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12 dezembro 2006

Símbolos (11)

TEMPO-SERVIDÃO

A hidra assalta a casa do Senhor
Sem que o guardião resista à arremetida.
Pela terra se espalha amarga dor
Sob a pata de serpe tão temida.

Se o monstro ataca e o pastor hesita,
Que fará o rebanho amedrontado?
Cada ovelha em seu canto p'ra ali fica
Logo à mercê das garras do danado.

Nunca provoco a fera à minha frente,
Mas não fujo nem quero acomodar-me
Ao tempo-servidão de pobre gente,

Antes p'rà Cruz do meu Senhor virar-me
Decidido e com força bem premente,
Se do Mal por aí quiser livrar-me.

João Marafuga

11 dezembro 2006

Símbolos (10)

O politicamente correcto é abjecto.

NU

Aí há veste
Linda por fora,
A venda à peste
E a gente ignora!

Eu ando nu
Sem ter vergonha
E também tu
Larga a peçonha!

Olha o irmão,
Eis o teu rosto...
Já tens razão
P'ra andar com gosto!

Eu ando nu
Sem ter vergonha
E também tu
Larga a peçonha!

Mantém a chama
Desta lucerna
Que o mundo inflama
De vida eterna!

Eu ando nu
Sem ter vergonha
E também tu
Larga a peçonha!

João Marafuga

10 dezembro 2006

Símbolos (9)

Há coisa de uma dezena de anos, falava eu sobre temas da nossa terra com um dos raríssimos ex-autarcas comunistas que nunca precisou do partido para viver. Deambulávamos ao longo da marginal do Rossio e eu, a dado passo da conversa, lastimava vereadores do município de Alcochete cujas credenciais não iam além do diploma da 4ª classe. A resposta logo dada foi a seguinte: " Está bem, mas são grandes trabalhadores!".
Não ripostei, mas enquanto ele julgava que eu o ouvia, ia pensando que, segundo os comunistas, ser 'grande trabalhador' será condição suficiente para ser autarca. E interrogava-me silenciosamente: "Mas isto não é fazer pouco de todos os que honestamente fazem pela vida?"
Nesse mesmo dia, quando cheguei a casa, fiz este soneto.

O GOSMA

Avança o gosma feito lince à espreita,
Matreiro a controlar o movimento,
Não surja tresmalhado impedimento
À trama desta vez quiçá perfeita.

Há-de ser presidente ou segundo-homem,
Para si uma ou outra coisa vale.
Ao ignaro por tolo não o tomem,
Ganhar reforma nédia o grande ideal.

Digam que apenas tem a quarta classe
Que contra dizem ser trabalhador
E sem haver à frente quem lhe passe.

O gosma rejubila com fervor
Sem ver contradição que o embarace,
Gerindo a estupidez a seu favor.

João Marafuga

09 dezembro 2006

Símbolos (8)


A raiz é símbolo do passado, das origens, das tradições...
O passado que arrasta o rosto dos nossos pais e avós, as origens que nascem do chão, as tradições que cristalizam normas, todos decorrem de uma ordem que templo é por cima de nós.
A destruição do templo deixar-nos-ia sem abrigo à mercê de intempéries e bestas esfaimadas.

ALCOCHETE

Alcochete, meu amor,
A raiz do meu cantar,
Tu menténs o meu verdor,
Tu do mundo és meu altar.

Alcochete, meu reduto,
Minha gente, minha igreja,
Teu condão me fez adulto
Como int'ressa que homem seja.

Alcochete, já chorei,
Por ti choro ainda agora
Feito homem que p'la grei
Uma lágrima devora.

Alcochete, dura via,
A força do meu viver,
Se de ti fugisse um dia
Matava todo o meu ser!

Alcochete, dá-me a graça
Duma cova no teu chão,
Por convir que jus se faça
Ao amor de coração.

João Marafuga

RAIZ

Recorda, alcochetano, o teu passado,
Memória que estrutura vero ser
Contra a ruína atroz do parecer
Por gente distraída ambicionado.

Da árvore que se ergue rumo ao céu
A raiz a segura firme ao chão
E o vento nela investe fúria em vão
Como se a protegesse forte véu.

A raiz a defende, alcochetano,
De ilusão preparada por matreiro
Portador luzidio de fundo engano.

Amor à nossa terra a terapia
De mim, de ti, do povo todo inteiro
A favor do equilíbrio cada dia.

João Marafuga

Símbolos (7)


O traço vertical simboliza a Eternidade, o Infinito, a Transcendência, o Espírito...
O traço horizontal simboliza o tempo, o finito, a imanência, a carne (do homem e do mundo)...
A Cruz de Cristo é a união da Eternidade e do tempo, do Infinito e do finito, da Transcendência e da imanência, do Espírito e da carne...

