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23 dezembro 2006

Pensar não ofende

Provavelmente esta não será a melhor altura para propor uma reflexão sobre a matéria abordada nesta notícia do «Sol».
Mas faça-se um esforço, vá lá.
Isto porque o município de Alcochete está entre os 159 que cobram 10% de derrama sobre o IRC pago pelas empresas ao Estado.
No entanto, podia estar entre os 149 que não cobram tal derrama.
Pergunto: derrama sim? Derrama não?

18 dezembro 2006

Triste fado: fábrica vira urbanização


Está estampado numa acta da edilidade de Alcochete, em reunião realizada a 14 de Junho último, algo que abordara superficialmente neste texto, baseado nos poucos dados então conhecidos: a fábrica de cortiça Orvalho, no Largo da Feira, em Alcochete, vai dar lugar a loteamento com 92 habitações, em edifícios de quatro pisos com parqueamento em cave.
Só em parte conheço a história da ida dessa fábrica para Vendas Novas – tendo escutado, nomeadamente, trocas de mimos entre autarcas – e preconizo, uma vez mais, que se peçam explicações acerca da transferência de uma unidade industrial radicada há 52 anos em Alcochete.
Explicações que devem ser dadas, publicamente, pelos principais protagonistas no processo, todos conhecidos e no exercício de funções públicas.

Enquanto cidadão e munícipe só posso lamentar que mais uns quantos alcochetanos sejam forçados a mudar de vida porque, inevitavelmente, a transferência da fábrica para outro concelho implica substituição de alguma mão-de-obra directa ou indirectamente ligada a esta terra.
A troca de uma fábrica por habitações rende, em um ou dois anos, milhões de euros a um voraz município especializado em atolar-se no lodo de elefantes multicoloridos. Mas torna-nos social e economicamente mais pobres e agrava problemas que continuam a ser habilmente iludidos ou escondidos debaixo do tapete.
Quanto ao estacionamento de veículos, por exemplo, o loteamento em causa está mal dimensionado.
A área total sujeita a intervenção é de 25.460 m2 e a área de construção acima do solo de 12.800m2. A previsão de lugares de estacionamento próprio coberto é de 200, a que se adicionam mais 222 lugares de parqueamento na via pública.
É pouco, muito pouco espaço para estacionar automóveis numa zona já hoje visivelmente crítica. Tenho a certeza que, em menos de cinco anos, haverá veículos arrumados sobre os passeios, como sucede noutras urbanizações de construção recente.
Mais uma vez não se aplica a política ambientalmente correcta de dedicar a áreas verdes e de lazer 3/4 do espaço total de intervenção, pois é cedida ao município somente uma área de 14.485m2 para infra-estruturas e espaços verdes. Falta saber, de resto, de que infra-estruturas se trata e qual a área efectiva destinada a zonas verdes e de lazer.
Até hoje a autarquia nada disse sobre o que pensa fazer com esse espaço, excepto que o actual estacionamento de veículos na Rua do Norte (no Bairro das Barrocas, entre a igreja da Senhora da Vida e o Museu de Arte Sacra) transitará para essa nova urbanização.
Anteriormente, neste texto, eu criticara tal decisão da câmara por considerar ilógico que se tente recuperar e repovoar o centro histórico da vila mas, paralelamente, se obriguem os moradores a deixar o automóvel a 400 metros de casa, ou mais.
Em face dos dados ora conhecidos não é difícil prever que, dentro em breve, haverá muito mais automóveis sobre os passeios e em artérias vedadas ao trânsito no centro histórico da vila. Culpa de quem?
Enquanto os eleitos locais continuarem a apostar no betão para pagar elefantes multicoloridos e alimentar a pesada, ineficiente e incontrolável máquina administrativa, pouco mais haverá a esperar que o agravamento de problemas bem conhecidos.

13 novembro 2006

Empresas nossas amigas (3)

Com cerca de duas décadas de actividade e meia dúzia de anos após ter construído uma unidade industrial de preparação e transformação de cortiça em Alcochete (Pinheiro da Cruz), esta empresa factura mais de 12 milhões de euros anuais e exporta cerca de 35% desse valor.
Dentro dos princípios que defini no primeiro texto, a propósito do desconhecimento mútuo entre cidadãos e empresas, desta também nada é possível saber através da Internet acerca da sua interacção com a comunidade local. Todavia, há informação suficiente para depreender a existência de preocupações ambientais.
A esmagadora maioria dos alcochetanos passará frente a ela, duas vezes ao dia, no IC13, embora desconheça as suas actividades e que ali poderão trabalhar familiares, amigos e vizinhos.
Insisto num apelo aos empresários de Alcochete: transponham para os vossos sítios na Internet a informação possível sobre a forma como interagem com a comunidade local. Lembrem-se do Livro Verde para a Responsabilidade Social das Empresas.

