005 perderá facilmente da próxima vez. Porque quem ganhou as eleições foi o povo soberano!

31 março 2006

A gripe das aves


Meus amigos, cada vez temos que ficar mais atentos porque cada vez há mais homens e mulheres, acoitados em todos os partidos de esquerda, a cortar o compromisso com a ordem dos valores que fizeram a nossa civilização.
Alguns desses valores são o respeito pelos direitos individuais, a propriedade privada, a livre iniciativa, etc.
O seu a seu dono é um valor cristão por cima do qual se tenta imperceptivelmente passar.
Em nome de valores meramente intramundanos como os que decorrem do ecologismo, vários proprietários pouco ou nada podem fazer nas suas próprias terras.
Sem pretender reduzir a problemática em torno da gripe das aves a uma mentira absoluta, a verdade é que a pretexto dessa moléstia se está a atacar grandes empresas aviárias.
Será que a gripe das aves é qualquer coisa muito empolada contra a civilização industrial, isto é, contra o progresso? Fica esta pergunta para quem não deixa que outros pensem por si.

Uma quadra de António José Paulista


Linda terra de Alcochete,
Cada vez estás melhor!
Que ninguém de ti se ausente,
Faça as compras na Freeport.

Até breve!


Durante uns dias esta cadeira permanecerá sem ocupante. Até breve!

Política: a minha visão (1)

O PCP de Alcochete sabe bem que, nas eleições locais de 2001, a sua derrota nada teve a ver com «Trabalho, Honestidade e Competência». Candidatos filiados e independentes não eram uma corja de mandriões, desonestos e incompetentes.
Tal como a vitória recente resultou, sobretudo, do voto útil e de um conjunto de circunstâncias sobejamente conhecidas dos mais atentos, todas exteriores ao partido, embora tenha havido algum hábil trabalho de desgaste dos socialistas, nomeadamente junto do pessoal da câmara e da população receptiva.
A diferença mais visível, entre 2001 e 2005, esteve na qualidade das campanhas, a última melhor planeada e executada. Mas a estrutura organizativa manteve-se quase imutável e, salvo algumas trocas de posições, os principais derrotados de 2001 foram "repescados" e venceram em 2005.
Em 2001, houve quatro razões concretas para o partido perder e ser afastado do poder, ao fim de 19 anos de maiorias quase sempre esmagadoras.
Primeira, na parte final do mandato houve sérios desentendimentos internos. Lembro o caso DDI, a fábrica de destruição de munições de guerra, em Rego da Amoreira. A divisão perdurou durante a campanha eleitoral, mal delineada e conduzida. Uma semana antes das eleições, a CDU estava trancada em casa e o PS tomou conta do terreno.
Segunda razão, durante cerca de ano e meio o vencedor desgastara e fragilizara o poder junto da opinião pública letrada e atenta, mormente através de dirigentes das colectividades e da comunicação social.
Terceira, perdeu porque os funcionários da câmara e os dirigentes das colectividades estavam fartos de um executivo forreta. A câmara é um montepio e o maior empregador de residentes no município, dela dependendo, directa ou indirectamente, quase todas as colectividades e centenas de famílias de fracos recursos (umas 3.000 pessoas, pelas minhas contas).
Dirigentes associativos, empregados da câmara e respectivas famílias tinham (e terão nos próximos anos, sempre que a abstenção for elevada) o poder de ditar o desfecho eleitoral no município.
Quarta razão: o "chumbo" da primeira versão do empreendimento Freeport, pouco antes das eleições, ingenuamente "vendido" como uma espécie de taluda para o concelho. Essa foi, sem a menor dúvida, a pazada de terra decisiva sobre o cadáver do poder então vigente.
Fico-me por estas quatro razões concretas, pois o melhor é não cavar muito fundo.

(continua)

Joaninha


Luís Pereira enviou-me o seguinte texto e a imagem ao lado. Há em ambos recordações de infância de muitos alcochetanos:

As crianças são, na sua alegre inocência e transparência, o despertar da esperança e a expressão viva da consciência de uma comunidade.
No meio dos jogos das taurinas, na condução do arco, no interlúdio da escola onde era hábito jogar à bola com a matéria de que se fazem as meias (ou outra qualquer), no meio da calçada onde se jogavam com os dedos as tampas dos refrigerantes apontadas para o bocal da condutas das águas pluviais, no arremesso de pedras durante a caça aos pássaros com a agonça, na malha jogada ao pé cochinho sobre os quadriláteros desenhados no areal, nas lutas de espadachim feitas de espadas de madeira artesanais, surgia sazonalmente um insecto.
Dotado de élitros e asas protegidas desfraldando as cores do estandarte local, um insecto amigo aterrava, sazonalmente, sobre a nossa pele tisnada pelo sol, no meio do ambiente perfumado pelos aromas das flores bravas do campo.
Todos saudavam, tradicionalmente, o recém-chegado desta forma (lembram-se?):

"Joaninha avoa, avoa,
Qu tê pai tá em Lisboa
Com um saque de farinha
Pra dar à Joaninha"

Depois de recebida a saudação amiga, o insecto agradecido levantava a âncora e esvoaçava, silenciosamente, por entre as gentes, sob o aplauso da criançada. Era uma festa!
Alguns tópicos sobre o insecto:
Joaninha é o nome popular de um insecto da família Coccinellidae. Os cocinelídeos possuem corpo semi-esférico, cabeça pequena, patas muito curtas e asas membranosas muito desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa.
Há cerca de 4500 espécies dentro deste grupo, distribuídas por 350 géneros, distinguíveis pelos padrões de cores e pintas da carapaça.
As joaninhas são predadores no mundo dos insectos e alimentam-se de afídeos, moscas da fruta e outros tipos de insectos. Uma vez que a maioria das suas presas causa estragos às colheitas e plantações, as joaninhas são consideradas benéficas pelos agricultores.