A CRUZ

Dois milénios lá vão depois do crime,
Dessa morte sem crime que fizesse,
Mas ódio contra a cruz o mundo esgrime
P'ra cercar de veneno a grande messe.

A cruz por todo o sítio levantada
Incomoda a consciência dessa gente
Que bebe até ficar embriagada
Tanto sangue de vítima inocente.

Enquanto o homem do homem faça pouco,
Se erga a cruz imponente em todo o monte
E se exiba um opróbio que lhe aponte

O fazer e dizer deveras louco
A mostrar de uma vez a vera fronte
De quem jamais bebeu na prima fonte.

João Marafuga

08 dezembro 2006

Símbolos (6)

Cada palavra do poema é penhasco indelével de uma cadeia montanhosa a favor de uma causa. Qual? A causa dos valores da Civilização Ocidental e cristã.
Sou cristão convicto, mas não sou bonzinho.
Quando levamos uma bofetada e o Evangelho da Cruz aconselha a darmos a outra face, certamente não quer dizer que nos deixemos matar sob agressão de outro. De facto, para defender Cristo eu preciso de estar vivo.

ANÕES

Muitos querem na mão trazer chicote,
Sobre os outros poisar a dura carda,
De cano alto mostrar a bota parda,
Tudo e todos forçar ao próprio mote.

Anões que nada enxergarão por cima,
Estão longe de atingir o homem todo.
Os caminhos que pisam são de lodo,
Tudo o que pensam com relinchos rima.

Mas se p'ra ti levantam as arreatas,
Não arredes migalha do lugar
Nem temas investidas insensatas.

Porventura não venham a julgar
Que alçam sobre um qualquer as grossas patas
E com iguais se vejam a lidar!

João Marafuga

INIMIGOS DA CAUSA PÚBLICA

P'ra eles se olha e vê-se a estupidez
Que homem inferior em si projecta.
A mente deles preta como pez
É prima-irmã duma lixeira abjecta.

Dos outros a fazerem sempre escada,
Ei-los mandante aqui, gosma acolá,
E à gente a trabalhar esperançada
P'lo apoio prometem o maná.

Finalmente pousados sobre o galho
Quais aves de rapina sobre a presa,
Meter ao bolso próprio eis trabalho
De quem valor por lei alçou vileza.

Indestrutíveis guardas da cidade
Que afirmam defender com valentia,
Nunca ouviram falar de dignidade,
Termo raro sem uso em grande orgia!

João Marafuga

07 dezembro 2006

Símbolos (5)

Todo o bébé é um pobrezinho indefeso, símbolo dos milhões de pobres indefesos à face da terra. Isto mesmo nos é dito por Cristo que morreu como nasceu: indefeso.

BÉBÉ

Esse dedo mindinho transparente
A sair atrevido da coberta
E contra opinião quiçá incerta
Parece já dizer: "Eu estou presente;

Sou pequeno, mas tenham lá cuidado;
Aqui no berço vive outra pessoa;
Não falo e minha voz ao mundo soa
Tal como de indefeso forte brado.

É para respeitar o meu direito
Tanto quanto eu não posso defendê-lo,
Pois de idade um mesinho tenho feito.

Meu biberão fervido quero vê-lo,
Farinha da que mamo sempre a jeito
E banho à noite não convém esquecê-lo!"

João Marafuga

Símbolos (4)

O símbolo é qualquer coisa visível que remete para algo invisível.
Assim, vemos a bandeira nacional, mas não vemos o que ela representa, isto é, a pátria.
O Deus-menino é um excelso símbolo da Encarnação, isto é, da verdade nunca vista pelos olhos da cara de que o homem e o mundo recebem um sentido (logos).

ENCARNAÇÃO

Ama Deus tanto o mundo que encarnou
No ventre de mulher de todos seio.
Assim Jesus o Cristo à terra veio
E eternidade e tempo n'Um juntou.

Mas foi tão radical encarnação,
A seguir reforçada pela Cruz,
Que toda a face de homem hoje é luz
Por graça de tamanha doação.

Encarnação, palavra do futuro
Donde vem o presente que é querido
Por homem que derrube todo o muro,

Caminhe rumo ao outro destemido,
E sem ligar a pedra de chão duro,
Grite, "Valeu a pena eu ter vivido!"

João Marafuga

Símbolos (3)

Deus desce sobre todos os conceitos e vai para lá deles.
Deus é a realidade das realidades.
Quem sou eu ou o que valho eu para negar Deus?
E quem nega Deus tem mesmo a certeza de que não se nega a si próprio?
Negamos Deus para nos colocarmos no lugar d'Aquele que é a vida, julgando que podemos acabar com esta já que dá-la nos é impossível.
Sim, eu não posso dar a vida porque não sou a vida. Nem sequer alguma vez a vi.