12 novembro 2006

Apelo aos empresários

Há pouco mais de um mês escrevi isto a propósito do afã informativo sobre um certo plano estratégico de turismo para Alcochete, ao qual não dou crédito por me parecer que as notícias prenunciam somente "betonização".
Acabo de ler esta notícia relacionada com a marca Ribatejo e o vizinho distrito de Santarém, contendo imensas pistas para trabalhar acertadamente no futuro, parecendo-me a oportunidade ideal para sublinhar dois erros alcochetanos: a inexistência de associação empresarial e o desconhecimento da relevância real e potencial da marca Alcochete.
É bom recordar que várias empresas com sede no concelho se situam entre as que apresentam maior volume de vendas e de exportações nos respectivos sectores de actividade, à escala nacional.
Porém, são nulas a representatividade e a intervenção local, nem se assumem como parceiros sociais, apesar de serem, seguramente, os maiores contribuintes líquidos do orçamento municipal (excluindo o Estado).
Quanto à marca Alcochete, tenho lido várias promessas eleitorais sobre o tema. Mas, tal como diz a letra de uma canção de Lena d'Água, fora das campanhas os políticos são atacados de amnésia.
Para isso só há um remédio: ignorar os políticos e deitar mãos à obra.
Não há desenvolvimento com "betonização", mas com captação de indústrias e actividades empresariais amigas do Ambiente e da mão-de-obra alcochetana.
A intervenção dos empresários radicados parece-me fundamental, embora ninguém saiba o que pensam sobre o seu e nosso futuro.

20 outubro 2006

Empresas nossas amigas (2)

Escrevi aqui que o desconhecimento mútuo entre cidadãos e empresas é uma estranha realidade em Alcochete e, cumprindo a promessa de tentar contribuir para a desejável e útil aproximação, menciono hoje uma grande e já histórica empresa sedeada no nosso concelho, cuja casa-mãe remonta aos finais do séc. XIX a partir de uma ideia genial de William Painter (1838-1906), o inventor da popular carica.
Originalmente denominada Ormis-Embalagens de Portugal, Ld.ª, a fábrica de Alcochete começou a laborar por volta de meados da década de 50 (terá comemorado as bodas de ouro?) e surgiu como organização especializada de vários fabricantes de latoaria e de conservas de Algarve, Setúbal e Lisboa.
Eram eles Ramirez, Perez, Cumbera & Cia (industriais conserveiros com fábricas em Olhão e Vila Real de Santo António); Sociedade Mecânica Setubalense, Ld.ª (indústria de latoaria, de Setúbal); Sociedade Industrial Setubalense, Ld.ª (indústria de impressão em folha de flandres, de Setúbal); Soliva-Sociedade de Litografia e Vazio, Ld.ª (indústria de latoaria de Vila Real de Santo António); Silva, Saldanha, Ld.ª (actividade desconhecida, de Lisboa).
Infelizmente, neste sítio na Internet nada é referido acerca da sua actual fábrica em Alcochete. Problema comum à maioria das multinacionais, às quais basta serem grandes: esta, em 2004, tinha 185 fábricas em 43 países e 27.600 empregados.
Em Alcochete fabrica, em laboração contínua, embalagens metálicas ligeiras. É exportadora e está entre as 10 maiores empresas nacionais do ramo
No ano 2000 empregava 254 pessoas e o volume de negócios ascendeu a 33.134.485,89€. No início do ano corrente empregava 300 pessoas e o volume de negócios no último balanço então existente foi de 36.667.953€.

Isto foi o que encontrei noutras fontes nacionais disponíveis na Internet.
Já agora, deixo aqui uma sugestão ao museu municipal: organize-se uma área exemplificativa dos produtos industriais "made in Alcochete".
As empresas devem interagir com a comunidade envolvente, informando-a e retribuindo-lhe parte do que dela recebem. Os cidadãos devem conhecer as empresas vizinhas, porque a maioria (ou, muito provavelmente, todas) dão emprego a familiares, amigos e conhecidos. Ao abastecerem-se no mercado local geram também inúmeros empregos indirectos, tal como contribuem para engordar as receitas municipais.
Espero ajuda com novas ideias e a descoberta de mais exemplos porque, infelizmente, da maioria das empresas pouco é possível saber através da Internet. Oxalá também as empresas sejam sensíveis e contribuam para melhorar a informação.