30 março 2006

E mais esta...

Charca de abeberamento e gramíneas para pasto.
Fórum Cultural, (pormenor).

Obrigado ao «Escândalos no Montijo»

O blogue do concelho vizinho, sempre atento ao que se passa em Alcochete, referencia hoje esta peça de António.
O condomínio «Praia dos Moinhos» agradece a Bruno Morais a deferência.

Fotografe os problemas, mande-nos as imagens


Nenhum dos autores deste blogue tem a pretensão de conhecer todos os problemas existentes no concelho de Alcochete. No entanto, é importante referenciar o máximo possível para que haja soluções rápidas e oportunas.
Daí este apelo à vossa inestimável colaboração.
Enviem, por favor, via e-mail, para um dos contactos indicados na coluna da esquerda, imagens e informações sobre problemas e assuntos de carácter geral e interesse público que desejem ver resolvidos em Alcochete, Samouco, São Francisco, Passil, Fonte da Senhora, Barroca d'Alva, Pontão, Rilvas, Pinhal do Concelho, Monte Laranjo, etc.
Respeitaremos o anonimato, sempre que tal seja solicitado.
Qualquer dos condóminos deste blogue continuará a andar por aí, de máquina fotográfica em punho. Mas se aos três se somarem trinta, talvez haja soluções mais depressa.

A lista de assuntos pendentes será actualizada e publicada mensalmente, tal como a das soluções.

Apoiado

A decisão governamental constante desta notícia peca somente por duas coisas: não ter sido adoptada há mais tempo e não prever que os encarregados de educação dos menores de 18 tenham também de exibir o cartão de recenseamento eleitoral no acto da primeira matrícula dos dependentes.
Alcochete é um bom exemplo dessa necessidade.

A variante da vergonha

Finalmente, a variante da vergonha chegou ao fim.
Serão uns 400 metros de asfalto cujas obras se arrastaram penosamente durante mais de um ano.
Mas pronto, cá temos o alcatrão da 2ª fase da variante urbana a reluzir ao Sol. Não obstante tudo, a nossa pobreza obriga-nos a suspirar de alívio (a revolta é um luxo, razão por que não nos abalançamos a tão altos voos).
Alívio aparente, porque a nova via levanta problemas de resolução bem difíceis: de um lado os Flamingos, do outro os Barris; de um lado a Escola El-Rei D. Manuel I, do outro a Escola Secundária de Alcochete.
Por outras palavras: a variante é o diâmetro de uma circunferência cuja área é duma densidade populacional muito elevada. Face a esta realidade incontornável, que farão os nossos avisados autarcas? Resolverão os problemas com semáforos? Com uma ponte aérea? Com estas duas coisas em simultâneo? A concretização desta última pergunta é, no mínimo, o que exigem preocupações de segurança sérias, uma vez que, para já, parece estar arredada a hipótese de um túnel.

Praia dos Moinhos

(Clique na imagem s.f.f.)
Bom dia!

Olh'á barraca fresquinha!


A Praia dos Moinhos está em obras (a autêntica e não este condomínio blogosférico). Já não era sem tempo, caramba!
Presumo ser coisa semiclandestina porque, contrariamente ao que a lei prevê, ninguém mandou afixar placa com as indicações do tipo de intervenção, do proprietário, do executante, dos técnicos responsáveis, do prazo de execução, do custo da obra, etc., etc.
Num dos extremos existe apenas placa publicitária de empresa de jardinagem. Será uma pista para Hercule Poirot?
A meu ver será, porque a obra é antigo compromisso do urbanizador dos blocos de apartamentos situados frente à praia. E só não foi concretizada na devida ocasião porque alguém teve mais olhos que barriga.
Passemos adiante, porque esse alguém já foi despedido com justa causa.
Admitamos que aquilo é surpresa da Primavera e a autarquia decidiu manter a obra sigilosa, para a anunciar com estardalhaço. Faz mal, penso eu. Mas as boas e as más acções facturam-se na época da caça ao voto.
O que aqui me traz não são essas obras mas o inestético T0 – cuja imagem apresento acima – fresquinho e com vista privilegiada sobre o rio, esquecido no areal, entre um velho moinho e o Pikolé.
Aquilo tem acabamentos de quinta categoria, não dispõe de cozinha nem anexo para aflições intestinais, não pagou certamente imposto de palhota e jamais pagará imposto de turismo ou de imóveis, pelo que deveria ser levado dali o mais depressa possível. É feio, porco e mau aquele T0!
Montem-no apenas quando faz falta e pelo período estritamente necessário à função, que julgo serem poucos dias no Verão.
Vá lá, cuidem da paisagem. Levem dali a barraca fresquinha!