DEUS É AZUL

Deus não fica além do homem
Como coisa independente.
Minha crença não a tomem
Vista agora de repente.

O homem-homem sobe alto,
Passa a estrela mais distante
Sempre a ir de salto em salto
Contra meta que o quebrante.

Nesta ânsia de infinito
Cor de céu em dia claro
Que atormente um ser aflito
Vejo Deus ao homem caro.

Eu recuso um Deus polícia
A rondar por todo o lado
À maneira de milícia
Em país de chão castrado.

Só em plena liberdade
Mira o homem o seu rosto.
Pasma então com a verdade
Que nunca tinha suposto!

João Marafuga

Símbolos (2)

No fundo, todas as palavras têm uma carga simbólica porque são bandeirinhas que remetem para conceitos como uma bandeira nacional remete para o conceito de pátria.
O termo alcochetanidade, património de todos mas cuja paternidade me pertence, é símbolo de um objecto mental que alude a traços marcantes da micro-cultura alcochetana.
Dizem que os mesmos traços se encontram nas populações da Moita ou de Vila Franca. A minha exigência de pensamento rigoroso diz-me que não é assim. As diferenças entre duas terras são tão abissais como entre duas pessoas. Cada uma destas é única e irrepetível.
Mas o que dá mais peso ao conceito de alcochetanidade é esta plêiade de poetas, pintores, artesãos, fadistas e guitarristas de Alcochete que não sei se encontra paralelo nos concelhos da margem sul do Tejo.

ALCOCHETANIDADE

Minha terra, Alcochete, a tradição
É valor sacrossanto para gente
Hospitaleira e sã de coração,
Capaz dum sacrifício boamente.

Vem depois o valor da forcadagem,
Abraço firme de homem e animal,
Pintura, poesia e fadistagem
Deste lindo rincão de Portugal.

Defender a cultura do terrunho
Será tarefa dura nesta era,
Mas deste meu fazer não me acabrunho.

O poema diz, eu sei, valer a espera.
Que cada homem leve o próprio cunho
Ao grande encontro sob a face vera!

João Marafuga

06 dezembro 2006

Símbolos (1)

Imaginem, caros amigos, que eu chego aqui e digo: os comunistas são uns mentirosos. Eis uma proposição para um juízo que não é minimamente produtivo porque se trata de um facto.
Os factos, por si só, não mudam nada se não forem trespassados pela verticalidade do símbolo. Só quando este se instala no imaginário colectivo, acolhemos umas coisas, desprezamos outras.
Afirmar simplesmente que os comunistas são mentirosos porque na última campanha eleitoral nesta terra de Alcochete fizeram inúmeras promessas apenas para a caça ao voto deixa tudo como está.
Mas suponham que a luta é levada a cabo através de outro tipo de registo. O poema, por exemplo! Aqui tudo muda de figura porque o objecto artístico tem o condão de dar vida ou morte a símbolos, estruturas complexas que mexem com o ser de cada um.

NINHO

Alcochete, o meu ninho,
Do salineiro e do moço
De forcado e do campino,
De entre nós artreda o fosso.

O valor da tradição,
Da Senhora da Vida
E também da Conceição,
Tu mantém, minha querida.

João Batista o padroeiro,
Tua festa grandiosa
De Agosto dia certeiro,
Guarda sempre mui zelosa.

A família o teu escudo,
Todo o povo o fortim.
Não consintas abelhudo
Que não veja isto assim.

João Marafuga

28 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (9)


NATAL

Numa noite longa e fria
Nasceu o Jesus menino.
Traz um canto de alegria
No peitinho pequenino.

"Glória a Deus lá nas alturas,
Paz aos homens de vontade!"
Estas são vozes futuras
De outra era, nova idade.

Mãe e pai de cada lado
Do menino envolto em panos,
Por pastores adorado,
Gesto simples de serranos.

Chegaram magos do Oriente,
Homens de saber profundo,
Cada um com seu presente
P'rò Senhor de todo o mundo!

Vai-se a noite, vem o dia,
Primeiro da salvação.
O homem já tem um guia
Que o salve da servidão.

João Marafuga

15 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (8)


ESTRELA

"Dá-me aquela estrela, mãe,
Que eu vejo ali no céu!
Quero tê-la assim na mão
Como tenho um griséu!"

"Meu filho, está longe a estrela,
Não a posso agarrar!
Amanhã tu vais vê-la
Lá no mesmo lugar!"

"Dá-me aquela estrela, mãe,
P'ra brincar aqui com ela!
Mais linda não há ninguém
Que a pintasse sobre tela!"