19 outubro 2006

Notícias da catedral

Há páginas que considero de consulta imperativa por abordarem matérias sensíveis que a maioria deveria conhecer e sobre elas pronunciar-se, designadamente se incidem sobre Alcochete. Esta e esta são duas dessas páginas.
Previamente à autorização de execução, a lei obriga a que certos planos e projectos sejam submetidos a apreciação pública pelas entidades com poder de decisão. Como a maioria dos cidadãos desconhece dispor de algum poder de influência – até porque, localmente, a "democracia participativa" e a "qualidade da informação, bem como a assistência e apoio aos cidadãos na compreensão das políticas autárquicas" são bazófia eleitoral – nas consultas públicas raramente se colhem reacções. É pena.
Hoje já não está na primeira das páginas acima referenciadas – mas esteve até há dois dias – um tópico respeitante a relatórios de monitorização ambiental elaborados de acordo com o estudo de impacte ambiental de 2002 da "nossa" catedral de consumo Freeport.
Como a democracia electrónica é coisa bonita (em certos órgãos, bem entendido, porque noutros é o que se sabe...), este cidadão pediu e recebeu os relatórios e extraiu deles as seguintes conclusões:

1. Foram elaborados por uma consultora do empreendimento, remetidos para apreciação aos órgãos competentes do Estado e estão datados de Maio e Junho passados;
2. A Câmara Municipal de Alcochete renovou, em 17 de Maio passado, por um novo período de 18 meses, a licença de construção do complexo, prorrogando-a até 25 de Outubro de 2007. Mais adiante voltarei a este assunto;
3. As obras de recuperação e renaturalização do Sítio das Hortas terminaram em Junho último, tal como as de construção da fito-ETAR na Área C do empreendimento (o tal espaço de 132.984m2 que um dia será aberto ao público);
4. À data destes relatórios, os serviços técnicos da Câmara Municipal de Alcochete ainda não se tinham pronunciado sobre o plano de gestão da Área C. Ao contrário do Instituto de Conservação da Natureza, que emitira parecer favorável. Segundo me disse fonte ligada ao processo, a aprovação e execução do plano de gestão são indispensáveis para que a Área C seja acessível ao público;
5. Conclusão expressa nos relatórios: "o acompanhamento ambiental de todos os trabalhos e procedimentos desenvolvidos no complexo têm permitido verificar a minimização de impactes ambientais negativos exptectáveis para um empreendimento desta natureza, bem como o incremento no desempenho global de todas as actividades afectas ao mesmo". Ainda bem.

Voltando ao ponto 2 acima, confesso que me admira. O empreendimento abriu ao público em Junho de 2004 e foi inaugurado – com pompa e circunstância, por príncipes, ministros, autarcas e colunáveis – em Setembro seguinte. Mas, dois anos depois, renova-se a licença de construção. Não por causa da parte comercial mas porque a maior parcela (132.984m2) não estava ainda concluída. Esta é uma área ambiental e sobre as vicissitudes que a rodearam seria interessante que, um dia, alguém se explicasse.
Já agora recordo que em entrevista concedida, em Janeiro passado, ao «Jornal do Montijo», o actual presidente da câmara confessava a "dependência municipal da receita extraordinária oriunda da Freeport, se for concedida a licença de utilização do outlet".
Contudo, quatro meses depois os serviços renovavam a licença de construção por mais 18 meses. Havia dependência dessa receita? Deixou de haver? Quem nos explica?
Em 13 de Janeiro escrevi aqui sobre o assunto, verberando essa declaração do chefe da edilidade porque ao nível do poder local o empreendimento continuava a ser encarado como a vaca leiteira de Alcochete.
Dez meses volvidos, perante novos dados que desconhecia, apetece-me perguntar se a declaração foi fruto do voluntarismo e do entusiasmo das primeiras semanas de mandato.
Creio que a vaca continua a sorrir.


P.S. - Para quem já se esqueceu, talvez seja conveniente reler atentamente este documento.

13 outubro 2006

Empresas nossas amigas (1)

O desconhecimento mútuo entre cidadãos e empresas é uma estranha realidade em Alcochete.
As empresas não interagem com a comunidade envolvente nem lhe retribuem parte do que dela recebem. E os cidadãos desconhecem tudo sobre as empresas, embora a maioria (ou, muito provavelmente, todas) dê emprego a familiares, amigos e conhecidos. Ao abastecerem-se no mercado local geram também inúmeros empregos indirectos, tal como contribuem para engordar a lauda das receitas municipais.
O Livro Verde para a Responsabilidade Social das Empresas, publicado pela Comissão Europeia, preconiza a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais nas operações e na interacção das empresas com outras partes interessadas. Na dimensão exterior, o Livro Verde recomenda às empresas que cooperem com a comunidade e tenham em conta a responsabilidade ambiental, o mecenato, etc.
A título de contributo para a tão desejável quanto útil aproximação entre cidadãos e empresas de Alcochete, deixo-vos a primeira de várias pistas que prometo fornecer doravante: o sítio na Internet de uma empresa cujas sede e instalações fabris muitos conhecem exteriormente, embora raros saibam o que produz na nossa terra.
Actualmente é uma empresa de capital totalmente nacional, utiliza algumas tecnolgias de ponta e a sua presença na Web parece-me minimamente esclarecedora. Pena é que nada informe acerca da interacção com a comunidade envolvente.
Espero ajuda com novas ideias e a descoberta de mais exemplos porque, infelizmente, da maioria das empresas pouco é possível saber através da Internet.
Oxalá também as empresas sejam sensíveis a esta mensagem e ajudem a melhorar a informação.

12 outubro 2006

Ambiente de mal a pior

Se até agora havia poucos ou nenhuns motivos de satisfação acerca do trabalho do Instituto de Conservação da Natureza em Alcochete, a fazer fé nesta notícia imaginem o que sucederá no futuro à Reserva Natural do Estuário do Tejo.
Vai ser um fartar vilanagem.
Se nem com a sede da RNET em Alcochete conseguiram pôr à disposição dos interessados no contacto com a Natureza a área de lazer do Freeport (a "famosa" Área C), daqui em diante percam as esperanças de que aqueles 132.984m2 sejam "nossos" na actual geração.
A quem já se esqueceu das promessas feitas no ano de 2002, recomendo a leitura atenta deste documento.

23 julho 2006

Responsabilidade social das empresas

Há, em Alcochete, empresas e colaboradores das ditas interessados em copiar este bom exemplo?
O município e outras entidades privadas, nomeadamente as de solidariedade social, acolheriam de bom grado cooperação idêntica?
Centrado em Alcochete, não me recordo de alguma vez tal ter sido noticiado em órgãos de comunicação social local ou regional.
No entanto, cada vez mais empresas procuram assumir uma postura social consciente, interagindo com as comunidades envolventes e retribuindo-lhes parte do que delas recebem.
O Livro Verde para a Responsabilidade Social das Empresas, publicado pela Comissão Europeia, preconiza a integração voluntária de preocupações sociais e ambientais nas operações e na interacção das empresas com outras partes interessadas.
O Livro Verde recomenda às empresas, por exemplo, que cooperem com a comunidade, tenham em conta a responsabilidade ambiental, o mecenato, etc.

09 março 2006

Outlet vai bem

Ao contrário do que referem alguns profetas da desgraça, o negócio do aluguer de espaço no outlet de Alcochete está a evoluir positivamente.
Em português não há qualquer informação sobre o assunto, mas leiam aqui (em inglês) o último relatório da administração submetido aos accionistas, respeitante ao segundo semestre de 2005. Referências a Alcochete nas págs. 4 e 5 do documento em PDF.
Notei, por exemplo, que o aluguer de espaço no outlet de Alcochete vai em 80% da capacidade e mais 9% estão em negociações, tendo aumentado 38% em relação ao primeiro semestre do ano passado. Por sinal é o maior crescimento de aluguer de espaço nos outlet do grupo e superior ao dobro do Excalibur (situado na fronteira da Áustria com a Rep. Checa).
Alguém pensaria em vender esta "galinha dos ovos de ouro"?