"Meu filho, sou pequenina,
Meus braços não chegam lá!
Vamos, vamos p'ra caminha
Que nos chama o papá!"

"Ó mãe, olha p'ra cima,
Uma estrela cai do céu!
A mim vem direitinha,
Até parece um troféu!"

Este poema é da autoria de João Marafuga

13 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (7)


QUEM DERA...

Ser andarilho
P'lo campo fora
De sítio sujo
Eu ir-me embora.

Ser barca ao longe
Sobre onda brava
Do céu cimeira
P'lo mar levada.

Ser ave rara
Pena carmim
Ir de abalada
Sem meta e fim.

Ser nuvem branca
Lençol de amor
Que o vento leva
Com tanta dor.

Ser estrela à noite
E tão radiante
Que a todos dê
Luz fulgurante.

João Marafuga

06 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (6)

PESCADOR

Pescador que foste ao mar
De manhã bem cedinho
P'ra depois regressar...
Mas não vieste de caminho!

O povo se alvoroçou
A correr para a praia
E ao mar se lançou
P'la "Senhora da Atalaia".

A lancha bailarina
Apanhou a ir só
A cantar a triste sina
Que à gente mete dó!

Gritos chegam das ondas
Do mar a perder de vista.
Pela terra sem delongas
Não há dor que resista.

"Adeus camarada,
Lembrança querida!...
Ó alma levada
De amarga partida!..."

João Marafuga

02 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (5)

LANCHA

Lá vai menina,
Lancha no mar.
Carrega sina
Que a faz chorar.

Lá vai gelada,
De peito ao vento.
Sofre calada
Duro tormento.

Já longe dança
Quase à porfia.
As redes lança
Sobre água fria.

Uma tainha
Na rede cai,
Mas a lanchinha
Não solta um ai!

Lá vem sofrida
De volta à praia
E tão garrida,
Linda catraia!

João Marafuga

01 novembro 2006

Para petizes de palmo e meio (4)

PASTOR

Quem me dera ser pastor,
Ter casebre sobre o monte,
Levantar-me ao alvor,
Para o Sol virar a fronte,

Ajoelhar-me no chão,
Erguer as mãos ao alto,
Rezar de gratidão
Sem qualquer sobressalto,

Descer a vertente
Agarrado ao cajado,
O rebanho à minha frente
Feito mar ondulado,

Ao meio dia descansar
À sombra de uma azinheira,
Meu amor recordar
Mais aquela Sexta-Feira...

Sexta-Feira aziaga
Que noivado acabou.
Desde então sangue e água
Do meu peito jorrou.

João Marafuga

30 outubro 2006

Para petizes de palmo e meio (3)

DESCOBERTA

Fui de Braga a Santiago,
De Portugal à Galiza
A cumprir antigo fado
Que inda hoje tanto viça.

Arrimado ao meu bordão,
Saco ao ombro do preciso,
Todo em recordação
Duma era que diviso.

Encontrei um pastor
Atrás do seu rebanho.
Entreguei-me àquela dor,
À memória de antanho.

Avancei no meu caminho
Rumo sempre ao Santuário.
Uma tarde cansadinho
Vi de Cristo o sudário.

Abandonei o cajado
Agarrado à descoberta
Que a procura sem achado
É montanha deserta.

João Marafuga

29 outubro 2006

Para petizes de palmo e meio (2)

JOANINHA

Eu cá sou a vermelhinha,
Senhora de boas-novas
E também uma gracinha...
Nestas pintas vão as provas.

Pintinhas pretas na cor,
Salpicos sobre carmim.
Sou mensageira de amor
Sem nada pedir p'ra mim.

Das árvores sou amiga,
Como piolhos sem conto.
Inda assim há quem siga
Conselhos de velho tonto!

Poiso às vezes sobre gente
Que nem sempre acolhe bem
O meu gesto que é presente
Sem encargo p'ra ninguém!

Fico então muito tristinha
Por tamanha ingratidão,
Mas eu sou uma joaninha
Afeita sempre ao perdão.

João Marafuga

26 outubro 2006

Para petizes de palmo e meio (1)

PINHEIRINHO

Pinheirinho a dar ao vento
Sozinho no descampado,
Eu percebo o teu lamento,
Esse choro abafado.

Esse choro abafado
Sem remédio que te valha.
Tudo à volta está tragado
Por monstro que a morte espalha.

Por monstro que a morte espalha
Cuja fome nunca sacia.
Monte e vale vira em fornalha,
Some tudo o que o chão cria.

Some tudo o que o chão cria,
Para trás fica o cinzeiro,
Cemitério sem valia,
Durante dias fumeiro.

Durante dias fumeiro
Por onde a vista alcança...
Pinheirinho derradeiro,
De outro mundo és a esperança!

João Marafuga