04 janeiro 2006

Questão política ou factos que a justiça deve julgar? (2)


Os números falam por si e não os considero surpreendentes. Há autarquias mais pequenas, com dívidas muito superiores.
Dias antes das eleições de 9 de Outubro, o actual presidente da câmara e eu próprio escutámos o relato de um funcionário municipal descrevendo factos e verbas que prenunciavam gestão desregrada. Se houve ou não também gestão danosa, só à justiça cabe ajuizar e punir, sendo caso disso.
Graves são, por agora, as consequências para inúmeras pequenas empresas envolvidas nesta teia de impunidade e perversidade, financiadoras presumivelmente forçadas das ambições e da cegueira de um poder local podre e descontrolado. Alguns ainda se espantam quando a maioria das obras públicas custa o dobro ou o triplo do valor-base inicialmente anunciado...
Estranho que tantos cidadãos paguem alegremente este regabofe e raros ousem questionar chicos espertos armados em xerifes autárquicos.
Mais estranho que, com tantos maus exemplos por esse país fora, as deliberações que envolvam verbas avultadas não tenham de ser votadas e justificadas por maiorias de 2/3 ou mesmo 4/5, nas câmaras e assembleias municipais.
A verdade é que um presidente de câmara têm mais poder que o Presidente da República e, não raras vezes, vereadores e deputados municipais parecem marionetas ou patetas.
Não concebo que continue a permitir-se a alguns autarcas esbanjar em "elefantes" multicoloridos, enquanto adiam para as calendas obras prioritárias em aglomerados populacionais mal conhecidos porque periféricos, onde não há condições de vida dignas. A 30kms do Terreiro do Paço, no séc. XXI, há alcochetanos que habitam em locais semelhantes a pocilgas!
Passemos às responsabilidades políticas que, perante algumas afirmações graves do actual presidente da câmara, os eleitores devem exigir a todos os eleitos no mandato anterior.
Nenhum dos 12 pontos resumidos na primeira parte deste texto pode ficar sem esclarecimento cabal de todos os cidadãos eleitos no mandato de 2002/2005. Repito: TODOS. São nada menos de 34, entre Câmara Municipal (7) e Assembleia Municipal (27).
Muitos foram reeleitos para novo mandato e outros andam por aí. Não consta haver alguém foragido ou em parte incerta. Há quem aspire a novos cargos no futuro e quem os tenha conseguido no presente. O próprio presidente da câmara em exercício era deputado municipal.
Até prova em contrário, todos os eleitos são solidários com o estado das finanças municipais. Terão conhecido, votado ou ignorado decisões relevantes e, quem não votou contra nem denunciou deliberações ilegítimas ou irregulares, tacitamente aceitou-as.
Note-se que o primeiro ponto da ordem de trabalhos de qualquer reunião ordinária da Assembleia Municipal é a apreciação de um relatório das actividades e da situação financeira do município, apresentado pelo presidente da câmara. Confesso que, no período 2003/2004, li um ou dois desses documentos e pasmei. Não me recordo de ter escutado qualquer deputado municipal a invocar a lei de competências das autarquias e a protestar pela exiguidade da informação financeira.
Câmara e assembleia são órgãos colegiais, tendo o primeiro papel executivo e o segundo a função de acompanhar e fiscalizar as decisões daquela. Não há disposição legal que obrigue a assembleia a vergar-se a decisões da câmara, mesmo que as maiorias sejam comuns.
Desculpem a insistência mas faz sentido repetir e adaptar à oposição uma frase usada anteriormente para o poder: a credibilidade dos eleitos, a dignidade das instituições e a participação dos cidadãos nos assuntos locais não se preservam nem potenciam com omissões, desatenções e irreflexões.
Se algum dos anteriores eleitos conhecia a real situação financeira do município (bem como outros factos que, provavelmente, se virão ainda a saber no futuro), importa esclarecer por que não a denunciou em tempo. Se desconhecia, convém explicar as causas e contribuir para que se tomem as medidas convenientes.
Se alguém conhecia mas não denunciou o que é agora do domínio público, a bem da democracia faça o favor de tirar as devidas ilações políticas: renuncie aos cargos, peça desculpa e nunca mais se candidate às autarquias.
Importa ainda apurar, eventualmente, que disposição legal permite aos líderes de maiorias políticas sonegar informação a correligionários e à oposição. Alguns eleitos que consultei a propósito deste assunto alegam desconhecer o que veio a público. Depreendo não lhes ter sido fornecida informação suficiente para votar em consciência e exercer cabalmente o poder de representação dos cidadãos, o que me parece particularmente grave.
Entre duas hipóteses parece-me plausível somente uma: ou todos os eleitos foram iludidos e está aberto o caminho para levar os responsáveis a tribunal, ou o poder local é uma farsa. Recuso-me a encarar a segunda hipótese.
Parece-me indiscutível que o julgamento político do anterior executivo, feito pelos cidadãos a 9 de Outubro, foi justo e amplamente justificado. Será que basta para ficarmos descansados?
Finalmente, chamo a atenção para o ponto 11 da primeira parte deste texto. Segundo o novo presidente da câmara, o município carece, urgentemente, "de uma receita extraordinária", podendo o novo executivo vir a adoptar medidas que considera "não serem dignificantes para a autarquia, mas que podem vir a mostrar-se necessárias".
Talvez seja melhor explicar-nos o assunto como se fôssemos muito burros!

01 janeiro 2006

Uma ideia!

Eu costumava dizer aos meus amigos que uma fabrica de botões em Alcochete seria mais benéfica para o Concelho do que a Freeport. Curiosamente, não me lembro de alguém alguma vez ter refutado esta ideia que cheguei a espalhar em órgãos de comunicação social.
A verdade é que nós temos a Freeport que neste momento faz a travessia do deserto, sem que seja preciso ostentar um curso de economia para ver tão triste realidade.
Tudo isto precisa de uma cambalhota porque, uma vez que temos este Outlet, não ficaremos mais ricos com um hipotético fecho de portas.
As pessoas vêm a Alcochete por causa da Freeport. E se fosse ao contrário? Se viessem à Freeport por causa de Alcochete?
Para tal, a primeira coisa a fazer era tornar digno e atractivo para carros, bicicletas e peões o acesso àquele empreendimento comercial.
Paralelamente, criar-se-iam parques de estacionamento-automóvel na periferia da vila.
Depois, devia-se recorrer a ofertas culturais (museus, folclore, artesanato, fado, tauromaquia, gastronomia regional...) e dar estímulos legais à restauração.
O Tejo e as salinas poderiam ser uma atracção para muita gente desde que se promovessem eventos que não entrassem em ruptura com as nossas tradições, mas que as continuassem sem escudar a face ao sopro dos novos ventos.
Assim, a Freeport, sinal do nosso tempo, entraria em diálogo com uma terra que tem muitos séculos de história, daí advindo ganho para ambas as partes.

15 dezembro 2005

No país das originalidades


Enquanto há empresários a pedir 0% de IRC sobre os rendimentos das sociedades comerciais, a Direcção-Geral dos Impostos cobra, ao abrigo do art.º 116 n.º 1 do Regime Geral das Infracções Tributárias, uma taxa anual de 50 euros aos sócios das empresas encerradas, que entregaram a declaração legal de cessação da actividade na respectiva repartição de finanças.
Isto porque a entrega dessa declaração não suspende, automaticamente, a obrigatoriedade da apresentação anual de uma outra: a declaração de rendimentos, prevista no art.º 109 n.º 1 b) do Código do Imposto do Rendimento das Pessoas Colectivas (CIRC).
É lícito questionar para que quererá o Ministério das Finanças arquivar papel inútil, se recebeu há anos a notificação de cessação da actividade e, consequentemente, uma empresa encerrada não tem rendimentos anuais a declarar.
Saiba-se, no entanto, que o Estado se aproveita disso: como uma empresa encerrada não tem contabilista, organização ou estrutura para cumprir a obrigação anual da entrega da declaração de rendimentos a zero, invariavelmente os sócios são punidos com a coima de 50 euros.
É a colecta mínima pela simples existência de um número fiscal inactivo nos computadores do fisco!
Tão ou mais desmotivadora do empreendedorismo quanto
isto e a colecta mínima de IRC, que algum dia alguém virá a descobrir ser a principal causa da tremenda realidade estatística que representa o encerramento de mais de 40% das empresas registadas, maioritariamente pequenas e médias, aquelas que empregam mais gente, fazem funcionar a economia e contribuem para o desenvolvimento de qualquer país.

Por essas e por outras razões que seria fastidioso enumerar, já não me surpreendem notícias como esta.
Some-se a isto a estúpida burocracia que rodeia a extinção de qualquer empresa por vontade dos sócios, a qual leva a maioria das vítimas a adiar indefinidamente ou a desistir de um acto que deveria ser tão singelo quanto a constituição de novas sociedades comerciais.